Pedro Lystmann h | Artes, Letras e IdeiasSchoenberg e Bartók, por exemplo [dropcap style=’circle’]F[/dropcap]alou-se aqui das óperas que têm sido representadas em Macau ao longo da história do F.I.M.M. Adiantou-se que seria prático à iluminação dos espíritos e ao conforto das almas apresentar outro tipo de repertório. Para lá do F.I.M.M., integrado no Festival de Artes ou na temporada de espectáculos do C.C.M. poder-se-ia optar por mostrar ao público algumas óperas do século XX ou XXI. Lembrei-me de Erwartung e de O Castelo do Barba Azul, respectivamente de Schoenberg e Bartók, porque existe um artigo de Edward Said sobre um programa duplo, em Nova Iorque, que incluiu estas duas óperas – arranjo que não é invulgar uma vez que são sensivelmente da mesma época e exprimem um universo semelhante. São dois úteis modelos pois trata-se de peças com um conjunto mínimo de cantores. Erwartung tem apenas uma cantora e a peça de Bartók apenas dois. Posso acrescentar que são duas das minhas óperas preferidas do século passado. Intercale-se uma pequena nota. Von heute auf morgen, de Schoenberg, a sua única ópera cómica e a primeira obra a utilizar o sistema de 12 tons, tem cerca de uma hora e pede apenas 4 cantores. Glückliche hand, do mesmo compositor, um drama com música, é uma pequena peça de cerca de vinte minutos dividida em 4 cenas que pede apenas um barítono e um coro de seis homens e seis mulheres.* (Moisés e Arão, a outra das 4 óperas de Schoenberg, é um caso completamente diferente, uma obra em 3 actos – o último incompleto – com um conjunto “normal” de cantores e um coro que implica uma produção de maior peso). Tanto Erwartung como O Castelo do Barba Azul são peças subtilmente sedutoras pelo que escondem no seu negrume e na sua melancolia. Na peça de Schoenberg nunca percebemos bem o que se passa e qual a responsabilidade da mulher na morte do homem que esta encontra na floresta. Será que este existe ou é ele apenas uma expressão dos tormentos da mulher? O enigmático Barba Azul acompanha a sua recente mulher ao longo dos corredores do seu lúgubre castelo que, como a peça de Schoenberg, se situa num lugar indeterminado e dominado pelas trevas. A mulher da obra de Schoenberg não tem nome, é apenas die frau/a mulher. A esta sedução do desconhecido junta-se uma outra – a da sexualidade. Pelos corredores sinistros do castelo do Barba Azul e pelos recessos nocturnos da floresta de Erwartung demonstra-se uma sexualidade enigmática, por vezes fria, por vezes muito excessiva e expressiva. O gosto pela e o estudo da psicologia (que tem origens num complexo científico, intelectual e artístico em que a cidade de Viena teve um papel nuclear) tornara-se por esta altura uma moda que se estendera ao cinema, ao bailado, à ópera e a outros campos das artes. O mundo misterioso e sedutor da sexualidade, assim como o estudo dos sonhos e do subconsciente informam intensamente este período. Qualquer destas duas óperas pode ser vista como a descrição de um sonho (Schoenberg diz que Erwartung é uma espécie de pesadelo) em que a sexualidade tem um papel importante. Erwartung foi apenas representada em 1924 mas havia sido composta em 1909**, nove anos depois da publicação de Interpretação dos Sonhos, de Freud, e de vários outros estudos do mesmo autor, e três anos depois de um controverso livro do filósofo austríaco Otto Weininger (que se suicidou aos 23 anos) sobre sexualidade chamado Geschlecht und Charakter/Sexo e Carácter. Elektra, de Strauss, estreada em 1909, ano da conclusão de Erwartung, é uma ópera que tem sido igualmente apreciada através da perspectiva psicanalítica. É a época do triunfo da psicanálise, de Freud e de Breuer. Existe literatura que oferece uma interpretação de Erwartung que liga o texto desta peça directamente a um caso clínico específico – referente a uma paciente que seria parente da autora do libreto – constante em Studien über Hysterie (1895), de S. Freud e Josef Breuer. Exprime-se um compreensível fascínio