André Namora Ai Portugal VozesHá campeão no final da segunda volta Não, não vou escrever sobre o que irá acontecer no final da segunda volta do nosso campeonato nacional de futebol. Nesse campo, teríamos muito para explanar, já que o Futebol Clube do Porto, o Sporting e o Benfica, mais uma vez, são os três clubes que, de entre eles, um festejará no Marquês de Pombal ou nos Aliados. Está a ser uma segunda volta muito disputada, com um F C Porto fortíssimo e bem treinado, com um Sporting ainda com esperança de conquistar o tri, apesar das inúmeras baixas e de um bom treinador ter andado a cozinhar omeletas sem ovos e um Benfica com um treinador mundialmente famoso com jogadores que custaram milhões e que não dão uma para a caixa. No final da segunda volta tudo se irá saber se os festejos serão com milhares de cachecóis azuis, verdes ou vermelhos. Uma outra segunda volta está a decorrer. Ui, que segunda volta e que “campeonato” disputado a duas mãos: António José Seguro e André Ventura. Foram os dois candidatos a Presidente da República que receberam do povo mais votos. E agora, terá de se realizar uma segunda volta de eleições presidenciais a fim de um dos candidatos ser eleito por maioria absoluta. A Irlanda e a Islândia resolvem logo a eleição à primeira volta, com uma maioria simples. Não estão virados para, passado uns dias, voltarem ao “trabalho” de se deslocarem às urnas. Seguro e Ventura, de qualquer modo, surpreenderam muita gente. No início da campanha ouvimos várias pessoas a dizer que nem um nem outro teriam qualquer hipótese de ficarem nos dois primeiros lugares. Uma parte do país estava convencida que Gouveia e Melo iria à segunda volta pelo bom desempenho que teve durante a pandemia Covid19. Mas não, o povo não esteve virado para colocar um militar na Presidência da República. Outra parte do país, especialmente no Norte, dava Marques Mendes como indiscutível candidato presente na segunda volta. Tinha tido o apoio na campanha de Luís Montenegro e tudo indicava que a AD, Montenegro e o Governo não viessem a ter uma derrota estrondosa. Ainda tivemos outra surpresa: Cotrim Figueiredo partiu quase dos oito por cento da Iniciativa Liberal, foi conquistando apoios através de uma boa máquina nas redes sociais e chegou a estar em empate técnico com os candidatos Seguro e Ventura. No entanto, Cotrim nunca esperou que na última semana de campanha viesse uma senhora assessora no Governo, acusá-lo de assédio sexual. Pronto, a bronca estava nas bocas do mundo e o culpado ou inocente Cotrim veria a sua prestação desmoronar para o precipício e, no final, ficar muito longe de uma eventual segunda volta. António José Seguro, que iniciou esta caminhada presidencial sozinho, a mostrar-se um homem moderado, com mais experiência e com um contacto directo com a juventude ao exercer o professorado universitário durante praticamente 10 anos, viu que as suas hipóteses de ir a uma segunda volta aumentavam de semana a semana, especialmente depois de os “tubarões” do Partido Socialista manifestarem o apoio à sua candidatura. De tal forma, que venceu as eleições com uma vantagem indiscutível. A maioria dos portugueses diz que Seguro será o campeão nesta segunda volta. Aconselhamos essa maioria a ter muita calma, e lembrar-se do que aconteceu com Fernando Medina na edilidade lisboeta – “Ah, está ganho, nem vale a pena ir votar!” – e pensar que o adversário se chama André Ventura, o astuto, inteligente, rude, racista e xenófobo político que apregoa aos quatro ventos que tudo tem de mudar, que o país tem sido governado por uma cambada de corruptos, que os imigrantes têm de voltar para a sua terra, que os apoios sociais devem ir primeiramente para os portugueses, que os salários e as pensões não podem ser miseráveis, em resumo, pega no megafone e grita tudo aquilo que os descontentes, os neofascistas ou os antigos milhares de bufos da PIDE, gostam de ouvir. E ainda existe uma particularidade incompreensível de