Suraphou Kanyukt: “Estou feliz se o meu país estiver em paz”

[dropcap style=’circle’]E[/dropcap]scolheu fazer parte do exército do seu país, a Tailândia, como quem escreve uma cruz num qualquer papel sem pensar muito no assunto. De facto, Suraphou Kanyukt nunca quis ser um militar no activo, mas escolheu essa opção de vida como poderia ter optado por outra qualquer.
Mas há quatro anos este jovem, oriundo de Banguecoque, decidiu que a farda de cor verde escura e as armas já não lhe serviam como projecto de vida. Foi então que decidiu vir para Macau.
Suraphou Kanyukt optou por estudar Comunicação Social na Universidade de São José (USJ) e não se arrepende da sua decisão.
“Decidi sair de Banguecoque em 2011, depois de ter servido o meu país no exército. Decidi vir para Macau estudar porque em termos pessoais gosto de aprender sobre outras culturas e línguas, então porque não escolher um sítio algures? Na altura não fazia ideia. Tudo o que sabia sobre Macau é que era uma pequena cidade, a Las Vegas da Ásia, onde poderia comer pastéis de nata”, contou ao HM.
Apesar de Macau ter uma forte comunidade tailandesa, no início Suraphou Kanyukt sentiu-se totalmente um peixe fora de água. “Adorei a vida universitária aqui, mas foi um grande desafio conquistar os corações dos locais, já que estive muito tempo na luta de um estrangeiro que vive fora do seu país. Senti-me um pouco em baixo, mas depois percebi que fui eu que não me abri a eles”, aponta.
Hoje tem vários amigos, não só tailandeses como também chineses, que o tratam por Justin. Suraphou sabe que o seu nome não é de fácil compreensão, pelo que, num primeiro contacto com as pessoas, pede sempre para ser tratado pelo nome inglês.
De Macau, Suraphou Kanyukt, que não gosta de jogar em casinos, só tem a apontar de negativo o sistema de transportes. Mas até lhe dá jeito. “Não foi fácil deslocar-me pela cidade enquanto andava na universidade. Comecei a andar a pé, porque é fácil deslocarmo-nos a todos os sítios e isso é o que eu mais gosto em Macau, especialmente no Inverno.”

Atentado à distância

O atentado terrorista que ocorreu em Banguecoque há meses não passou despercebido a Suraphou Kanykt, tal como a todos os membros da comunidade tailandesa aqui presente. O receio da quebra no sector do turismo, principal motor da economia do país, fez-se sentir, aliado aos conflitos políticos internos que não estão totalmente dissipados.
Meses depois, e já com dois suspeitos identificados pela polícia tailandesa, o jovem espera que as autoridades e a sociedade encontrem soluções para que tudo volte à normalidade. “Estou feliz se o meu país estiver em paz. Penso que precisamos de mudanças que sejam o melhor para nós.”
Actualmente à procura de trabalho, o regresso a Banguecoque não está posto de lado. “Se alguém me oferecer uma oportunidade de trabalho, porque não? Gostaria de trabalhar na área da música, crítica gastronómica, lifestyle, arte, uma área na qual eu me pudesse envolver. Não quero sequer ter um pé na política”, frisou.
Apesar disso, Suraphou Kanykt confessa que ficar em território chinês é a primeira opção. Na qualidade de jornalista estagiário experimentou as várias vertentes da profissão, desde a imprensa escrita ou ao online, ao trabalhar no diário inglês Macau Post Daily e no grupo de media Macaulink. Na Fundação Rui Cunha, experimentou durante seis meses a área multimédia, ao produzir filmagens dos eventos e alguns filmes.
Optimista e à espera do que o futuro lhe pode trazer, Suraphou Kanykt continua a olhar para diversas oportunidades de trabalho, seja em Macau, Hong Kong ou até em territórios vizinhos, como é o caso de Singapura.
“O melhor para mim seria ter uma oportunidade de trabalho aqui, mas recentemente ouvi que há muitas mudanças, porque a economia está a abrandar”, referiu.
Suraphou, ou Justin, vai continuando pela RAEM por estar tão perto de Hong Kong. Aqui já se candidatou a vários trabalhos na área da hotelaria e turismo, mas chama a atenção para o facto da língua ser um entrave. “Sei que há muitas oportunidades em Hong Kong, porque é mais internacional, as empresas não estão preocupados com o facto de eu não falar Chinês”, rematou.

