Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Pequim abre mercado a café brasileiro em resposta a taxas dos EUA A guerra das tarifas imposta pela administração norte-americana continua a levar à adopção de contra medidas. Face à imposição de tarifas de 50% ao Brasil por motivos políticos, a China abre as portas ao café brasileiro A China autorizou 183 empresas brasileiras a exportar café para o seu mercado interno, avançou ontem a imprensa local, dias após os Estados Unidos imporem tarifas de 50 por cento sobre o café proveniente do Brasil. A medida, válida por cinco anos, foi divulgada poucos dias depois do anúncio da nova tarifa norte-americana, que entra em vigor amanhã, e provocou alarme entre produtores e exportadores brasileiros, agora forçados a procurar mercados alternativos. Segundo dados da indústria, cerca de 85 por cento da produção brasileira de arábica em 2025 – a variedade mais exportada para os EUA – já foi colhida. Este tipo de café desempenha um papel central no mercado norte-americano, onde é frequentemente misturado com grãos mais suaves de outros produtores latino-americanos para se adequar ao gosto local. O Brasil é responsável por 44 por cento da produção mundial de arábica, o que faz do país um fornecedor difícil de substituir a curto prazo. Os Estados Unidos são o maior consumidor mundial de café e importaram 3,3 milhões de sacas de café brasileiro no primeiro semestre do ano, quase 23 por cento do total exportado pelo Brasil nesse período. Já a China importou 530 mil sacas no mesmo intervalo. Embora o mercado chinês seja ainda menor, tem vindo a ganhar importância à medida que o acesso brasileiro ao mercado norte-americano enfrenta novas barreiras. Em Novembro passado, a ApexBrasil, a agência brasileira de promoção de exportações, assinou um acordo com a Luckin Coffee, maior cadeia de cafetarias da China, para o fornecimento de 240 mil toneladas de café brasileiro entre 2025 e 2029. O contrato está avaliado em 2,5 mil milhões de dólares e sucede a um acordo anterior, de meados de 2024, no valor de 500 milhões de dólares, para o fornecimento de 120 mil toneladas. Em crescimento Fundada em 2017, a Luckin Coffee opera actualmente mais de 22 mil lojas em todo o território chinês e serve mais de 300 milhões de clientes. Embora o chá continue a ser a bebida tradicional dominante, o consumo de café tem vindo a crescer rapidamente no país asiático, sobretudo entre os jovens profissionais urbanos. O consumo ‘per capita’ duplicou em cinco anos, passando de oito para 16 chávenas por ano – ainda muito abaixo da média global de 240 chávenas e das mais de 400 registadas nos EUA. Na altura do acordo, o director executivo da Luckin Coffee, Jinyi Guo, elogiou o café brasileiro e descreveu o contrato como “apenas o início” de uma colaboração a longo prazo. “No futuro, queremos expandir ainda mais esta parceria”, disse. Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, com o comércio bilateral a passar de nove mil milhões de dólares, em 2004, para 188 mil milhões, em 2024. O Brasil desempenha, em particular, um papel importante na segurança alimentar da China, compondo mais de 20 por cento das importações agrícolas e pecuárias do país asiático. A segunda maior economia mundial alimenta quase 19 por cento da humanidade com apenas 8,5 por cento das terras aráveis do planeta. Em comparação, o país latino-americano tem quase 7 por cento das terras aráveis para 2,7 por cento da população mundial.
Hoje Macau Grande PlanoTarifas: Sete acordos desde que Trump chegou à Casa Branca Os Estados Unidos alcançaram sete acordos comerciais bilaterais desde que Donald Trump regressou à Casa Branca, em janeiro, e o mais recente, assinado no domingo com a União Europeia (UE), é o maior em termos de volume de negócio. Além do acordo com a UE, o Governo norte-americano acertou novos termos comerciais com o Reino Unido, China, Vietname, Japão, Filipinas e Indonésia, enquanto as negociações prosseguem com dezenas de outros países, segundo as autoridades norte-americanas. Eis os dados da lista dos sete acordos comerciais bilaterais que Trump conseguiu obter desde janeiro, quando regressou à Casa Branca para um segundo mandato presidencial. +++ REINO UNIDO +++ Assinado a 08 de maio, foi o primeiro acordo bilateral assinado por Trump, desde que o Governo norte-americano anunciou um novo plano de tarifas. Este acordo estabelece a redução das tarifas sobre os automóveis britânicos de 25% para 10% — até 100 mil veículos por ano — e a eliminação das tarifas sobre o aço e o alumínio; permissões recíprocas para exportação de carne de bovino e produtos agrícolas, bem como redução de barreiras não tarifárias e simplificação de procedimentos aduaneiros. +++ CHINA +++ A 26 de junho, após ameaças recíprocas de tarifas até 115%, os Estados Unidos e a China chegaram a um acordo de princípio, que ainda está a ser desenvolvido. Embora mantenha tarifas elevadas — 55% para a exportação de determinados produtos chineses para os Estados Unidos —, facilita a exportação de terras raras da China, elimina as medidas de retaliação mútua e suaviza os controlos sobre o acesso dos produtos chineses ao mercado norte-americano. +++ VIETNAME +++ Os EUA e o Vietname concordaram, a 02 de julho, em aumentar a tarifa sobre as exportações vietnamitas para os EUA para 20% (com uma taxa de 40% sobre os produtos suspeitos de serem de origem chinesa). A ameaça anterior de Trump era de estabelecer as tarifas nos 46%. ++ JAPÃO ++ O Japão concorda com uma tarifa de 15% sobre todas as suas exportações para os Estados Unidos, em comparação com a tarifa de 25% com que Trump tinha ameaçado. O país comprometeu-se a investir 550 mil milhões de dólares (cerca de 470 mil milhões de euros) nos EUA e a abrir os seus mercados a setores como o automóvel, arroz e produtos agrícolas. ++ FILIPINAS ++ Os EUA passam a impor uma tarifa de 19% sobre os produtos filipinos, menos um ponto percentual do que os 20% que tinha ameaçado, em troca da isenção de tarifas sobre os produtos norte-americanos que entram nas Filipinas. O anúncio foi feito a 22 de julho, após a visita do Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., à Casa Branca. ++ INDONÉSIA ++ Na mesma data, 22 de julho, e com conteúdo quase idêntico, o acordo de Trump com a Indonésia estabelece tarifas de 19% sobre as exportações para os Estados Unidos e, em paralelo, inclui compromissos de compra de aeronaves, produtos agrícolas e energéticos norte-americanos da Indonésia. ++ UNIÃO EUROPEIA ++ No domingo, 27 de julho, foi anunciado o acordo comercial entre os Estados Unidos e a UE, qu estabelece que a maioria das exportações europeias ficará sujeita a tarifas de 15% — Trump tinha ameaçado com 30% —, mas incluiu isenções tarifárias para determinados produtos. No acordo, a UE compromete-se a comprar 750 mil milhões de dólares (cerca de 650 mil milhões de euros) em energia aos Estados Unidos, investir 600 mil milhões de dólares (cerca de 510 mil milhões de euros) no país e aumentar as suas compras de equipamento militar aos EUA.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | China e Estados Unidos reunidos para prolongar trégua Responsáveis norte-americanos e chineses estão reunidos desde ontem, em Estocolmo, com o objectivo de prolongar a trégua na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, num contexto ainda incerto. Trata-se do terceiro encontro entre Pequim e Washington, depois das reuniões em Genebra, em Maio, e Londres, em Junho, que permitiram pôr fim à escalada nas tensões comerciais entre os dois países. A reunião decorre no início de uma semana decisiva para a política comercial do Presidente norte-americano, Donald Trump, uma vez que as tarifas aplicadas à maioria dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos deverão sofrer um forte aumento a partir de sexta-feira. As discussões em Estocolmo visam prolongar a pausa de 90 dias negociada em Maio, em Genebra, que pôs fim às represálias de ambos os lados do Pacífico, responsáveis por sobretaxas de 125 por cento sobre produtos norte-americanos e 145 por cento sobre produtos chineses.