por um mundo que se revelara aos poucos nos finais do século XIX e ao longo dos inícios do século XX. Esta é uma obra que tem uma longa carreira de representações até aos dias de hoje e que ilustra à perfeição a inclinação anti-realista, anti-naturalista, simbolista e expressionista que impregnava o grupo de Schoenberg em particular, enquanto demonstra o clima cultural geral prevalente na Áustria e na Alemanha no início do século XX. O palco e o canto, a ópera e o drama para música, são veículos modelares para a transmissão da transcendência, do misterioso, da sedução labiríntica do interior do indivíduo e do universo dos sonhos e da sexualidade. Alerte-se que à solista desta peça de Schoenberg se pede um esforço maior. Uma produção com uma cantora que não esteja à altura pode trazer resultados desagradáveis. No entanto, garantida a qualidade, é difícil não nos deixarmos seduzir pelo tormento expressionista desta mulher solitária que parece (nada nesta peça é claro) tentar encontrar, na escuridão da floresta, respostas para o destino do seu amante e do seu amor. O Castelo do Barba Azul tem seduções semelhantes, um lugar sinistro e soturno onde se cria a expectativa de um desfecho funesto. A recém mulher do Barba Azul, Judite, pede ao seu marido que lhe abra as 7 misteriosas portas que se encontram no castelo. Por trás de cada uma delas há objectos, jardins, um lago de lágrimas, etc., cobertos de sangue, testemunhos do passado do Barba Azul, um que Judite parece conhecer e querer obsessivamente confirmar, um passado escuro e enigmático sobre o qual Judite, através do poder do Amor, tenta lançar uma luz redentora. Paralelamente, é a sua obsessão em desvendar que a chama ao inevitável engolimento. O Barba Azul, por sua vez, abandona-se, sem conseguir resistir, ao apelo do destino. Ao aproximarmo-nos da última porta aumenta a tensão da peça, uma de infinitas possibilidades cénicas. A música, tonal, é sempre misteriosa e inquietante, de uma cor lúgubre e labiríntica. Exige também um esforço grande para os intérpretes que durante cerca de uma hora não param de cantar – praticamente não há partes unicamente orquestrais.*** A extrema concentração em apenas um pequeno episódio da história do Barba Azul (ao contrário do que acontece com Ariane e o Barba Azul, de Dukas, estreada em 1907) ajuda a manter intacto o desassossego que caracteriza a peça, um pouco como acontece com Erwartung, cuja curtíssima duração cria uma focalização feérica, fortemente obsessiva. Se estas são duas óperas bastante conhecidas muitas outras se compuseram no século XX e XXI de apresentação desejável. Sem Strauss, Schoenberg, Alban Berg, Debussy, Janacek, Hindemith, Krenek, Britten, Henze, Birtwistle, Stockhausen ou John Adams é impossível compreender a evolução de um género musical que tem vindo a ganhar uma importância cada vez maior. Estimo que o número de óperas compostas no século XX e XXI seja, no mínimo, entre 850 a 900. * foi notado num dos artigos anteriores que existem, nos séculos XX e XXI, muitas óperas de curta duração. ** um ano de brilhos, em que Schoenberg compôs, no Verão e no início do Outono, além de Erwartung op. 17, as Três Peças para Piano op. 11 e as Três Peças Orquestrais op. 16. Duas das óperas mais interessantes deste período, ousadas e enigmáticas também, Salomé e Elektra, de R. Strauss, respectivamente de 1905 e 1909, são testemunho de como a herança cromática wagneriana sofria constantes re-valiações e de como o retrato de mulheres em situações de extrema perturbação carrega uma extrema sedução. Hofmannsthal estava a ler Studien über Hysterie (1895), de Freud e Breuer, quando escreveu Elektra (cf. 2005, The Cambridge Companion to Twentieth-Century Opera, Ed. Mervyn Cooke, pág.48), um fio intelectual que chega naturalmente a Erwartung. *** existe uma versão filmada, de 1963, realizada por Michael Powell, muito datada cenicamente (e por isso interessante) e interpretada por Norman Foster e a bela Ana Raquel Satre.
