Cinema | “The Violin Case”, de Maxim Bessmertny, estreia em Maio

Maxim Bessmertny, filho do conhecido pintor Konstantin Bessmertny, trouxe para a tela uma história verídica passada com o pai para a sua primeira longa-metragem. “The Violin Case” esteve em rodagem e produção desde 2020 e tem finalmente estreia marcada no dia 15 de Maio, primeiro nos cinemas Studio City, e depois nos cinemas locais para um público maior

Já há data para ver a primeira longa-metragem do realizador local Maxim Bessmertny. “The Violin Case” apresenta-se pela primeira vez ao público no cinema Studio City dia 15 de Maio, apresentando-se depois nos restantes cinemas locais a partir do dia 22 de Maio. Portugal também vai receber “The Violin Case”, nomeadamente a 11 de Setembro, no Museu do Oriente, sendo o país o primeiro “de uma série de locais onde o filme vai estrear internacionalmente”, destaca um comunicado oficial.

Esta é uma película “Made in Macau”, contando a história de um pintor que se depara com “a pior noite da sua vida quando deixa a sua maior obra artística na mala de um táxi”. Trata-se de uma “história inspirada em factos reais, que tem no centro o renomado artista Konstantin Bessmertny, radicado em Macau desde 1992, para onde veio com o filho, o realizador deste filme, então com quatro anos”, descreve-se na mesma nota.

O elenco de “The Violin Case” é “multicultural e multilíngue”, pretendendo incorporar “a verdadeira essência de Macau”, nomeadamente “das suas gentes e da sua cultura única”. A estreia do filme em Portugal integra-se ainda “no âmbito de uma ampla exposição sobre o crescente panorama cinematográfico de Macau, a sua diversidade artística e o seu património cultural”, é descrito.

Pauline persegue Theo

A personagem principal do filme é “Theo”, protagonizada por Kelsey Wilhelm, que interpreta o pintor estrangeiro que procura o violino que deixou num táxi. “A perda desta que é a sua mais valiosa obra de arte deixa Theo em maus lençóis e numa gigante crise financeira – e artística”. Pauline, personagem interpretada pela designer Clara Brito, é galerista e começa a perseguir Theo, sendo uma mulher “fria e calculista”.

“A odisseia de Theo em busca do violino leva o artista a conhecer a estonteante Evelyn (Mi Lee), uma empresária da área vinícola, que apresenta ao artista um lado mais boémio e eclético da cidade”, descreve ainda a sinopse do filme. Na noite que avança, a aventura de Theo continua pelos becos de Macau, ocorrendo “reviravoltas surreais – até sair completamente fora do controlo do artista”.

“The Violin Case” é descrito como “uma autêntica história de Macau para um público mundial”, sendo “uma longa-metragem independente, feita em Macau, com um elenco com várias nacionalidades e narrada em inglês, cantonês e português”. O realizador quis também, neste filme, captar “o espírito único de Macau que nenhum forasteiro consegue replicar sem conhecimento de causa”, nomeadamente “as contradições e as nuances entre o Oriente e o Ocidente, o antigo e o novo”.

Desafios de rodagem

No ano passado, o realizador Max Bessmertny e a produtora Virginia Ho levaram “The Violin Case” a dez mercados e festivais de cinema no âmbito de uma iniciativa patrocinada pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo de Macau para promover o filme.

Participaram em eventos importantes da indústria do cinema asiática como o Hong Kong International Film Festival & TV Market (FILMART) ou o Asian Art Film Awards, ou ainda o Singapore International Film Festival Industry Days, entre tantos outros.

A “viagem global” que esta longa-metragem vai fazer por outros países e regiões inclui Europa, Hong Kong e a restante Ásia e ainda os EUA, estando programadas “exibições, festivais, workshops, actividades comunitárias”. O que se pretende é, não só, “um profundo envolvimento com o público”, como “dar a conhecer a fascinante dinâmica deste centro de entretenimento e lazer que é Macau – mas que vai muito além dos casinos”, descreve a mesma nota.

“The Violin Case” demorou quase seis anos a ficar concluído e passou por muitos desafios até ver a luz do dia, com destaque para o facto de “quase não ter sido concretizado”. A primeira concepção do filme arrancou em 2020, em plena pandemia, contando com o apoio de “cinéfilos e mecenas das artes”, com financiamento individual feito por etapas. A estreia do filme no Studio City faz-se com o apoio da operadora de jogo Melco, por exemplo.

Maxim Bessmertny estreou a sua curta-metragem “Tricycle Thief” no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2014, tendo vencido o Prémio Kodak de Ouro.

“À medida que Macau se torna cada vez mais conhecida internacionalmente, Max Bessmertny partilha histórias das mudanças sem precedentes que a cidade sofreu, relembrando as suas origens humildes até à sua presença no cenário mundial, proporcionando ao público uma compreensão autêntica da beleza e do mistério de Macau – e do lugar que a cidade merece no cinema”, é apontado.

24 Abr 2026

Sands China | Lucro sobe 23,6 por cento até Março

A operadora apontou a recuperação no mercado de luxo como um dos motivos que levou ao crescimento das receitas, apesar de ser um segmento com concorrência intensa

A operadora de casinos em Macau Sands China anunciou ontem um aumento significativo no desempenho financeiro no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela recuperação do mercado de luxo. De acordo com os resultados divulgados ontem pela empresa-mãe, a norte-americana Las Vegas Sands, as receitas líquidas totais da Sands China subiram 23,6 por cento para 2,1 mil milhões de dólares em comparação com o mesmo período de 2025.

O lucro líquido da operadora em Macau aumentou 45,5 por cento para 294 milhões de dólares durante o trimestre. No mesmo período, as operações da Sands China no território apresentaram lucros operacionais de 633 milhões de dólares, representando um crescimento superior a 18 por cento.

A administração do grupo atribuiu o desempenho ao foco estratégico no segmento ‘premium’ – grandes apostadores, mas que não recorrem ao crédito, que actualmente lidera o mercado de Macau. Entre as propriedades da empresa, o The Londoner Macao registou uma subida considerável das receitas para 754 milhões de dólares, enquanto o The Venetian Macao gerou 710 milhões de dólares em receitas líquidas.

Concorrência intensa

A empresa destacou que o crescimento actual em Macau tem sido impulsionado pelo “segmento premium”, um mercado em que a “concorrência é intensa” e o sucesso depende da combinação de suítes de luxo com “níveis de serviço excepcionais”.

Tendo em vista angariar mais clientes desse sector, a empresa está a proceder a uma renovação da maior propriedade no território, o The Venetian Macao, com novos quartos disponíveis a partir do terceiro trimestre de 2026, e a conclusão da renovação total e da introdução de suítes adicionais, prevista para o final de 2027 ou início de 2028.

A empresa conseguiu também uma quota de 25,7 por cento das receitas no mercado de massas, marcando o melhor desempenho da empresa entre os pequenos apostadores desde o primeiro trimestre de 2024. Em Singapura, a Las Vegas Sands também reportou crescimento, embora os totais financeiros específicos para a região tenham sido apresentados no contexto da execução estratégica mais ampla da empresa-mãe.

O centro comercial The Shoppes at Marina Bay Sands, em Singapura, registou 69 milhões de dólares em receitas brutas no trimestre, mantendo uma taxa de ocupação elevada de 96,6 por cento. No conjunto do portefólio asiático de retalho, as operações geraram 204 milhões de dólares em receitas brutas, com uma margem de lucro operacional de 87,7 por cento.

Apesar do forte crescimento das receitas, a empresa salientou que os investimentos acrescidos em níveis de serviço e contratação de pessoal continuarão a afectar as margens de lucro.

24 Abr 2026

Guangdong | Abertura a iates de Macau e Hong Kong

O Governo da província de Guangdong está a preparar um esquema que permitirá, no Verão, a iates de Hong Kong e Macau navegar para seis portos designados. Segundo o jornal South China Morning Post (SCMP), entre os portos de entrada previstos estão Nansha (Guangzhou), Shekou e o terminal do aeroporto de Shenzhen, Wanshan e Jiuzhou (Zhuhai), e Zhongshan.

Um documento oficial consultado pelo jornal de Hong Kong também recomenda rotas de lazer em áreas como o Delta do Rio das Pérolas, a Baía de Castle Peak e as ilhas Wanshan. O esquema prevê que apenas residentes de Hong Kong e Macau com autorização de viagem para a China continental possam participar numa fase inicial, ficando os estrangeiros excluídos.

Os iates locais poderão obter certificados temporários de nacionalidade de embarcação para operar durante 180 dias em zonas delimitadas. O economista Lee Shu-kam, da Universidade Shue Yan, disse ao SCMP que o esquema poderá servir como projecto-piloto para monitorização transfronteiriça antes de uma eventual abertura a participantes internacionais.

A Autoridade Aeroportuária de Hong Kong estima que o mercado global de iates atinja 45 mil milhões de dólares até 2032. Actualmente, a cidade conta com 12.500 iates licenciados, mas apenas 4.300 lugares de amarração, o que levou ao lançamento de novas infra-estruturas como a marina Skytopia.

24 Abr 2026

Tabaco | Alvis Lo faz balanço positivo de programa-piloto

Alvis Lo revelou que o número de advertências para não fumar na zona do Parque Dr. Carlos D’Assumpção caiu de 40 por dia para duas por dia, com a implementação do projecto-piloto

O director dos Serviços de Saúde (SS), Alvis Lo, fez ontem um balanço positivo do projecto-piloto que estendeu a proibição de fumar em várias ruas circundantes ao Parque Dr. Carlos D’Assumpção. O programa está em curso há cerca de dois meses, e os SS admitem instalar mais zonas de fumo. Actualmente, existem nove áreas para fumar perto do Parque Dr. Carlos D’Assumpção.

Em declarações à imprensa, Alvis Lo afirmou que nos primeiros dias do programa-piloto, o director dos SS admitiu que havia uma média de cerca de 40 pessoas a serem alertadas para não fumarem nas zonas proibidas. Contudo, com o passar do tempo o número de advertências foi reduzido para duas por dia.

O director revelou igualmente que como actualmente está a decorrer uma fase experimental os advertidos não foram multados, apenas advertidos. No entanto, dado a mudança de comportamentos, Alvis Lo considerou que o projecto está a produzir resultados.

Apesar do balanço positivo, os Serviços de Saúde têm planos para instalar mais locais para fumar naquela zona. As instalações devem entrar em funcionamento no próximo mês. O responsável explicou que o plano inicial é instalar zonas para fumadores, que concentrem o fumo e ainda cinzeiros.

Alvis Lo admitiu ainda que o programa em curso vai sofrer ajustes de acordo com a aceitação dos moradores e comerciantes das zonas afectadas: “Estamos a experimentar com modelos diferentes, tendo em conta a consulta pública recentemente concluída sobre a alteração da lei. Vamos fazer os ajustes de acordo as opiniões baseadas de todas as partes,” apontou.

Portas do Cerco e Ruínas

Ao mesmo tempo, o director dos SS afirmou que está a ser equacionado alargar as áreas de proibição de fumar existentes nas Portas do Cerco e nas Ruínas de São Paulo.

No entanto, o responsável considera que é necessário esperar até o modelo operacional que está a ser desenvolvido ficar mais maduro. Além disso, Alvis Lo prometeu ouvir as opiniões da população, e ponderar estender a proibição a outras zonas densamente povoadas.