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Acções sobem após promessas de guerra de preços As praças financeiras chinesas reagiram em alta nas últimas sessões, após Pequim prometer travar as guerras de preços que têm penalizado os lucros das empresas e agravado as tensões comerciais com parceiros como Estados Unidos e União Europeia. A expressão dominante entre autoridades e analistas é “involução” – referência ao esforço para conter a concorrência excessiva e a sobrecapacidade de produção em sectores como o dos painéis solares, aço e veículos eléctricos. Com a procura interna ainda fraca e o aumento das barreiras comerciais externas – incluindo tarifas mais elevadas nos EUA sob a presidência de Donald Trump –, muitos fabricantes chineses optaram por cortar preços, reduzindo margens de lucro e levando várias empresas à falência. O índice de preços no produtor, que mede os preços à saída das fábricas, está em queda há quase três anos na China, num ciclo prolongado de deflação. A tendência já se reflectiu nos mercados globais, com exportações chinesas a preços baixos a gerar atritos comerciais com parceiros como Washington, Bruxelas, mas também vários países em desenvolvimento. Face à pressão, o Governo chinês e várias associações industriais sinalizaram recentemente uma mudança de rumo. Em 30 de Junho, os 10 maiores fabricantes de vidro para painéis solares concordaram em reduzir a produção em 30 por cento. As autoridades também lançaram uma campanha de inspecção à segurança automóvel, visando travar práticas de corte de custos que comprometam a qualidade. As medidas impulsionaram as acções em sectores pressionados. Apesar de os investidores estrangeiros não poderem comprar directamente acções chinesas, têm acesso a cerca de 2.700 títulos e 250 fundos através da Bolsa de Valores de Hong Kong. Condenação superior As medidas seguem-se a declarações de alto nível contra a chamada “concorrência desordenada”. A 29 de Junho, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um extenso editorial de primeira página condenando o fenómeno da “involução” como contrário aos objectivos de desenvolvimento económico de “alta qualidade” do país. O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu numa reunião interna maior regulação sobre incentivos locais à instalação de fábricas, considerados causa da sobrecapacidade em sectores estratégicos. Economistas defendem que será necessário consolidar os sectores através de fusões e falências, mas reconhecem que o processo será lento, sobretudo devido à resistência dos governos locais, empenhados em proteger empresas e empregos regionais.
Hoje Macau China / ÁsiaInquérito | Empresas dos Estados Unidos cortam investimento na China As empresas norte-americanas na China prevêem mínimos históricos de novos investimentos em 2025, citando incertezas políticas e a guerra comercial como principais preocupações, segundo um inquérito da Câmara de Comércio EUA-China, divulgado ontem. As empresas referem também a desaceleração da economia chinesa, marcada por uma fraca procura interna e excesso de capacidade industrial, como factores que têm vindo a erodir a rentabilidade dos negócios no país asiático. “As empresas estão actualmente menos lucrativas na China do que há alguns anos, mas os riscos – desde os reputacionais aos regulatórios e políticos – estão a aumentar”, afirmou Sean Stein, presidente da Câmara de Comércio EUA-China, organização com sede em Washington, que representa grandes multinacionais norte-americanas com operações no país. O inquérito, realizado entre Março e Maio junto de 130 empresas, surge num contexto de tensões comerciais entre Pequim e Washington, que incluem taxas alfandegárias e controlos à exportação de produtos estratégicos como semicondutores avançados e minerais de terras raras. Apesar de conversações de alto nível em Genebra e Londres terem resultado em acordos para aliviar parte das restrições, a ausência de um pacto comercial duradouro mantém a incerteza no sector. Mais de metade das empresas inquiridas indicaram que não têm planos de novos investimentos na China este ano – um valor recorde, segundo Kyle Sullivan, vice-presidente da entidade. Cerca de 40 por cento das empresas relataram efeitos negativos resultantes das medidas de controlo às exportações impostas pelos EUA, incluindo perda de vendas, ruptura de relações com clientes e danos reputacionais por serem consideradas fornecedoras pouco fiáveis. As restrições afectam sobretudo produtos de alta tecnologia, cujo potencial uso militar preocupa Washington. Sean Stein advertiu que estas medidas devem ser aplicadas com precisão, sob pena de empresas europeias, japonesas ou chinesas preencherem rapidamente o vazio deixado pelas companhias norte-americanas. Mudanças em curso A fabricante norte-americana de ‘chips’ Nvidia recebeu recentemente autorização do Governo dos EUA para retomar a venda à China dos ‘chips’ H20, utilizados em sistemas de inteligência artificial, anunciou o presidente executivo da empresa, Jensen Huang. No entanto, os semicondutores mais avançados da empresa continuam sujeitos a restrições. Apesar de 82 por cento das empresas terem registado lucros em 2024, menos de metade manifestaram optimismo quanto ao futuro das operações na China, citando as tarifas, deflação (queda anual nos preços no consumidor) e imprevisibilidade política como factores de risco. O número de empresas norte-americanas com planos para transferir operações para fora da China atingiu também um máximo histórico: 27 por cento, face a 19 por cento no ano anterior. Pela primeira vez em anos, questões como o ambiente regulatório chinês, protecção de propriedade intelectual ou acesso ao mercado deixaram de figurar entre as cinco principais preocupações das empresas. “Não é porque a situação tenha melhorado significativamente, mas sim porque os novos desafios, muitos deles vindos dos EUA, se tornaram igualmente problemáticos”, disse Sean Stein. Quase todas as empresas inquiridas reconheceram, no entanto, que não conseguem manter a competitividade global sem a presença no mercado chinês. Um relatório semelhante da Câmara de Comércio da União Europeia na China, publicado em Maio, apontava igualmente para cortes nas despesas e planos de redução de investimentos, devido à desaceleração económica e à intensa concorrência no mercado local.