PIB | Subida de 3,7% no primeiro semestre mas com incertezas

Apesar dos sinais de crescimento, os dados mais recentes mostram uma desaceleração do crescimento do PIB entre Abril e Junho

A economia cresceu 3,7 por cento no primeiro semestre em termos homólogos, resultado penalizado por uma forte travagem no segundo trimestre (0,3 por cento), depois de uma subida de 7,1 por cento nos primeiros três meses, foi anunciado.

O produto interno bruto (PIB) alcançou 209,89 mil milhões de patacas no primeiro semestre, mais 3,7 por cento em termos reais por comparação com período homólogo anterior, impulsionado pelo aumento do número de visitantes, segundo os resultados preliminares anunciados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) do território.

Este desempenho é equivalente a 89,1 por cento do volume económico do semestre homólogo de 2019, antes da pandemia de covid-19, mas é penalizado pelo forte abrandamento da economia da região no segundo trimestre.

Os dados preliminares do PIB relativos ao período de Abril a Junho foram de 102,33 mil milhões de patacas, resultado que se traduziu num crescimento real da economia de 0,3 por cento, em termos anuais, e, neste caso, representando 87,9 por cento do volume económico do mesmo trimestre de 2019.

A economia de Macau cresceu 7,1 por cento no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pelo aumento das exportações de serviços e pela subida significativa do número de visitantes, os dois maiores componentes do PIB da região, desempenho que marca os números do semestre.

Mais exportações

O desempenho da primeira metade do ano por principais componentes do PIB, saldou-se pelo crescimento de 7,2 por cento das exportações globais de serviços entre Janeiro e Junho, puxadas pelo crescimento homólogo do número de entradas dos visitantes na RAEM, na ordem dos 9,0 por cento.

No domínio da procura interna, a DSAL anunciou o crescimento homólogo de 2,8 por cento da despesa de consumo privado, tendo a despesa de consumo final do governo e a formação bruta de capital fixo diminuído 0,2 por cento e 9,4 por cento, respectivamente.

Nos primeiros três meses do ano, as exportações globais de serviços cresceram 12,8 por cento, acompanhando a subida de 13,7 por cento nas entradas de visitantes, com as exportações de outros serviços turísticos a aumentar 17,5 por cento e as de serviços do jogo 13 por cento.

O turismo registou um novo recorde histórico entre Janeiro e Março de 2026, ao receber 11,2 milhões visitantes, um aumento de 13,7 por cento face ao mesmo período de 2025 e superior aos valores pré-pandemia.

Redução do crescimento

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia de Macau desacelere este ano para 3,3 por cento, em resultado da menor actividade do sector do jogo e do prolongamento de taxas de juro elevadas. O PIB de Macau em 2025 cresceu 4,7 por cento em termos reais, atingindo um valor preliminar de cerca de 417,28 mil milhões de patacas, segundo os dados preliminares da DSEC.

De acordo com o comunicado da missão anual do FMI ao abrigo do Artigo IV, divulgado esta quarta-feira, a médio prazo, o crescimento da economia da RAEM deverá abrandar “ainda mais, para 3 por cento, em linha com o abrandamento previsto no crescimento da China continental e da RAE de Hong Kong”.

Num relatório do fundo em Abril, a instituição sedeada em Washington cortava a previsão de crescimento do PIB em 2026 para 3,1 por cento, duas décimas abaixo da estimativa agora apontada.

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