Em meados deste mês, terminou a consulta pública para alterar a lei do tabaco. A proposta ainda não foi concluída, mas espera-se a proibição total de possuir ou fumar cigarros electrónicos e produtos semelhantes, como os cigarros aquecidos ou até cachimbos de água. Como parte da consulta foi igualmente ouvida a opinião da população sobre o alargamento das zonas na cidade onde é proibido fumar.

Casinos e restaurantes dominam infracções

Os Serviços de Saúde (SS) dizem ter detectado, no primeiro trimestre deste ano, 1.524 casos de infracção à lei do tabaco, no contexto de 65.548 inspecções realizadas a estabelecimentos. Trata-se, segundo um comunicado oficial, de uma média diária de 728 inspecções. Neste conjunto, incluem-se 1.459 casos de fumo ilegal, 43 casos de transporte de cigarros electrónicos na entrada ou saída da RAEM e 22 casos suspeitos de violação da lei.

Os casinos lideram o número de infracções, com 254 casos, representando 17,4 por cento; seguindo-se os estabelecimentos de restauração, com 245 casos, uma representação de 16,8 por cento. Por sua vez, nas paragens de veículos de transporte colectivo de passageiros ocorreram 192 casos, 13,2 por cento. Destaca-se que os Serviços de Saúde e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos realizaram 163 inspecções conjuntas aos casinos de Macau, tendo sido detectados 254 casos de fumo ilegal.

24 Abr 2026

Lei sindical | Três sindicatos aprovados no primeiro ano

Dois, dos três sindicatos registados, estão ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau e têm como principal objectivo, antes da defesa dos interesses dos trabalhadores, a promoção do patriotismo

Em pouco mais de um ano, três sindicatos conseguiram registar-se junto da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Os dados foram adiantados ao HM pela própria entidade, depois da lei sindical ter entrado em vigor a 31 de Março de 2025

“Até 31 de Março de 2026, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais recebeu um total de cinco pedidos de registo de sindicatos, dos quais três foram aprovados, um foi indeferido e um está em fase de análise”, foi comunicado. “Os três sindicatos acima referidos, cujo registo foi aprovado, foram registados em 2025”, foi acrescentado.

Sobre os pedidos aprovados, a informação pública mostra que dois dos três sindicados estão ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Em ambos os casos, não apresentam denominação em português nem em inglês. O motivo da recusa do registo revelado não foi indicado. O primeiro sindicato reconhecido da RAEM foi registado 21 de Outubro de 2025. O nome em chinês corresponde a União dos Trabalhadores da Indústria de Transportes de Macau.

Nos estatutos publicados no Boletim Oficial, o sindicato apresenta-se como “parte integrante da causa sindical patriótica” e define como principal objectivo “promover o patriotismo e o amor por Macau entre os trabalhadores da indústria de transportes” e “a solidariedade e a ajuda mútua”, aos quais acrescenta a “preocupação com a sociedade e a participação nos assuntos sociais”, “fortalecimento da força sindical”, “desenvolvimento do intercâmbio técnico e a formação” e organização diversas actividades culturais, recreativas e de lazer”. Segundo a descrição, as actividades vão ser realizadas para “defender e promover os direitos laborais dos trabalhadores, e representar os membros na resolução e negociação de litígios ou diferendos laborais de natureza individual”.

FAOM vezes dois

Também o segundo sindicato a ser registado está ligado à FAOM, com a denominação em chinês a poder ser lida como Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Transformadora de Macau.

No entanto, os estatutos apresentam algumas diferenças, uma vez que o primeiro objectivo é a união dos trabalhadores da indústria, e só depois surge a promoção do patriotismo e do amor por Macau. Apesar disso, este sindicato também se apresenta como “parte integrante da causa sindical patriótica”. Contudo, tem objectivos mais focados nos trabalhadores, como a “formação profissional” a “melhoria da qualificação dos trabalhadores” e a “promoção actividade do emprego”. Na lista de objectivos, consta ainda a intenção de “defender e promover os direitos laborais dos trabalhadores, e representar os membros na resolução e negociação de litígios ou diferendos laborais de natureza individual”.

Das Telecomunicações

O terceiro sindicado registado, apresenta como nome em português União da Indústria de Tecnologia da Informação de Macau. Na apresentação, este sindicato indica pautar-se pelo “espírito patriótico e de amor a Macau” e apoiar “activamente” a integração da RAEM no “panorama geral do desenvolvimento nacional”.

No entanto, apresenta como primeiro objectivo a “defesa dos direitos dos membros” a nível da segurança e saúde no trabalho, assim como uma entidade de auxílio aos membros da resolução de “litígios ou controvérsias laborais, prestando serviços de aconselhamento jurídico e apoio”.

Esta sindicato aponta ainda como objectivos a melhoria das competências profissionais dos membros, a promoção da inovação tecnológica, cooperação entre indústria, academia e investigação e elevação dos padrões do sector. Apesar de ser uma exigência da Lei Básica, que foi aprovada em 1993, entrando em vigor em 1999, apenas em 2025 Macau assegurou a primeira lei sindical.

24 Abr 2026

Sam Hou Fai em Espanha | Governo quer expandir delegação de Lisboa

Terminou ontem a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Espanha. Aos jornalistas, o governante máximo da RAEM demonstrou vontade de alargar as funções da Delegação Económica e Comercial de Macau de Lisboa até Madrid, com maiores ligações a Bruxelas e Genebra e ao respectivo tecido empresarial

As autoridades de Macau querem expandir as funcionalidades da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa para que haja uma aproximação nas relações comerciais com Espanha. A ideia foi deixada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, na conferência de imprensa de balanço da visita oficial da RAEM a Espanha, que terminou esta quinta-feira.

O “plano” de aproximação a Espanha, em sectores como a cultura ou turismo, será entre o Governo e “as operadoras de lazer e entretenimento de Macau”, disse Sam Hou Fai, mas este quis deixar “outra ideia”.

“Espanha está ao lado de Portugal e queremos aproveitar a delegação para promover as relações. Será possível que o Governo possa estender e alargar o papel da delegação de Macau em Lisboa para abrir ao mercado de Espanha? Falei com a chefe da delegação, a doutora Lúcia [Lúcia Abrantes dos Santos], sobre a possibilidade de aplicar este plano. Queremos estender os serviços até Espanha.”

O Chefe do Executivo disse também que Macau possui delegações em Genebra e Bruxelas, podendo ser estabelecida uma maior conexão entre serviços. “Gostaríamos de aproveitar essa delegação [de Lisboa] para estender [os serviços] e apoiar as empresas de Macau e da China”, disse.

Em Madrid, foram muitas as personalidades políticas com quem Sam Hou Fai reuniu, nomeadamente Concha Andreu Rodríguez, segunda vice-presidente do Senado de Espanha, e também com José Manuel Albares Bueno, ministro dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação de Espanha. Na capital espanhola não faltou também uma reunião com Shaikha Al Nuwais, secretária-geral da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas.

Sobre o encontro com Concha Rodríguez, Sam Hou Fai disse que esta “conhece as potencialidades de Macau na área do turismo”, embora ainda não tenha visitado o território. “Espero que se possa [entre as autoridades espanholas], e juntamente com os nossos serviços de turismo, o IPIM e as operadoras de jogo, desenvolver [mais acordos de cooperação e projectos] também através das agências de viagens”.

Semelhanças e diferenças

E por falar em turismo, Sam Hou Fai saiu de Madrid a pensar que, afinal de contas, até existem semelhanças com Macau, sobretudo no que diz respeito à existência de um centro histórico e da sua preservação.

“Apesar de haver uma distância muito grande, Espanha e Macau têm uma história muito profunda. Macau é um centro de lazer e de entretenimento, tem uma história profunda a nível de cultura, e Espanha tem uma história de longa data, e ambas as partes podem fazer a promoção a nível de turismo.”

Sam Hou Fai destacou também, aos jornalistas, que o caminho a traçar é aumentar o número de visitantes internacionais e levar mais espanhóis a Macau.

“A Direcção dos Serviços de Turismo, em conjunto com as autoridades turísticas de Espanha, analisou como podem ser levados os turistas de Espanha a Macau. A conjuntura internacional é complicada e há a possibilidade de alterações, sobretudo devido às carreiras aéreas que foram afectadas. Mas, segundo a nossa avaliação, achamos que o desenvolvimento de Macau na área de turismo ainda está em progresso.”

O governante disse que, até 21 de Março, o território já registou dez milhões de turistas, pelo que este ano, a nível de visitantes internacionais, no primeiro trimestre, contabilizaram-se 750 mil entradas em Macau, “registando-se um aumento de dez por cento”. “Em relação aos turistas e ao seu aumento, mantemos uma posição cautelosa, mas estamos a obter pistas”, acrescentou o Chefe do Executivo.

24 Abr 2026

UM | IA afasta alunos da área da tradução para português

O director do departamento de Português da Universidade de Macau (UM) afirmou ontem que a inteligência artificial (IA) está a ser vista “como uma espécie de papão” e a afastar estudantes da área da tradução.

“Há uma espécie de entendimento comum de que a inteligência artificial irá acabar com a tradução. Para as pessoas que trabalham na área do português, da linguística, da tradução, essa relação de causa e efeito (…) não faz sentido”, disse João Veloso aos jornalistas, em declarações à margem de um concurso de língua portuguesa, na UM. Existe uma “certa histeria à volta da questão da inteligência artificial”, completou.

Veloso reconheceu que, até há alguns anos, a tradução era a área mais procurada dentro dos estudos de pós-graduação, com mais candidatos do que vagas. “Temos vindo a reparar que nos últimos anos não é bem essa a situação com que somos confrontados”, afirmou, sublinhando que há um decréscimo na procura.

O director indicou que, em conversas com alunos de licenciatura, estes afirmam não pretender seguir tradução nos estudos pós-graduados “por causa da tradução automática e da inteligência artificial”. Receio que Veloso diz ser alimentado por “algum discurso público” de “algumas instituições”, publicações e intervenções de pessoas com responsabilidades.

Sem fundamento

O responsável defendeu que a ideia de que a IA vai acabar com o trabalho dos tradutores “não tem grande fundamento” e que tanto inteligência artificial como tradução automática têm “muitas vantagens” se forem usadas como ferramenta auxiliar de trabalho.

“No departamento do português trabalhamos muito com a tradução literária – também contemplamos a tradução técnica, jurídica, comercial, etc. Na tradução literária, a inteligência artificial ainda – ou eu pessoalmente diria nunca – atingirá o nível de um tradutor humano”, reforçou.

Segundo João Veloso, os cursos do departamento de Português da Universidade de Macau chegam a mais de mil alunos, entre estudantes de licenciatura, mestrados e doutoramentos deste departamento da faculdade de Artes e Humanidades, alunos da faculdade de Direito e outros que frequentam as disciplinas de língua oferecidas transversalmente em todos os cursos da instituição de ensino superior.

Nove alunos de várias universidades de Macau participaram ontem de manhã na 22.ª edição do concurso de eloquência em língua portuguesa, que este ano assinalou os 100 anos da morte de Camilo Pessanha, poeta que viveu e morreu no território. “Esta tradição dos chamados concursos de eloquência é muito popular na Ásia. E neste contexto faz o maior sentido e tem vindo a ser um sucesso”, referiu ainda João Veloso.

