Lealdade canina

Como todos sabemos, o cão é o melhor amigo do homem. O mesmo se passa com regimes políticos e os seus fiéis amigos. Leais até ao fim, mesmo com a chibata a rasgar o lombo. Desde o início do ano, o mundo normal tem-se desdobrado em preocupações e unido esforços para combater a propagação de um vírus inédito.

A razão é simples: ninguém quer uma pandemia e o amor à vida é maior que a porra da ideologia, pelo menos para uma mente sã. Rapidamente, idólatras insurgiram-se contra a propaganda externa com o objectivo de espalhar o pânico e a desordem. Os ataques contra a ciência agigantaram-se com preocupações de que as autoridades chinesas estariam a omitir a verdadeira dimensão da coisa, algo que aconteceu com a SARS. Ciência terrorista ao serviço de Washington, etc.

A verdade é que desde o alerta para a possibilidade de encobrimento, o número de infectados que teimava ficar-se nos 40 e picos durante semanas, tem subido quase a uma ordem de mais de uma centena por dia. Caiu por terra a primeira falácia de que isto seria um rumor do Soros/Bannon/Aliens reptilianos de Taiwan, mas cheira-me que agora surjam teorias de guerra biológica. Esta realidade é ancestral, uma característica tão humana como o medo.

Sempre, e onde quer que seja, que o poder ganhe contornos de absolutismo, mais duro que o ferro, os ossos dos fiéis transformam-se em gelatina. Uma espécie de osteoporose de falta de dignidade. Já agora, Macau tem fechado portas a jornalistas e activistas por questões de segurança, sem justificações específicas.

Jornalistas são um perigo se reportarem coisas “sensíveis”. Mas não se pondera limitar a entrada de pessoas que venham da zona onde eclodiu o coronavírus e que é hoje uma cidade fantasma, isso já não mexe com a segurança e a saúde pública de Macau. Curiosos critérios.

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