termos os nossos emigrantes, que escutam o discurso de que os imigrantes devem voltar para a sua terra e que não pensam duas vezes se ouvissem o mesmo discurso nos países onde trabalham como a França, Suíça, Alemanha, EUA ou Austrália, e que mesmo assim, decidem votar em Ventura. Atenção, aos apoiantes de Seguro. Nada está ganho, e por um voto se ganha e por um voto se perde. Se os apoiantes de Seguro pensarem que o campeão desta segunda volta está encontrado, podem vir a ter um grande dissabor se não forem em massa votar, e não só. Todos os democratas ficariam de rastos ao ver pela primeira vez, em mais de 50 anos de democracia, um neonazi no Palácio de Belém.
João Santos Filipe PolíticaPresidenciais | Voto antecipado entre 27 e 29 de Janeiro O voto antecipado para a segunda ronda das eleições presidenciais de Portugal vai decorrer no Consulado Geral de Portugal em Macau entre 27 e 29 de Janeiro, entre as 9h e as 12h30 e entre as 13h30 e as 16h. Os interessados em votar vão poder escolher entre os candidatos André Ventura e António José Seguro. A informação partilhada entre o consulado e os conselheiros das comunidades portuguesas esclarece também não há exclusão da capacidade eleitoral, quando as pessoas optam por não votar duas vezes consecutivas. “A Administração eleitoral portuguesa não retira a capacidade eleitoral dos cidadãos que se abstiveram uma ou mais vezes em eleições, nem elimina nomes dos cadernos eleitorais por esse motivo”, foi apontado. “A Lei nº 13/99, de 22 de Março, estabelece, apenas, no artigo 40º, nº 2, que ‘no caso de devolução por duas vezes consecutivas dos sobrescritos contendo os boletins de voto para eleitores recenseados no estrangeiro, a administração eleitoral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna cessa oficiosamente o envio de boletins de voto até que o eleitor informe da nova morada’”, foi acrescentado. A votação presencial está agendada para 7 e 8 de Fevereiro entre 8h e as 19h. As pessoas que desejam votar devem apresentar o cartão de cidadão, bilhete de identidade ou outro documento identificativo válido, como a carta de condução ou o passaporte.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPresidenciais | Marques Mendes venceu em Macau António José Seguro e André Ventura passam à segunda volta, mas em Macau o grande vencedor foi o candidato apoiado pelo Partido Social Democrata, que conseguiu mais votos do que Seguro e Ventura juntos Luís Marques Mendes foi o candidato a presidente de Portugal mais votado no consulado em Macau com um total de 1.073 votos, equivalente a 47,19 por cento dos votos. No entanto, os resultados nacionais deixam o político apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD) afastado da segunda volta, que vai ser disputada por António José Seguro, o grande vencedor da noite em Portugal apoiado pelo Partido Socialista (PS), e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega (CH). Em Macau, Luís Marques Mendes registou mais votos do que os resultados de Seguro e Ventura juntos. O candidato apoiado pelo PS ficou no segundo lugar com a preferência de 477 eleitores (20,98 por cento). O presidente do Chega ficou em terceiro, com 282 votos (12,40 por cento). No entanto, o resultado de Marques Mendes em Macau ganha uma outra dimensão, porque mesmo juntando os 191 votos (8,40 por cento) do quarto mais votado, João Cotrim Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, aos de Seguro e Ventura, o resultado não é suficiente para ultrapassar o número de preferências obtido pelo candidato do PSD. Os candidatos que ficaram entre segundo e quarto juntos somaram 950 votos, menos 123 que Mendes. Marques Mendes conseguiu superar a votação de Marcelo Rebelo de Sousa em 2021, quando o actual presidente juntou 926 votos, e confirmou o segundo mandato. Segunda metade Em quinto lugar, ficou Henrique Gouveia e Melo com 133 votos (5,85 por cento), seguido por Manuel João Vieira. O cantor e comediante conseguiu 39 votos (1,72 por cento), superando em Macau candidatos consagrados como políticos, casos de Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, que teve 28 votos (1,23 por cento), e de António Filipe, candidato do Partido Comunista Português, que juntou 20 votos (0,88 por cento). No nono lugar ficou André Pestana, candidato independente que juntou 14 votos (0,62 por cento), à frente de Jorge Pinto, apoiado pelo Livre de Rui Tavares, que não foi além dos 12 votos (0,53 por cento). Finalmente, no último lugar em Macau ficou Humberto Correia, com cinco votos (0,22 por cento). Ao longo dos dois dias de votação no Consulado de Portugal em Macau houve ainda 66 votos nulos (2,78 por cento) e 32 votos em branco (1,43 por cento). Cenário nacional O bom resultado de Luís Marques Mendes não teve reflexo nos resultados eleitorais gerais. Quando faltavam apurar os resultados dos denominados “postos consulares” de México, Arábia Saudita, Costa do Marfim, Etiópia, Luanda, Pequim e Berlim, António José Seguro estava confirmado como o vencedor da noite, com um total de 1.754.895 votos (31,11 por cento), seguido por André Ventura, com 1.326.44 votos (23,52 por cento). Os dois candidatos vão disputar a segunda volta a 8 de Fevereiro, com a votação em Macau a ocorrer durante esse fim-de-semana, ao longo de 7 e 8 de Fevereiro. No terceiro lugar a nível global ficou João Cotrim Figueiredo, com 902.564 votos (16,00 por cento), seguido por Henrique Gouveia e Melo, com 695.088 votos (12,32 por cento), e Luís Marques Mendes, com 637.394 (11,30 por cento). Mais afastado do grupo dos cinco primeiros ficaram Catarina Martins (116.303 votos/2,06 por cento), António Filipe (92.589 votos/1,64 por cento), Manuel João Vieira (60.899 votos/1,08 por cento), Jorge Pinto (38.536 votos/0,68 por cento), André Pestana (10.893 votos/0,19 por cento) e Humberto Correia (4.622 votos/0,08 por cento). A nível global houve ainda 61.226 votos em branco (1,06 por cento) e 65.381 votos nulos (1,13 por cento). Resultados Presidenciais Macau 2026 Candidato Percentagem de Votos Total de Votos Luís Marques Mendes 47,19% 1.073 votos António José Seguro 20,98% 477 votos André Ventura 12,40% 282 votos João Cotrim Figueiredo 8,40% 191 votos Henrique Gouveia e Melo 5,85% 133 votos Manuel João Vieira 1,72% 39 votos Catarina Martins 1,23% 28 votos António Filipe 0,88% 20 votos André Pestana da Silva 0,62% 14 votos Jorge Pinto 0,53% 12 votos Humberto Correia 0,22% 5 votos Em Branco 1,43% 34 votos Nulos 2,78% 66 votos Votantes 4,11% Abstenção 95,89% 2.374 votantes 57.748 inscritos Resultados Presidenciais Macau 2021 Candidato Percentagem de Votos Total de Votos Marcelo Rebelo de Sousa 64,62% 926 votos Ana Gomes 14,45% 207 votos André Ventura 8,03% 115 votos Tiago Mayan Gonçalves 4,61% 66 votos Marisa Matias 3,49% 50 votos João Ferreira 2,93% 42 votos Vitorino Silva 1,88% 27 votos Em Branco 1,02% 15 votos Nulos 1,76% 26 votos Votantes 2,10% Abstenção 97,90% 1.474 votantes 70.134 inscritos
Andreia Silva Grande Plano MancheteEleições | Portugal prepara-se para escolher o próximo Presidente da República Portugal vai a votos no domingo para escolher o próximo Presidente da República. Dos 11 candidatos, apenas dois têm mandatários por Macau: Bessa Almeida do PSD, e Neto Valente do PS. O ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau realça que António José Seguro “não alinha em provocações à China”, enquanto Bessa Almeida considera que Marques Mendes é o homem certo para o momento Onze candidatos vão a votos no domingo para a escolha do próximo Presidente da República portuguesa, para um mandato de cinco anos. Trata-se de um número recorde, sendo que apenas sete tem apoio de partidos políticos. Concorrem ao cargo Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social-Democrata (PSD), e que nomeou António Bessa Almeida para seu mandatário na RAEM. Segue-se António José Seguro, com apoio do Partido Socialista (PS), que tem Jorge Neto Valente, presidente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau e advogado, como seu mandatário. São os únicos candidatos à Presidência da República que escolheram figuras para mandatários da RAEM. Os restantes candidatos são Henrique Gouveia e Melo, João Cotrim de Figueiredo, Catarina Martins, António Filipe, André Ventura Jorge Pinto, Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia. Ao HM, António Bessa Almeida, militante do PSD e explicou as razões para apoiar Marques Mendes. “Na altura que Portugal atravessa, o país necessita de um candidato como Marques Mendes, profundo conhecedor das diversas políticas”, começou por apontar. Questionado sobre o tipo de acções desenvolvidas em Macau para captar o eleitorado para o voto em Marques Mendes, Bessa Almeida apenas referiu que “a campanha em Macau é totalmente diferente da de Portugal”, sendo que as acções desenvolvidas passam por “aquilo que o candidato vai procedendo na proximidade com o povo, passando informação”. Para Bessa Almeida, “o eleitorado em Macau, do lado chinês, também é constituído por portugueses”, e que “tem acompanhado estas eleições como qualquer outro português acompanha, com visões seguras para o futuro de Portugal”. No passado dia 6 de Janeiro, o mandatário divulgou uma nota a realçar a importância da candidatura de Marques Mendes, que neste momento está longe dos lugares cimeiros nas sondagens. “Sempre nos preocupamos com tudo o que está relacionado com Portugal e neste momento, a nível mundial, as mudanças políticas são bruscas e inesperadas. Por isso precisamos de um presidente visionário, experiente e ponderado na condução dos destinos de Portugal e dos portugueses nascidos e radicados fora do país.” Uma volta segura Em Portugal as sondagens relativas às eleições presidenciais têm sido quase diárias, e mostram um volte face na escolha dos candidatos. Se inicialmente António José Seguro estava algo afastado dos lugares cimeiros, uma sondagem realizada pela Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e jornal Público, entre os dias 6 e 9 de Janeiro e divulgada esta semana, mostra como Seguro está em empate técnico com André Ventura, candidato do Chega, garantindo 23 por cento das intenções de voto, quando Ventura arrecada 24 por cento. João Cotrim de Figueiredo surge em terceiro lugar, com 19 por cento, havendo possibilidade de ir à segunda volta de eleições, seguindo-se Marques Mendes e Gouveia e Melo com 14 por cento. Outra sondagem, desta vez para a TVI, CNN, TSF e Jornal de Notícias, com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro, mostram Seguro com 23,9 por cento das intenções de voto, seguindo-se Cotrim de Figueiredo com 20,8 por cento e Ventura com 20,5 por cento. Marques Mendes cai para quinto lugar, com 13,2 por cento. Seguro escolheu, na RAEM, Jorge Neto Valente para seu mandatário, que não atendeu a chamada do HM. Num comunicado divulgado nos jornais esta quarta-feira, o ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau declarou que Seguro “propõe uma visão de futuro assente na modernização do país, na valorização da educação e aposta na inovação”. Referindo-se especificamente às relações Portugal-China, Neto Valente destaca que “diferentemente de outros candidatos, Seguro não alinha em provocações à China no que respeita ao estatuto de Taiwan, sendo também um candidato que “conhece Portugal, a Europa e o mundo”. Neto Valente afirmou também que Seguro “é um homem decente”. “Participou em todos os debates, revelou educação, defendeu as suas ideias com firmeza, nunca foi excessivo na linguagem e, ao contrário dos outros, não insultou adversários, nem lhes fez insinuações maliciosas.” Um “percurso consistente” Paulo Pisco, mandatário da campanha de Seguro para a emigração, recordou ao HM que o candidato “chegou a exprimir a opinião que, dado tratar-se de um voto presencial [para as eleições presidenciais], o Governo poderia ter feito muito mais, designadamente cumprindo aquilo que diz a lei eleitoral para a Presidência da República, que é a possibilidade de serem abertas mais mesas de voto”. Seguro defendeu ainda, segundo Paulo Pisco, “que poderia ter sido também aplicado o voto em mobilidade, tendo por base a experiência anteriormente realizada nas últimas eleições para o Parlamento Europeu”. Paulo Pisco refere que António José Seguro tem feito um “percurso muito consistente, sólido e objectivo”, que o permitiu chegar aos primeiros lugares das sondagens. Relativamente ao eleitorado que está emigrado, o deputado destaca que Seguro “não se desviou dos propósitos, forma e valores com que pretende exercer a Presidência da República”. Além disso, é “um garante da estabilidade do sistema político e também da democracia”. “Esta imagem que o candidato António José Seguro tem passado neste seu percurso tem-lhe valido uma maior receptividade por parte dos eleitores”, destacou Paulo Pisco. O mandatário não esquece que “Seguro é o candidato que tem mais mandatários por país na nossa diáspora”. “São 18, dez na Europa e oito fora da Europa. Julgo que isto consubstancia um compromisso muito firme do candidato para com o exercício de funções como Presidente da República, e na relação que pretende ter com a diáspora”, frisou. Olhando para os candidatos nos lugares mais abaixo nas sondagens, temos muitos rostos da esquerda. A mesma sondagem com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro coloca Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, com 2,5 por cento; seguindo-se António Filipe, do PCP, com 1,4 por cento, taco a taco com Jorge Pinto, do Livre, que tem 1,3 por cento. Manuel João Vieira, artista plástico e músico, obtém 1 por cento das intenções de voto.
Hoje Macau PolíticaParque Industrial | DSEDT quer que projecto acompanhe realidade local A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) diz estar a trabalhar em torno da criação do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau, esperando que este projecto “acompanhe as necessidades reais do desenvolvimento de Macau”. Numa resposta à interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang, a DSEDT considera que se trata “de um projecto importante para impulsionar o desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau”, tendo sido reaqlizada uma consulta pública entre os dias 27 de Novembro e 26 de Dezembro de 2025. Além disso, foi criado um grupo de trabalho interdepartamental “para efeitos de coordenação e concertação” do projecto, tendo sido encomendados “estudos e análises aprofundados” a uma “equipa de estudo profissional”. Tudo para que as autoridades compreendam “o posicionamento, plano de construção e as instalações complementares do Parque”. Foi ainda encomendado outro estudo a uma “equipa de investigação” para “elaborar o planeamento do desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau, tomando como referência as experiências de sucesso internacionais e regionais”.
João Luz Manchete PolíticaSondagens dão vitória a Bolsonaro na segunda volta das presidenciais Este domingo os brasileiros vão às urnas escolher o próximo Presidente da República. A principal esgrima política é entre Haddad, e um Partido Trabalhista ferido por vários escândalos, e o candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro, que lidera nas sondagens. O HM falou com eleitores e auscultou as suas expectativas para um dos mais importantes actos eleitorais da curta história da democracia brasileira [dropcap style≠‘circle’]A[/dropcap] ebulição política no Brasil não é de agora, mas pode estar prestes a atingir o clímax. Desde a destituição de Dilma Rousseff, e mesmo durante o curto mandato de Michel Temer, o fantasma da extrema-direita tem pairado por cima do panorama político brasileiro, criando terreno fértil para a ascensão política de Jair Bolsonaro. De acordo com uma sondagem da Datafolha, que tentou levantar o véu sobre uma provável segunda volta, Jair Bolsonaro recolhe 44 por cento dos