Apesar de poucos alunos presentes e de algumas edições canceladas nos últimos anos, o director notou tratar-se de uma iniciativa “muito importante”, porque “alimenta a visibilidade e o interesse do português e do estudo português”.

23 Abr 2026

GP | Provas de apuramento com 70 participantes

A Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) publicou as listas de inscritos das suas duas competições, Macau Roadsport Challenge e GT4, que este ano regressam a Zhuhai para as tradicionais corridas de apuramento para o Grande Prémio de Macau. Apenas quinze pilotos de Macau estarão presentes

A Macau Roadsport Challenge, cuja grelha de partida se divide entre os Toyota GR86 (ZN8) e os Subaru BRZ (ZD8), volta a reunir mais de meia centena de pilotos, sendo que, dos 57 carros inscritos, apenas 10 são tripulados por desportistas da RAEM. Um dos presentes será o experiente Jerónimo Badaraco, que regressa à aguerrida competição de carros de Turismo para tripular um Toyota GR86 da equipa Flexible Speed.

A lista de inscritos revela um claro ascendente de pilotos de Hong Kong, com 31 participantes, representando mais de metade do total, o que evidencia a forte presença e tradição deste território no desporto automóvel na Grande Baía. Segue-se o Interior da China, com 14 pilotos, consolidando igualmente a sua influência crescente. Macau, anfitrião do evento, contará com 10 representantes. Com apenas trinta e seis vagas para o grande evento do Circuito da Guia, no mês de Novembro, antecipam-se quatro corridas particularmente animadas.

O Circuito Internacional de Zhuhai regressa este ano ao calendário, acolhendo duas jornadas duplas pontuáveis de importância decisiva, algo que sucede pela primeira vez desde 2018. A primeira está agendada para o fim-de-semana de 8 a 10 de Maio, enquanto a segunda decorrerá entre 28 e 31 de Maio de 2026. As corridas da Macau Roadsport Challenge determinarão os apurados para a prova homónima do Grande Prémio de Macau.

Manhão na GT4

A maior surpresa da lista de inscritos da GT4 é a presença de Maximiano Manhão. O jovem macaense, que traz consigo um apelido com tradição no automobilismo local, irá conduzir um dos dois McLaren 570S GT4 da equipa LW World Racing Team, fazendo dupla com Wong Cheng Tou. Recorde-se que Maximiano Manhão, que desenvolveu grande parte do seu percurso desportivo nas provas organizadas pela AAMC no Kartódromo de Coloane, participou na Macau Roadsport Challenge na temporada passada, mas não conseguiu apurar-se para o Grande Prémio. Esta será a sua primeira experiência em carros de GT.

A lista de inscritos conta com treze participantes, dos quais apenas cinco são de Macau, incluindo também os experientes Kelvin Leong Ian Veng e Billy Lo, sendo os restantes provenientes de Hong Kong. Destaque ainda para a presença de Kevin Tse, terceiro classificado na temporada passada do Campeonato Britânico de GT (GT3), e do regressado Matt Solomon, piloto que competiu na Fórmula 3 contra Charles Leclerc ou George Russell. A competição reservada às viaturas GT4 apurará os participantes para a Taça GT – Corrida da Grande Baía.

Ausências de peso

Nas duas listas de inscritos agora divulgadas sobressaem duas ausências de relevo no automobilismo macaense: Célio Alves Dias e Rui Valente. O primeiro já tinha explicado ao HM que este ano iria fazer uma pausa sabática das corridas, por motivos de ordem pessoal, após dois anos consecutivos a competir na Macau Roadsport Challenge. Ainda assim, o piloto do território não pretende abandonar a competição, apontando a um regresso na categoria GT4 já em 2027.

Insatisfeito com o rumo que a competição de carros de Turismo de Macau tem vindo a seguir nos últimos anos, Rui Valente ponderou a possibilidade de competir na categoria GT4. Contudo, o piloto da RAEM com mais participações no Grande Prémio de Macau não concretizou essa opção. Segundo apurou o HM, Rui Valente não tem planos para pousar já o capacete e encontra-se em conversações para continuar a competir no automobilismo e, possivelmente, regressar ao Circuito da Guia no próximo mês de Novembro.

23 Abr 2026

Carros chineses lideram inovação e invertem papéis face à Europa

À imagem da BYD, que alugou a Opéra de Paris para um espectáculo de grande dimensão, as marcas automóveis chinesas estão a entrar sem complexos na Europa, apoiadas em tecnologia que os europeus tentam replicar, numa inversão de papéis.

Em grande parte desconhecidas na Europa há três anos, marcas como BYD, MG, Chery, Geely, Leapmotor, Jaecoo e Xpeng atingiram em conjunto 9 por cento das vendas na Europa em março, e mesmo 14 por cento no segmento dos veículos eléctricos, segundo a consultora Dataforce – o dobro face ao ano anterior. Alguns modelos já figuram entre os mais vendidos em países como Itália, Espanha ou Reino Unido.

O seu sucesso está a abalar construtores europeus fragilizados por um mercado interno em queda desde 2019, e surpreendidos pelo plano da União Europeia para atingir 90 por cento de carros elcétricos até 2035.

Em contrapartida, a política europeia acabou por beneficiar os fabricantes chineses, muito mais avançados no sector eléctrico e apoiados pelo Estado nos seus mercados de origem.

“A Europa, um dos poucos grandes mercados mundiais, é um destino natural para os construtores chineses. O plano da UE para o carro eléctrico foi praticamente feito para eles, abrindo-lhes o mercado europeu em muito pouco tempo”, resumiu Jamel Taganza, responsável da consultora Inovev, citado pela agência France Presse.

A exportação é ainda mais necessária para estes fabricantes do que para os europeus, dado o excesso de capacidade: as fábricas chinesas operam a cerca de 50 por cento do seu potencial, face a cerca de 60 por cento na Europa, sublinhou Alexandre Marian, analista da AlixPartners, citado pela AFP.

“Os pontos fortes dos construtores chineses não se limitam aos custos laborais, passam também pela inovação”, disse Michael Foundoukidis, analista automóvel da Oddo. “Na China, oferecem hoje veículos duas vezes mais eficientes por metade do preço” face aos europeus, explicou.

O próximo passo é produzir localmente. “Todos os construtores consideram que, para se implantarem num mercado, é mais simples produzir no local, evitando tarifas aduaneiras e problemas logísticos”, afirmou Lionel French Keogh, diretor comercial da Chery em França, que pretende fabricar na Europa um pequeno veículo elétrico urbano. “Se quiserem ultrapassar de forma sustentável os 10 por cento de quota de mercado na Europa, não terão outra escolha senão montar veículos no continente”, acrescentou o analista da Oddo.

Em expansão

As barreiras aduaneiras impostas pela União Europeia em 2024 aos veículos eléctricos importados reforçam esta tendência. A BYD vai abrir uma fábrica na Hungria. A Leapmotor, parceira da Stellantis, prevê produzir dois modelos numa fábrica do grupo em Saragoça, Espanha.

Segundo a imprensa, a Stellantis equaciona também produzir modelos Leapmotor sob a marca Opel em Espanha. Já a Xpeng monta veículos na Áustria.

Para responder, os construtores europeus estão a adoptar a estratégia chinesa dos anos 2000: aprender com o concorrente através de parcerias. Exemplos incluem a Stellantis com a Leapmotor e a Volkswagen com a Xpeng, que lançaram um primeiro modelo eléctrico conjunto para o mercado chinês. Outro caso é a Renault, que se aliou à Geely no desenvolvimento de motores térmicos e híbridos.

23 Abr 2026

Renovação Urbana | Registado lucro de 787,9 milhões de patacas

No espaço de um ano, os lucros da Macau Renovação Urbana caíram para mais de metade, o que pode ser explicado com o menor volume de vendas no Novo Bairro de Macau

A Macau Renovação Urbana apresentou um lucro de 787,9 milhões de patacas no ano passado. Os resultados foram apresentados ontem através do portal da Direcção Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Em termos anuais, o lucro de 787,9 milhões de patacas representa uma quebra dos ganhos superior 50 por cento, dado que em 2024 os lucros tinham sido de 1.791 milhões de patacas.

A principal diferença aconteceu ao nível das receitas, com os lucros operacionais a caírem para 2.040 milhões de patacas em 2025, quando no ano anterior tinham atingido 3.694 milhões de patacas. Esta é uma diferença que pode ser justificada com o facto de a procura por habitações em projectos como o Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha, ter abrandado.

Entre os 2.040 milhões de patacas em receitas, o relatório indica que se devem à venda de habitações, enquanto 14 milhões de patacas foram gerados através do arrendamento de espaços. As actividades de arrendamento da empresa, embora com um peso muito limitado nos resultados finais, mostram uma melhoria, significativa, dado que em 2024 este tipo de receitas era de 4 milhões de patacas.

Quanto às outras receitas, a empresa apresentou ganhos de 5,1 milhões de patacas, também uma diminuição face ao ano anterior, em que o montante tinha sido de 15,8 milhões de patacas. A redução das receitas foi acompanhada por uma redução dos custos de exploração. Em 2025, os custos da empresa foram de 1.344 milhões de patacas, quando em 2024 tinham sido de 2.699 milhões, uma redução de 50 por cento.

Foco no Iao Hon

Em relação ao corrente ano, a Macau Renovação Urbana está focada em continuar a promover a renovação dos edifícios do território, com especial foco no Bairro do Iao Hon.

Além disso, consta no documento partilhado ontem que vão ser estudadas alterações, não especificadas, aos moldes como são utilizadas as habitações de substituição. Estas habitações foram construídas na Areia Preta com o objectivo de alojarem os moradores de edifícios que sejam alvo de obras de renovação ou reconstrução.

A Macau Renovação Urbana foi criada em 2019 com capitais públicos, sendo controlada a 96 por cento pela RAEM, a 3 por cento pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização e a 1 por cento pelo Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia.

23 Abr 2026

Feriados | Anunciados nove fins-de-semana prolongados em 2027

Cinco meses, cinco fins-de-semana prolongados. Entre Janeiro e Maio, os trabalhadores da Função Pública vão ter um período de descanso prolongado todos os meses. Outubro e Dezembro também contam com paragens prolongadas

Os trabalhadores da Administração Pública vão gozar de nove fins-de-semana prolongados no próximo ano. O calendário foi publicado ontem, no Boletim Oficial, através de despacho assinado por Leong Weng In, directora dos Serviços de Administração e Função Pública.

De acordo com os dados apresentados, em 2027 os funcionários públicos vão gozar de 20 feriados, aos quais se juntam seis dias de descanso compensatório e ainda duas tolerâncias de ponto para os períodos da tarde. O primeiro fim-de-semana prolongado acontece logo com o arranque de 2027, dado que 1 de Janeiro, uma sexta-feira, é feriado para assinalar o dia da Fraternidade Universal. Os trabalhadores gozam assim de três dias de descanso ininterruptos.

O segundo fim-de-semana continuado, decorre em Fevereiro, com as celebrações do Ano Novo Lunar. Logo na sexta-feira, 5 de Fevereiro, há tolerância de ponto na parte da tarde. Entre feriados e dias compensatórios de descanso, os funcionários públicos só têm de regressar ao trabalho a 11 de Fevereiro, uma quinta-feira, num total de cinco dias de descanso, antecedidos de uma sexta-feira com tolerância de ponto na parte da tarde.

