EventosAlbergue SCM | Emoções em destaque na mostra “Gen Love-Disabled” Andreia Sofia Silva - 10 Ago 2026 Inaugura no próximo dia 20 de Agosto, no Albergue da Santa Casa da Misercórdia de Macau (SCMM), a exposição “Gen Love-Disabled”, onde o universo feminino pautado por desejos, relacionamentos e sentimentos é protagonista. Com curadoria de Kathine Cheong, esta mostra é apresentada pela Associação para o Desenvolvimento da Nova Mulher de Macau As facetas do mundo feminino, as suas dúvidas e anseios, estarão em destaque na próxima exposição acolhida pelo Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) a partir do dia 20. Trata-se de “Gen Love-Disabled”, um projecto da Associação para o Desenvolvimento da Nova Mulher de Macau, e que tem curadoria de Kathine Cheong. Entre os dias 20 de Agosto e 7 de Setembro será possível ver os trabalhos de artistas como Lu Shan, o colectivo “Simple Noodle Art” e Solène Su Cheng, oriundos, respectivamente, de Pequim e Qingdao; Taipé e Macau. Segundo um comunicado da organização, trata-se de uma exposição onde se abordam temas como a “intimidade e o desejo na era digital através de imagens geradas por Inteligência Artificial (IA)”. Além disso, há ainda uma instalação interactiva feita com recurso à IA, incluindo trabalhos com poesia e fotografia. Estes trabalhos partem da questão “Como alguém se torna incapaz de amar?”, e também de reflexões em torno da obra do sociólogo Zygmunt Bauman e do conceito de “modernidade líquida”. “Há cada vez mais pessoas que anseiam ser amadas, mas sentem-se incapazes de amar ou de manter uma relação”, sendo que, em todas estas questões, a tecnologia digital assume um papel com crescente importância. “Há muito que a tecnologia deixou de ser apenas o casamenteiro que nos liga”, destaca a mesma nota, sendo que a IA “está cada vez mais a tornar-se o próprio ‘par romântico'”, com o amor a ser cada vez mais “codificado em algoritmos”. Nesse contexto, “as plataformas sociais e os companheiros virtuais parecem aproximar-nos”. Porém, “será que, lentamente, estarão a remodelar a nossa incapacidade de amar na vida real?”. É a essa pergunta que estes trabalhos artísticos pretendem dar algumas respostas. A “palavra-chave” desta mostra é “Love-Disabled”, mostrando “a impotência e a confusão que estão no cerne da intimidade contemporânea”. Mensagens digitais Lu Shan, o artista oriundo de Pequim e Qingdao, e que recebeu o prémio “Nvidia Artist 100”, traz ao Albergue SCM o projecto “Island Man”. Trata-se de um vídeo que explora “ilhas digitais e a forma como a IA remodela a identidade digital, a memória e a solidão”. Vindo de Taiwan, o colectivo “Simple Noodle Art” apresenta “Exploration and Exploitation”, uma instalação que recorre ao “reconhecimento de emoções faciais em tempo real através de IA para reescrever o desdobramento narrativo que se desenrola perante o público”. Tal constitui “uma crítica à forma como a intimidade é consumida e observada no âmbito do capitalismo das plataformas”. Por sua vez, a artista local Solène Su Cheng apresenta “Knives”, uma série de obras “através de um livro de arte poética e de fotografia, retratando a psicologia do apego fragmentado, o anseio simultâneo por criar laços e o medo da separação”. Além da mostra em si, o público pode participar em programas complementares, cuja inscrição pode ser feita nas redes sociais da Associação de Desenvolvimento da Nova Mulher de Macau, com o IG newwomanmacau. Haverá um painel de debate no dia 20 de Agosto com dois grupos de artistas participantes, bem como o workshop “Give & Take: A Partner Practice for Somatic Awareness”, coordenado pelas embaixadoras da marca lululemon, Kathine e Suki. Destaca-se ainda a iniciativa “A Book Study on Love, Desire, Technology & the Curated Self”, liderada por Chung Yi Ting, directora do Ex LAB Taiwan. A ideia é, segundo a organização, que os visitantes passem “da observação passiva para a escrita activa, alargando a exposição a uma forma colectiva de autorreflexão e cura”. Guia sentimental Carol Li preside à Associação para o Desenvolvimento da Nova Mulher de Macau, e, sobre esta mostra, observa que “tem como objectivo guiar o público da recepção passiva para o envolvimento activo, permitindo-nos reflectir sobre a relação entre o eu e o amor”. A ideia é que o público, neste encontro com a arte, entre “em diálogo e em ressonância, curando gradualmente as almas”. Já a curadoria declarou que a ideia da incapacidade de amar não significa que a pessoa em questão esteja desprovida de sentimentos. “Por mais frágil e mutável que o amor possa ser nos nossos dias, isso nunca impede as pessoas de o ansiarem. Através desta exposição, espero que os espectadores possam, no meio da instabilidade e das contradições da geração “incapaz de amar” — entre o virtual e a realidade —, encontrar a coragem para enfrentar directamente a tensão da ambivalência e libertar-se do dilema do nosso tempo”, rematou. A abertura da exposição, na quinta-feira, 20, está marcada para as 19h30. O painel de debate “Digital Life Forms – Artistic practices with AI” conta com a presença de Lu Shan e o colectivo “Simple Noodle Art”. Segue-se, na sexta-feira 21, entre as 19h30 e 20h30, o painel “Give & Take A partner practice for somatic awareness”, com as embaixadoras da lululemon. Por sua vez, nos dias 22 e 23, sábado e domingo, entre as 14h30 e 18h30, acontece a iniciativa “A Book Study on Love, Desire, Technology & the Curated Self”, com Chung Yi Ting. Haverá visitas guiadas à exposição no domingo de 30 de Agosto e 6 de Setembro, às 17h.