João Luz Eventos MancheteLisboa | Esculturas de Bowie Lio na Galeria Arte Periférica, no CCB, até 22 de Julho A artista de Macau Bowie Lio Pou I tem uma exposição patente na Galeria Arte Periférica, em Lisboa, intitulada “Mãe Terra”. A mostra reúne uma colecção de trabalhos que celebram a ligação entre corpo, território e natureza Foi inaugurada na sexta-feira em Lisboa, na Galeria Arte Periférica, a exposição “Mãe Terra” da artista de Macau Bowie Lio Pou I, que reúne esculturas e trabalhos que resultam da residência artística na capital portuguesa. A mostra vai estar patente na galeria, que fica no Centro Cultural de Belém, até ao dia 22 de Julho. Segundo um comunicado da galeria, a exposição da artista, que venceu o Prémio da Fundação Oriente, representa uma celebração das ligações que se estabelecem entre corpo, território e natureza. Actualmente em Portugal, em residência artística promovida pela Arte Periférica, Bowie Lio aprofunda a sua investigação visual e amplia o diálogo entre Macau e o contexto artístico português, refere a organização. Durante o período da residência artística, “a Arte Periférica organiza também uma exposição de curta duração, oferecendo ao público a oportunidade rara de conhecer de perto a sua linguagem poética, espiritual e ecológica”. A artista indica que as obras expostas em Belém evocam um “sussurro” de retorno às origens e “um hino à terra”. “Esta série é a minha resposta à terra, ao sopro vivo da natureza, à insistência silenciosa da própria vida. Nascemos da terra; acalentados, moldados e sustentados por ela, as nossas raízes entrelaçadas com as dela, as nossas histórias entrelaçadas na paisagem. Desse sentimento de pertença brotam estas obras”, indica Bowie Lio. Reflexões frágeis Esta é a terceira exposição em nível individual da artista de Macau, depois de se ter estreado “a solo” em 2022 com “Roam – Exposição de Cerâmica”, que esteve exposta na Incubadora de Indústrias Criativas do espaço 10 Fantasia, ao lado do Albergue SCM. No ano passado, Bowie Lio apresentou “The Whims of Creation”, no Salão de Outono da Art for All Society (AFA). Sobre as obras que marcam a sua primeira mostra fora de portas, a escultora alia a expressão criativa aos elementos e ao mundo natural. “Torno-me a Mãe Terra: construo montanhas que perfuram as nuvens, cumes que se respondem uns aos outros como ecos antigos. Nuvens pálidas inclinam-se sobre os meus ombros, dobrando-se nas cavidades quentes dos vales com florestas, em busca de abrigo na curva das minhas colinas”, reflecte. A artista reforça que “Mãe Terra” é mais do que um símbolo: “É memória e promessa, um espelho vivo da nossa frágil ligação com o mundo natural. Através destas obras, convido à contemplação e ao cuidado que elas despertem uma relação mais terna e responsável com os lugares que nos acolhem”. Bowie Lio licenciou-se em Artes Visuais no ainda Instituto Politécnico de Macau e participou, em 2019, num intercâmbio de estudantes com a Escola Superior de Artes e Design, nas Caldas da Rainha. Desde 2020 tem participado em diversas exposições colectivas em Macau, Guangzhou e em Lisboa.