Mais um mês, mais um fim-de-semana prolongado, e vai ser assim até Maio. No que diz respeito a Março, o fim-de-semana prolongado decorre entre o dia 26, que assinala a Morte de Cristo, e 29 de Março, uma segunda-feira, que é utilizada para compensar o facto do feriado da Páscoa ser assinalado ao domingo, como acontece sempre.

Terminada a Páscoa, os trabalhadores começam uma nova semana de quatro dias trabalho e depois têm logo outro fim-de-semana prolongado. Este deve-se ao Dia do Cheng Ming, que coincide com 5 de Abril, uma segunda-feira. Em Maio, o Dia de Trabalhador acontece a um sábado, pelo que dia 3, segunda-feira, foi decretado dia de descanso compensatório. Ainda neste mês, celebra-se o Dia do Buda, que coincide com uma quinta-feira, no dia 13.

Ritmo mais lento

Na segunda metade do ano, o ritmo dos feriados abranda, com quatro fins-de-semana alargados, divididos por Outubro e Dezembro. O segundo semestre arranca com um feriado a 9 de Junho, para celebrar os Barcos-dragão, seguindo-se Julho e Agosto, meses em que não há qualquer feriado. Em Setembro, o dia 16 vai ser feriado devido ao dia seguinte ao Bolo Lunar.

Com o início de Outubro, e as celebrações do estabelecimento da República Popular da China, regressam os períodos prolongados de descanso. A primeira paragem decorre entre 1 de Outubro, uma sexta-feira e segunda-feira, devido a um dia compensatório. Também o fim-de-semana seguinte é alargado, com as celebrações do Culto do Antepassados (Chong Yeong), na sexta-feira, dia 8.

Os feriados prolongados regressam com as celebrações da transferência de soberania, o 20 e Dezembro, que calha a uma segunda-feira. Também a véspera de Natal é feriado, dia 24, sexta-feira, e dado que haverá compensação de descanso no dia 27, segunda-feira, há uma paragem de quatro dias.

Aos fins-de-semana prolongados do segundo semestre juntam-se os feriados 2 de Novembro, terça-feira, 8 de Dezembro, quarta-feira e 22 de Dezembro, quarta-feira. Também a 31 de Dezembro, há tolerância de ponto, na parte da tarde.

23 Abr 2026

Português | Sam Hou Fai diz que língua “não merece preocupação”

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, partiu de Lisboa para Madrid esta terça-feira referindo que as ligações do território com Portugal estão cada vez mais estreitas e que o caminho da cooperação está traçado. Em encontros com ministros, destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais

“Posso garantir que a língua não é questão que mereça preocupação.” Foi desta forma que o Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, se referiu ao panorama do ensino e uso da língua portuguesa no território em reuniões com ministros portugueses. Na conferência de imprensa de balanço da visita da delegação da RAEM a Lisboa, que decorreu entre sábado e esta terça-feira, Sam Hou Fai destacou alguns pontos abordados na intensa agenda que teve na capital portuguesa.

Tanto nos encontros com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ou com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o uso do português foi abordado. “Eles mostraram interesse sobre a formação em língua portuguesa”, disse Sam Hou Fai.

“Após o retorno de Macau à China, Macau fez muito pela formação e nunca houve uma formação tão abrangente. Nunca houve tantas escolas [a ensinar a língua] e, na história de Macau, nunca houve tantos estudantes a aprender português. Eles [ministros] sabem que, actualmente, há mais chineses a aprender português em Macau do que as pessoas de Portugal a aprender português. Sabem que damos importância à utilização do português, sobretudo no sistema judicial”, destacou.

Sam Hou Fai lembrou que a ministra da Justiça e a sua equipa tem conhecimento de que no Tribunal de Última Instância (TUI) “a maioria das sentenças, sobretudo a nível civil, continuam a ser em língua portuguesa”.

“Eles têm conhecimento da utilização da língua portuguesa em Macau, qual a situação e que continuamos a apostar na forte formação da língua portuguesa. Eles ficaram satisfeitos com a minha resposta”, adiantou.

O governante não deixou de lembrar que esta foi a primeira vez, em quase 27 anos, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”. Sam Hou Fai disse ainda que desenvolveu “um programa destinado a aprofundar a amizade e a promover a cooperação, obtendo resultados positivos e atingindo os objectivos previstos”.

Salários mais altos

No contexto da necessidade de mais quadros qualificados em Macau, Sam Hou Fai disse ter feito “uma apresentação muito pormenorizada sobre a força laboral de Macau” no encontro com o ministro português da Economia, sem que tenha havido espaço para questionar, concretamente, a questão da atribuição de residência a portugueses.

“Temos cerca de 180 mil trabalhadores não residentes em Macau. Não tenho aqui o número exacto, mas muitos deles são de países de língua portuguesa. No âmbito da terceira fase de importação de quadros qualificados do Governo da RAEM, expliquei que às pessoas que dominam a língua portuguesa, nomeadamente de universidades de excelência de Portugal, pode dar-se um valor [salarial] mais elevado para que possam ser atraídas a ir para Macau.”

Sam Hou Fai referiu-se concretamente às pessoas oriundas dos países de língua portuguesa, “incluindo Portugal”, para que tenham condições laborais mais atractivas. Tudo para que haja uma maior atracção de “quadros qualificados [para participar] no desenvolvimento de Macau”.

Mercado em projecção

Foi um corre-corre de encontros e visitas desde sábado, e que só terminou na tarde de terça-feira, dia em que se deu a partida da comitiva da RAEM para Madrid. O líder do Governo de Macau reuniu também com o Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.

Nestes encontros, Sam Hou Fai foi destacando o papel de Macau enquanto ponte nas relações sino-portuguesas. “Os principais líderes da República Portuguesa reconheceram que Macau desempenha um papel importante como plataforma nas relações estratégicas e de cooperação entre a China e Portugal, e manifestaram o desejo de aproveitar ainda mais as funções e vantagens únicas desta plataforma”, afirmou.

De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina.

Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de desenvolvimento”, afirmou.

Sam Hou Fai adiantou que vai exigir ao IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento que “promova esses projectos, ao nível da cultura, educação, assuntos sociais e também da economia, para que possam ter acompanhamento e avançar”.

Citado por uma nota oficial, Luís Montenegro, primeiro-ministro português, “afirmou que Portugal está empenhado em aprofundar a cooperação amigável luso-chinesa, esperando continuar, através da estreita ligação e cooperação pragmática com Macau, a consolidar ainda mais e até elevar ininterruptamente a amizade tradicional”.

Montenegro disse que “Macau é uma janela importante para o sector português entrar no mercado chinês”, e que Portugal “poderá igualmente ser uma plataforma de cooperação económica e comercial para as empresas do Interior da China e de Macau entrarem no mercado europeu”. Por essa razão, deve ser reforçada “a articulação e cooperação”, a fim de se chegar, por parte dos dois territórios, “a um maior mercado”.

O governante português afirmou que o país “espera ter mais empresas chinesas e de Macau a investir em Portugal”, apostando-se na cooperação nas áreas “judiciária, cultura e turismo, promoção da língua portuguesa e quadros qualificados de alto nível”.

Mais justiça

Dada a experiência que Sam Hou Fai tem na área da justiça, uma vez que presidiu ao TUI durante décadas antes de ser Chefe do Executivo, esta foi uma área relevante na agenda. No âmbito da reunião com João Cura Mariano, ficou a promessa de Macau participar, no Outono, num evento que irá decorrer em Lisboa que analisa a relação entre a tecnologia, o Direito e as instituições judiciais, realizado pela União Europeia. “Vou falar com a presidente do TUI de Macau [Song Man Lei] para que Macau possa enviar uma delegação para participar nesse evento. Queremos ajudar os representantes dos tribunais da China na participação, e esse é um trabalho que vou acompanhar quando regressar [a Macau]. Vamos activar também essa formação de quadros” na área judicial.

Segundo um comunicado oficial, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça sublinhou que “a RAEM é um espaço onde coexistem o sistema jurídico europeu e o direito da China, bem como a continuidade do sistema jurídico tradicional e da língua portuguesa”, tendo reconhecido ainda que “Portugal e Macau partilham um vasto espaço de cooperação no âmbito judicial, que poderá ser reforçado no futuro”.

Além disso, João Cura Mariano adiantou que existe a “expectativa de que os sectores judiciais das duas partes reforcem ainda mais a ligação e a cooperação, promovendo visitas mútuas de juízes, para que estes possam adquirir e acumular experiências práticas mais ricas através dos intercâmbios”.

Comissão Mista ainda sem data

Questionado sobre uma eventual data para a realização da próxima Comissão Mista Macau-Portugal, Sam Hou Fai disse que dos encontros com as autoridades portuguesas ainda não saiu uma data. Destaca-se que a última vez que esta reunião aconteceu foi em Maio de 2019.

A Comissão Mista é um organismo existente para discutir a cooperação bilateral entre a RAEM e Portugal no contexto da assinatura da Declaração Conjunta e transferência de administração. Luís Montenegro referiu apenas “ter a expectativa de que ambas as partes possam negociar activamente para se convocar, o mais breve possível, uma outra reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, e promover, de forma sólida, a cooperação bilateral pragmática em diversas áreas”.

Sam Hou Fai disse apenas na conferência de imprensa de balanço que Portugal e a RAEM “têm mantido contactos desde sempre”, mas falta ainda definir um calendário para aquela que será a sétima reunião. “Não tenho um calendário porque há interesses das duas partes para por na agenda”, rematou.

23 Abr 2026

Guangdong | Inaugurada nova central nuclear em Huizhou

Uma nova central nuclear com capacidade de produzir mais de nove mil milhões de quilowatt-hora (kWh) por ano foi inaugurada na província chinesa de Guangdong.

Segundo meios de comunicação chineses, uma unidade nuclear Hualong One desenvolvida pelo Grupo Nuclear Geral da China (CGN, na sigla em inglês), o maior operador nuclear do país, entrou oficialmente em operação comercial na segunda-feira em Huizhou, uma cidade a cerca de 150 quilómetros de Macau e Hong Kong.

Esta unidade tem capacidade para produzir mais de nove mil milhões de quilowatt-hora por ano, suficiente para abastecer milhões de residentes da região. Segundo o jornal estatal China Daily, o Hualong One é a primeira tecnologia nuclear de terceira geração desenvolvida de forma independente pela China e já está em operação em várias províncias, incluindo Fujian e Zhejiang.

O presidente da CGN Huizhou Nuclear Power, Zhang Guoqiang, indicou ao jornal Global Times, a unidade passou por todos os testes de desempenho e funcionou durante 168 horas consecutivas em carga máxima, apresentando resultados “estáveis e seguros”.

Ao mesmo jornal, o director do Instituto Sino-Francês de Tecnologia Nuclear da Universidade Sun Yat-sen, Wang Wei, considerou que a unidade nuclear será uma fonte de energia estável para apoiar o desenvolvimento económico de alta qualidade na Grande Baía. A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

Segundo o jornal, a procura por energia limpa e estável na região tem vindo a aumentar, com o consumo total de electricidade da província de Guangdong a atingir 958,97 mil milhões de kWh em 2025, um crescimento de 4,93 por cento em relação ao ano anterior, colocando a província no topo do consumo energético nacional.

