Comité de investigação adia conclusões sobre incêndio mortal em Hong Kong

Um comité independente de investigação sobre o pior incêndio registado em Hong Kong desde 1948, que matou 168 pessoas em Novembro de 2025, disse terça-feira que adiou para o final de Outubro a entrega do relatório final.

O líder do Governo da região chinesa, John Lee Ka-chiu, criou o comité em Dezembro, com a missão de completar um relatório, em nove meses, sobre “as causas do incêndio” e “apresentar recomendações para prevenir incidentes semelhantes”.

O fogo, que deflagrou em 26 de Novembro do ano passado e se prolongou por mais de 44 horas, devastou sete edifícios de um complexo de habitação pública de Wang Fuk, situado na zona de Tai Po, nos Novos Territórios, onde viviam 4.600 pessoas.

Num comunicado, o comité sublinhou que realizou 30 sessões diárias de audiências, entre Março e Julho, onde ouviu depoimentos orais de 80 testemunhas e relatórios periciais, além de ter recebido declarações escritas sobre o incêndio.

A entidade disse que continua a receber “provas escritas e outros materiais”, sendo que já detém “mais de um milhão de ficheiros”, referentes a questões “numerosas e complexas, envolvendo muitas partes”. O comité admitiu que “é necessário mais tempo para analisar e estudar a grande quantidade de informação apresentada pelas várias partes” e elaborar um relatório “com base em factos concretos”.

Por isso, a entidade liderada por David Lok Kai-hong, juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong, pediu a John Lee a prorrogação do prazo para a apresentação do relatório, pedido que foi aceite. “Com base nos últimos avanços, o comité espera concluir o seu trabalho e apresentar o relatório ao Chefe do Executivo até ao final de Outubro”, sublinhou o comunicado da entidade.

Cigarro fatal

Em Junho, o magistrado já tinha recusado recomendar que o comité seja transformado numa comissão de inquérito, com poderes legais para convocar testemunhas.

David Lok Kai-hong disse que o comité já tinha recolhido provas substanciais e alertou que uma mudança de estatuto poderia arrastar o processo e atrasar as conclusões pelas quais esperam os sobreviventes e a população.

O juiz recordou o incêndio de Grenfell, em 2017, no Reino Unido, cuja investigação demorou nove anos, sendo que o julgamento não deverá ocorrer antes de 2029. “O nosso comité não deseja, nem permitirá, que tal coisa aconteça”, garantiu.

Em Junho, o advogado principal da comissão, Victor Dawes, disse que dois grupos de peritos, a trabalhar de forma separada, concluíram que o elevado número de mortes no incêndio teria sido “totalmente evitável”. A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, indicou que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores.

A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anti-corrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos.

Em 10 de Junho, sete pessoas e duas empresas foram acusadas de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal.

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado