João Santos Filipe Manchete SociedadeActivos Públicos | Empresa da UM com lucro de 2,7 milhões Os resultados mais recentes da empresa que realiza estudos ficam marcados por uma correcção do lucro de 2024, que passou de 781 mil patacas para 2,9 milhões de patacas No ano passado, a UMTEC, empresa controlada pela Universidade de Macau, apresentou um lucro de 2,7 milhões de patacas, de acordo com os dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços da Supervisão e Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Os resultados mais recentes apresentam uma revisão da contabilidade relativa a 2024. Em 2025, as vendas da empresa, que disponibiliza serviços de investigação, dispararam de 18,1 milhões de patacas para 31,2 milhões de patacas. Contudo, os custos das vendas também ficaram mais caros, com uma subida de 15,3 milhões para 23,1 milhões de patacas. Como resultado destas alterações, os lucros brutos subiram de 2,8 milhões para 8,1 milhões de patacas. No entanto, a UMTEC gerou menos dinheiro em “operações de financiamento”, com os ganhos a serem reduzidos em 400 mil patacas, e com os “outros rendimentos”, com a fonte das receitas a apresentar uma redução de quase 2 milhões de patacas. Ao mesmo tempo, as “outras despesas” da empresa apresentaram um salto significativo ao atingirem 2,8 milhões de patacas, quando no ano anterior não tinham ido além de 233 mil patacas. Esta diferença foi justificada com maiores perdas devido a trocas cambiais. As variações indicadas explicam o motivo que leva a empresa a apresentar uma redução dos lucros, apesar de até ter obtido receitas maiores do que no ano anterior. Resultados corrigidos Apesar das diferenças, os resultados da UMTEC ficam marcados pela correcção dos números declarados relativamente a 2024. No ano passado, a UMTEC tinha declarado lucros em 2024 de 781 mil patacas. Contudo, os resultados de ontem apresentam uma correcção desses números, que saltaram de 781 mil patacas para 2,9 milhões de patacas. Estas alteração foi explicada com a forma como os investimentos em moeda que não a pataca foram calculados, principalmente tendo em conta a construção do novo campus na Ilha da Montanha, através da subsidiária Guangdong Hengqin UM Higher Education Development. “A administração observou uma diferença técnica entre a taxa de câmbio original utilizada e a taxa de referência adoptada nas melhores práticas de mercado em vigor, resultante principalmente da selecção de diferentes plataformas de referência de taxas de câmbio”, foi justificado. “Para cumprir rigorosamente as normas de relato financeiro e garantir que o valor contabilístico do investimento reflecte com precisão o valor real durante esse período, a taxa de câmbio à vista aplicável à data da transacção foi tecnicamente revista de 1,118 para 1,1347”, foi acrescentado. Face a esta alteração, em 2024 os “outros rendimentos” da empresa aumentaram de 30 mil patacas para 2,2 mil milhões de patacas, justificando a correcção do lucro. Mais lucros A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia, uma das empresas detidas pela Universidade de Macau (UM) para prestar serviços de pesquisa, registou um lucro de 7,3 milhões no ano passado. Os resultados foram apresentados no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicas (DSSGAP) e representam uma quebra em relação a 2024, quando o lucro tinha atingido as 10,5 milhões de patacas. A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia é uma das três empresas controladas pela Universidade de Macau. As restantes são a UMTEC, que também se dedica à investigação, e a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, que vai ser responsável pelo desenvolvimento do novo campus da UM no Interior, num investimento que poderá chegar aos 4 mil milhões de renminbis.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEPM | Alunos participaram em acampamento militar Um grupo de alunos esteve cinco dias em Zhuhai no Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional, onde trocaram os uniformes da EPM pelas fardas militares. Segundo um jornal do Interior, as iniciativas deste género envolvem o manuseamento de armas, mas as fotos da escola não mostram estudantes armados Um grupo de cerca de 16 estudantes da Escola Portuguesa de Macau (EPM) participou, em Zhuhai, num dos acampamentos militares no Interior para promover o patriotismo. A iniciativa foi organizada em conjunto pela Departamento de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e pela General Association of Chinese Students of Macau, e divulgada pela instituição de ensino, através das redes sociais. “O Acampamento da Defesa Nacional do ano lectivo 2025-26 organizado pelo Departamento de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e co-organizado pela General Association of Chinese Students of Macau, decorreu de 30 de Março a 03 de Abril, no Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional, em Zhuhai”, comunicou a escola. A instituição de ensino classificou ainda a iniciativa como “uma actividade de cinco dias em que os estudantes tiveram a oportunidade de vivenciar um treino militar, em regime de internato”. “O objectivo foi cultivar o senso de disciplina, o espírito de equipa, além de fortalecer o sentido de patriotismo”, foi acrescentado. O HM contactou a EPM para perceber os moldes da participação da escola na iniciativa, a forma de selecção dos alunos no acampamento e ainda se no futuro haverá mais estudantes a participar em iniciativas semelhantes. Até ao fecho da edição de ontem não foi recebida qualquer resposta. Projecto do Governo O envolvimento de estudantes locais em acampamentos militares em Zhuhai tornou-se uma prática frequente nos últimos anos, no âmbito das políticas nacionalistas, com a participação dos alunos a ser divulgadas nas redes sociais pelas instituições de ensino. Em 2024, foi tornado público que “as autoridades relevantes de Macau estabeleceram uma cooperação de longo-prazo com o Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional de Zhuhai para a organização de campos militares”. A informação foi divulgada pelo portal do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, que citou um artigo do jornal estatal de Guangdong Southern Daily. O artigo referia ainda que todos os anos, cerca de 4.000 alunos do 8º ano de escolaridade de Macau iriam a Zhuhai participar em “campos de actividades de educação para a segurança nacional”. Neste artigo, era indicado que os treinos iam envolver o “manuseio de armas, competências básicas de estratégia militar, combate corpo a corpo (incluindo com armas brancas), obedecer a ordens”, simulação de situações de combate e cerimónias de hastear da bandeira nacional. O HM tentou perceber junto da EPM se houve manuseamento de armas em Zhuhai, mas não recebeu qualquer resposta. As fotos divulgadas pela EPM não mostram armas.
