Saúde mental | Governo anuncia plano concertado

Foi apresentado ontem, através de diversos organismos públicos, um novo plano de acção conjunta pensado para a área da saúde mental, que visa juntar a parte educativa com a cultura, sem esquecer os idosos. O referido plano intitula-se “Construir uma rede de resiliência psicológica: da cognição à acção”, e, segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, consiste numa plataforma operada entre os Serviços de Saúde (SS), Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e Instituto de Acção Social (IAS), bem como o Instituto do Desporto (ID).

Na conferência de imprensa de ontem, o director interino do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, disse que será estabelecido “um mecanismo interdepartamental” entre estes serviços, com a promessa de uma “cooperação estreita e sem barreiras, promovendo-se a articulação de recursos e partilha de casos”.

O objectivo é também “formar uma rede de apoio que abranja todas as faixas etárias”, sendo que os SS já dispõem “de um mecanismo de intervenção por fases para problemas de saúde mental”, apontou.

Este passa pela “prevenção precoce, apoio ao nível comunitário, psicoterapia ao nível dos centros de saúde, e, ao nível especializado, tratamento medicamentoso e internamento”, sem esquecer a ajuda “na reintegração social dos pacientes em recuperação”.

Citada pela Lusa, Choi Ka Man, assessora principal de psicoterapia dos SS, disse que se alguém “se sentir em baixo há mais de duas semanas e não conseguir comer ou dormir, deve procurar ajuda”.

Tai Wa Hou explicou também que muitos residentes ainda receiam procurar cuidados psiquiátricos com medo de “ser estigmatizados”, enquanto outros desconhecem que condições como “ansiedade, insónia ou humor persistentemente baixo” podem melhorar com intervenção profissional.

“Estes conceitos errados criam barreiras invisíveis que impedem as pessoas de procurar ajuda”, sublinhou Tam, na mesma conferência. “É importante compreender que os problemas de saúde mental não são defeitos de carácter nem um sinal de fraqueza”, disse. Segundo Tai Wa Hou, existem em Macau nove centros de saúde e três organizações comunitárias que oferecem serviços de aconselhamento psicológico e cuidados de saúde aos residentes.

Mais livros e informações

Choi Man Chi, chefe do Departamento de Educação Não Superior da DSEDJ, apresentou o que já foi feito nesta área, nomeadamente a publicação de “materiais didácticos de educação para a saúde mental” e “recursos educativos sobre saúde mental dos jovens”, que já estão a ser aplicados nas escolas do ensino pré-escolar, primário e no ensino secundário inferior.

O responsável indicou que no segundo trimestre deste ano “serão lançados materiais também para o ensino secundário superior”, e referiu que serão formados professores “para a utilização destes materiais”, além de se “promover a realização regular de aulas de educação para a saúde mental nas escolas”.

No que diz respeito à preservação da saúde mental ao nível dos idosos, Iu Ka Wai, do IAS, afirmou que “está em curso a coordenação de avaliações domiciliárias e acompanhamento de casos identificados como sendo de risco”, tendo por base o inquérito realizado a idosos que vivem sozinhos, ou em famílias pequenas. Segundo noticiou a rádio, está também a ser preparado o “Pacote Informativo de Serviços de Cuidados a Idosos”.

Apesar de questionados pela Lusa, os SS não deram números concretos de quantos residentes receberam ou procuraram tratamento psicológico ou psiquiátrico. Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território, que conta com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade. Com Lusa

31 Mar 2026

Taiwan | Estudante de Macau atropelado por autocarro

O jovem de 20 anos foi atingido quando atravessava uma passadeira no campus da Universidade de Chang Gung, em Taoyuan, e teve de ser hospitalizado em estado grave. A empresa assumiu as culpas e garante ir assumir todas as despesas

Foto: Guishan Precinct /FocusTaiwan

Na quinta-feira da semana passada, um estudante de Macau foi atropelado na cidade de Taoyuan, em Taiwan, no campus da Universidade de Chang Gung. A informação de que o aluno foi atropelado ao atravessar na passadeira foi relatada pelos meios de comunicação social da antiga Ilha Formosa. O estudante, com o apelido Wong, ficou numa situação considerada grave, mas manteve-se consciente depois do atropelamento, apesar de ter sofrido fracturas na zona abdominal e pélvica, lacerações perineais e múltiplas escoriações nos membros inferiores.

Os bombeiros chegaram ao local para estancar a hemorragia, tratando depois do transporte para a urgência do hospital. Posteramente, o aluno com 20 anos foi encaminhado para as urgências, estando agora na unidade de cuidados intensivos.

Após o sucedido, as investigações das autoridades de Taiwan concluíram que o acidente aconteceu por volta das 22h, quando o motorista atropelou Wong, que se encontrava a atravessar na passadeira. O aluno foi atingido pela roda dianteira esquerda. Só nessa altura o condutor se apercebeu do atropelamento.

O motorista alegou que quando virou à esquerda, não viu ninguém. Depois de verificar a videovigilância, a polícia concluiu que o atropelamento aconteceu quando o estudante local se encontrava num ângulo morto, e por não ter sido cedida a passagem numa passadeira. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, e o condutor está indiciado dos crimes de ofensa à integridade física por negligência.

Limites para cumprir

Em reacção ao acidente, a Universidade de Chang Gung afirmou que o limite de velocidade no campus é de 30 quilómetros por hora, e que no campus foram instalados radares de velocidade e lombas de redução de velocidade. Além disso, a instituição indicou que pediu às companhias de autocarros e a outros veículos que cumpram as regras impostas e que conduzam de forma defensiva, ao cederem a passagem nas passadeiras ou quando mudam de direcção.

A universidade garantiu ainda que contactou imediatamente com a família do Wong, para explicar o sucedido, apresentar à família o plano de realojamento do estudante, quando tiver alta, para a continuar a recuperação, além de prestar medidas de apoio. A instituição afirmou ainda ter começado a tratar dos procedimentos para accionar o seguro.

Por sua vez, a companhia de autocarros, a San Chung Bus, afirmou que pede sempre aos motoristas para cumprirem as regras de trânsito. A SanChung Bus revelou ainda que o motorista trabalha há mais de 12 anos na empresa que o seu desempenho foi sempre considerado “bom”.

Apesar disso, enquanto prosseguem as investigações, o condutor foi suspenso. A empresa afirmou ainda ter pedido desculpas à família de Wong e à universidade, indicando que vai assumir o pagamento da indemnização pelo acidente, assim como as despesas médicas. Ao canal chinês da Rádio Macau, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicaram ter comunicado com a família do Wong para acompanhar o caso.

31 Mar 2026

Aeroporto | Lucros caem um terço face a 2024

A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau anunciou esta segunda-feira receitas totais de 1,35 mil milhões de patacas em 2025 e lucros de 229 milhões de patacas, o que representa menos um terço face aos lucros antes de impostos registados em 2024

A companhia responsável pelo aeroporto de Macau anunciou ontem uma receita total para 2025 de 1,35 mil milhões de patacas, uma diminuição de 8,7 por cento face ao ano anterior. O lucro antes de impostos da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau fixou-se em 229 milhões de patacas, menos um terço que o reportado no ano anterior.

A empresa sublinhou que irá manter uma “política de gestão financeira prudente”, com planos para reforçar o “controlo de custos e a eficiência operacional” de modo a assegurar o desenvolvimento sustentável das operações do Aeroporto Internacional de Macau em 2026. Em 2025, os accionistas subscreveram um aumento de capital de 530 milhões de patacas, destinado a financiar o projecto de expansão e aterro do Aeroporto Internacional de Macau.

A expansão do aeroporto, que envolve um investimento de 3,99 mil milhões de patacas, arrancou em 2024 e prevê aumentar a capacidade para 13 milhões de passageiros por ano até 2030.

Tráfego em queda

Em 2024, a CAM já tinha anunciado um aumento do capital da empresa, no valor de 850 milhões de patacas para ajudar a financiar a expansão.

O Governo de Macau detém 67,6 por cento da concessionária do aeroporto, seguido pela companhia de jogo e turismo Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) com 28,32 por cento, sendo o restante dividido por investidores do interior da China, Hong Kong e locais.

O aeroporto registou em 2025 um tráfego de 7,52 milhões de passageiros e 58 mil movimentos de aeronaves, correspondendo a quedas de 1,6 e 2,9 por cento, respectivamente. O volume de carga atingiu 109 mil toneladas, um acréscimo de 1,1 por cento relativamente a 2024.

Para os próximos anos, a concessionária anunciou que continuará a atrair novas companhias aéreas para lançar rotas internacionais e a incentivar as existentes a aumentar frequências para destinos já operados. O aeroporto anunciou em Fevereiro que prevê um aumento de 8 por cento dos passageiros e de 10 por cento das aterragens e descolagens este ano, quando se prepara para lançar novas rotas para a China continental, Filipinas e Vietname.

Actualmente, o aeroporto opera principalmente rotas para o Sudeste Asiático, Ásia Oriental e China Continental, com voos para múltiplas cidades no Interior da China, outros para Taipé, Xangai, Banguecoque, Seul, Manila, Hanói e Kuala Lumpur.

Entre os projectos em curso, destacam-se a expansão e reparação da pista, a construção de um terminal de carga na vizinha Hengqin – que deverá atingir a fase de cobertura no terceiro trimestre e concluir a estrutura até ao final do ano – e a implementação de serviços multimodais para reforçar a conectividade regional.