A província de Guangdong já é um importante polo de energia nuclear na China, e detém várias centrais nucleares de grande dimensão, incluindo Daya Bay, Yangjiang e Taishan. O projecto Taipingling, entretanto, prevê a construção de seis unidades Hualong One em três fases. Quando concluído, espera-se que produza mais de 55 mil milhões de kWh por ano, o que permitirá poupar cerca de 16,65 milhões de toneladas de carvão padrão e reduzir aproximadamente 50,82 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono.

Base energética

Com a entrada em funcionamento da Unidade 1, a CGN passa a operar 29 unidades nucleares com uma capacidade total de 33,04 milhões de quilowatts. A empresa tem ainda 19 unidades em construção, das quais 17 utilizam a tecnologia Hualong One, consolidando a tecnologia como uma “pedra basilar da futura matriz energética da China”.

O China Daily acrescentou que o Hualong One já está em operação em outras províncias, como Fujian e Zhejiang, e que a CGN está a investir fortemente em digitalização e inteligência artificial para melhorar a segurança e eficiência das centrais nucleares. Estes esforços fazem parte da estratégia nacional para atingir a neutralidade carbónica até 2060, na qual a energia nuclear foi incluída como “pilar essencial”.

22 Abr 2026

Imobiliário | Vendas com aumento anual de 39 por cento

O número de compras e vendas de habitação subiu para 328 durante o mês de Março, um crescimento anual. Apesar do aumento de transacções, o preço do metro quadrado continua a apresentar quebras

Em Março, o número de vendas de imobiliário registou um aumento anual de 39 por cento, de acordo com os dados mais recentes da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). As compras e vendas totalizaram assim 328 transacções no último mês, quando no período homólogo tinham sido 236.

No mês mais recente, o mercado mais activo foi o da Península, com um total de 260 transacções, mais 79 do que no período homólogo, quando houve 181 compras e vendas neste mercado. Também na Taipa e em Coloane, o número de transacções cresceu, para 54 e 14, respectivamente, quando há um ano não tinha ido além das 50 e 5 compras e vendas.

Apesar de haver mais transacções, os preços apresentam uma redução. No último mês, o preço médio do metro quadrado foi de 69.625 patacas, quando há um ano tinha sido de 74.041 patacas, uma diferença de 6 por cento.

Recentemente, os preços mais altos foram praticados no mercado da Península, com o metro quadrado a ser comercializado por 71.403 patacas. Há um ano, o preço era de 73.988 patacas por metro quadrado, pelo que se registou uma redução de 3,5 por cento. Na Taipa, o preço mais recente do metro quadrado foi de 63.278, a redução mais acentuada no território, dado que em Março de 2025 o preço médio atingia 74.678 patacas, uma diferença de 15 por cento.

A excepção à redução aconteceu em Coloane, onde o preço do metro quadrado aumentou de 68.606 patacas para 70.967 patacas, uma subida anual de 3,4 por cento.

Redução mensal

Em termos mensais, as variações são menos positivas para o mercado, uma vez que houve reduções ao nível das transacções e do preço.

No segundo mês do ano, o número de transacções tinha atingido 494 compras e vendas, o número mais elevado desde Agosto de 2021, quando houve um total de 545 transacções. A diferença é que em 2021 o preço médio do metro quadrado atingia 103.337 patacas, e no mês de Fevereiro de 2026 não foi além de 77.713 patacas.

Quando comparação é feita entre Fevereiro de Março deste ano, a redução do número de transacções foi de 10 por cento, das 494 compras e vendas para 328. A maior quebra acontece na Península, de 411 transacções para 260. Na Taipa, as 65 compras e vendas caíram para 54, e em Coloane a redução foi de 18 para 14.

Em termos dos preços, na Península o metro quadrado caiu de 80.672 patacas para 71.403 e na Taipa de 67.970 patacas. A excepção aconteceu em Coloane, com o preço a apresentar um aumento de 66.747 patacas para 70.976 patacas.

22 Abr 2026

Turismo | Macau pode beneficiar com aumento dos combustíveis

Com os preços das viagens para o estrangeiro a ficarem mais caras, Macau pode tornar-se o destino de eleição durante a Semana Dourada para os turistas do Interior

Duas associações locais ligadas ao turismo acreditam que Macau pode beneficiar com o aumento dos preços dos combustíveis durante a Semana Dourada, uma vez que os turistas do Interior podem abdicar de realizar férias no estrangeiro, para poupar dinheiro, e virar as atenções para a RAEM.

Segundo o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, Paul Wong, durante a Semana Dourada o turismo local vive essencialmente dos turistas do Interior, com os feriados este ano a decorrer entre 1 e 5 de Maio.

Por isso, explicou Paul Wong, como os preços das viagens estão mais caros, e também várias ligações aéreas estão a ser canceladas, é expectável que os turistas optem por deslocações maus curtas, para controlarem os gastos e evitar cancelamentos de ligações. Nesta lógica, o dirigente associativo considera que Macau se torna um destino mais atractivo.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau e deputado, Cheung Kin Chung, admitiu que a indústria está a sofrer as pressões do aumento dos preços, mas que vai tentar manter o montante cobrado aos clientes, o que pode tornar Macau mais atractivo.

Cheung Kin Chung revelou também que para lidar com os aumentos dos preços dos combustíveis, o sector do turismo está focado em explorar as ligações a Macau através do comboio da alta velocidade no Interior. Por esta razão, e apesar de o sector desejar explorar mais o mercado dos turistas internacionais, o deputado admitiu que o tipo de turistas vai ser afectado, com um maior foco nos visitantes da Grande Baía.

Reservas a subir

Em relação às reservas de hotéis, Paul Wong ainda não adiantou qualquer tipo de número, mas reconheceu que estão a subir de forma gradual, como esperado. Segundo este dirigente associativo, uma vez que as reservas são feitas por turistas com vistos individuais, as escolhas são feitas mais perto da data de viagem, ao contrário do que acontece com as excursões.

Wong indicou também que os hotéis do Cotai estão a garantir que haverá o maior número possível de hotéis no mercado. Sobre a Semana Dourada, Paul Wong destacou os planos do Governo, que fazem com que as concessionárias disponibilizem shuttles para os turistas visitarem os bairros residenciais, onde se espera que possam consumir mais.

Sobre este plano, o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau afirmou que uma implementação bem-sucedida por levar a que a iniciativa se repita aos fins-de-semana. Contudo, Wong alertou que para que os bairros comunitários sejam mais atractivos para os turistas talvez seja necessário distribuir vales de consumo aos visitantes.

22 Abr 2026

Combustíveis | Aumentos nos ferries e em veículos pesados

Após o aumento dos preços na aviação, TurboJET e Cotai Water Jet receberam autorizações do Governo para seguir o mesmo caminho, nas ligações entre Macau, Hong Kong e o Interior

As operadoras de ferries TurboJET e Cotai Water Jet anunciaram um aumento de 10 por cento no preço dos bilhetes entre Macau e Hong Kong. O transporte de cargas com veículos pesados vai seguir o mesmo caminho. Os novos preços começam a ser praticados a partir de sábado, e foram justificados com os aumentos internacionais do custo dos combustíveis.

“A Shun Tak-China Travel Shipping Management Limited foi autorizada pelo Governo de Macau para ajustar as tarifas das rotas da TurboJET entre Hong Kong e Macau, da rota entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen e do Passeio Aquático em Macau,” pode ler-se num comunicado da TurboJET, divulgado na Segunda-Feira.

A TurboJET acrescentou que o aumento de cerca de 10 por cento serve para aliviar “ligeiramente” a pressão do aumento dos custos.

Actualmente, o preço de ferry da classe económica entre Hong Kong e Macau em durante os dias úteis está fixado nos 175 dólares de Hong Kong. A partir de sábado, sobe para 194 dólares de Hong Kong.

Aos fins-de-semana, o preço da classe económica é de 190 dólares de Hong Kong e o preço nocturno da classe económica é de 220 dólares de Hong Kong. Com a nova tabela de preços, a viagem vai passar a custar 212 dólares de Hong Kong, no horário diurno, e 242 dólares de Hong Kong à noite.

O preço de ferry da classe económica entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen será aumentado para 259 dólares de Hong Kong, de 235 dólares de Hong Kong. Quanto ao Passeio Aquático em Macau, o preço vai subir para 88 patacas, face às 80 patacas actuais.

Por sua vez, no comunicado a anunciar os aumentos, a Cotai Water Jet não indicou as razões. Porém, a empresa esclareceu que vai aumentar o preço de ferry na classe económica de 175 dólares de Hong Kong para 192 dólares de Hong Kong, enquanto o preço nocturno da classe económica vai passar para 242 dólares de Hong Kong, quando agora é de 220 dólares de Hong Kong.

Pesados acompanham

Em relação aos transportes em veículos pesados, a Associação de Motoristas de Veículos Pesados de Macau anunciou ontem no jornal Ou Mun que os preços vão aumentar 20 por cento. A escalada entra em vigor a partir de hoje, e a medida foi justificada com o aumento internacional do preço dos combustíveis.

“Devido ao impacto grave da tensão no Médio Oriente, os preços de combustíveis em Macau continuam a subir e a bater recordes, provocando o aumento dos custos. O sector enfrenta uma pressão operativa como nunca aconteceu”, lê-se na publicação. Na semana passada, a associação defendeu que o Governo subsidiasse os preços de combustíveis, seguindo o exemplo de Hong Kong.

Estes não são os primeiros aumentos a nível dos transportes. Anteriormente, a Air Macau anunciou o aumento da sobretaxa de combustível, pelos mesmos motivos. A transportadora de Macau tem também optado por cancelar vários voos, para não perder dinheiro. Até Junho, espera-se o cancelamento de pelo menos 400 voos.

22 Abr 2026

Sam Hou Fai em Lisboa | Macau é “ponte eficaz” para negócios, diz ministro

A agenda do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, por Lisboa incluiu encontros com os ministros portugueses da Economia e da Justiça. Manuel Castro Almeida destacou Macau como “ponte eficaz, segura e facilitada” para negócios entre Portugal e China. Já Rita Júdice, foi convidada para visitar Macau

A semana começou recheada de encontros para Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, que em Lisboa reuniu com alguns ministros do Governo português, nomeadamente com Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, e Rita Alarcão Júdice, ministra da Justiça. Ambos os encontros apenas tiveram direito a recolha de imagens, sem lugar a declarações aos jornalistas.

Citado por uma nota oficial divulgada após o encontro, o ministro português declarou que “Macau também constitui uma ponte eficaz, segura e facilitada para as empresas chinesas entrarem nos países de língua portuguesa”, destacando que existem apoios “para profissionais de diversas áreas de Portugal se deslocarem a Macau”, a fim de procurarem e aproveitarem “as oportunidades de desenvolvimento”.

Manuel Castro Almeida referiu também a “estabilidade social e prosperidade económica” de Macau graças ao princípio “Um país, dois sistemas”. O ministro entende que “graças a relações únicas e insubstituíveis entre Portugal e Macau a região dispõe de um vasto leque de quadros qualificados nas áreas jurídica e linguística, o que lhe permite manter uma ligação estreita com os países de língua portuguesa”.

Destaque para o facto de o ministro da Economia ter frisado que “Portugal valoriza as relações amigáveis com a China” e que “já tinha defendido o ensino do chinês nas escolas primárias locais, a fim de aproveitar as oportunidades de desenvolvimento da China”.