Hoje Macau Manchete PolíticaPortugal | Sam Hou Fai encontra-se com líderes dos três poderes O líder do Governo de Macau tem encontros agendados com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai encontrar-se com “os líderes dos órgãos executivo, legislativo e judicial” durante uma passagem por Portugal, foi ontem anunciado. A participação de Tai Kin Ip estava prevista para a visita, mas o secretário é uma baixa de última hora, depois de ter sido exonerado do cargo. Sam parte amanhã para “a primeira visita ao estrangeiro” desde que tomou posse, em Dezembro de 2024, sublinhou o Gabinete de Comunicação Social (GCS) do Governo de Macau. A deslocação começa em Lisboa, passa ainda por Madrid, Genebra e Bruxelas, antes de regressar a Macau em 26 de Abril. Além do primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, a nota não clarifica se Sam Hou Fai se irá também reunir com o Presidente da República, António José Seguro. Segundo o Governo de Macau, os encontros em Lisboa têm “o objectivo de aprofundar, de forma contínua, a cooperação entre Macau e Portugal sob a base sólida existente”. Numa entrevista transmitida no domingo pelo canal em português da emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, Sam Hou Fai disse que poderão ser assinados “mais de 39 protocolos de cooperação com entidades ou empresas de Portugal”. Os acordos abrangem domínios como “o comércio e a economia, a plataforma sino-portuguesa, a educação, a cultura, o turismo, a formação de quadros qualificados, ‘Big Health’ [saúde integrada] e a tecnologia de ponta”, disse Sam. Comissão mista O governante disse ainda que a Comissão Mista Portugal/Macau irá reunir-se, pela primeira vez desde Maio de 2019, antes do início da pandemia de covid-19, mas Sam Hou Fai não revelou nem a data nem a agenda da reunião. Em Setembro, após um encontro com Sam Hou Fai na região chinesa, Luís Montenegro disse que entre os temas na agenda da comissão estarão as restrições impostas à residência de portugueses. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. Aos portugueses resta a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. A única alternativa para garantir o bilhete de identidade de residente passa agora por uma candidatura aos recentes programas de captação de quadros qualificados. Em Setembro, Luís Montenegro disse que “as coisas estarão encaminhadas” quanto a uma solução para as restrições. O GCS indicou ontem que Sam Hou Fai irá levar uma delegação com “representantes de várias empresas-chave” de Macau e da China continental, incluindo da zona económica especial na vizinha Hengqin (ilha da Montanha). O comunicado referiu que o programa da visita a Portugal inclui uma sessão de promoção de cooperação económica e comercial.
Hoje Macau Manchete PolíticaSegurança nacional | Sam Hou Fai promete reprimir ligações a “forças hostis externas” O líder do Governo prometeu na quarta-feira reprimir severamente as ligações entre residentes que se oponham ao regime do Partido Comunista e “forças hostis externas”. “Com uma determinação inabalável, defendemo-nos e combatemos a interferência externa”, disse Sam Hou Fai, na cerimónia de inauguração de actividades ligadas à educação para a segurança nacional. “Reprimimos severamente, nos termos da lei, as ligações entre elementos anti-China, desestabilizadores de Macau e forças hostis externas”, acrescentou, no discurso, o Chefe do Executivo. O ex-deputado Au Kam San foi detido em 30 de Julho por alegadamente ter agido em “conluio, desde 2022, com uma organização anti-China” estrangeira, disse na altura a Polícia Judiciária (PJ) de Macau. Sam Hou Fai defendeu ainda que as alterações à lei de segurança nacional “reforçam ainda mais o mecanismo de liderança de topo e conferem à Comissão de Defesa da Segurança do Estado [CDSE] uma base jurídica mais sólida, bem como uma capacidade de execução reforçada”. A nova lei estipula que a escolha de um advogado para casos de segurança nacional está sujeita à aprovação de um juiz, que remete o requerimento à CDSE para que a mesma emita um parecer vinculativo e não passível de recurso. Ainda segundo a legislação, o pedido de aprovação do advogado pode ocorrer “em qualquer processo judicial, se a autoridade judiciária competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”.
Hoje Macau Manchete PolíticaGoverno | Tai Kin Ip deixa o cargo de secretário por “motivo pessoal” As razões da saída anunciada ontem de manhã não foram concretizadas nem é conhecido o nome do futuro secretário para a Economia e Finanças. O Executivo de Sam Hou Fai perde assim o segundo membro, em menos de dois anos O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, foi exonerado do Governo, depois de emitir uma declaração a justificar-se com um “motivo pessoal”. As razões não foram reveladas publicamente, mas este é o segundo secretário que o Executivo de Sam Hou Fai perde em menos de dois anos. A saída do Governo acontece a poucos dias do início da viagem oficial do Chefe do Executivo a Portugal e a Espanha, que vai ter na agenda vários assuntos relacionados com a cooperação económica e a diversificação da economia da RAEM. Os motivos não foram divulgados publicamente. “Eu, Tai Kin Ip, há algum tempo que, por motivo pessoal, solicitei formalmente ao Chefe do Executivo Sam Hou Fai a demissão do cargo de Secretário para a Economia e Finanças do Governo da Região Administrativa Especial de Macau”, pode ler-se no comunicado atribuído pelo Gabinete de Comunicação Social ao secretário. Hoje [ontem], o Conselho de Estado publicou, sob proposta do Chefe do Executivo, a minha exoneração do cargo”, acrescentou. Segundo a divulgação oficial, Tai Kin Ip agradeceu “de coração ao Governo Popular Central e ao Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, a confiança e o apoio” durante o período em que exerceu funções. O exonerado agradeceu ainda “a todos os trabalhadores dos serviços públicos da área da economia e finanças pelo esforço e colaboração”. Na mensagem, Tai Kin Ip é ainda citado a dizer que vai continuar “como sempre” a “prestar atenção, colaborar e apoiar o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM”. Elogios superiores Na hora da despedida, Sam Hou Fai emitiu um comunicado a elogiar o secretário que ocupou o cargo durante dois anos e no qual sucedeu a Lei Wai Nong. “ O Chefe do Executivo referiu que, desde a tomada de posse deste Governo, Tai Kin Ip desempenhou com brio o cargo de secretário para a Economia e Finanças, implementando as linhas orientadoras da governação e os planos de trabalho do Governo da RAEM”, pode ler-se na mensagem. “Liderou a equipa da área da economia e finanças actuando em obediência à lei, com sentido de responsabilidade, determinação e eficácia, e promoveu novos progressos na área da economia e finanças”, considerou Sam. O líder do Governo agradeceu ainda a Tai Kin Ip e reconheceu “os esforços e contributos” a promoção o desenvolvimento da RAEM. Com esta movimentação, o Executivo de Sam Hou Fai perde o segundo secretário em menos de dois anos. No entanto, desta vez o procedimento da substituição foi diferente do que aconteceu em Setembro do ano passado. Na altura, quando foi revelada a exoneração de André Cheong, ex-secretário para a Administração e Justiça, que deixou o Governo para assumir a presidência da Assembleia Legislativa, foi rapidamente comunicado que Wong Sio Chak iria substituir o exonerado. Ao mesmo tempo, Chan Tsz King foi anunciado como secretário da Justiça, ocupando a vaga deixada em aberta pela nova pasta de Wong Sio Chak. Ontem, e apesar de o Governo ter anunciado que a vontade de Tai Kin Ip tinha sido comunicada “há algum tempo”, não houve informação sobre o seu substituto. Ao invés, Sam Hou Fai comunicou que “o Governo da RAEM está a acompanhar o trabalho de nomeação do novo titular do cargo de Secretário para a Economia e Finanças, e será oportunamente submetida ao Governo Popular Central, para efeitos de nomeação, a indigitação do novo titular do cargo de Secretário para a Economia e Finanças”. Foi ainda clarificado que até “à tomada de posse do novo secretário, todas as competências inerentes ao cargo serão exercidas pelo Chefe do Executivo”.
Hoje Macau Manchete PolíticaSecretário para a Economia e Finanças de Macau demite-se por “motivos pessoais O secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, foi exonerado do cargo, após pedido de demissão apresentado por “motivos pessoais”. De acordo com despacho publicado pelo chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), Sam Hou Fai, a decisão foi tomada pelo Conselho de Estado da República Popular da China, sob proposta do líder do Governo local. Segundo as autoridades, Tai Kin Ip tinha solicitado “há algum tempo” a saída, pedido que foi submetido ao Governo Popular Central nos termos da Lei Básica (miniconstituição de Macau). A exoneração foi formalmente promulgada hoje. Estava previsto que Tai integrasse a comitiva que acompanha o chefe do Executivo na visita a Portugal e Espanha, a partir de 17 de abril. Tai Kin Ip foi empossado em dezembro de 2024. Licenciado em Economia na Universidade Católica Portuguesa, fez carreira na Direção dos Serviços de Economia em Macau desde 1995.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCombustíveis | Vários voos entre China e Sudeste Asiático cancelados Vários voos entre a China e o Sudeste Asiático e a Oceânia foram cancelados nos últimos dias, devido à subida dos custos de combustível causada pela guerra no Irão, informou ontem o jornal The Paper. Desde o início do mês, algumas rotas que ligavam cidades chinesas a destinos na Tailândia, Laos, Malásia ou Camboja suspenderam temporariamente todos os voos, enquanto noutras, com destino à Austrália ou à Nova Zelândia, a taxa de cancelamento atinge 83,3 por cento. Segundo o jornal South China Morning Post, outras companhias aéreas, como a paquistanesa PIA, também reduziram voos com a China e outros destinos, enquanto empresas das Filipinas, Vietname ou Nova Zelândia cortaram rotas, e a Cathay Pacific, de Hong Kong, já anunciou que vai cancelar 2 por cento dos seus voos em Maio e junho. Lin Zhijie, especialista citado pelo The Paper, explicou que o combustível de aviação – cerca de um terço dos custos de uma companhia aérea – praticamente duplicou de preço desde o início da guerra no