China apresenta queixa ao Japão por “ataques” a Pequim durante cimeira do G7

O Governo chinês apresentou, no domingo, um protesto ao embaixador do Japão em Pequim, Tarumi Hideo, pelas “difamações e ataques” realizados contra a China, durante a recente reunião do G7, na cidade japonesa de Hiroxima.
Numa nota de protesto contra as “especulações” sobre a China, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Sun Weidong, disse que o grupo das sete democracias mais desenvolvidas “está fixado numa mentalidade de confrontação e num pensamento da Guerra Fria” e que as suas acções “são contrárias à tendência histórica, aos factos objectivos e à moral internacional”.
O Japão, na qualidade de anfitrião, “interferiu nos assuntos internos da China”, adoptando um comportamento que Sun definiu como “contrário aos princípios básicos do direito internacional”, lê-se no comunicado, divulgado no portal do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

Contra interferências
A declaração conjunta do G7, que reúne França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Canadá, enviou várias mensagens à China.
O texto destacou a necessidade de manter relações construtivas em matéria económica com o país asiático e pediu a Pequim para usar a influência junto da Rússia para pôr fim à guerra na Ucrânia. O documento apelou ainda a Pequim para que abdique de reivindicações territoriais “injustificadas” e resolva pacificamente a questão de Taiwan.
Reiterando que Taiwan é parte do território chinês, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que a resolução da “questão de Taiwan é uma questão que cabe aos próprios chineses decidirem” e que Pequim “não vai permitir que forças externas interfiram” nas questões de Xinjiang, Hong Kong ou Tibete.
Sun afirmou ainda que são os Estados Unidos “quem mais põe em perigo as regras da ordem internacional e perturba o funcionamento da economia mundial”.
“O período em que os países ocidentais interferiam nos assuntos internos de outros países e manipulavam os assuntos mundiais acabou”, disse o diplomata, que exortou o grupo a “parar de provocar divisão e confronto”.
O diplomata pediu a Tóquio que “corrija a sua percepção da China”, “entenda a autonomia estratégica” de Pequim e “promova realmente o desenvolvimento estável das relações entre os dois países de maneira construtiva”.

23 Mai 2023

G7 acusado de calúnia pela China após declaração conjunta

A China acusou ontem os chefes da diplomacia dos países do G7, que estão reunidos no Japão, de calúnia e difamação, após uma declaração crítica das políticas de Pequim. “A reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 ignorou a posição da China e factos objectivos”, disse Wang Wenbin, porta-voz da diplomacia chinesa, em conferência de imprensa.

Os ministros dos países membros do G7 “interferiram nos assuntos internos da China, caluniaram e difamaram a China”, acusou Wang, expressando o “forte desagrado” de Pequim. Wang Wenbin foi questionado sobre o comunicado final dos chefes da diplomacia do grupo dos sete países desenvolvidos (França, Japão, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália, Reino Unido). No texto, são referidas as preocupações face à política de Pequim em relação a Taiwan, Mar do Sul da China, Xinjiang e Tibete.

O G7 alertou Pequim para as suas reivindicações territoriais no Mar do Sul da China, afirmando que estas “não têm base legal”. Os chefes da diplomacia do G7 manifestaram ainda oposição às “actividades de militarização” de Pequim naquelas águas. “Nas entrelinhas, esta declaração está repleta de arrogância, preconceito e intenção maliciosa de se opor à China e conter o seu desenvolvimento”, apontou Wang. O porta-voz disse que a China apresentou protestos formais ao Japão, anfitrião da reunião do G7.

Paz estreita

O G7 também considerou “essencial” a manutenção da paz no Estreito de Taiwan, onde Pequim lançou amplos exercícios militares, após um encontro entre a líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, e o presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, Kevin McCarthy, no início de Abril.

“Para realmente manter a paz no Estreito de Taiwan, devemos opor-nos claramente e interromper qualquer iniciativa para alcançar a independência de Taiwan”, disse Wang Wenbin, em resposta ao G7.

