Tufões | PME poderão receber indemnização mesmo sem danos

O Governo de Macau anunciou ontem que Pequenas e Médias Empresas (PME) poderão aceder a um seguro para fenómenos climáticos extremos, sendo oferecida uma indemnização por tempestades que afectem o território, mesmo sem registo de danos.

“Quando for emitido o sinal 10 de tempestade tropical, o mais elevado, e este se mantiver içado por 10 horas ou mais, o segurado poderá reclamar uma indemnização correspondente a 10 por cento do respectivo capital seguro”, explicou ontem numa conferência de imprensa o director-geral do Departamento de Subscrição da Companhia de Seguros Vida China Taiping, Hong Jiawen. Tanto em Macau como na região vizinha de Hong Kong, a escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10 (o mais elevado), com a emissão a depender da proximidade da tempestade e da intensidade do vento.

O representante adiantou que a nova medida complementa o regime existente, que cobre danos causados por eventos como o nível 8 de tufão, marés de tempestade ou sinal de chuva intensa. Os prejuízos abrangidos incluem danos em edifícios, fundações de construções, mercadorias e equipamentos electrónicos.

Segundo um exemplo fornecido durante o evento, no caso de uma de empresa comprar um seguro 15.000 patacas, teria um tecto máximo de cobertura de seguro de 100 mil patacas.

Segundo indicou no mesmo evento o chefe do Departamento de Desenvolvimento das Actividades Económicas da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, Lau Kit Lon, o Governo continuará a conceder subsídios às PME elegíveis, “com a taxa de comparticipação a aumentar de 50 por cento do prémio anual padrão para 70 por cento do prémio após a aplicação do desconto por inexistência de sinistros”.

Para a História

Entretanto, Chan Kuan I, administradora do Conselho de Administração da Autoridade Monetária de Macau, anunciou que, desde o lançamento em 2019 de um seguro de bens patrimoniais contra grandes desastres, foram emitidas 114 apólices e aprovados os respectivos financiamentos, num total de capital segurado de 16,9 milhões de patacas. “Quando o tufão Ragasa atingiu Macau no ano passado, o regime recebeu cinco participações de sinistros, todas rapidamente liquidadas, num total de 310 mil patacas indemnizadas”, disse Chan Kuan.

Em 2025, Macau registou 14 tufões, ultrapassando o anterior máximo histórico de 12, registado em 1974, e fazendo do ano passado aquele com o maior número de tempestades tropicais desde o início dos registos em 1968, segundo apontou a direção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG).

Os tufões Wipha e Ragasa levaram Macau a emitir o nível mais elevado de alerta, sendo a primeira vez que, “num mesmo ano, foi necessário hastear por duas vezes o sinal 10”, indicaram os SMG. Mesmo assim, até hoje um sinal de tempestade nível 10 só esteve em vigor durante um período de mais de 10 horas em Macau durante a passagem do tufão Ragasa no ano passado.

Os SMG prevêm que cerca de cinco a oito ciclones tropicais venham a afectar Macau em 2026, alertando para uma actividade ciclónica que poderá ser ligeiramente superior ao normal.

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