Ana Lara Clemente, professora: “Sou uma fã de Macau”

Ana Lara Clemente chegou há quatro anos e meio e cedo se apaixonou pela cidade. Os cheiros, as pessoas, as vivências e as ruas fizeram da professora, criada em Santarém, uma apreciadora de Macau. Até passou a ver algum encanto na confusão.

“Sou uma fã de Macau, adoro cá viver, adoro o clima, adoro as pessoas, adoro tudo.” Ana Lara Clemente, professora do ensino básico, trabalha hoje com crianças de Jardim de Infância. Mas as facetas apaixonantes da região não se ficam por aqui. “Adoro os cheiros, adoro andar pelas ruas, até da confusão, por incrível que pareça, porque venho de uma cidade em que não há confusão”, acrescenta a professora.

Hoje em dia gosta do burburinho do território, assim como das pessoas que partilham as artérias de Macau. “Têm uma cultura muito diferente da nossa, são mais fechados, mas identifiquei-me com isso, porque era, também, uma pessoa reservada”, confessa. Era! Actualmente, comunica muito mais, está mais aberta aos outros, uma evolução pessoal que atribui a Macau.

A sua adoração pela região começou com umas férias de uma semana, preliminares a uma viagem à Tailândia. A sua impressão da cidade já tinha sido boa, apesar da confusão reinante que a baralhou um pouco. Ana Lara tinha cá família, os cunhados, e a sua vida mudou quando o marido veio para Macau trabalhar. Então, no Verão de 2012, veio de malas aviadas para a Ásia, com uma filhota pequena, Carolina, que foi a sua primeira alavanca social. “Foi óptimo para mim a minha filha entrar na escola, porque acabei por fazer muitas amizades com os pais das colegas dela, criei o meu grupo de amigos, que mantenho até hoje”, conta.

Macau continua a seduzir Ana Lara, em todos os mercados, nos passeios que dá com as filhas na zona dos Três Candeeiros, na vila da Taipa, nos monumentos que gosta de visitar. Mas quando se questiona sobre o sítio que a mais marcou, a resposta é fácil: o Alto de Coloane. Outro dos prazeres que tem é levar as filhas aos parques, dar longos passeios, fazer uma visita aos pandas. A família também disfruta a oferta que Macau proporciona: sempre que há um bailado aproveita para levar as filhas e não dispensam uma ida ao cinema. A cidade acolheu-as, mas Ana Lara nota uma diferença entre Carolina e a filha mais nova, que nasceu cá. “A Inês é muito filha de Macau”, conta. Enquanto a filha mais velha quer muito ir a Portugal, sempre impaciente com a chegada das férias, a mais nova, quando regressou de férias e chegou a casa, suspirou. Foi como se dissesse “esta é a minha terra, é aqui que tenho as minhas raízes”, recorda.

Professora mãe

Desde criança que Ana Lara quis ser professora, a sua vida profissional é impulsionada por um sonho de infância. Lembra-se de brincar às professoras desde tenra idade. Porém, a sua experiência na escola primária não foi a melhor, à excepção da professora Isabel que, ainda hoje, recorda com carinho. “O que me inspirou a seguir este caminho foi o azar de ter tido maus professores no primeiro ciclo.” A experiência compeliu-a a ser uma melhor educadora, a procurar ser diferente. Uma espécie de vingança pedagógica.

Criou uma empresa de centro de estudos e ocupação de tempos livres em Santarém, à qual se dedicou durante quatro anos, antes de vir dar aulas para Macau. Por cá encontrou alunos que são expostos a uma vida diferente, com mais facilidades, com um maior acesso a tudo, que tomam o mundo como um dado adquirido. Isso reflecte-se no comportamento na sala de aula. A diferença é maior, principalmente porque Ana Lara trabalhou em Portugal quando a crise económica rebentou. No entanto, esta é a profissão que a realiza, até porque trabalha com “um público muito honesto e aberto”.

Um dos factores que atribui ao seu crescimento profissional é o facto de ter sido mãe. Passou a compreender muito melhor as preocupações dos pais que, anteriormente, podia achar um pouco intrusivas. “Desde que fui mãe apercebi-me das razões pelas quais os pais querem participar. Querem estar atentos à educação dos filhos, saber o que se passa tanto na sala de aulas, como no recreio. A insistência não é porque se querem intrometer na vida dos professores.” O factor maternidade fez com que passasse a dar ainda mais atenção à comunicação com os pais, a criar uma boa relação que una a escola à família.

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