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Secretário norte-americano prevê reunião China-EUA nas “próximas semanas” Após reuniões em Genebra e Londres que deram sinais de aproximação entre as duas potências, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent indicou que estará para breve um novo encontro com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng. Pequim, para já, não confirma nem desmente O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou que deverá reunir-se com o homólogo chinês “nas próximas semanas” para falar sobre questões como o comércio entre as duas maiores economias do mundo. “Vou reunir-me com o meu homólogo chinês nas próximas semanas”, afirmou Bessent numa entrevista à emissora norte-americana CNBC na segunda-feira. “Tivemos boas reuniões em Genebra, em Londres. Ambos abordámos os assuntos com grande respeito”, acrescentou. “Penso que há coisas que podemos fazer em conjunto, se os chineses o quiserem fazer”, disse ainda o governante norte-americano. “Vamos discutir se podemos ir além do comércio e entrar noutras áreas”, acrescentou. Apesar de Bessent não ter identificado o homólogo pelo nome, o secretário do Tesouro manteve anteriormente negociações com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, que chefiou a delegação do país a negociações que decorreu em Londres em Junho. O Ministério do Comércio da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. No início do ano, os Estados Unidos e a China anunciaram a imposição de direitos aduaneiros que ameaçaram asfixiar o comércio mundial e tiveram fortes repercussões nos mercados financeiros, que temeram que uma recessão a nível global. Negociações em Genebra e, mais tarde, em Londres levaram a que os dois países chegassem a um acordo de tréguas, nos termos do qual Pequim concordou em facilitar a exportação de minerais de terras raras, essenciais para uma série de indústrias norte-americanas, desde a indústria de ‘chips’, a energia limpa e os transportes, em troca do levantamento de algumas das restrições impostas pelos EUA. Estes minerais têm assumido uma enorme importância nas discussões entre os dois países. TikTok e outras histórias Na semana passada, Bessent advertiu que os fluxos dos materiais críticos ainda não tinham regressado aos níveis registados em Abril. Por outro lado, o quadro das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China está longe de ser abrangente e ainda há questões complicadas para resolver, incluindo as preocupações manifestadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o tráfico de fentanil, assim como os esforços para garantir um acordo para a alienação das operações nos Estados Unidos da aplicação de vídeos curtos TikTok, de capitais chineses. Esse acordo requer a assinatura de Pequim, o que dá ao país uma fonte de influência para potencialmente extrair concessões dos EUA sobre comércio e outras questões. Trump anunciou já que tem um potencial comprador para a TikTok – um consórcio de investidores que inclui a tecnológica Oracle Corp, a gestora de ativos Blackstone e a empresa de capital de risco Andreessen Horowitz.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Pequim critica ameaças dos Estados Unidos a países alinhados com os BRICS A China criticou ontem a utilização de taxas alfandegárias como “instrumento de coerção e pressão”, após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado impor um imposto adicional de 10 por cento aos países que se alinhem com os BRICS. “A cooperação entre os países BRICS é aberta, inclusiva e não visa nenhum país em particular”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, em conferência de imprensa. Mao sublinhou que a China “sempre se opôs a guerras comerciais e tarifárias”, acrescentando que a imposição “arbitrária” de tarifas “não beneficia nenhum país”. A porta-voz descreveu ainda o grupo BRICS como “uma força positiva na comunidade internacional”. No domingo, Trump escreveu na rede social Truth Social: “Qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas dos BRICS deverá pagar uma tarifa adicional de 10%. Não haverá excepções a esta política.” O grupo BRICS, actualmente composto por onze países do chamado Sul Global e liderado por China e Rússia, realizou no domingo a sua 17.ª cimeira de chefes de Estado e de Governo no Rio de Janeiro, sob forte dispositivo de segurança e com as ausências do Presidente chinês, Xi Jinping, e do homólogo russo, Vladimir Putin, que participou por videoconferência.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Pequim avalia pacto EUA-Vietname e promete proteger os seus interesses O Ministério do Comércio da China manifestou ontem “firme oposição a qualquer acordo comercial alcançado à custa dos interesses da China”, reagindo ao pacto anunciado entre os Estados Unidos e o Vietname, e admitiu adoptar contramedidas. “O que Washington designa como ‘tarifas recíprocas’ sobre os seus parceiros comerciais é uma prática unilateral de intimidação, à qual a China sempre se opôs”, afirmou o porta-voz da tutela, He Yongqian, em conferência de imprensa. Segundo o responsável, Pequim “tomou nota da situação e está a avaliá-la”, sublinhando que a China encoraja as partes a resolverem as divergências económicas e comerciais “com base na igualdade e através do diálogo”, mas rejeita firmemente acordos que prejudiquem os seus interesses. “Se tal situação se confirmar, a China adoptará resolutamente contramedidas e protegerá os seus legítimos direitos e interesses”, assegurou He. Na quarta-feira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nas redes sociais um acordo tarifário com o Vietname que reduz para 20 por cento as taxas alfandegárias impostas em Abril às importações provenientes daquele país do Sudeste Asiático, mas eleva para 40 por cento os encargos sobre mercadorias reexportadas por Hanói e originárias de terceiros países. Washington acusa o Vietname de funcionar como plataforma de transbordo para exportações chinesas, após a transferência de diversas fábricas da China para o país vizinho, na sequência das tarifas impostas por Trump durante o seu primeiro mandato (2017-2021).
Hoje Macau China / ÁsiaVice-primeiro-ministro chinês em Londres pra debater tarifas com os EUA O vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, vai liderar a delegação chinesa nas negociações comerciais com representantes dos Estados Unidos, amanhã em Londres, anunciou sábado o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Num comunicado citado pela agência espanhola de notícias Efe, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês indicou que He Lifeng visitará o Reino Unido de 08 a 13 de Junho “a convite do governo britânico” e aproveitará a sua estadia no país para participar na “primeira reunião do mecanismo de consulta económica e comercial China-Estados Unidos”. He, muito próximo do Presidente da China, Xi Jinping, foi encarregado de liderar as negociações comerciais realizadas no mês passado em Genebra com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que terminaram com uma trégua tarifária entre as duas potências. O anúncio foi feito um dia depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter antecipado que a reunião sobre tarifas entre delegados comerciais dos EUA e da China, acordada na quinta-feira numa chamada telefónica com Xi Jinping, vai realizar-se esta segunda-feira, em Londres. A conversa entre os dois líderes ocorreu depois de, na semana passada, Trump ter acusado a China, sem dar detalhes, de violar o acordo bilateral de pausa tarifária alcançado em maio, após o encontro em Genebra. Pequim respondeu argumentando que foi Washington quem violou o acordo, ao impor novas restrições sobre chips e o cancelamento de vistos para estudantes chineses, anunciado na semana anterior. Guerra aberta Os dois países tinham iniciado uma escalada de tarifas no dia seguinte ao anúncio feito por Trump, no início de Abril, das suas tarifas ditas “recíprocas”, impondo pelo menos 10 por cento sobre todos os produtos que entram nos Estados Unidos, independentemente da sua origem. Os produtos chineses foram sujeitos a uma sobretaxa de 34 por cento, para além dos 20 por cento impostos no âmbito da luta contra o tráfico de fentanilo, um opiáceo que está a provocar uma grave crise sanitária nos Estados Unidos, e dos direitos aduaneiros que existiam antes da reeleição de Donald Trump. Pequim retaliou com tarifas equivalentes, o que levou a uma guerra aduaneira com Washington, atingindo 125 por cento e 145 por cento, respectivamente, sobre os produtos de cada país, provocando um forte abrandamento do comércio entre os dois gigantes.