Irão, enquanto os bilhetes não acompanharam essa subida, colocando algumas empresas numa situação em que, quanto mais voos operam, maiores são as perdas. Além disso, alguns dos países mencionados enfrentam problemas de abastecimento de combustível devido ao bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz – destino de entre 84 por cento e 90 por cento do petróleo que transita por esta rota marítima crucial – o que agrava os custos e cria incerteza quanto à capacidade de reabastecimento. Mitigar impacto As companhias melhor posicionadas neste contexto são as transportadoras ‘low cost’ chinesas, como a Spring Airlines, que conseguem transportar até mais 25 por cento de passageiros do que outras companhias com os mesmos aviões, mitigando assim o impacto dos custos acrescidos com combustível, acrescentou Lin. Segundo dados da plataforma Flight Manager, a China deverá registar no próximo feriado de Maio um aumento das viagens, tanto em volume como em preços: as tarifas médias dos voos domésticos subiram 9,6 por cento em termos homólogos e mais de 20 por cento face ao mesmo período de 2019. A China tem resistido melhor ao impacto da guerra do que outros países da região, graças à sua capacidade interna de refinação, tendo também restringido as exportações de combustível, o que deixou alguns países vizinhos sem uma alternativa de fornecimento. Após uma das maiores subidas recentes dos combustíveis, os reguladores chineses anunciaram que vão limitar esse aumento a cerca de metade do habitual, para proteger os consumidores.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeIAM | Aberto concurso público para pavilhão infantil na Venceslau de Morais Está aberto o concurso público para a elaboração do projecto de obra do Pavilhão Infantil de Exploração na Avenida de Venceslau de Morais, disponível no primeiro e segundo andar do Edifício Mong Son, na Avenida de Venceslau de Morais. Segundo o despacho publicado esta quarta-feira em Boletim Oficial (BO), o prazo de validade das propostas é de 90 dias, devendo ser entregue uma caução provisória de 60 mil patacas, com a caução definitiva a valer quatro por cento do preço global da adjudicação. As propostas devem ser submetidas junto do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) até ao dia 27 de Maio, pelas 17h, sendo que o acto público decorre no dia seguinte. Segundo é descrito no despacho, há duas partes a ter em conta na elaboração do projecto de obra, nomeadamente a “prestação de serviços de concepção e de assistência técnica, sendo o prazo total de concepção de 110 dias úteis”. O Governo vai ter em conta, para a adjudicação, critérios como a “remuneração total dos serviços”, o “preço global da obra” e a “proporção de trabalhadores residentes das empresas dos concorrentes”, sem esquecer a “experiência na concepção de projecto com itens similares”.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePreços | Prevista estabilidade em produtos vindos da China Ip Sio Man, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, prevê a estabilidade de preços dos produtos a curto prazo tendo em conta que a maioria é importada da China. Porém, nos produtos oriundos do estrangeiro poderá haver aumentos dentro de meses O dirigente da Associação da União de Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, declarou ao jornal Ou Mun que não deverá haver um grande aumento de preços nos próximos meses nos produtos importados da China, tendo em conta que a taxa de câmbio continua a ser forte. Ip Sio Man explicou que o preço médio do câmbio atingiu o ponto mais alto do mercado em três anos, com 6,85 renminbis para um dólar americano. Tendo em conta que Macau importa mais produtos do interior da China, a associação defende que é limitado o impacto da taxa de câmbio. Na lista de exportadores de Macau surge, em segundo lugar, a região do Sudeste Asiático, enquanto mercadorias de média e alta qualidade são oriundas da Europa e EUA. Ip Sio Man afirmou que os preços dos produtos fabricados na China têm-se mantido estáveis, com a maioria dos importadores a optar por suportar os custos ao invés de aumentar os preços junto dos consumidores para aumentar as margens de lucro. O responsável defendeu ser cedo apresentar expectativas quanto a eventuais aumentos de preços, dizendo que a China tem reservas suficientes de petróleo, sendo generalizado o uso de transporte ferroviário e de veículos eléctricos. Além disso, os produtos frescos são oriundos de Guangdong e regiões próximas, pelo que Ip Sio Man acredita que é ainda possível controlar custos e evitar eventuais subidas de preços. No entanto, os produtos oriundos de fora da província de Guangdong poderão ficar mais caros por acarretar maiores distâncias no transporte. Depois de se fazerem os inventários dos produtos oriundos da Europa, dentro de dois a três meses, poderá haver um aumento de preços, acredita Ip Sio Man. Contentores mais caros No que diz respeito ao mercado internacional e preços praticados, em comparação com a valorização do renminbi, Ip Sio Man destacou que os preços internacionais dos combustíveis subiram, provocando o aumento de custos associados ao transporte e entrega, com maior impacto nos preços das mercadorias. Ip Sio Man falou do caso do transporte marítimo, cujo valor da tarifa por contentor, nas rotas do Sudeste Asiático, nomeadamente no caso da Tailândia, aumentou em cerca de 500 patacas. No caso das rotas europeias a situação é mais grave devido às tensões no Médio Oriente, tendo aumentado o tempo de trânsito de um mês para mais de três meses. Tal resulta num aumento significativo de custos financeiros e também de mais tempo gasto no transporte.