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Quase a completar um ano de residência no território, Jason Ferreira mostra-se rendido a Macau. “Lembro-me de chegar a Macau no final do dia, respirava-se um ar muito denso e estive duas horas à espera que me fossem buscar”, relembra o jovem engenheiro.
O mau momento foi imediatamente ultrapassado quando o recém-chegado pousou as malas naquela que seria a sua nova casa. “Era uma casa incrível. Com espaço, bonita e com uma vista para Macau de apaixonar”, descreve.
O ‘clique’ pelo território tinha acontecido e o jovem engenheiro começou a achar que conseguia adaptar-se na perfeição a este lado do mundo. Um bom grupo de colegas de trabalho – que mais tarde viria a torna-se num grupo de bons amigos -, novas amizades, um trabalho desafiante e um mundo a explorar são agora os pontos que tornam a estada de Jason Ferreira muito mais interessante.
“Uma das primeiras aventuras que me lembro é de adormecer logo no segundo dia de trabalho por causa do jet lag”, conta divertidamente ao HM. O engenheiro vinha de Portugal, mas no currículo já contava com experiências profissionais em vários países. Brasil, Angola, Ceuta, Tanzânia, Singapura e muitos outros foram alguns dos sítios onde trabalhou. O que tornou as coisas mais fáceis.
“Estou habituado a adaptar-me a todo o tipo de cultura, isso é o mais entusiasmante das experiências fora da nossa zona de conforto”, defende, acrescentando que Macau é um “sítio especial pela história portuguesa que traz conseguido e transpira nas ruas”.
Um local onde, tão longe de casa, esta parece estar perto. Jason Ferreira assume-se completamente adaptado, mas admite que não é local onde irá construir a sua vida. “Preciso de praia perto de mim e Macau tem esta lacuna gigante, a qualquer sítio que vou é um dos meus pontos obrigatórios. Até podemos ir a Hong Kong ou à Tailândia com mais tempo, mas não está aqui ao meu lado como eu quero que esteja”, defende.

“Olho para o mundo do trabalho em Macau e vejo o seu crescimento contínuo. Macau cresce todos os dias. Todos os dias vemos coisas a crescer, é de facto um crescimento bastante interessante, o que é óptimo”

Saudades que falam

Filho de portugueses, nascido no Canadá, Jason Ferreira cresceu bem no centro de Portugal, em Fátima. Quando lhe perguntamos o que mais sente falta, visto ser altamente adaptável a diferentes culturas, Jason, entre sorrisos, diz-nos que nada substitui as pessoas.
“A minha família, os meus amigos e a minha namorada são o que mais sinto falta, seja em que país for”, admite, sublinhado a falta que o carro lhe faz. “Adoro o meu carro e conduzi-lo e aqui em Macau, apesar de conduzir, o espaço territorial é diminuto e há imenso trânsito, por isso a sensação de conduzir não é tão boa, tal como é em Portugal”.
Um dos seus passatempos preferidos é a cozinha. Considerando o seu gosto pela preparação de “uns bons pitéus”, Jason Ferreira gosta de juntar os amigos à mesa e prolongar os serões dos fins-de-semana com boa conversa e bom vinho. Sendo também o próprio um apreciador de gastronomia, em Macau encontrou um ponto no mundo que une os vários tipos de culinárias existentes no meio asiático e não só.
“Gosto especialmente [do facto] de aqui existir uma diversidade muito grande no que diz respeito à gastronomia. Se quisermos comer comida coreana, chinesa, macaense, portuguesa, tailandesa ou até italiana encontramos aqui. Em qualquer lado ou esquina existem várias opções. Difícil é escolher”, relata.
No entanto há uma falha tremenda para lamento do engenheiro. “O café só em casa”, ri-se. A bica tão portuguesa ainda não chegou a Macau e, ao final de um ano, Jason ainda sente falta dessa forma de terminar uma refeição.

Futuro à vista

Sem grandes respostas, Jason Ferreira não sabe o que o futuro lhe reserva, até porque a sua vida tem sido sempre uma surpresa no que diz respeito ao local de trabalho.
“Olho para o mundo do trabalho em Macau e vejo o seu crescimento contínuo. Macau cresce todos os dias. Todos os dias vemos coisas a crescer, é de facto um crescimento bastante interessante, o que é óptimo”.
Mas, pessoalmente, diz, tudo é uma incerteza. A única certeza que traz consigo é que o seu contrato de trabalho termina já no final do ano. Depois…
“Depois disso, logo se vê, não se podem fazer planos a longo prazo”, remata, mostrando-se pronto para abraçar qualquer desafio, seja em que país for. Ainda assim “andar sempre com a mala atrás começa a ser desgastante” e, por isso, um dia, o engenheiro quer voltar a Portugal para aproveitar o que de lhe melhor o seu país tem.

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