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | China acusa EUA de quebrar acordo com medidas de “supressão extrema” Pequim acusou ontem Washington de violar um acordo alcançado em maio para reduzir temporariamente as taxas alfandegárias com medidas de “supressão extrema”, como restringir as exportações de semicondutores e anular vistos a estudantes chineses. “O consenso de Genebra foi alcançado com base no respeito mútuo e na igualdade de consultas. A China implementou-o de forma responsável e de boa-fé. No entanto, os EUA impuseram restrições unilaterais e infundadas”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian. A China, que declarou ter apresentado um protesto formal, instou Washington a “corrigir as suas acções erradas” e a “respeitar o consenso duramente conquistado”. “O uso de pressão e coerção não é a forma correcta de lidar com a China”, disse Lin. Pequim afirmou na segunda-feira, através do seu Ministério do Comércio, que desde que o pacto comercial foi selado a 12 de Maio, Washington adoptou novas medidas que “minam seriamente” os compromissos assumidos, incluindo a suspensão das vendas de ‘software’ utilizado no fabrico de semicondutores, novos controlos sobre a exportação de ‘chips’ utilizados em sistemas de inteligência artificial e a recente revogação de vistos para estudantes chineses, uma medida que a China descreveu como “discriminatória”. As tensões aumentaram nos últimos dias, com novas restrições impostas por Washington e uma queda de cerca de 20 por cento nas importações norte-americanas de produtos chineses em Abril. O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, reconheceu, na semana passada, que as negociações estão paradas e referiu que um telefonema entre Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, poderia quebrar o impasse. O conselheiro económico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse no domingo que ainda não há uma conversa agendada entre os dois líderes, embora espere que possam falar sobre comércio na próxima semana. Pequim, no entanto, respondeu ontem que não tem “qualquer informação” sobre um possível telefonema.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Pequim “rejeita firmemente” acusações de Washington de violação do acordo A China rejeitou ontem “firmemente” as acusações dos Estados Unidos de que violou um acordo alcançado no mês passado para reduzir os direitos aduaneiros entre as duas maiores economias do mundo. Pequim, não apenas rejeitou as acusações de Washington este fim de semana, como acusou os Estados Unidos de, nas últimas semanas, virem a “provocar constantemente novas fricções económicas e comerciais, agravando a incerteza e a instabilidade das relações económicas e comerciais bilaterais”, de acordo com um comunicado ontem divulgado pelo ministério chinês do Comércio. Washington e Pequim concordaram em baixar os respetivos direitos aduaneiros durante 90 dias para 30 por cento e 10 por cento, respectivamente, e comprometeram-se a prosseguir as discussões com vista a chegar a um acordo comercial. “Sem surpresa, a China violou totalmente o seu acordo connosco”, denunciou o Presidente Donald Trump, sem especificar quais as acções levadas a cabo por Pequim. Washington “fez acusações espúrias e acusou injustificadamente a China de violar o consenso, o que é totalmente contrário aos factos”, reagiu o ministério, acrescentando que “Pequim rejeita firmemente estas acusações injustificadas”. O ministério chinês do Comércio afirmou ainda ter sido “firme na proteção dos seus direitos e interesses e sincero na aplicação do consenso”. Washington “tem introduzido sucessivamente uma série de medidas restritivas discriminatórias contra a China”, acrescentou o comunicado, citando o controlo das exportações de chips de inteligência artificial e a revogação de vistos para estudantes chineses nos Estados Unidos. “Exortamos os Estados Unidos a encontrarem uma base comum com a China, a corrigirem imediatamente as suas acções repreensíveis e a respeitarem conjuntamente o consenso alcançado nas conversações comerciais de Genebra”, afirmou o ministério chinês do Comércio. Caso contrário, “a China continuará resolutamente a tomar medidas fortes para defender os seus direitos e interesses legítimos”, acrescentou.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Diplomata chinês acusa EUA de culpar o mundo por problemas internos Um ex-diplomata chinês afirmou ontem que os Estados Unidos terão de aprender a lidar com uma China em ascensão e demonstrar o devido respeito e igualdade. No segundo dia da Cimeira da Prosperidade Global, que se realiza anualmente em Hong Kong, Wu Hailong afirmou que Washington tem utilizado uma série de estratégias de supressão e contenção para travar o desenvolvimento da China na última década. Mas Wu, que foi chefe-adjunto do Gabinete do Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Hong Kong, salientou que a ascensão da China é um facto indiscutível e sublinhou que quaisquer esforços para difamar ou impedir o progresso da nação seriam em vão. Wu, actualmente presidente da Associação de Diplomacia Pública da China, afirmou que os problemas de Washington são internos, mas que o país recusa procurar soluções para curar a sua própria “doença”. “Imaginem uma pessoa que recusa a medicação mas insiste em que os outros tomem comprimidos para curar a sua doença”, afirmou, citado pela emissora de Hong Kong RTHK. “É esta a lógica da guerra tarifária recentemente lançada pelos Estados Unidos contra o mundo inteiro. “É verdade que a China tem mantido um excedente comercial com os Estados Unidos ao longo dos anos… Mas isso é uma questão de escolha do consumidor e de dinâmica do mercado, e não de manipulação deliberada por parte da China”.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | China publica vídeo intitulado “Não nos ajoelhamos” O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China publicou ontem um vídeo intitulado “No Kneeling” (“Não nos ajoelhamos”), no qual reafirma a recusa em ceder às pressões decorrentes da guerra comercial com os Estados Unidos. No vídeo, publicado na conta oficial do ministério na rede social WeChat – semelhante ao WhatsApp –, a diplomacia chinesa argumenta que ceder ao que descreve como “hegemonia” norte-americana não conduziria à resolução das tensões, mas sim ao seu agravamento. O ministério acusou os EUA de desencadearem uma “tempestade tarifária” global e criticou o facto de Washington não ter feito concessões à China, como a suspensão de 90 dias das tarifas decretada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para os restantes países. As autoridades compararam esta dinâmica ao “olho de um furacão”, alertando para o facto de a aparente calma ser, na realidade, uma “armadilha mortal” que precede novas turbulências. “O registo histórico mostra que as concessões não garantem um desanuviamento nas disputas comerciais e, em vez disso, acabam por alimentar o aumento da pressão”, afirmou a diplomacia do país asiático. “Ceder ao agressor é como beber veneno quando se tem sede”, descreveu. Com um fundo musical de intensidade crescente, o vídeo declara que “a China não se ajoelha” e argumenta que “lutar pela cooperação permite que a cooperação exista, enquanto procurá-la através de concessões leva ao seu desaparecimento”. O vídeo acrescenta ainda que uma atitude assertiva permitiria que os países mais pequenos fossem ouvidos, travaria potenciais abusos de poder e defenderia os princípios internacionais. Luta continua O vídeo também descreve os opositores a esta posição como “tigres de papel” e salienta que o comércio dos EUA representa menos de um quinto do comércio mundial, pelo que Washington poderá ficar isolado se outros países aderirem à posição da China. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, alertou ontem, no Rio de Janeiro, que “ficar em silêncio, ceder e recuar” só fará com que “o agressor queira tirar mais partido”, referindo-se aos Estados Unidos. Durante uma reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco de economias emergentes BRICS, Wang afirmou que “os Estados Unidos há muito beneficiam do comércio livre, mas agora estão a utilizar as tarifas como moeda de troca para exigir preços exorbitantes a outros países”. Desde o início deste mês, a China e os EUA mantêm tarifas mútuas superiores a 100 por cento. Embora os responsáveis norte-americanos tenham afirmado que estão em curso negociações com os seus homólogos chineses para chegar a um acordo comercial, Pequim negou-o repetidamente.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Tarifas podem criar maior mercado negro do mundo As tarifas recorde impostas por Washington sobre produtos chineses podem criar o “maior mercado negro do mundo”, à medida que as empresas recorrem ao transbordo por países terceiros e à subfacturação, apontou um ‘think tank’. Apesar de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter fixado taxas alfandegárias de 145% sobre a maioria dos bens oriundos da China, as exportações chinesas vão continuar a chegar ao mercado norte-americano através de canais alternativos, frisou num relatório a Gavekal Dragonomics, grupo de reflexão norte-americano focado na economia chinesa. O documento destacou que a diferença tarifária entre a China e os restantes parceiros comerciais dos EUA está a criar “incentivos poderosos para a evasão”, sobretudo através do ‘comércio triangular’ e da subfacturação. Uma das vias mais utilizadas consiste em enviar produtos da China para países como México ou Canadá, onde são depois reetiquetados ou levemente modificados, para posteriormente entrarem nos EUA ao abrigo de tarifas reduzidas ou isenções. O chamado regime de ‘minimis’, que isenta de impostos as remessas até 800 dólares, também tem sido amplamente explorado. Esta excepção será, no entanto, revogada para a China continental, Hong Kong e Macau a partir de 2 de Maio. As novas regras determinam que qualquer pacote de baixo valor proveniente desses territórios pagará uma tarifa fixa de 120 por cento do valor declarado. De acordo com os autores do relatório, mesmo os exportadores que não recorrem ao ‘comércio triangular’ têm agora fortes incentivos para subfacturar as encomendas. Esta prática já era significativa: em 2021, um estudo da Reserva Federal dos EUA concluiu que a subfacturação explicava mais de 55 mil milhões de dólares de discrepância entre os dados das importações dos EUA e os de exportações da China.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Pequim considera estar do “lado certo da História” Um alto funcionário do Governo chinês disse ontem que Pequim está “do lado certo da História” na guerra comercial lançada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Desde que regressou à Casa Branca em Janeiro passado, Trump impôs tarifas de pelo menos 10 por cento sobre a maioria dos parceiros comerciais dos EUA e uma sobretaxa separada de 145 por cento sobre os produtos chineses. Pequim retaliou com a sua própria sobretaxa de 125 por cento sobre os produtos norte-americanos. “A China está do lado da esmagadora maioria dos países do mundo, do lado certo da História e do progresso humano”, afirmou Zhao Chenxin, vice-director da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo de planeamento económico da China, numa conferência de imprensa, em Pequim. Zhao Chenxin e vários altos funcionários de diferentes ministérios chineses prometeram que Pequim vai tomar mais medidas para impulsionar a economia e o consumo interno, visando mitigar os efeitos da guerra comercial com os Estados Unidos. “Estamos convencidos de que a oposição ao mundo e à verdade só conduz ao isolamento. Só avançando de mãos dadas com a comunidade mundial e defendendo a moralidade e a justiça poderemos construir o futuro”, sublinhou Zhao. Os Estados Unidos “praticam a intimidação e a hegemonia, renegando constantemente os seus compromissos”, denunciou. No domingo, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, defendeu a política tarifária de Donald Trump, que está a perturbar a economia mundial, considerando-a como uma forma de criar “incerteza estratégica” para dar vantagem a Washington. Instado ontem a responder a estes comentários, Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, afirmou que os Estados Unidos devem “conduzir o diálogo com a China com base na igualdade, no respeito e no benefício mútuo”. “Se os Estados Unidos querem realmente resolver o problema através do diálogo e da negociação, devem deixar de ameaçar e chantagear”, disse Guo, em conferência de imprensa. Alta tensão Pequim prometeu travar a guerra comercial “até ao fim” se Washington continuar com as suas medidas proteccionistas. No entanto, a China reconheceu ontem que a tempestade comercial desencadeada por Donald Trump está a ter um impacto na sua economia, que continua fortemente dependente das exportações. “Embora a economia [nacional] continue a recuperar, as bases para uma melhoria sustentável exigem um maior reforço face às crescentes pressões externas”, disse Yu Jiadong, vice-ministro dos recursos humanos, em conferência de imprensa. “A imposição sucessiva de taxas exorbitantes por parte dos Estados Unidos criou dificuldades de produção e de funcionamento a algumas empresas exportadoras e afectou o emprego de alguns trabalhadores”, sublinhou.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | China desmente Trump sobre negociações comerciais com Estados Unidos A China voltou seabado a negar estar em negociações com os Estados Unidos sobre as tarifas, desmentindo os comentários do Presidente norte-americano, Donald Trump, na sexta-feira. “Não houve consultas ou negociações entre a China e os Estados Unidos sobre questões tarifárias, muito menos um acordo”, disse a embaixada chinesa em Washington, num comunicado publicado na plataforma de mensagens WeChat. As afirmações norte-americanas de que está em curso um diálogo sobre as tarifas “são enganadoras”, acrescentou a representação diplomática chinesa. “Se os Estados Unidos querem realmente resolver o problema através do diálogo, devem primeiro corrigir os seus erros, deixar de ameaçar e pressionar os outros e abolir completamente todas as medidas tarifárias unilaterais tomadas contra a China”, lê-se no comunicado. Numa entrevista publicada na sexta-feira pela revista Time, o Presidente norte-americano disse que estavam em curso discussões entre os dois países para tentar chegar a um acordo e sugeriu que o processo poderia estar concluído nas próximas semanas. Referiu, além disso, ter falado ao telefone com o homólogo chinês, Xi Jinping, sem, no entanto, especificar quando ou qual o conteúdo da conversa. “Ele telefonou. E não acho que isso seja um sinal de fraqueza”, disse o dirigente norte-americano. O Ministério do Comércio chinês já tinha negado na quinta-feira que estivesse a levar a cabo negociações económicas ou comerciais com Washington. O Presidente norte-americano decidiu impor sobretaxas de 145 por cento a certos produtos importados da China. Em resposta, Pequim impôs sobretaxas de 125 por cento sobre os produtos provenientes dos Estados Unidos.