Sobre o Mar do Sul da China, o porta-voz disse que a situação actual é “geralmente estável” e pediu ao G7 que não “semeie discórdia entre os países da região” com as suas declarações. No documento, estão também reflectidas as “preocupações” do G7 relativamente à “expansão contínua e acelerada do arsenal nuclear da China”, apelando para a “estabilidade para uma maior transparência” sobre as armas atómicas.

18 Abr 2023

G7 | Grupo acusado de “semear a divisão” após críticas a Pequim

A China acusou ontem os países do G7 de “semearem a divisão”, depois de o grupo que reúne as nações mais industrializadas do mundo ter condenado a alegada falta de transparência de Pequim nas suas práticas comerciais.

Reunidos no sul da Alemanha, entre domingo e terça-feira, os líderes do G7 (Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá) usaram uma linguagem particularmente assertiva contra a China, na sua declaração conjunta, após uma cimeira de três dias.

O G7 expressou a sua preocupação com os direitos humanos no país e denunciou as práticas comerciais “não transparentes e que distorcem o mercado” de Pequim.

“Enquanto a comunidade internacional luta contra a pandemia e se esforça para reanimar a economia, o G7 não apenas falha em comprometer-se com a unidade e a cooperação, mas, em vez disso, está empenhado em dividir e criar antagonismos, sem qualquer senso de responsabilidade ou princípio moral”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, em conferência de imprensa.

Má nova

Washington há muito que aponta críticas às práticas comerciais de Pequim, que acusa de favorecer as empresas chinesas, em detrimento das empresas estrangeiras, ou de transferência forçada de tecnologia.

Mas o facto da Alemanha, que é a maior economia da União Europeia (UE) e que tem a China como maior parceiro comercial, criticar directamente as práticas do país asiático é uma novidade. A Alemanha exerce actualmente a presidência do G7.

Na sua declaração final, os líderes do G7 também apontaram que querem “fomentar a diversificação e a resistência à coerção económica, e reduzir as dependências estratégicas” em relação ao país asiático. Estas críticas surgiram antes do arranque da cimeira da NATO, a decorrer em Madrid.

Na capital espanhola, a NATO incluiu as preocupações com a China no seu novo conceito estratégico. No documento aprovado em Madrid e preparado para a próxima década, a NATO afirma que a China “declarou ambições e políticas coercivas”, desafiando os “interesses, segurança e valores” dos aliados. O anterior conceito estratégico, aprovado em Lisboa, em 2010, não continha referências à China.

30 Jun 2022

Junta militar do Myanmar critica posição de países do G7 contra golpe de Estado

A junta militar de Myanmar (antiga Birmânia) criticou a posição dos países do G7 contra o golpe militar, qualificando-a de “parcial” e assegurou que “se baseia em informações fabricadas”, noticiou hoje a imprensa oficial.

Os líderes políticos do G7, reunidos em Londres, no domingo, “condenaram veementemente” a tomada do poder pelo exército birmanês e a subsequente violência das forças de segurança contra a população civil, e apelaram para a “libertação imediata” de todos os detidos, incluindo a líder deposta, Aung San Suu Kyi.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros birmanês, por seu lado, afirmou que “os desenvolvimentos políticos internos (…) baseiam-se em “informação fabricada e tendenciosa de fontes não verificadas”, noticiou o diário pró-governamental The Global New Light of Myanmar.

A junta militar afirmou que “é errado” falar de um golpe de Estado militar quando o exército “assumiu responsabilidades estatais” através de um mecanismo que consta da Constituição de 2008.

“O Exército e quem aplica a lei desempenham as funções estritamente dentro do quadro legislativo e regulamentos existentes. Em ocasiões em que o uso da força é necessário, as forças de segurança exercem uma utilização de máxima contenção para garantir a segurança pública”, observaram.

Mais de quatro meses após a revolta que pôs fim à jovem democracia em Myanmar, o exército não conseguiu tomar o controlo de todo o país, apesar da repressão contra a oposição ao domínio militar.

As forças de segurança dispararam a matar sobre manifestantes pacíficos que exigiam a restauração da democracia e a libertação dos líderes eleitos.

Pelo menos 864 pessoas foram mortas na violência desencadeada pelas forças de segurança, de acordo com os dados da Associação para a Assistência aos Presos Políticos.