votos, contra 42 por cento de Fernando Haddad, uma diferença que está dentro da margem de erro e que constitui empate técnico. Os restantes 14 por cento dos inquiridos mostraram-se indecisos ou inclinados a votar em branco ou nulo, uma vez que o voto é obrigatório. Uma sondagem do Instituto Ibope revela que na primeira volta Bolsonaro reúne 31 por cento das intenções de voto, dez pontos percentuais à frente de Haddad. Em terceiro lugar surge Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista, com 11 por cento. Mais abaixo surge Geraldo Alckmin, do Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), com 8 por cento, e Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, com 4 por cento. A confiar nesta projecção, a segunda volta, ou turno como se diz com sotaque brasileiro, acontecerá no dia 28 de Outubro. No entanto, é de referir que Bolsonaro tem vindo a subir nas sondagens. Nesta matemática de intenções, importa recordar que em 2014 quase 25 por cento do eleitorado decidiu a direcção do voto no próprio dia da eleição. Outro dos dados a reter é a subida dos eleitores que afirmam que jamais vão votar em Jair Bolsonaro (45 por cento), o antigo capitão do exército que tem proferido inúmeras declarações racistas e misóginas. Como sinal da crescente polarização política que o Brasil atravessa, também a rejeição total de Haddad se cifra nos 42 por cento. Primeiro será necessário ir a votos este fim-de-semana. Por cá, Roberval Teixeira e Silva já marcou o domingo para exercer o seu direito. “Vou a Hong Kong votar no consulado brasileiro. É um momento bastante especial no mundo e no Brasil com uma luta radical contra o conservadorismo que tem aparecido em todo o lado”, revela o director do Centro de Pesquisa para os Estudos Luso-Asiáticos da UM. O académico, que vive em Macau há 13 anos, encara esta eleição como um momento decisivo na história do país. “Luto contra a extrema-direita que está a tentar chegar perto do poder através da presidência e do voto. Vou exercer o meu direito de evitar que isso aconteça, esse é o meu objectivo”, explica Roberval Teixeira e Silva. Cácio Borges Inhaia está no polo oposto. Apesar de não poder votar, o gerente empresarial adianta que, se pudesse, o seu voto iria para Jair Bolsonaro. “Ele não tem qualquer escândalo. Estou confiante que ele ganhe já no primeiro turno. Vejo pelos meus amigos que o Brasil quer mudança.” Apelo do abismo Quanto às características de Bolsonaro que mais seduzem Cácio Borges Inhaia, a ideia de integridade surge no topo, nomeadamente quanto às políticas de família. “Ele preza muito a família, algo que no Brasil está muito perdido”, refere o brasileiro residente em Macau. Quando confrontado com algumas propostas do candidato da extrema-direita, como o corte nas licenças de maternidade, o residente de Macau refere que não leu sobre isso e descreve a forma como os meios de comunicação social escrevem mentiras sobre o seu candidato de eleição. É de referir que Bolsonaro proferiu algumas declarações polémicas quanto à natalidade de famílias pobres. “Devemos adoptar uma rígida política de controle da natalidade. Não podemos mais fazer discursos demagógicos, apenas cobrando recursos e meios do governo para atender a esses miseráveis que proliferam cada vez mais por toda esta nação.” As palavras são de Jair Bolsonaro, que se declarou a favor da pena de morte e de políticas de restrição da natalidade entre os pobres como forma de controlar a criminalidade e baixar o custo dos apoios sociais. Um pouco à imagem da eleição que conduziu Donald Trump à Casa Branca, os campos partidários no Brasil estão extremamente polarizados, reduzindo a troca de argumentos e ideias a insultos, desinformação e propaganda. Cristina Sant’Anna, empresária e activa opositora da ditadura militar, refere precisamente a falta de qualidade da discussão política. “Qualquer debate sobre candidatos é conversa de surdo. Ninguém ouve ninguém. Cada um já tem seu candidato e