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim reúne com empresas estrangeiras para perceber impacto das tarifas O Ministério do Comércio chinês informou ontem que se reuniu com mais de oitenta empresas estrangeiras e representantes de câmaras de comércio no país para abordar os efeitos das tarifas impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. A reunião, presidida pelo vice-ministro do Comércio, Ling Ji, serviu para “trocar opiniões” sobre o impacto que as tarifas impostas pelos EUA podem ter nas operações e investimentos das empresas estrangeiras na China, indicou a pasta em comunicado. Durante o encontro, Lin instou os empresários estrangeiros a “fazer ouvir uma voz racional, manter a confiança, ultrapassar as dificuldades e transformar as crises em oportunidades” face às imposições dos EUA que, segundo ele, prejudicam “gravemente” o sistema de comércio internacional. O responsável chinês insistiu ainda que Pequim continuará a expandir a sua “abertura de alto nível”, a proteger os “direitos legítimos” das empresas estrangeiras, a resolver “activamente” as suas dificuldades operacionais e a assegurar o “funcionamento das cadeias de produção e de abastecimento”. De acordo com a declaração, os empresários afirmaram que o Governo chinês “continua a atribuir grande importância à resolução dos problemas enfrentados pelas empresas estrangeiras”. E manifestaram a sua vontade de continuar a investir no país, uma vez que a política chinesa é “coerente, estável e previsível”, referiu o ministério. Sem acordo Este encontro com representantes estrangeiros, cuja identidade não foi revelada, surge depois de Trump ter manifestado esta semana optimismo quanto à possibilidade de os Estados Unidos e a China chegarem a um acordo comercial. Mas Pequim garantiu hoje que “não foram iniciadas quaisquer negociações ou consultas” com os EUA sobre a questão das tarifas, e sublinhou que “qualquer diálogo ou negociação deve basear-se na igualdade, no respeito mútuo e na reciprocidade”. O conflito comercial entre as duas potências, que se intensificou no início de Abril, suscitou preocupações em organizações como a Organização Mundial do Comércio (OMC), que alertou esta semana para o facto de a criação de blocos comerciais antagónicos entre os EUA e a China poder provocar perdas até 7 por cento do PIB mundial.
Hoje Macau China / ÁsiaEconomia | Xi defende que guerra comercial prejudica interesses de todos os países Enquanto Trump continua com a sua política errática de tarifas comerciais, o Presidente chinês, Xi Jinping, alerta para os danos causados à economia global e reafirma a posição da China de defesa da “equidade e a justiça internacionais” O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que as guerras comerciais minam os “interesses legítimos” de todos os países e “têm impacto na ordem económica mundial”, numa altura em que Washington se mostra optimista em relação a um acordo. “As guerras tarifárias e comerciais minam os direitos e interesses legítimos de todos os países, prejudicam o sistema de comércio multilateral e têm impacto na ordem económica mundial”, disse Xi durante uma reunião com o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, em Pequim, de acordo com a agência noticiosa oficial Xinhua. Segundo Xi, a China continuará a esforçar-se para “salvaguardar o sistema internacional” e “defender a equidade e a justiça internacionais”, tendo as Nações Unidas como “pilar”. Estas são as primeiras declarações de Xi depois de Trump ter manifestado na terça-feira optimismo quanto à possibilidade de os Estados Unidos e a China chegarem a um acordo comercial. Para além de Trump, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, responsável pelas negociações comerciais, também manifestou esperança num desanuviamento da guerra comercial com a China. Analistas chineses afirmaram ontem, porém, que as declarações de Trump não representam qualquer “progresso substancial” ou mudanças nas negociações. “Quanto mais ele fala, mais ansiosos os EUA parecem ficar. Trump e a sua equipa estão sob pressão, mas a China não está a mostrar sinais de impaciência”, disse Chen Zhiwu, especialista da Universidade de Hong Kong, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. A administração Trump espera fechar acordos comerciais no próximo mês com a maioria dos países aos quais impôs taxas, mas a guerra comercial desencadeada pela sua política tarifária agressiva está centrada numa disputa com a China. Na semana passada, Trump afirmou estar a falar com representantes chineses para chegar a um acordo com Pequim, mas, do outro lado, o seu homólogo Xi mantém tarifas de 125 por cento sobre os EUA e tomou outras medidas, como vetar a entrega de aviões Boeing. Sem medo A China insistiu que não quer uma guerra comercial, mas “não tem medo de a enfrentar se necessário”. Pequim também instou Washington a cancelar completamente todas as tarifas impostas e a iniciar um diálogo “com base no respeito mútuo”, reiterando que o proteccionismo é um beco sem saída. Pequim advertiu ainda que não aceitará acordos internacionais que sejam alcançados “à custa dos seus interesses”, depois de a imprensa internacional ter noticiado que Trump planeia pressionar outros países durante as suas negociações comerciais para limitar o seu comércio com a China. Algum respeito O Governo chinês pediu ontem aos Estados Unidos para “deixar de exercer pressão” e mostrar respeito se quiserem realmente resolver os seus diferendos comerciais com a China através de negociações e do diálogo. “Se os Estados Unidos continuarem a querer esta guerra tarifária, a China continuará a responder até ao fim. Se quiserem negociar, a porta está aberta. Mas se eles realmente querem negociar, devem parar de exercer a máxima pressão e ir para o diálogo com base na igualdade, respeito e benefício mútuo”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Guo Jiakun, em conferência de imprensa.
Hoje Macau China / ÁsiaEmpresas mais interessadas no yuan face a incerteza no mercado obrigacionista dos EUA As empresas estão cada vez mais interessadas em utilizar a moeda chinesa, o yuan, na liquidação de pagamentos internacionais, segundo os resultados de um inquérito publicados ontem pelo Instituto Monetário Internacional da Universidade Renmin. O enfraquecimento do domínio do dólar norte-americano, exacerbado por uma série de políticas da nova administração dos Estados Unidos, criou uma “janela de oportunidade” para a internacionalização do yuan, argumentaram os autores. As conclusões da Universidade Renmin, que fica no norte de Pequim, sobre a internacionalização do yuan nos últimos trimestres são coerentes: a percentagem de empresas que planeiam aumentar as transações em yuan subiu de cerca de 21,5 por cento, no segundo trimestre de 2024, para quase 24 por cento, no primeiro trimestre deste ano. Cerca de 68 por cento das empresas inquiridas afirmaram que estão a utilizar o yuan para liquidações comerciais transfronteiriças, enquanto 53 por cento estavam a utilizar a moeda para transações cambiais. “A volatilidade crescente no mercado do Tesouro dos EUA marca um ponto de viragem”, afirmou Yang Changjiang, professor de Finanças, salientando que, ao contrário de anteriores situações de turbulência, desta vez o capital global deixou de fluir para os EUA. Nas últimas duas semanas, registou-se uma venda de obrigações do Tesouro norte-americano, que chegou a fazer subir os juros para títulos com prazo de maturidade a 30 anos em meio ponto percentual, após o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar “tarifas retaliatórias” contra o resto do mundo. A guerra comercial com a China – que viu as tarifas dos EUA sobre produtos chineses aumentarem 145 por cento este ano, contra 125 por cento impostos pela China – intensificou as preocupações sobre o impacto da dissociação EUA-China na economia global. Num documento conhecido como “Acordo de Mar-a-Lago”, Stephen Miran, presidente do Conselho de Conselheiros Económicos da Administração Trump, defendeu um enfraquecimento do dólar norte-americano e a troca de títulos do Tesouro norte-americano de curto prazo por obrigações a 100 anos. “Costumávamos considerar a liquidação do comércio como o principal motor da internacionalização do yuan, mas agora o foco mudou para a possibilidade de o yuan servir como um activo de refúgio”, disse Yang. “Esta é uma oportunidade que temos de aproveitar”, apontou. Mudanças em curso Apesar da crescente inclinação para utilizar a moeda chinesa além-fronteiras, o alcance dessa utilização continua a ser muito inferior ao do dólar norte-americano. O yuan continua a ser a quarta moeda de pagamento mais utilizada, com uma quota de 4,13 por cento em Março, segundo dados do Swift, o sistema que permite transações interbancárias internacionais. Em comparação, a quota do dólar norte-americano está em 49,08 por cento, de longe a mais alta. Tu Yonghong, vice-director do Instituto da Universidade Renmin, afirmou que o sistema monetário mundial irá provavelmente tornar-se mais diversificado, dado o atual panorama mundial, o que beneficiará a utilização da moeda chinesa no estrangeiro.