Alguns dos manifestantes decidiram pegar em armas contra o exército, cansados do pouco progresso dos protestos pacíficos.

O exército birmanês justificou o golpe com uma alegada fraude eleitoral nas eleições de novembro, que o partido liderado por Suu Kyi venceu, tal como em 2015. Observadores internacionais consideraram o escrutínio legítimo.

16 Jun 2021

Amazónia | Brasil rejeita ajuda do G7 para combater incêndios

[dropcap]O[/dropcap] Brasil recusou esta segunda-feira a ajuda dos países do G7 para combater os incêndios na Amazónia, informou Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, que aconselhou o Presidente francês, Emmanuel Macron, a cuidar da “sua casa e das suas colónias”.

“Agradecemos, mas talvez estes recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa”, disse Lorenzoni ao portal de notícias G1, em referência ao fundo de 20 milhões de dólares para os países atravessados pela Amazónia anunciado por Macron durante a Cimeira do G7 em Biarritz.

“Macron não consegue sequer evitar um previsível incêndio numa igreja que é património da humanidade e quer ensinar o quê ao nosso país?! Ele tem muito o que cuidar em casa e nas colónias francesas”, disparou Onyx.

“O Brasil é uma nação democrática, livre e nunca teve práticas colonialistas e imperialistas como talvez seja o objectivo do francês Macron, que coincidentemente está com altas taxas internas de rejeição”, declarou o ministro-chefe da Casa Civil.

Onyx Lorenzoni destacou ainda que o Brasil pode ensinar “a qualquer nação” como proteger matas nativas. “Aliás, não existe nenhum país que tenha uma cobertura nativa maior que o nosso”.

Durante o dia, o Presidente Jair Bolsonaro já havia questionado “as intenções” de Macron sobre a Amazónia.

“Não podemos aceitar que um Presidente, Macron, dispare ataques descabidos e gratuitos à Amazónia, nem que disfarce suas intenções atrás da ideia de uma ‘aliança’ dos países do G-7 para ‘salvar’ a Amazónia, como se fôssemos uma colónia ou uma terra de ninguém”, escreveu no twitwer o Presidente.

Em chamas

Pelo menos mil novos focos de incêndio foram declarados nas últimas horas na Amazónia, enquanto os aviões do exército brasileiro atravessaram na segunda-feira as grandes áreas afectadas para tentar conter as chamas que mobilizaram a atenção dos líderes do G7.

Até domingo, 80.626 focos de incêndios foram registrados em todo o Brasil, 1.113 novos focos em relação ao relatório de sábado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O saldo marca um aumento de 78 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.
Mas o ministro da Defesa do Brasil, Fernando Azevedo e Silva, garantiu que os incêndios na Amazónia estão sob controle após o envio de mais 2.500 militares e as chuvas que caíram em algumas regiões.

“Tem se alardeado um pouco que a situação está fora de controle, mas não está. Nós tivemos picos de queimadas em outros anos muito maiores do que neste ano aqui e pela primeira vez foi empregada uma rapidez muito boa”.

“É lógico a situação não é simples, mas ela está sob controle e já arrefecendo bem. Aí, em princípio, até a meteorologia ajudou porque numa parte da Amazônia oeste hoje teve uma situação de chuvas e isso ajuda bastante”.

Os incêndios desencadearam um debate de alta tensão entre Bolsonaro e Macron, que levantou a questão da Amazónia à cimeira das maiores potências económicas ocidentais, o G7, em Biarritz (sul da França).

O G7 concordou em oferecer 20 milhões de dólares para o combate ao fogo na Amazónia, a fim de aumentar o número de aviões para controlar o fogo.

O Brasil apenas aceitou até o momento a ajuda de Israel, que ofereceu enviar um avião.

28 Ago 2019

Hong Kong | Pequim “extremamente descontente” com declaração do G7

[dropcap]O[/dropcap] Governo chinês disse hoje que está “extremamente descontente” com a declaração do G7 sobre Hong Kong a apelar a que se evite a violência no território, depois de três meses de protestos anti-governamentais.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Geng Shuang afirmou que a ex-colónia britânica é uma “assunto interno” da China e que nenhum “Estado, organização ou indivíduo tem o direito de ingerir”.

