Hoje Macau SociedadePJ | Dois homens detidos por filmarem mesas de casino Dois homens, oriundos do Interior da China, foram detidos no domingo por filmarem e transmitirem em directo online mesas de jogo em casinos de Macau. As duas detenções foram feitas em casinos diferentes (um na península e outro no Cotai), com as queixas a chegarem à Polícia Judiciária (PJ) com meia hora de diferença. Porém, as autoridades não apuraram se os casos estão relacionados e se os homens trabalhavam para a mesma organização. Ambos tinham telemóveis escondidos em bolsos falsos nas camisolas, e enquanto transmitiam acção nas mesas de jogo recebiam encomendas para apostas de clientes com quem comunicavam através de auriculares com Bluetooth. O caso no casino no Cotai foi descoberto por um segurança que suspeitou da postura pouco natural do indivíduo em mesas de bacará e máquinas de slot, fazendo apostas a rondar 8 mil dólares de Hong Kong Os casos foram encaminhados ao Ministério Público pela prática de exploração ilícita de jogo de fortuna ou azar online ou de aposta mútua online. A PJ, apesar de notar a semelhança no modus operandi dos suspeitos não conseguiu apurar ligações entre os dois homens, mas garantiu que as investigações vão prosseguir.
João Santos Filipe Manchete PolíticaNegócios | Consulta pública sobre licenciamento até 19 de Agosto Segundo a proposta do Governo, vai ser criado um novo sistema de licenciamento de negócios ou de actividades como venda de rifas, produção e filmagens de cinema. O objectivo passa por adaptar o regime às exigências actuais e tornar os pedidos mais rápidos Arrancou ontem, e prolonga-se até 19 de Agosto, a consulta pública sobre a futura lei que vai definir as condições para a realização de actividades e exploração de negócios, como concertos, filmagens, cabeleireiros, saunas ou oficinas. Na apresentação da consulta sobre o “regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”, o Executivo apresentou como objectivos do diploma “aumentar a eficiência da coordenação interdepartamental” e “criar um ambiente de negócios e uma ordem de mercado ‘justos, transparentes e previsíveis’.” Segundo o regime actual, criado em 1998, o controlo actual é feito através de dois sistemas: a notificação e a licença. No caso da notificação, que o Governo entende como uma autorização, o interessado pode começar a actividade, mesmo quando as autoridades competentes ainda não se pronunciaram. Em relação ao processo de licença, o negócio do interessado apenas pode ser iniciado depois de obter a autorização das entidades competentes. Todavia, ontem, Ng Chi Kin, director substituto dos Serviços de Assuntos de Justiça, afirmou que o modelo actual está desactualizado, que a divisão de funções entre os diferentes serviços não permite uma resposta em tempo útil e que os moldes actuais não permitem a simplificação, digitalização e aumento da eficiência dos procedimentos. Novo modelo A proposta visa criar um sistema alternativo, de acordo com o grau de risco percepcionado pelo Executivo. Neste enquadramento, há actividades que deixam de exigir qualquer tipo de procedimento, além do cumprimento das exigências gerais relacionadas com aspectos como a segurança contra incêndios, ruído ou a gestão de espaços públicos. Vai ser a situação aplicável aos espectáculos de danças tradicionais ou ópera chinesa sem fins lucrativos, recolha de fundos, espectáculos de organismos públicos, bazares e feiras, barbearias e cabeleireiros, salas de bowling ou saunas sem serviços de massagem, entre outros. Ao mesmo tempo, vai ser criado um sistema de registo. Segundo estes moldes, a exploração do negócio só pode ser iniciada depois de a Administração confirmar que recebeu o pedido e todos os documentos necessários, embora este seja um procedimento apresentado como praticamente automático. O registo vai ser obrigatório para marchas de caridade, salões de beleza, lavandarias, ginásios, sorteios, salas de bilhar e oficinas de reparação e manutenção de veículos motorizados sem actividades como pinturas por pulverização, soldadora ou montagem e desmontagem de baterias de lítio. No que diz respeito às actividades ou eventos com “elevado risco para a segurança pública, a ordem do mercado, a ordem pública, os bons costumes”, optou-se por manter o sistema de notificação ou licença. Este regime vai aplicar-se a qualquer produção e realização de filmes em Macau, o que significa que abrange mais filmes do que no passado, cinemas, teatros, espectáculos públicos, massagens, karaokes, comércio de materiais pornográficos, cibercafés, entre outros.