Ajuda lusa

Por sua vez, Sam Hou Fai referiu as vantagens de Macau por estar cada vez mais integrado na região da Grande Baía, sobretudo devido à existência da Zona de Cooperação Guangdong-Macau em Hengqin.

O Chefe do Executivo “agradeceu a Portugal o apoio constante ao desenvolvimento económico da RAEM”, tendo sublinhado que o território, “com as suas vantagens únicas”, nomeadamente “o bilinguismo (chinês e português) e o sistema jurídico continental europeu tornou-se uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa para a cooperação económica e comercial”.

Sam Hou Fai lembrou que o Executivo “está a acelerar o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, promovendo de forma ordenada quatro projectos-chave”. Nestes projectos Portugal pode ajudar, pois possui “vantagens em sectores da inovação científica, educação, turismo, e convenções e exposições”. O governante máximo da RAEM espera, portanto, poder “reforçar o intercâmbio e a cooperação bilaterais nessas áreas” com Portugal.

Sistema impecável

No encontro com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice deu os parabéns à RAEM, fazendo “um enorme elogio à implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau”, ficando a promessa de, no futuro, se dar “impulso à cooperação judiciária com Macau”.

Rita Júdice “elogiou ainda o Governo da RAEM pelo seu empenho na protecção da multiculturalidade, sublinhando que a língua portuguesa e a cultura portuguesa têm sido bem preservadas em Macau”, segundo a mesma nota oficial.

Sam Hou Fai deixou o repto a Rita Júdice para visitar Macau. O governante “manifestou que será bem-vinda uma futura visita da ministra Rita Alarcão Júdice a Macau, para reforçar ainda mais os laços com o Governo da RAEM, em particular com o secretário para a Administração e Justiça”.

22 Abr 2026

Sam Hou Fai em Lisboa: AICEP pede investimento em “projectos concretos”

Foi numa sala do MEO Arena, em Lisboa, que se assinaram dezenas de acordos de cooperação entre empresas portuguesas e chinesas e se apresentaram, esta segunda-feira, as vantagens económicas de Macau e Hengqin. Uma empresa chinesa, a Tenways, vai produzir bicicletas eléctricas em Aveiro. A AICEP pede investimento com impacto real

Imagine-se que investir na RAEM é como aceder a um menu gastronómico, neste caso no tipicamente português Tromba Rija, em Macau. Há de tudo, desde novas tecnologias de ponta à medicina ou outras áreas da saúde, e não faltam robots a anunciar as vantagens de uma economia com baixos impostos e flexibilidade na criação de empresas.

Este foi o conteúdo do vídeo visionado esta segunda-feira no MEO Arena, em Lisboa, na “Sessão de Promoção da Cooperação Económica e Comercial Macau-Portugal”, que acolheu dezenas de empresários de Portugal, Macau e China em sessões de negócio e assinatura de protocolos de cooperação. No período da manhã, foram assinados 20 acordos, à tarde 18 (ver texto secundário).

Incluem-se nas parcerias e bolsas de contactos empresas como os grupos Nam Kwong e Bai Li, a OWLPlaces AI, a Teixeira Duarte ou o município de Sintra, sem esquecer associações e câmaras de comércio. No eclodir da manhã foram-se sentando alguns empresários nas mesas, seguindo-se apresentações sobre aquilo que Macau tem para oferecer em conjugação com Hengqin e o interior da China, e o que Portugal pode dar: entre a vontade de diversificar e o panorama de negócios em língua portuguesa, ficou a promessa de muitas vantagens que podem ser aproveitadas.

À margem do evento, falou António Martins da Cruz, antigo embaixador que preside à Oeiras Valley Investment Agency (OVIA), uma entidade de captação de investimento para o município de Oeiras.

Um dos projectos destacado por Martins da Cruz é a construção de um parque empresarial em Oeiras, anunciado em 2024 com um investimento de 400 milhões de euros. “Temos vários acordos assinados quer com instituições de Macau, quer de Hengqin. Dois dos nossos associados, a China State Construction Engineering, através da sociedade que está em Macau, e o grupo Teixeira Duarte, que é uma das grandes empresas de construção em Portugal, vão começar a construir, penso que no mês que vem, um enorme parque empresarial e habitacional em Oeiras. Entendemos que, quando estiver pronto, é o local ideal para as empresas chinesas que estão em Portugal ou que querem instalar-se em Portugal, incluindo as de Macau, Hengqin e Grande Baía. Uma das razões para a nossa ida para Macau é esta”, salientou.

Sobre a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Portugal e Espanha, na qual se integrou a sessão de contactos empresariais, o presidente da OVIA destacou que “é muito importante para Macau e Portugal”, já que, actualmente, e além da ligação histórica existente, “Macau é a plataforma ideal para as relações políticas, económicas e culturais não apenas entre Portugal e a China, mas entre a China e os países de língua portuguesa”.

Estabilidade no país

Madalena Oliveira e Silva, presidente do conselho de administração da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), disse que Portugal tem hoje um “ambiente estável e previsível” em termos económicos, sendo importante que, no tocante ao papel de Macau como plataforma, haja “benefícios concretos para as empresas, em particular as portuguesas”.

Isto porque, no seu entender, “continua a ser essencial facilitar o acesso ao mercado da China, nomeadamente através de soluções que permitam uma maior eficiência, previsibilidade e redução de custos no acesso a este mercado”.

Para Madalena Oliveira e Silva, este “é um momento particularmente relevante para o aprofundamento da relação económica entre Portugal e a República Popular da China”, sendo que Portugal “reafirma a sua total disponibilidade para continuar a aprofundar a cooperação económica com Macau, reforçando os fluxos domésticos, de investimento e cooperação empresarial”.

Neste contexto, “Portugal está plenamente aberto ao investimento da China, incluindo a agentes económicos sediados em Macau”, mas o que se procura é “investimento com impacto real, projectos produtivos e tecnológicos que sejam geradores de emprego qualificado e que contribuam para a transformação da nossa base económica” e ainda “valor a longo prazo”.

A responsável da AICEP acrescentou no seu discurso que “Portugal posiciona-se como uma porta inteligente para a entrada na Europa”, sendo uma “base estratégica que permite a empresas aceder a um espaço económico de cerca de 450 milhões de consumidores no quadro da União Europeia”.

Bicicletas em Aveiro

Shawn Liang, fundador e director-geral da Tenways, empresa chinesa dedicada a meios de mobilidade amigos do ambiente, como é o caso das bicicletas eléctricas, anunciou no evento desta segunda-feira um investimento superior a mil milhões de renminbis numa fábrica em Aveiro. A produção será, essencialmente, de bicicletas eléctricas.

“A minha empresa vai investir numa fábrica em Aveiro, com um investimento que ultrapassa os mil milhões [de renminbis] e depois a empresa vai fornecer produtos a toda a Europa. Estou confiante neste projecto.”

Na visão deste empresário, “Portugal pode oferecer muitos recursos empresariais e governamentais”, referindo que persistem entraves de ordem prática. “A minha empresa já investiu em Portugal, mas o processo de estabelecimento da confiança entre empresas da China e Portugal é muito lento. Este evento pode ajudar a acelerar o processo para a criação de confiança entre duas empresas”, rematou.

22 Abr 2026

Hong Kong | Sobreviventes voltam a casas destruídas após incêndio

Os habitantes do complexo em Tai Po começaram a regressar aos antigos apartamentos na esperança de recuperar alguns dos bens que ficaram para trás

Milhares de habitantes de Hong Kong que perderam as suas casas num gigantesco incêndio no ano passado começaram ontem a regressar ao local, pela primeira vez, para recuperar o que resta dos seus pertences.

O incêndio, que deflagrou em Novembro no complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, fez 168 mortos e afectou sete dos oito edifícios, obrigando milhares de pessoas a abandonar as suas casas. Cerca de seis mil residentes vão poder entrar nas habitações em períodos de até três horas, com o processo a prolongar-se até ao início de Maio, enquanto as autoridades procuram avaliar cerca de 1.700 apartamentos.

Imagens divulgadas pelas autoridades mostram tectos e paredes colapsados ou enegrecidos pelas chamas, com interiores cobertos de destroços, após um incêndio que danificou mais de 920 apartamentos, alguns completamente destruídos. As zonas mais afectadas foram classificadas como “áreas perigosas”, tendo sido realizados trabalhos de reforço estrutural em edifícios fragilizados. Entre os residentes, o regresso é marcado por sentimentos contraditórios.

“Penso que há na realidade muitas pessoas que não querem aceitar [a proposta do Governo], mas não têm outra escolha. Foram forçadas a aceitá-la”, disse Harry Leung, citado pela agência de notícias France Presse, referindo-se à oferta das autoridades para compra dos apartamentos a preços próximos do valor de mercado anterior ao incêndio. “Se tivesse escolha, não queria mesmo sair” do complexo, acrescentou.

Betty Ho, que viveu mais de 30 anos no local, disse à AFP que espera recuperar sobretudo álbuns de fotografias de infância, sublinhando que os “bens de toda uma vida” da família ficaram no apartamento. Após o incêndio, Ho foi realojada em habitação temporária, onde poderá permanecer até ao final do ano, mas confessou sentir-se “ansiosa” face à incerteza sobre o futuro: “Seremos expulsos? Onde vou encontrar um lugar para viver?”, questionou.

Outros residentes antecipam um impacto emocional significativo ao regressar. “Tenho o coração pesado, estou muito desapontado. Não esperava que o primeiro andar tivesse ficado assim”, disse Keung Mak, de 78 anos, citado pela agência de notícias Associated Press (AP), após ver imagens do apartamento onde viveu mais de 40 anos.

Segundo a AP, o tecto da habitação ficou tão danificado que deixou visível a estrutura metálica, enquanto o chão está coberto de detritos e partes do edifício necessitam de reforço para evitar colapso. A mulher de Mak, Kit Chan, afirmou à AP que “muitas coisas com valor comemorativo desapareceram”, acrescentando: “Nem uma única folha de papel terá ficado”.

Dificuldades acrescidas

Entre os residentes mais idosos, que representavam mais de um terço dos cerca de 4.600 habitantes do complexo, o regresso é particularmente exigente, com alguns a prepararem-se fisicamente para subir escadas até aos 31 andares, devido à inoperacionalidade dos elevadores.

As autoridades indicaram que mais de 1.400 pessoas com 65 ou mais anos se registaram para regressar aos edifícios. Enquanto decorre a investigação às causas do incêndio, sobreviventes continuam dispersos pela cidade, muitos em alojamento temporário. O Governo de Hong Kong considerou inviável reconstruir o complexo no mesmo local e propôs a recompra dos direitos de propriedade, embora alguns residentes contestem a decisão, defendendo que parte dos edifícios poderia ser recuperada.

“Sabemos que há questões suspeitas por detrás disto. Espero que possamos realmente encontrar a verdade”, disse Cyrus Ng à AP, referindo-se à investigação em curso. Segundo um advogado envolvido no inquérito, citado pela AP, quase todos os sistemas de segurança contra incêndios falharam no dia da tragédia devido a erro humano.

