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Tem início amanhã mais um conjunto de dois ateliês de formação na arte da joalharia. A iniciativa, promovida pela Casa de Portugal em Macau, é aberta a todos e ensina a dar os primeiros passos na criação de peças únicas

A formação tem início amanhã para os estreantes na arte de fazer jóias. No dia 19 o ateliê continua, agora destinado aos interessados que já têm um nível mais avançado no ofício. Trata-se da formação em joalharia a cargo da Casa de Portugal, monitorizada por Cristina Vinhas.

“A ideia é dar a conhecer aos interessados o que é a joalharia”, diz a formadora ao HM. “No nível inicial, a intenção é dar as bases para que as pessoas comecem a perceber o comportamento dos materiais, nomeadamente dos metais latão e prata, porque são aqueles em que trabalhamos mais”, explica.

No nível inicial o trabalho é essencialmente em latão. “O objectivo é que nesta primeira aprendizagem não exista um grande desperdício de material”, explica a formadora, sendo que no segundo nível já se começa a trabalhar com a prata. No entanto, há casos em que, porque o formando já apresenta conhecimentos acerca dos materiais, Cristina Vinhas permite que as pessoas trabalhem em metais mais nobres. A razão da cedência, aponta, é por serem da preferência dos alunos. “Há um pouco aquela ideia de que uma jóia é em ouro ou em prata”, mas, actualmente, essa ideia estará a mudar.

O conceito de joalharia é, porém, muito vasto. Para Cristina Vinhas, que trabalha na área há vários anos, a criação de uma peça é definida essencialmente pela sua elegância. “Pode ser uma peça muito simples e é igualmente uma jóia, porque uma jóia não é definida pela quantidade de diamantes ou de brilhantes que a peça tem. Tem que ver, essencialmente, com a sua forma e design”, sublinha.

Além dos metais, as formações integram também o trabalho com outros materiais. Cristina Vinhas trabalha, nos ateliês, o uso do sisal, de madeiras e resinas. “De momento estou também a trabalhar muito os acrílicos, vidros e sedas e mesmo casulos dos bichos da seda, um material que, penso, tem muito potencial”, acrescenta a formadora.

Liberdade para criar

As formações em joalharia dirigidas por Cristina Vinhas são essencialmente caracterizadas pela liberdade criativa. “Os formandos vêm com interesses diferentes e querem fazer diversos tipos de peças, e por isso não imponho nada, cada um desenvolve o seu trabalho dentro daquilo que mais gosta”, explica a formadora. O mesmo acontece com os materiais a trabalhar.

De acordo com Cristina Vinhas, este também é o objectivo das formações promovidas pela Casa de Portugal. “Não estamos a falar de um curso curricular e o interesse destes ateliês é precisamente o facto de não limitarem as pessoas e serem um espaço em que podem fazer o que mais gostam”.

A responsável já monitoriza a formação da Casa de Portugal em joalharia há oito anos e sublinha a diversidade de alunos que tem vindo a ter, sendo que “é uma formação para todos e temos tido muitas pessoas de várias classes e nacionalidades”. Muitos portugueses, macaenses, chineses vietnamitas e mesmo gregos têm aprendido a fazer jóias com Cristina Vinhas. Esta diversidade tem uma razão evidente: “Macau é um lugar cosmopolita, com muitas culturas e etnias, e os cursos acabam por também acolher muita gente diferente”, refere a responsável.

Apesar do empenho, a responsável não vê evolução na área da joalharia no território. “Há muita coisa ainda para desenvolver. No entanto, já esteve pior.” A formadora considera que começa a existir algum interesse e menciona algumas formandas que teve, que continuaram o seu trabalho com estudos em Londres e que agora já desenvolvem as suas peças de autor. “Não estamos a falar de alta joalharia, mas sim de joalharia contemporânea, e o desenvolvimento deste sector em Macau é um trabalho necessário”, remata.

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