16 Out 2015

Tailândia destrói mais de duas toneladas de marfim

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap] Tailândia destruiu ontem mais de duas toneladas de marfim, uma vitória para os grupos de defesa dos animais que lutam contra o comércio ilegal de presas que tem vindo a empurrar os animais para a extinção.
O acto, em que um triturador industrial destruiu 2.155 quilogramas de marfim antes da incineração, foi presidido pelo líder da junta militar Prayu Chan-O-Cha. Foi a primeira vez que Banguecoque adoptou medidas para destruir parte do seu arsenal.
“Isto é para mostrar a forte determinação do governo tailandês na oposição ao tráfico de marfim e que a Tailândia vai cumprir com as regras internacionais”, afirmou, durante a cerimónia.
Os defensores dos direitos dos animais acusam há muito tempo os sucessivos governos da Tailândia – civis e militares – de fechar os olhos ao lucrativo negócio.
Os activistas têm vindo a pressionar Banguecoque para destruir o seu ‘stock’, como prova da sua determinação em eliminar o risco de o marfim que é apreendido pelas autoridades voltar a entrar no mercado negro por via de funcionários corruptos.
O aumento da procura de marfim na Ásia é apontado como estando na origem da subida do número de elefantes mortos em África, dado que as autoridades não conseguem desmantelar as redes de contrabando.

Presas apreendidas

A imprensa estatal do Vietname também noticiou ontem que, nos últimos dias, foram feitas duas grandes apreensões de presas de elefante importadas ilegalmente para o país.
Na mais recente foi apreendida uma “grande quantidade”, não especificada, de presas escondidas em sacos de feijão vermelho num contentor procedente da Malásia, isto depois de, na semana passada, terem sido apreendidas duas toneladas oriundas da Nigéria.
Em meados deste mês, as alfândegas do Vietname apreenderam 735 quilos de marfim e cornos de rinoceronte no porto de Tien Sa, na cidade de Da Nang, provenientes de Moçambique.
Segundo o diário vietnamita Tuoi Tre News, que citou um comunicado oficial, o marfim e os cornos de rinoceronte estavam escondidos dentro de blocos de mármore falso, depois de terem sido desembarcados em dois contentores transportados num navio.
Vários cidadãos do Vietname têm sido detidos nos últimos anos em Moçambique, na posse de dentes de marfim e cornos de rinoceronte, contrabandeados para aquele país asiático, onde se acredita que os mesmos têm propriedades terapêuticas.
O marfim e cornos de rinocerontes contrabandeados em Moçambique são extraídos de animais abatidos na caça furtiva no país, mas principalmente na África do Sul, onde as autoridades locais destacaram o exército para o combate ao abate ilegal de elefantes e rinocerontes.

27 Ago 2015

Tailândia | Residentes decidiram seguir viagem. Tailandeses em Macau temem impacto no turismo

Os dois residentes de Macau que pediram ajuda para sair de Banguecoque não o conseguiram fazer por dificuldades na marcação do voo. A Air Macau vai permitir ajustes nas viagens já compradas. Tailandeses em Macau temem impacto negativo no turismo

[dropcap style= ‘circle’]O[/dropcap] Gabinete de Gestão de Crises de Turismo (GGCT) confirmou ao HM que os dois residentes de Macau que pediram ajuda para sair de Banguecoque decidiram, afinal, continuar a sua viagem. Numa resposta escrita, o gabinete confirmou que “após contactado a companhia aérea sobre a possibilidade de anteciparem o regresso, foram informados pela mesma que não seria possível, uma vez que não existem vagas disponíveis no regresso. Os mesmos decidiram continuar a sua viagem, uma vez que estavam em segurança”.
“O GGCT relembrou aos dois residentes de Macau para terem em conta as devidas precauções de segurança de modo a salvaguardarem a sua segurança pessoal”, aponta o organismo, que garante que não voltou a receber pedidos de ajuda, apenas um total de 162 pedidos de informação.
Entretanto a Air Macau lançou ontem um comunicado onde dá conta do ajuste dos voos para os passageiros que compraram as viagens antes do dia 18, para voos a realizar até 31 de Outubro. Quem comprou bilhetes poderá alterar a data ou a rota até 30 de Novembro.