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Cosco alerta para efeito negativo de taxas A empresa de transporte marítimo estatal chinesa Cosco manifestou ontem firme oposição à decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de impor tarifas sobre navios construídos e operados pela China, alertando para o impacto nas cadeias de abastecimento. A empresa disse, em comunicado, que esta medida “não favorece a concorrência leal nem a operação normal dos negócios na indústria global de transporte marítimo”, além de ser baseada em “falsidades”. As novas tarifas portuárias “terão impacto no desenvolvimento estável e saudável do sector de transporte marítimo a nível mundial e comprometerão a estabilidade e a segurança da cadeia industrial e da cadeia de abastecimento”, afirmou a Cosco. “Como empresa internacional responsável pelos sectores de transporte marítimo e logística, aderimos sempre aos conceitos de integridade, transparência e conformidade para participar na concorrência mundial do transporte marítimo”, afirmou a empresa, acrescentando que vai “proteger os interesses” dos seus clientes. A Cosco possui mais de 40 terminais de contentores em todo o mundo e é uma das maiores companhias de transporte marítimo de contentores do mundo, com mais de 300 navios. Na sexta-feira passada, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês condenou as novas taxas e instou Washington a “pôr termo imediatamente” às suas “práticas erradas”. “Medidas como a imposição de taxas portuárias e tarifas sobre o equipamento de movimentação de carga da China são prejudiciais para todo o mundo. Aumentam os custos globais de transporte, perturbam a estabilidade da cadeia de abastecimento global e aumentam a pressão inflacionista sobre os Estados Unidos”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian, numa conferência de imprensa. Trump impôs estas tarifas portuárias na última quinta-feira, embora a medida tenha origem na administração de Joe Biden (2021-2025), ao abrigo da Secção 301 do Código Comercial dos EUA, para taxar navios chineses que chegam aos portos norte-americanos.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | China vai retaliar com sanções contra funcionários dos EUA A China vai impor sanções contra funcionários, legisladores e dirigentes de organizações não-governamentais dos Estados Unidos que tiveram um “mau desempenho” nas questões de Hong Kong, anunciou ontem o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Em Março, os Estados Unidos sancionaram seis funcionários da China continental e de Hong Kong que, alegadamente, estavam envolvidos em “repressão além-fronteiras”. Entre esses funcionários contavam-se o secretário da Justiça, Paul Lam, o director do gabinete de segurança, Dong Jingwei, e o antigo comissário da polícia, Raymond Siu. Como retaliação, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, afirmou ontem, em Pequim, que a China condenou veementemente os actos, qualificando-os de “desprezíveis”. Os Estados Unidos interferiram seriamente nos assuntos de Hong Kong e violaram os princípios do direito internacional, afirmou. “A China decidiu impor sanções aos congressistas, funcionários e líderes de ONGs dos EUA que tiveram um mau desempenho em questões relacionadas com Hong Kong”, disse Guo, acrescentando que a resposta foi dada de acordo com a lei anti-sanções estrangeiras, sem fornecer mais pormenores sobre quem está a ser visado. Guo também emitiu um aviso sobre Hong Kong, dizendo que os assuntos da cidade semiautónoma da China não estão sujeitos à interferência dos EUA. Quaisquer acções consideradas erradas pelo Governo chinês relativamente a questões relacionadas com Hong Kong serão objecto de medidas firmes e de retaliação recíproca, afirmou.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas / EUA | China “não aceitará” que acordos de países a prejudiquem Pequim advertiu ontem que “não aceitará” acordos internacionais que “prejudiquem os seus interesses”, após a imprensa internacional ter noticiado que o Presidente norte-americano, Donald Trump, está a pressionar outros países a limitarem o comércio com a China. O Ministério do Comércio chinês disse em comunicado que os Estados Unidos “têm abusado das tarifas sobre os parceiros comerciais sob a bandeira da ‘reciprocidade’” e “forçaram todas as partes a manter negociações” com Washington. O ministério afirmou que “respeita os esforços de todas as partes para resolver as diferenças económicas e comerciais com os Estados Unidos através de consultas justas”, mas acrescentou que devem “adoptar uma postura de equidade, justiça e correcção histórica” e “defender as regras económicas e comerciais internacionais e o sistema comercial multilateral”. O ministério acusou os EUA de “promoverem uma política hegemónica e de implementarem uma intimidação unilateral no domínio económico e comercial”, advertindo que “o apaziguamento não trará a paz” e que “os acordos não serão respeitados”. O organismo criticou a procura de “pretensas isenções à custa dos interesses dos outros para proveito próprio e temporário” e avisou que esse comportamento “acaba por não beneficiar nenhuma das partes”. “Ninguém pode ficar imune ao impacto do unilateralismo e do proteccionismo”, afirmou o ministério, acrescentando: “Quando o comércio internacional voltar à ’lei da selva’, em que os fortes se aproveitam dos fracos, todos os países se tornarão vítimas”. A China está disposta a “fortalecer a solidariedade e a coordenação com todas as partes e trabalhar para resistir conjuntamente contra o ‘bullying’ unilateral”, afirmou a pasta. Em força A guerra comercial desencadeada por Trump intensificou-se a 02 de Abril, com o anúncio de “tarifas recíprocas” para o resto do mundo, uma medida que mais tarde rectificou face à queda dos mercados e ao aumento do custo de financiamento da dívida dos EUA. Mas enquanto suavizava a ofensiva contra a maioria dos países, aplicando uma tarifa generalizada de 10 por cento, Trump decidiu aumentar as taxas sobre a China para 245 por cento, por ter respondido com tarifas de retaliação. Entretanto, Pequim aumentou as suas tarifas sobre os produtos norte-americanos para 125 por cento. Os EUA decidiram isentar muitos produtos electrónicos chineses das tarifas, embora Trump tenha anunciado a aplicação de taxas sobre semicondutores “num futuro próximo”. Trump disse na quinta-feira que dentro de “três a quatro semanas” poderão ter chegado a acordos tarifários com os seus parceiros e indicou que a sua administração já está a falar com representantes chineses numa tentativa de chegar a um acordo também com Pequim. A China apenas reconheceu, através do seu ministério, que mantém uma “comunicação constante a nível de trabalho” com os seus