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Veio para Macau com dois anos. Cresceu cá e por cá ficou. Cíntia Leite Martins é conhecida, entre outras coisas, pelas actividades solidárias que promove.
A vontade de ajudar os outros não é recente. “Cresci num ambiente cristão protestante e temos uma comunidade muito forte em que estamos sempre prontos a ajudar as pessoas”, começa por dizer ao HM. Por outro lado, Cíntia Leite Martins também frequentou desde pequena o “Berço da Esperança”. “A Marjory Vendramini, directora da instituição que acolhe crianças, era amiga da minha mãe e eu ia para lá brincar e ajudar”, recorda, sendo que, “no fundo estava sempre rodeada de pessoas que de alguma forma tinham mais dificuldades. O contacto com a caridade não se fica por aqui e com a vinda de missionários a Macau, Cíntia Leite Martins começou a ter um maior conhecimento do trabalho comunitário. “Acho que este amor pelos outros vem destes factores, e ajudar, é uma coisa que me satisfaz muito”.

Do útil ao agradável

Ao trabalho solidário que fazia por carolice, Cíntia Leite Martins juntou o negócio. Nasceu o Mana Vida, projecto que tem com o marido. “Foi uma espécie de resposta a uma série de solicitações”, diz.
“Como dava aulas numa escola internacional, sou de cá e os meus colegas sabiam que estava envolvida em várias accões de caridade, perguntavam-me onde é que, por exemplo, poderiam entregar roupas para dar ou prestar apoio a quem precisasse”. O Mana Vida veio fazer isso, servir como ponte de ajuda entre quem quer dar e quem precisa de receber. Apesar de ser um negócio ligado à boa forma, não se fica por aí.
“Não estamos só focados no fitness, mas queremos que as pessoas tenham hábitos alimentares e de fazer exercícios saudáveis ao mesmo e, ao mesmo tempo, possam ter o hábito de ajudar, porque isso é o que faz a comunidade crescer”, explica satisfeita.

O funcionamento é simples e alia os ganhos à distribuição de donativos. “Obviamente que como empresa temos lucro, mas parte desse lucro serve para ajudar instituições de carácter social em Macau”, reforça Cíntia Leite Martins.

Múltiplas funções

A agora instrutora de fitness, começou por ser designer. Na altura, enquanto andava a estudar na Escola Portuguesa, sempre esteve dividida entre as artes e o desporto que está no sangue da família. “Já jogava hóquei em patins, fiz parte de vários clubes femininos de futebol, aliás vim para Macau porque o meu pai era jogador de futebol profissional, o Pocho”, conta como se lhe fosse impossível escapar ao destino.
Acabou por se licenciar em design, mas o ensino foi uma opção que tomou passado pouco tempo. “Se queremos contribuir para a sociedade, o melhor mesmo é começar pela educação”. Foi assim começou por dar aulas ainda na área artística.
Este apoio aos mais novos é ainda hoje um aspecto que preocupa a instrutora.
Com as mudanças que tem vindo a assistir no território ao longo dos anos, as crianças estão sem espaços para brincar. “Esta não é a Macau que conheci e que estava habituada”, diz a instrutora relativamente às mudanças que tem assistido no território ao longo dos últimos anos. “Vi as mudanças que têm acontecido e as pessoas a afastarem-se. Antes, todos nos conhecíamos, mas agora isso já não acontece”, refere. “Mas o mais alarmante é a falta crescente de zonas verdes. As pessoas não têm onde ir ao ar livre e são zonas que ajudam muito no bem-estar de cada um, sendo que as crianças precisam de mais actividades extracurriculares, mas fora da escola e que não sejam académicas”, aponta Cíntia Leite Martins. Ao mesmo tempo recorda que “tinha onde brincar e onde jogar a bola, e agora os espaços desportivos são fechados ao público”. A solução passaria por abrir ao público este tipo de estruturas.
“Macau em muitos aspectos progride imenso, mas depois há faltas básicas”, lamenta.

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