Vozes de naturais

Ao HM, três tailandeses a residir em Macau contaram o que sentiram quando souberam do incidente à distância. Alice, a viver no território há 34 anos, onde trabalha num restaurante, confessa ter chorado quando viu as notícias.
“Há sempre muitos turistas a visitar o templo (Erawan), porque é que isso aconteceu? O tempo foi destruído mas pode ser reparado, as pessoas que morreram é que já não podem voltar”, contou ao HM por telefone.
Quem também chorou foi Amanda Kathapitak, recém-licenciada. “Vi as notícias no Facebook quatro horas após o incidente. Cresci em Banguecoque e claro que fiquei chocada. Vi o vídeo e de imediato comecei a chorar. Liguei aos meus familiares e amigos mais próximos e sei que estão bem, mas o incidente foi tão inesperado que nunca pensei que pudesse acontecer na minha cidade natal”, disse ao HM.
Todos consideram que, mais do que as mortes e o clima de medo, o atentado trouxe, sobretudo, problemas ao turismo, principal actividade económica da Tailândia. “Não é algo bom para nós, tailandeses. Recebemos muitos turistas chineses, de Hong Kong e Macau e depois disto ouvi dizer que muitos residentes de Hong Kong estão mais cuidadosos em fazer viagens para a Tailândia. Isso é mau para o país”, disse Justin, ex-estudante da Universidade de São José.
“Não faço ideia se o país vai continuar a ser seguro. A explosão afectou muito as coisas e vai fazer com que os turistas tenham receio em visitá-lo”, considerou Alice.
Para já as autoridades tailandesas falam de dez pessoas que poderão estar implicadas no atentado, recusando associar o incidente ao terrorismo. “É improvável que seja o trabalho de um grupo terrorista internacional. Os cidadãos chineses não eram um alvo directo”, disse Winthai Suvaree, porta-voz da junta militar, citado pela Lusa.
“Há muitas razões que podem ter levado a isto. Estamos sob lei marcial e com um governo militar. A maioria das pessoas na Tailândia sentem-se reprimidas. Muitos dizem que pode ter sido alguém tailandês, mas também foi dito que o Governo não foi a razão”, considerou Amanda Kathapitak.
Justin não nega a possibilidade do ataque poder ter sido engendrado por chineses uigures, uma vez que a Tailândia deportou oito pessoas desta etnia chinesa muçulmana para a Turquia, em Julho. “Há muitas especulações, muitas que dizem que pode haver ligações ao Estado Islâmico, outros acham que os uigures querem vingar-se do Governo tailandês. O Governo e as pessoas estão a tentar o melhor para ajudar as vítimas locais e estrangeiras. Poderá ser alguém que quer destruir a nossa economia, ou alguém que quis que a sua voz fosse ouvida de forma violenta, o que é errado e tirou muitas vidas inocentes.”

21 Ago 2015

Atentando em Banguecoque | Dois residentes de Macau pedem ajuda para sair

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap] Gabinete de Gestão de Crises do Turismo de Macau anunciou ontem que dois residentes locais pediram apoio às autoridades para antecipar o regresso à Região após o atentado de segunda-feira na Tailândia. De acordo com uma nota oficial, através das companhias de telecomunicações foi possível identificar 942 dispositivos móveis com registo em Macau em ‘roaming’ na Tailândia, cujos titulares foram contactados por mensagem electrónica para envio de contactos de emergência em caso de necessidade. De acordo com as autoridades de Macau, que receberam as listas nominais dos hospitais da Tailândia, nenhum residente consta entre as vítimas da explosão. Entretanto a industria turística de Macau cancelou uma dezena de excursões para a Tailândia, decisão que afecta cerca de 250 pessoas e estará em vigor até domingo, 23 de Agosto.

