Obra atribuída a Banksy roubada da sala parisiense Bataclan

Uma obra atribuída ao artista de rua britânico Banksy que homenageava as vítimas dos atentados de Novembro de 2015 na sala de espetáculos Le Bataclan, em Paris (França), foi roubada, anunciou no Twitter a equipa daquele estabelecimento.

A obra de arte em que se podia ver uma menina com um véu a cobrir-lhe a cara apareceu, em Junho de 2018, na porta de saída de emergência do Bataclan e foi roubada, anunciou este fim de semana a equipa do Bataclan, que partilhou no Twitter a sua “profunda indignação” sobre o desaparecimento de uma obra que “pertencia a todos, vizinhos, parisienses, cidadãos do mundo”.

A pintura foi realizada numa porta de saída de emergência da sala de espetáculos Le Bataclan por onde muitas pessoas escaparam do ataque terrorista realizado por um grupo de terroristas do Estado Islámico (EI) que atirou indiscriminadamente contra o público matando 130 pessoas a 13 de Novembro de 2015, durante um concerto da banda norte-americana Eagles of Death Metal.

Segundo a agência de notícias francesa AFP, o roubo ocorreu na noite de sexta-feira para sábado e os responsáveis pelo roubo estavam encapuzados e levaram a obra num camião.

Em Novembro de 2018, a cidade de Paris prestou homenagem aos 130 mortos e mais de 400 feridos no ataque no dia 13 de novembro com uma cerimónia e colocando na Torre Eiffel mais de 50 mil cartas de condolência enviadas de todo o mundo, noticiou a Lusa na altura.

Em Janeiro de 2016, três porteiros portugueses foram distinguidos, com a Medalha de Bronze da Cidade de Paris por terem ajudado a socorrer as vítimas do ataque terrorista ao Bataclan a 13 de Novembro de 2015.

28 Jan 2019

Mostra de Banksy em Hong Kong até 7 de Dezembro

A Phillips Gallery, casa em Hong Kong da leiloeira com o mesmo nome, recebe até ao próximo dia 7 de Dezembro uma exposição do anónimo e incontornável Banksy, o mais conhecido nome do street art. A mostra é constituída por 27 trabalhos, alguns deles imagens icónicas de intervenção social e política. Apesar da entrada livre, as obras expostas estão à venda.

Depois do muito badalado episódio de “Girl With Balloon”, o quadro de Banksy que se autodestruiu depois da última licitação na prestigiada Sotheby’s em Londres, o foco do mundo artístico vira-se para Hong Kong, mais precisamente na Ice House Street em Central, onde o trabalho do britânico está exposto. Recorde-se que a imagem destruída remotamente depois da última licitação, foi vendida por 1.4 milhões de dólares americanos, uma história à qual voltaremos.

A exposição organizada pela leiloeira, com o título “Banksy: Who’s Laughing Now?”, conta com trabalhos de séries bastante conhecidas como “Love is in the Air”, “Girl with Balloon”, “Love Rat”, “Laugh Now”, e “Avon & Somerset Constanbulary”. Além destas peças, facilmente reconhecíveis, estão expostos (e à venda) trabalhos nunca antes expostos. A Phillips fez questão de caracterizar os trabalhos originais e “prints” como peças que pertencem a “uma importante colecção europeia”. Miety Heiden, da direcção da leiloeira, referiu que “a exposição ilustra as conquistas de Banksy ao longo das duas últimas décadas. Um visionário e pioneiro na vanguarda da street art desde os anos 1990, Banksy dedicou a sua carreira a desafiar a percepção da sociedade no confronto entre a arte de rua e as belas artes.”

Os trabalhos expostos em Central têm preços entre 200 mil HKD e 30 milhões de HKD, 17 deles nunca foram submetidos a leilão.

Rir para não chorar

Um dos destaques entre as obras apresentadas, que dá nome à mostra, é uma peça com seis metros de largura intitulada “Laugh Now” onde figuram dez macacos com mensagens escrita “riam agora, que um dia estaremos nós no poder”, numa das habituais alusões a um futuro distópico tema de Banksy.

