China / EUA | Cooperação no repatriamento de fugitivos e luta contra o narcotráfico

Altos responsáveis pelo sector da segurança de ambos os países estiveram reunidos em Pequim para acertar agulhas em matérias como a repatriação de fugitivos e o combate ao narcotráfico

O ministro da Segurança Pública da China e o director do FBI norteamericano acordaram na sextafeira aprofundar a cooperação na repatriação de fugitivos e no combate ao narcotráfico. A reunião entre Kash Patel e Wang Xiaohong em Pequim ocorreu depois de dois recentes repatriamentos de fugitivos entre a China e os Estados Unidos, países que não possuem tratado de extradição.

Segundo o comunicado oficial, Wang defendeu que ambos os lados devem “envolverse em um diálogo mais construtivo, com base no respeito mútuo, e reforçar a cooperação prática” contra crimes como tráfico de drogas, fraude online e nas telecomunicações, pornografia infantil, branqueamento de capitais e captura de fugitivos.

Patel afirmou, numa declaração publicada na rede social X, que regressou a Pequim para “continuar o trabalho extraordinário sob a Administração Trump” de “encerrar canais de fornecimento de precursores de fentanil”, além de expandir operações conjuntas contra centros de fraude, combater crimes violentos contra crianças, e desenvolver maior cooperação na captura e entrega de fugitivos.

Na quintafeira, o Ministério da Segurança Pública da China informou ter entregue às autoridades norteamericanas um fugitivo procurado por crimes violentos graves, incluindo o alegado homicídio da esposa e a agressão sexual de uma menor.

O homem era procurado desde 2004, quando foi emitido um mandado de prisão nos EUA por crimes violentos. Dias antes da sua entrega, autoridades dos EUA repatriaram para Pequim um fugitivo acusado de sequestrar e matar cidadãos chineses no exterior.

Segundo Patel, “estes resultados históricos” foram possíveis graças aos contactos diretos com o Ministério da Segurança Pública”, acrescentando que a reunião com conselheiro de Estado e ministro Wang Xiaohong foi a “primeira reunião deste tipo na história do FBI”.

Linhas traçadas

Durante a reunião, Wang recordou que o encontro histórico entre os chefes de Estado dos dois países, realizado em Maio, “traçou o rumo para a cooperação bilateral em todos os sectores”.

O ministro da Segurança Pública manifestou a esperança de que ambas as partes “cumpram plenamente os entendimentos comuns alcançados pelos dois líderes e conduzam diálogos mais construtivos com base no respeito mútuo”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o líder chinês, fará uma visita diplomática a Washington no dia 24 de Setembro deste ano.

As autoridades chinesas acrescentaram que as forças de segurança dos dois países têm desenvolvido “uma série de acções práticas de cooperação” em áreas como combate ao narcotráfico, repatriamento de imigrantes ilegais, recuperação de fugitivos, fraude cibernética e luta contra o branqueamento de capitais.

A crise dos opioides causou centenas de milhares de mortes por overdose em solo americano na última década, com os EUA a apontar que os ingredientes químicos usados para o fabrico de fentanil, um opioide extremamente forte, vêm principalmente da Ásia, com forte participação da China.

O Governo norte-americano classificou o fentanil como uma ameaça extrema, equiparando-o a uma arma de destruição em massa, usando essa justificação para ampliar sanções financeiras à China, que rejeita a responsabilidade direta pela crise dos opioides nos EUA, classificando o problema como uma questão estritamente interna da sociedade norte-americana.

Em setembro de 2025 o Presidente dos EUA, Donald Trump, impôs uma tarifa de 20 por cento sobre as importações chinesas, pressionando Pequim a conter o fluxo de opioides sintéticos, mas após uma reunião bilateral no mês seguinte a tarifa foi formalmente reduzida para 10 por cento, com a China a concordar em apertar o controlo de exportação de precursores químicos.

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