Está igualmente prevista a expansão do serviço “Check’n Fly”, que permitirá aos passageiros efetuar o check-in e a entrega de bagagem diretamente a partir do hotel, e a abertura de novos espaços de restauração na área restrita do terminal.

31 Mar 2026

Eléctricos | Pedida melhorias na rede de carregamentos

O deputado ligado à comunidade de Jiangmen, Lee Koi Ian, pede medidas que facilitem a instalação de postos de carregamento nos edifícios e evitem o estacionamento de veículos a combustão nos locais de carregamento de veículos eléctricos

O deputado Lee Koi Ian defende a necessidade de aumentar a área dos lugares de estacionamento nos bairros antigos, para permitir a instalação de mais postos de carregamento para veículos eléctricos. O assunto foi apresentado pelo legislador ligado à comunidade de Jiangmen, através de uma interpelação escrita.

No texto do documento, Lee considera que a promoção da protecção ambiental e das “deslocações ecológicas” contribuem para “concretizar o objectivo nacional da ‘dupla meta de carbono’ e construir uma cidade verde e de baixo carbono”.

Lee Koi Ian cita ainda os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) para indicar que no ano passado entre os 11.117 veículos com novas matrículas, 4.204 eram eléctricos (37,8 por cento do total), o que representa um aumento de 6,4 pontos percentuais em relação ao ano de 2024.

No entanto, o legislador alerta que a rede de carregamentos precisa de ser melhorada: “devido às limitações de espaço e de instalações eléctricas, alguns parques de estacionamento ainda não dispõem de instalações de carregamento suficientes, o que origina conflitos entre a oferta e a procura de veículos eléctricos por parte dos residentes”, aponta.

Lee destaca igualmente que este é um problema muito sentido nos bairros mais antigos, pelo que pretende saber se vão ser implementadas alterações. “A largura dos lugares de estacionamento nos bairros antigos de Macau é insuficiente, o que causa não só incómodos à vida dos residentes no estacionamento dos seus veículos nos referidos lugares, mas também limita a disposição e a eficiência das instalações de carregamento de veículos eléctricos”, indica, “As autoridades vão proceder a um novo planeamento e ajustamento da largura dos lugares de estacionamento nos bairros antigos, que reúnam condições para tal, com vista a dar resposta às necessidades quotidianas dos residentes em relação ao estacionamento e ao carregamento dos seus veículos eléctricos?”, questiona.

Problemas nos edifícios

Lee Koi Ian alerta ainda para o facto de que em muitos casos os edifícios encontram dificuldades para instalarem as próprias redes de carregamentos por falta de conhecimentos técnicos e legais. O legislador pede uma resposta para estas questões: “A instalação de equipamentos de carregamento de veículos eléctricos em edifícios habitacionais privados enfrenta dificuldades cuja resolução depende essencialmente da definição clara das respectivas instruções práticas, da divisão clara das competências e responsabilidades, do domínio exacto das respectivas normas de regulamentação por parte das comissões de proprietários de edifícios e da Administração de edifícios”, apontou. “Com vista a garantir a segurança no carregamento, as autoridades vão elaborar instruções práticas pormenorizadas que abranjam todo o processo de instalação?”, pergunta.

Na interpelação, o deputado pede ainda soluções para o problema da ocupação excessiva dos lugares de carregamento eléctrico, muito além das necessidades, assim como o estacionamento nestes lugares por parte de veículos a combustão.

31 Mar 2026

Juventude | Sam Hou Fai pede mais ambição e determinação

O Chefe do Executivo prometeu que o futuro de Macau vai ter “oportunidades sem precedentes”, e pediu “ambições elevadas e ideais” aos jovens, mas tendo em mente “os assuntos de importância nacional e do povo”

O Chefe do Executivo pediu à Federação de Juventude de Macau que tenha “ambições elevadas e ideais”, mas sempre com “os assuntos de importância nacional e do povo” em mente. As declarações de Sam Hou Fai foram proferidas pelo líder do Governo, durante a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos dirigentes da associação, que passa a ter a deputada Wont Kit Cheng como presidente.

De acordo com o conteúdo do discurso divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social, o líder do Executivo começou por indicar que “o crescimento e o progresso da juventude exigem (…) determinação própria e esforços persistentes”. Depois, pediu ambição: “É necessário cultivar ambições elevadas e ideais, acompanhem o pulso da conjuntura e possuam grandes aspirações, que tenham sempre em mente os assuntos de importância nacional e do povo, e que liguem estreitamente os desígnios pessoais ao desenvolvimento nacional e à prosperidade de Macau”, apelou.

Ainda entre as esperanças deixadas para a juventude, Sam Hou Fai pediu mais dinâmica para esta nova era de Macau. “É essencial agir com pragmatismo e diligência, com firmeza e constância, deixando esperança que se dediquem ao estudo, sem recear as dificuldades e enfrentem os desafios com a ousadia, e através de esforços continuados e de medidas concretas, transformem ideais em realidade, e demonstrem com vigor e optimismo o carácter dinâmico da juventude de Macau na nova era”, apontou.

Sempre a crescer

Por último, o Chefe do Executivo prometeu que a RAEM vai ter “oportunidades de desenvolvimento sem precedentes em múltiplas áreas”, pelo que considerou “imperioso” que os jovens sejam “audazes na inovação” e assumam “responsabilidades com coragem”. “Por isso, espera-se que os jovens ousem explorar e experimentar, assumindo o papel de pioneiros, abrindo caminho a avanços com mentalidade renovada, acolhendo as transformações que se anunciam, com sentido de responsabilidade e injectando na sociedade uma vitalidade inesgotável, ampliando, por conseguinte, as possibilidades para o nosso tempo”, atirou.

A Federação de Juventude de Macau vai ter como nova presidente Wong Kit Cheng, que tem 44 anos, completa 45 em Outubro, e é deputada desde 2013. Foi sempre eleita pela lista apoiada pela Associação das Mulheres, onde actualmente é vice-presidente. Wong integra também o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Além disso, é uma das vice-presidentes da Federação da Juventude da China, associação para os jovens liderada pela Liga da Juventude Comunista da China.

31 Mar 2026

Identidade de Género | Residentes relatam existência de exclusão e barreiras

Reportagem de Catarina Domingues, da agência Lusa

O facto de a identidade de género não estar legislada cria obstáculos a quem não se identifica com o género de nascimento. Quatro residentes partilharam as suas experiências

Quatro pessoas transgénero em Macau, onde a identidade de género não está legislada, narram um trajecto de exclusão, com barreiras no acesso a cuidados médicos, emprego e ensino, em que a nacionalidade portuguesa pode ser “uma espécie de afirmação”.

A-wai só se sente bem em casa. Precisou de semanas para aceder a dar esta entrevista e pede que, depois de publicada, os áudios sejam apagados. Não quer fotos, certifica-se ainda, nem referência ao nome de baptismo que, por enquanto, se conserva gravado no documento de identidade.

Tem transtorno de ansiedade social, diz. A primeira pergunta que faz ao chegar ao lugar marcado é se parece uma mulher. Mais tarde, vai querer saber também se tem uma voz feminina.

Nasceu nos anos 80, mas só recentemente avançou para a redesignação sexual, um desejo que retardou pela família. “Nem todos iam para a universidade em 2005, era uma honra para mim e para a minha família fazê-lo, então desisti de mim, tentei viver como os outros desejavam”, conta à Lusa.

Sem a possibilidade de avançar, num primeiro momento, com a terapia de reposição hormonal (HRT) em Macau – um dos passos iniciais da transição – começou por tomar hormonas ilegalmente na Tailândia. Prática comum entre a comunidade trans local, incluindo menores, que recorrem ao mercado negro.

“Preocupa e não queremos que o façam”, reage Kelvin Lei, membro da Associação GDC (Gender-Diverse Community). “Tivemos conhecimento, finalmente, que um ou dois médicos em Macau prescrevem HRT (…). Tem de se estabelecer um mecanismo médico formal para que se possa receber tratamento”, diz.

Para a cirurgia de redesignação sexual, A-wai voltou à Tailândia. Na aparência, materializou-se a mudança. No papel não. Em Macau não existe uma lei de identidade de género e não é permitido mudar o sexo nos documentos oficiais.

Muro de silêncio

A-wai escreveu ao Governo e ao parlamento. Silêncio. A ansiedade acabou por comprometer os cuidados do pós-operatório, a vagina começou a atrofiar. “A minha prioridade é o bilhete de identidade”, diz a jovem desempregada.

À Lusa, a Direcção dos Serviços de Identificação disse ter recebido até finais de Janeiro oito pedidos escritos para a alteração do sexo no documento de identificação, todos “indeferidos, conforme a lei”. “Uma vez que ainda não existe um consenso geral na sociedade, o Governo (…) não tem planos para alterar o regime jurídico vigente”, lê-se na resposta.

A rejeição tem outros rostos: da família, A-wai não recebeu apoio, em entrevistas de emprego foi várias vezes rejeitada e no hospital encaminhada para a ala masculina. O escrutínio é permanente e A-wai admite que pensou no suicídio. “Um dia, um assistente social perguntou-me: por que não é bom ser homem? Não é bom para encontrar emprego?”

Vitórias simbólicas

Bryson (nome fictício), homem trans de 20 anos, tem o amparo da família, mas o futuro adiado. Abandonou a universidade depois da instituição de ensino – onde no primeiro ano é obrigatório viver no campus – não ter permitido que ficasse no dormitório masculino. “A solução proposta não me respeitava”, diz.

