Portugal | Robô de diagnóstico de medicina tradicional chinesa lançado em Portugal

Um robô de diagnóstico e produção de Medicina Tradicional Chinesa (MTC) desenvolvido em Macau vai começar a ser oficialmente usado em Portugal, com os olhos postos no Brasil e outros mercados de língua portuguesa.

Conhecido como Herbizon, trata-se de um robô que produz bebidas MTC à base de ervas e assenta em tecnologia desenvolvida em conjunto entre a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês), e um laboratório de MTC estabelecido na zona económica especial da vizinha Hengqin (ilha da Montanha) pela Universidade de MTC de Guangdong.

Segundo o responsável do projecto, após superar um ano de testes numa clínica em Lisboa, o robô será formalmente lançado em 17 de Abril na Egas Moniz School of Health & Sciences, em Almada. Hon Chitin, investigador da Faculdade de Engenharia de Inovação da MUST, disse que o robô responde à falta de profissionais qualificados em MTC em áreas rurais ou mais remotas. O projecto teve origem em 2023, quando Hon identificou um estrangulamento logístico na prestação de cuidados de MTC.

“Tradicionalmente, a preparação de uma única prescrição de MTC exige a recolha de ervas cruas e a sua cozedura durante um período que pode chegar a cinco horas, seja em casa ou num hospital. Normalmente, demora pelo menos meio dia”, afirmou Hon, observando que os recursos médicos de qualidade de MTC na China estão frequentemente concentrados nas grandes cidades.

O professor idealizou então um sistema que pudesse fornecer um “serviço de MTC padronizado e de qualidade” em áreas rurais ou distantes, automatizando tanto a avaliação como a preparação da bebida. A abordagem de engenharia de Hon foi inspirada por uma unidade de fabrico de mil metros quadrados na cidade chinesa de Wuhan, que utilizava um grande braço mecânico para triar mais de mil tipos de ervas. “Pensei que, se eles conseguem operar por máquina, nós podemos fazer em pequeno”, recordou Hon.

O dispositivo resultante, fabricado na cidade de Zhongshan, na província de Guangdong, condensou a capacidade industrial numa única caixa. O sistema gerou uma biblioteca interna de 14 fórmulas de chás inteligentes, seleccionadas entre mais de 1.300 substâncias, e consegue entregar uma bebida à base de ervas personalizada em três a oito minutos.

Grande escala

A inteligência artificial que opera o Herbizon baseia-se num modelo de linguagem de grande escala treinado em extensa literatura médica e clássicos antigos, integrado com o modelo DeepSeek Pro. Segundo Hon, este cérebro digital foi concebido para resolver o problema crónico da inconsistência diagnóstica na MTC, onde diferentes médicos chegam frequentemente a conclusões distintas para o mesmo paciente.

“Queremos que seja estável e consistente”, explicou à Lusa. “Mesma pessoa, mesmo diagnóstico, mesmo resultado, mesmo que repetido cinco vezes”, acrescentou. O robô executa esta tarefa integrando quatro métodos de diagnóstico clássicos — inspecção do rosto e da língua, auscultação, inquérito e análise de pulso — através de percepção multimodal.

De maneira a comercializar o projecto foi criada a companhia Zhuhai Herbizon Technology Co., Ltd., com o sistema atualmente protegido por mais de 10 tecnologias patenteadas e 50 marcas registadas. Segundo Hon, embora o robô já esteja activo em 20 locais na China, o ensaio português serve como um indicador regulatório pois o dispositivo está licenciado em Portugal como um dispensador de bebidas, em vez de um instrumento médico.

Qualidade garantida

Hon observou que, embora a acupuntura seja amplamente aceite no Ocidente, a medicina à base de ervas ainda enfrenta um escrutínio mais rigoroso por se relacionar com o sistema digestivo. “A regulação será mais restritiva”, disse, embora sustente que, para esta máquina, “a qualidade de todo o processo” está garantida.

Hon encara o robô como uma forma de colmatar o fosso entre a medicina ocidental, que depende de testes clínicos para alvos únicos, e a MTC, que aborda os problemas a partir de múltiplos ângulos e através de vários órgãos humanos. “É uma mistura de muitas coisas em termos de química”, afirmou Hon.

Após o ensaio em Lisboa, a equipa pretende concentrar-se no mercado da China continental durante dois a três anos para ganhar escala, antes de regressar para se expandir para o Brasil e outros mercados de língua portuguesa. O robô será apresentado no mesmo dia que se realiza o primeiro Simpósio para o Desenvolvimento de Alta Qualidade da MTC em Portugal, organizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Chinesa.

O evento deverá incluir a assinatura do Consenso de Lisboa 2026, um documento que visa estabelecer Portugal como uma plataforma europeia para a MTC.

15 Abr 2026

Prostituição | 13 detidos em operação do CPSP

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou a detenção de 13 pessoas por suspeitas de prostituição e incompatibilidade com os vistos de entrada no território. Dos 13 detidos, 10 admitiram terem entrado como turistas e estarem a disponibilizar serviços de prostituição.

Entre os detidos, o CPSP afirmou também que havia dois “homens que se vestiam como mulheres”, segundo o jornal Ou Mun. Uma vez que as pessoas exerceram actividades incompatíveis com os vistos de entrada, o caso foi encaminhado para o departamento de imigração.

Além disso, durante a operação foi também verificado que algumas habitações estavam a ser utilizadas para fornecer alojamento ilegal. Os casos foi foram encaminhados para a Direcção de Serviços de Turismo (DST) e os espaços confirmados como alojamentos ilegais foram selados. O CPSP prometeu ainda mais campanhas contra a prostituição e pediu à população que denuncie casos suspeitos.

Extorsão | Paga 7 mil patacas depois de se mostrar nu

Um jovem foi extorquido em mais de 7 mil patacas, depois de ter mantido uma videochamada online sem roupas. O caso foi relatado ontem pela Polícia Judiciária (PJ), e citado pelo jornal Ou Mun. Segundo os pormenores apresentados, o jovem conheceu uma alegada mulher através de uma aplicação online.

Os dois mantiveram-se em contacto até que ela o convidou para fazerem uma videochamada sem roupas. A chamada terá durado cerca de um minuto, e depois de terminada, a mulher enviou várias imagens do jovem nu, exigindo que que o jovem comprasse vários pontos num portal online. Se não comprasse, as imagens seriam divulgadas online. A compra dos pontos implicou um custo de cerca de 7.300 patacas. Feita a primeira compra, a alegada mulher exigiu mais dinheiro, o que levou o jovem a apresentar queixa à Polícia Judiciária. O caso está a ser investigado.

Burla | Perde 13 mil yuan a tentar jogar online

Um residente local foi burlado em mais de 13 mil renminbis, depois de ter tentado jogar num portal de jogo online. De acordo com o caso apresentado pela Polícia Judiciária (PJ), e relatado pelo canal chinês da Rádio Macau, o jovem viu um anúncio online numa rede social e tentou abrir uma conta para transferir 674 unidades de uma criptomoeda, equivalente a 4,583 yuan. Contudo, o portal indicou que o montante transferido tinha ficado bloqueado.

O jovem queixou-se nas redes sociais onde viu o anúncio e foi contactado por um utilizador que afirmou estar ligado à plataforma. Esse utilizador afirmou que ia tenta resolver o problema e que se o residente de Macau transferisse mais 1.000 unidades da criptomoeda iria obter um bónus. O residente fez a transferência e mais uma vez o montante ficou bloqueado. Nessa altura, o jovem percebeu que tinha sido burlado e apresentou queixa. Às autoridades, a vítima admitiu ter por hábito jogar bacará online.

15 Abr 2026

Consumo | Ourivesarias satisfeitas com efeitos de grande prémio

U Gon Seng, presidente do Conselho Fiscal da Associação das Ourivesarias de Macau, elogiou a iniciativa e considera que é muito importante para fazer face à redução da procura naquela que é uma época baixa para as lojas

Desde segunda-feira, que arrancou a ronda mais recente do grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias e logo no primeiro dia a Associação das Ourivesarias de Macau afirmou que as lojas já sentiram uma maior procura. A posição foi tomada por U Gon Seng presidente do Conselho Fiscal da associação, em declarações ao jornal Exmoo.

U Gon Seng afirmou que muitas famílias utilizaram os cupões que ganharam no sorteio para a compra de ouro em grãos e joias em ouro, por terem descontos de cerca de 30 por cento com a iniciativa.

O também empresário, responsável da Joalharia e Ourivesaria Chong Fok, apontou que nos primeiros dias do grande prémio do consumo registou-se um aumento significativo da emissão de recibos, prevendo-se que o volume total de negócios vá aumentar entre 10 e 20 por cento, face aos períodos em que não há incentivos ao consumo.

Segundo o novo modelo da iniciativa, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizarem meios de pagamento electrónicos para contas superiores a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos.

U Gon Seng considera que o novo modelo é positivo porque as oportunidades de ganhar cupões com descontos vão aumentar, dado que haverá menos dias de sorteio por semana. Ao mesmo tempo, o responsável explicou que uma possível valorização do ouro ao longo do ano é tida como um incentivo à compra por parte dos residentes.

Período difícil

O responsável considerou ainda importante a iniciativa e explicou que depois do Ano Novo Lunar o mercado atravessa tradicionalmente um período de menor procura, o que contribui para aumentar a pressão sobre os comerciantes nos bairros comunitários.

Todavia, com este grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias há um maior incentivo ao consumo, que beneficia estes negócios. U Gon Seng sugeriu ainda que o Governo pode continuar a expandir o âmbito dos destinatários para beneficiar mais comerciantes nos bairros comunitários.

Olhando para as expectativas de negócio do sector de joalharia e ourivesaria este ano, U Gon Seng admitiu como natural a correcção do preço, face ao ano passado, mas não afastou a possibilidade de haver uma nova valorização para valores recorde, que podem levar mais pessoas a comprarem produtos de ouro.

U Gon Seng prevê que o preço de ouro possa ultrapassar o ponto mais alto do ano passado e mantém-se optimista, dado considerar que as políticas monetárias em relação ao dólar americano vão estimular a valorização de ouro e outros metais preciosos. A nova ronda do Grande Prémio Para o Consumo Nas Zonas Comunitárias vai distribuir 400 milhões de patacas em descontos ao longo das próximas 10 semanas.

15 Abr 2026

Óbito | Wu Zhiliang lamenta morte de Chan Kai Chon

O presidente da Fundação Macau, Wu Zhiliang, lamentou a morte do ex-director do Museu de Arte de Macau, ex-vice-presidente do Instituto Cultural (IC) e pintor, Chan Kai Chon. A nota de pensar consta num artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun. Chan morreu com 60 anos, em Xangai, no dia 4 deste mês devido a doença, que não foi revelada.

Wu Zhiliang recordou que conhecia Chan Kai Chon há mais de 30 anos e o falecido era uma pessoa talentosa e apaixonada. Wu Zhiliang elogiou Chan Kai Chon e indicou que na sua carreira profissional na Direcção dos Serviços de Educação e Juventude e no IC sempre mostrou uma grande dedicação e sempre desenvolveu todos os esforços para levar a cabo um trabalho exemplar.

15 Abr 2026

Seguros | Vendedores não conseguem receber comissões

Os veículos com matrículas duplas de Macau e Hong Kong precisam de três seguros para circular na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. No entanto, quando os vendedores de Macau contribuem para a compra dos seguros fora da RAEM estão legalmente impedidos de receber comissão

Os vendedores de seguros em Macau que ajudam os proprietários de veículos com matrícula dupla de Hong Kong e de Macau a obterem seguros para circularem na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau não estão a receber comissões pelo serviço. A situação foi denunciada pelo deputado Leong Sun Iok, que indica existirem impedimentos legais em Hong Kong a bloquear o pagamento das comissões.

Actualmente, uma vez que grande parte da ponte fica na jurisdição do Interior, os residentes com matrícula de Macau e Hong Kong precisam de adquirir seguros nas três jurisdições. Estes seguros podem ser comprados em Macau, através dos serviços “one stop”.

No entanto, mesmo quando a compra acontece em Macau e por veículos de Macau, a legislação em vigor em Hong Kong impede que se paguem comissões sobre esses seguros em Macau. Segundo Leong, o “sector” dos seguros “presta apoio aos residentes no tratamento dos seguros legais dos três locais para ‘veículos de dupla matrícula de Hong Kong e de Macau’, através do mecanismo ‘one stop’”, mas depois “esses trabalhadores não conseguem obter a respectiva retribuição pelo serviço prestado”.

Frutos do desenvolvimento

Neste sentido, e dado que muitas vezes o registo inicial da viatura aconteceu em Macau, onde a primeira matrícula foi emitida e o veículo circula principalmente, Leong Sun Iok pede ao Governo que crie um mecanismo com as autoridades de Hong Kong, para permitir pagamentos aos trabalhadores em Macau. “Sugere-se que se estude, em conjunto com Hong Kong, a possibilidade da criação de um ‘mecanismo de conformidade’, com base no ‘local onde foi efectuado o registo inicial e a primeira matrícula de veículo’, para permitir que os referidos trabalhadores de Macau possam obter uma retribuição correspondente”, apontou.

Leong argumenta ainda que esta questão passa por defender “os direitos e interesses” dos trabalhadores locais que contribuem para a compra dos seguros, pelo que no seu entender devem ter direito a receber uma comissão.

Na interpelação divulgada no portal da Assembleia Legislativa, Leong Sun Iok pede ainda que as autoridades acelerem a política de reconhecimento de seguros equivalentes para os veículos que só têm matrícula de Hengqin ou matrícula dupla de Guangdong e de Macau, para ficarem dispensados da compra de dois seguros de responsabilidade civil de automóvel.

15 Abr 2026

Macau | Feira de Turismo fecha com 60 acordos assinados

A Expo Internacional de Turismo de Macau encerrou após três dias de actividades, marcados pela assinatura de cerca de 60 protocolos de cooperação e pela estreia de pavilhões dedicados à tecnologia turística e à economia de baixa altitude. A 14.ª edição do evento teve lugar de 10 a 12 de Abril no hotel-casino Venetian Macau e contou com mais de 700 expositores dos mercados nacional e internacional, e nove de países de língua portuguesa.

Segundo a organização, perto de 120 instituições e associações ligadas à cultura e ao turismo participaram na cerimónia de assinatura realizada no sábado, abrangendo áreas como a expansão global do turismo, a indústria digital e inteligente, a integração da medicina com o turismo e a iniciativa Nova Rota da Seda.

Um dos destaques da expo foi o “Pavilhão da Tecnologia Turística”, que reuniu empresas como a AutoNavi, a iFlytek e a Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), apresentando produtos e serviços tecnológicos aplicados ao sector. Também estreou o “Pavilhão da Economia de Baixa Altitude”, com empresas como a gigante chinesa de drones DJI e a empresa de aeronaves EHang a mostrarem soluções para tráfego aéreo urbano e turismo de baixa altitude.

A economia de baixa altitude é um novo sector económico focado no uso de aeronaves civis tripuladas e não tripuladas (drones) em altitudes entre 1.000 a 3.000 metros. A expo apostou também na demonstração de ferramentas digitais para a indústria do turismo, incluindo um sistema inteligente de navegação 3D para orientar os visitantes em Macau.

Na abertura do evento, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, disse que face “às incertezas da conjuntura internacional e da geopolítica”, Macau espera alargar a origem dos turistas. As autoridades de Turismo de Macau declararam estar a ponderar cobrir os custos de transporte dos turistas internacionais que aterrarem no aeroporto de Guangzhou, no sul da China, para se deslocarem ao território.

14 Abr 2026

Hengqin | Mais de 700 casos judiciais ligados a Macau

Os tribunais de Hengqin resolveram, entre 2022 e Dezembro do ano passado, um total de 730 casos judiciais relacionados com Macau. Os dados foram noticiados pelo jornal Ou Mun e revelam que estes processos envolveram pedidos de auxílio judiciária à RAEM, nomeadamente a obtenção de provas num período de oito dias, tido como o mais rápido possível, a cumprir pelos tribunais locais.

No início de 2022, o Supremo Tribunal Popular da China autorizou os tribunais da Zona da Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, bem como os tribunais de Qianhai, Shenzhen, Nansha, Guangzhou e o Tribunal de Última Instância de Macau a tratarem de pedidos mútuos de citações ou notificações em processos judiciais, ou relacionados com as provas inerentes aos casos.

14 Abr 2026

Motociclos | Registadas mais de seis mil infracções em 2025

O CPSP aplicou, no ano passado, mais de seis mil infracções a motas que estacionaram de forma ilegal ou que obstruíram a entrada e saída de outros motociclos. Conselheiro do trânsito sugere incentivos para que os residentes consigam estacionar no sítio certo

Continuam elevadas as multas aplicadas aos condutores de motociclos que estacionam onde não podem, e de forma ilegal. Dados fornecidos pelo Corpo de Polícia de Segurança Público (CPSP), e noticiados pelo canal chinês da Rádio Macau, revelam que só no ano passado houve 6095 motociclos que, por estarem mal estacionados, causaram problemas de congestionamento de trânsito, bloqueando acessos ou impedindo a saída de outras motas.

Deste grupo de multas, 664 dizem respeito a motociclos que estacionaram de forma errada, impedindo a saída de outra mota do lugar onde estava estacionada. Os responsáveis do CPSP adiantaram que muitos residentes estacionam os seus motociclos de forma errada, o que faz com que uma mota ocupe dois lugares, obstruindo as faixas adjacentes.

O CPSP explica ainda que, durante as inspecções realizadas pelos agentes, estes analisam o panorama do estacionamento das motas, aplicando multas caso parte da mota esteja a ocupar a outra faixa, obstruindo a circulação no local; ou ainda se as motas estiverem estacionadas de forma a impedir a entrada ou saída de outros motociclos do lugar de estacionamento.

Mais videovigilância

Sobre os lugares onde ocorrem mais infracções do género, o CPSP prometeu comunicar mais com outros departamentos públicos na partilha de informações e opiniões, equacionando a instalação de câmaras de videovigilância ou de detecção de estacionamento ilegal, a fim de melhorar o panorama das multas.

Por seu turno, o membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Wong U Kei, sugeriu que as autoridades lancem ofertas ou acções de promoção em parques de estacionamento a fim de levar os condutores de motociclos a escolher, com prioridade, estes parques para procurarem lugares de estacionamento antes de se deslocarem.

“Podem ser oferecidos mais incentivos aos motociclistas para parques de estacionamento. Recentemente alguns parques públicos oferecem os primeiros 15 ou 30 minutos, o que faz com que os residentes optem pelos parques” ao invés de estacionarem na rua. O responsável acrescentou que os incentivos, como minutos gratuitos ou outros, evitam que “um lugar de estacionamento fique ocupado com dois motociclos”, podendo até “mudar os hábitos de deslocação”.

“Eu sou um desses exemplos, porque antes de me deslocar procuro sempre ver onde há vagas de estacionamento para motos”, disse Wong U Kei.

14 Abr 2026

Eleições | Lee Sio Kuan e mais cinco réus condenados por corrupção

O colectivo de juízes liderado por Cheong Weng Tong condenou seis dos 18 acusados. No entanto, avisou os absolvidos que a sua inocência se deve à falta de prova e não ao facto de não terem praticado factos que se poderiam constituir em crime

Lee Sio Kuan foi condenado a 5 anos de prisão efectiva, pela prática dos crimes de corrupção eleitoral e de falsificação de documentos. A sentença foi lida na sexta-feira no Tribunal Judicial de Base e os factos estão relacionados com a oferta de uma viagem pela Lista Ou Mun Kong I, que participou nas eleições de 2021, no âmbito da recolha das assinaturas para participar no acto eleitoral.

Segundo o jornal Ou Mun, Lee Sio Kuan foi condenado pela prática do crime de corrupção eleitoral e de falsificação de documentos, numa pena de prisão de 5 anos.

Wu U Choi, segundo arguido, foi igualmente condenado pelos mesmo crimes, mas enfrenta uma pena efectiva de prisão mais reduzida de 3 anos e 6 meses. Lee Sio Kuan e Wu U Choi estavam acusados pelo Ministério Público (MP) de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral.

Durante a leitura da sentença, a presidente do colectivo de juízes, Cheong Weng Tong afirmou que o tribunal chegou à conclusão sobre os factos com base no depoimento de 200 testemunhas. Estes depoimentos levaram o tribunal a considerar que Lee Sio Kuan conhecia a dificuldade de recolher as assinaturas válidas a curto prazo, e que por isso utilizou a viagem de meio dia, oferecida de forma gratuita, para recolher as assinaturas.

Segundo as perícias às assinaturas, a escrita de “Ou Mun Kong I” no formulário foi feita por Lee Sio Kuan, enquanto as assinaturas de eleitores foram falsificadas por Wu U Choi.

Muitas absolvições

Além de Lee Sio Kuan e Wu U Choi foi ainda condenada Che Mio Peng, terceira arguida, devido a corrupção eleitoral, na pena de 2 anos e 3 meses. O tribunal deu como provado que Che não contactou com Lee Sio Kuan, mas que manteve contactos com Wu U Choi, pelo que concluiu que houve envolvimento porque tratou de enviar mensagens aos participantes nas viagens a pedir que trouxessem o Bilhete de Identidade de Residente para a viagem e por ter procurado participantes com mais de 18 anos. Houve ainda outros três arguidos condenados pela prática de corrupção eleitoral, na pena de 2 meses.

