João Santos Filipe Manchete PolíticaPoluição | Deputado contra cantorias, festas e arrastar de móveis O legislador dos Operários, Lam Lon Wai, considera que o Governo deve tomar medidas para lidar com o barulho dos vizinhos e implementar formas de combater os odores domésticos O deputado Lam Lon Wai defende que o Governo deve alterar as leis para resolver o que considera ser o excesso de ruído nos prédios residenciais. O assunto consta de uma interpelação escrita, com o legislador a criticar o barulho feito em “reuniões ruidosas, cantorias de entretenimento, arrastar móveis e transmissão estrutural de som”. Segundo o documento, após as alterações mais recentes de 2019, o ruído das obras de renovações de habitações em períodos proibidos está essencialmente resolvido. Contudo, o deputado dos Operários queixa-se de que os residentes ainda “sofrem” de “perturbações sonoras” e que em várias situações os mecanismos legais existentes para lidar com os problemas são insuficientes. “As circunstâncias práticas revelam que certas questões relacionadas com o ruído doméstico — tais como reuniões ruidosas, cantar para entretenimento, arrastar móveis e transmissão estrutural de som — continuam a ser difíceis de resolver eficazmente através dos mecanismos de aplicação existentes”, denuncia. “A legislação actual baseia-se principalmente em períodos de tempo regulamentados e medições de decibéis como bases de aplicação. No entanto, certos ruídos domésticos apresentam características repentinas e intermitentes e são difíceis de monitorizar durante longos períodos”, descreve. “Tendo em conta o desenvolvimento urbano e as mudanças nos estilos de vida dos residentes, o Governo irá explorar a optimização das abordagens de gestão do ruído doméstico?”, questiona. Cheiros problemáticos O barulho não é o único problema nos edifícios a incomodar os residentes, e Lam Lon Wai considera que são necessárias mais medidas para fazer face aos odores dos edifícios, que inclusive estão a causar discussões entre vizinhos. “Os residentes manifestam cada vez mais preocupação com os odores domésticos. Particularmente em edifícios antigos, onde as unidades estão muito próximas umas das outras, alguns odores podem perturbar persistentemente as rotinas diárias dos residentes, mesmo que não excedam os padrões técnicos de medição”, apontou. “Recentemente, as comunidades relataram que problemas de odores provenientes de actividades domésticas, fumos de cozinha e incenso causaram discussões entre vizinhos. Os desafios de reunir provas rapidamente e lidar com incidentes repentinos têm dificultado o acompanhamento eficaz em alguns casos, revelou. “No que diz respeito aos odores domésticos e odores fortes, as autoridades irão reforçar as medidas regulamentares em Macau?”, questionou Lam Lon Wai. O deputado pede também que se siga o exemplo de outras regiões asiáticas, que não especificou, para indicar que aplicam regulamentos sobre os odores, com forma de punir os infractores.
João Santos Filipe Manchete PolíticaAL | André Cheong destaca trabalho que garante “primazia do Executivo” O presidente da Assembleia Legislativa garante que o Executivo vai ser apoiado “sem omissões” e fiscalizado “sem ultrapassar limites”, de forma a seguir as exigências de Xi Jinping e de Xia Baolong O presidente da Assembleia Legislativa garantiu que os deputados estão empenhados em implementar a primazia do Executivo e seguir as indicações para Macau e Hong Kong de Xia Baolong, director do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado. A posição foi tomada ontem, durante o almoço de Primavera com os meios de comunicação social. André Cheong começou por lembrar o discurso de Xia Baolong, no mês passado, em que o director do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau recordou a exigência do Presidente Xi Jinping “de o Governo da Região Administrativa Especial ‘persistir e aperfeiçoar a aplicação do princípio da predominância do poder Executivo’”. “O discurso do Director Xia Baolong explicita de forma abrangente e sistemática o princípio da primazia do Executivo e formula exigências claras quanto ao trabalho da Assembleia Legislativa e dos seus deputados, exortando-os especialmente a defender conscientemente esse princípio durante a nova legislatura, bem como apoiar plenamente o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM no exercício das suas funções nos termos da lei”, considerou Cheong. Neste contexto, o presidente da AL defendeu que o trabalho está em curso: “Desde o início desta legislatura, há mais de quatro meses, que a Assembleia Legislativa tem envidado esforços para implementar o princípio da primazia do Executivo e promover uma interacção institucional positiva entre os poderes Executivo e Legislativo”, afirmou. “Para tal, temos optimizado os procedimentos dos trabalhos legislativos, intensificado a comunicação com o Governo, e estabelecido mecanismos de ligação mais estreitos, promovendo a compreensão mútua e a cooperação regular, com o objectivo de consolidar um modelo de colaboração baseado na confiança mútua”, acrescentou. Reforço da cooperação Em relação ao trabalho legislativo, André Cheong afirmou que a Assembleia Legislativa vai desempenhar as suas funções em cooperação com o Executivo e destacou a nova lei sobre a Comissão da Defesa de Segurança do Estado, que vai dotar esta comissão de amplos poderes para escolher advogados nos tribunais, seleccionar conteúdos de educação, e actuar em áreas outras áreas sociais ou da economia. Sobre este diploma, o presidente do hemiciclo prometeu que a AL vai contribuir para a “consolidação da segurança nacional em Macau”. Finalmente, em relação às funções de supervisão, Cheong prometeu uma fiscalização dentro dos limites. “Pretendemos reforçar a interacção positiva com o Governo, tanto na actividade legislativa como na fiscalização. Mediante supervisão racional, pragmática e construtiva, pretendemos ajudar o Governo a identificar problemas, aperfeiçoar políticas e melhorar a eficácia da governação, assegurando assim a premissa de ‘apoiar o Governo sem omissões e de fiscalizá-lo sem ultrapassar limites’”, frisou . “Trabalharemos em conjunto com o Governo da RAEM, empenhados no desenvolvimento duradouro de Macau e no bem-estar dos seus cidadãos”, prometeu.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteNovo filme de Tracy Choi, “Girlfriends” estreia hoje no MGM Macau: “É muito difícil ser realizadora em Macau” Em “Girlfriends”, o seu novo filme e quarta longa-metragem da carreira, Tracy Choi criou uma espécie de alter-ego, que depois de estudar em Taiwan, vive em Hong Kong enquanto luta para financiar um filme. Em entrevista ao HM, a realizadora diz que quer continuar a fazer filmes em torno das mulheres e suas vivências. A estreia oficial de “Girlfriends” está marcada para hoje, às 19h30, no MGM Macau Faz exactamente dez anos que estreou “Sisterhood”, e provavelmente Tracy Choi não iria imaginar que, uma década depois, o sucesso seria real, com cada vez mais reconhecimento internacional em relação à sua forma de fazer cinema. Depois de colocar, pela primeira vez, um filme de Macau no Festival Internacional de Cinema de Busan, com “Girlfriends”, é a vez de a realizadora local trazer o seu novo filme, a quarta longa-metragem da carreira, para a sua casa. A estreia acontece hoje na sala “Treasure Box” do MGM Macau, a partir das 19h30. Conversámos com a realizadora antes da estreia da nova obra, que nos contou como começou a pensar no guião do filme durante o período da covid-19. “A história é sobre uma rapariga que cresceu em Macau, que estudou em Taiwan e que foi trabalhar em Hong Kong. Pensei nisso [no filme] durante a pandemia, porque não podíamos ir a lado nenhum e não tínhamos nada para fazer. Decidi escrever um guião sobre mim: uma rapariga de Macau a crescer, ver como ela cresce e como se encontra a si mesma, algo do género.” O elenco faz-se de actrizes com as quais Tracy Choi já trabalhou, nomeadamente Fish Liew, Jennifer Yu, Elizabeth Tang, Ning Han, Natalie Hsu e Eliz Lao. “Uma delas já recebeu várias nomeações e até prémios em Hong Kong, incluindo o de melhor actriz [Jennifer Yu]. Desta vez, depois de quase dez anos, voltámos a trabalhar juntas. Acho que crescemos muito e foi como trabalhar entre amigas. Foi uma grande felicidade poder trabalhar com alguém que conheço bem. A química entre elas também é muito boa, porque são amigas na vida real.” No caso de Natalie Hsu, foi nomeada para o prémio de “Melhor Actriz” na 43ª edição dos Hong Kong Film Awards, enquanto que Eliz Lao é uma actriz local, que até teve direito a um ciclo de cinema em nome próprio na Cinemateca Paixão. Eliz Lao fez filmes em Hong Kong e na China, tendo experiência em televisão e teatro, sem esquecer a formação em ballet. Sobre a estreia de hoje, Tracy Choi destaca que “os filmes com a temática LGBT, ou histórias sobre o crescimento feminino, não são muito comerciais”. “Sempre que procurámos entrar em festivais, foi-nos dito que o filme não ia ter grandes vendas. Ainda assim, e mesmo que o filme não tenha grande sucesso comercial, esperamos alcançar mais público, e fazer com que mais pessoas conheçam o filme”, destacou. “Girlfriends” foi rodado e produzido com fundos públicos, e filmado em 2024. Tracy Choi e a sua equipa também procuraram investimentos em Taiwan e Hong Kong. Depois do lançamento em Macau, a equipa prepara-se para novas estreias na região vizinha e em Taiwan. Sobre a experiência recente em Busan, na Coreia do Sul, com “Girlfriends” a integrar a secção de competição “Vision Section”, Tracy Choi trouxe as melhores recordações. “Foi uma grande experiência estrear o filme lá. Foi o primeiro filme de Macau a ser exibido no festival, tivemos uma grande noite. O público também pareceu gostar e acabámos por ser convidados para ir a outros festivais, e isso foi importante para toda a equipa.” Furar barreiras O cinema de Tracy Choi reflecte um pouco o imaginário de Macau e as vivências femininas, mas também explora cenários emotivos de sentimentos de pertença, memória e recordações. “No que diz respeito às mulheres e às histórias de Macau, somos sempre representados pelos outros, como filmes de Hong Kong, ou da China. Muitas vezes somos representados por outros realizadores e não há muitas vozes de realizadores locais, especialmente no que diz respeito a mulheres. Então, como sou mulher, espero realmente focar-me na forma como as mulheres crescem aqui ou noutros lugares na Ásia, naquilo que as mulheres enfrentam. Nos meus próximos projectos espero continuar a focar-me nas maneiras como as mulheres enfrentam o mundo em diferentes situações”, disse. Tracy Choi não esconde que “Girlfriends” tem uma temática assumidamente LGBT, enquanto que, nos seus filmes anteriores, não era tanto assim. “Talvez fossem mais sobre Macau ou [o sentimento] de irmandade, algo assim. Mas em ‘Girlfriends’ focámo-nos, principalmente, numa história de amor LGBT. Espero que seja um pouco mais comercial para um filme LGBT, e o caminho que escolhemos para contar a história é mais comercial. Espero que o público comum, e não apenas LGBT, também consiga sentir amor pelas pessoas LGBT e identificar-se com esse tipo de história.” No caso de “Sisterhood”, a sua primeira longa-metragem, há referências à transição de Macau, em 1999, e de duas antigas massagistas, Sei e Ling, que passaram bons tempos juntas. Porém, anos depois, uma delas percebe o grande segredo da outra, numa amizade que ganha outros contornos. As dificuldades sentidas Apesar do sucesso que tem vivenciado, Tracy Choi salienta que “é muito difícil ser realizadora em Macau porque não há muitas produções”. “Mas não sou só eu, outros cineastas de Macau também estão a trabalhar arduamente para que aconteçam coisas. Procuramos outras maneiras [de sustento]: eu dou aulas e trabalho como produtora para fazer com que outras produções se concretizem. Esperamos, todos juntos, poder conquistar mais público e atenção, para que os próximos realizadores, e as produções em Macau, tenham um caminho um pouco mais fácil”, acrescentou. A realizadora está ainda a colher os louros do seu quarto filme, mas já está a trabalhar na pós-produção de outra longa-metragem. “No ano passado também filmei outra produção, em co-produção com a China, e esperamos terminar antes do Verão e exibir o filme ainda no final deste ano.” Tracy Choi nasceu em 1988 e estudou Produção Cinematográfica na Universidade de Shih Hsin, tendo crescido no bairro de San Kiu. “Sisterhood” foi o seu filme de apresentação que lhe valeu alguma notoriedade, nomeadamente depois de ter recebido o Prémio para a Escolha do Público, no Festival Internacional de Cinema de Macau. Tinha na altura apenas 28 anos. Sobre este momento, recordou à Revista Macau: “Depois de me ter formado em Taiwan, regressei a Macau para trabalhar. Naquela altura, há cerca de dez anos, não havia cinema em Macau. Não havia produções locais a serem filmadas com regularidade. Isso não acontecia e nós aproveitámos a oportunidade que nos foi dada. Desafiei os meus amigos a juntarem-se ao concurso organizado pelo Centro Cultural, obter financiamento e filmar algo que tivesse um significado importante para nós. Foi também muito importante que a minha primeira longa-metragem pudesse estrear no Centro Cultural, porque foi algo que trouxe visibilidade à indústria cinematográfica local”, referiu.
Hoje Macau Manchete SociedadeAeroporto de Macau recebeu mais de 267 mil passageiros no Ano Novo Lunar O Aeroporto Internacional de Macau recebeu durante o período de festividades do Ano Novo Lunar mais de 267 mil passageiros, um acréscimo de 11 por cento em comparação com o mesmo período de 2025, declarou a infra-estrutura aeroportuária. Entre 14 e 23 de Fevereiro, o aeroporto “recebeu 267.235 passageiros e operou 1.943 voos”, o que representa “um aumento de 11 por cento e 9 por cento, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025”, lê-se num comunicado divulgado na terça-feira pela CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau. O pico no tráfego de passageiros ocorreu nos dias 21 e 22 de Fevereiro, com números diários de passageiros a alcançar 29 mil e 28 mil, respectivamente, refere-se ainda na nota. “A análise da estrutura geral do mercado durante a temporada do Ano Novo Chinês mostrou que os passageiros das rotas da China continental representaram 43 por cento do volume total de passageiros”, notou a CAM, referindo ainda que as rotas internacionais representaram 39 por cento e para Taiwan 18 por cento. Durante o período de celebrações foram adicionados cerca de 60 voos de e para o Sudeste Asiático. Para continuar O Aeroporto Internacional de Macau anunciou este mês que prevê um aumento de 8 por cento dos passageiros e de 10 por cento das aterragens e descolagens este ano, quando se prepara para lançar novas rotas para a China continental, Filipinas e Vietname. “Teremos novas rotas para Kunming, Chongqing [China continental] e Manila [Filipinas], nos próximos meses e queremos mais ainda”, anunciou o presidente da CAM num encontro com os meios de comunicação social, no início do mês, por ocasião do Ano Novo Lunar. Simon Chan Weng Hong projectou mais de 63 mil movimentos de aeronaves na infra-estrutura aeroportuária, ou seja mais 10 por cento do que no ano anterior. Além disso, referiu o responsável, são esperados para este ano 8,14 milhões de passageiros, mais 8 por cento em termos homólogos, e um volume de carga de 110 mil toneladas, uma subida de 4 por cento. O número de passageiros que passaram pelo Aeroporto Internacional de Macau registou uma queda de 1,6 por cento em 2025, “devido ao contexto económico e a alguns factores de incerteza”, afirmou a CAM no início de Janeiro. Macau recebeu quase 1,6 milhões de visitantes durante os nove dias de feriados do Ano Novo Lunar na China continental, a maior migração anual do mundo, foi anunciado também na terça-feira. A Polícia de Segurança Pública de Macau disse que as fronteiras do território registaram a passagem de mais de 1,55 milhões de visitantes entre 15 e 23 de Fevereiro, uma média de 172.737 visitantes por dia.
Hoje Macau Manchete SociedadeReserva financeira | Estabelecido novo recorde de activos em 2025 Os activos da reserva financeira valorizaram 6,9 por cento em 2025, ultrapassando a fasquia de 663,6 mil milhões de patacas, estabelecida em Fevereiro de 2021 Os activos da reserva financeira valorizaram-se em 6,9 por cento em 2025 e atingiram um novo recorde máximo no final de Dezembro, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial do território mostra que a reserva valia, no final do ano passado, 666,7 mil milhões de patacas. O anterior recorde, 663,6 mil milhões de patacas, tinha sido fixado em Fevereiro de 2021, apesar de Macau estar então em plena pandemia de covid-19. A reserva ganhou 42,9 mil milhões de patacas durante o ano passado, mais do que em 2024, ano em que os activos tinham subido 35,7 mil milhões de patacas. O melhor ano de sempre para a reserva financeira continua a ser 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. Ainda de acordo com a AMCM, a valorização da reserva acelerou em Dezembro, mês em que ganhou 3,54 mil milhões de patacas, mais 1,39 mil milhões de patacas do que em Novembro. O valor da reserva extraordinária no final de Dezembro era de 499,5 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 167,3 mil milhões de patacas. Mais despesas O orçamento inicial do território para 2025 previa uma subida de 7 por cento nas despesas totais, para 109,4 mil milhões de patacas. Mas a Assembleia Legislativa aprovou em Julho uma proposta apresentada pelo Governo para um novo orçamento, que inclui um aumento extra de 2,86 mil milhões de patacas nas despesas. Em Novembro, a AL deu também “luz verde”, por unanimidade, ao orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas. Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 286,7 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 272,4 mil milhões de patacas e até títulos de crédito no montante de 104,6 mil milhões de patacas. Em 2024, os investimentos renderam à reserva financeira quase 31 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 5,3 por cento, disse a AMCM, no final de Fevereiro de 2025.
João Luz Manchete SociedadePortugal | Conselheiros suplentes felicitam Seguro Os conselheiros suplentes das Comunidades Portuguesas, do Círculo da China, assinaram uma missiva a felicitar António José Seguro e a prometer colaboração com a Presidência da República. Foi também endereçada a Luís Montenegro uma carta de condolências pelas vítimas das cheias que assolaram Portugal Os conselheiros suplentes das Comunidades Portuguesas, eleitos pelo Círculo da China, Luís Nunes, Maria João Gregório e Félix Teixeira, assinaram uma carta a felicitar o Presidente de República eleito António José Seguro pela vitória nas eleições presidenciais. “É com grande satisfação que (…) lhe endereçamos os nossos mais sinceros parabéns pela sua eleição para o cargo de Presidente da República Portuguesa. Este momento constitui uma etapa de esperança e renovação para o nosso país, e estamos confiantes de que a sua liderança contribuirá para o fortalecimento de Portugal, tanto no âmbito interno como no cenário internacional”, pode ler-se na missiva datada de segunda-feira. Os conselheiros suplentes afirmam contar com o apoio de Seguro e indicaram acreditar que com o novo Presidente da República “Portugal continuará a afirmar-se como nação unida, promovendo os interesses dos seus cidadãos emigrantes e consolidando o seu papel de destaque a nível global”. Os conselheiros suplentes firmaram também o compromisso de colaborar com a Presidência da República “na construção de um Portugal mais próspero, unido e solidário, sempre em consonância com os objectivos” de António José Seguro. Sim, senhor ministro Também na segunda-feira, Luís Nunes enviou uma carta ao Primeiro-Ministro português Luís Montenegro, desta feita não só na qualidade de conselheiro suplente das Comunidades Portuguesas, mas também enquanto vice-presidente da direcção da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). A missiva enviada a Luís Montenegro não surge assinada por Maria João Gregório e Félix Teixeira. Enquanto conselheiro suplente e dirigente da ATFPM, associação descrita como “maior e mais representativa de matriz portuguesa, com mais de 19.500 associados”, Luís Nunes apresentou a Montenegro “as mais sentidas condolências e palavras de solidariedade a todas as vítimas das cheias que recentemente assolaram diversas regiões de Portugal”. O responsável mostrou-se confiante de que o “com o empenho de todo o Governo”, as famílias afectadas pelas intempéries serão apoiadas e que serão dadas respostas prontas e firmes para os problemas causados pelo mau tempo. O dirigente da ATFPM aproveitou também, enquanto pensionista da Caixa Geral de Aposentações, para agradecer a actualização às pensões dos residentes no estrangeiro. Luís Nunes acrescentou que a medida representa “um importante sinal de justiça e de reconhecimento por parte do Estado Português para com aqueles que, embora residindo fora do território nacional, dedicaram uma vida de trabalho e serviço público a Portugal”.
João Santos Filipe Manchete PolíticaConselho consultivo | Maioria dos membros com mandatos renovados Carlos Marreiros e Miguel de Senna Fernandes ficam mais dois anos no Conselho. Apesar da manutenção geral, há excepções. A realizadora Tracy Choi e o cenógrafo Tam Tin Chun foram substituídos por Cristina Ho Hoi Leng, vice-presidente da Associação das Mulheres, e por Lam Wai Kei produtora de teatro e vice-presidente do grupo de jovens da associação Aliança de Povo de Instituição de Macau O arquitecto Carlos Marreiros e o advogado e dramaturgo Miguel de Senna Fernandes vão manter-se como membros do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural durante mais dois anos. A informação foi divulgada ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, que preside igualmente ao conselho consultivo. Os dois macaenses fazem parte deste conselho deste 2022, ano em que foi criado durante o Executivo de Ho Iat Seng e que tinha como secretária para os Assuntos Sociais e Cultura Elsie Ao Ieong U. As nomeações foram enquadradas no âmbito dos “profissionais, académicos e personalidades da sociedade” escolhidos para integrar o grupo. Os mandatos de Carlos Marreiros e de Miguel de Senna Fernandes são assim renovados por uma segunda vez, depois da primeira renovação em 2024. O Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural foi criado para emitir pareceres, elaborar relatórios, realizar estudos e apresentar propostas sobre a política de desenvolvimento cultural do Governo, adopção de medidas que impulsionem o desenvolvimento cultural, como os mecanismos de apoio às indústrias culturais, realização de actividades culturais locais ou os planos de apoio financeiro e de formação de recursos humanos focados no desenvolvimento cultural. Renovação ampla Os macaenses não foram os únicos a verem os mandatos renovados. Esta tem sido a tradição do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural desde a formação. Chan Hou Seng, ex-deputado nomeado pelo Chefe do Executivo e ex-director do Museu de Arte de Macau, foi igualmente mantido como membro do conselho consultivo, que ocupa desde 2022 e que acumulou com as funções de legislador. Também o académico Ieng Weng Fat, académico na área das artes e vice-presidente da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau, membro desde a criação do conselho teve o seu mandato renovado. Os outros membros que constituem a comissão desde a criação são Lok Hei, Hoi Kin Wa, Samantha Chiang Siu Ling, Li Zisong, Lam Chong, Fong Man Wai e Lei Chon. Entre as entradas, constam os nomes de Cristina Ho Hoi Leng, vice-presidente da Associação das Mulheres, e Lam Wai Kei, produtora de teatro e vice-presidente do grupo de jovens da associação Aliança de Povo de Instituição de Macau. No sentido oposto, deixaram de integrar o conselho consultivo a realizadora Tracy Choi Ian Sin e Tam Tin Chun, ligado ao teatro experimental de Macau.
Hoje Macau Manchete PolíticaSegurança Nacional | Comissão com poderes em educação, cultura e economia O Governo justificou o alargamento das áreas de competência da Comissão de Defesa da Segurança do Estado com o facto de a segurança nacional já não se limitar às áreas tradicionais A Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) de Macau vai passar a avaliar riscos para a segurança nacional da China nas áreas da educação, cultura e economia, disse ontem Leong Sun Iok. A composição da CDSE será alargada, sublinhou o deputado, o presidente da comissão da Assembleia Legislativa que está a analisar a proposta de lei sobre o regime daquele órgão, aprovado na generalidade por unanimidade em 10 de Fevereiro. Entre os membros da CDSE passarão a constar o presidente do Instituto Cultural (IC), o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e o director da Inspecção e Coordenação de Jogos. Representantes do Governo justificaram o alargamento, dizendo que “a segurança do Estado vai deixar de se limitar às áreas tradicionais, como a militar, e passar a cobrir as áreas educativa, cultural e económica”, disse Leong. Após uma reunião da comissão parlamentar, o deputado acrescentou que a CDSE irá também encarregar-se da “promoção da monitorização, alerta, avaliação e resposta a riscos para a segurança nacional”. Questionado pela Lusa sobre se a CDSE irá avaliar riscos para a segurança nacional em espectáculos culturais, currículos educativos ou negócios entre empresas privadas, Leong não respondeu directamente. O deputado preferiu sublinhar que “a segurança nacional é muito abrangente” e que o alargamento irá permitir à CDSE cobrir “serviços que também são muito importantes”. Leong revelou que alguns deputados questionaram o Governo sobre possíveis mudanças devido à fusão prevista entre o IC e o Instituto do Desporto e sobre a não inclusão do director dos Serviços de Saúde na CDSE. O presidente da comissão permanente recordou que Macau esteve praticamente três anos sob rigorosas restrições no quadro da política ‘zero covid’, incluindo a proibição de entrada a estrangeiros sem estatuto de residente. “Se [uma pandemia] voltar a acontecer no futuro, como vai ser tratada?”, perguntou Leong. O deputado disse que o Governo respondeu, sublinhando que a proposta de lei prevê a possibilidade de “convidar outros serviços e personalidades para participar nas reuniões, sem direito de voto”. Educação patriótica O programa do Executivo de Macau para 2026, apresentado em Novembro, prevê a criação, até ao final do ano, de um Grupo de Trabalho para a Coordenação da Educação Patriótica dos Jovens. As Linhas de Acção Governativa incluem ainda, no âmbito do chamado “plano geral para a edução sobre a segurança nacional”, a revisão dos livros e outros materiais didácticos dos ensinos básico e secundário, até ao terceiro trimestre de 2027. Em 2022, o então secretário para a Segurança de Macau, Wong Sio Chak, disse que a educação sobre a segurança do Estado iria ser alargada a alunos não chineses. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteCrime | Estudo revela percepção de aumento, mesmo com tendência de quebra Apesar de os dados oficiais revelarem menos crimes na RAEM, esta realidade não se reflecte na percepção da sociedade. Um estudo revela que em Macau apenas 13 por cento dos inquiridos tinham conhecimento da descida da criminalidade e que mais de 35 por cento acreditavam que o crime teria aumentado O estudo “Examining fear of crime among Macao residents: Vulnerability, victimisation and situational factors”, publicado na revista International Review of Victimology, revela que no território a população não teme o crime, embora as percepções face à criminalidade nem sempre estejam de acordo com os dados oficiais. O trabalho, da autoria de Yixuan Wang, Donna Soi Wan Leong e Lichao Lu, da Universidade de Macau (UM) e Jianhong Liu, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST), revela que houve, entre 2021 e 2022, um “declínio de 13,9 por cento na criminalidade”, segundo dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Segurança em 2023. Porém, “os dados da pesquisa deste estudo revelam uma discrepância significativa na percepção: apenas 12,83 por cento dos inquiridos relataram ter conhecimento do declínio, enquanto 35,72 por cento acreditavam que a criminalidade tinha aumentado”, pode ler-se. Além disso, “a grande maioria dos inquiridos não demonstrou medo emocional” perante a criminalidade, já que “78,87 por cento referiu zero locais inseguros e apenas 2,77 por cento identificaram duas ou mais” zonas inseguras em Macau. Enquanto isso, “apenas 9,69 por cento dos inquiridos referiram sentir risco de vitimização, indicando que a grande maioria não se sentia em risco”. O estudo mostra também que “a proporção dos residentes que relataram respostas comportamentais defensivas foi a mais baixa de entre as dimensões do medo, com apenas 2,89 por cento dos inquiridos a indicar que adoptaram comportamentos defensivos nos 12 meses anteriores”. Os autores descrevem como Macau constitui um exemplo paradigmático para analisar o medo social perante o crime e as percepções perante dados oficiais, já que é uma região administrativa especial que “funciona sob o quadro de governação ‘um país, dois sistemas’, caracterizado por uma estrutura sociopolítica e jurídica distinta, a par de uma população multicultural”. Além disso, é referido que Macau tem uma economia “que depende exclusivamente do jogo e do turismo, o que impulsiona uma rápida circulação financeira e mobilidade populacional em grande escala”, tratando-se de um “pequeno território urbano com uma densidade populacional excepcionalmente elevada”. Desta forma, as características particulares do território “levantam questões sobre a aplicabilidade dos modelos existentes de medo do crime, uma vez que as percepções dos residentes sobre o crime e a desordem podem ser moldadas por ambientes urbanos densos e fluxos populacionais rápidos”. Uma questão de idade O estudo foi feito tendo por base o Inquérito à Vitimização de Macau de 2022, com gestão da Sociedade de Criminologia de Macau, um projecto financiado pela Fundação Macau. A população-alvo do inquérito foram residentes com mais de 18 anos, sendo que, para este estudo, foram feitas entrevistas complementares por telefone a 1.102 pessoas, tendo resultado numa amostra final de 795 pessoas. Lê-se ainda neste estudo que “os resultados revelam consistências e desvios em relação a pesquisas anteriores”, pois “ao contrário do que foi estabelecido, a idade e o género não influenciam significativamente o medo do crime”. Para os autores, o “resultado inesperado” pode explicar-se com “factores institucionais e específicos de Macau”, já que o “Governo de Macau tem dado grande ênfase ao investimento no bem-estar social, o que pode funcionar