Nas mais antigas lembranças, Bryson já sinalizava a angústia de ser menina. Relata um percurso de rejeição – como quando um médico perguntou se tinha sido assediado sexualmente por “pensar desta forma” -, mas marcado por momentos de esperança – foi-lhe permitido usar na escola o uniforme de desporto em vez do feminino.

Com 15 anos, foi encaminhado pela psicóloga escolar, a quem confidenciou que se tentara matar, para um psiquiatra no hospital, onde começou a tomar medicação para “controlar as emoções”. “O médico recusou-se a escrever disforia de género nos ficheiros.”

Também Bryson tomou HRT ainda menor e sem supervisão clínica, até começar a ser acompanhado por um médico em Hong Kong e depois Macau.

No caso do jovem, que realizou uma mastectomia em Xangai, existe a possibilidade de adquirir passaporte português, através do pai, e ver, por fim, um M num documento. “Significa que há um lugar que aceita a minha situação e um documento que atesta que sou um homem”, nota. Mas o entusiasmo é moderado. Uma vitória simbólica, com pouca funcionalidade no dia-a-dia.

“Situações residuais”

A Lusa perguntou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal quantos naturais de Macau alteraram o sexo no cartão de cidadão, mas “a rede consular portuguesa não dispõe de dados desagregados sobre os pedidos” em postos consulares. “Estas situações serão ainda muito residuais”, indicou o MNE.

Jonathan Lai, homem trans, 26 anos, tem passaporte português. Foi com este documento que se casou nos Estados Unidos com o marido, também de Macau, algo que poderia ter acontecido no território chinês. Apesar de estar proibido o casamento homossexual, no bilhete de identidade de Macau ainda é mulher.

Com 23 anos, Jonathan fez uma mastectomia na Tailândia e com 24 removeu os órgãos femininos em Taiwan, onde deverá realizar este ano uma faloplastia (construção de um pénis). Também aqui, o início desta história se repete: depressão, tentativa de suicídio, primeiro contacto com HRT ilegal: “Uma injecção custava 91 yuan [11 euros] na China”.

A Lusa questionou os Serviços de Saúde de Macau sobre se estão a par desta realidade, mas não obteve resposta. Na “suspeita de que um doente possa manifestar disforia de género, é iniciado um processo de avaliação clínica e é fornecido tratamento sintomático”. Caso a “avaliação indique a necessidade de tratamento especializado, o doente será encaminhado para um especialista”, foi a resposta.

Nos casos “que envolvam questões multidisciplinares ou condições mais complexas”, o hospital público “avaliará a eficácia do tratamento sob múltiplas perspectivas, ajustando os planos de tratamento conforme necessário”, completaram os serviços.

No meio de nós

“O residente comum de Macau tem de saber que há pessoas trans entre os humanos e que não somos monstros”. As palavras são de Clio, mulher trans, quase nos 40. Veste-se de mulher – “a minha identidade” – para a entrevista, mas não o faz quando trabalha. Chama-se “técnica de sobrevivência”, diz.

Um dia, vestida de mulher, cruzou-se na rua com familiares, que agiram como se não se conhecessem. Nunca falaram sobre isso. “Se disser abertamente que sou trans, isso vai afectar a vida deles. Vão sentir-se envergonhados ou perder a face”, nota a fundadora do grupo Comunidade de Apoio Mútuo Transgénero de Macau (numa tradução livre), que também pede para ocultar a identidade.

A Clio foi diagnosticada disforia de género pelo hospital público. “Algum tempo depois, voltei ao médico e pedi HRT e ele, com relutância, prescreveu”, conta. “Quantas mais pessoas forem diagnosticadas, mais atenção é dada ao tema.” Também para esta mulher há uma janela que em breve se abre. Vai esta semana tratar do cartão de cidadão português. “É uma espécie de afirmação, uma prova”, explica.

31 Mar 2026

Crime | Psicoterapeuta detido por suspeitas de assédio e abuso sexual

As alegadas vítimas do profissional de saúde mental, são uma paciente, que durante vários anos se manteve em silêncio por temer que a informação emocional partilhada nas consultas fosse utilizada contra si, e ainda quatro estagiárias, orientadas pelo detido

Um psicoterapeuta, com 47 anos, foi detido, por suspeitas de assédio e abusos sexuais, com as vítimas a serem uma paciente e quatro estagiárias. O caso foi divulgado pela Polícia Judiciária (PJ), na sexta-feira, e envolve um residente local. O homem trabalhava numa clínica de terapia há mais de 10 anos e todas as vítimas são residentes locais. No caso das estagiárias, os crimes foram alegadamente cometidos no último ano. O detido, além de psicoterapeuta, era o supervisor dos estágios das vítimas.

No caso da paciente, de acordo com o relato da PJ, os alegados crimes terão começado em 2021, quando a vítima procurou ajuda para ultrapassar problemas emocionais. Com a desculpa de que pretendia aliviar o stress da vítima, o psicoterapeuta começou por aplicar uma massagem corporal à paciente, em que colocou as mãos dentro da roupa interior ao nível do peito e na cintura.

Apesar do incidente, a vítima não apresentou queixa imediatamente, e afirmou temer que a informação pessoal e emocional recolhida pelo detido fosse utilizada contra si. No entanto, como com o passar dos anos nunca conseguiu ultrapassar a raiva do sucedido, e acabou mesmo por apresentar queixa criminal.

Em relação às estagiárias, o orientador é acusado de lhes tocar repetidamente na cintura, ancas e braços, como a desculpa de que as estava a orientar. As estagiárias não apresentaram queixa imediatamente, por temerem represálias ao nível da avaliação. Contudo, depois de comentarem entre si o sucedido, decidiram em conjunto apresentar uma queixa criminal.

Instituição protegida

Durante a conferência de imprensa, a PJ recusou libertar qualquer tipo de informação relacionada com a clínica, segundo o jornal Ou Mun, utilizando como desculpa o segredo de justiça. A PJ recusou também divulgar se a instituição onde o psicoterapeuta exercia a profissão era pública ou privada, o que foi justificado com o facto de a investigação ainda estar em curso.

O homem foi detido no local de trabalho e está indiciado dos crimes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, que tem uma pena mínima de um ano e máxima de 10 anos, e de importunação sexual, que prevê uma pena que pode chegar a um ano de prisão. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

Associação expressa “raiva”

A Associação Geral das Mulheres de Macau afirmou sentir “raiva”, depois do caso ter sido divulgado pelas autoridades. Em comunicado, a associação, através da vice-administradora executiva Chu Oi Lei sublinhou que as vítimas sentiram medo de sofrer retaliações, no momento de apresentarem queixa criminal.

Por isso, Chu apelou às vítimas deste tipo de crimes que confiem na capacidade da polícia e não se deixem intimidar, para evitar que os infractores façam mais vítimas. A responsável defendeu também que o Governo se deve coordenar com a população para criar um mecanismo de apoio para dar aconselhamento psicológico e assistência às vítimas destes crimes.

30 Mar 2026

Natalidade | Novo recorde negativo atingido em 2025

No ano passado, registaram-se 0,47 nascimentos por cada mulher com idades compreendidas entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024. O valor necessário para a substituição de gerações é de 2,1. De acordo com os dados da DSEC, a taxa de fecundidade está a cair há 11 anos consecutivos

A taxa de fecundidade em Macau voltou a cair em 2025, para um novo mínimo histórico, foi anunciado na sexta-feira, depois da região ter registado em 2024 a taxa mais baixa do mundo. De acordo com dados oficiais divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau terminou o ano passado com 0,47 nascimentos por cada mulher com idades entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024.

A fecundidade no território tem vindo a cair há 11 anos seguidos, para o valor mais baixo desde que a DSEC começou a calcular esta taxa, em 2001, e muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1). Além da queda da fecundidade, um indicador importante para prever a evolução da população, Macau também registou no ano passado 2.871 recém-nascidos, o menor número de nascimentos em quase 50 anos.

De acordo com estimativas do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, a região terá tido em 2024 a mais baixa taxa de fecundidade do mundo, seguida de Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher. As autoridades de Macau introduziram medidas para incentivar a natalidade, incluindo, em 2025, um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para crianças até aos três anos.

Sem efeito

O líder do Governo, Sam Hou Fai, aumentou também o subsídio de nascimento, de 5.418 patacas para 6.500 patacas, e o subsídio de casamento, de 2.122 patacas para 2.220 patacas. O Executivo prometeu ainda oferecer gratuitamente mais e melhores creches e lançou uma consulta pública, que terminou em 16 de Março, sobre o aumento no sector privado da licença de maternidade, de 70 para 90 dias.

Com menos nascimentos, os idosos de Macau, com 65 ou mais anos – cerca de 105.200 em 2025 – representavam 15,3 por cento da população, mais 0,7 pontos percentuais do que no ano anterior. A população da cidade atingiu 688.900 pessoas no final de 2025, um aumento ligeiro de 0,1 por cento face ao ano anterior, sendo que 80.300 eram jovens até aos 14 anos (11,7 por cento).

A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com o Governo de Macau a prever uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.

30 Mar 2026

Comunidades | Anunciadas reuniões quinzenais com a diáspora

O Conselho Regional da Ásia e Oceânia (CRAO) promete realizar reuniões a cada 15 dias com a comunidade para “ligar os luso-descendentes da diáspora”. Os moldes dos encontros ainda não foram revelados

O Conselho Regional da Ásia e Oceânia (CRAO) do Conselho das Comunidades Portuguesas vai passar a realizar “reuniões quinzenais” com a comunidade e desenvolver “uma ferramenta digital” para “ligar os luso-descendentes da diáspora”, foi anunciado em Macau. O CRAO, que concluiu a primeira reunião presencial do ano, anunciou ainda a eleição de Sara Fernandes, conselheira eleita pelo Círculo da Austrália, para a presidência do conselho regional para o período 2026-2027, mandato que iniciará em 8 de Outubro próximo.

