Arte | Ai Weiwei denuncia demolição de estúdio em Pequim

O estúdio de Ai Weiwei em Pequim foi demolido na passada sexta-feira. O artista não foi notificado pelas autoridades e divulgou as imagens através da sua conta no Instagram. Outros estúdios e galerias estão a ser informados que vão ter de sair de Caochangdi, o bairro artístico localizado na zona nordeste da capital.

Conhecido como um espaço alternativo ao conhecido bairro artístico de Pequim 798 Art District, Caochangdi, localizado na zona nordeste da capital tem sido um porto de abrigo que acolhe artistas e estudantes. Antes, uma aldeia que vivia de agricultura, actualmente Caochangdi é conhecido como um dos locais de maior dinamização artística da capital.
No entanto, na passada sexta-feira, Ai publicou na sua conta de Instagram vários vídeos e imagens que denunciavam a demolição de Zuoyou, o estúdio que mantinha em Pequim e de onde saíram algumas das suas mais conhecidas obras.
Num dos vídeos, o artista mostra escavadoras a derrubarem a fachada, as paredes e janelas de Zuoyou.
De acordo com Ai, a demolição foi feita sem que tivesse qualquer conhecimento ou notificação prévia por parte do Governo. “Hoje, começaram a demolir o meu estudio ‘Zuoyou’, em Pequim, sem me prevenir… Adeus”, refere o artista numa das publicações, citado pela publicação online “Artforum”
Depois de mostrar a destruição do estúdio, Ai publicou também algumas das obras que ali foram concebidas desde que ocupou aquele espaço há mais de 15 anos. Entre elas o artista destacou Template (Collapsed) de 2009, Tree e Yu Yi de 2015 e o protótipo da instalação dedicada aos refugiados que esteve recentemente em exposição em Hong Kong, “Law of the Journey” de 2017.

Acontecimentos repetidos
Este é o segundo estúdio do artista e dissidente destruído pelas autoridades chinesas, depois de em 2011 o seu espaço em Xangai ter tido o mesmo destino. É de salientar que o artista de 61 anos reside actualmente em Berlim.
Zuoyou, era descrito por Ai Weiwei como uma “fábrica socialista ao estilo da Alemanha de Leste”, uma vez que tinha albergado uma oficina de automóveis.

Na dissidência
O artista, que participou no projecto do Estádio Olímpico de Pequim em 2008, é conhecido por se opor ao regime. Esta oposição valeu-lhe a condenação a prisão domiciliária, na China, entre 2011 e 2015, ano em que recuperou o passaporte e se mudou para a Alemanha, onde estabeleceu um estúdio em Berlim.
O trabalho de Ai denuncia as violações dos direitos humanos em todo o mundo, a crise por detrás do êxodo, a censura e a apatia através de vários materiais e plataformas, explicou o activista na inauguração da última exposição em Santiago do Chile, em Maio passado.
Ai Weiwei teve apenas uma exposição autorizada no continente em 2015. A mostra em apreço era composta por uma instalação, exposta no 798, que reconstruía um templo em ruínas.

Agora é de vez
Não é a primeira vez que o bairro artístico corre perigo. Esteve sob ameaça de destruição ao longo de vários anos, mas em Maio de 2011 o Governo optou pela sua preservação. Na altura, já era um marco do panorama artístico e arquitectónico da capital. Preservando a estrutura de uma aldeia, Caochangdi mantinha-se um espaço conhecido pela sua singularidade e dinamismo silencioso, à margem do frenesim comercial. No entanto, estes dias estão contados.
A demolição acontece depois das autoridades de Pequim terem notificado algumas das galerias e estúdios daquele bairro da capital que Ai Weiwei também ajudou a construir. De acordo com o site “Artforum”, galerias como a De Sarthe e a X Gallery, por exemplo, foram avisadas que teriam 13 dias para se relocalizarem. Caochangdi Art District é um dos vários bairros artísticos localizados na zona norte de Pequim e que vai ser alvo de um plano de intervenção do Governo ainda desconhecido.

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