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | Apesar de subida das receitas, lucros devem manter-se No primeiro trimestre do ano, as receitas das concessionárias apresentaram um crescimento anual de 14,3 por cento. No entanto, os analistas do banco Jefferies consideram que a competição entre as operadoras pode fazer com que os lucros arrecadados não sofram grandes alterações Apesar do aumento das receitas do jogo no início do ano, o banco de investimento Jefferies indica que os lucros das concessionárias se estão a manter nos valores do ano passado. O cenário é traçado no relatório mais recente para os investidores, citado pelo portal GGRAsia. Segundo o documento assinado pelos analistas Anne Ling e Jingjue Pei, a margem dos resultados ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) continuar a ser “um desafio” para as concessionárias. Esta margem é um indicador financeiro que mede a percentagem de receita líquida que uma empresa transforma em lucro operacional. No primeiro trimestre do ano, as receitas aumentaram 14,3 por cento, em termos anuais, mas o crescimento foi motivado pelo segmento dos grandes apostadores, onde a margem de lucro está a ser afectada “pelas promoções e pela competição” entre as concessionárias. Em relação aos resultados das operadoras, o banco Jefferies acredita que a Sands China vai apresentar a maior capacidade de transformar as receitas em lucros operacionais, ao atingir uma percentagem de 30 por cento. No pólo oposto, o desempenho mais fraco do mercado é atribuído à SJM, com uma margem de 15 por cento. No entanto, nem tudo são más notícias para a SJM, uma vez que a margem de 15 por cento é superior à do período homólogo em dois pontos percentuais e à do trimestre anterior em cinco pontos percentuais. Os analistas atribuem a diferença, que consideram benéfica, ao encerramento dos casinos-satélite. Subida de 6,8 por cento Sobre estimativas para o mercado do jogo, os analistas estimam um crescimento anual das receitas de 6,8 por cento, o que deverá representar um total de 264,2 mil milhões de patacas, quando no ano passado foi de 247,4 mil milhões de patacas. “Estimamos um aumento das receitas brutas do jogo de 6,8 em 2026, face ao consenso de 6 por cento”, indicaram os analistas. Estes números significam que em termos das receitas da indústria o banco Jefferies está mais optimista do que a maioria dos outros analistas. No primeiro trimestre do ano, as receitas do jogo atingiram 65,9 mil milhões de patacas, um crescimento anual de 14,3 por cento. Nos primeiros três meses de 2025, as receitas tinham atingido 57,7 mil milhões de patacas, o que na altura representou um crescimento anual de 0,6 por cento. Desde o início do corrente ano, Janeiro foi o mês com maiores receitas, que chegaram às 22,6 mil milhões de patacas. Em Fevereiro, as receitas foram de 20,6 mil milhões de patacas e em Março de 22,6 mil milhões de patacas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaAbusos | Defendidos novos moldes para consultas com menores Após a PJ ter anunciado o caso de um especialista de medicina tradicional chinesa que terá abusado de uma menor, a deputada Wong Kit Cheng defende que é preciso garantir que há sempre um adulto a acompanhar os menores nas consultas médicas Wong Kit Cheng defendeu a revisão dos moldes em que decorrem as consultas médicas com menores. Esta foi a reacção da deputada ligada às Mulheres, depois da Polícia Judiciária (PJ) ter revelado, na terça-feira, o caso de um profissional especializado em medicina tradicional chinesa suspeito do crime de assédio sexual de menor. De acordo com as declarações citadas pelo jornal Ou Mun, a deputada considera que a sociedade tem a obrigação de proteger os menores pelo que devem ser revistos os moldes das consultas médicas com menores, para criar mecanismos legais mais fortes e “proteger os pacientes”. A deputada, que é enfermeira de formação, indica que o Governo deve estudar a possibilidade de os menores serem sempre acompanhados por familiares nas consultas médicas. Wong Kit Cheng afirmou também que é necessário que o Serviços de Saúde (SS) comece a suspender de forma preventiva o pessoal médico suspeito, e interromper o funcionamento das clínicas, quando existem suspeitas de crimes contra menores e os pacientes. Em relação ao caso em concreto, a deputada condenou o médico, por considerar que abusou da confiança estabelecida entre o profissional de saúde e o paciente. Wong observou ainda que este tipo de condutas contribui para quebrar a confiança entre a população e os médicos do território. Massagens e óleos afrodisíacos Na terça-feira, a PJ anunciou a detenção de um médico de 44 anos especializado em medicina tradicional chinesa por assédio de uma paciente menor. Segundo a versão das autoridades, a vítima foi duas vezes à clínica acompanhada pela família para tratar de tremores nas mãos. Sempre que a menor foi acompanhada, o médico mostrou um comportamento profissional. Contudo, na terceira visita, a vítima foi sozinha, e a consulta terá decorrido de forma diferente do habitual. O médico pediu à menor que trocasse de roupa, para receber uma massagem na zona das pernas, cinturas e costas. Durante esta massagem, o médico terá baixado a roupa interior da menor e aberto as pernas da vítima, para poder ver-lhe a vagina. Além disso, terá colocado um óleo na cintura da paciente, sendo que esta afirma que após a aplicação do óleo teve uma sensação de quente. Após a consulta, a menor sentiu-se assediada e contou à família o sucedido. A queixa foi apresentada dois dias depois dos acontecimentos, o que a família justificou com a necessidade “pensar com cuidado” sobre o sucedido. Durante as investigações, a PJ apreendeu um óleo, que acredita ter sido utilizado no alegado crime, e que apresentou à comunicação social como óleo afrodisíaco. Nas investigações, descobriu-se ainda que o médico, em conluio com outros dois funcionários da clínica, terá cometido uma burla com vales de saúde, no valor de 860 mil patacas. Todos detidos O crime de abuso sexual de menor prevê uma pena de prisão mínima de 1 ano e máxima de 10 anos, dependendo dos contornos do caso. A PJ indicou não ter havido violação, o que poderá contribuir para uma pena menos pesada. No caso da burla de valor consideravelmente elevado, os três detidos arriscam uma pena de prisão mínima de 2 anos e máxima de 10 anos.