O conselho não explicou como vai efectivar as reuniões quinzenais nos vários círculos regionais, nomeadamente China, Austrália e Timor-Leste, remetendo novas informações para “um comunicado”, cuja data de divulgação também não foi anunciada.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião de dois dias em Macau, o presidente do CRAO, Rui Marcelo, sublinhou o reconhecimento pelo conselho da “diversidade e riqueza” das comunidades regionais, “desde Macau, Hong Kong e China continental, até a Austrália e Timor-Leste”. “Assumimos como missão garantir que as suas vozes sejam ouvidas junto das entidades consulares e das instituições da República”, afirmou.

Instado, porém, a explicar se, no âmbito da visita prevista do chefe do Executivo do Governo de Macau, Sam Hou Fai, a Portugal, Espanha e Bruxelas em Abril, o CRAO tinha feito chegar ao Executivo português alguma preocupação da diáspora portuguesa ou dos luso-descendentes em Macau, nomeadamente sobre a questão das restrições de residência impostas aos portugueses desde 2023, Rui Marcelo declinou responder, sob o argumento de que estas questões “são canalizadas” através dos consulados e embaixadas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“A comunidade fez-nos chegar essas preocupações, é algo que está no âmbito do diálogo que tem havido e que está sob a responsabilidade do senhor cônsul-geral de Portugal em Macau e é ele o interlocutor para estas questões”, disse. “Nós, enquanto conselheiros, poderemos dar algumas sugestões, poderemos veicular algumas preocupações, mas relativamente a essa questão não nos podemos sobrepor”, acrescentou. “Somos um órgão consultivo e, como tal, actuamos neste sentido”, disse ainda Rui Marcelo.

Problemas identificados

Um relatório produzido pela Comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento português, após uma visita a Macau, Hong Kong e Timor-Leste no final de 2025 e divulgado em Janeiro último, deu conta das dificuldades levantadas pelas alterações – desde 2023 – do regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR) pela Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), criando obstáculos acrescidos ao recrutamento de trabalhadores portugueses.

O relatório assinalou ainda atrasos significativos nos processos de atribuição da nacionalidade portuguesa em Macau e na emissão de passaportes pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) local, com casos que podem demorar entre um e cinco anos. A substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal foi igualmente identificada pela comissão parlamentar como um problema com impacto directo na comunidade portuguesa em Macau.

Estas questões deverão ser objecto de análise pela sétima reunião da Comissão Mista Portugal-Macau, a primeira desde 2019, antes da pandemia de covid-19, prevista para Abril em Lisboa.

30 Mar 2026

Combustíveis | Governo pede estabilização dos preços após aumentos

O Governo apelou ao sector petrolífero do território que estabilize os preços dos combustíveis, na sequência de aumentos entre os 7,3 e 9,2 por cento, motivados em parte por tensões geopolíticas no Médio Oriente.

Em comunicado emitido na noite de quinta-feira, o Grupo de Trabalho para a Fiscalização dos Combustíveis da cidade informou ter realizado uma reunião com representantes do sector em que explicaram que os preços do petróleo bruto a nível internacional têm “registado grandes flutuações” e que “o preço de venda a retalho dos combustíveis em Macau tem sido ajustado em consequência do aumento dos preços internacionais”.

De acordo com o mais recente relatório do Conselho de Consumidores sobre os preços dos combustíveis publicado na quinta-feira, é indicado que a gasolina premium numa estação de serviço Esso registou um aumento de 7,3 por cento, sendo agora vendida a 19 patacas por litro, contra 17,7 patacas na actualização anterior.

Numa gasolineira da Shell, o preço subiu 9,2 por cento, para 18,94 patacas por litro, face às 17,34 patacas anteriores.

As autoridades sublinharam na reunião a expectativa de que o sector continue a assumir a sua responsabilidade social, colaborando para estabilizar os preços dos produtos petrolíferos, de forma a aliviar os encargos dos cidadãos, e ofereça diversos tipos de benefícios aos consumidores.

Entretanto, o sector petrolífero afirmou que os stocks e o abastecimento de combustíveis em Macau estão estáveis e “garantem um abastecimento suficiente.

30 Mar 2026

Consumo | Anunciada nova ronda do Grande Prémio

O novo programa anunciado pelo Governo prevê a distribuição de 400 milhões de patacas, em cupões com valores que podem chegar até às 200 patacas. O sorteio dos cupões é realizado entre sexta-feira e domingo, e os descontos podem ser utilizados entre segunda e quinta-feira

O Governo anunciou o lançamento de uma nova ronda do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias, que tem como principal novidade o facto de os cupões para gastar no comércio local passarem a ser atribuídos aos fim-de-semana e serem utilizados durante os dias úteis. O anúncio foi feito na sexta-feira, em conferência de imprensa, e a iniciativa tem como objectivo “dinamizar o ambiente de consumo nas zonas comunitárias” e ao mesmo tempo estimular “a confiança no mercado”.

A nova ronda do programa de consumo vai decorrer entre 10 de Abril e 18 de Junho, ao longo de 10 semanas, e vai distribuir um total de 400 milhões de patacas em cupões de consumo.

Segundo Cheang Hio Man, directora substituta da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) as regras foram ajustadas para incentivar “os residentes a permanecer e consumir em Macau durante os fins-de-semana para obter benefícios”. O Governo tenta assim evitar as deslocações da população para o Interior, onde os serviços oferecem preços mais baratos.

Cheang Hio Man explicou que com o novo modelo espera-se que “os benefícios cheguem a um maior número de diferentes PME” para reforçar “o efeito impulsionador global, o que contribui para estimular ainda mais o ambiente de consumo local, bem como promover a circulação económica interna local”.

Sorteios ao fim-de-semana

Segundo o modelo apresentado, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizam meio de pagamento electrónicos para pagamentos superior a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos. No entanto, as carteiras virtuais nas aplicações electrónicas de pagamentos têm de estar registadas com o nome real.

No caso de receberem cupões com os três sorteios, os consumidores vão poder utilizar os descontos entre segunda-feira e quinta-feira.

Além desta alteração, os titulares do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência passam a obter o desconto imediato adicional, no valor de 500 patacas, através do Cartão Macau Pass para Deficientes. Com esta alteração deixam de precisar de levantar o Cartão de Cuidados Sociais.

Os cupões têm valores de 10 patacas, 20 patacas, 50 patacas, 100 patacas e 200 patacas e podem ser utilizados em mais de 20 mil lojas. Para utilizarem os cupões, os residentes têm de fazer compras com um valor igual ou superior ao triplo do valor nominal do cupão, ou seja, se quiserem gastar um cupão de 10 patacas têm de fazer compras de pelo menos 30 patacas. Todos os cupões de desconto expiram à meia-noite da 6.ª feira imediatamente a seguir da semana da obtenção.

30 Mar 2026

AMCM | Central de Depósito e Liquidação com prejuízo de 8,97 milhões

A empresa da AMCM, tida como uma aposta para diversificar a economia na área financeira, acumulou novos prejuízos. Exceptuando o ano da fundação, em 2021, os resultados têm sido sempre negativos e cada vez se agravam mais

A Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários de Macau (MCSD, na sigla em inglês), terminou o ano passado com um prejuízo de 8,97 milhões de patacas, o quarto ano consecutivo com perdas. A empresa é controlada a 100 por cento pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), e foi criada em 2021 para diversificar a economia na área das finanças, tendo como funções a exploração das infra-estruturas financeiras, de serviços de registo central, compensação, liquidação e de depósito de valores mobiliários.

Além de continuar a acumular prejuízos, a empresa tem visto o valor dos prejuízos crescerem de forma contínua. Em 2024, a empresa apresentou perdas de 7,18 milhões de patacas, que cresceram para 8,97 milhões de patacas, um aumento de 25,97 por cento.

No relatório de actividades, a MCSD justificou as despesas totais de 13,60 milhões de patacas “com o grande investimento necessário durante as fases iniciais do desenvolvimento do negócio” e “a necessidade de fazer investimentos com o pessoal e nos sistemas” da empresa.

Apesar das perdas maiores, as receitas da empresa mostraram melhorias. Os contratos com clientes valeram à MCSD 3,95 milhões de patacas, quando no ano anterior o valor tinha ficado nos 2,92 milhões de patacas. A actividade que gerou maiores receitas, foi a que diz respeito aos serviços de custódia, ou seja, de guarda, administração de activos financeiros, como acções, títulos ou fundos, que geraram 3,62 milhões de patacas. No ano anterior, as receitas tinham sido de 2,78 milhões de patacas. Os serviços de registo registaram receitas de 292 mil patacas e de liquidação de 36 mil patacas. Ao mesmo tempo, os juros do capital da empresa geraram 563 mil patacas, uma redução face ao milhão gerado no ano anterior.

Maiores despesas

Ao mesmo tempo, as despesas cresceram para um novo recorde de 13,60 milhões de patacas, quando no ano anterior tinham ficado nos 11,21 milhões de patacas. O principal gasto da empresa da AMCM, prende-se com o pessoal, com a despesa a atingir 5,31 milhões de patacas. No ano anterior, tinha sido de 4,93 milhões de patacas. Os salários contribuíram em 2025 para 4,82 milhões do total dessas despesas.

