Brasil/Eleições: No centro do poder, eleitores querem mudança

A menos de uma semana das eleições presidenciais, considerada uma das mais atípicas das últimas décadas, em Brasília, centro do poder brasileiro, “mudança” é a palavra de ordem que ecoa por toda a cidade.

Num momento de polarização política entre a esquerda com Fernando Haddad e a extrema-direita representada por Jair Bolsonaro, são muitos os brasileiros que esperam encontrar nas eleições de 07 de outubro o regresso à “Ordem e Progresso”, lema nacional do Brasil.

Michella Medeiros mora em Brasília há cerca de 20 anos, é professora de ensino especial e sofre de duas doenças degenerativas. Em entrevista à agência Lusa, disse sentir-se “desacreditada” com a classe política brasileira.

“Formei-me na área na educação pensando em mudar o Brasil, porém, estou desacreditada”. Hoje, “olho para o Planalto central, olho para o poder, para a Câmara legislativa, para o poder judiciário, para o Senado e não vejo nenhuma mudança”, lamentou Michella.

Quando confrontada com as sondagens que mostram o candidato da extrema-direita na liderança da corrida presidencial, a professora de ensino especial classifica o resultado de “vergonhoso”, admitindo que não irá exercer o seu voto.

“É vergonhoso. Não acredito e por isso não votarei em ninguém. Sinto-me envergonhada”, porque “todos são corruptos. Aliás, acredito em poucos candidatos, que são aqueles que estão com zero pontos”, afirmou Michella Medeiros.

Jerson Spinola, contador de profissão e apoiante da candidata Marina Silva, partilha da mesma opinião de Michella acerca de Jair Bolsonaro.

“Preocupação geral é o que sentimos. Temos uma probabilidade muito grande de voltarmos a uma ditadura, na pior das hipóteses”, afirmou Jerson.

Porém, muitos dos entrevistados dizem acreditar em Jair Bolsonaro como o candidato capaz de fazer a diferença pelo país, como é o caso de Luís Carlos, um terapeuta que confia no candidato do Partido Social Liberal (PSL).

“Realmente o Bolsonaro está na frente e o Brasil está cansado da antiga política do PT (Partido dos Trabalhadores) que não teve um bom resultado e queremos mudança através de Jair Bolsonaro”. Hoje, “nós acreditamos que Bolsonaro vai ganhar as eleições na primeira volta”, disse Luís Carlos.

As propostas conservadoras do candidato do PSL fizeram a diferença no momento de escolher o próximo Presidente da República, segundo o terapeuta.

“Bolsonaro é a favor da família, da educação, é contra o aborto, contra a ideologia de género, é contra o kit gay escolas”, o programa proposto para debater a homossexualidade no ambiente escolar. “Jair Messias Bolsonaro tem uma proposta conservadora para dirigir o país e colocar as coisas no trilho”, afirmou o apoiante do candidato da extrema-direita.

Para João Santos, um publicitário que também apoia Bolsonaro, a ascensão do candidato da extrema-direita deve-se ao descontentamento que o povo brasileiro sente em relação aos vários anos de governo do PT.

“Durante estes 13 anos da esquerda no poder, do PT, nós criamos uma resistência do bloco internacional lá fora. O nosso país vive de investimentos externos e nós temos esse problema externo, fora os problemas internos que também temos”, disse o publicitário.

João Santos acrescentou ainda que “Bolsonaro é o representante que tende a acabar com todo ranço de aglomerado de partidos”. O candidato é “novo no sentido de romper com a política velha” que existe e “levou o país a tornar-se quase numa Venezuela”.

O projetista mecânico Felipe Rossi concorda com a visão de que foi o próprio PT a colocar Bolsonaro na frente da corrida às presidenciais.

Apesar de o seu voto pertencer ao candidato populista, o projetista mecânico acredita que Bolsonaro “não é um Deus que irá mudar o Brasil a 100%” mas pensa que é o único candidato capaz de colocar o país “nos eixos”.

Já José Júnior, um jovem vendedor de 24 anos, contou à agência Lusa que vai votar em Jair Bolsonaro, por não estar ligado à corrupção.

“Ele é ficha limpa. Eu acho que o Brasil precisa de pessoas sérias, de pessoas que entrem para fazer a diferença”, afirmou o jovem brasileiro.

Acerca das acusações que o candidato do PSL tem recebido de ser racista e homofóbico, José Júnior fez saber que concorda com a ideologia de Bolsonaro e que não quer que a sua filha cresça a pensar “que é certo um homem casar com outro homem, ou uma mulher casar com outra mulher”, disse.

Jair Bolsonaro é mesmo o candidato que reúne a maior percentagem de intenções de voto em Brasília. A primeira volta das eleições Presidenciais está marcada para dia 7 de outubro, enquanto que a segunda volta decorrerá a 28 deste mês.

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