João Santos Filipe Manchete PolíticaConsumo | Pedido cartão de 10 mil patacas para residentes O deputado Chan Hao Wan, ligado à ATFPM, justifica a necessidade da distribuição de uma nova ronda do cartão de consumo de 10 mil patacas com o preço dos combustíveis e as dificuldades de emprego sentidas tanto pelos mais jovens como por pessoas de meia-idade O deputado Chan Hao Wan defende a atribuição de um cartão de consumo no valor de 10 mil patacas a cada residente, para fazer face ao preço dos combustíveis. A posição do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) consta de uma interpelação escrita. Segundo Chan, “devido à instabilidade da conjuntura internacional, os preços do petróleo têm vindo a aumentar a nível mundial” e em Macau acompanha-se a tendência. O deputado indica que desde Janeiro, quando o preço médio da gasolina sem chumbo era de 14,72 patacas por litro, houve um aumento de 16,4 por cento, uma vez que foi atingido um preço máximo de 17,40 patacas por litro. No mercado grossista, a gasolina é comercializada a 16,34 patacas por litro. “Esta volatilidade dos preços dos combustíveis é obviamente uma injustiça para os consumidores, havendo necessidade de reforçar a fiscalização do Governo”, aponta Chan. Como consequência, os preços junto da população estão a aumentar: “A subida do preço dos combustíveis tem vindo a aumentar directamente os custos das famílias e dos comerciantes em Macau”, indica o deputado. “As famílias de base, os idosos e os grupos com baixo rendimento enfrentam uma grave pressão de vida, uma vez que o crescimento dos salários não acompanha a inflação, sendo necessária uma gestão extremamente rigorosa das suas despesas diárias”, avisa. Crise no emprego Às dificuldades apresentadas pelo aumento do preço dos combustíveis, junta-se a “crítica situação do emprego em Macau”, onde “os jovens e as pessoas de meia-idade em mudança de emprego enfrentam dificuldades” e “rendimentos instáveis”. Ao mesmo tempo, Chan Hao Wan argumenta que as reservas da RAEM geraram 42,9 mil milhões de patacas no ano passado, mais do que suficiente para pagar esta medida extraordinária. “Tendo em conta a actual grande pressão de vida dos residentes, a elevada inflação, a robustez da reserva financeira da RAEM e as dificuldades dos residentes das camadas sociais mais baixas, dos idosos e dos grupos mais vulneráveis, o Governo vai atribuir um cartão de consumo no valor de 10 mil patacas, com vista a atenuar directamente os encargos da população?”, questiona. “O Governo vai ainda lançar outras medidas complementares para atenuar as dificuldades da população? Vai prestar um apoio geral às famílias das camadas sociais mais baixas, aos idosos e aos grupos vulneráveis, no sentido de assegurar uma vida estável?”, acrescenta. O deputado pede ainda ao Executivo que fiscalize de forma mais rigorosa as gasolineiras, um pedido antigo dos legisladores, e deixa o desejo que o Governo liderado por Sam Hou Fai “escute as vozes das camadas mais desfavorecidas da população”.
Hoje Macau Manchete PolíticaCCILC | Optimismo sobre restrições à residência de portugueses em Macau O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) em Macau disse ontem esperar que a visita do líder da região chinesa a Portugal resolva as restrições impostas à residência de portugueses. O Chefe do Executivo de Macau vai visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril, na primeira deslocação ao estrangeiro desde que Sam Hou Fai tomou posse, em Dezembro de 2024. O líder da CCILC apontou como o tema mais importante na agenda a possibilidade de os portugueses irem para Macau “exercer a sua actividade de uma forma menos burocrática, menos incerta”. Carlos Cid Álvares lembrou que isso era algo “que existia no passado, de uma forma relativamente simples, e que hoje em dia não existe”. “Acredito que é um tema que está a ser trabalhado, porventura nos bastidores, e que vai ter com certeza uma solução”, disse Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino, que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos. O território tem apostado no ensino do português para servir como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países lusófonos e, assim, diversificar a economia local, altamente dependente dos casinos. Mas Cid Álvares diz que não basta ensinar a língua portuguesa e que é preciso “olhar para o futuro”. “Não vejo muito como é que a influência portuguesa se pode manter aqui, mantendo esta situação. Uma coisa é os chineses falarem português, outra coisa muito diferente é os portugueses estarem em Macau”, sublinhou. Cid Álvares falava à margem de um fórum empresarial organizado em paralelo com a assembleia geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, em Macau. Na mesma ocasião, o deputado do parlamento de Macau José Pereira Coutinho disse esperar que a visita de Sam Hou Fai a Portugal possa ter “resultados positivos para o futuro desenvolvimento de Macau, nomeadamente no âmbito dos recursos humanos”. “Precisamos de quadros especializados, nomeadamente na saúde, na área jurídica, na administração pública e na modernização digital”, disse o também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau.