No final de 2025, a empresa registava um total de 18 trabalhadores, incluindo dois que integram a autoridade monetária e 16 contratados a tempo inteiro. Os segundos maiores gastos relacionaram-se com os serviços de telecomunicação e correio, ao totalizarem 3,22 milhões de patacas, um valor que apresentou uma ligeira redução no espaço de um ano.

27 Mar 2026

Combustíveis | Actualizações mostram aumentos a rondar 8%

Está cada vez mais caro viajar de transporte individual no território, e, de acordo com a informação do Conselho de Consumidores, na última semana, o litro dos diferentes combustíveis ficou mais caro entre 1,22 patacas e 1,40 patacas por litro

As actualizações mais recentes do Conselho de Consumidores (CC) mostram que os preços dos combustíveis continuam a subir, agora a um ritmo generalizado que se aproxima de 8 por cento. Este aumento é sentido em todos os tipos de combustíveis, e é causado pela crise do transporte de petróleo no Estreito de Ormuz, no seguimento dos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

No que diz respeito à gasolina sem chumbo, o tipo de combustíveis mais barato do mercado, as actualizações do CC indicam que os preços ficaram mais caros entre entre 7,8 por cento e 8,3 por cento, ou 1,22 patacas e 1,30 patacas.

O menor preço era disponibilizado pela Caltex, no posto de combustível da Estrada Marques Esparteiro, onde o litro de gasolina custava 16,17 patacas, ontem. No entanto, este valor representa uma subida de 8,2 por cento do preço, em comparação com 19 de Março, a actualização anterior do CC, quando o litro custava 14.95 patacas. Nos restantes postos de combustíveis da marca, o litro de gasolina custava, ontem, 17,34 patacas, um alargamento de 1,22 patacas, ou 8,2 por cento, em comparação com o preço de 19 de Março, de 16.09 patacas por litro.

No pólo oposto, o maior aumento do preço da gasolina foi apresentado pela Nam Kwong, comercializada com a marca NKoil, com uma diferença de 8,3 por cento. A 11 de Março, o preço por litro de gasolina era de 15.09 patacas, mas subiu para 16,34 patacas, na quarta-feira. Excluindo o posto da Caltex, a empresa chinesa disponibiliza o preço mais baixo do mercado.

Em relação às outras gasolineiras, na Shell e na Total os preços cresceram 7,8 por cento, em ambos os casos. Na Shell, na quarta-feira, a gasolina era comercializada a 17,34 patacas, quando na actualização anterior, a 11 de Março, o preço era de 16.09 patacas. Na Total, o preço de ontem era de 17,24 patacas, quando a 12 de Março era de 15,99 patacas.

Em relação à Esso, a gasolina ficou mais cara 8,1 por cento, ou 1,30 patacas, dado que era comercializada por 16,10 patacas por litro a 13 de Março, mas ontem só era vendida por 17,40 patacas.

Em termos da gasolina premium, os preços apresentam seguiram a tendência. Na Esso, a escalada foi de 7,3 por cento, de 17.70 patacas, a 18 de Março, para 19.00 patacas, no dia de ontem, uma diferença de 1,30 patacas. Na Shell, o aumento foi de 7,1 por cento, de 17,69 patacas por litro, a 19 de Março, para 18.94 patacas, no dia de ontem, um crescimento do preço por litro de 1,25 patacas.

Diesel segue a tendência

Em termos da comercialização de diesel, a realidade não é diferente, embora o preço tenha tendência a ser mais caro. Este tipo de combustíveis ficou mais caro entre 7 por cento e 8,1 por cento, o que representou custos entre 1,26 patacas e 1,40 patacas por litro

O maior aumento aconteceu com a Catltex, um crescimento de 8,1 por cento, no posto na Estrada Marques Esparteiro, em que o valor do litro subiu de 16,58 patacas para 17,93 patacas, um crescimento de 1,35 patacas. Nos restantes postos desta marca, as subidas foram de 7,5 por cento, de 17,89 patacas, a 13 de Março, para 19,24 patacas.

Os dados do CC mostram que o preço mais reduzido é praticado pela Nam Kwong, onde o diesel ficou 8 por cento mais caro, ou 1,35 patacas, crescendo de 16,94 patacas, a 11 de Março, para 18,29 patacas, na quarta-feira. Os preços do diesel tiveram um aumento menor na Shell, com 7 por cento, de 17,98 patacas por litro, a 11 de Março, para 19,24 pataca, na quarta-feira, uma diferença 1,26 patacas.

Na Esso a subida foi de 7,8 por cento ou 1,4 patacas, de 17,90 patacas para 19,30 patacas, enquanto na Total foi de 7,6 por cento, de 17,40 patacas para 18,75 patacas por litro.

27 Mar 2026

Economia | Mulheres pedem ronda do Grande Prémio para o Consumo

Face ao reduzido impacto nas zonas residenciais do número recorde de turistas, a Associação das Mulheres pede mais iniciativas para beneficiar estas zonas e promover a recuperação económica. Entretanto, Governo anuncia hoje novo grande prémio de consumo

A Associação Geral das Mulheres de Macau defende que é necessário o Governo lançar uma nova ronda do Grande Prémio para o Consumo e melhorar os moldes do programa de promoção do consumo interno. A ideia consta num comunicado da associação, em que é indicado que apesar de o número de turistas ter sido superior a 10 milhões até 21 de Março, a economia comunitária continua a sofrer com a queda do consumo.

Segundo o comunicado, os membros do Gabinete de Estudo das Políticas da associação, Ip Weng Hong e Chan Hio Teng, justificaram que actualmente o ambiente de consumo nos bairros comunitários é pouco dinâmico. Como tal, será necessário repetir as iniciativas do passado, com a atribuição de cupões para consumir e organizar mais festas nos bairros residenciais.

Ip e Chan também indicaram que recentemente a associação realizou um inquérito junto de comerciantes e residentes, que pediram ao Governo que pondere os modelos do Grande Prémio para o Consumo com a adopção de novos formatos.

Como parte das sugestões para o novo formato, os inquiridos pediram cupões com um prazo mais prolongado e ainda a possibilidade de fazer o sorteio dos descontos durante o fim-de-semana. Uma vez que os cupões são distribuídos através de sorteios nas aplicações móveis, os inquiridos defenderam ainda a implementação de maiores probabilidades de ser premiado no sorteio.

Tendo em conta as sugestões de comerciantes e residentes, Ip Weng Hong e Chan Hio Teng defenderam que os sorteios de sejam realizados aos sábados e domingos, para o consumo acontecer durante os dias úteis e criar um “ciclo de consumo que se prolonga toda a semana”.

Vida mais cara

Entretanto, e já depois da divulgação desta nota, o Governo anunciou a criação de uma nova ronda do “Grande Prémio para consumo nas zonas comunitárias 2026”, cujos detalhes serão anunciados hoje em conferência de imprensa. Entre os motivos que levam a Associação das Mulheres de pedirem mais incentivos ao consumo, consta também o facto de a organização se mostrar preocupada com a subida dos preços, que tem atingido principalmente os grupos vulneráreis, como os idosos.

Em relação aos mais velhos, Ip e Chan defenderam também um novo modelo. Em vez dos idosos terem de carregar o cartão de consumo, para poderem obter descontos, como aconteceu nas versões mais recentes, a associação quer que os carregamentos deixem de ser obrigatórios. Segundo esta fórmula, os idosos receberiam um subsídio para gastar.

Ao mesmo tempo, a associação defende que o Executivo deve alargar a rede de benefícios do actual Cartão de Benefícios Especiais para Idosos, criada pelo Instituto de Acção Social. Com este esforço foram também pedidos mais apoios de divulgação e redução de custos e impostos a comerciantes, para gerar descontos permanentes para os idosos.

27 Mar 2026

Hainão | Cooperação vai entrar numa fase “sem precedentes”

À margem da Conferência Anual do Fórum Boao, Sam Hou Fai encontrou-se com governantes de Hainão e realçou as “oportunidades de desenvolvimento sem precedentes” para a cooperação entre as duas regiões. O Chefe do Executivo destacou também o papel que partilham na abertura da China ao exterior

O tempo para agir é agora. Esta foi a toada dos argumentos defendidos pelo Chefe do Executivo nas reuniões que manteve com governantes da província de Hainão, onde esteve nos últimos dois dias para participar na na Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia 2026.

Na noite de quarta-feira, Sam Hou Fai reuniu com o secretário do Comité Provincial de Hainão do Partido Comunista Chinês (PCC) e presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Provincial, Feng Fei, e o governador da província de Hainão, Liu Xiaoming.

Segundo o Gabinete de Comunicação Social, o Chefe do Executivo apontou dois factores determinantes para o futuro da cooperação entre Macau e Hainão: o Porto de Livre Comércio de Hainão, que iniciou no final do ano passado, operações de encerramento alfandegário em toda a ilha; e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin que entrou na segunda fase.

Além disso, Sam Hou Fai vincou a importância das políticas do 15.º plano quinquenal nacional que vão “certamente”, proporcionar “oportunidades de desenvolvimento sem precedentes”. O espírito das duas sessões deste ano também foi enumerado pelo Chefe do Executivo como uma “bússola” para “uma cooperação abrangente de benefícios mútuos para servir em conjunto à conjuntura do desenvolvimento nacional”.