Joana Freitas BrevesConcerto | LMA acolhe banda canadiana BRAIDS A banda canadiana em ascensão BRAIDS vai dar um concerto no próximo dia 10 de Julho, na Live Music Association (LMA). Em palco vai poder ouvir-se Raphaelle Standell, Austin Tufts e Taylor Smith, que dá a voz pelo colectivo. Naturais de Montreal, os três cantores começaram por ser amigos em Cargary, no Quebeque. A LMA tem vindo a acolher uma série de concertos do género, onde imperam uma vertente de música experimental e influências indie e rock alternativo. Desta feita, vêm a Macau BRAIDS, banda de art rock, que lançou o seu primeiro álbum em 2011, denominado “Native Speaker”. Este disco venceu mesmo o prémio Polaris Music no mesmo ano, tendo a banda lançado os seus outros dois discos em 2013 e em Abril deste ano. “Deep in the Iris” – o mais recente – distingue-se por uma série de músicas levemente electrónicas, mas de clara batida de rock, onde a bateria desempenha o papel principal. A crítica musical descreve Native Speaker como tendo fortes influências de bandas como Animal Collective ou Arcade Fire. O concerto acontece às 21h30 e os bilhetes custam 120 patacas.
Carlos Morais José EditorialJust one of those things Para Cole Porter, com mesurada vénia [dropcap style=‘circle’]É[/dropcap]só mais uma daquelas coisas. Daquelas que começam de repente sem aviso nem sufrágio. Não conseguimos perceber bem de onde vêm. Sabemos que chegam e invadem os territórios que cuidávamos sagrados. São hábeis, são cruéis de tão belas, dotadas de graça sem consciência do mal bom que disseminam. É só mais uma daquelas coisas. Daquelas que nos deixam uma certa cicatriz, um sulco inolvidável, um cheiro que teima em persistir depois de uma catarata de remorsos nos ter passado pelo corpo. É bom e é inútil na sua inevitabilidade. Não nos larga e não nos agarra. Permanece sem querer e parte quando exprime o desejo de ficar. É só mais uma daquelas coisas. Daquelas que não podemos controlar, que nos possuem num ápice e cujo desaparecimento anunciado nos aterroriza. São assim essas coisas que são só mais uma: belas e terríveis, doces e amargas, indecentes e sem pecado. Deixam-nos calados e fazem-nos falar como se fôramos possuídos. Não sabemos o que dizemos, mas há um pânico que nos impele, uma porta que se fecha no horizonte e onde teremos rapidamente de chegar, como no mais insone dos nossos pesadelos. É só mais uma daquelas coisas. Daquelas que nos ultrapassam pela esquerda baixa e sem contemplações. Como a tempestade que se forma sobre o mar. É o poente. E nada mais. Só uma daquelas coisas, só um Verão oculto nas promessas de uma divindade inexistente. É só mais uma daquelas coisas. É só mais uma daquelas coisas…
Hoje Macau PolíticaGui Amabis – “Graxa e Sal” “Graxa e Sal” Ela é simples graxa e sal Faz o mal Mas é bom Se derrete na textura De um corpo Ou da rua Gui Amabis
Hoje Macau PolíticaPZ – “Sem Ponta Por Onde Se Pegue” “Sem Ponta Por Onde Se Pegue” Se tens problemas com o passado Abre uma janela para o futuro Se tens problemas com o presente Quebra a tua quebra recorrente e vem Oh Malhão Malhão Parte a partitura e vem Oh Trim Tim Tim Se te encontras congestionado Expulsa o atum da narina Se te encontras amachucado Deixa o teu corpo na oficina e vem Oh Malhão Malhão Quebra a tua quebra e vem Oh Trim Tim Tim Não tenho mais Voto na matéria… Sem ponta por onde se pegue Sem ponta por onde se pegue Sem ponta por onde se pegue Não tem… PZ
Hoje Macau PolíticaMedeiros/Lucas – “Fado do Regresso” “FADO DO REGRESSO” Voltei com a mesma fome Ai como andara enganado A quem renega o seu fado Nem o céu lhe sabe o nome Não achei o paraíso E sei que tudo é pequeno Mas no teu rosto sereno É cada ruga um sorriso Encontro as flores outra vez O sol perguntou por mim E foi sobre o meu jardim Que uma nuvem se desfez Ó sombra da minha sorte Que traí com cem mulheres Podes vir quando quiseres Senhora da Boa Morte Na firme paz de quem ama Acabei o meu desatino Vejo os sonhos de menino À roda da minha cama Adeus ó ilhas desertas Velas à raiva do vento A cadeira em que me sento É as minhas descobertas Nem mesmo o teu fumo quero Meu cachimbo de Xangai Agora que já sou pai No meu filho é que me espero Ó sombra da minha sorte Que traí com cem mulheres Podes vir quando quiseres Senhora da Boa Morte MEDEIROS/LUCAS CARLOS MEDEIROS / PEDRO LUCAS / IAN CARLO MENDONZA