“Expressamos extrema insatisfação e firme oposição à declaração emitida pelos líderes do G7”, disse Geng. A China apelou ainda aos membros do G7 que “parem de agir com más intenções, meter o nariz em assuntos alheios e preparar secretamente actividades ilegais”, acrescentou.

Hong Kong vive um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” na antiga colónia britânica, enquanto apelam à demissão de Carrie Lam, a chefe do governo local, pró-Pequim e à eleição de um sucessor por sufrágio universal directo, e não nomeado pelo Governo central.

A declaração emitida após a cimeira do G7 – grupo informal composto por sete países (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Japão, França, Reino Unido e Itália) que estão entre as maiores e mais industrializadas economias do mundo – “reafirma a existência e importância da Declaração Conjunta Sino-Britânica de 1984” e pede que “seja evitada a violência”.

A polícia de Hong Kong defendeu na segunda-feira o uso de canhões de água e o disparo de um tiro de alerta face a manifestantes “extremamente violentos”. Os confrontos de domingo nos subúrbios de Hong Kong foram dos mais violentos desde o inícios dos protestos.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse após a cimeira do G7 que todos os líderes expressaram a sua “profunda preocupação”. “Todos os países do G7 apoiam uma Hong Kong estável e próspera e estamos comprometidos com o princípio ‘um país, dois sistemas'”, numa referência à autonomia da região em relação à China continental.

27 Ago 2019

Trump acredita que a China acabará por ceder na guerra comercial com os EUA

[dropcap]O[/dropcap] Presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu ontem a sua estratégia de avanços e recuos nas negociações comerciais com a China, dizendo que essa é a sua “forma de negociar”, acrescentando que a China acabará por ceder num acordo.

Na conferência de Imprensa no final da cimeira do G7, na cidade francesa de Biarritz, Trump desvalorizou os efeitos na economia mundial da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, dizendo que tem esperança em que se encontre uma solução, atempadamente.

Quando confrontado sobre os avanços e os recuos na negociação com Pequim, Trump defendeu a sua estratégia, dizendo que é a sua “forma de fazer negócios” e dizendo que acredita que se chegará a uma solução, porque a China precisa de um acordo.

“Desculpe, mas é assim, que eu negoceio”, explicou Trump, acrescentando que talvez outros presidentes norte-americanos antes dele devessem ter feito o mesmo.

“O que eu estou a fazer, já outros deviam ter feito, muito antes. Obama, Clinton, os dois Bush. Ninguém fez nada para travar os planos da China”, disse Trump, referindo-se ao desequilíbrio na balança comercial entre os dois países.

“Enquanto não houver maior equilíbrio, os EUA não vão ceder”, disse o Presidente dos EUA, para explicar que a escalada de taxas alfandegárias não levará a nenhum lado, enquanto a China não admitir que está numa situação favorável.

Trump disse que esta escalada provocará muitos danos na economia chinesa, não lhes deixando outra solução que não a de chegar a um acordo. “Eles querem um acordo. Porque eles precisam de um acordo”, referiu Donald Trump.

Na conferência de Imprensa conjunta de Trump e do Presidente Emmanuel Macron, minutos antes, o líder francês disse que a situação de crise comercial entre os EUA e a China está a provocar incerteza económica e pediu para que ambos os lados cheguem rapidamente a um acordo.

“Quanto mais rápido for alcançado um acordo, mais rapidamente a incerteza se dissipará”, explicou Emmanuel Macron, acrescentando que os países do G7 estão empenhados em participar nessa solução.

“Ficou acordado nesta cimeira que devem ser feitas reformas profundas na Organização Mundial do Comércio”, anunciou Macron, sobre as conclusões do encontro do G7, acrescentando que há um compromisso para combater o roubo de propriedade intelectual, uma das queixas dos EUA contra a China.

27 Ago 2019

Países do G7 pedem respeito pelo estatuto de autonomia de Hong Kong

[dropcap]O[/dropcap]s países do G7 pediram esta segunda-feira o respeito pelo estatuto de autonomia de Hong Kong, para evitar mais violência, após dois meses de manifestações por reformas diplomáticas na antiga colónia britânica.