como um amortecedor do medo para grupos potencialmente vulneráveis”. É destacada a medida de apoios financeiros à reparação de edifícios, como o Regime de Apoio à Manutenção de Edifícios e o Regime de Subsídio para Manutenção das Partes Comuns, o que “reduz ainda mais a necessidade de os residentes implementarem estratégias defensivas adicionais ao nível doméstico”. O estudo destaca a “extensa infra-estrutura de bem-estar em Macau”, como os “cuidados de saúde universais, pensões de velhice e regimes de protecção social, que podem mitigar a vulnerabilidade percepcionada entre os idosos”. Leis que ajudam No tocante à violência de género, descreve-se como a Lei de Violência Doméstica e os “sistemas reforçados de apoio às vítimas podem contribuir para um sentimento de segurança associado ao género”. Em 2022, ocorreram 22 casos de violação e oito de coacção sexual, segundo dados do Instituto de Acção Social (IAS) citados no estudo. Os autores destacam também que o Índice de Desigualdade de Género de Macau foi de 0,06 em 2021, “substancialmente inferior” ao da China continental (0,192), Japão (0,083) e à média global (0,457). Tal indica “um ambiente relativamente equitativo em termos de género”, segundo menções feitas pelo IAS em 2021 e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em 2022. Os académicos descrevem como “estes factores, em conjunto, podem atenuar a relevância da vulnerabilidade física na formação do medo do crime, explicando a ausência de efeitos significativos da idade e do género”. O estudo destaca que o facto de se revelarem “níveis consistentemente baixos de medo” perante a criminalidade podem ser “parcialmente atribuídos ao investimento substancial do Governo de Macau na segurança pública e à elevada densidade de recursos policiais”. Verifica-se, assim, que “o forte policiamento e investimento em segurança pública em Macau”, mesmo com a taxa de criminalidade baixa, resulta “na prevalência igualmente limitada de vitimização na amostra”. Além disso, “os níveis relativamente baixos de medo reportados pelos residentes de Macau podem ser explicados tanto por mecanismos culturais substantivos como por factores metodológicos. Ao nível substantivo, orientações culturais colectivistas e relacionais podem exercer um efeito genuinamente amortecedor”, já que, nas sociedades chinesas “os indivíduos estão inseridos em densas redes familiares, de parentesco e comunitárias”, o que pode facilitar “o acesso ao apoio social e mitigar respostas de stress e medo”, lê-se no estudo. Sinais para o Executivo Os académicos defendem que estes resultados ” apresentam várias implicações para a governação social em Macau”, dada a existência de um “paradoxo entre as percepções subjectivas dos residentes sobre o crime e o declínio reflectido nas estatísticas oficiais”. Tudo isto “sublinha a importância de reforçar a transparência na divulgação de informação e na aplicação da lei”, devendo ser feita a “disseminação de informação relacionada com o crime através de múltiplos canais e a melhoria da visibilidade dos esforços de prevenção”, o que pode “contribuir para reduzir o medo e reforçar a confiança pública”. As acções do Governo na área da segurança parecem surtir alguns resultados, descreve-se no estudo, o que é “particularmente relevante no contexto do rápido envelhecimento populacional”. “Além da manutenção destes investimentos, o reforço do controlo social informal pode igualmente contribuir para aumentar a eficácia colectiva das comunidades. Iniciativas como a expansão de programas de voluntariado e o apoio a associações de bairro (por exemplo, Federação das Associações dos Moradores de Macau; Associação de Voluntários Juvenis de Macau) podem fornecer recursos sociais adicionais para mitigar riscos associados à vulnerabilidade física”, é defendido.
Hoje Macau Manchete SociedadeAno Novo Lunar | Macau recebeu quase 1,6 milhões de visitantes A região de Macau recebeu quase 1,6 milhões de visitantes durante os nove dias de feriados do Ano Novo Lunar na China continental, a maior migração anual do mundo, foi ontem anunciado. A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau disse que as fronteiras do território registaram a passagem de mais de 1,55 milhões de visitantes entre 15 e 23 de Fevereiro, uma média de 172.737 visitantes por dia. De acordo com dados oficiais divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), a média diária representa um aumento de 5,5 por cento em comparação com o Ano Novo Lunar de 2025. A DST tinha previsto uma média diária de entre 158 mil e 175 mil visitantes e um total de visitantes de 1,4 milhões durante este período. O terceiro dia do Ano Novo Lunar, 19 de Fevereiro, fixou um novo máximo histórico, com quase 228 mil turistas a chegarem ao território chinês. Perto de seis milhões de pessoas atravessaram os postos de controlo fronteiriços de Macau durante os nove dias, uma média de 663.032 travessias diárias, ainda assim abaixo da previsão de 670 mil feita pela PSP na semana passada. De acordo com a última estimativa feita pelo Governo local, a população total residente na Região Administrativa Especial de Macau era de 686.600 pessoas. Bater recordes A 08 de Fevereiro, Macau registou um novo máximo histórico de entradas e saídas nas fronteiras da cidade, quando faltavam dez dias para o Ano Novo Lunar, com cerca de 867 mil passagens. De acordo com os dados da PSP, a maior fronteira do território, nas Portas do Cerco, registou a passagem de quase 463 mil pessoas, o valor diário mais elevado dos últimos cinco anos, desde o início da pandemia de covid-19. As autoridades da China prevêem que centenas de milhões de pessoas viajem durante a maior migração anual em todo o mundo para celebrar o Ano Lunar do Cavalo de Fogo. A época destas deslocações, o chamado ‘chunyun’, um período de 40 dias antes e depois do início do Ano Novo Lunar, começou em 02 de Fevereiro. Em 29 de janeiro, Li Chunlin, vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, o principal organismo de planeamento económico do país, anunciou que as estimativas para este ano prevêem que os chineses façam até 9,5 mil milhões de viagens durante o ‘chunyun’. Caso esta previsão esteja correcta, constituirá um novo recorde histórico, ultrapassando o máximo registado em 2024: 9,02 mil milhões de viagens. De acordo com as estimativas oficiais, as viagens de comboio podem atingir 540 milhões, enquanto as viagens aéreas deverão rondar 95 milhões, ambos potenciais máximos históricos para este período. O ‘chunyun’ é frequentemente usado como indicador da actividade económica do país, num contexto em que a China procura impulsionar o consumo e os serviços como motores da procura interna, que ainda não recuperou totalmente desde a pandemia.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | JP Morgan reduz previsões das receitas Após ter estado em Macau a observar as mesas de jogo durante o Ano Novo Lunar, os analistas do banco de investimento reduziram a estimativa de crescimento das receitas do jogo para um máximo de 2 por cento Após o período do Ano Novo Lunar, o banco de investimento JP Morgan Securities (Asia Pacific) reduziu as previsões de crescimento do mercado do jogo em Fevereiro. Segundo o relatório mais recente, citado pelo portal GGRAsia, os analistas apontam que no melhor cenário as receitas deverão crescer cerca de 2 por cento, sendo mais provável que se mantenham estáveis. “Com base nas nossas análises, as receitas brutas do jogo nos primeiros 22 dias de Fevereiro atingiram 14,3 mil milhões de patacas, ou 650 milhões de patacas por dia”, pode ler-se no relatório assinado pelos analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian. “A média diária de receitas – abrangendo tanto os períodos mais calmos como os de pico das férias do Ano Novo Lunar – ficou em 785 milhões de patacas por dia, aquém da nossa previsão de 850 milhões de patacas”, foi acrescentado. Anteriormente, a JP Morgan Securities (Asia Pacific) previa que as receitas apresentassem um crescimento de 2 a 5 por cento em Fevereiro, face ao ano passado. Os meses de Janeiro e de Fevereiro costumam coincidir com uma época alta do jogo, devido aos turistas do Interior que visitam Macau durante as celebrações do Ano Novo Lunar e nos feriados associados. Este ano o Ano Novo Chinês celebrou-se a 17 de Fevereiro, mas no ano passado coincidiu com 29 de Janeiro. Começo lento Durante os primeiros dias do ano novo lunar, os números estiveram longe de entusiasmar os analistas: “as férias começaram a um ritmo lento, e a média de receitas dos primeiros quatro a cinco dias não foram além dos 450 milhões de patacas por dia”, foi indicado. Este ritmo foi apresentado como uma diminuição das receitas superior a 10 por cento, em comparação com o período do Ano Novo Lunar de 2025. Todavia, nos dias seguintes, o ritmo das receitas acelerou de forma significativa com as receitas diárias a ultrapassarem o montante de 1,2 mil milhões de patacas, o que representou um crescimento de 10 a 15 por cento face ao período homólogo. Com os feriados a chegarem ao fim, os analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian acreditam que até ao final do mês os gastos dos jogadores ainda podem disparar, o que pode gerar um crescimento das receitas de 2 por cento. “Os próximos dias são importantes – esta fase de ‘procura residual’ pós-feriados costuma ver os jogadores dos segmentos mais elevados a acelerarem os gastos. Teremos uma visão completa dos resultados das receitas do jogo do mês inteiro no fim-de-semana”, foi apontado. Apesar das estimativas menos optimistas, os analistas destacam o momento positivo do mercado e que o somatório dos dois primeiros meses do ano vai gerar um crescimento anual das receitas de 12 a 13 por cento.