Hoje Macau Manchete SociedadePortugal | Robô de diagnóstico de medicina tradicional chinesa lançado em Portugal Um robô de diagnóstico e produção de Medicina Tradicional Chinesa (MTC) desenvolvido em Macau vai começar a ser oficialmente usado em Portugal, com os olhos postos no Brasil e outros mercados de língua portuguesa. Conhecido como Herbizon, trata-se de um robô que produz bebidas MTC à base de ervas e assenta em tecnologia desenvolvida em conjunto entre a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês), e um laboratório de MTC estabelecido na zona económica especial da vizinha Hengqin (ilha da Montanha) pela Universidade de MTC de Guangdong. Segundo o responsável do projecto, após superar um ano de testes numa clínica em Lisboa, o robô será formalmente lançado em 17 de Abril na Egas Moniz School of Health & Sciences, em Almada. Hon Chitin, investigador da Faculdade de Engenharia de Inovação da MUST, disse que o robô responde à falta de profissionais qualificados em MTC em áreas rurais ou mais remotas. O projecto teve origem em 2023, quando Hon identificou um estrangulamento logístico na prestação de cuidados de MTC. “Tradicionalmente, a preparação de uma única prescrição de MTC exige a recolha de ervas cruas e a sua cozedura durante um período que pode chegar a cinco horas, seja em casa ou num hospital. Normalmente, demora pelo menos meio dia”, afirmou Hon, observando que os recursos médicos de qualidade de MTC na China estão frequentemente concentrados nas grandes cidades. O professor idealizou então um sistema que pudesse fornecer um “serviço de MTC padronizado e de qualidade” em áreas rurais ou distantes, automatizando tanto a avaliação como a preparação da bebida. A abordagem de engenharia de Hon foi inspirada por uma unidade de fabrico de mil metros quadrados na cidade chinesa de Wuhan, que utilizava um grande braço mecânico para triar mais de mil tipos de ervas. “Pensei que, se eles conseguem operar por máquina, nós podemos fazer em pequeno”, recordou Hon. O dispositivo resultante, fabricado na cidade de Zhongshan, na província de Guangdong, condensou a capacidade industrial numa única caixa. O sistema gerou uma biblioteca interna de 14 fórmulas de chás inteligentes, seleccionadas entre mais de 1.300 substâncias, e consegue entregar uma bebida à base de ervas personalizada em três a oito minutos. Grande escala A inteligência artificial que opera o Herbizon baseia-se num modelo de linguagem de grande escala treinado em extensa literatura médica e clássicos antigos, integrado com o modelo DeepSeek Pro. Segundo Hon, este cérebro digital foi concebido para resolver o problema crónico da inconsistência diagnóstica na MTC, onde diferentes médicos chegam frequentemente a conclusões distintas para o mesmo paciente. “Queremos que seja estável e consistente”, explicou à Lusa. “Mesma pessoa, mesmo diagnóstico, mesmo resultado, mesmo que repetido cinco vezes”, acrescentou. O robô executa esta tarefa integrando quatro métodos de diagnóstico clássicos — inspecção do rosto e da língua, auscultação, inquérito e análise de pulso — através de percepção multimodal. De maneira a comercializar o projecto foi criada a companhia Zhuhai Herbizon Technology Co., Ltd., com o sistema atualmente protegido por mais de 10 tecnologias patenteadas e 50 marcas registadas. Segundo Hon, embora o robô já esteja activo em 20 locais na China, o ensaio português serve como um indicador regulatório pois o dispositivo está licenciado em Portugal como um dispensador de bebidas, em vez de um instrumento médico. Qualidade garantida Hon observou que, embora a acupuntura seja amplamente aceite no Ocidente, a medicina à base de ervas ainda enfrenta um escrutínio mais rigoroso por se relacionar com o sistema digestivo. “A regulação será mais restritiva”, disse, embora sustente que, para esta máquina, “a qualidade de todo o processo” está garantida. Hon encara o robô como uma forma de colmatar o fosso entre a medicina ocidental, que depende de testes clínicos para alvos únicos, e a MTC, que aborda os problemas a partir de múltiplos ângulos e através de vários órgãos humanos. “É uma mistura de muitas coisas em termos de química”, afirmou Hon. Após o ensaio em Lisboa, a equipa pretende concentrar-se no mercado da China continental durante dois a três anos para ganhar escala, antes de regressar para se expandir para o Brasil e outros mercados de língua portuguesa. O robô será apresentado no mesmo dia que se realiza o primeiro Simpósio para o Desenvolvimento de Alta Qualidade da MTC em Portugal, organizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Chinesa. O evento deverá incluir a assinatura do Consenso de Lisboa 2026, um documento que visa estabelecer Portugal como uma plataforma europeia para a MTC.
João Santos Filipe Manchete SociedadeConsumo | Ourivesarias satisfeitas com efeitos de grande prémio U Gon Seng, presidente do Conselho Fiscal da Associação das Ourivesarias de Macau, elogiou a iniciativa e considera que é muito importante para fazer face à redução da procura naquela que é uma época baixa para as lojas Desde segunda-feira, que arrancou a ronda mais recente do grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias e logo no primeiro dia a Associação das Ourivesarias de Macau afirmou que as lojas já sentiram uma maior procura. A posição foi tomada por U Gon Seng presidente do Conselho Fiscal da associação, em declarações ao jornal Exmoo. U Gon Seng afirmou que muitas famílias utilizaram os cupões que ganharam no sorteio para a compra de ouro em grãos e joias em ouro, por terem descontos de cerca de 30 por cento com a iniciativa. O também empresário, responsável da Joalharia e Ourivesaria Chong Fok, apontou que nos primeiros dias do grande prémio do consumo registou-se um aumento significativo da emissão de recibos, prevendo-se que o volume total de negócios vá aumentar entre 10 e 20 por cento, face aos períodos em que não há incentivos ao consumo. Segundo o novo modelo da iniciativa, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizarem meios de pagamento electrónicos para contas superiores a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos. U Gon Seng considera que o novo modelo é positivo porque as oportunidades de ganhar cupões com descontos vão aumentar, dado que haverá menos dias de sorteio por semana. Ao mesmo tempo, o responsável explicou que uma possível valorização do ouro ao longo do ano é tida como um incentivo à compra por parte dos residentes. Período difícil O responsável considerou ainda importante a iniciativa e explicou que depois do Ano Novo Lunar o mercado atravessa tradicionalmente um período de menor procura, o que contribui para