21 Abr 2026

CCM | Obras de Xian Xinghai em concerto do Colégio Batista de Macau

É hoje que o grande auditório do Centro Cultural de Macau acolhe o espectáculo “Remando em Frente, Pelo Amor à Pátria”, que não só dá destaque às composições de Xian Xinghai, nascido em Macau, como celebra os 70 anos do Colégio Batista de Macau. Um dos destaques será a apresentação de uma versão mais internacional de “Cantata do Rio Amarelo”

O grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) recebe hoje, dia 21, a partir das 20h, o espectáculo “Remando em Frente, Pelo Amor à Pátria”, com foco nas composições de Xian Xinghai, compositor ligado a Macau. O concerto serve também para celebrar os 70 anos do Colégio Batista de Macau, contando com músicos locais, nomeadamente dois solistas, uma orquestra sinfónica de 60 músicos e o Coro Xinghai de Panuy, de Cantão, com cerca de uma centena de vozes.

O maestro brasileiro Oswaldo Veiga Jardim, ligado à organização do espectáculo e ao currículo musical da escola, contou ao HM que alguns dos destaques musicais da noite são a “Cantata do Rio Amarelo”, apresentada na versão inglesa e chinesa, e ainda a “Sinfonia nº1”, composta por Xian Xinghai entre os anos de 1935 e 1941.

O público pode assistir a “um concerto inteiramente dedicado à música de Xian Xinghai”, apresentando “o primeiro andamento da Sinfonia nº1 ‘Libertação Nacional’ Op.5”, disse Veiga Jardim.

“Em 2025, quando o projecto ainda estava na fase inicial, pensámos em apresentar uma selecção de obras sinfónicas chinesas, incluindo a Rapsódia Chinesa, Op. 26, uma peça bastante interessante. Da minha parte, sonhava secretamente em apresentar a Cantata do Rio Amarelo, obra composta em 1939 durante a invasão japonesa, cuja versão para piano e orquestra tive a oportunidade de dirigir diversas vezes”, confessou.

Porém, “as dificuldades inerentes à apresentação da cantata são enormes e desencorajadoras, sobretudo porque é uma obra longa que exige um grande coro, uma grande orquestra, actores, dois solistas de alto nível e um narrador, mais de 200 pessoas”, pelo que “Cantata do Rio Amarelo quase ficou de fora do programa.

No entanto, quando Oswaldo Veiga Jardim descobriu a tese de doutoramento de Hong Xiang-tang, de 2009, intitulada “Performing the Yellow River Cantata”, percebeu que podia, afinal, incluir esta composição no programa.

“O facto de Xian Xinghai, na sua correspondência com colegas e amigos, ter manifestado o desejo de ver suas obras executadas nos palcos internacionais, foi a faísca que acendeu o nosso entusiasmo para ultrapassar as dificuldades e pensar concretamente na apresentação desta obra em inglês, tendo em conta o público cosmopolita de Macau. A partir daí, tudo foi se encaixando de uma forma que beira o sobrenatural”, referiu.

Sobre o grupo coral de Cantão que participa no concerto, Oswaldo Veiga Jardim diz ser composto “por entusiastas com vasta experiência na apresentação das obras corais de Xin Xinghai”, e que acompanha outro grupo coral ligado ao Colégio Batista de Macau. Sobre a apresentação de “Sinfonia nº1”, o maestro diz que “informações fidedignas sobre esta obra são bastante escassas”, não existindo, segundo o seu conhecimento, “qualquer gravação comercial da obra”.

Desta forma, “o material de orquestra que vamos usar no concerto foi totalmente preparado por nós e é baseado na única versão da partitura disponível ao público: uma edição soviética de 1955, publicada pela Muzgiz, a editora estatal de música soviética que, na sequência da Revolução Russa de 1917, assumiu o controlo da antiga editora Jurgenson”.

Oswaldo Veiga Jardim destaca, portanto, o “sentimento de orgulho” no facto de ser “um grupo de Macau a apresentar uma obra inédita de um compositor chinês nascido em Macau”.

Para a História

A realização deste concerto em homenagem a Xian Xinghai não surge por acaso, dado que no ano passado se celebraram os 80 anos da vitória na guerra de resistência contra a agressão japonesa e o fim da II Grande Guerra Mundial, destaca Oswaldo Veiga Jardim, que acrescenta o assinalar dos 80 anos da morte deste compositor, nascido em 1905 e falecido em 1945.

Xian Xinghai foi “o mais célebre compositor chinês que deixou uma vasta obra que inclui sinfonias, bandas sonoras de filmes, centenas de canções patrióticas e a Cantata do Rio Amarelo, certamente a sua obra mais conhecida”.

“Parece brincadeira dizer isso, mas como ele nasceu e morreu em anos terminados em cinco, Xian é um daqueles compositores que sempre merecem duplas homenagens, tanto pelo aniversário da morte quanto pelo do nascimento”, disse o consultor do currículo musical do Colégio Batista de Macau.

“Cantata” internacional

Oswaldo Veiga Jardim considera que a “Cantata do Rio Amarelo” é uma composição de “grande beleza e monumentalidade” que, no entanto, “nunca conseguiu se estabelecer na tradição coral ocidental devido principalmente às barreiras linguísticas impostas pelo texto em mandarim, que exige cantores que dominem o idioma, e aos desafios técnicos de incorporar elementos étnicos tradicionais às apresentações ocidentais”.

Houve apenas uma apresentação americana em 1943 “com Paul Robeson e uma produção russa de meados da década de 1950 no Conservatório Tchaikovsky de Moscovo”, recorda o maestro, mas é uma obra que “permanece amplamente associada à sua tradição em língua chinesa”.

Desta forma, a apresentação de “Cantata do Rio Amarelo” no território “faz todo o sentido”, por Macau ser uma “cidade de vocação cosmopolita e local de nascimento de Xian Xinghai”. O que se fez com este concerto foi “tomar a dianteira na apresentação de uma versão ‘mais internacional’ da cantata e, atendendo às aspirações do próprio compositor, torná-la mais acessível ao grande público”.

Também “Sinfonia nº1” nunca “mereceu a devida atenção”, aponta Oswaldo Veiga Jardim. “A mensagem mais importante [deste concerto] é a de reconectar, sob o ponto de vista musical, Xian Xinghai, o homem, às suas origens cosmopolitas de Macau”, nomeadamente na sua ligação “à colónia piscatória da Rua da Praia do Manduco, onde sua família vivia, valorizando uma ligação que certamente teve importância decisiva no futuro do pequeno Xian”.

A escolha do repertório focou-se no “desejo de apresentar ao público de Macau dois lados distintos da personalidade musical do compositor”, nomeadamente “a cantata, de inspiração folclórica, como instrumento popular de resistência durante um período trágico da história da China”, e também a sinfonia.

Esta última “como uma tentativa mais complexa e estruturalmente ambiciosa de reconciliar o ‘universo folclórico chinês’ com o academismo musical ocidental que Xian absorveu em Paris, tendo como pano de fundo a luta pela libertação nacional”.

Numa nota biográfica divulgada pela organização do concerto, lê-se que Xian Xinghai viveu uma vida “marcada pela pobreza e dificuldades”, tendo nascido pobre numa família de Tanka, nome dado a habitantes em barcos, em Macau. O seu pai, Xian Xitai, morreu no mar antes do filho nascer, tendo este sido criado pela mãe, Huang Suyin, “cujas canções folclóricas e canções de embalar influenciaram, sem dúvida, a sua obra posterior”.

Xian cresceu em Guangzhou, em Panyu, onde foi criado pelo avô materno, tendo a família ido depois para Singapura, em 1912, aquando da morte do avô e em busca de melhores condições de vida, tendo voltado depois a Guangzhou. Foi nessa altura que Xian teve os primeiros contactos com a música ocidental, nomeadamente no Lingnan College, onde aprendeu violino e clarinete e começou a estudar as obras de mestres como Bach e Beethoven.

Depois de uma passagem por França onde estudou música, Xian regressou à China em 1935, tendo escrito canções para cinema, rádio e para o Movimento Nacional de Salvação da Canção, num “esforço patriótico que surgiu no final da década de 1930 para fomentar uma frente unida contra a invasão japonesa e pôr fim à guerra civil”.

Foi assim que Xian Xinghai se envolveu no movimento comunista, “compondo ‘canções de massas’ e oferecendo aulas de música gratuitas a cadetes do Partido Comunista”.

Em Maio de 1940 o Comité Central do Partido Comunista enviou Xian para a União Soviética numa missão de trabalho. Na sequência do início da II Guerra Mundial e da invasão alemã da URSS, o equipamento e o pessoal do estúdio foram evacuados para Almaty, no Cazaquistão. Xian passou lá os últimos anos de vida, a ensinar e a compor, vivendo na casa do colega e compositor Bakhytzhan Baikadamov. Após um período de saúde debilitada, Xian foi transferido para Moscovo, onde faleceu em 1945, aos 40 anos.

21 Abr 2026

Parque Industrial | Concepção adjudicada por 197,8 milhões

O futuro Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau vai ficar localizado na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros. Os planos de concepção foram adjudicados à empresa estatal Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co.

Os dois planos de concepção do Plano Concepcional para o Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau foram adjudicadas por 197,8 milhões de patacas à Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co., Ltd.. As instalações que vão ser construídas para se transformarem no grande centro de investigação industrial e científico na RAEM vão ficar localizadas na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros.

De acordo com a informação divulgada pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), o plano de concepção para a parcela do parque na Avenida Wai Leong foi entregue à empresa de estatal por cerca de 49,3 milhões de patacas. O pagamento previsto vai ser feito em renminbis, totalizando 42,9 milhões. No caso do lote na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros, o plano de concepção vai custar 148,5 milhões de patacas, ou 129,1 milhões de renminbi.

Os planos, apesar dos montantes envolvidos, foram adjudicados directamente à empresa estatal, depois de terem sido apresentadas duas propostas por escrito, uma para cada um dos lotes. Os dois projectos têm de ser apresentados pela empresa até ao final do próximo ano, para depois se dar início às obras.

No terreno da Avenida Wai Long, a área bruta de construção vai ser de 150 mil metros quadrados, incluindo as encostas e o Túnel da Colina da Taipa Grande, e na Zona E1 dos Novos Aterros Urbanos a área bruta de construção totaliza cerca de 500 mil metros quadrados. A empresa Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co. foi fundada em 1961, é uma das principais empresas de tecnologia nacional, ao fazer parte do grupo Zhongguancun Development Group.

Diversificação da Economia

O parque foi apresentado durante a consulta pública, que decorreu no final do ano passado, como uma forma de dar “uma boa resposta à questão inadiável do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. O documento da consulta apontava que a pandemia da Covid-19 mostrou “a urgência de desenvolvimento da diversificação da estrutura industrial” da RAEM, dado que o produto interno bruto (PIB) apresentou uma redução a 50 por cento.

No documento da consulta era ainda garantido que o parque faz parte do caminho para o futuro, porque “a promoção do desenvolvimento da indústria científica e tecnológica” vai desenvolver “uma nova força para Macau cultivar novos motores de crescimento económico e apoiar o desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. “A construção do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau é, assim, um projecto de grande relevância para a implementação das orientações estratégicas do Estado, o apoio ao desenvolvimento da indústria científica”, foi acrescentado.

21 Abr 2026

Ciberataques | Governo alvo de quatro milhões de acções por mês

Segundo o Executivo, o “rigoroso regime de gestão de segurança” e a “equipa de monitorização dedicada” têm evitado que os ataques frequentes sejam bem-sucedidos

O Governo apontou que o seu centro de computação em nuvem repele, em média, mais de quatro milhões de ciberataques todos os meses.

