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Raça e atracção

Li recentemente uma série de artigos sobre um assunto fascinante. Aparentemente chegavam todos à mesma conclusão: os homens asiáticos encontram-se na base da “cadeia alimentar” sexual, enquanto os homens brancos e as mulheres asiáticas são considerados os “mais atraentes”.  Estas afirmações foram feitas a partir de diversos inquéritos realizados em sites de encontros e também de estatísticas da PEW. Estes dois últimos grupos encontram-se, portanto, no topo da “cadeia alimentar” sexual.

Será que me estou a meter num ninho de víboras?

Contudo, uma coisa tem de ser dita à cabeça. Os websites que mencionei são americanos, por isso uma pessoa não pode deixar de pensar que estes dados talvez tenham sido alterados.  Digamos que, se o website fosse chinês e operasse a partir de uma outra localização geográfica, não me admirava que a conclusão fosse diferente de alguma maneira. Além disso, quais são as mulheres asiáticas? As indianas? As filipinas? Claro que não, o que eles querem dizer, são mulheres do Extremo Oriente, ou seja, chinesas, japonesas e coreanas. Esta é uma temática que conheço bem demais, uma realidade que me parece tão…errada.  E, enquanto me dedico à tarefa de ser eu mesma, como sempre, escolhi alguns títulos que me vão ajudar a mim e aos meus leitores não-asiáticos a concretizar melhor estas ideias.

No livro Mitos Asiáticos: Mulheres Dragão, Jovens Geishas & As Nossas Fantasias sobre o Oriente Exótico, o autor Sheridan Prasso desenvolve a teoria apresentada na literatura de Edward Said sobre o Orientalismo, com um toque de histórias da vida real. Prasso analisa as raízes históricas dos “pré-conceitos” ocidentais sobre o fantástico e o exotismo orientais. Na realidade, poucos são os ocidentais que não vêem as mulheres orientais como um símbolo de sensualidade, decadência, perigo e mistério. Estes estereótipos criados pelo legado ocidental permanecem ícones universais: a servirem o chá, submissas, sexualmente disponíveis, em suma, um misto de Madame Butterfly e de lutadora de kung fu dominatrix. Pois é. E por que é que os brancos não hão-de continuar a ser enganados?

Pois como não sou bruxa fui pesquisar online algumas celebridades sino-americanas. Amy Tan, Connie Chung e Lucy Liu, todas casadas ou a namorar com brancos. Há quem recorra à Hierogamia (união entre deuses e humanos) para explicar este fenómeno: ou seja, as mulheres asiáticas elevam-se socialmente na “perfeição” casando com um tipo que está na moda, e, quanto ao tipo que está na moda, move-o a procura de aventura, de emoções e a necessidade de colorir a sua existência, ultrapassando os limites, o que é muito apreciado na cultura ocidental.

Agora estou provavelmente a meter-me num segundo ninho de víboras: classe e raça.  Altura em que é inevitável examinar um cancro muito antigo chamado discriminação.  Mesmo no fim do último capítulo do livro de Prasso fala-se do modo como a visão oriental das mulheres asiáticas ajuda a perpetuar estes preconceitos. O autor afirma que a percepção adulterada sobre o exotismo asiático, que se tornou generalizada, não é só culpa do Ocidente. De facto, reflecte uma realidade de muitos asiáticos. A dinâmica da estrutura social vigente utiliza a discriminação interna para pré-determinar papeis raciais (ficcionais). É um dos piores mecanismos sociais, um dos mais desagradáveis, mas infelizmente é um facto.

Da próxima vez vamos ver porque é que as miúdas asiáticas são giras. Terá a pornografia japonesa encorajado esta fantasia ariana a ganhar velocidade, montada numa kawasaki amarela? Só preciso de algumas boas perguntas e respostas sobre a “febre amarela” do fetichismo.

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