Apesar das condenações, o tribunal absolveu 12 dos 18 arguidos que eram acusados pelo MP, por considerar que não ficou provado que tivessem cometido ilegalidades. No entanto, a juíza Cheong Weng Tong avisou os absolvidos que a sua não condenação significa apenas que os depoimentos não permitiram provar os factos, mas que não é por isso que se pode considerar que não praticaram os actos criminosos. A juíza disse também aos arguidos que participaram nas viagens que não devem ser gananciosos para obter ganhos pequenos.

13 Abr 2026

Legionella | Detectado caso grave em residente de 65 anos

Os Serviços de Saúde anunciaram um caso “grave” de infecção por Legionella (também conhecida como Doença dos Legionários). De acordo com os dados oficiais, o homem está ligado a um ventilador desde o dia 5 de Abril, mas ainda apresenta sinais vitais.

“O caso foi diagnosticado num residente de Macau, do sexo masculino, com 65 anos de idade, com antecedentes de doenças crónicas e tosse persistente. No dia 1 de Abril, o paciente recorreu ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, devido ao aparecimento de sintomas como hemoptise e tonturas”, foi revelado.

“A radiografia do tórax revelou pneumonia, motivo pelo qual o paciente foi internado para tratamento médico. No dia 5, os sintomas agravaram-se, tendo sido necessária a utilização de ventilação mecânica para auxílio respiratório. No dia 8, o paciente foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos para tratamento contínuo”, foi acrescentado. A origem da infecção é desconhecida, mas o homem não deixou Macau em viagem.

13 Abr 2026

Turismo | Macau quer pagar transportes a turistas de Guangzhou

A medida é uma forma de lidar com o aumento dos preços, explicou Maria Helena de Senna Fernandes. Actualmente, o Governo cobre os custos dos transportes para os turistas vindos do Aeroporto Internacional de Hong Kong

As autoridades de Turismo de Macau declararam que estão a ponderar cobrir os custos de transporte dos turistas internacionais que aterrarem no aeroporto de Guangzhou, no sul da China, para se deslocarem ao território “para atrair visitantes”.

“Estamos a considerar cobrir os custos de transporte para os hóspedes internacionais que cheguem ao Aeroporto Internacional de Guangzhou Baiyun, para que possam viajar para Macau após a chegada”, disse a directora dos Serviços de Turismo (DST) de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes. Guangzhou, capital da província de Guangdong, fica a cerca de 150 quilómetros de Macau.

O Governo de Macau, realçou Senna Fernandes, já cobre os custos de transporte para os turistas internacionais que chegam através do Aeroporto Internacional de Hong Kong, no âmbito do trabalho para diversificar a base de visitantes do território.

A directora afirmou que a nova medida visa responder à “redução de voos do Médio Oriente e da Europa” para Hong Kong devido à guerra no Irão. “Há voos directos da Europa para Xangai, Pequim, Chengdu e Guangzhou,” acrescentou. A responsável falava aos jornalistas no primeiro dia da 14.ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau (MITE).

Muita incerteza

Nesta ocasião, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, disse, durante a cerimónia de abertura, que face “às incertezas da conjuntura internacional e da geopolítica”, Macau espera alargar a origem dos turistas.

“O Governo da RAEM continuará a diversificar a oferta de produtos turísticos, organizar grandes eventos, melhorar as infra-estruturas de apoio e reforçar a divulgação e promoção, aproveitando as oportunidades em tempos de risco e apostando proactivamente na expansão dos mercados internacionais de fonte de visitantes” acrescentou.

O evento, com duração de três dias no hotel-casino Venetian Macau e realizado sob o tema “Convergência Global, Horizontes do Futuro”, incluiu mais de 130 actividades, entre sessões de promoção turística, fóruns do sector, workshops e espectáculos. De acordo com a DST, os sectores abrangidos pelo evento vão desde a hotelaria até aos transportes, empresas culturais e criativas, bem como áreas relacionadas com a estratégia de diversificação económica “1+4” do Governo.

A estratégia “1+4” é o plano de diversificação económica de Macau que visa reduzir a dependência da indústria do jogo. Envolve o reforço do sector principal do turismo e lazer, ao mesmo tempo que promove quatro sectores chave: ‘big health’, finanças modernas, alta tecnologia e convenções, exposições, comércio e desporto.

A DST acrescentou que a expo contou com mais de 700 expositores dos mercados nacional e internacional, e nove de países de língua portuguesa, salientando que a iniciativa vai “ajudar a expandir as redes de negócios” e “promover o intercâmbio turístico regional e internacional”.

13 Abr 2026

Disponibilizados 1.000 estágios para recém-licenciados no Interior

O Governo vai disponibilizar cerca de 1.000 estágios para recém-licenciados locais este ano no Interior, no âmbito de um esforço mais amplo para aliviar a pressão sobre o emprego jovem. Os estágios, coordenados pelo Grupo de Trabalho para a Promoção do Emprego do Governo do território, tem como objectivo proporcionar aos jovens experiência prática em sectores industriais e profissionais.

Apesar da taxa de desemprego local continuar baixa, em anos recentes tem sido difícil aos recém-licenciados do território entrar no mercado de trabalho, com as autoridades locais a referir repetidamente aos jovens locais que procurem oportunidades de trabalho no interior da China, especialmente na província vizinha de Guangdong.

Segundo dados oficiais, a taxa de desemprego entre os detentores de um diploma universitário era de 3,3 por cento no segundo trimestre de 2025, acima da taxa global de 1,9 por cento para toda a população de Macau. No ano passado, cerca de 62.463 estudantes estavam registados em universidades de ensino superior do território.

Após uma reunião na sexta-feira, o Grupo de Trabalho descreveu que a maioria dos diplomados deste ano da cidade concluiu cursos nas áreas de Humanidades e Comércio, com os estágios oferecidos complementados por sessões de recrutamento em larga escala e programas de formação, agendados para coincidir com a época de graduação.

O secretário para a Economia e Finanças e coordenador do Grupo de Trabalho, Tai Kin Ip, afirmou que o ligeiro aumento no número de licenciados em comparação com o ano passado torna essencial expandir as oportunidades para além de Macau, incluindo a Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong–Macau em Hengqin (Ilha da Montanha), a Grande Baía e outras cidades do interior da China.

Outros planos

No ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL)de Macau iniciou também um plano de estágios na China Continental para estudantes locais com a duração de três meses e um subsídio mensal de 8.000 patacas. Dentro deste plano, cerca de 42 vagas são destinadas a oportunidades no Interior, especialmente em Zhuhai e na Zona de Cooperação da Ilha da Montanha, com foco em tecnologia e finanças.

No mesmo encontro, Tai realçou também a necessidade de aperfeiçoar as estratégias de correspondência entre oferta e procura de emprego e de mobilizar apoios em toda a sociedade para garantir um ambiente laboral estável. Para responder à procura, prevê-se que mais de 2.000 vagas sejam oferecidas nas próximas feiras de emprego, enquanto outras 600 posições estarão disponíveis através de um programa “Emprego+Formação”, em parceria com empresas privadas.