Abertura ao exterior

Sam Hou Fai indicou também que “Macau e Hainão são janelas importantes na abertura do país ao exterior”. “O sistema do Porto de Livre Comércio de Hainão é inovador, com resultados notórios do ambiente comércio e do desenvolvimento internacionalizado. Enquanto que Macau irá também potenciar as suas vantagens do princípio ‘um país, dois sistemas’, e empenhar-se em criar uma ligação relevante de alto nível na abertura do país ao exterior”.

O Chefe do Executivo indicou ainda que Macau está empenhado em “criar um novo padrão de desenvolvimento regional com forte conectividade interna e externa, e desempenhar bem o papel de ‘elo de ligação infalível’ entre a China, os países de língua portuguesa e os países de língua espanhola, apoiando, deste modo, mais empresas do Interior da China a expandir para o exterior”.

O Chefe do Executivo assistiu ontem à sessão plenária da Conferência Anual do Fórum Boao, e ao discurso do membro do Comité Permanente do Politburo do Comité Central do PCC e presidente da Comissão Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji.

27 Mar 2026

IA | Frederico Luz cria plataforma que ajuda a comunicar em mandarim

Aluno de mandarim, programador e estudante na área da inteligência artificial, Frederico Luz criou uma plataforma que permite comunicar em mandarim, indo além da tradução ou do reconhecimento de caracteres. O projecto foi apresentado no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, e faz parte de um programa piloto do Instituto Confúcio

Foi com a apresentação “Interação Sintética: Concepção e Avaliação de um Interlocutor ‘Large Language Model’ para Aprendentes de Mandarim” que Frederico Luz apresentou a plataforma de inteligência artificial (IA) que pretende facilitar a comunicação em chinês.

A sessão decorreu em Lisboa no âmbito das Conferências da Primavera do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) e, ao HM, Frederico Luz explicou o que está por detrás de um projecto que “dá ao utilizador vários cenários, ou missões, como pedir uma refeição num restaurante, comprar bilhetes de comboio, ou marcar planos com um amigo”.

Na prática, “o aluno fala em mandarim e o sistema avalia o desempenho em tempo real”, ao nível da “pronúncia, gramática, vocabulário”, descreve Frederico Luz, que começou a estudar mandarim com 18 anos e que, actualmente, faz programação e estudos na área da IA no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.
“A grande diferença em relação a um tutor humano é a fluidez. Quando estamos a falar com um professor e erramos, o professor tem de parar a conversa, explicar o erro, e depois retomar. Com a plataforma, as correções acontecem em paralelo e a conversa não para. Cada tipo de correção, na gramática, pronúncia ou vocabulário, é tratada separadamente e aparece sem interromper o diálogo. Além disso, quando através da conversa aprendemos uma palavra nova, podemos guardá-la directamente nos ‘flashcards’ [cartões de memória] e ela entra logo na nossa rotina de estudo”, explicou.
Frederico Luz acredita que a plataforma que está a desenvolver “pode ajudar tangencialmente na tradução, por exemplo, na verificação de gramática”, embora o objectivo fulcral seja “ajudar as pessoas a aprender, para não precisarem da tradução”.

“Da mesma forma que o Pleco [software de cartões de memória e dicionário para alunos de chinês] e o Anki [software de cartões de memória para aprendizagem de língua] mudaram a aprendizagem de chinês para milhões de pessoas, acho que ferramentas como esta podem tornar o mundo um bocadinho mais pequeno. Se mais portugueses conseguirem ter conversas reais em mandarim, sem depender de intermediários, isso muda a relação entre as duas comunidades de forma muito mais profunda do que qualquer tradutor automático”, descreveu.

Na sessão apresentada no CCCM, Frederico Luz descreveu três componentes que permitem uma melhor comunicação na língua chinesa. O reconhecimento da fala, em que “o aprendente fala livremente em mandarim e o sistema transcreve e segmenta por carácter”, bem como a “avaliação tonal por carácter”, onde cada carácter “é avaliado individualmente”. O que o sistema criado por Frederico Luz vai fazer é “identificar o tom produzido e comparar com o tom esperado”.

Uma terceira componente é a “interacção conversacional adaptativa”, já que o modelo de linguagem criado pelo programador “gera respostas contextuais adaptadas ao nível do aprendente, mantendo uma conversa natural”.

Além da memória

Frederico Luz conta que está a desenvolver “um sistema que vai além dos flashcards [cartões de memória] tradicionais, onde simplesmente reconhecemos um carácter e dizemos sim ou não”.

“O que estou a construir pede ao aprendente para realmente ler os caracteres com base nos componentes que os constituem”, acrescenta, lembrando que nos Estados Unidos “houve uma grande controvérsia quando as escolas mudaram de um sistema de fónica (ler todas as sílabas) para um sistema de memorização da palavra inteira”, com “resultados desastrosos”.

Segundo Frederico Luz, “a forma como a maioria das pessoas aprende caracteres chineses é exactamente essa memorização da palavra inteira”, pelo que esta nova plataforma de IA “é o equivalente da fónica para o chinês: decompor cada carácter nos seus componentes e realmente lê-lo, em vez de apenas reconhecê-lo como uma imagem”.

O aluno de mandarim confessa que a plataforma o ajuda nos estudos, procurando, por exemplo, melhorar o reconhecimento da pronúncia “para aprendentes de nível mais baixo”, sendo uma das ferramentas onde está a trabalhar actualmente.

O projecto piloto

Frederico Luz começou a desenvolver esta plataforma para si próprio, mas a verdade é que está em curso a sua aplicação, em formato de programa piloto, com o Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa.

“Curiosamente, o director Wang do Instituto Confúcio de Lisboa, tinha tido uma ideia muito semelhante há algum tempo e tentou desenvolvê-la com outro programador, mas o projecto não avançou. Quando propus a ferramenta e o programa piloto ao instituto, não estava a tentar convencê-los em acreditar numa coisa nova: estava simplesmente a dizer que já tinha feito o que eles queriam, sem sequer terem pedido”, salientou.
Este programa piloto, assegura, vai permitir ter dados reais quanto ao lado prático desta plataforma. “Construí esta ferramenta primeiro para mim, mas não vou privar as pessoas de a utilizar só para poder aprender chinês melhor do que elas. Se virmos que a ferramenta é útil não vejo razão para não a comercializar. É por isso que o programa piloto no Instituto Confúcio é tão importante: vamos ter dados reais.”

O próximo mundo

Frederico Luz acredita que os riscos do uso da IA nesta área são mais visíveis “do lado da tradução automática”, pois existe “uma dependência excessiva de ferramentas que nos impede de realmente desenvolver competências”. “Tenho dificuldade em pensar numa forma em que a IA seja mal utilizada para aprender línguas”, assegura.

“Há pessoas que me perguntam porque estou a aprender chinês se daqui a uns anos vai haver um tradutor universal. Acho que essa tecnologia vai existir em breve, sem questão nenhuma. Estamos no início da singularidade tecnológica e os avanços vão ser verdadeiramente espantosos. Mas aprender uma língua não é só sobre conseguir comunicar. Para mim, e para milhões de outros aprendentes, é uma questão de crescimento pessoal. Quando a IA torna tudo fácil, acho que é importante para o espírito humano conseguir fazer coisas difíceis”, descreveu.

A “relevância crescente” da China

A relação de Frederico Luz com o mandarim começou cedo, sendo actualmente aluno no Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa. A programação “surgiu mais recentemente”, começando “a programar a sério há cerca de um ano, quando a IA, no caso do ‘Claude’ [modelos de linguagem] da Anthropic tornaram possível construir coisas reais”.

Criar uma nova plataforma para ajudar a comunicar em mandarim “surgiu da forma mais natural possível”, já que o aluno “já estava a usar a IA para praticar chinês”, nomeadamente ao nível da correcção de gramática e ao nível das conversações.

“Pensei que seria muito melhor se houvesse uma aplicação com uma interface dedicada a este uso, com avaliação de pronúncia e correcção em tempo real. Como esta aplicação não existia, criei-a. Foi uma ferramenta que construí primeiro para mim, porque precisava dela para aprender”, descreve.

Frederico Luz estuda mandarim dada “a relevância crescente da China”, destacando que, num futuro próximo, “falar chinês vai ser tão importante como falar inglês”. “Trabalho em IA e os chineses estão muito à frente, não apenas no desenvolvimento técnico, mas sobretudo na aplicação real: estão a usar IA em hospitais, em escolas, administração pública, coisas que no Ocidente simplesmente não se vê”, remata.

27 Mar 2026

San Wa Ou | Lusodescendentes são “membros importantes” do país

Um jornal de Macau declarou num editorial sobre a nova lei de “unidade étnica” que os lusodescendentes do território vão continuar a ser “membros importantes da família diversa e unificada da nação chinesa”.

A Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnicos foi aprovada este mês em Pequim pela Assembleia Popular Nacional, principal órgão legislativo chinês, e visa promover “um sentido mais forte de comunidade entre todos os grupos étnicos da nação chinesa”, refere-se na publicação do jornal em língua chinesa San Wa Ou.

A legislação estabelece que a unidade étnica deve ser promovida por todos os órgãos governamentais e empresas privadas, incluindo governos locais e organizações afiliadas ao Estado. O país tem 56 grupos étnicos, mas a maioria da população é de etnia ‘han’, com as restantes minorias a representar cerca de 8,9 por cento da população.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

Papel de relevo

No editorial publicado ontem, o San Wa Ou de Macau sublinha o papel dos residentes lusodescendentes – comummente chamados de macaenses – na aplicação da legislação e na integração plena na comunidade nacional chinesa.