Sofia Margarida Mota EventosRodagem | Macau é palco para filmagens de novela portuguesa “Condição humana anda é um nome provisório para a novela que deve estrear no próximo mês de Novembro em Portugal. A nova produção da TVI tem parte da história a passar-se em Macau e as filmagens decorrem esta semana. Os protagonistas João Catarré e Sara Prata, e um dos vilões da novela, Diogo Infante, falam da sua experiência no território [dropcap style≠’circle’]É[/dropcap] uma história de amores perdidos e reencontrados, recheada de negócios escuros, amor, e conflitos familiares. “Condição Humana” – ainda nome provisório – será a novela da TVI que tem Macau como parte do cenário. O facto de alguns episódios serem aqui filmados permite a quem está em Portugal ter algum acesso ao território. “A história inicia-se em Macau, o que é um pretexto para mostrarmos este lado do mundo, por onde andamos, e acaba por ser um enquadramento e um cenário diferente daquele a que estamos habituados”, disse Diogo Infante, vilão de “Condição Humana”, num encontro ontem com os jornalistas. Manuel, personagem interpretada pelo actor, está ligado a uma tríade. O papel é do seu agrado até porque “A ficção tem esta liberdade poética que permite adaptar um pouco as realidades às circunstâncias da narrativa”, referiu. Por ouro lado, sente-se bem no papel de vilão, porque lhe permite entrar naquilo que não é na realidade. “Adoro fazer os maus, são mais sumarentos, são personagens cheias de contraste”, ilustra o actor português. Terra mutante Não é a primeira vez que Diogo Infante está no território e as alterações de Macau não lhe foram indiferentes. Esteve por cá em 2002 e em 2011 para interpretar dois monólogos humorísticos e sente que cada vez que cá volta, “Macau está diferente”. “Em 2001 era bastante mais discreto, apesar de já ser um centro atractivo de jogo. Passados 16 anos é brutal a diferença. Há paisagens que já não reconheço”, salienta, sendo que continua a “ficar fascinado com os nomes das ruas em português”. Por outro lado, “as pessoas são muito gentis e não me sinto nada perdido. Sinto-me em casa e num outro planeta também”. João Catarré interpreta João e a Sara Prata é Margarida. São o casal protagonista de “Condição Humana” e ao contrário de Diogo Infante, este é o seu primeiro contacto com o território. “Não sabia muito bem o que havia de esperar. Pensei que fosse mais pequeno e que ia sentir muito mais a sobrepovoação”, começa por dizer Sara Prata. No entanto, a realidade acabou por surpreender. Agora até “é engraçado o contraste das ruelas e os edifícios muito altos, e acabamos por não nos sentir claustrofóbicos”. Já João Catarré não deixou de referir o cruzamento entre a parte histórica e a moderna de Macau como um “deslumbre”. Esta é também uma oportunidade, refere o actor, de “perceber como as pessoas se comportam, que costumes têm, como é a sociedade e como funcionam as regras aqui, numa realidade muito diferente da nossa”. Macau com potencial O território é muito característico, refere Sara Prata, o que representa um cenário a ser aproveitado para filmagens. O facto de ser ainda desconhecido só traz mais-valias neste sentido, considera. Para Catarré, a convivência entre diferentes religiões é um aspecto de relevo. “Aqui nada é discriminado” apontou o actor num lugar que, considera, “toda a gente se respeita”. Para interpretar o papel de João, Catarré teve de aprender algum cantonês. Este é, talvez o maior desafio que encontrou no papel que está a representar. “Mas nada que não seja ultrapassável”, remata.