Concerto | CCCN apresenta “Four Seasons” no sábado com estudantes universitários

O primeiro concerto da série “Four Seasons” chega ao Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau no sábado, numa iniciativa que pretende criar uma ponte com instituições de ensino

 

O Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau (CCCN) acolhe no sábado um concerto de Primavera, com estudantes do Moon Chun Memorial College da Universidade de Macau. É o primeiro de uma série de actuações intitulada “Four Seasons”, e decorre entre as 17h e as 18h. A iniciativa parte da vontade do CCCN em trabalhar com artistas e músicos jovens. “Gostávamos de criar uma ponte com as escolas e as universidades também. É esse o objectivo principal de organizar este concerto”, disse o organizador, Orlando Vas, ao HM.

O concerto, que apresenta um registo de música clássica, envolve uma fusão de sons. “É uma mistura de música ocidental e oriental, por isso temos alguns instrumentos chineses e também alguns ocidentais”, comentou Orlando Vas. Estão previstos concertos também para o Verão, Outono e Inverno. “Como é o primeiro concerto queríamos fazê-lo apenas com uma universidade, mas para concertos futuros vamos convidar outras universidades e escolas para actuarem no CCCN”, acrescentou.

Apesar de reconhecer que o espaço é pequeno, o organizador considera que a iniciativa “dá uma nova vida ao edifício” e permite atrair público. “É um local novo para as pessoas virem e experienciarem música num espaço e forma diferentes”, observou.

O evento conta com vagas para um máximo de 40 pessoas e a entrada custa 70 patacas. O espaço do CCCN situa-se na Calçada da Vitória.

Do clássico ao jazz

Orlando Vas – também ele músico – explicou que ao longo do seu crescimento, em Macau, sentiu que queria actuar em espaços da cidade mas não havia muitas oportunidades de o fazer. Assim, o organizador pretende dar uma oportunidade a estudantes que possam querer seguir o caminho da música e uma plataforma para diferentes tipos musicais. “Agora estamos a fazer um concerto de música clássica, mas no Verão estamos a pensar num concerto de música jazz e pop”, explicou.

Ao longo do ano, o Centro – com ligação à diocese de Macau – está a planear ter exposições de arte e realizar actividades voltadas para os jovens, como aulas de gastronomia ou artesanato. “Através de várias actividades culturais e artísticas, o CCCN Macau pretende desenvolver um espaço para aumentar a interação e intercâmbio cultural dentro da comunidade, e através de um ambiente de criação, dar um espaço para as pessoas partilharem e aproveitarem, criando uma atmosfera de respeito mútuo, calor e amor”, indica a página do evento no Facebook.

Créditos da Imagem: Kong Sir

4 Mar 2021

Música | Salvador Sobral esteve ontem no Teatro Broadway

O vencedor da edição de 2017 do Festival Eurovisão da Canção, Salvador Sobral, esteve em Macau para um concerto no Teatro Broadway. Horas antes do espectáculo, o artista apontou as primeiras impressões do território e falou do processo criativo do seu ultimo disco, “Paris-Lisboa”

[dropcap]O[/dropcap]tempo em Macau foi limitado mas, entre o concerto de ontem Teatro Brodway e os sound-checks, Salvador Sobral leva impressões de uma “Macau profunda”. “Macau tem duas faces, a da ostentação que acompanha os casinos, em que tudo não passa de uma fachada como a Torre Eiffel, o Casino Lisboa etc., e depois existe a verdadeira cidade, muito genuína e que gostei muito de ver”, aponta ao HM referindo-se ao passeio que deu pela zona antiga do território. “É uma cidade mais escura, melancólica, o reflexo desta sociedade”, acrescentou. Na memória leva um pequeno espectáculo que assistiu “por acaso numa casa de chá antiga”, acrescentou.

Entretanto, o convidado do festival literário Rota das Letras deu ontem um concerto de apresentação do álbum que vai ser lançado no final deste mês: “Paris, Lisboa”, título inspirado no filme “Paris Texas” de Wim Wenders. “Achei piada fazer uma referência ao “Paris, Texas”. É o meu filme preferido”, refere. As semelhanças entre o segundo álbum do artista e a obra de Wim Wenders não são perceptíveis num primeiro olhar, no entanto, tal como no filme, o disco trata da procura, “de alguém que está constantemente numa procura intensa e interior, de si próprio e daquilo que o rodeia”, diz. “A nossa música é isso. É também uma procura constante de alguma coisa que não vamos encontrar”, acrescenta.

