Rússia/Eleições | Putin renova maioria parlamentar

O partido que apoia o regime do Presidente Vladimir Putin, Rússia Unida (RU), revalidou a maioria parlamentar com um número recorde de pelo menos 355 dos 450 deputados, anunciaram ontem as autoridades eleitorais russas.

O anterior recorde era de 343 deputados e tinha sido alcançado pelo RU em 2016, de acordo com a agência francesa AFP. Numa primeira reacção, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, considerou que os resultados “demonstram um nível excepcional de coesão da sociedade russa em torno” de Putin.

Os resultados de mais de 95 por cento das assembleias de voto atribuíram ao RU cerca de 58 por cento dos votos para os 225 lugares distribuídos por listas partidárias, de acordo com a Comissão Eleitoral Central.

Outros 225 deputados foram escolhidos em círculos uninominais, e os resultados mostraram os candidatos do partido afecto ao Kremlin (presidência) a liderar em 208 dessas disputas, noticiou a agência norte-americana AP.

A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, disse que os resultados preliminares indicavam que o RU deverá obter pelo menos 355 lugares dos 450 que compõem a Duma Federal, a câmara baixa da Assembleia Federal.

Pamfilova congratulou-se com um recorde de afluência às urnas, que ultrapassou oficialmente os 59 por cento. “Trata-se, precisamente, da taxa de participação mais elevada de sempre registada em eleições deste nível”, afirmou. Os resultados definitivos estão previstos para sexta-feira.

Votos em tempo de guerra

A votação decorreu entre sexta-feira e domingo, naquelas que foram as primeiras legislativas russas desde que Putin ordenou a invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022.

Foi a primeira votação a incluir residentes de quatro regiões da Ucrânia que foram ocupadas e ilegalmente anexadas por Moscovo no final de 2022. A votação também se realizou na Crimeia, ilegalmente anexada pela Rússia em 2014.

A Ucrânia denunciou como ilegal a votação nas cinco regiões, cuja soberania reclama a Moscovo com o apoio dos aliados ocidentais de Kiev. Já a China felicitou ontem a Rússia pelas “bem-sucedidas eleições” e considerou que “os resultados reflectem a vontade popular”.

“A China apoia firmemente a escolha independente [dos eleitores] e está preparada para trabalhar com a Rússia para avançar nas relações bilaterais”, disse o porta-voz da diplomacia de Pequim Guo Jiakun, citado pela agência espanhola EP.

O partido liberal Yabloko, o único que se atreveu a criticar publicamente a guerra, foi retirado do boletim em Agosto, pelo Supremo Tribunal da Rússia. O Yabloko apresentou apenas algumas dezenas de candidatos em círculos uninominais. Alguns políticos antiguerra foram presos ou forçados a fugir para o estrangeiro antes da campanha eleitoral.

O Yabloko e o Partido Comunista, que criticou alguns aspetos da política governamental mas evitou cuidadosamente qualquer crítica a Putin, disseram que muitos dos seus observadores foram impedidos de entrar nas assembleias de voto.

A Rússia não convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), com o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo a acusar o organismo de “duplos critérios” pelas críticas a Moscovo.

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