Num comunicado emitido no final da cimeira do G7, na cidade francesa de Biarritz, os países do G7 reafirmam “a existência e importância da Declaração Sino-Britânica, de 1984, sobre Hong Kong e apelam a que se evite a violência”.

Na conferência de Imprensa no final da cimeira do G7, o Presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião do encontro, disse que houve consenso entre os países para o apelo à estabilidade social em Hong Kong, no respeito dos acordos estabelecidos entre o Reino Unido e a China.

“A mensagem que se quis transmitir é que é fundamental travar a violência que se tem verificado nas ruas de Hong Kong, apelando ao Governo chinês para encontrar soluções”, explicou Emmanuel Macron.

Hong Kong vive um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

Iniciada em Junho, a partir da recusa do polémico projecto de lei, a mobilização tem alargado as suas reivindicações, para exigir um sufrágio universal, com receio da crescente interferência de Pequim.

27 Ago 2019

G7 | EUA retomarão “muito em breve” negociações com a China

[dropcap]O[/dropcap] Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou ontem que os Estados Unidos retomarão “muito em breve” as negociações comerciais com a China, depois de uma nova escalada de tensão nos últimos dias entre os dois gigantes económicos.

Trump disse que o seu Governo recebeu uma comunicação das autoridades chinesas indicando o desejo de voltar à mesa das negociações para discutir um acordo comercial.

“A China ligou ontem à noite (…). Disse: ‘vamos voltar para a mesa de negociação’, logo, voltaremos (…). Vamos começar a negociar novamente muito em breve”, disse Trump à margem da cimeira do G7, em Biarritz, no sudoeste da França.

“Acho que vamos ter um acordo, porque agora estamos a lidar nos termos adequados. Eles entendem e nós entendemos”, disse Trump, acrescentando: “Esta é a primeira vez que eu os vejo a querer realmente fazer um acordo. E eu acho que é um passo muito positivo”.

Trump e o Presidente chinês concordaram em Junho retomar as negociações. Contudo, as negociações terminaram em Julho em Xangai sem indicação de progressos. Os negociadores conversaram por telefone este mês e devem encontrar-se novamente em Washington no próximo mês.

A cimeira do G7, que junta os dirigentes da França, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Itália, Canadá e Japão, terminou ontem.

27 Ago 2019

Pyongyang | Novos testes de mísseis em dia de reunião do G7

Os mísseis norte-coreanos continuam a cruzar o céu asiático. O último lançamento aconteceu este sábado, enquanto o G7 se reunia em Biarritz, e foi comandado por Kim Jong-Un que considerou estar perante uma grande arma

 

[dropcap]A[/dropcap] Coreia do Norte realizou sábado o sétimo ensaio, em menos de um mês, com mísseis de curto alcance no mar do Japão, quando se espera o reinício das negociações com Washington para a desnuclearização do país asiático.

O novo lançamento, que sucede ao de 16 de Agosto, acontece no dia em que a cimeira do G7 começou na cidade de Biarritz (França) e quatro dias após a conclusão de manobras militares conjuntas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, contra as quais Pyongyang protestou insistentemente.

Num comunicado, o gabinete presidencial sul-coreano expressou “forte preocupação” com a continuidade dos lançamentos após os exercícios militares e pediu a intensificação dos esforços diplomáticos para reconduzir o país vizinho a negociações.

Seul acredita que a Coreia do Norte usou todos esses testes para ajustar uma nova variedade de projécteis balísticos de curto alcance, enquanto Pyongyang observou, em testes anteriores, que havia testado “um múltiplo lançador de foguetes de controlo remoto” definido como “um novo tipo de arma táctica”.

O regime liderado por Kim Jong-un acompanhou a sua sucessão de testes de armas com uma série de ameaças contra Seul e Washington, numa aparente tentativa de mostrar o poder militar e fortalecer a sua posição diante do esperado recomeço das negociações com os EUA sobre o desarmamento nuclear.

Diálogo azedo

Na sexta-feira, Pyongyang criticou a política de sanções dos EUA e o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, numa declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Ri Yong-ho, emitida pela agência estatal KCNA.

