Dança | “Home, Sailing Home” recorre às artes para contar a história do Porto Interior

Todos os fins-de-semana, até ao próximo dia 15, a praça Ponte e Horta, na zona do Porto Interior, é palco de performances artísticas que, recorrendo à dança e ao teatro, contam a história de uma das zonas mais icónicas do território. Chloe Lao, da Associação de Dança Ieng Chi, fala de um projecto que acontece em parceria com o CURB – Centro para a Arquitectura e Urbanismo

 

Chama-se “Home, Sailing Home” e é uma iniciativa cultural da Associação de Dança Ieng Chi que, através das artes performativas de rua, pretende contar a história daqueles que chegaram a Macau e se foram estabelecendo um pouco por acaso. Todos os fins-de-semana, a partir das 17h, na praça Ponte e Horta, o público é convidado a seguir o percurso traçado por seis bailarinas, em que uma assume o papel de personagem principal.
Ao HM, Chloe Lao, responsável pelo projecto e ligada à Associação de Dança Ieng Chi, falou de uma iniciativa desenvolvida em parceria com o CURB – Centro para a Arquitectura e Urbanismo, situado no atelier e espaço de exposições Ponte 9, do arquitecto Nuno Simões. Neste local vai também estar patente uma instalação artística.
“Focámo-nos no século passado, entre os anos 30 e 60, e sobre as vivências na zona do Porto Interior. Nesse período havia muitas pessoas vindas da China, Hong Kong e de outros países da Ásia que chegavam a Macau pelas mais diversas razões. A população cresceu imenso, e muitos dos nossos avós vieram para Macau nessa altura.”
O nome da iniciativa remete para as vivências de quem chegou de barco com alguma bagagem, alguns fugindo até da guerra, e acabou por ficar uma vida inteira. “‘Home, Sailing Home’ remete para a ideia [dos que chegavam e] inicialmente achavam que iam estar aqui apenas por um determinado período de tempo, mas que acabaram depois por ficar.”
Mas Chloe Lao, que trabalhou como coreógrafa no passado, quis também contar as histórias das mulheres que vieram para as fábricas. “Mostramos ainda o lado das mulheres trabalhadoras que contribuíram muito para o desenvolvimento da indústria manufactureira em Macau. A história é essencialmente como os nossos pais e avós contribuíram com o seu trabalho, e com toda a sua vida, numa ligação com o mar.”
Para este espectáculo a equipa realizou entrevistas com pessoas mais idosas que chegaram a Macau nesta altura. “O guião é um consolidar das histórias da velha geração”, frisou Chloe Lao.

Para miúdos e graúdos

A entrada para os espectáculos, que se dividem por quatro zonas diferentes, é gratuita, sendo que os mesmos decorrem todos os sábados e domingos pelas 17h até ao próximo dia 15. O público tem sido composto por velhos e novos, que se revêem nas histórias que os pais contam em casa.
“A maior parte das pessoas que assistem aos espectáculos são mais velhas, que têm aqui [zona do Porto Interior] o seu dia-a-dia. Esta zona tinha também muitas lojas de incensos e os mais velhos têm muitas memórias dos seus tempos de juventude, acabando por partilhar ideias do que viveram aqui quando eram mais novos. Estas pessoas trazem também os mais novos que compreendem estas histórias, que são muito próximas das suas vidas.”
Relativamente ao público de uma geração mais recente, as reacções são de satisfação. “Mesmo as crianças ficam contentes porque se identificam com as histórias que os pais lhes contaram. Então as reacções que recebemos é que as histórias reflectem os seus tempos de juventude. Estabelecemos uma ponte comunicacional com eles”, adiantou Chloe Lao.
Para a responsável por este projecto, contar as histórias do Porto Interior através da dança “é uma forma mais poética” de o fazer, e que leva as pessoas a “compreenderem melhor” o que as bailarinas tentam transmitir através dos seus corpos e expressões.

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