Outro dos temas recorrentes do guerrilheiro artístico é o desdém pelo comercialismo, como ficou bem patente no episódio do quadro que se auto-destruiu em Londres. Porém, o tiro saiu-lhe pela culatra. Assim que a imagem começou a ser retalhada, o próprio licitador caracterizou a situação como “um brilhante momento à Banksy”.

Apesar da destruição de “Girl With Ballon” ser acto de guerrilha artística contra a mercantilização do mercado das artes, o quadro muito provavelmente valorizou depois do incidente. Aliás, Alez Branczik da Sotherby’s disse mesmo em conferência de imprensa que “Banksy não destruiu uma obra de arte, criou uma”, ou seja, o mercado anti-mercado está em alta. A própria compradora da obra confessou que quando o quadro começou a ser rasgado ficou em choque mas que, gradualmente, apercebeu-se que acabara de adquirir um pedaço da história da arte moderna.

28 Nov 2018

A fragância do riso

Menina e Moça, Lisboa, 3 Outubro

Sem conseguir estancar a sangria, parar o relógio, cegar a agenda, por entre idas e vindas ao Fólio, dou uma saltada à Menina e Moça, a livraria da Cristina [Ovídio], entalada entre alcatrão pink e céu tintado pelo [João] Fazenda. Trouxe comigo o Rui [Garrido], de modo a podermos concluir se quem vê capas também pode ver corações. Indisciplinadamente, ou não estivéssemos sentados em mobília de infantário a beber como gente grande, discutimos muito para pouco concluir. Apesar da venenosa massificação, e da desatenção comercial, encontramos livros desenhados com cuidados de leitor, a procurar oferecer à primeira vista, ao primeiro toque, um sinal do que lhes vai no miolo. O livro a esticar-se objecto, quase um ser, pelo menos para os sentimentais que neles veem amigos, ferramentas que mudam vidas. O Rui contou da sua experiência de muitos anos e formatos e encomendas e cretinos, ajudando a desmontar essa ideia-feita de que a capa pode ser responsável por fazer ou desfazer bestas céleres. Ou até que deva ser pensada dessa maneira tacanha e desviante. Nas grandes fábricas da livralhada asséptica, tudo começa e acaba aí: na suprema ideia de venda. Nem que seja ao engano, prometendo por fora tema ou experiência ou escrita ou qualidade que não se encontra dentro. O Rui já nos ofereceu logótipos, ergueu grandes livros, pintou capas, e posso testemunhar da inteligência atenta a cada detalhe e desejosa de brincadeira. Por aqui sacrificamos, ainda que em cadeiras de adulto, ao deus lúdico.

Facebook, 6 Outubro

Divertida, a maneira como Bansky voltou a navalhar a arte enquanto jovem assunto. Serão feridas, serão arranhões, que a morte não bate assim? Três ou quatro fitas para reflectir na encenação: a galeria desconhecia por completo a moldura armadilhada? E uma com bomba incluída, passaria nas análises dos peritos? Quem o foi o primeiro dono da peça, ele próprio, orquestrando a cena? Era suposto a menina ser toda rasgada, ou o rosto escondido, o corpo cortado e o balão esvoaçando propõem nova versão? Há meias-destruições? A obra agora consiste apenas na moldura com original estraçalhado ou deve incluir os olhares e as expressões e os murmúrios durante a performance? Outras duas para pensar na atitude: Bansky quer mesmo fugir do mercado, fazer das ruas a sua galeria, das redes o lugar de debate? Que outra expressão artística se alimenta tanto da (auto) crítica como as plásticas? Por junto, eis mais umas quantas golpadas para o dinheiro, motor do velho assunto arte: a menina agora fendida vale mais, muito mais que o milhão que a arrematou. E o valor artístico mede-se em contado? Milagre da multiplicação do vazio. Valha-nos S. Dada. Um balão, neste espelho, nunca será apenas um balão.

