17 anos

OHoje Macau faz hoje 17 anos, o que não é muito nem é pouco ou antes pelo contrário. O mais interessante é que este jornal é praticamente da idade da RAEM e tem acompanhado o seu desenvolvimento, sendo por isso uma das mais importantes fontes para futuros historiadores de Macau.

É sabido que a imprensa em língua chinesa sofre de constrangimentos, entre outros, financeiros, na medida em os jornais se encontram nas mãos de grupos económicos. Nada de muito diferente do que se passa no resto do mundo. Contudo, circunstâncias especiais deste território, sempre único e especial, fizeram com que a imprensa em português se encontre nas mãos de jornalistas e sem entraves financeiros ou políticos.

Até hoje nunca o nosso jornal se viu pressionado pelo Governo ou pelas autoridades nacionais. Pelo contrário, foi-nos sempre garantida e cumprida uma total liberdade de expressão, nos habituais limites da lei. Assim, as notícias que publicamos acabam por ser a mais credível fonte de informação para os cidadãos de Macau e um riquíssimo acervo para o futuro.

Esta singular situação mais não faz que aumentar a nossa responsabilidade profissional, pois traduz-se num dever de reportar, analisar e criticar, tendo em consideração de que escrevemos para o futuro e o único verdadeiro juiz das nossas acções é o tempo. Dizemos que nos sentimos protegidos pelas leis de Macau, que garantem a liberdade de expressão, mas não podemos ignorar que nos encontramos num momento decisivo da evolução da RAEM. E, bem entendido, rezamos a todos os santos, conhecidos e desconhecidos, cristãos e pagãos, para que não exista uma substancial alteração legislativa que modifique os dados de um jogo por ora limpo.

Sendo a comunidade portuguesa o nosso principal destinatário, não podemos deixar de bolsar uma palavra de confiança. Bem sabemos que, com o despedimento (injustificado) de dois juristas portugueses da Assembleia Legislativa, o ambiente ganhou outra espessura. No entanto, lembramos aos membros da nossa comunidade que aqui o futuro não passará, como é normal, por espaço na função pública e será na esfera privada que o nosso lugar deverá ser assegurado.

Claro que o Governo deveria utilizar as nossas capacidades para estabelecer relações mais profundas com a lusofonia mas não o podemos obrigar a isso. Ainda nos lembramos da nossa própria administração que por aqui nos deixou sem outros amparos que não fosse a benevolência chinesa. Sendo compreensível o desejo de assumir os cargos por parte da população chinesa, tal não deveria impedir a presença de consultores estrangeiros que facilitassem as missões.

E, afinal, a missão de representar bem a RAEM, fundamentar-lhe um estatuto internacional além do Jogo e demonstrar a sua capacidade no mundo global, surge imbuída de um devir patriótico que deveria ultrapassar as vaidades locais. Parafraseando Deng Xiaoping, não interessa a cor do gato (se é chinês ou português) se o objectivo é apanhar o rato, ou seja, servir eficazmente Macau. E nós estaremos aqui, para cumprir mais cinco séculos, devotamente empenhados em exacerbado serviço à Cidade do Nome de Deus.

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