“Os lusodescendentes representam cerca de 2,5 por cento da população de Macau, sendo descendentes de casamentos entre portugueses e chineses ou famílias portuguesas radicadas há gerações no território”, aponta-se no editorial assinado pelo director e editor do jornal, Lam Chong.

Segundo Lam, após a transferência de soberania, em 1999, a Lei Básica da RAEM consagrou a proteção dos interesses, costumes e tradições culturais dos lusodescendentes, reconhecendo-os como parte integrante da sociedade local. “Embora não sejam formalmente classificados entre as 56 etnias da China, a nova lei enquadra-os no princípio da ‘diversidade na unidade’, valorizando o seu papel histórico como ponte entre culturas e a sua contribuição para a prosperidade e estabilidade de Macau”, descreveu.

No editorial citam-se exemplos de participação política, como o advogado e antigo deputado Leonel Alves, que, após adquirir cidadania chinesa, se tornou “o primeiro macaense de origem portuguesa a integrar o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC)”, contribuindo com propostas para o desenvolvimento nacional e de Macau.

Na vertente cultural, destaca-se no editorial a acção de Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, que “tem promovido activamente o intercâmbio cultural entre Macau e os países de língua portuguesa”, reforçando o papel da cultura macaense como elo de ligação entre a China e o espaço lusófono.

Vantagens de cá

No jornal sublinha-se ainda que o Governo local “aproveita as vantagens únicas dos residentes lusodescendentes, oferecendo-lhes amplas oportunidades de desenvolvimento e permitindo que partilhem os frutos do progresso de Macau e do país”.

No plano económico, o editorial incentiva a usar “a vantagem bilingue e o conhecimento dos países de língua portuguesa” através de entidades comerciais e políticas, ajudando Macau a afirmar-se como “super elo de ligação” na cooperação entre a China e lusofonia.

Conclui-se ainda que, sob a orientação da nova lei étnica, os lusodescendentes de Macau “continuarão a ser membros importantes da família diversa e unificada da nação chinesa, trabalhando em conjunto com todos os cidadãos chineses para escrever um novo capítulo de unidade e progresso nacional e contribuir para a grande revitalização da nação chinesa”.

26 Mar 2026

Escolas | PJ alerta para crimes sexuais entre adolescentes

A Polícia Judiciária enviou uma carta para escolas, pais e estudantes a alertar para a possibilidade de punição penal para adolescentes que tenham relações sexuais, mesmo com consentimento e numa relação de namoro. As autoridades acrescentaram ainda conselhos sobre a educação sexual de jovens

A Polícia Judiciária (PJ) enviou um comunicado a escolas, encarregados de educação e estudantes a alertar para a possibilidade de prática de crime em relações sexuais entre adolescentes, mesmo que o sexo seja consentido e entre namorados, como foi noticiado pelo Canal Macau da TDM.

A missiva, enviada através da “Rede de Comunicação com as Escolas”, um mecanismo que ligação entre as autoridades policiais e estabelecimentos de ensino, começa por relatar que a PJ “recebeu a comunicação de um caso envolvendo estudantes menores de idade que, sendo namorados, mantiveram relações sexuais”. A polícia acrescenta que “foi instaurado de imediato o processo e adoptadas as medidas de intervenção”, sem especificar exactamente o que aconteceu.

As autoridades policiais chegaram ao ponto de tecer considerações e dar conselhos sobre sexualidade entre jovens, reconhecendo apenas a heterossexualidade.

“É normal que os jovens, durante a adolescência, sintam curiosidade pelo sexo oposto. Contudo, devido à insuficiente consciência de auto-protecção, à falta de conhecimento correcto sobre as relações de género ou à existência de eventuais mal-entendidos quanto às disposições legais, podem facilmente incorrer comportamentos que ultrapassem limites e até constituem crime, causando impacto para toda a vida.” O comunicado da PJ, foi enviado em chinês no dia 27 de Fevereiro e em português no dia 3 de Março.

Elogio ao fetichismo

A PJ cita artigos do código penal sobre abuso sexual de crianças, estupro e acto sexual com menores, apontando para a gravidade dos crimes e as suas consequências legais.

As autoridades apelam ainda às escolas e aos pais para “acompanharem de perto o quotidiano dos jovens, prestando atenção às suas relações de amizade, transmitindo-lhes desde cedo conceitos correctos sobre as relações de género e conhecimentos adequados na esfera sexual.

Com a ideia de construir um ambiente de crescimento seguro e saudável para os jovens, a PJ vinca a importância de lhes proporcionar cuidados e orientações, lembrando que caso sejam vítimas devem procurar ajuda o mais rapidamente possível juntos dos pais, professores, agentes de aconselhamento ou da polícia.

A PJ termina a missiva a pedir informações sobre a vida sexual dos jovens, apelando aos pais e escolas a contactarem a Secção de Acompanhamento de Menores da PJ “se tiverem informações sobre crimes”, que como ficou especificado podem incluir actos sexuais consentidos entre namorados.

26 Mar 2026

Macau Legend | Fecho de casino-satélite leva a perdas de 1,57 mil milhões

A Macau Legend teve um prejuízo de 1,57 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2025, devido ao encerramento do último ‘casino-satélite’ da operadora, o Legend Palace. A empresa reservou mais de 70 milhões de dólares de Hong Kong para compensações a funcionários despedidos

A Macau Legend disse na terça-feira à noite que o prejuízo – o maior desde 2020, no pico da pandemia de covid-19 – se deve sobretudo a uma queda do valor contabilístico do empreendimento Doca dos Pescadores.

Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a Macau Legend Development justifica a diminuição de 1,18 mil milhões de dólares de Hong Kong com o encerramento, em 12 de Novembro, do ‘casino-satélite’ Legend Palace. A Macau Legend referiu ainda ter reservado cerca de 71 milhões de dólares de Hong Kong para o pagamento de compensações a funcionários despedidos do casino Legend Palace.

A empresa sublinhou que a previsão para o prejuízo de 2025 foi feita “com base numa análise preliminar das demonstrações de gestão consolidadas não auditadas”. Os resultados oficiais da Macau Legend serão divulgados em 31 de Março. No final de Agosto de 2025, a operadora admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em actividade” devido a dívidas totais de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Além-mar

Em 17 de Janeiro passado, o Governo de Cabo Verde tomou posse dos bens e edifício do hotel-casino que a empresa começou a construir na capital Praia, mas abandonou há anos. Três dias depois, a Macau Legend disse que as autoridades cabo-verdianas não tinham “qualquer fundamento legítimo” para reaver a propriedade no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa. A operadora garantiu que estava “a procurar aconselhamento jurídico” para decidir como responder à perda do hotel-casino, algo que, sublinhou, já estava previsto nas contas.

Em Março de 2025, a Macau Legend já tinha anunciado prejuízos de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong em 2024, em parte devido à ameaça de reversão do hotel-casino.

Em 4 de Março passado, o Governo de Cabo Verde lançou um concurso de ideias para o espaço, aberto até meados de Abril, sendo que as propostas que forem seleccionadas serão objecto de consulta pública. Em Setembro de 2025, a empresa lançou um concurso público para a venda de um projecto imobiliário Ponto Legend, situado na vizinha Hengqin, e que inclui uma praça ao ‘estilo manuelino’.

26 Mar 2026

“Rei do Jogo” taiwanês, ligado ao jogo VIP em Macau, morto no Camboja

O fugitivo taiwanês Lin Bingwen, procurado por jogo ilegal e branqueamento de capitais, foi morto a tiro no Camboja, confirmaram as autoridades de Taiwan. De acordo com a polícia cambojana, Lin foi abatido na segunda-feira à noite numa estrada isolada em Sihanoukville – cidade costeira no sudeste do país conhecida pelos seus casinos – “por três a quatro” atacantes que fugiram de imediato, referiram as autoridades do Camboja. O crime foi descrito como premeditado e está em curso uma operação de detenção, sem confirmação oficial dos motivos.

O Departamento de Investigação Criminal (CIB, na sigla em inglês) de Taiwan confirmou a morte, pondo fim a uma perseguição que se prolongava há mais de um ano e envolvia várias jurisdições.

Lin estava na lista de procurados pelo alegado envolvimento no escândalo do “88 Club”, em Taipé, considerado um dos maiores casos de banca paralela e jogo ilegal em Taiwan, com transferências ilícitas estimadas em 21,7 mil milhões de dólares taiwaneses (585,8 milhões de euros).

O caso levou à condenação de Guo Zhemin, líder deste clube privado, extraditado em 2023 e condenado em 2025 a quase 12 anos de prisão, com apreensão de activos significativos, incluindo criptomoedas. O escândalo envolveu também dezenas de agentes da polícia taiwanesa, condenados por ligações ao clube, que funcionava como espaço privado para figuras influentes dos negócios e da política.

Com antecedentes no crime organizado em Taipé, Lin esteve também ligado a um escândalo de manipulação de jogos de beisebol em 2007 e, mais tarde, integrou o sector de promoção de jogo VIP em Macau. Com o colapso desse modelo de angariação de jogadores VIP, após a prisão em Macau das maiores figuras do sector entre 2021 e 2022, passou a operar em estruturas clandestinas de banca paralela e plataformas de pagamento.

Vida nas sombras

Em 2023, foi acusado no caso “88 Club” e libertado sob caução de três milhões de dólares taiwaneses (80.962 euros), mas desapareceu no final de 2024. Durante a fuga, manteve actividade nas redes sociais, negando estar a fugir da justiça e prometendo regressar a Taiwan nos seus próprios termos.