Hoje Macau Manchete SociedadeConcertos | Polícia nega estar a recusar vistos a artistas japoneses O Corpo de Polícia de Segurança Pública afirma não ter recebido qualquer pedido de visto para artistas japoneses, pelo que nega ter recusado qualquer autorização de trabalho O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) negou estar a recusar vistos a artistas japoneses, afirmando que “não recebeu qualquer pedido” oficial, após o cancelamento de um festival de música na região. Em 28 de Janeiro, a emissora sul-coreana MBC, que estava a organizar o ‘Show! Music Core in Macau’, um festival de música da Coreia do Sul, que incluía bandas que integram artistas japoneses, cancelou o evento. O festival estava marcado para 7 e 8 de Fevereiro, no Local de Espectáculos ao Ar Livre, na zona do Cotai, criado pelo Governo. A MBC não deu qualquer explicação para a decisão, dizendo apenas que foi tomada “após uma análise completa das circunstâncias locais e das condições logísticas gerais”. Ainda antes do anúncio oficial por parte da MBC, a imprensa da Coreia do Sul já tinha avançado com o possível cancelamento devido à alegada dificuldade dos artistas japoneses em obter vistos para actuar em Macau. Em resposta às questões colocadas pela Lusa, a polícia esclareceu que o processo dos artistas japoneses nunca chegou à sua alçada. “Este serviço não recebeu qualquer pedido ou consulta por parte da entidade competente”, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), na resposta emitida pelo CPSP à Lusa. Nos termos da lei, explicam as autoridades, as entidades patronais que pretendam contratar trabalhadores sem estatuto de residente para funções em Macau, incluindo pessoal para espectáculos, “devem apresentar, em primeiro lugar”, um pedido de autorização de trabalho à DSAL. “Caso o pedido seja autorizado, a entidade patronal deve posteriormente solicitar ao Corpo de Polícia de Segurança Pública a emissão de título de residência para o trabalhador não residente, conferindo-lhe o estatuto de trabalhador não residente. O não residente só pode iniciar o exercício de funções em Macau após a emissão desse título de residência”, acrescenta. Calados e a ignorar A Lusa pediu, em 26 de Janeiro, esclarecimentos junto da DSAL e Instituto Cultural (IC) de Macau para os Assuntos Laborais, mas até agora, não obteve qualquer resposta. Em 7 e 8 de Fevereiro, o grupo masculino sul-coreano Riize actuou na cidade sem um dos seus membros, o cantor japonês Shotaro, devido a “circunstâncias imprevisíveis”, disse a organização dos dois concertos, a empresa IME Macau. Em 12 de Dezembro, a presidente do IC negou qualquer interferência no cancelamento de concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trata apenas de decisões comerciais dos organizadores. “É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, disse Leong Wai Man, numa conferência de imprensa. Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do sector comercial, é uma decisão do organizador”. Em Dezembro, tinham sido cancelados espectáculos com artistas japoneses em pelo menos três diferentes hotéis-casinos de Macau. Em Novembro, a primeira-ministra do Japão falou no parlamento nipónico sobre uma eventual intervenção militar japonesa num conflito entre a China continental e Taiwan. Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”. Dias depois, Pequim desaconselhou deslocações ao Japão, exemplo seguido mais tarde pelas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaNick Lei quer reforçar mecanismos de combate ao trabalho ilegal Nick Lei, deputado à Assembleia Legislativa (AL), considera que é necessário reforçar, em Macau, o combate ao trabalho ilegal. Nesse sentido, enviou ao Governo uma interpelação escrita pedindo que o Governo reveja a lei, no sentido de preencher as lacunas existentes no combate ao emprego ilegal, a fim de aumentar as penalizações e elevar os custos de manter trabalhadores ilegais. A ideia surgiu ao deputado depois do caso de uma equipa de fotógrafos que vieram a Macau fotografar um casamento realizado junto a uma estrada em Ka-Hó, Coloane. Segundo referiu o deputado, não só o responsável da equipa era suspeito pelo trabalho ilegal, como o motorista e outro trabalhador não residente, que participou no evento, eram suspeitos de trabalhar mediante outra categoria profissional sem aquela para a qual tinham obtido autorização. Nick Lei destaca que este caso chamou a atenção da sociedade quanto à importância do combate ao trabalho ilegal. Neste sentido, o legislador entende que, nos últimos anos, o fenómeno do trabalho ilegal tem vindo a tornar-se mais oculto, envolvendo novas indústrias. O deputado destaca que, em publicações de redes sociais do Interior da China, há empresas e profissionais que divulgam negócios ou serviços como a remodelação de casas, serviços de fotografia, maquilhagem, guia turístico e catering. “O Governo disse que ia supervisionar as informações divulgadas em redes sociais, promovendo uma coordenação entre departamentos para reforçar essas inspecções, mas os efeitos não são muito claros. Será que o Executivo pode comunicar com os diferentes sectores, através de plataformas da comunicação social, a fim de criar um mecanismo imediato de denúncias, a fim de aumentar a sua eficácia?”, questionou. Dados desactualizados Nick Lei argumentou que o regulamento sobre a proibição do trabalho ilegal está em vigor há 21 anos, e os montantes das penalizações estão desactualizados para a sociedade moderna actual, face ao número de infracções que continua a aumentar. Quanto aos dados de trabalho ilegal, Nick Lei espera que o Governo possa apresentar estatísticas mais detalhadas, ao invés de apenas divulgar o número de inspecções realizadas e as pessoas interceptadas. “Será que o Governo pode apresentar detalhes sobre o conteúdo destes dados, divulgando, por exemplo, qual o tipo de infracção realizada, a categoria profissional e a residência original, para que os sectores sociais prestem atenção e seja possível procurar resoluções?”, questionou.
João Santos Filipe Manchete PolíticaAL | Deputado nomeado diz não representar cidadãos de Macau Numa sessão em que respondeu a perguntas dos internautas na rede social threads, Wong Ka Lon defendeu as exclusões dos candidatos à Assembleia Legislativa, prometeu apoio total ao Governo e admitiu que a questão da saúde mental da população exige atenção O deputado Wong Ka Lon respondeu a algumas perguntas na rede social threads e afirmou que não representa os residentes de Macau. A resposta foi escrita, depois de ter sido confrontado com o facto de ser um deputado nomeado pelo Chefe do Executivo. Wong foi questionado por um internauta sobre a forma como tinha sido escolhido para ser deputado e se ele achava que isso lhe dava “o direito de representar os residentes de Macau”. Na resposta, o legislador recusou estar no hemiciclo para representar os residentes: “Eu não estou a representar a população de Macau, só espero conseguir ajudar a reflectir as sugestões construtivas, obrigado”, respondeu ao internauta. Sobre as funções de deputados, Wong afirmou igualmente que vai cumprir as indicações do Governo Central para a Assembleia Legislativa, que passam por apoiar o Governo local, ao mesmo tempo que se faz a supervisão. Sobre a constituição do hemiciclo, Wong Ka Lon defendeu a exclusão dos candidatos das eleições à Assembleia Legislativa, por entender que “a segurança nacional não deve ser desafiada” e considerou que os actos eleitorais em Macau são “abertos, justos e democráticos”. Wong Ka Lon também não fugiu ao assunto sobre uma eventual utilização de bots pelo Governo nas caixas de comentários das redes sociais, ao considerar que “as críticas constantes ao Governo são cansativas”. Críticas ao silêncio Após mostrar-se aberto a responder às perguntas dos internautas, Wong Ka Lon esteve activo na rede social até ás O5:00 da madrugada. Entre os assuntos abordados, Wong referiu a questão da saúde mental dos jovens e das tentativas de suicídio. O aumento do número de casos de suicídio e tentativas depois da pandemia da covid-19 levaram as autoridades a apagarem os dados das estatísticas oficiais, quebrando uma tradição de anos. No entanto, o deputado afirmou que o tema tem sido abordado na Assembleia Legislativa e que a situação não é exclusiva de Macau. Apesar disso, Wong Ka Lon não se livrou de críticas, por ter ignorado algumas questões relacionadas com o casamento por pessoas do mesmo sexo, a má utilização do português em Macau, os erros nos sinais e placas com indicações, a responsabilização dos governantes ou o facto dos residentes que trabalham em Hong Kong não poderem receber o cheque da comparticipação pecuniária. Em jeito de balanço sobre as várias perguntas e respostas, o deputado reconheceu que foi a primeira vez que utilizou esta rede social e que a iniciativa atraiu muito mais atenção do que a esperada. Wong Ka Lon afirmou igualmente que adorava falar com a população, que aprendeu muito, e questionou os internautas se consideravam valer a pena repetir a sessão de perguntas e respostas ou se a iniciativa seria uma perda de tempo, como lhe disseram alguns amigos.