“Estamos prontos, tanto para o diálogo quanto para o confronto”, disse Ri, que também afirmou que a Coreia do Norte continuará a ser “a maior ameaça aos EUA” se as sanções forem mantidas, acusando Pompeo de colocar à frente do diálogo a sua “ambição política”, em consonância com ataques anteriores do regime contra o chefe da diplomacia norte-americana.

A divulgação destes comentários coincide com o fim da viagem a Seul do enviado especial de Washington para o diálogo com Pyongyang, Stephen Biegun, que pretendia discutir a retomada das negociações com o regime.

As negociações, em tom neutro desde a fracassada cimeira de Hanói, em Fevereiro, deveriam ser retomadas depois que os líderes de ambos os países se terem comprometido a reactivá-las, numa reunião improvisada no final de Junho.

Os recentes gestos beligerantes do regime da Coreia do Norte contrastam com a confiança mostrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em que ambas as partes retomarão os contactos em breve.

Trump minimizou os testes de mísseis norte-coreanos e, no início deste mês, afirmou ter recebido uma carta de Kim Jong-un, na qual o líder norte-coreano lhe apresentou “um pequeno pedido de desculpas” pelos ensaios e transmitiu vontade de dialogar.

Os líderes do G7 poderão abordar, entre outros assuntos, a situação na península coreana na reunião em Biarritz. Pyongyang tem o hábito de realizar testes de armas em datas próximas a eventos internacionais relevantes, neste caso uma cimeira com a presença de Trump e do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que expressou o seu desejo de discutir durante o encontro o estado do diálogo com o regime norte-coreano.

“Grande arma”

O dirigente norte-coreano, Kim Jong-Un, liderou sábado o ensaio de mísseis de curto alcance e considerou estar em causa “uma grande arma”, noticiou ontem a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA. De acordo com agência, Kim Jong-Un liderou o ensaio de “lançamento de múltiplos mísseis de larga escala”.

Após este teste, o mais recente ensaio de mísseis de curto alcance realizado em Agosto pela Coreia do Norte, Kim Jong-Un afirmou que o sistema “recém-desenvolvido” era “uma grande arma”, segundo a KCNA. O país deve continuar a fortalecer o desenvolvimento de armas para combater “as ameaças militares e a crescente pressão das forças hostis”, salientou o responsável.

26 Ago 2019

Cimeira G7 | Agenda com Irão, divisão sobre Rússia e estreia de Boris Johnson

Amanhã e domingo, a cidade francesa de Biarritz recebe a cimeira do G7 com um forte aparato de segurança. O retorno da Rússia ao restrito grupo dos sete tem sido um dos temas prévios mais quentes, depois do afastamento de Moscovo provocado pela anexação da Crimeia e a ofensiva na Ucrânia. Outro foco de interesse vem de Londres. Com o Brexit por resolver, Boris Johnson faz a sua estreia no restrito grupo de líderes

 

[dropcap]E[/dropcap]ste fim-de-semana, volta a realizar-se a cimeira do G7, desta vez em Biarritz no sul da França, onde se vão reunir os dirigentes do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos e Reino Unido, União Europeia e Nações Unidas. Porém, é de uma ausência que se tem falado nos dias que antecedem um dos mais importantes eventos da agenda política internacional.

O regresso da Rússia à mesa tem sido o aperitivo servido antes do banquete, depois do afastamento em 2014 na sequência na anexação da Crimeia e da ofensiva militar russa na Ucrânia. Por enquanto, do lado de Putin está o já habitual aliado Donald Trump, enquanto Macron entende que o regresso da Rússia é algo a debater, mas apenas face ao cumprimento do Acordos de Minsk, que implica o cessar fogo no leste da Ucrânia para colocar um ponto final num conflito que dura há cinco anos e meio.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disseram ontem em Berlim ser prematuro considerar o regresso da Rússia ao G7, uma ideia avançada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Merkel reconheceu alguns “movimentos ténues” na aplicação dos acordos de paz na Ucrânia Oriental”, numa conferência de imprensa com o seu homólogo britânico Boris Johnson. “Se houvesse progressos com certeza que teríamos uma situação nova”, acrescentou Angela Merkel, referindo que “não foi possível avançar mais”.