O Grupo de Trabalho acrescentou que já organizou sessões de recrutamento específicas para os sectores da aviação, tecnologia e banca, que, segundo afirmou, despertaram grande interesse tanto entre recém-licenciados como entre trabalhadores activos.

13 Abr 2026

Óbito | Família anuncia morte da empresária Maisy Ho

Filha de Stanley Ho e Lucina Laam, Maisy tinha 59 anos e os motivos da morte não foram revelados pela família. A empresária estava principalmente ligada à empresa Shun Tak, onde era uma das administradoras

Maisy Ho, empresária e filha de Stanley Ho, morreu ontem, de acordo com um comunicado divulgado pela SJM e assinado pelos irmãos Pansy, Daisy, Lawrence e Josie Ho. Maisy era fruto da relação entre Stanley e a segunda mulher Lucina Laam. Os motivos da morte da empresária não foram divulgados através do comunicado de ontem, que se limita a revelar que Maisy morreu “em paz” e “rodeada pela família”. A mensagem partilhada com os órgãos de comunicação social pede ainda que se respeite a privacidade da família.

Maisy nasceu em 1967 e era licenciada em Telecomunicações e Psicologia, pela Universidade de Pepperdine, na Califórnia. À altura da morte, desempenhava funções de directora executiva na Shun Tak Holdings Limited, empresa fundada pelo seu pai e que é responsável pelas ligações marítimas entre Hong Kong e Macau, além de estar ligada a vários investimentos imobiliários. A empresária juntou-se à empresa em 1996, tendo sido promovida a directora executiva em 2001, cargo que desempenhou até ontem e onde era proprietária de 2,39 por cento do capital social, através da empresa LionKing Offshore Limited.

Cargos variados

Segundo os resultados anuais de 2024 da Shun Tak, em Macau, a filha de Stanley Ho desempenhava funções como Cônsul-Honorária da República da Tanzânia, membro da Comissão das Mulheres de Associação Comercial de Macau, vice-presidente da Associação de Administração de Propriedades de Macau, vice-presidente da Macao International Brand Enterprise Commercial Association e ainda directora da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu.

Maisy era ainda uma das directoras da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, empresa fundado por Stanley Ho que durante vários anos foi detentora do monopólio do jogo em Macau. Em Hong Kong, Maisy surgia frequentemente em iniciativas de caridade e em 2016 recebeu a Estrela da Bauínia de Bronze do Governo de Hong Kong, devido às actividades relacionadas com o Grupo de Hospitais Tung Wah.

13 Abr 2026

MUST | Inaugurado laboratório sino-português de optoelectrónica

Um novo laboratório sino-português inaugurado ontem em Macau quer ajudar a desenvolver tecnologia que pode levar à criação de um “avião eléctrico” e supercomputadores sustentáveis.

O novo laboratório sino-português de optoelectrónica vai juntar o Instituto de Nano-estruturas, Nano-modelação e Nano-fabricação (i3N) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês).

Segundo Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA e Presidente da Academia Europeia de Ciências, a iniciativa pretende impulsionar uma tecnologia emergente capaz de transformar sectores estratégicos, desde a aviação eléctrica até aos supercomputadores de baixo consumo energético, enquanto reforça a ligação científica entre Portugal, Macau e a China.

A optoelectrónica é o estudo e aplicação de aparelhos electrónicos que fornecem, detectam e controlam luz, incluindo os computadores do futuro, que poderão funcionar com luz e não só com transições electrónicas. Entre os projectos em desenvolvimento, Martins apontou o sonho de criar um avião eléctrico, dependente de sistemas de armazenamento ultraleves, como baterias feitas de papel.

“Com as baterias actuais seria impossível levantar voo. Estamos a desenvolver sistemas ultraleves, incluindo baterias feitas de papel, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”, destacou o cientista. Martins referiu também a necessidade de repensar os supercomputadores, que hoje consomem “mais energia do que a cidade de Lisboa”, destacando que o “caminho não é a energia nuclear, mas sim novos componentes electrónicos de ultra-baixo consumo.”

10 Abr 2026

Contrabando | Mulher fez-se passar por grávida em Hengqin

As autoridades de Gongbei anunciaram um caso de contrabando em que uma mulher se fez passar por uma grávida, para tentar entrar em Hengqin, vinda de Macau, com 19 quilos de grãos de prata.

O caso foi registado a 13 de Março por volta das 10h59, embora apenas tenha sido divulgado ontem. Segundo o relato citado pelo jornal Ou Mun, as autoridades na fronteira de Hengqin suspeitaram da mulher, que se encontrava ao volante de uma viatura, por considerarem que estava demasiado nervosa. Além disso, os agentes suspeitaram das formas físicas pouco naturais da interceptada.

Quando procederam à revista da mulher, aperceberam-se que não estavam diante de uma grávida, mas antes de uma pessoa que carregava 19 quilos de grãos de prata numa bolsa que simulava a barriga de uma grávida. O objectivo deste tipo de contrabando visa evitar o pagamento de impostos à entrada no Interior.

10 Abr 2026

Incêndio | Fogo em residencial leva duas pessoas ao hospital

As chamas na Rua de São Paulo deflagraram por volta das 21h40 de quarta-feira, causaram dois feridos ligeiros, que tiveram de ser hospitalizados, e obrigaram a que cerca de 31 moradores tivessem de abandonar as suas habitações

Um homem e uma mulher tiveram de ser levados para o hospital, em condição estável, depois de um incêndio ter deflagrado na noite de quarta-feira, na Rua de São Paulo. Além dos feridos, houve ainda 31 pessoas que tiveram de abandonar as habitações e esperar na rua que o Corpo de Bombeiros extinguisse as chamas.

Segundo as autoridades, citadas pelo jornal Ou Mun, os feridos têm nacionalidade filipina e não correm perigo de vida. O homem, com 26 anos, transportado para o hospital apresentava feridas numa mão, que se terão ficado a dever a cortes causados por um vidro, enquanto a mulher, com 41 anos, apresentava sintomas de inalação de fumo e ainda ferimentos nas pernas. Os dois apenas conseguiram deixar o edifício devido à intervenção dos bombeiros.

As chamas deflagraram por volta das 21h40, altura em que o Corpo de Bombeiros recebeu o alerta para o incêndio. Quando chegaram ao local, os bombeiros verificaram que as chamas se encontravam activas ao nível do rés-do-chão do edifício. Durante o combate ao fogo, os bombeiros tiveram ainda de retirar da fracção três botijas de gás, que foram colocadas de forma temporária na rua enquanto decorreram as operações das autoridades.

Curto-Circuito

As investigações preliminares apontam para que o incêndio tenha tido origem num curto-circuito nos fios eléctricos, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. A fracção afectada era utilizada como armazém e as chamas atingiram uma área com 8 metros de comprimento e 10 metros de largura.

As chamas apanharam de surpresa cerca de 31 pessoas do edifício afectado e dos adjacentes, o que levou a que tivessem de abandonar as suas casas. Na rua, enquanto decorria o combate às chamas, era possível ver várias pessoas vestidas de pijamas, roupas de noite, algumas enroladas em toalhas, sendo que também houve moradores se fizeram acompanhar pelos animais de estimação.