João Santos Filipe Manchete PolíticaReuniões Magnas | CE quer “elites” a liderar áreas profissionais Sam Hou Fai quer que as elites da APN e CCPPC conduzam pelo exemplo e levem a toda a sociedade, mesmo às entidades privadas, a predominância do Executivo. “Quando se trata de questões de princípio, é preciso serem inequívocos e firmes na sua posição”, destacou O Chefe do Executivo (CE) quer que os deputados da Assembleia Popular Nacional (APN) de Macau e os membros do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) liderem as suas áreas profissionais e imponham o respeito pela predominância do Executivo. A mensagem foi deixada durante um jantar com os representantes de Macau nos órgãos nacionais, como forma de lançamento da quarta sessão da 14.ª APN, cujo único encontro anual começa a 5 de Março, e da quarta sessão da CCPPC, que tem início a 4 de Março. No discurso proferido, Sam Hou Fai deixou “três pontos de vista”, em “consonância com o espírito consagrado nas instruções importantes do Presidente Xi Jinping” para serem seguidos pelos vários membros presentes. O principal foco assentou na manutenção da estabilidade na RAEM, promoção do nacionalismo e a defesa da segurança nacional. Sam indicou que os deputados e membros do conselho consultivo devem “adoptar uma visão abrangente, fomentar o consenso social, promover com empenho o valor essencial do amor pela Pátria e por Macau, defender juntos a segurança nacional e a estabilidade social, e continuar a abrir novos horizontes de desenvolvimento de alta qualidade para a causa um país, dois sistemas”. Como parte dos esforços de promoção da estabilidade, o Chefe do Executivo quer aqueles que classificou como elites aprofundem “o conteúdo do intercâmbio e interacção com os residentes”, actuem como ponte entre a população e o Governo e “se concentrem nas preocupações da população”. Predominância executiva Como segundo aspecto, o líder do Governo quer ver as elites a imporem o espírito da predominância do Executivo em todos os sectores da sociedade, inclusive entre as organizações privadas. “Os deputados da APN e membros da CCPPC são de prestígio reconhecido, com ampla rede de contactos, pelo que, cada palavra e acção sua tem influência e serve de exemplo. Espero que desempenhem activamente um papel de liderança na sua carreira profissional, defendam com firmeza o arranjo institucional da predominância do Poder Executivo, e, tendo em conta os dois eixos principais, o desenvolvimento da diversificação adequada da economia e a reforma da Administração Pública”, afirmou Sam. “Quando se trata de questões de princípio, é preciso serem inequívocos e firmes na sua posição. No intercâmbio diversificado de ideias, devem manter a direcção correcta, encontrar o maior denominador comum para fomentar uma sinergia poderosa para promover a grandiosa revitalização da nação chinesa e contribuir para a estabilidade e prosperidade duradoura de Macau”, vincou. Em relação às reuniões, e como último ponto de vista, Sam pediu aos deputados da APN e membros da CCPPC que apresentem “opiniões francas com propostas construtivas, demonstrando plenamente o sentido de missão, a sabedoria e a força de Macau”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeImobiliário | Compras triplicaram no início de Janeiro O ano começou com o número de transacções mais elevado desde 2018, com 384 compras e vendas de habitação. No entanto, os preços continuam a baixar, mesmo que a redução seja cada vez mais ligeira Na primeira metade de Janeiro, a procura por habitação mais do que triplicou, com o registo de 384 negócios, o mais elevado para a primeira quinzena de Janeiro desde 2018, quando foram registadas 426 compras e vendas de habitação. Os números mais recentes foram actualizados no portal da Direcção de Serviços Financeiros (DSF), e mostram que os preços se mostraram estáveis, embora com uma ligeira redução. Segundo os dados oficiais, o mercado mostrou sinais de vitalidade principalmente na Península de Macau, com o número total de transacções a atingir as 299, superior às 96 registadas no período homólogo, uma diferença de 203 compras e vendas. A tendência de crescimento não se ficou pela Península. No mercado da Taipa o número de transacções também mais do que duplicou, com o registo no início deste ano de 58 transacções, quando no mês passado as transacções se tinham ficado pelas 20. Em Coloane, registaram-se 27 compras e vendas de habitação, um crescimento face às nove contabilizadas no início de 2025. O crescimento de Janeiro é igualmente significativo quando a comparação é feita com o início de Dezembro do ano passado. No início de Janeiro, houve mais 297 transacções do que as registadas no início do mês anterior, quando se cifraram em 87. O mercado mostrou uma maior procura face aos dados do início de Dezembro em Macau, e na Península foram registadas 96 transacções, na Taipa 17 e em Coloane três transacções. O outro lado Em relação aos preços da compra de habitação, o início de Janeiro trouxe uma redução ligeira, para uma média de 69.241 patacas por metro quadrado. Em comparação com o período homólogo, os dados revelam uma diminuição do valor da habitação de cerca de 0,92 por cento. Segundo os dados mais recentes, os preços mais elevados foram praticados em Coloane, onde o metro quadrado atingiu 74.190 patacas. Os preços na Península de Macau ficaram acima do que acontece na Taipa, com um valor de 69.499 patacas por metros quadrado, enquanto na Península o valor foi de 66.867 patacas por metro quadrado. No entanto, a comparação com Dezembro mostra uma redução dos preços mais elevada. No início do último mês do ano passado, o preço médio do metro quadrado foi de 78.838 patacas, quando o mais recente foi de 69.241 patacas, o que significou uma redução de 12,17 por cento.
Nunu Wu Manchete SociedadePensões ilegais | Exigido combate a anúncios online Song Pek Kei apela ao combate a quem publica nas redes sociais anúncios a oferecer hospedagem ilegal em casas particulares, e que as contas sejam banidas. Tanto a deputada, como o empresário do turismo Andy Wu realçam a fraca oferta de alojamento legal a preços económicos como uma das razões para irregularidades Umas semanas antes dos feriados do Ano Novo Lunar, no fim de Janeiro, começaram a surgir nas redes sociais, principalmente nas chinesas, anúncios para o aluguer de quartos para turistas que estavam a ponderar visitar Macau nos feriados. Apesar do fenómeno não ser uma novidade na região, algumas publicações ofereciam “camas” em Macau entre 100 e 150 renminbis. Song Pek Kei voltou a insurgir-se contra as pensões ilegais. Num artigo publicado ontem no jornal do Cidadão, a deputada ligada à comunidade de Fujian sugere que o Governo estabeleça um mecanismo de coordenação com as redes sociais, como a Douyin (o TikTok chinês), para eliminar publicações com ofertas de quartos em pensões ilegais e banir as contas que as partilham. A deputada considera que, finda a pandemia e a paralisia do turismo, o fenómeno das pensões ilegais regressou em força, com mais casos face ao passado, acompanhando o aumento do número de turistas que visita Macau e os recordes sucessivos de entradas. Recorde-se que nos primeiros 20 dias do ano, as autoridades inspeccionaram 25 apartamentos suspeitos de prestação ilegal de alojamento, dos quais 17 foram selados. Song Pek Kei salientou que as pensões ilegais persistem com base em duas situações: os preços pouco acessíveis e fraca oferta de hotéis económicos, e as pessoas que estão em Macau em excesso de permanência. A deputada indicou que neste momento, cerca de 6.000 pessoas estão no território em excesso de permanência. Da concorrência Com quartos de hotel a preços incomparáveis em Zhuhai, tanto Song Pek Kei, como o empresário de agência de turismo e dirigente associativo Andy Wu consideram que a oferta hoteleira local de baixo custo não é suficiente, apesar das alterações legais que passaram a permitir a oferta de hotéis-cápsula. Opinião partilhada pelo presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, que também ao jornal do Cidadão destacou a pouca oferta de opções de baixo custo. Para o dirigente, a oferta de acomodação para turistas que estejam ilegalmente em Macau prejudica o desenvolvimento saudável da indústria do turismo. Além disso, apontou que os preços entre os hotéis económicos e os hotéis de cinco estrelas não são assim tão diferentes, principalmente em dias úteis, e que estão longe os valores praticados em Zhuhai, com quartos entre 100 e 200 renminbis.
João Santos Filipe Manchete PolíticaGás Natural | Renminbi vale novos cortes no preço A desvalorização da moeda levou o Governo a anunciar ontem o terceiro corte anual no preço do gás natural, com a redução a variar entre 0,56 por cento e 0,96 por cento. Com os novos cortes, todos os preços ficam abaixo dos valores de 2022, ano que antecedeu a invasão da Ucrânia e uma subida generalizada do custo do gás Desde ontem, que o preço do gás natural foi reduzido entre 0,56 por cento e 0,96 por cento. O anúncio foi feito ontem de manhã, através de um comunicado da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). “Em resposta à descida do preço internacional do gás natural nos últimos anos e às flutuações da taxa de câmbio do renminbi relativamente à pataca, o custo de aquisição do gás natural para abastecer Macau baixou”, foi justificado. “Os preços de venda do gás natural a praticar para os quatro grupos de clientes tiveram descidas de cerca de 0,6 por cento a 1 por cento”, foi acrescentado. Com as alterações, os clientes residenciais, o chamado Grupo A, vão ter a menor redução, de 0,56 por cento, com o preço a baixar para 6,7403 patacas por metro cúbico de gás, quando anteriormente era de 6,7782 patacas por metro cúbico de gás. Em relação ao Grupo B de consumidores de gás natural, dos residentes não comerciais, o corte é de 0,59 por cento, para 6,3786 patacas por metro cúbico, quando anteriormente o preço era de 6,4165 patacas por metro cúbico. No Grupo C, dos grandes clientes, é aplicado um corte de 0,60 por cento, para 6,3198 patacas por metro cúbico, de 6,3568 patacas por metro cúbico. A maior redução visa o Grupo D de clientes, também denominados como “especiais”, que vão ser beneficiados com um corte no preço de 0,96 por cento, para 3,9447 patacas por metro cúbico. Até ontem, o preço era de ,9825 patacas por metro cúbico. Antes da guerra Com a entrada em vigor dos novos preços, o custo do gás natural fica abaixo dos níveis de 2022, ainda antes do Governo de Ho Iat Seng ter anunciado aumentos de 8,2 por cento a 14,3 por cento, uma consequência indirecta da invasão da Ucrânia pela Rússia e de um pico de procura nos mercados internacionais. Antes desse aumento, os clientes residenciais pagavam 6,9998 patacas por metro cúbico, enquanto os clientes do Grupo B pagavam 6,4122 patacas por metro cúbico, os clientes do Grupo C pagavam 6,3364 patacas por metro quadrado e os clientes do Grupo D 4,0126 patacas por metro cúbico. Para a nova realidade, contribuíram as reduções anuais do preço desde o aumento de 2023, com os cortes a variarem entre 3,14 por cento e 8,13 por cento, com as alterações a serem justificadas com a desvalorização do renminbi, o mercado abastecedor da RAEM, e também os preços internacionais.
