HINDI LUBOS

Leocardo -
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A manifestação organizada no último domingo por uma associação de empregadores dos serviços domésticos, em parceria com a Associação Geral das Mulheres de Macau teve uma adesão que ficou “aquém das expectativas”. Dos alegadamente mil inscritos na parada participaram apenas pouco mais de uma centena – e é assim que anda a coerência por estas bandas: à dízima do seu valor facial. Pode ser que as centenas de ausentes sejam pessoas que caíram em si, chegando finalmente à conclusão de que se iam expor a um ridículo: qual a intenção em protestar por um serviço, que sabendo de antemão no que consiste e de que contornos se rodeia, continuam a considerar “indispensável”? No entanto dos que levaram a petição ao Palácio do Governo houve quem até dissesse algo de interessante, aliás, num mundo melhor, esta manifestação faria todo o sentido. Permitam-me um pequeno exercício, não do contraditório, mas do que tenta olhar a situação do outro ponto de vista, em vez de se apressar a chamá-lo de “xenófobo”, e outros impropérios. Com os melhores cumprimentos, aqui vai ela.
Concordo que uma empregada doméstica ou outra mão-de-obra não-residente venha para Macau para esse efeito, e não com um visto de turista para depois andar à procura de um “sponsor”. Parece-me a todos os títulos legítimo que alguém queira saber do passado de uma pessoa que vai colocar na sua casa, ora sozinha, ora tomando conta de crianças ou idosos do seu agregado familiar. Todas estas causas e mais algumas outras referidas por estes pobres tansos têm a sua razão de ser, ninguém duvida disso, ou duvida? O problema aqui não é tanto “o quê”, mas “quem”; são as mesmas pessoas que criaram este estado de coisas que vêm agora fazer barulho. Foi a negociata das agências, os recrutadores ilegais, o emprego em “part-time” (que é ilegal para os TNR, recorde-se) e todas essas “escapadelas” que levaram a um ponto em que é tolerado contratar alguém de quem nada se sabe para fazer um trabalho para o qual pode nem estar habilitado.Empregados domésticos
Da nossa parte, da comunidade portuguesa, continuamos nesse “tilt” de olhar para tudo como se nos estivessem a fazer o mesmo – isto pelo que li e ouvi por aí a este respeito. Mais uma vez, nem todos os filipinos são “de Manila”, e alguns deles preferem este “passar mal” de que aqui desfrutam de quando em vez, do que ao “dolci far niente” que os aguarda no país de origem, com a diferença deste “far niente” não ser nada “dolci”. A “gente bonita” vai logo buscar a escala dos “direitos humanos” para medir a coisa, quando muitas vezes nem sabe que o primeiro colchão onde muitos filipinos dormem na sua vida encontram aqui em Macau, no apartamento que dividem com mais sete ou oito deles. As “condições mínimas de higiene”, de que alguém famosamente rotulou o facto de ter que se tomar banho de pé, nada são atendendo ao facto de que existe água quente, algo que no interior das Filipinas “é um luxo”, assim como ter telefone residencial, em vez precisar de andar centenas de metros até ao único entreposto na aldeia com comunicação para o exterior.
É verdade que em comparação a muitos de nós, que não dispensam duas idas de férias a Portugal por ano (em muitos casos para ostentar), as filipinas e as indonésias “vivem mal”, e que merecem todo o nosso apoio e solidariedade. Mas atenção, que aceitar que se torçam as regras não é dar carta branca à anarquia total, e se este problema “não é nosso”, um pouco de moderação na hora de cometer certos julgamentos é recomendada. Até porque muita da precariedade em que alguns destes TNR se encontram é igualmente culpa nossa, senão digam lá: quem é que passou a ter as filipinas e indonésias como mais do que apenas “empregadas domésticas”? A consciência, esse depósito de entulho que por lá foi ficando esquecido…

PS: O título do artigo significa qualquer coisa como “Não é bem assim”, em filipino.

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