No local, as equipas de salvamento disponibilizaram assistência a quem necessitou, mas apenas duas pessoas foram transportadas para o hospital.

10 Abr 2026

Metro | Compras de peças custam quase 80 milhões

O Metro Ligeiro vai comprar peças à representação de Macau da Mitsubishi Heavy Industries no valor de 79,3 milhões de patacas. A informação foi revelada através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP) e o contrato foi atribuído por ajuste directo.

As peças são indicadas como “necessárias” para a operação de manutenção dos equipamentos de grande porte do Metro Ligeiro. O contrato assinado entre as partes entrou em vigor a 27 de Março e vai prolongar-se até 31 de Março de 2028. A Mitsubishi Heavy Industries é representada em Macau pela MHI Mobilidade Macau, Sociedade Unipessoal Limitada.

Zona Sul | Obras de aterro a partir de Julho

A obra de aterro e diques no Aterro para Resíduos de Materiais de Construção, localizada na Zona Sul, vai arrancar a partir de Julho. O Governo procedeu ontem à abertura das 21 propostas recebidas para a realização das obras no âmbito do concurso público. A obra está a ser executada em duas fases, a primeira fase, na zona sudoeste, foi iniciada em Outubro de 2025.

A segunda fase que está agora a ser atribuída, fica localizada na zona sul e tem uma área de cerca de 81 mil metros quadrados. Após a conclusão das duas fases da obra, prevê-se que o aterro fique com capacidade para suportar cerca de um total de 711 mil metros quadrados de solo mole. A obra abrange a construção de canais de drenagem, de ensecadeira e de muros de contenção.

10 Abr 2026

Calçada portuguesa | Defendida mudança mantendo traços originais

O arquitecto Tiago Aleixo, que na Câmara Municipal de Lisboa esteve ligado a projectos de renovação da calçada portuguesa, defende que é possível uma substituição em prol de maior segurança sem que se alterem traços históricos e fala dos casos bem-sucedidos em Lisboa

“Macau quer substituir calçada portuguesa por ser perigosa quando molhada. Este assunto não é novidade em Lisboa, pois na altura em que entrei para a Equipa do Plano de Acessibilidades, já se falava deste assunto.” Foi desta forma que o arquitecto Tiago Aleixo comentou, nas redes sociais, uma notícia de que, em Macau, se pretende substituir a calçada portuguesa em algumas zonas por questões de segurança.

A notícia foi avançada pela Lusa e data de Março. Para o arquitecto, que trabalha na Câmara Municipal de Lisboa (CML) e esteve envolvido em projectos de renovação da calçada portuguesa na capital, é possível uma substituição sem que se destruam os traços históricos e criativos deste tipo de pavimento tipicamente português.

“Continuo a dizer que a estrada evoluiu dos cubos de basalto para os betuminosos, e porque não evoluem os passeios das calçadas para lajetas, por exemplo?”, questionou na mesma publicação, feita na rede social Linkedin. Contactado pelo HM, o arquitecto adiantou que “a calçada portuguesa é um tema muito interessante e controverso”, existindo a calçada artística portuguesa, com “a mistura de duas pedras cromaticamente diferentes, e que são colocadas com mestria” e depois a calçada regular, “sem desenhos ou padrões”.

“Calçada é escorregadia”

No caso de Lisboa, o arquitecto descreve que “não se pretende radicalizar a calçada artística, que deve ser mantida e preservada”, mas cita dados que falam da perigosidade deste tipo de pavimento. “A calçada é escorregadia e provoca quedas gravíssimas, principalmente na geração mais idosa. Também para quem anda de cadeira de rodas a trepidação traz um desconforto imenso e dores. Vê-se regularmente pessoas em cadeira de rodas a preferirem o perigo de andarem na estrada em vez de andarem nos passeios pelo desconforto que a calçada produz. Temos, portanto, um problema que tem de ser resolvido”, disse.

Tiago Aleixo citou ainda dados do Plano de Acessibilidade Pedonal, da CML, quando se ouviram cerca de 200 pessoas com mais de 55 anos. Verificou-se que “metade destes já tinham caído no passeio e 92 por cento tinham medo de cair e achavam que o passeio era desconfortável”, segundo o documento.

Assim, Tiago Aleixo explica que o que foi feito em Lisboa, nomeadamente na Avenida da República, foi “criar um percurso confortável e seguro com uma largura de 1,5 metros”, sendo usados “materiais que não escorregam, como lajetas com inerte à vista ou betão branco desactivado”. Depois, “à volta deste percurso a calçada pode coexistir”, descreveu.

“Este percurso confortável é também um percurso acessível, querendo isto dizer que não pode ter qualquer obstáculo ou degrau em toda a sua extensão. Quando existe este tipo de percurso, vemos recorrentemente as pessoas a preferirem andar nele em vez de andar na calçada”, adiantou ao HM.

Para Tiago Aleixo, tanto nos casos de Lisboa como de Macau “há muitas alternativas à calçada”, mas “o mais difícil será aceitar a primeira troca por outros materiais com maior aderência e superfícies mais regulares”. O arquitecto acredita mesmo que “a calçada pode sempre coexistir com os outros materiais”.

Tiago Aleixo descreve que o padrão da calçada artística portuguesa mais conhecida é o “Mar Largo”, replicado no “Calçadão” do Rio de Janeiro e também em Macau. O arquitecto considera que existe “muita informação” sobre a calçada portuguesa, escrevendo-se “pouco sobre o quanto pode ser perigoso andar nela e quanto é desconfortável andar” nela.

No que diz respeito à notícia adiantada pela Lusa, o Instituto para os Assuntos Municipais adiantou que a calçada poderá ser substituída em certas zonas por materiais antiderrapantes, mas mantendo “o padrão e design original”. Este organismo diz que vai proceder a alterações depois de avaliar a “utilização das rodovias e os fatores ambientais em diferentes locais”, além da “paisagem e a cultura urbana” de Macau.

A calçada portuguesa foi substituída, recentemente, em algumas zonas da cidade, nomeadamente na praça de Ferreira do Amaral. O IAM disse ainda que irá seleccionar os materiais de “acordo com diferentes situações”.

10 Abr 2026

TurboJet | Reduzido horário de viagens para Hong Kong

A Turbojet anunciou uma redução do horário das ligações marítimas entre Macau e Hong Kong, a começar a partir de 15 de Abril, de acordo com o portal Macao News. Segundo os novos horários, a última partida do jacto-planador de Hong Kong para Macau (Porto Exterior) vai ser antecipada para as 22h30, quando actualmente a última viagem acontece às 23h.

No caso da última partida do Porto Exterior para Hong Kong, não há alterações, mantendo-se o horário das 23h. No caso das ligações para a Taipa, as alterações são mais significativas. As actuais três viagens diurnas de Hong Kong para Taipa vão ser reduzidas para duas, e as duas viagens diárias de Taipa para Hong Kong vão ser reduzidas para uma.

Estacionamento | Edifício Mong Son com entrada suspensa

A entrada do parque de estacionamento do Edifício Mong Son vai estar encerrada à circulação no sábado, entre das 14h e as 17h, de acordo com a informação divulgada ontem pela Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT). O encerramento temporário foi justificado com a obra de instalação e substituição das placas informativas na entrada.

