Peritos concluem que elevada fatalidade em Tai Po era “totalmente evitável”

Dois grupos de peritos disseram a um comité independente de investigação que o elevado número de mortes no pior incêndio a atingir Hong Kong desde 1948 teria sido “totalmente evitável”. De acordo com a imprensa local, o advogado principal da comissão disse numa audiência, segunda-feira, que os dois grupos, a trabalhar de forma separada, chegaram a conclusões “em grande medida semelhantes”.

Victor Dawes sublinhou que 91 das 168 vítimas morreram devido à inalação de fumo durante o incêndio que em Novembro devastou sete edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk. O fumo espalhou-se rapidamente, porque, durante obras de renovação, as janelas à prova de fogo tinham sido substituídas por tábuas de madeira nas escadas de emergência, acrescentou o advogado.

Os peritos identificaram também placas de espuma utilizadas para cobrir as janelas e alarmes de incêndio desactivados, por erro humano, como factores que dificultaram a fuga dos residentes. “O tempo disponível para evacuação foi praticamente nulo” e muitos dos mais de 4.600 residentes do complexo, situado na zona de Tai Po, não foram alertados para o incêndio a tempo, lamentou Dawes.

A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, disse que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores.

A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos.

Sem tempo a perder

Em 10 de Junho, sete pessoas e duas empresas foram acusadas de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal.

Ainda assim, o presidente do comité anunciou na segunda-feira que não irá recomendar que este seja transformado numa comissão de inquérito, com poderes legais para convocar testemunhas. David Lok Kai-hong disse que o comité já tinha recolhido provas substanciais e alertou que uma mudança de estatuto poderia arrastar o processo e atrasar as conclusões pelas quais esperam os sobreviventes e a população.

O juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong recordou o incêndio de Grenfell, em 2017, no Reino Unido, cuja investigação demorou nove anos, sendo que o julgamento não deverá ocorrer antes de 2029. “O nosso comité não deseja, nem permitirá, que tal coisa aconteça”, garantiu David Lok, que foi nomeado em Dezembro pelo líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu.

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