Retrato-robô

Na segunda-feira, pelas 18:30 de Macau, uma bomba explodiu no templo Erawan que fica no coração da capital tailandesa, junto ao hotel de cinco estrelas Grand Hyatt Erawan, rodeado de vários outros hotéis e lojas que atraem milhares de visitantes diariamente. Entretanto a polícia tailandesa difundiu ontem o retrato-robô do principal suspeito do atentado, que foi filmado por câmaras de vigilância a deixar um saco no meio da multidão, em frente do santuário, alguns minutos antes da explosão. O porta-voz da polícia tailandesa, Prawut Thavornsiri, afirmou que o homem, não identificado, tem cabelo castanho e óculos escuros, podendo ser “estrangeiro ou tailandês”. Um mandado de captura vai ser emitido nas próximas horas, acrescentou.
Também ontem vários monges budistas lideraram orações para a reabertura do templo onde ocorreu o incidente, que já matou pelo menos 11 pessoas da China, Hong Kong, Singapura, Indonésia e Malásia. Mais de 100 pessoas ficaram feridas. Uma segunda explosão aconteceu no porto de Banguecoque, o qual, segundo as autoridades, poderá estar relacionada com a primeira. O Governo tailandês já associou o ataque a uma tentativa de bloquear a economia e o sector do turismo do país, sendo que motivos religiosos também poderão estar na origem do ataque.

20 Ago 2015

Tailândia | Governo da RAEM lamenta atentado e excursões são canceladas

Macau mostrou-se disponível para ajudar as autoridades tailandesas que se debatem com a explosão que assolou Banguecoque na passada segunda-feira. Wong Sio Chak pediu que os residentes em viagem tomassem precauções e as excursões já foram canceladas, pelo menos até domingo

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]s viagens de excursão de Macau para Banguecoque foram canceladas pelo menos até ao próximo domingo, devido ao mais recente ataque bombista que teve lugar em Banguecoque e que fez pelo menos 21 mortos. De acordo com a rádio Macau, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Wu Keng Kuong referiu que se decidiu pelo cancelamento das viagens depois de um entendimento entre o sector do turismo e as companhias de aviação.
O Governo da RAEM apresentou ontem as condolências e lamentou profundamente o ataque que teve lugar num templo da capital tailandesa. Também em Hong Kong foi tomada a decisão de cancelar as viagens em excursão, política que será seguida até final do mês.
De acordo com o Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT) estão neste momento 400 residentes locais naquele país em 20 grupos de excursão. O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak pediu aos cidadãos para “ajustarem oportunamente o itinerário” da sua viagem.

Suspeito à vista

O Governo da Tailândia diz já ter suspeitos do ataque, depois de ter reunido um grupo inteiramente dedicado à investigação. O Primeiro-Ministro tailandês, Prayuth Chan-ocha confirmou ontem a criação de uma “sala de guerra” com um grupo especializado de altos oficiais do Governo. A ideia é determinar e capturar os responsáveis do ataque bombista. Ontem, as autoridades tailandesas revelaram estar à procura de um jovem que surge numa gravação de vídeo. “Hoje há um suspeito, que aparece nas câmaras de videovigilância, mas não é muito claro (…) Estamos à procura dele”, disse Prayut Chan-O-Cha, líder da junta militar que governa o país. Prayut acrescentou que o Governo acredita que o jovem pertença a um “grupo anti-governo com sede no nordeste da Tailândia”. Foi o Ministro da Defesa tailandês, Prawit Wongsuwan que deixou a promessa, em declarações à Reuters, de capturar os autores. “Ainda não sabemos quem fez isto e porquê, não estamos certos que tenha fundamentos políticos, mas pretendiam ferir a nossa economia e vamos caçá-los”, garantiu.
A intenção de criar um departamento deste tipo já havia sido expressa pelo Governo há dois dias, mas só ontem foi confirmada a sua criação, no canal televisivo nacional. Este é já tido como um dos mais violentos ataques no país desde a subida ao poder da frente militar que actualmente governa o país. A explosão, que aconteceu dentro do Templo de Erawan, ainda não foi reclamada por nenhum indivíduo ou entidade. Para além dos mortos, estima-se que haja mais de 120 feridos, de entre os quais cidadãos tailandeses, da Indonésia, Singapura, mas maioritariamente de Taiwan e da China continental.