será refractário a qualquer informação, notícia, evidência contra ele. E é só ódio daqui pra frente. Minha preocupação é que essas eleições romperam o lacre da cultura de ódio às minorias, que faz parte da cultura brasileira desde sempre”. A residente de São Paulo é da opinião de que Bolsonaro trouxe à tona e legitimou o ódio aos negros, gays, pobres, mulheres e a “ideia de que uma elite branca, masculina, preconceituosa e discriminatória tem o direito de subjugar os demais sectores da sociedade aos seus mandos e desmandos”. História a repetir-se Com um passado de defesa da democracia, que lhe valeu uma curta estadia na prisão durante a ditadura militar, Cristina Sant’Anna encara a actual situação política do Brasil com apreensão. No entanto, não baixa os braços. “Não tivemos escolha no golpe promovido pelo exército, que resultou na ditadura. Mas agora temos”. A candidatura de Bolsonaro, que repetidas vezes manifestou desdém quanto ao processo democrático, assusta a empresária e alguns dos seus amigos. Em particular, uma amiga cujos pais foram perseguidos durante o fascismo ao ponto de terem de se exilar. Curiosamente, o pai da sua amiga chegou a cônsul do Brasil, mesmo no exílio. A actual campanha ressuscitou fantasmas de tempos de forte repressão política. “Se o desgraçado for eleito o que faremos? Teremos de fugir? Vai haver perseguição, porque afinal estamos todos expondo nossas ideias nas redes sociais? A mãe da minha amiga nem dorme mais. Tem sequelas até hoje, stress pós-traumático”, confessa a empresária. A violência também assusta Cristina Sant’Anna, além das palavras de Jair Bolsonaro até à realidade nas ruas. “Os grupos de direita, skinheads aí incluídos, estão atacando quem se manifesta nas ruas. Espancaram a criadora de um grupo chamado Mulheres contra Bolsonaro, que já tem mais de 3 milhões e meio de mulheres.” A tirar um doutoramento em História, com particular incidência na ditadura militar, Gisele Lobato entende que o fascismo não se desvaneceu totalmente em 1985. “Nunca acabou simbolicamente. Houve uma abertura política, redemocratização feita lenta e gradualmente pelos próprios militares, uma amnistia que impediu qualquer julgamento dos crimes que cometeram… faltou a ruptura”, teoriza a também jornalista que divide casa entre São Paulo e Lisboa. Quando fala de ditadura, Gisele Lobato não o faz no sentido literal, até porque o controlo das altas patentes militares não se sente na sociedade brasileira como no passado. “Falo das estruturas sociais, da violência estatal (vide nossas polícias, que têm apoio para matar diante do desespero da população com a violência urbana)… E a falta de ruptura impediu a revisão dessas estruturas, e ficou o mito de que a ditadura era boa, de que os comunistas estão por aí e são maus.” Sem preferência Também à imagem da eleição que tornou Donald Trump Presidente dos Estados Unidos, o sufrágio de domingo também deixa grande parte do eleitorado face à decisão de qual o mal menor, além da fadiga resultante da falta de identificação com qualquer candidato. Roberval Teixeira e Silva destaca esta particularidade nos eleitores que vivem em Macau. “Há quem diga que é melhor deixar para lá, votar em branco, não ir, existe essa postura de desistência. Especialmente entre as pessoas que têm uma relação menos próxima com o Brasil.” O restante eleitorado brasileiro que reside à beira do delta do Rio das Pérolas divide-se entre Bolsonaro, ou anti-PT e os anti-bolsonaristas. Entre as pessoas que convivem com o académico, a maior tendência é para votar contra o candidato da extrema-direita, sem qualquer expectativa de eleger um candidato com quem se identifiquem em absoluto. “Nenhum partido é puro, não existe essa ilusão, todos entram em jogos e esquemas de todos os tipos que nem imaginamos. De maneira geral, as pessoas parecem não ter um candidato ideal. muitas vezes, os votos vão mais contra alguém do que a favor de alguém. A minha posição é contra o fascismo.”