Boris Johnson, que efectuou à Alemanha a sua primeira deslocação ao estrangeiro desde que assumiu a chefia do Governo britânico, no passado dia 26 de Julho, concordou com as palavras da chanceler alemã. “Penso da mesma maneira que a chanceler, que a situação que permitirá o regresso da Rússia ainda está por concretizar”, vincou.

O primeiro-ministro britânico destacou as “provocações” da Rússia não somente na Ucrânia, mas em múltiplas outras ocasiões, citando “o uso de armas químicas em solo britânico”, em Salisbury, quando um ex-agente duplo russo e a sua filha entraram em coma após terem entrado em contacto com o agente neurotóxico Novitchok, em Março de 2018. A Rússia negou sempre a sua implicação no caso.

Prazo final

Uma das novidades da cimeira deste fim-de-semana é a presença de Boris Johnson, o novo primeiro-ministro britânico. Antes da viagem para o sul de França, o sucessor de Theresa May foi a Berlim para discutir o Brexit.

Apesar de ter referido inúmeras vezes que não vê inconveniente numa saída da União Europeia sem acordo, Johnson foi desafiado por Angela Merkel a encontrar uma solução num prazo de 30 dias para evitar a saída sem acordo. A proposta da chanceler alemã volta a colocar a responsabilidade em Londres.

Depois de semanas de profunda tensão diplomática, Merkel aproveitou a reunião com Johnson na passada quarta-feira para demonstrar algum optimismo cauteloso quanto à possibilidade de se chegar a um acordo.

Porta aberta

“É relevante que a Rússia possa, a prazo, aderir ao G8″, disse ontem o Presidente francês Emmanuel Macron aos jornalistas durante uma conferência de imprensa no palácio presidencial do Eliseu, em Paris, explicando, no entanto, que “a condição prévia essencial é que seja encontrada uma solução em relação à Ucrânia com base nos acordos de Minsk”.

As declarações de Macron surgem no dia seguinte ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter defendido novamente o regresso da Rússia a este grupo de países, que desde que a Rússia saiu passou a ser conhecido como G7. “Faz muito mais sentido ter a Rússia”, disse Donald Trump em declarações aos jornalistas na Casa Branca na terça-feira, acrescentando que “poderia muito bem apoiar” o regresso da Rússia ao G7, que assim passaria novamente ao formato de G8.

Em Junho do ano passado, Trump já tinha defendido o regresso da Rússia ao grupo, introduzindo então mais um elemento de tensão nas relações entre os Estados Unidos e estes parceiros, então no auge da guerra comercial. “Porque é que estamos a ter uma reunião sem a Rússia na reunião”, questionou então o líder norte-americano, acrescentando: “Eles deviam deixar a Rússia voltar porque devíamos ter a Rússia na mesa de negociações”.

Pontos prévios

Macron recebe hoje em Paris o ministro dos negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif, de acordo com a agência de notícias iraniana, citada pela sua congénere francesa. “Vou ter uma reunião com os iranianos nas próximas horas, antes do G7, para tentar propor coisas”, disse o chefe de Estado aos jornalistas que cobrem a Presidência francesa.

A França faz parte do acordo nuclear iraniano que foi celebrado em 2015 e liderou os esforços europeus para salvar o acordo desde a retirada unilateral decidida pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Maio do ano passado, que levou à restauração, pelos norte-americanos, de sanções contra o Irão.

O acordo alcançado entre o Irão e o grupo de países composto pela China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha permitiu levantar algumas das sanções contra Teerão, em troca do compromisso do Irão não adquirir armas nucleares, mas perante a incapacidade de os países ajudarem o Irão a contornar as sanções determinadas por Washington, Teerão deixou, em Julho, de cumprir alguns dos seus compromissos.

De acordo com a agência de notícias iraniana, o ministro dos Negócios Estrangeiros começou uma viagem diplomática mundial, que o levou já ao Koweit, no sábado, e que inclui a Finlândia, Suécia e Noruega, antes da França e da China, país que visitará “na próxima semana”.

