Ásia | Hegseth diz que reforço militar chinês dá “razões legítimas para alarme”

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou sábado que há “razões legítimas para alarme” face ao reforço militar chinês na Ásia-Pacífico, onde os Estados Unidos desejam um “equilíbrio estável” e rejeitam qualquer “hegemonia”.

“Olhando para a região hoje, há razões legítimas para alarme face à dimensão histórica do reforço militar da China e à expansão das suas actividades militares na região e além dela”, declarou Hegseth em Singapura, durante o Diálogo de Shangri-La, um importante fórum dedicado a questões de defesa.

O Diálogo de Shangri-La reúne, durante três dias e até domingo, altos responsáveis políticos e militares, bem como especialistas e investigadores de cerca de 45 países.

Este fórum anual alterna discursos, mesas redondas e entrevistas privadas no luxuoso hotel Shangri-La. Um ambiente propício a discussões, mesmo entre países rivais, seja em sessões públicas ou na intimidade de salões acolhedores, longe dos microfones.

“O que procuramos (…) é, na verdade, um equilíbrio estável, que funcione tanto para os americanos como para os nossos aliados”, afirmou ainda Pete Hegseth, que se fez acompanhar de uma extensa delegação. Em contrapartida, a China enviou, pelo segundo ano consecutivo, apenas uma equipa de especialistas militares e investigadores, sem enviar o seu ministro da Defesa, Dong Jun.

1 Jun 2026

Pequim diz que relações militares com EUA estão a estabilizar-se pelo diálogo

A China afirmou ontem que as suas relações militares com os Estados Unidos estão a estabilizar, uma vez que as duas forças armadas estão novamente a manter diálogos estratégicos de alto nível para evitar erros de cálculo.

“As duas forças armadas mantêm uma comunicação de alto nível, mas também a nível político, e diálogos e intercâmbios institucionalizados em domínios especializados. Estes contactos têm como objectivo melhorar a compreensão mútua, evitar erros de cálculo e gerir e controlar os riscos”, disse o porta-voz do ministério da Defesa chinês, Zhang Xiaogang, em conferência de imprensa.

O governo dos Estados Unidos disse na quarta-feira que a China informou com antecedência sobre o primeiro lançamento público de um míssil balístico de longo alcance em décadas e agradeceu o aviso, dizendo que foi um passo na direcção certa.

O porta-voz Zhang afirmou que a política nuclear da China é “estável, consistente e previsível” e reiterou que o país sempre seguiu uma política de “não utilização prévia de armas nucleares e uma estratégia nuclear centrada na auto-defesa”.

“A China não se envolve em corridas ao armamento e compromete-se a não utilizar ou ameaçar utilizar armas nucleares contra Estados sem armas nucleares ou em regiões sem armas nucleares e mantém as suas capacidades nucleares ao nível mínimo necessário para a segurança nacional”, afirmou.

Rumo certo

A extrema opacidade do programa nuclear chinês suscitou críticas de países como os Estados Unidos, que estimam que o país asiático possui mais de 500 ogivas nucleares operacionais e poderá duplicar este número até 2030.

A porta-voz do Pentágono considerou positivo o facto de Pequim os ter informado: “É positivo e vai na direcção certa. Reduz o risco de quaisquer equívocos e erros de cálculo”, afirmou.

No final de Setembro, os altos responsáveis militares chineses e norte-americanos realizaram uma ronda de conversações em Pequim, depois de terem retomado as reuniões em Janeiro, que tinham sido suspensas durante dois anos devido à deterioração das relações.

26 Set 2024

Ucrânia: Putin nega uma aliança militar com a China

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou ontem uma possível aliança militar com a China, na guerra da Ucrânia, e garante que suas relações neste âmbito com Pequim limitam-se apenas à cooperação geral.

Vladimir Putin esclareceu os rumores que apontavam para uma possível ligação militar entre os dois países, relativamente à guerra na Ucrânia, após a visita a Moscovo do seu homólogo da China, Xi Jinping. “Mantemos uma relação no domínio da cooperação técnico-militar, não a ocultamos, mas é transparente, não há nada secreto”, assegurou o Presidente, numa entrevista ao Rossiya 24 recolhida pelas agências TASS e Interfax.

O Presidente da Rússia insistiu que aquilo que a Rússia tem com a China “não é uma aliança militar. É absolutamente falso”. Por outro lado, Vladimir Putin acusou os Estados Unidos de estar a levar a cabo um plano para “globalizar” as suas alianças, numa coligação internacional para além da Organização do Tratado do Atlântico Norte [NATO na sigla em inglês] contra os interesses russos, ao estilo das potências do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial, em relação ao Reich alemão de Hitler, Itália e Japão.

“O que os Estados Unidos estão a fazer? Eles estão a criar cada vez mais novas alianças, e isso dá aos analistas ocidentais e aos políticos ocidentais, razões para dizer que o Ocidente está a construir novos ‘eixos'”, acrescentou, numa entrevista.

O Presidente da Rússia recordou que, em 2022, a NATO acordou um novo conceito estratégico para o desenvolvimento do bloco “onde está escrito directamente que a NATO vai desenvolver relações com os países da região da Ásia-Pacífico, com países como Nova Zelândia, Austrália e Coreia do Sul”. “Neste documento eles declaram a sua intenção de criar uma ‘NATO global’. Como chamamos isso?”, concluiu.

27 Mar 2023