Segundo media taiwanesas, Lin estava envolvido em operações de hotéis e casinos com parceiros chineses em Sihanoukville, cidade apontada como o centro regional de jogo ilícito e redes financeiras clandestinas. A investigação ao homicídio prossegue, sem detenções anunciadas pelas autoridades cambojanas.

O Ministério Público de Taiwan esta semana acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet. A operação levou à detenção de 20 pessoas, o congelamento de quase 231 milhões de dólares taiwaneses (6,22 milhões de euros) em contas bancárias e a apreensão de 2,62 milhões de dólares taiwaneses (71 mil euros) em dinheiro.

O número de transações suspeitas registadas nos casinos de Macau, capital mundial do jogo, caiu 6,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais.

26 Mar 2026

Finanças | Reserva financeira volta a atingir novo recorde

A reserva ganhou 7,03 mil milhões de patacas em comparação com o anterior recorde de 666,7 mil milhões de patacas, atingindo assim os 673,8 mil milhões de patacas

Os activos da reserva financeira de Macau alcançaram um novo recorde máximo em Janeiro, pelo segundo mês consecutivo, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial da região mostra que a reserva valia, no final de Janeiro, 673,8 mil milhões de patacas. A reserva ganhou 7,03 mil milhões de patacas em comparação com o anterior recorde, 666,7 mil milhões de patacas, fixado no final de Dezembro.

Foi o melhor arranque de ano para a reserva desde 2015 e quase duplicou a valorização registada em Dezembro, mês em que ganhou 3,54 mil milhões de patacas. Durante o ano passado, foram ganhos 50,5 mil milhões de patacas, mais do que em 2024, ano em que os activos subiram 35,7 mil milhões de patacas.

O melhor ano de sempre para a reserva financeira ainda continua a ser 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. O valor da reserva extraordinária no final de Janeiro era de 503,1 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas.

Revisão orçamental

Em Novembro, a Assembleia Legislativa aprovou, por unanimidade, o orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas.

Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 293,4 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 273,7 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 105,5 mil milhões de patacas.

Em 2025, os investimentos renderam à reserva financeira mais de 42,9 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 6,9 por cento, indicou ontem a AMCM, num relatório também divulgado no Boletim Oficial. O retorno aumentou 38,7 por cento em comparação com 2024, ano em que os rendimentos renderam à reserva quase 31 mil milhões de patacas, correspondente a 5,3 por cento.

26 Mar 2026

Macauport | Concessão para explorar Porto de Ká-Hó prolongada até 2033

A empresa que tem Pansy Ho como presidente da mesa da Assembleia Geral, da Comissão Executiva e do Conselho de Administração vai explorar o porto por mais sete anos. Durante este período terá de construir um armazém frigorífico e um posto de inspecção

O Governo prolongou por mais sete anos o contrato com a Macauport, para a exploração do Porto de Ká-Hó. O novo vínculo entre a empresa e a RAEM passa a prolongar-se até 2033, entrou ontem em vigor, e a informação foi divulgada através do Boletim Oficial. Com o novo vínculo, a empresa compromete-se a promover “obras que visem potenciar a exploração do Porto de Ká-Hó”, como um “armazém frigorífico e posto de inspecção”.

A renovação do contrato impõe também novas obrigações, ao nível do transporte das mercadorias consideradas perigosas, que passam não só por assegurar o trânsito, mas também “todas as medidas viáveis para coordenar o transporte marítimo das substâncias perigosas por terceiros devidamente qualificados, sempre que solicitada pela entidade fiscalizadora”. O vínculo chegava ao fim este ano, depois de estar em vigor desde 2019, sendo que nessa altura a renovação do contrato também foi por um período de sete anos.

A Macauport é responsável pela gestão da operação do Terminal de Contentores do Porto de Ká-Hó e tem como principal accionista a Marban Corporation, empresa registada no paraíso fiscal das Bahamas. A Marban tem uma participação de 55 por cento e está ligada ao universo da STDM.

O outro grande accionista da empresa é a RAEM, com uma participação de 31,8 por cento. A empresa estatal Nam Kwong é outro dos principais accionistas, com uma participação de 12 por cento, a que se junta ainda a Shell (Macau) com uma participação de 0,8 por cento, a Socarpor- Sociedade de Cargas Portuárias (Lisboa), com 0,14 por cento, e a Fielden Investment Limited, com 0,01 por cento.

Pansy no controlo

Em termos dos órgãos sociais, a empresa tem Pansy Ho como presidente da mesa da Assembleia Geral, presidente do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executivo. Em todos estes órgãos sociais, a filha mais velha do segundo de casamento de Stanley Ho conta com a irmã Daisy como vice-presidente.

Em 2024, a Macauport apresentou um lucro de cerca de 565,8 mil patacas, apesar de ter considerado que as condições de operação ao longo do ano não foram satisfatórias. Os resultados desse ano mostraram também uma quebra acentuada do lucro em comparação com 2023, quando os lucros tinham sido de 9 milhões de patacas. No entanto, os resultados deste ano ainda não são conhecidos, devendo ser publicados até ao final do próximo mês no Boletim Oficial.

26 Mar 2026

Médio Oriente | Alertas de viagem para mais seis países

Macau aconselha precaução a residentes caso pretendam viajar para seis países “perante a contínua deterioração da situação no Médio Oriente”. Os países que passaram para o primeiro nível de alerta são o Bahrein, Jordânia, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos

Depois de elevar o alerta de viagem para o nível mais elevado para o Irão e Israel, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) emitiu ontem o alerta de viagem 1, o nível mais baixo numa escala de três, para seis países do Médio Oriente: Bahrein, Jordânia, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

De acordo com o portal da DST, o nível 1 “representa o surgimento de uma ameaça à segurança pessoal”. “Os residentes de Macau que planeiem viajar ou que se encontrem no destino, devem estar em alerta (…). É sugerido que se mantenham atentos e que acompanhem o desenvolvimento dos acontecimentos”, explica o portal. No mesmo comunicado, a DST recomenda aos residentes de Macau que planeiam viajar para o Iraque, Kuwait e Iémen, ou que já se encontram nesses países, “que redobrem a atenção” no que toca à segurança pessoal.

A DST recordou que desde Junho tem vindo a aconselhar os residentes a abandonarem Irão e Israel “o mais rápido possível” e a não viajarem para qualquer dos dois países. A linha aberta da DST recebeu, entre 1 de Março e a passada segunda-feira, 18 pedidos de informação ou assistência relacionados com o Médio Oriente, dos quais cerca de 80 por cento dizem respeito a residentes retidos em Dubai, Abu Dhabi e Bahrein.

Os restantes estão relacionados com cancelamentos e pedidos de reembolso de viagens de grupo que não tinham ainda sido iniciadas. A DST acrescenta que “os sistemas de transporte nos aeroportos do Médio Oriente e na Europa continuam a ser afectados”, recomendando atenção a informações das companhias aéreas sobre possíveis para ajustes nos voos.

Além disso, a Embaixada da China em Israel emitiu na segunda-feira um comunicado com detalhes para transferência e evacuação e sobre reforço das medidas de segurança.

Aqui ao lado

Na segunda-feira, as autoridades de Hong Kong elevaram para o nível negro, o mais elevado, o alerta de viagem para Israel e Irão. “Devido à situação de segurança altamente imprevisível no Irão e em Israel, o Governo aconselha os residentes de Hong Kong a evitarem todas as viagens” para qualquer dos dois países. Um porta-voz do Governo acrescentou que os residentes que se encontram em Israel ou Irão devem “cuidar da sua segurança pessoal e abandonar ou deslocar-se imediatamente para regiões relativamente seguras”.

A região aconselhou também os residentes a “terem cautela e proteger a sua segurança pessoal” caso viajem para Bahrein, Jordânia, Omã, Qatar, Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de Fevereiro, uma campanha de bombardeamentos no Irão, que respondeu com ataques aéreos contra Israel e países vizinhos do Golfo que albergam bases militares dos Estados Unidos e também várias infra-estruturas petrolíferas.

25 Mar 2026

SMG | Previsões para 2026 apontam para 5 a 8 ciclones tropicais

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) estimam que entre cinco a oito ciclones tropicais afectem Macau este ano, “correspondendo a um número normal a ligeiramente superior ao normal, não se excluindo a eventual influência de tufões fortes ou de intensidade superior”.

Segundas as previsões dos SMG, a época de tufões terá início em Junho, prolongando-se até Outubro. Durante a estação chuvosa (de Abril a Setembro), a temperatura média irá situar-se “entre valores normais e acima do normal”, a mesma previsão para a precipitação acumulada, apesar de a previsão abrir a possibilidade de “episódios de precipitação extrema”.

As autoridades salientam o aumento de “fenómenos meteorológicos extremos”, “num contexto de aquecimento global”, que explicam o registo do ano passado. “Em 2025, registaram-se 14 ciclones tropicais a afectar Macau, ultrapassando o recorde histórico de 12 ocorrido em 1974, tornando-se assim o ano com maior número de ciclones tropicais a afectar o território desde o início dos registos sistemáticos, em 1968. De entre estes, o tufão “Wipha” e o supertufão “Wagasa” conduziram ambos ao hastear do sinal n.º 10 em Macau, constituindo a primeira vez que, num mesmo ano, foi necessário hastear por duas vezes o sinal n.º 10”, indicam os SMG.

25 Mar 2026