Ajuda de fora

O porta-voz do Governo norte-americano, John Kirby confirmou à Reuters que ainda não recebeu qualquer pedido de ajuda pelas autoridades da Tailândia. Já o Departamento de Estado dos EUA veio a público referir que “ainda é muito cedo” para ter a certeza que se trata de um ataque terrorista.
De acordo com um artigo de Oliver Holmes, publicado no The Guardian, este é um dos mais fatais ataques desde que a junta militar está no Governo. Para o Ministro da Defesa da Tailândia, “os autores [do primeiro ataque] pretendiam destruir a economia e o turismo, porque o incidente teve lugar no coração de um distrito turístico”. Numa notícia da Reuters, Marko Cunningham, um paramédico neozelandês presente depois do ataque, referiu que o local “se parecia com um mercado de carne”, tendo acrescentado que a explosão deixou visível uma cratera de dois metros de largura. O paramédico estava a ajudar no serviço de ambulâncias de Banguecoque. “Havia corpos por todo o lado e alguns estavam desfeitos, era horrível”, disse. [quote_box_right]“Ainda não sabemos quem fez isto e porquê, não estamos certos que tenha fundamentos políticos, mas pretendiam ferir a nossa economia e vamos caçá-los”, Prawit Wongsuwan, Ministro da Defesa tailandês[/quote_box_right]

É sabido que as autoridades tailandesas têm vindo a lutar contra uma força muçulmana em desenvolvimento numa zona mais a sul, predominantemente dominada por uma comunidade budista. No entanto, de acordo com a mesma agência, é raro detectar ataques deste género perpetrados por este grupo fora da sua zona de incidência. Também um general do exército tailandês referiu, momentos depois do ataque, que este “não condizia com as tácticas utilizadas” pelo grupo de rebeldes do sul. Os grupos separatistas muçulmanos actuam com intensidade nas três regiões mais a sul do país, tendo causado mais de 6500 feridos desde 2004, mas Banguecoque não costuma, de acordo com as autoridades, ser uma localidade afectada.

No entanto, de acordo com a Reuters, há uma série de outros problemas políticos menos visíveis na Tailândia. “Enquanto as suspeitas iniciais podem recair sobre os separatistas muçulmanos do sul, a verdade é que a Tailândia tem sido, desde há uma década, espaço de conflitos intensos e alguns até violentos de poder entre diferentes facções políticas em Banguecoque”. Um dos mais recentes incidentes teve lugar num centro comercial de luxo onde explodiram duas bombas, mas sem fazer estragos de maior. [quote_box_left]“Havia corpos por todo o lado e alguns estavam desfeitos, era horrível”, Marko Cunningham, paramédico neozelandês[/quote_box_left]
De acordo com as explicações da agência, o ataque tinha o objectivo de chamar a atenção para o facto do país estar sob Lei Marcial. Por outro lado, o correspondente de Defesa e Diplomacia da BBC, Jonathan Marcus fala da possibilidade do ataque estar relacionado com os Uigures, uma comunidade muçulmana minoritária da China. “Eles queixam-se de que o Governo Central os persegue por motivos religiosos e culturais”, explica Marcus. A justificação do jornalista para a possibilidade do ataque ser da autoria de Uigures reside no facto das baixas terem sido maioritariamente chinesas. No entanto, Marcus também faz a ponte entre a milícia tailandesa e grupo do Estado Islâmico. A Tailândia encontra-se sobre o poder do exército militar local desde Maio do ano passado, após uma série de protestos violentos antigovernamentais terem tido lugar.

Segundo atentado

Ontem teve lugar um segundo ataque com um engenho explosivo a ser atirado de uma ponte perto da estação de metro de Sathorn, na capital tailandesa, mas sem notícia de feridos. A bomba detonada ontem explodiu dentro de água, mas as operações de barco mantêm-se. As autoridades asseguram que se trata de um “mecanismo explosivo improvisado”, numa zona de passagem de excursões chinesas. De acordo com o Ministro dos Transportes, ACM Prajin, a bomba detonada ontem é semelhante à do primeiro atentado.

19 Ago 2015