“Durante este período, o respectivo parque de estacionamento adoptará medidas provisórias de trânsito que permitem apenas as saídas e proíbem as entradas. Solicita-se a atenção dos condutores e que estes utilizem, conforme a necessidade, outras instalações de estacionamento nas proximidades. Agradece-se a compreensão pelas quaisquer inconveniências causadas”, foi comunicado pela DSAT.

10 Abr 2026

Macau | IA e robótica em destaque na G2E Asia e Asian IR Expo

A edição deste ano da maior exposição de jogo da Ásia, realizada em Macau, vai pela primeira vez dar destaque à inteligência artificial (IA), robótica e outras “inovações digitais para salas de jogo”, anunciaram ontem os organizadores. A G2E Asia e Asian IR Expo, dois eventos de referência para a indústria do jogo, entretenimento e hotelaria, vão ocorrer em paralelo entre os dias 12 e 14 de Maio, no hotel-casino Venetian Macau.

De acordo com Yip Je Choong, presidente executivo da Reed Exhibitors, o foco nas tecnologias de ponta deverá atrair 8.000 profissionais da indústria do jogo, provenientes de mais de 90 países e regiões, um aumento de 33 por cento face ao ano passado.

A exposição vai ocupar uma área superior a 30.000 metros quadrados, com os organizadores a descreverem o evento como uma plataforma “para explorar inovações, trocar ideias e forjar parcerias estratégicas”. “Os participantes vão obter conhecimentos práticos e descobrir novas oportunidades para se manterem na vanguarda, num cenário cada vez mais digital”, acrescentou Yip Je Choong.

Olha o robô

A exposição Digital Innovation, por exemplo, vai contar com 150 marcas, “abrangendo todos os segmentos da cadeia de abastecimento da indústria. Entre os destaques incluem-se um bar robotizado e actuações ao vivo de uma banda musical robótica.

Tanto a G2E Asia como a Asian IR Expo vão também ser palcos para três dias de conferências, que abordarão “as tendências actuais, as tecnologias emergentes e as principais questões que moldam as respetivas indústrias”, segundo um comunicado dos organizadores. Mais de 50 sessões educativas com mais de 100 oradores vão focar-se em temas como as perspectivas para o mercado do Jogo na Ásia: tecnologia e inovação na indústria; e desenvolvimento sustentável.

Nos primeiros três meses do ano, os casinos de Macau somaram receitas totais de 65,9 mil milhões de patacas, mais 14,3 por cento do que em igual período de 2025. No ano passado, as receitas dos casinos atingiram 247,4 mil milhões de patacas, um crescimento de 9,1 por cento em comparação com 2024.

Estas receitas representaram quase 83 por cento do orçamento da região administrativa especial chinesa em 2025, através de impostos sobre o jogo.

9 Abr 2026

ZAPE | Mais de 120 lojas fecharam as portas após fim dos casinos-satélite

Após quatro meses desde o encerramento dos casinos-satélites, mais de 120 lojas na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE) fecharam as portas. Os dados forma compilados pela Associação Industrial e Comercial da ZAPE, e citados pelo Canal Macau, significando a perda de 22 por cento de todos os estabelecimentos comerciais naquela zona da cidade.

“Temos agora mais de 580 lojas na ZAPE e a taxa de desocupação chegou aos 22 por cento. É um número bastante elevado. Se a taxa de desocupação continuar a subir vai enfraquecer a confiança dos comerciantes desta zona, assim como criar uma grande pressão mental e um peso nos ombros dos proprietários das lojas da zona”, afirmou Wu Kam Hon, presidente do Conselho Fiscal da associação, em declarações à TDM.

Face à onda de encerramentos, a associação espera apoios do Governo para apoiar a reconversão da zona comercial, uma vez que o problema não é entendido como tendo uma resolução rápida. Wu Kam Hon explicou que para se desenvolver a economia nocturna naquele local é necessário um prazo de dois a três anos.

Com este objectivo, Wu Kam Hon defende a criação de esplanadas na ZAPE por parte dos vários negócios, para criar “uma característica única na restauração da zona”.

9 Abr 2026

Consumo | Inflação e habitação baixam no índice de confiança

O mais recente Índice de Confiança de Consumidores da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau revela uma quebra em termos trimestrais, destacando-se a menor confiança nas áreas do emprego ou habitação. Analistas pedem a atenção do Governo na elaboração de políticas de garantia dos rendimentos da população

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na siga inglesa) acaba de publicar o mais recente Índice de Confiança dos Consumidores relativo ao primeiro trimestre deste ano, revelando-se uma ligeira queda desta confiança em termos trimestrais.

O Índice foi, assim, de 96,78 pontos, verificando-se uma redução de 0,77 pontos em comparação com o trimestre anterior, de 2025. Mostra, segundo um comunicado da MUST, que o nível de confiança dos consumidores locais sofreu “uma redução de forma moderada”; verificando-se uma “confiança fraca e pouco restringida”. Significa isto que “os residentes mantêm uma perspectiva prudente” face à economia.

O Índice vai de 0 a 200, sendo que 0 representa “total falta de confiança”, 100 representa “mais ou menos confiança, sem sentimento” e 200 representa “total confiança”. Ou seja, um critério que fique abaixo de 100 indica “falta de confiança”, enquanto acima de 100 significa “ter confiança”.

Foram analisadas seis categorias, tendo-se registado três subidas e três quebras. Nas subidas, destaca-se a compra de habitação, que ficou nos 106,24 pontos, um aumento de 2,47 por cento em termos trimestrais, já que no último trimestre de 2025 o Índice neste campo foi de 103,68.

No que diz respeito à confiança na economia local, o Índice ficou nos 91,15 pontos, aumentando 0,39 por cento em comparação aos 90,80 pontos do trimestre anterior. Os pontos no investimento de acções foram de 110,57 mais 0,38 por cento em termos trimestrais, quando se registaram 110,15 pontos.

Emprego em queda

Um dos três critérios que baixou foi a confiança no emprego, registando-se, no primeiro trimestre deste ano, 89,62, uma redução de 0,72 por cento em comparação com 90,27 no trimestre anterior. Os pontos registados no Índice para os padrões de vida foram de 95,79 por cento, menos 4,80 por cento em comparação com os 100,62 pontos do último trimestre de 2025. Os pontos nos preços, ou seja, ao nível da inflação, foram de 87,29 por cento, menos 2,81 por cento em comparação com os 89,81 pontos do trimestre anterior.

Segundos analistas que realizaram o Índice, estes resultados demonstram que os residentes ainda têm dúvidas sobre o panorama macroeconómico local e a estabilidade dos seus rendimentos, o que afecta a recuperação da confiança ao nível do consumo.

Na mesma nota da MUST, são também destacadas questões que influenciam estes dados, como “as mudanças no ambiente externo que continuam a aprofundar-se, o ritmo de crescimento económico global com sinais de fragilidade” ou ainda “as disputas geopolíticas e os conflitos económicos e comerciais que ocorrem frequentemente”.

