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O último fim-de-semana ficou marcado por um acidente com um autocarro de passageiros em Tai Po, Hong Kong, que causou a morte a 19 pessoas, deixando mais de 40 feridos, alguns deles em estado crítico. A causa, mais uma vez, foi falha humana, e apesar da disparidade entre o número de vítimas mortais, vem à mente um outro acidente ocorrido em finais do mês passado aqui em Macau, que custou a vida a uma idosa. E tudo por culpa de um motorista de autocarro que alegadamente terá carregado no acelerador, em vez do travão. Podia-se dizer que “acontece”, mas não é (felizmente) frequente, e está longe de se poder considerar uma coisa “normal” para quem tem carta de condução, quanto mais para um motorista de veículos pesados. Aparentemente os motoristas das empresas de transportes públicos de ambas as RAE de um e outro lado do Rio das Pérolas sofrem dos mesmos problemas; é o stress, ora porque “não há número suficiente de profissionais”, os poucos que existem “trabalham muitas horas”, e alguns, coitados, “têm mais que um emprego”. Isto é portanto o mesmo que dizer que profissionalismo e exclusividade não são dois predicados exigidos a quem procure esta carreira. Ou pelos vistos estes passageiros “atrapalham”; estão no caminho de uns tipos que nasceram para ser milionários, não fosse pelo tempo que andam aí a perder de um lado para o outro a transportar as pessoas como se fossem gado. É que se fossem só os acidentes, ainda podíamos incluir o elemento do “azar” nesta equação, mas não, alguns motoristas de autocarro são, em bom português, umas tremendas cavalgaduras. Não dignificam a profissão de carroceiro, quanto mais de “chaffeur”. A má disposição do motorista é praticamente um dado adquirido desde o momento que se entra no autocarro. Com alguma sorte (eu diria antes muita sorte) não se vai pelo caminho inteiro aos solavancos, ou sem travagens bruscas daquelas que encostam o esqueleto à pele. Há ainda os episódios do quotidiano a que assistimos, de motoristas que são rudes com velhinhas, crianças e grávidas, que ignoram as paragens ou param muito antes (ou depois) das mesmas, que passam nos sinais vermelhos, ficando atravessados no meio das passadeiras de peões, como depois ainda há aquilo que nos contam – toda a gente tem um episódio medonho para contar em relação aos transportes públicos de Macau. Sinceramente não entendo quem são os motoristas de autocarro e de táxi para tornar o trânsito rodoviário desta cidade ainda mais insuportável. E o que vai acontecer enquanto as suas reivindicações não forem atentidas? Morre mais gente? Estamos reféns desta casta, e não há um buda que nos valha? Era essencial que a população pudesse utilizar os acessos à cidade sem receio de levar com um caixote de lata em cima, ou ter a certeza que a próxima vez que entrasse num transporte público não fosse a último. Fica aqui o apelo a quem de direito.

E com este desabafo chegamos assim ao final de mais um ano lunar, e esta noite vai entrar o Ano de Cão. Queria desejar a todos um “Kung Hei Fat Choi”, e que este seja o canino do bem, aquele que fareja a felicidade, em vez de outro menos dotado, que só saiba perseguir a própria cauda. Bom ano e boa sorte.

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