China / ÁsiaTaiwan | Pequim contra “a narrativa da ameaça chinesa” Hoje Macau - 20 Mar 2026 A China apelou ontem a que se evite “alimentar a narrativa da ameaça chinesa” sobre Taiwan, após os serviços de informações norte-americanos indicarem que Pequim não prevê invadir a ilha em 2027 nem tem calendário definido. O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lin Jian afirmou, em conferência de imprensa, que “a resolução da questão de Taiwan é inteiramente uma questão que deve ser decidida pelo próprio povo chinês”. Lin acrescentou que esta questão “não admite qualquer interferência por parte de forças estrangeiras”. Os Estados Unidos “devem agir com prudência nas palavras e acções relativamente à questão de Taiwan”, disse o porta-voz, instando “as instituições e indivíduos norte-americanos relevantes” a “abandonarem preconceitos ideológicos e a mentalidade própria da Guerra Fria” e a “corrigirem as percepções sobre a China”. Segundo o Relatório Anual de Avaliação de Ameaças de 2026, divulgado na quarta-feira e elaborado pelos serviços de informações dos Estados Unidos, as autoridades chinesas deverão continuar a procurar “criar condições para uma eventual unificação com Taiwan, sem recorrer ao conflito”. “O país, apesar de admitir o uso da força para alcançar a unificação, se considerar necessário, e de contrariar o que entende como uma tentativa dos Estados Unidos de utilizar Taiwan para travar a sua ascensão, prefere atingir esse objectivo sem recorrer à força, se possível”, referiu o documento. Outras visões Esta avaliação contrasta com a expressa pelo Pentágono no final do ano passado, quando um relatório indicava que a China pretendia “travar e vencer” uma guerra em torno de Taiwan até ao final de 2027. A divulgação deste documento ocorreu antes da reunião prevista em Pequim entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, cuja data foi adiada a pedido do líder norte-americano devido ao conflito em curso no Médio Oriente. Entre os temas a abordar nesse encontro poderá estar precisamente a questão de Taiwan, considerada por Pequim como a “primeira linha vermelha” nas relações entre as duas potências.