Guterres biológico

O secretário-geral das Nações Unidas vai participar na cimeira do G7, seguindo depois para uma conferência sobre o desenvolvimento africano, no Japão, e ficará três dias na República Democrática do Congo para mobilizar apoio contra a epidemia de Ébola. De acordo com Stéphane Dujarric, porta-voz de António Guterres, o secretário-geral da ONU arranca hoje de Washington para participar, no fim-de-semana, na cimeira do G7, na qual intervirá em sessões sobre a biodiversidade e os oceanos, o combate às desigualdades e as parcerias entre África e a região do Sahel. Depois, o antigo primeiro-ministro português rumará para Oriente, onde participará, no dia 27, na sétima Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano, tendo prevista uma reunião com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. O porta-voz de Guterres anunciou ainda que o secretário-geral aterrará na República Democrática do Congo no dia 31 para uma visita de três dias, que inclui a deslocação a um centro de tratamento de Ébola e uma reunião com o Presidente Felix Tshisekedi.

23 Ago 2019

May defende “diálogo construtivo” com Trump após cimeira do G7

[dropcap style≠’circle’]A[/dropcap] primeira-ministra britânica, Theresa May, defendeu hoje um “diálogo construtivo” com o Presidente norte-americano, depois de este não ter apoiado o comunicado final da cimeira do G7, marcada pela sua imposição de taxas alfandegárias ao alumínio e ao aço.

“A perda de comércio devido às tarifas aduaneiras prejudica a concorrência, reduz a produtividade, elimina os incentivos à inovação e torna todos mais pobres. Em resposta, a União Europeia deve impor contramedidas”, sustentou May na Câmara dos Comuns.

“Mas precisamos de evitar uma escalada contínua deste ‘toma lá, dá cá’. Por isso, é positivo que tenhamos tido um debate franco e direto nesta cimeira (que decorreu no fim de semana), e que o Reino Unido, como defensor do livre comércio, continue a favorecer um diálogo construtivo”, acrescentou a chefe do executivo britânico.

Segundo a responsável, os países “há muito tempo aliados” dos Estados Unidos não podem “fazer progressos ignorando as preocupações dos demais”, mas sim “enfrentando-as juntos”.

May indicou que foi “clara” com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o encontro no Canadá e lhe disse que as tarifas que impôs às importações de alumínio e aço da União Europeia, Canadá e México, entre outros países, “são injustificadas”.

Nesse sentido, a primeira-ministra britânica disse que o seu Governo “fará a sua parte” em Bruxelas para “se assegurar de que a União Europeia adota as ações corretas e proporcionadas, de acordo com as normas da Organização Mundial do Comércio”, em resposta à decisão dos Estados Unidos.

“O importante é sermos capazes de nos sentarmos e falarmos sobre estes problemas juntos, de partilhar a informação que precisamos de partilhar e de encontrar um caminho para ir em frente”, salientou a governante britânica, que em julho espera a visita de Trump ao Reino Unido.

“Devemos conseguir que o sistema de comércio internacional assente em normas funcione melhor”, defendeu May, para quem “as ações multilaterais são o melhor caminho para o conseguir”.

Na câmara baixa do parlamento britânico, a primeira-ministra sublinhou também que os Estados Unidos apoiaram Londres nas últimas semanas “em termos do número de diplomatas russos que expulsaram” após o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal com uma substância neurotóxica em Salisbury, Inglaterra.

Washington expulsou 60 diplomatas de Moscovo em resposta a esse ataque em solo britânico, pelo qual o Governo de Londres responsabilizou o Kremlin.

Antes da comparência da chefe do executivo na Câmara dos Comuns, o seu porta-voz oficial indicou que o Reino Unido espera que Washington cumpra “os compromissos” que assumiu no G7, apesar de Trump ter ordenado a retirada do seu apoio ao comunicado final da cimeira.

“O comunicado foi acordado por todas as partes que assistiram ao G7”, disse a mesma fonte, frisando que Londres tem a intenção de cumprir o texto “na totalidade”.

“Esperamos que os Estados Unidos cumpram também os compromissos que assumiram”, declarou o porta-voz de May.

12 Jun 2018