Fundação Eugénio de Almeida, Évora, 13 Outubro

O Pedro [Proença] desafia tempestades anunciadas com inauguração em Évora, que ficará Março do ano que aí vem correndo contra mim. «O Riso dos Outros», mais do que exposição, instalou-se por uma boa dezena de salas e em nós como máquina produtora de histórias, de personagens, de reflexos e reflexões, de experiências sensoriais. O Pedro não pára um segundo, nem de pensar e menos ainda de fazer, em excesso celebratório de uma invejável alegria de viver. Tenho assistido com prazer à desmultiplicação de heterónimos que fazem vida a experimentar as relações das imagens com a literatura, da palavra tornada imagem, etc.. Se por um lado, a arte se deixa pensar em toda a sua gramática, nos seus processos, por outro, a bichocarpinteirisse criou, além de um sem número de livros, algumas passagens à parede destas ideias. Nesta mais recente, desmultiplicou-se em curador, João Gafeira, para convocar à livre criação sete artistas: John Rindpest, Sandralexandra, Sóniantónia, Pedro Proença, Rosa Davida, Pierre Delalande e Bernardete Bettencourt. Podemos, portanto, experimentar instalações, gigantescos frescos, colagens, fotografias, jogos com etiquetas-títulos-aforismos, pintura de frases e seus duplos, postais de viagens ao imaginário das viagens, formatos variegados, poesia solta, sarcasmo avulso [ver foto algures na página], telas. O jogo faz-se em idas e voltas ao texto, nas legendas e enquadramentos, nos títulos, nas frases soltas, claro, nas biografias. Há por aqui qualquer coisa de Oulipo, que nos convoca ao jogo de espelhos, a continuar a produção. Sofro de afecções peculiares suscitadas por cada um dos artistas incarnados, mas o Rindpest com a sua pintura de palavras toca-me mais além: «eu sou o texto que trai a sua sombra». Se parece artificial, tal se deve à minha inabilidade, que no Palácio da Inquisição, ampliada pela lente do humor inteligente, acontece muita vida, carne, sangue, suor e lágrimas. E, se a vida fede, como diz o Henrique [M. B. Fialho], em um dos seus contos, há que crer na «revolução interna que ajude o corpo a exalar uma fragância simpática, agradável, aprazível, a fragância do riso».

Biblioteca, Oeiras, 13 Outubro

«Geração Espontânea», o ciclo de conversas de «novos autores da língua portuguesa com o seu público» incluiu este mês o Valério [Romão]. A terra não tremeu com a conversa, orientada pelo José Mário Silva, mas não carecia. Uma primeira surpresa confirma a velha ideia de que as bibliotecas conservam tesouros. A receber-nos, um primeiro «romance», que o autor renega com (imberbe) veemência. Nenhum dos mais recentes estava à vista, embora disponíveis no final. Estavam, contudo, nas mãos dos leitores. E aqui reside a segunda surpresa, um lembrete para quem que ache tempo perdido tais sessões (quem nunca?): no final, as intervenções foram pura curiosidade, dúvidas luminosas e comentário inteligente. As bibliotecas ainda conservam leitores.

Casa da Cultura, Setúbal, 26 Outubro

Multiplicaram-se por estes dias cinza as vezes em que me sentei ao lado do Henrique [Manuel Bento Fialho], e delas todas conservo a rara sensação de que a conversa nos saiu, mais a ele, que a mim só me cabe suscitar, prazenteira e fluida que nem flume, rio ardendo na corrida para a foz que não chegará nunca. Desta vez, e para além do costumeiro distribuir de jogo sobre «A Festa dos Caçadores», mostrando aqui e ali um trunfo, o Henrique ergueu-se apreciador e intérprete do Zeca [Afonso]. Acabámos a trautear, mais ele, que só me cabe desafinar, a surrealista ternura: «Era um redondo vocábulo/ Uma soma agreste/ Revelavam-se ondas/ Em maninhos dedos/ Polpas seus cabelos/ Resíduos de lar […]»

Prazeres, Lisboa, 29 Outubro

As almas livres também se perdem? Só deambular á toa permite a descoberta. O Zé [Sarmento Matos] (1946-2018) ia sempre um pouco mais longe, mais adiante, e não apenas no calcorrear da cidade. Não se limitava a recolher informação, que o fazia e como poucos, mas arriscava interpretações. Com risco. Dava ideia que os seus passos faziam cidade, desenhavam-na. E os seus olhos tiravam da sombra, iluminando, o esquecido, o ignorado, o oculto. Lisboa não lhe escondia nada. Fez livros, não tantos como devia, mas o que trouxe a lume garante-lhe lugar de destaque na olissipografia. Devemos-lhe, ainda, a toponímia mais aventurosa do mundo e arredores. Por causa do Zé, Lisboa tem tatuada na pele ruas como a da Ilha dos Amores ou travessas Sandokan, Sinbad o Marinheiro ou Corto Maltese.