homólogos norte-americanos, sublinhando que Pequim está “aberta a consultas” com Washington se estas se basearem no “respeito mútuo”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeSegurança | Sam aponta aos EUA e pede preparação para pior cenário Face à “imposição abusiva de impostos aduaneiros”, Sam Hou Fai pediu união à população nos esforços de desenvolvimento e defesa da segurança nacional em todas as áreas, inclusive nas próximas eleições legislativas de Setembro O Chefe do Executivo quer que a população de Macau esteja unida para fazer face à “imposição abusiva de impostos aduaneiros” dos Estados Unidos da América (EUA). O pedido foi deixado ontem por Sam Hou Fai, durante o discurso de inauguração da Exposição sobre a Educação da Segurança Nacional. “Os EUA anunciaram recentemente a imposição abusiva de impostos aduaneiros a todos os seus parceiros comerciais, incluindo o nosso país, sob vários pretextos, o que devastou severamente o sistema de comércio multilateral que tem como núcleo a Organização Mundial do Comércio, e prejudicou a estabilidade da ordem económica mundial”, começou afirmar o líder político da RAEM. Na perspectiva do Chefe do Executivo, estas alterações criaram um “ambiente externo drasticamente alterado e com riscos e desafios cada vez mais complexos e graves”. Por isso, Sam Hou Fai pediu à população que compreenda a “importância da segurança geral”: “Além de reforçar ainda mais a confiança de que a nossa grande pátria vai liderar o todo o povo chinês para ultrapassar os desafios e dificuldades, devemos compreender profundamente a importância da segurança geral, aplicar com firmeza a perspectiva geral da segurança nacional e continuar a promover a construção do sistema, do mecanismo e do regime jurídico de Macau para salvaguardar a segurança nacional”, afirmou. Todos no mesmo sentido Sam Hou Fai pretende que a defesa da segurança nacional seja praticada em todos os campos da sociedade: “Devemos envidar todos os esforços no desenvolvimento próprio da RAEM, nos domínios político, económico, social, entre outros, e nas relações externas, para realizar efectivemente bem o nosso trabalho”, apontou. “Temos também de aumentar a nossa consciência dos riscos, persistir numa atitude de vigilância prudente para controlar e prevenir eventuais emergências e estar preparados para os piores cenários, mitigando os diferentes tipos de riscos e desafios, nomeadamente a interferência e a infiltração de forças externas, que temos de prevenir e reprimir resolutamente”, acrescentou. O Chefe do Executivo destacou ainda as eleições deste ano para a Assembleia Legislativa como um momento em que se deve salvaguardar a defesa nacional, para “garantir a paz e a estabilidade social duradouras em Macau”. No discurso de ontem, Sam Hou Fai fez também a apologia da defesa da harmonia e estabilidade sociais enquanto uma das principais tarefas atribuídas por Xi Jinping à RAEM. O governante recordou que as “três expectativas” deixadas por Xi, aquando a passagem por Macau em Dezembro, passam por “concentrar esforços para manter a harmonia e a estabilidade sociais”, “estar alerta e saber proteger-se contra os potenciais perigos, saber prevenir riscos e salvaguardar com firmeza a segurança nacional e a estabilidade de Macau” e ainda “valorizar a paz e a estabilidade” ao mesmo tempo que se fortalece o “crescimento económico e o desenvolvimento”.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | Pequim pede a Washington diálogo justo e baseado no respeito A China afirmou que as tarifas de Donald Trump prejudicam a ordem económica e comercial internacional e apelou a Washington para “resolver os problemas através de um diálogo justo baseado no respeito mútuo”. Apesar de tudo, as exportações chinesas subiram 12,4 por cento em Março “Exortamos os Estados Unidos a corrigir imediatamente a sua abordagem errada e a resolver as diferenças comerciais através do diálogo”, disse ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, em conferência de imprensa. Lin vincou que “os EUA colocam os seus interesses à frente do bem comum da comunidade internacional, o que é um exemplo típico de intimidação tarifária”. O porta-voz reiterou que “numa guerra comercial ninguém ganha” e que “o proteccionismo não oferece nenhuma saída”. A guerra comercial desencadeada por Trump intensificou-se a 2 de Abril, com o anúncio de “tarifas recíprocas” contra o resto do mundo, uma medida que retificou uma semana depois, perante a queda dos mercados e o aumento do custo de financiamento da dívida norte-americana. Mas enquanto suavizava a sua ofensiva com a maioria dos países, aplicando uma tarifa generalizada de 10 por cento, decidiu aumentar as taxas sobre a China, que estão agora fixadas em 145 por cento. Entretanto, este fim-de-semana, Washington decidiu isentar muitos produtos tecnológicos chineses. Trump disse no domingo que as tarifas sobre semicondutores serão implementadas “num futuro próximo” e que anunciará as taxas ainda esta semana, como parte da sua guerra comercial. No domingo, a China classificou a isenção de tarifas sobre certos produtos electrónicos chineses como “um pequeno passo” para que os Estados Unidos “corrijam a sua prática errada” e instou Washington a “cancelar completamente” as taxas. Para Pequim, as tarifas norte-americanas “não só violam as leis económicas e de mercado básicas, como também ignoram a cooperação complementar e a relação oferta – procura entre os países”. Pedidos e encomendas As exportações da China aumentaram 12,4 por cento em Março, em termos homólogos, à medida que as empresas se apressaram a concluir encomendas, antes da entrada em vigor das tarifas impostas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As importações caíram 4,3 por cento, de acordo com dados divulgados pela Administração das Alfândegas da China. Segundo a mesma fonte, as exportações da segunda maior economia do mundo aumentaram 5,8 por cento, nos primeiros três meses do ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações caíram 7 por cento. O excedente comercial da China com os Estados Unidos foi de 27,6 mil milhões de dólares em Março, tendo as exportações chinesas aumentado 4,5 por cento. No primeiro trimestre do ano, o país asiático registou um excedente de 76,6 mil milhões de dólares nas trocas comerciais com os EUA. Tendo em conta as tarifas aplicadas pela Casa Branca aos produtos chineses, importa referir que os maiores aumentos nas exportações foram para os países do Sudeste Asiático, que viram as importações oriundas da China saltar quase 17 por cento, em Março, em relação ao período homólogo. As exportações para África aumentaram mais de 11 por cento. O Presidente chinês, Xi Jinping, partiu ontem para o Vietname (ver texto secundário), como parte de um périplo que também inclui Malásia e Camboja, visando reforçar laços comerciais com outros países asiáticos que também enfrentam tarifas pesadas, embora na semana passada Trump tenha adiado a respectiva aplicação por 90 dias. As exportações da China para o Vietname aumentaram quase 17 por cento no mês passado, em relação a Março do ano passado, enquanto as importações caíram 2,7 por cento. Liu Daliang, porta-voz da Administração das Alfândegas chinesas, disse que a China enfrenta uma “situação externa complexa e grave”, mas que “o céu não vai cair”. Questionado sobre a queda das importações chinesas, Liu disse aos jornalistas que a China é há 16 anos consecutivos o segundo maior importador do mundo, aumentando a sua quota das importações globais de cerca de 8 para 10,5 por cento. “Actualmente e no futuro, o espaço de crescimento das importações da China é enorme e o grande mercado chinês será sempre uma grande oportunidade para o mundo”, afirmou.