Hoje Macau Manchete PolíticaJogo | Concessionárias vão operar casas de câmbio As concessionárias Galaxy, Melco e SJM foram autorizadas a exercer, “por sua conta e risco”, o comércio de câmbios nos casinos a salas Mocha que operam, de acordo com despachos assinados por Sam Hou Fai, publicados ontem no Boletim Oficial. Os despachos do Chefe do Executivo entram hoje em vigor. Assim sendo, a Galaxy Casino poderá operar casas de câmbio no Star World, Galaxy Macau, Broadway e Waldo. Já a Melco Resorts poderá trocar moeda nos casinos Altira, City of Dreams, Studio City e nas salas Mocha do Golden Dragon, Hotel Grand Drangon, Hotel Royal, Hotel Sintra, Kuong Fat e Porto Interior. Finalmente, a SJM Resorts está autorizada a operar casas de câmbio nos casinos Lisboa, Grand Lisboa, Grand Lisboa Palace, Le Royal Arc, assim como os espaços Oceanus no Pelota Basca, Landmark, Grandview, Kam Pek Paradise, Casa Real, Emperar Palace, Ponte 16 e Legend Palace.
João Santos Filipe Manchete PolíticaAL | Apresentado projecto que reduz intervenções do Governo A Comissão de Regimento e Mandatos apresentou um projecto de lei para reduzir as intervenções do Governo durante as sessões de interpelações orais. A opção reduz a intervenção do Executivo em cinco minutos e agrega mais perguntas em bloco A Comissão de Regimento e Mandatos da Assembleia Legislativa (AL) apresentou um projecto de lei que vai reduzir o tempo das intervenções do Executivo. O projecto com as alterações foi divulgado no portal do hemiciclo. De acordo com o modelo actual, quando um deputado faz a interpelação oral, os membros do Executivo têm um período de resposta inicial de 10 minutos. Após as primeiras explicações, o deputado responsável pela interpelação pode fazer uma nova intervenção, para pedir esclarecimentos adicionais. Segue-se a segunda resposta do Governo, que se pode prolongar por cinco minutos. Acabada a interacção entre o deputado responsável pela interpelação oral e o Governo, os outros deputados são autorizados a intervir. As intervenções dos legisladores são recolhidas em bloco, com o Executivo a ter direito a uma última intervenção de 10 minutos, em que pode responder às perguntas. No entanto, com a nova proposta, o Governo vai ter menos cinco minutos para responder às perguntas e a intervenção face ao pedido de esclarecimentos do deputado que colocou as questões iniciais vai ser concentrada com as questões dos outros deputados. Com o novo modelo, os membros do Executivo apenas têm de intervir duas vezes, a primeira para responderem ao deputado e uma segunda vez para prestarem esclarecimentos adicionais a esse deputado e para responderem às dúvidas dos outros legisladores. Actualmente, intervêm três vezes. Interpelações conjuntas O novo projecto vem também alterar a forma como são conduzidas as interpelações orais assinadas por mais do que um deputado, um mecanismo pouco utilizado pela Assembleia Legislativa. Segundo o novo projecto, quando uma interpelação oral é subscrita por mais do que um deputado, todos vão ter a oportunidade de pedir esclarecimentos extra, após a primeira intervenção dos membros do Executivo. Esta é uma realidade diferente da actual, em que apenas o primeiro subscritor tem a oportunidade de intervir para pedir esclarecimentos adicionais. O segundo assinante, e seguintes, não podem intervir nem na fase de esclarecimentos nem na aberta a todos os outros deputados. “A alteração que a Comissão vem sugerir aos senhores Deputados assegura que todos os Deputados tenham a possibilidade de intervir em todas as interpelações, permitindo, simultaneamente, que o Governo responda de forma concentrada e num único momento a todas as questões colocadas”, foi justificado, pela comissão liderada por José Chui Sai Peng. Fazem ainda parte da Comissão de Regimento e Mandatos os deputados Iau Teng Pio, Ângela Leong, Wong Kit Cheng, Song Pek Kei, Ip Sio Kai e Lei Wun Kong. Cartão de deputado com alterações A Comissão de Regimento e Mandatos propôs alterações ao cartão dos deputados. De acordo com o novo modelo, o cartão passa a incluir que Macau é uma região da República Popular da China. Anteriormente, as palavras República Popular da China apenas estavam escritas em chinês e dentro do símbolo da RAEM.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteRota das Letras | Filme de Filipa Queiroz conta história de desalojados da Alta de Coimbra “Salatinas – Histórias da Velha Alta de Coimbra” traz de novo a Macau a jornalista Filipa Queiroz, juntamente com Rafael Vieira e Tiago Cerveira, co-autores do documentário que integra o cartaz do Rota das Letras. O filme conta a história de como, em pleno Estado Novo, cerca de três mil moradores foram expulsos da Alta de Coimbra para permitir a construção da Cidade Universitária A Cidade Universitária na Alta de Coimbra é um dos pontos turísticos da cidade, oferendo uma paisagem deslumbrante. Porém, apesar da beleza, a história da construção da Cidade Universitária está repleta de sofrimento. No documentário “Salatinas – Histórias da Velha Alta de Coimbra”, Filipa Queiroz, Rafael Vieira e Tiago Cerveira contam a história das pessoas que viviam no local na década de 40 e que se viram subitamente desalojadas e sem um plano B. O filme integra o cartaz do Festival Literário Rota das Letras, que começa no próximo dia 5 de Março. “Esperamos que, em Macau, a história possa ter impacto em toda a gente e em particular nos tantos conimbricenses que sabemos que residem no território”, contou ao HM Filipa Queiroz, que viveu vários anos em Macau, tendo sido jornalista do HM e da TDM – Teledifusão de Macau. Está feliz por voltar e por revelar esta história desconhecida para muitos. E deixa os maiores elogios a um festival que viu nascer, há 15 anos. “Acho a programação desta edição do Rota das Letras particularmente corajosa e relevante tendo em conta os contextos de Portugal, de Macau e do mundo neste momento. Fazemos por apresentar o filme onde faz sentido e é precisamente este o caso. É um filme sobre pessoas, mas também sobre poder, resistência, identidade e o preço do progresso – temas que Macau conhece tão bem”, destacou. Filipa Queiroz teve contacto com a história destas pessoas através de uma reportagem. “O Rafael Vieira colaborava comigo como jornalista, pois dirigia uma publicação em Coimbra [Coimbra Coolectiva] e disse-me que havia ali uma história [interessante], e que queria contar histórias fora da caixa, mais invisíveis, digamos assim.” Nasceu assim o “Salatinas”, em referência ao nome dado às gentes que viviam na Alta de Coimbra, onde já havia as faculdades de Letras, Direito e a biblioteca. Porém, o Estado Novo desalojou estas pessoas para fazer as construções actualmente existentes. Foram três mil pessoas que deixaram as suas casas, sendo esta “uma das maiores transformações urbanísticas em Portugal, num tempo em que desalojamentos forçados, falta de acesso à habitação e segregação social ainda fazem manchetes”, descreve a sinopse do documentário. “Salatinas” é, portanto, “uma viagem à memória do bairro histórico varrido do mapa sob o ímpeto renovador do regime e ao burburinho de estudantes, tricanas, merceeiros e alfaiates que se esconde por baixo das faculdades”, acrescenta a mesma sinopse. Sair depressa “O que aconteceu foi uma vontade do Governo daquela altura”, diz Filipa Queiroz, para explicar como uma decisão política mudou a vida a tanta gente. “A Universidade de Coimbra andou entre Lisboa e Coimbra durante muitos anos, mas depois ficou instalada em Coimbra e era a única do país, onde estavam os cérebros do país, a elite. Houve então a decisão de que a universidade precisava de crescer e tinha de ser ali. O próprio Salazar tinha estudado ali [Faculdade de Direito], além de que havia um hospital. Não se tratou de uma requalificação, mas destruíram mesmo o que havia para construir por cima.” O que se seguiu foi uma profunda transformação nas famílias da zona. Muitos nunca recuperaram completamente. “Quando começou a destruição, basicamente o Governo avisou as pessoas que lá moravam de que tinham todas de sair dali. Deram valores às casas [para indemnizações], completamente desproporcionais e muito inferiores ao valor das casas”. “Há uma pessoa que mencionamos no filme que fazia parte do círculo de Salazar, era médica e uma pessoa ilustre, e conseguiu que a sua casa fosse das últimas a ser retirada, mas mesmo assim foi [desalojada]. Quanto mais pobres e humildes eram as pessoas, mais rapidamente tiveram de sair, com uma mão à frente, outra atrás. Estas pessoas foram atiradas para bairros da cidade, que nem podemos chamar de bairros, porque foi algo improvisado na altura”, conta a co-autora do documentário. Falamos de zonas com casas “frágeis”. Porém, a precariedade da habitação já vinha de trás. “Foram construídas casinhas que não tinham uma qualidade incrível, mas já as casas na Alta de Coimbra também não tinham, muitas delas. Não havia saneamento básico, aquilo precisava de ser requalificado.” Uma “identidade própria” Filipa Queiroz destaca como “a solução foi acabar com tudo, não se valorizando o facto de ser um bairro, e com uma identidade própria, e esta é a questão principal”. O bairro era o Salatina. “Salatinas são as pessoas que trabalhavam ou viviam na Alta da cidade, ou que tinham nascido ali, e que se cruzavam diariamente com a elite estudantil. Essa diversidade tinha uma riqueza muito grande, que acabou por ter efeitos no aspecto cultural, na música, por exemplo”. Coimbra é terra associada a nomes da música portuguesa, sobretudo de intervenção, como Zeca Afonso e Carlos Paredes, e por entre os “doutores” havia também “os futricas”, ou seja, “as pessoas do povo de Coimbra, mas desses nunca mais ninguém se lembrou”. Filipa Queiroz destaca que “muita gente, inclusive de Coimbra, não sabe o que se passou ali”. “Havia ali uma cidade, uma malha urbana muito concentrada e cheia de gente e de vida, com as fogueiras de São João, eventos culturais, tudo coisas muito identitárias.” Tudo coisas destruídas com a requalificação e expansão da Cidade Universitária. Filipa Queiroz destaca que nos dias de hoje, e apesar das vivências universitárias, a Alta da cidade deixou de ter a dinâmica que tinha. “Tem aquela arquitectura austera e à noite, não se passa nada.” “Salatinas” deu voz a um tema pouco falado. “As pessoas estão muito emocionadas e sentem-se muito valorizadas. Tivemos pessoas que foram à estreia [em Coimbra, na zona da Alta] e que nos disseram: ‘Parece que houve aqui uma reparação’. Isto provocou, inclusivamente, a morte de algumas pessoas, porque se suicidaram com o desgosto, porque tiveram de deixar o sítio onde construíram o seu negócio e a sua vida”. Filipa Queiroz agradece ainda a Ricardo Pinto, director do Rota das Letras, pelo convite feito. “Convidou-nos sabendo apenas a ideia do filme. Isto vai permitir levar os meus colegas a conhecerem, pela primeira vez, este sítio, Macau, que é tão especial para mim.” Filipa Queiroz quer continuar a contar histórias através de imagens. Tendo feito documentários ligados a Macau, como “Boat People” e “Era uma Vez em Ka-Hó”, a ideia é continuar num género audiovisual tão próximo do jornalismo. “O documentarismo acrescenta uma camada artística e um tempo que o jornalismo não permite. Sim, gostava de fazer [mais documentários], isso está sempre no meu horizonte. Há sempre desafios, com o financiamento dos trabalhos e o tempo que se pode dedicar a eles, mas sem dúvida que sim, gostava de continuar.”