Na despedida, o ataúde não entrou à primeira na cripta dos escritores. O que não te deves ter rido… Não, não foi erro de construção arquitectónica e coiso. A cidade apenas não estava preparada: falta um beco, que seja, com o teu nome. Não esperas pela demora.

7 Nov 2018

Obra de Banksy auto-destrói-se após ser leiloada pela Sotheby’s

Uma obra do artista Banksy, cuja verdadeira identidade se desconhece, destruiu-se depois de ser vendida por 1,04 milhões de libras na leiloeira londrina Sotheby’s.

O próprio autor divulgou, na sexta-feira, uma fotografia na rede social Instagram no momento em que o quadro “Girl with balloon” (“Rapariga com balão”, na tradução livre) se desfaz em tiras ao passar por uma trituradora de papel instalada na parte inferior do quadro.

“Vai, vai, foi-se”, escreve Banksy sobre a imagem, numa alusão às palavras pronunciadas pelos leiloeiros quando concluem a venda a um cliente.

“Parece que acabámos de ser ´Banksy-tados”, admitiu o diretor de arte contemporânea da Sotheby´s, Alex Branczik, após a licitação da obra, de acordo com o que se ouve nos vídeos colocados nas redes sociais, nos quais é também visível a surpresa com que reagiu o público.

Datada de 2006, a obra, leiloada na sexta-feira à noite, que mostra uma rapariga a tentar alcançar um balão em forma de coração, era uma versão em tela de um desenho que surgiu a primeira vez como grafite numa rua no leste de Londres e que, em 2017, foi eleita a obra favorita da nação.

Originário da cidade de Bristol, Banksy ficou conhecido pelos seus grafitis subversivos que têm surgido um pouco por todo o mundo, de Londres à Palestina, o que fez dele um artista cotado.

7 Out 2018

Arte de rua | Banksy pinta mural em protesto contra detenção de artista turca

O artista britânico Banksy pintou um mural em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em protesto contra a prisão da artista e jornalista Zehra Dogan, por ter pintado a bandeira turca sobre os escombros de uma cidade.

O mural, com cerca de vinte metros de comprimento, é composto por vários conjuntos de traços, como os que os prisioneiros pintam para contar os dias de cárcere, que se assemelham a barras das celas. Num desses conjuntos, que representam os dias de prisão de Zehra Dogan, surge o rosto da jovem turca, agarrada a duas grades, uma das quais assemelhando-se a um lápis.

De acordo com o grupo de defesa dos Direitos Humanos PEN International, a artista e jornalista turca foi condenada em Março do ano passado por “propaganda para uma organização terrorista”.

Banksy, numa publicação na sua página oficial na rede social Instagram, escreveu que Zehra Dogan “foi condenada a quase três anos de prisão por ter pintado uma única imagem”.

No canto inferior direito do mural lê-se: “Libertem Zehra Dogan”. Na origem da condenação de Zehra Dogan está uma pintura da cidade turca de Nusaybin, no sudeste maioritariamente curdo da Turquia, destruída pelas forças governamentais turcas. A pintura foi feita a partir de uma fotografia, onde se vê várias bandeiras turcas suspensas em edifícios destruídos.

A imagem foi projectada na quinta-feira à noite no mural que Banksy pintou em Nova Iorque. A pintura foi feita num muro celebrizado por vários artistas ligados ao ‘graffiti’, no cruzamento da Houston Street com Bowery, na zona de Manhattan.

A ‘Parede Mural de Bowery’, tem acolhido, desde finais dos anos 1970, trabalhos de, entre outros, o norte-americano Keith Haring, os brasileiros Os Gémeos e o francês JR.

Nos últimos dias, Banksy, cuja verdadeira identidade é desconhecida, criou uma outra obra em Manhattan: um rato, figura frequente nos trabalhos do artista, a correr num relógio situado num prédio, que vai ser demolido, num cruzamento da Sexta Avenida e a Rua 14.

19 Mar 2018