Hoje Macau PolíticaMárcia e Samuel Úria – “Menina” “MENINA” Menina assenta o passo Sem medo ou manha Ou muito te passa da vida Tem que haver quem faça o que muito queira Caminha sem falsa fascinação O teu coração Ainda pára Forçando a apatia pelo medo de dançar Não se avista um dia em que um ego não destrate Uma mais bela parte Escondida em ti. Menina sê quem passa para lá da ideia Quem muito se pensa fatiga Nem vais ver quem são Sem os olhos no chão Os que andam para ver-te vencida a ti. O teu coração Sem querer dispara Força e simpatia ao Ser que te vê dançar Vai chegar o dia em que o medo não faz parte E, por muito que tarde, esse dia é teu. Desfaz o Nó Destrava o pé Desmancha a trança e avança Chocalha o chão Esquece os que estão Rasga o marasmo em ti mesma Vê corações Na cara que pões Vira do avesso esse enguiço Desamordaça a dança para te convencer O teu coração Sem querer dispara Força e simpatia ao Ser que te vê dançar O teu coração Ainda pára Forçando a apatia pelo medo de dançar MÁRCIA E SAMUEL ÚRIA
Hoje Macau PolíticaBlur – “Lonesome Street” “Lonesome Street” What do you got? Mass produced in somewhere hot You’ll have to go on the Underground To get things done here (And then you have to see) If you need a yellow duck, service done This is a place to come to, Or, well, it was I know a hot spot oh oh Crossing on the guillotine And if you have nobody left to rely on I’ll hold you in my arms and let you drift It’s got to be that time again And June, June will be over soon again So get yourself up, get a past glitch on your way There’s nothing to be ashamed of Taking off again The 514 to East Grinstead (You’ve sent me off to see) (we’re going up, up, up, up, up) Coursing on our greatest night And talking types will let us down, again Talk, talk on your arse all night You wanna be there Step inside the tarmac ride To the land that crime forgot Oh, just don’t go there Cracks inside the tarmac ride To the land that crime forgot, oh no And if you have nobody left to rely on I’ll hold you in my arms and let you drift Going down to Lonesome Street, ooh Going down to Lonesome Street, ooh Lonesome Street, ooh Going down to Lonesome Street, ooh Lonesome Street, ooh Going down to Lonesome Street, ooh Blur STEVEN ALEXANDER JAMES / DAVID ROWNTREE / DAMON ALBARN / GRAHAM COXON
Joana Freitas EventosBon Jovi pela primeira vez em Macau em Setembro [dropcap style=’circle’]E[/dropcap]les estão de regresso aos palcos e estreiam-se em Macau. Os Bon Jovi actuam em Setembro na Arena do Cotai, no Venetian. A banda tem dois espectáculos marcados e os bilhetes estarão à venda no dia 16 de Junho. Os Bon Jovi são uma das bandas de rock norte-americanas consideradas como um ícone deste género e estão, neste momento, numa tour à volta do mundo. “Já actuamos mais de 2900 vezes em mais de 50 países e agora é com muita satisfação que anunciamos que estaremos pela primeira vez em Macau”, escreveu Jon Bon Jovi, líder da banda, citado num comunicado do Venetian. A banda tem mais de 30 anos e uma carreira considerada de sucesso, sendo responsável por ‘hits’ como ‘Livin’ On A Prayer’, ‘You Give Love A Bad Name’, ‘Who Says You Can’t Go Home’, ‘It’s My Life’ e outros tantos, que vão “ser tocados em Macau”. Com mais de 130 milhões de discos vendidos, a banda conta com Job Bon Jovi como cantor principal, sendo este considerado “um dos melhores cantores de música popular” deste género. A banda foi nomeada como o melhor espectáculo em tour quatro vezes nos últimos cinco anos, sendo que mais de 37 milhões de fãs já viram o concerto ao vivo. “Estamos muito satisfeitos em trazer Bon Jovi a Macau pela primeira vez”, disse Dave Horton, responsável pelo Marketing da Las Vegas Sands Corp e da Sands China Ltd. “Os Bon Jovi são um fenómeno global e este anúncio só mostra o nosso compromisso para com Macau, já que a banda se vai juntar à lista de eventos internacionais que actuaram [no território]”, lê-se no comunicado. Os espectáculos acontecem a 25 e 26 de Setembro e os bilhetes custam entre as 580 e as 3580 patacas. Ambos os eventos têm início marcado para as 20h00.