Processo invertido

“Paris, Lisboa”, é mais um disco que começa muito antes do momento de gravar em estúdio. “Muitas vezes as canções, como “Presságio” que já tocamos desde 2016, não estão registadas em lado nenhum e só saem depois de terem sido cantadas ao vivo muitas vezes”. O artista prefere fazer o processo “inverso”, o de “tocar primeiro e depois gravar”. Desta forma é possível, na chegada ao estúdio, descobrir outros caminhos. “A música já está tão intrínseca que permite explorar outras coisas. Os discos para mim são uma constante procura de imitar o que vamos fazendo ao vivo”, diz.

A vida por um fio

O primeiro tema de “Paris, Lisboa”, é muito pessoal para Salvador Sobral e representa a “catarse” e o “renascimento” após ter sido submetido a um transplante de coração em Dezembro de 2017. “O coração é o órgão que desde a antiguidade está ligado às emoções, e à própria vida”, aponta o  músico. No entanto, e devido à proximidade temporal da intervenção, Sobral ainda não consegue “perceber que influência aquele transplante tem directamente” na sua vida. “Quando penso naquela situação ainda fico em pânico e ainda não consigo ir facilmente a hospitais apesar de ter que o fazer.” Talvez por isso, a canção que abre “Paris, Lisboa” é “um vómito de tudo o que aconteceu nessa altura para depois poder começar o disco já com paz e tranquilidade”.

Ter passado por uma situação limite que lhe revelou uma finitude eminente, fez com que o músico passasse “a viver de outra forma”. “Lembro-me que quando saí do hospital e  olhei para o trânsito achei-o fascinante e de ter pensado que nunca mais me iria chatear por causa do trânsito”, recorda. “Agora quando estou prestes a irritar-me com questões como esta, acabo por parar e pensar. Tenho mais é que agradecer por poder estar no meio do trânsito e não confinado a quatro paredes dentro de um hospital”, refere.

Em três minutos

Acerca da eurovisão, Salvador Sobral admite que que foi um momento de viragem na sua vida, até porque “de que outra forma é possível , de uma só vez e em três minutos ser visto por 200 milhões de pessoas?”. A vitória, teve outro sabor porque foi conseguida com um tema de que gosta muito, “Amar pelos dois”. “Há muita gente que vai ao festival e faz canções só para aquele evento. Eu acho que fiz uma coisa verdadeiramente boa e com uma mensagem muito forte, tanto melódica como lírica, o que me deixa muito orgulhoso”. Aliás, é com a música “verdadeira” que o artista quer continuar a trabalhar.

Este ano Portugal vai estar representado no evento musical europeu por Conan Osíris, artista que Salvador Sobral considera “muito particular”, sendo que “é esse o segredo, é a particularidade, a distinção e o impacto que podem vir a fazer de Conan Osíris o próximo vencedor do festival da canção”, aponta.

18 Mar 2019

Música | Orquestra de Macau apresenta “Azzolini e Lu Jia” a 15 de Março

[dropcap]A[/dropcap]Orquestra de Macau (OM) apresenta o concerto “Azzolini e Lu Jia” no dia 15 de Março (sexta-feira), pelas 20h horas, na Igreja de S. Domingos. A entrada é livre e os bilhetes distribuídos uma hora antes da actuação.

Sob a batuta do Director Musical Lu Jia, a Orquestra irá colaborar com o famoso fagotista Sergio Azzolini para apresentar dois concertos para fagote, de A. Vivaldi e C. Stamitz, tocando a OM na segunda parte a Sinfonia N.º 4 “Italiana” de Mendelssohn, a fim de imprimir o sabor europeu do período romântico. Nascido em Bolzano (Itália), em 1967, Sergio Azzolini é conhecido pelo seu extraordinário talento e desempenho de instrumentos clássicos, especialmente os utilizados na música barroca, sendo reconhecido como uma autoridade na interpretação dos trabalhos de Vivaldi na execução do fagote.

Além disso, a OM organiza uma masterclass no dia 13 de Março, na qual o fagotista Azzolini irá orientar os participantes sobre técnicas de fagote em actuações a solo ou com ensemble de sopros, sendo esta aberta a observadores.

1 Mar 2019