Numa resposta a perguntas do deputado Vong Hou Piu sobre o actual uso de inteligência artificial (IA) na melhoria da eficiência da administração pública, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) confirmou que, apesar do elevado volume de ataques cibernéticos registado ao longo de 2025, não ocorreu até à data qualquer incidente de segurança.

As autoridades atribuíram este registo de defesa a uma “equipa de monitorização dedicada” e a um “rigoroso regime de gestão de segurança”, concebido para proteger a infra-estrutura electrónica e os dados sensíveis da cidade.

O Governo de Macau tem acelerado a integração da IA nas operações internas, com a SAFP a iniciar testes de uma plataforma em grande escala para agilizar tarefas administrativas como a análise de dados, o processamento de documentos e a redacção de atas de reuniões.

Para mitigar os riscos associados a esta nova tecnologia, o SAFP sublinhou que a plataforma de IA está alojada no Centro de Computação em Nuvem do Governo e é de uso exclusivamente interno.

“O SAFP continuará a monitorizar os riscos de ciberataques, respondendo atempadamente e reforçando as capacidades de detecção e bloqueio de intrusões”, afirmaram os serviços, salientando que a cibersegurança continua a ser um pilar da estratégia de governação electrónica do Executivo.

IA como exigência

As autoridades do território acrescentaram que o impulso para a modernização deverá também transformar o pessoal da função pública, com os futuros processos de recrutamento poderão ser actualizados para incluir a proficiência em IA como critério de selecção.

“No âmbito do regime actual, os júris de concurso têm a discricionariedade de ponderar conhecimentos de tecnologia de IA em provas e entrevistas, garantindo que os novos recrutas estão preparados para a transição digital”, indicaram.

O Governo defende que as actualizações tecnológicas são essenciais para melhorar a qualidade do serviço prestado e a eficiência do trabalho em todos os departamentos públicos.

21 Abr 2026

BNU assina acordo com Manteigaria, do grupo Portugália

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) vai assinar um protocolo com o grupo Portugália, que detém a marca “Manteigaria”, de produção de pastéis de nata. Recorde-se que a Manteigaria já está em Macau, onde a empresa fez um investimento de dois milhões de euros, e deverá chegar este ano a Hong Kong.

“Vamos celebrar um protocolo entre o BNU e a Manteigaria numa lógica de desenvolvimento das suas operações em Macau, Hong Kong e outras cidades da Grande Baía, em que se utiliza Macau como plataforma”, disse Carlos Cid Álvares, CEO do BNU, aos jornalistas.

O BNU faz parte do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), banco público português, e Carlos Cid Álvares explicou que, no contexto destes negócios portugueses que procuram a sua expansão, “a CGD estará aí para os apoiar”. “Que venham mais manteigarias, temos todo o gosto em fazer isso”, referindo-se a apoios bancários na expansão da marca.

Em relação à visita de Sam Hou Fai a Lisboa e Madrid, Cid Álvares falou na existência de “uma vontade política enorme” para que haja um reforço de relações comerciais. “Esta comitiva de 120 pessoas demonstra isso. Há pessoas do sector público, privado, e acredito que com tantos protocolos a serem assinados, com uma comitiva desta dimensão e com a vinda do Chefe do Executivo, que visita as três principais figuras do Estado português, há uma vontade para que este intercâmbio aconteça, quer em termos de investimento, quer em termos de trading e volume de negócios.”

Vistos a melhorar

Carlos Cid Álvares defendeu ainda que “empresas dos países de língua portuguesa e latino-americanos terão todo o interesse em vir para Macau, que é completamente ‘friendly’ para os estrangeiros, sendo um dos sítios mais seguros do mundo, com a Ásia para se viajar e um bom sistema de ensino”.

Porém, “há coisas a melhorar” para que os negócios floresçam, nomeadamente ao nível “do sistema de vistos de trabalho”. “Tem havido tentativas de melhoria por parte do Governo, para que [o sistema] possa ser menos burocrático e incerto e permita que as famílias dos CEO e CFO se juntem”, rematou.

O CEO do BNU lembrou que os negócios de Portugal com Macau não passam apenas pelo vinho. Aliás, “o vinho ocupa uma percentagem ridícula das exportações portuguesas”. “Portugal tem empresas de primeira linha a competir no mercado internacional, sendo os melhores em seis ou sete sectores de actividade. Lembro-me do tomate, azeite, cortiça, café e dos moldes, ou até a pasta de papel. Estão habituadas a competir no mercado internacional e podem acrescentar valor com parcerias com empresas de Macau, num mercado como é o chinês, ou da Grande Baía, com cerca de 80 milhões de consumidores”, exemplificou.

21 Abr 2026

Sam Hou Fai em Lisboa | Empresas e Governo, um modelo de “alto nível”

Decorreu esta segunda-feira, em Lisboa, uma sessão de apresentação dos serviços profissionais de Macau como plataforma sino-lusófona, no âmbito da visita oficial de Sam Hou Fai a Portugal. O presidente do IPIM destacou que o modelo de juntar empresas e Governo nestas missões tem agora uma maior dimensão, “de alto nível”. O olhar está na lusofonia, mas também nas oportunidades que o mundo hispânico pode trazer

É uma delegação com mais trabalho de casa feito aquela que está em Lisboa por estes dias – são 120 empresários de Macau ou do interior da China que acompanham o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, naquela que é a primeira viagem oficial à Europa no seu mandato. Esta segunda-feira decorreu, em Lisboa, a “Sessão de apresentação dos serviços profissionais de Macau como plataforma sino-lusófona e jantar de intercâmbio”, onde estiveram presentes alguns empresários de Macau, como Jorge Neto Valente ou Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos. Não faltaram ainda, na lista de oradores, Oriana Pun, secretária-geral da Associação dos Advogados de Macau, ou Tsui Wai Kwan, presidente do Centro de Arbitragem do World Trade Center de Macau. Discursos proferidos em mandarim foram palavra de ordem.

À margem da sessão, que decorreu no Tivoli Oriente, Che Weng Keong, presidente do conselho administrativo do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM), falou precisamente da maior preparação da delegação de empresários da RAEM e dos benefícios da conexão com as autoridades governamentais.

Questionado sobre o modelo de associar várias empresas ao Governo, o responsável classificou-o como sendo, ao nível da sua dimensão, “de alto nível”. “Desta vez contamos com 120 pessoas e é um grupo muito grande, com representantes de empresas de Macau, interior da China e Hengqin. Há empresas [integrantes da comitiva] que fazem parte do ranking das 500 maiores do interior da China. Gostaríamos de, através desta missão, conseguir promover mais oportunidades para a criação de mais negócios”, declarou.

Em relação às áreas de negócio inclui-se a “Big Health”, ou área da saúde, “tecnologia de ponta, negócios online e transfronteiriços, “bem como outros negócios e assuntos comerciais”. “Em relação ao mercado do interior da China, esta missão [a Lisboa] representa 40 por cento da área de ‘Big Health’ e tecnologias de ponta”, frisou.

Destaca-se ainda o facto de este ano, do rol de empresas constarem “empresas de maior dimensão do interior da China, bem como muitas empresas cotadas em Bolsa”.

Em relação a visitas oficiais realizadas anteriormente, Che Weng Keong destacou o plano de “maximizar a sua eficiência”, sendo que, desta vez, foi feito “muito trabalho” prévio. “Recolhemos projectos desenvolvidos por empresas do interior da China, para que empresas portuguesas e espanholas consigam antecipar os trabalhos preparativos” no que diz respeito ao intercâmbio e conhecimento do tipo de negócios.

Desta forma, “podemos ver que para Portugal e Espanha já estamos preparados com dezenas de acordos para serem assinados durante esta missão”, disse o presidente do IPIM. Esta segunda-feira decorreu, por exemplo, uma cerimónia de assinatura de 17 acordos no MEO Arena, zona da Expo.

Objectivos definidos

Che Weng Keong não deixou de frisar que os mercados de língua portuguesa são importantes, mas também os de língua espanhola. Sempre que há questões sobre planos de futuro ou objectivos a cumprir com este tipo de missões empresariais, a resposta contém Espanha no horizonte.

“Todos sabem que, por razões históricas, Macau tem um laço muito estreito com vários países de língua portuguesa. Também gostaríamos de ter alguma extensão até Espanha nesta visita. O nosso objectivo é desenvolver o mercado do interior da China com os países de língua portuguesa e espanhola, para que Macau sirva de plataforma para que estas regiões e países tenham oportunidade de encontrar parceiros de negócios.”

Muitos desafios

Nem tudo são rosas nesta história de fazer negócios. Ng In Cheong, directora-adjunta dos Serviços de Assuntos Jurídicos da Zona de Cooperação Guangdong e Macau em Hengqin, e uma das responsáveis pelo Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), falou de alguns desafios que é preciso enfrentar para que as empresas dos dois lados se conheçam.

“A formação sobre línguas ou outros temas é algo complexo, porque a língua é o problema principal para a saída das empresas da China, causando obstáculos, o que não deveria acontecer. Por isso cooperamos com universidades para que se realizem formações, e procuramos também estudantes de espanhol e português. Mas além de falarem português, também têm de dominar outros conhecimentos”, declarou.

Admitindo que o CECPS existe há menos de um ano e que ainda não há muito trabalho a mostrar, a verdade é que “já se alcançaram alguns resultados” deste serviço “one-stop” existente em Hengqin.

“Ajudamos empresas que querem sair de Macau e que não sabem como o fazer, e ajudamos aquelas que querem sair da China. Damos formação às empresas para que formem os seus trabalhadores. Temos uma empresa que presta serviços como o E-bay e que já está a fazer negócios em Portugal”, adiantou Ng In Cheong.

Nesta fase, o Centro já estabeleceu contactos “com mais de 200 empresas”, tendo sido “celebrados acordos de cooperação com muitas entidades”. “Só que o nosso centro ainda é muito recente”, frisou.

Apesar do pouco tempo de existência, este centro de serviços deverá expandir-se a outros países. “O nosso centro tem uma presença em Hengqin, mas temos também centros situados em Xangai, Pequim e Shenzhen. Também vamos criar escritórios no Brasil, México e Espanha”, explicou Ng In Cheong.

Frederico Ma, presidente da direcção da Associação Comercial de Macau e empresário, também demonstrou ter grandes expectativas com esta visita a Lisboa.

“No ano passado realizamos um fórum para o nosso sector e gostaríamos de continuar a reforçar os laços com vários países. Esperamos que, com esta visita, possamos assinar mais acordos com países de língua espanhola. Visitei Portugal várias vezes e agradeço que o Governo da RAEM organize estas visitas, para que nós e empresas do interior da China possamos, em conjunto, ter esta visita a Portugal e Espanha.”

Admitindo que a área da engenharia ou gestão de infra-estruturas constitui “uma das vantagens das empresas do interior da China”, Frederico Ma disse que o “ambiente de investimento em Portugal é muito positivo, não tendo sido gravemente afectado pela crise económica actual”.

“Temos [em Macau] alguns centros de empreendedorismo para ajudar os jovens a criar negócios. O mercado de Portugal é bom, e há várias vantagens em se investir em Portugal através da plataforma de Macau”, acrescentou o também empresário.

21 Abr 2026