Hoje Macau EventosPresidente do CCB quer transformá-lo numa “cidade aberta” para o público [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] presidente do Centro Cultural de Belém, Elísio Summavielle, quer deixar uma marca de “cidade aberta” no funcionamento deste equipamento cultural, com uma programação “eclética e coerente” para os públicos que tem recebido, ao longo de 25 anos. Numa entrevista à agência Lusa, a propósito da efeméride, que se cumpre no dia 21 de março, com a celebração de um “Dia Aberto”, o responsável recordou que esse conceito de “cidade aberta” é inspirado no arquiteto Vittorio Gregotti, autor do projeto do CCB, em conjunto com Manuel Salgado. “Em 1992, Vittorio Gregotti falava nesse conceito de cidade aberta para o funcionamento do CCB. É nele que se inspira esta ideia de uma programação mais aberta, com a qualidade e diversidade que estamos a atingir cada vez mais”, avaliou Elísio Summavielle. Depois de terminada a Presidência Portuguesa da União Europeia, o CCB começou a apresentar uma programação cultural dirigida a vários públicos, com espetáculos que passaram pela música erudita, o jazz, o pop e o rock, a dança e o teatro, abriu uma Sala de Leitura, ciclos dedicados à literatura, acrescentando ainda as atividades pedagógicas para os mais novos na Fábrica das Artes. Para os próximos anos, o presidente do CCB quer projetos de maior ambição, com mais eventos de verão, ao ar livre, nos jardins, nomeadamente, já este ano, com festas e cinema, para celebrar, entre outros temas, os 50 anos dos acontecimentos de maio de 1968. “O próprio público fará esse julgamento, mas temos uma programação mais eclética. Criámos temporadas e ciclos sobre as artes, o pensamento”, recordou, acrescentando que o centro cultural também tem procurado criar projetos em parceria, como já aconteceu com o Teatro Nacional de São Carlos, na ópera. Ainda nas parcerias, o responsável considera importante reforçá-las também noutras áreas, como na música contemporânea: “Há qualidade na produção artística dos nossos jovens, e é papel do CCB estimular a criação nas artes performativas”. Uma das novidades introduzidas por Elísio Summavielle – que entre os seus antecessores teve Vasco Graça Moura – nomeado pelo ministro da Cultura João Soares, foi o cinema: “Tal como eu previa, está a ser um sucesso. Temos tido casa, senão cheia, quase, para ver grandes filmes, com um auditório de 1.500 lugares para pessoas que gostam de ver cinema à moda antiga”. Para o presidente do CCB, há, sem dúvida, “muito público grisalho”, de pessoas aposentadas, que têm tempo, e frequentam o centro cultural, procurando iniciativas na área da literatura e do pensamento, debates, ou círculos literários. “Mas também temos os mais jovens, as crianças, na programação da Fábrica das Artes, acompanhados muitas vezes pelos avós”, apontou, sobre o tipo de público que frequenta o equipamento cultural. O projeto foi muito contestado ainda antes de acolher, em 1992, a sede da Presidência Portuguesa do Conselho Europeu, mas, ao longo dos anos, foi conquistando o reconhecimento entre os espaços culturais de referência em Lisboa. Este grande complexo arquitetónico – uma das maiores obras públicas do Estado Português do século XX – suscitou polémica logo no final dos anos de 1980, com a escolha da sua localização, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, monumento do século XVI classificado Património Mundial pela UNESCO, devido às linhas despojadas e monolíticas escolhidas para o edifício. Outra mudança polémica foi o fim do Centro de Exposições do CCB, que acabou por ser encerrado para acolher, em junho de 2007, o Museu Coleção Berardo, com as peças cedidas ao Estado pelo colecionador e empresário José Berardo, em regime de comodato, durante dez anos, entretanto renovados. Questionado sobre essa relação com o Museu Coleção Berardo – que renovou, em 2017, o acordo com o Estado para se manter instalado no CCB, e que começou no ano passado a cobrar bilhetes, anteriormente gratuitos – Elísio Summavielle indicou que o centro cultural não recebe nada dessa receita. “As receitas de bilheteira revertem para o Museu Coleção Berardo e a sua programação e recursos humanos. A manutenção do espaço, energia, segurança continuam a ser custos assegurados pela Fundação CCB”, disse. Nestes 25 anos, a programação de espetáculos levou, aos palcos do CCB, música, teatro, dança, artistas nacionais e estrangeiros de várias áreas, como a coreógrafa Pina Bausch, a meio-soprano Cecília Bartoli, os maestros Jordi Savall, Ton Koopman e Jos van Immerseel, os pianistas Maria João Pires, Keith Jarrett e Bernardo Sassetti, o compositor Philip Glass, a banda Sigur Rós, e outros músicos como Anner Bylsma, Jean-Guihen Queyras e Roel Dieltiens. Foi no CCB que se estrearam os portugueses The Gift e atuaram, entre outros, os Madredeus, os GNR, Sérgio Godinho, Luís Represas, Jorge Palma, Mariza, Camané, Fausto e Jorge Palma.