João Santos Filipe Manchete SociedadeCosta Nunes | Baixa natalidade leva à saída de 10 trabalhadores A partir do próximo ano, o jardim-de-infância vai contar com menos 10 trabalhadores do corpo docente. Das saídas anunciadas, apenas duas educadoras abandonam de livre vontade. Miguel de Senna Fernandes lamenta a decisão e reconhece que ninguém ficou agradado com a nova realidade O jardim-de-infância D. José da Costa Nunes vai passar a funcionar no próximo ano lectivo com apenas 14 profissionais, quando actualmente tem 24. A vaga de despedimentos que vai afectar o corpo docente e o quadro de agentes de ensino foi justificada com a baixa da natalidade. “Nós não queríamos que isto acontecesse ao nosso corpo docente. Mas, às vezes, a escolha não está no nosso lado e isso deve-se muito à baixa taxa de natalidade, que se vai agravar nos próximos tempos”, afirmou Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora de Instrução dos Macaenses (APIM), em declarações ao Canal Macau. “É uma situação que já vinha de há três anos, porque os alunos entram no jardim-de-infância com três anos, portanto tínhamos este alarme há três anos. Só que até este momento não quisemos dar este passo, para ver se podíamos arranjar uma solução para poupar o nosso corpo docente”, explicou. Miguel de Senna Fernandes revelou que entre as saídas de seis educadoras e de quatro agentes de agentes de ensino, apenas duas educadoras se mostraram disponíveis para deixar a instituição. Nos restantes casos, a iniciativa teve de partir da instituição de ensino. O responsável lamentou o cenário, e destacou que as pessoas que saem eram uma mais-valia para a instituição. “Estamos a falar de docentes com muito valor e que são a mais-valia do nosso jardim-de-infância e fazem parte da identidade da escola. As coisas não correram pelo melhor, naturalmente tivemos que tomar uma decisão que não nos agrada, a nós, nem às visadas”, reconheceu. “Aproveito a ocasião para agradecer do fundo do coração a todas as docentes com que não vamos continuar no próximo ano. Só desejo muito boa sorte a todas as pessoas envolvidas. Da nossa parte é certíssimo que sentimos muita, mas muita pena [com o sucedido]”, acrescentou. Segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a taxa de fecundidade em Macau voltou a cair em 2025, para um novo mínimo histórico. Macau terminou o ano passado com 0,47 nascimentos por cada mulher com idades entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024, ano que já tinha sido constituído um novo recorde. A redução na natalidade aconteceu, apesar do Governo ter lançado um subsídio de 54 mil patacas para crianças até aos três anos, além de ter aumentado o subsídio de nascimento, de 5.418 patacas para 6.500 patacas, e o subsídio de casamento, de 2.122 patacas para 2.220 patacas.
Hoje Macau SociedadeCosta Nunes | APIM mantém tutela de jardim de infância O Jardim de Infância D. José da Costa Nunes vai continuar sob a tutela da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), por mais dez anos, a partir de 1 de Setembro. A revelação foi avançada pela TDM – Rádio Macau, citando o presidente da APIM, Miguel Senna Fernandes, que realçou o sinal de confiança no trabalho desenvolvido pela associação desde “Setembro de 1998, ano em que a instituição começou a assegurar a gestão do estabelecimento de ensino”. A renovação por uma década surge depois de esgotado o prazo de validade do protocolo estabelecido entre a APIM e os Serviços de Educação, com durante de 25 anos, que termina no próximo dia 31 de Agosto. Miguel de Senna Fernandes garantiu que, apesar do aumento de alunos que têm como primeira língua o chinês, mais de 50 por cento, a língua portuguesa continuará a ser a aposta pedagógica do jardim de infância. No próximo ano lectivo, a escola vai receber mais de 80 crianças que vão frequentar pela primeira vez o infantário. O número total de crianças vai rondar os 250.
Hoje Macau SociedadePré-escolar de matriz portuguesa em Macau é visto como oportunidade por famílias chinesas A coordenadora de um jardim de infância de matriz portuguesa em Macau considera que a grande maioria das famílias chineses optam por este modo porque olham para o português como uma vantagem futura. Bárbara Maria Carmo, coordenadora do Jardim de Infância Costa Nunes, explicou à Lusa que a instituição tem cerca de dois terços de crianças chinesas no pré-escolar, porque “o conhecimento do português pode ser um valor acrescentado no futuro” “A maioria dos pais não nativos de língua portuguesa procura na nossa escola uma educação baseada numa aprendizagem mais lúdica, numa perspetiva mais criativa e com maior liberdade de expressão”, acrescentou. Para Bárbara Carmo, há muitos desafios no ensino de estudantes não nativos de língua portuguesa, mas o maior deles é a barreira linguística. “Temos muitas famílias que não falam português ou inglês, pelo que por vezes pode ser muito desafiante e temos de usar muitos recursos para nos fazer compreender”, indicou. A responsável do Costa Nunes, com 287 alunos de várias nacionalidades, notou que “as diferenças culturais também podem ser um desafio, mas a fusão de duas culturas é muito enriquecedora”. Em contraste, na Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, apenas perto de 10% dos alunos portugueses estão inscritos nas secções bilingue e chinesa, contra mais de 90% dos alunos portugueses estão inscritos na secção portuguesa, de acordo com uma resposta escrita do estabelecimento de ensino enviada à Lusa. A escola tem 80 alunos de nacionalidade portuguesa. A Direção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) referiu à Lusa que para os falantes nativos de português, o estudo da língua chinesa é mais difícil ao nível da escrita e da leitura. “Ao longo dos anos, alunos de diferentes línguas maternas têm sido matriculados em escolas do setor público. A experiência mostra que os estudantes cuja língua materna não é o chinês têm mais dificuldade em aprender chinês na leitura e na escrita do que em ouvir e falar”, indicou fonte da DSEDJ. Bárbara Carmo explicou que as diferenças na cultura e nos sons das línguas são tantas que a adaptação leva muito tempo. “É muito comum que as crianças passem uma fase de silêncio e apenas alguns meses depois comecem a dizer algumas palavras em português”, sublinhou. “Podemos ver uma melhoria diariamente, porque podemos observar que as crianças compreendem as frases de comando sem necessidade de as repetir em inglês. Dia após dia, podemos ver que as crianças estão mais à vontade com a língua portuguesa e é aí que o processo começa”, acrescentou. A DSEDJ lembrou que a educação linguística não é uma tarefa imediata e requer um longo período de tempo para construir os alicerces da língua. Na mesma nota, a Escola Primária Luso-Chinesa da Flora salientou que “o interesse dos estudantes na aprendizagem, a motivação, o ambiente linguístico e o apoio familiar afetam os resultados de aprendizagem”. Além do currículo formal, a Escola Primária Luso-Chinesa da Flora também cria “um ambiente de aprendizagem de línguas e oferece uma vasta gama de atividades para ajudar os alunos a compreender a cultura chinesa, aumentar o interesse em aprender chinês e desenvolver a língua chinesa básica”.