Sérgio Fonseca Desporto MancheteKarting: nova competição IAME nasce em Macau É já no próximo fim-de-semana que o Kartódromo de Coloane recebe a primeira das sete jornadas do mais recente campeonato integrado na família internacional de competições de karting IAME, a IAME Series Macau Depois de a RAEM se ter afirmado como paragem obrigatória no calendário da IAME Series Asia e de o Grande Prémio de Karting Internacional de Macau ter acolhido a Final da IAME Asia, foi confirmado, ainda antes do Novo Ano Lunar, o lançamento da IAME Series Macau, composta por sete provas a disputar em Coloane. O calendário apresentado acompanha o já estabelecido Campeonato de Karting da AAMC. Segundo a breve comunicação divulgada nas redes sociais pela IAME Asia Series, “a herança do desporto automóvel de Macau é profunda e a sua paixão pelas corridas é reconhecida mundialmente”. Para o promotor da IAME no continente asiático, com base em Singapura, levar a competição para a RAEM constitui “mais um passo decisivo no crescimento do karting na Ásia-Pacífico, criando mais percursos, mais oportunidades e uma comunidade mais forte para os jovens talentos”. Todos iguais As IAME Series são campeonatos de karting organizados sob a égide da italiana IAME (Italian American Motor Engineering), um dos maiores fabricantes mundiais de motores para a modalidade. O calendário da IAME Series Asia conhecerá igualmente um alargamento no próximo ano: além das jornadas na Malásia e na Tailândia, Macau receberá a quarta de seis provas da temporada, agendada para 23 e 24 de Maio. Independentemente do país ou da região, todos os participantes competem com motores IAME, ao abrigo de regulamentos técnicos uniformes que asseguram igualdade de condições em pista. O modelo privilegia o controlo de custos e a sustentabilidade da competição, colocando a tónica no talento individual e na equidade desportiva. Para além de Macau e do campeonato asiático, a IAME já promove competições no Interior da China, Japão, Malásia, Tailândia, Sri Lanka, Índia e Filipinas. Nesse contexto, a organização acredita que “juntos, continuamos a construir uma plataforma interligada em toda a região”. Conforme anteriormente anunciado, a Final da IAME Asia, abrangendo todas as categorias, regressará pelo terceiro ano consecutivo ao programa do Grande Prémio de Karting Internacional de Macau. A edição deste ano está marcada para decorrer entre 11 e 14 de Dezembro. Como anteriormente anunciado, a Final da IAME Asia, para todas as categorias, regressará pelo terceiro ano consecutivo ao programa do Grande Prémio de Karting Internacional de Macau. A data já está marcada, com o evento a decorrer entre 11 e 14 de Dezembro. Calendário de provas de 2026:* Ronda 1 – 1 de Março Ronda 2 – 22 de Março Ronda 3 – 26 de Abril Ronda 4 – 17 de Maio Ronda 5 – 28 de Junho Ronda 6 – 6 de Setembro Ronda 7 – 27 de Setembro *todas as provas serão disputadas no Kartódromo de Coloane
Hoje Macau Manchete SociedadePortugal | BNU e Misericórdia juntam-se a campanha solidária Seis entidades de matriz portuguesa em Macau e Hong Kong anunciaram uma campanha de angariação de fundos para ajudar as vítimas das tempestades em Portugal. Depois da Cáritas Macau, a onda solidária engloba o BNU, Misericórdia, Casa de Portugal, Conselho das Comunidades Portuguesas, Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau e o Club Lusitano Depois de a Cáritas Macau ter anunciado há cerca de duas semanas que estava a recolher fundos para ajudar as vítimas das tempestades que afectaram Portugal e Espanha nas últimas semanas, a campanha solidária em Macau e Hong Kong foi alargada a seis entidades de matriz portuguesa. Os donativos monetários podem ir para uma conta do Banco Nacional Ultramarino (BNU), que se associou à iniciativa, de acordo com um comunicado conjunto. Os fundos serão depois reencaminhados “para uma ou mais instituições de solidariedade social portuguesas com actuação no terreno, garantindo-se a transparência e a rastreabilidade de todo o processo”, acrescentaram na mesma nota. Lembrando a “melhor tradição de fraternidade e solidariedade que une os povos de língua portuguesa”, o comunicado faz “um apelo público à mobilização da comunidade lusófona em Macau e na Região da Grande Baía”. Além de contar com o apoio institucional do consulado, a campanha foi lançada pela associação Casa de Portugal em Macau, o Círculo da China do Conselho das Comunidades Portuguesas e o Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau. Longo desafio Em Hong Kong, a iniciativa conta com a participação do Club Lusitano, a maior instituição da comunidade lusodescendente da antiga colónia britânica, com cerca de 400 membros, fundada em 1866. Recorde-se que em 10 de Fevereiro, a organização católica Cáritas Macau lançou uma campanha de angariação de fundos, durante três meses, para os afectados pelas tempestades na Península Ibérica. Numa nota publicada nas redes sociais, a organização católica lamentou as “tempestades devastadoras” que provocaram “inundações catastróficas” e deslizamentos de terras em Portugal e Espanha, destruindo infra-estruturas e casas. “Milhares de pessoas estão desalojadas e necessitam urgentemente de água, alimentos e cuidados médicos. As equipas locais trabalham incansavelmente, mas a recuperação será longa e desafiante”, alertou a Cáritas Macau. Na quarta-feira, a União das Misericórdias Portuguesas disse ter recebido um donativo no valor de 300 mil euros da Misericórdia de Macau para apoiar as congéneres que sofreram danos significativos provocados pela depressão Kristin. Dezanove pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afectados terminou a 15 de fevereiro.
Hoje Macau Manchete SociedadeNatalidade | Prevista subida de taxa em 4,5 por cento Após visitar os primeiros bebés do Ano do Cavalo, Tai Wa Hou indicou que a previsão de aumento se deve ao facto de o Governo ter lançado “serviços de alta qualidade” para promover a natalidade O líder do hospital público previu que deverá haver mais de três mil nascimentos em 2026, uma subida de pelo menos 4,5 por cento, na região com a mais baixa natalidade do mundo. De acordo com o canal em chinês da emissora pública TDM Macau, o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário disse estar confiante em que os jovens casais do território irão ter mais filhos. Após visitar os primeiros bebés nascidos no Ano Lunar do Cavalo de Fogo, que agora arrancou, Tai Wa Hou defendeu que o Governo lançou “serviços de alta qualidade” para promover a natalidade. Em Julho, o parlamento local aprovou uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais, incluindo a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos três anos. O Governo lançou também uma consulta pública sobre o aumento, no sector privado, da licença de maternidade, de 70 para 90 dias, e das férias anuais, de seis para 12 dias para “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”. A mãe da primeira bebé do ano, nascida às 00h11 no Conde de São Januário, de apelido Fung, disse à TDM ter planos para ter mais filhos e esperar que a recém-nascida cresça com “muitos irmãos”. A estimativa feita por Tai Wa Hou representa, ainda assim, uma queda em comparação com a previsão feita há praticamente um ano, também no primeiro dia do Ano Novo Lunar. Números negros Em 29 de Janeiro de 2025, o subdirector dos Serviços de Saúde de Macau, Kuok Cheong U, previu que o ano iria terminar com menos de 3.500 nascimentos. Em 01 de Janeiro passado, Tai Wa Hou revelou que Macau registou 2.871 recém-nascidos em 2025, o menor número em quase 50 anos, desde 1978, quando a cidade, então sob administração portuguesa, registou 2.407 recém-nascidos. No entanto, enquanto em 1978 Macau tinha menos de 249 mil habitantes, no final de Setembro de 2024 a região já tinha uma população de quase 687 mil. O número de nascimentos caiu, assim, pelo sexto ano consecutivo e está cada vez mais longe do máximo histórico de 7.913, fixado em 1988. Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.