É destacado ainda que “o desempenho económico das principais economias apresenta tendências divergentes”, existindo “incerteza quanto às tendências da inflação e ajustamentos da política monetária”. Além disso, a “economia da China, em geral, opera de forma estável e com progressos constantes, mas ainda enfrenta múltiplos problemas e desafios, tal como a oferta forte e a procura fraca e impactos externos”, é referido.

Para Macau, a equipa conclui que é necessário continuar a observar a evolução em termos de emprego, dos preços e dos rendimentos dos residentes, para que a confiança dos consumidores possa atingir gradualmente um nível mais neutro. O estudo para o Índice foi realizado entre 1 e 16 de Março deste ano, tendo sido recolhidos 807 inquiridos dos residentes locais com idades acima de 18 anos.

9 Abr 2026

Local de Espectáculos | Mais um concerto ao ar livre anulado

Em pouco mais de um ano, o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau registou o quinto espectáculo cancelado. Desta vez, o evento que fica por realizar é o espectáculo Dauntless que tinha previstos concertos de artistas do Interior e da Coreia do Sul

O espectáculo Dauntless, que estava agendado para esta sexta-feira e sábado no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, foi cancelado. O anúncio foi feito através da plataforma de entretenimento Damai, controlada pelo grupo Alibaba, onde os ingressos se encontravam à venda.

Num comunicado, os organizadores, que nunca surgem identificados pela Damai, justificam a decisão de cancelar o espectáculo com “circunstâncias imprevisíveis”. A expressão tem sido utilizada para explicar os cancelamentos de espectáculos com artistas do Japão no Interior e em Macau, mas não se aplica neste caso.

O espectáculo tinha no cartaz principalmente artistas do Interior, de Taiwan e da Coreia do Sul, como WayV, grupo pop do Interior que inclui como membro o artista de Macau Hendery, o rapper Gali, a banda de rock Forgotten Club, a cantora Liu Xin, e os cantores sul-coreanos Zico, Kang Seung-Yoon e Wendy.

“Desde o início dos preparativos para o concerto, temos trabalhado incansavelmente para levar por diante todos os aspectos do evento, e estávamos ansiosos por nos encontrarmos com todos os fãs de música de Macau”, pode ler-se na mensagem divulgada na plataforma do Interior. “Estamos cheios de pesar e remorso por não termos cumprido a nossa promessa e por termos desiludido as expectativas de todos. Apresentamos as nossas mais sinceras desculpas a todos os fãs de música que têm acompanhado e aguardado ansiosamente este concerto”, foi acrescentado.

Inicialmente previsto para 10 e 11 de Janeiro, este espectáculo tinha sido adiado uma vez, para este fim-de-semana. Agora, a organização optou por não o realizar de todo e promete reembolsar as pessoas que compraram bilhetes. Os preços variavam entre as 600 patacas e 4.000 patacas. Apesar do cancelamento, os organizadores não identificados elogiaram a postura do Governo de Macau.

Soma e segue

Desenvolvido para receber espectáculos com grandes audiências, o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau tem capacidade para 50 mil pessoas, mas a exploração pelo Instituto Cultural tem ficado marcada por vários cancelamentos. Logo em Março do ano passado, um evento que tinha o IC como principal organizador foi cancelado. O evento tinha como objectivo testar o funcionamento do espaço com uma audiência de 20 mil pessoas.

Em Junho, houve um novo cancelamento com o espectáculo S2O Songkran Music Festival, que estava previsto para os dias de 6 e 7 de Setembro. O cancelamento aconteceu ainda em Junho, com meses de antecedência. Em meados Novembro, o concerto dos Black Eyed Peas, agendado para o dia 21 desse mês, foi igualmente cancelado. Também o espectáculo Estrelas de Kpop foi adiado, por essa altura, embora fosse concretizado mais tarde.

Em Fevereiro deste ano, nova polémica quando o espectáculo Show! Music Core in Macau, agendado para 7 e 8 desse mês foi cancelado. A polémica deveu-se a num ambiente de trocas de acusações entre os organizadores locais, os promotores sul-coreanos e notícias na Coreia do Sul a indicar que as autoridades de Macau não iam permitir a actuação dos artistas japoneses que integravam os grupos coreano, devido à nova política do Interior face ao Japão, relacionadas com as declarações da primeira-ministra japonesa sobre a intervenção num conflito entre o Interior e Taiwan.

Com os espectáculos a serem cancelados frequentemente, o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau tem sido transformado numa zona de entretenimento para a população, com a montagem de campos de basquetebol e outros equipamentos para crianças.

9 Abr 2026

Óbito | Faleceu Un Chi Iam, pintora e esposa de Mio Pang Fei

Morreu, no último sábado, a pintora e professora universitária Un Chi Iam, viúva do já falecido artista e pintor Mio Pang Fei, um dos grandes nomes da arte contemporânea de Macau.

Segundo uma nota enviada às redacções pela filha do casal, Cristina Mio U Kit, Un Chi Iam nasceu em Xangai em 1938, tendo-se mudado para Macau em 1983. Possuía um mestrado em Belas-Artes pelo Instituto de Arte de Nanjing, tendo-se dedicado, tal como o marido, às artes plásticas e também ao ensino.

Un Chi Iam foi editora de arte da Revista de Cultura do Instituto Cultural de Macau e professora de pintura Chinesa na Academia de Artes Visuais de Macau e no Instituto Politécnico de Macau.

Foi ainda membro fundadora do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, bem como “líder activa” em associações locais. No que diz respeito a exposições realizadas, Un Chi Iam fez três exposições individuais, participou em três Bienais de Macau e em mais de 60 exposições colectivas internacionalmente.

Além disso, foi uma pintora distinguida pelo seu trabalho, tendo recebido “vários prémios de destaque em pintura Chinesa”. Segundo a mesma nota, “a sua obra combinava a tinta tradicional chinesa com influências modernas e ocidentais, incorporando selos, gravura e outras técnicas chinesas”, a fim de “expandir a linguagem da pintura chinesa contemporânea”.

A falecida pintora é recordada “como uma inovadora e uma professora dedicada”, com a sua influência a perdurar “através dos seus alunos, publicações e das instituições que ajudou a construir”.

Casal de eleição

Ao lado de Un Chi Iam esteve sempre Mio Pang Fei, também natural de Xangai e cuja vida e obra mereceu, em 2014, um documentário da autoria de Pedro Cardeira. Sendo um dos nomes mais importantes da arte contemporânea chinesa, Mio Pang Fei foi tido como uma referência para muitos, a começar pelo facto de, no início da carreira, se ter interessado pela arte contemporânea ocidental, que no país era tida como anti-revolucionária.

Nos anos da Revolução Cultural Mio Pang Fei teve de enveredar pela arte tradicional chinesa e caligrafia, mais política e socialmente aceites, tendo sido perseguido pelo maoísmo, detido e condenado a trabalhos forçados. No início dos anos 80, escapou para Macau e, no território, pôde continuar a arte que queria desenvolver e uma nova vida.

Mio Pang Fei criou o chamado Neo-Orientalismo, com uma mistura entre as artes que realizou toda a vida: a tradicional chinesa e a ocidental, mais contemporânea e com um outro olhar. O artista faleceu em 2020.

8 Abr 2026