aumentar a pressão sobre os comerciantes nos bairros comunitários. Todavia, com este grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias há um maior incentivo ao consumo, que beneficia estes negócios. U Gon Seng sugeriu ainda que o Governo pode continuar a expandir o âmbito dos destinatários para beneficiar mais comerciantes nos bairros comunitários. Olhando para as expectativas de negócio do sector de joalharia e ourivesaria este ano, U Gon Seng admitiu como natural a correcção do preço, face ao ano passado, mas não afastou a possibilidade de haver uma nova valorização para valores recorde, que podem levar mais pessoas a comprarem produtos de ouro. U Gon Seng prevê que o preço de ouro possa ultrapassar o ponto mais alto do ano passado e mantém-se optimista, dado considerar que as políticas monetárias em relação ao dólar americano vão estimular a valorização de ouro e outros metais preciosos. A nova ronda do Grande Prémio Para o Consumo Nas Zonas Comunitárias vai distribuir 400 milhões de patacas em descontos ao longo das próximas 10 semanas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeSeguros | Vendedores não conseguem receber comissões Os veículos com matrículas duplas de Macau e Hong Kong precisam de três seguros para circular na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. No entanto, quando os vendedores de Macau contribuem para a compra dos seguros fora da RAEM estão legalmente impedidos de receber comissão Os vendedores de seguros em Macau que ajudam os proprietários de veículos com matrícula dupla de Hong Kong e de Macau a obterem seguros para circularem na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau não estão a receber comissões pelo serviço. A situação foi denunciada pelo deputado Leong Sun Iok, que indica existirem impedimentos legais em Hong Kong a bloquear o pagamento das comissões. Actualmente, uma vez que grande parte da ponte fica na jurisdição do Interior, os residentes com matrícula de Macau e Hong Kong precisam de adquirir seguros nas três jurisdições. Estes seguros podem ser comprados em Macau, através dos serviços “one stop”. No entanto, mesmo quando a compra acontece em Macau e por veículos de Macau, a legislação em vigor em Hong Kong impede que se paguem comissões sobre esses seguros em Macau. Segundo Leong, o “sector” dos seguros “presta apoio aos residentes no tratamento dos seguros legais dos três locais para ‘veículos de dupla matrícula de Hong Kong e de Macau’, através do mecanismo ‘one stop’”, mas depois “esses trabalhadores não conseguem obter a respectiva retribuição pelo serviço prestado”. Frutos do desenvolvimento Neste sentido, e dado que muitas vezes o registo inicial da viatura aconteceu em Macau, onde a primeira matrícula foi emitida e o veículo circula principalmente, Leong Sun Iok pede ao Governo que crie um mecanismo com as autoridades de Hong Kong, para permitir pagamentos aos trabalhadores em Macau. “Sugere-se que se estude, em conjunto com Hong Kong, a possibilidade da criação de um ‘mecanismo de conformidade’, com base no ‘local onde foi efectuado o registo inicial e a primeira matrícula de veículo’, para permitir que os referidos trabalhadores de Macau possam obter uma retribuição correspondente”, apontou. Leong argumenta ainda que esta questão passa por defender “os direitos e interesses” dos trabalhadores locais que contribuem para a compra dos seguros, pelo que no seu entender devem ter direito a receber uma comissão. Na interpelação divulgada no portal da Assembleia Legislativa, Leong Sun Iok pede ainda que as autoridades acelerem a política de reconhecimento de seguros equivalentes para os veículos que só têm matrícula de Hengqin ou matrícula dupla de Guangdong e de Macau, para ficarem dispensados da compra de dois seguros de responsabilidade civil de automóvel.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaUCCLA | Sam Hou Fai promete expandir cooperação sino-lusófona Decorreu esta segunda-feira a 43.ª assembleia-geral da UCCLA – União de Cidades Capitais da Língua Portuguesa, com uma delegação a reunir com Sam Hou Fai. O Chefe do Executivo da RAEM disse, no encontro, que o Governo “irá continuar a expandir plataformas de intercâmbio e cooperação sino-lusófonas” com “influência internacional” A UCCLA – União de Cidades Capitais da Língua Portuguesa esteve em Macau para realizar a sua 43ª assembleia-geral, que decorreu esta segunda-feira no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Porém, no contexto deste encontro, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu com representantes da delegação da UCCLA. Citado por uma nota oficial, Sam Hou Fai disse ser “inquestionável o posicionamento [de Macau] enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer e a sua função como plataforma sino-lusófona”. Ficou ainda a promessa de que o Executivo “irá continuar a expandir as plataformas de intercâmbio e cooperação sino-lusófonas de influência internacional”, apostando em “cooperações pragmáticas com diversos países e regiões de língua portuguesa”. Esta foi a quarta vez que a UCCLA realizou uma assembleia-geral no território, tendo Sam Hou Fai destacado que Macau “foi um dos [territórios] fundadores desta organização”, mantendo “uma cooperação estreita com a UCCLA com vista a promover um desenvolvimento coordenado entre Macau e as diversas cidades de língua portuguesa”. Sam Hou Fai disse esperar que “os membros da União possam também comprovar os resultados significativos e as profundas mudanças que a RAEM alcançou nos últimos 26 anos desde o seu estabelecimento”. Rasaque Silvano Manhique, presidente da UCCLA, destacou “as vantagens particulares e contributos significativos de Macau na promoção de cooperação entre as cidades de língua portuguesa, na transmissão da multiculturalidade e no apoio para o intercâmbio e cooperação entre a China e os países de língua portuguesa”. O responsável adiantou que a UCCLA vai “continuar a aprofundar as relações de cooperação com o território”, esperando criar “uma rede de cooperação mais estreita entre cidades de língua portuguesa, através das suas funções de coordenação transregional e de cooperação externa de cidades”. Macau preside Na 43.ª assembleia-geral estiveram 35 representantes e empresários das cidades membros de países de língua portuguesa, designadamente, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, e São Tomé e Príncipe. Neste encontro, foram eleitos os novos órgãos sociais para o biénio 2026-2028, sendo que a RAEM foi eleita para a presidência da comissão executiva. Foram aprovadas as adesões da cidade de Calumbo, de Ícolo e Bengo, em Angola, e da cidade de Viseu, em Portugal, assim como o Plano de Actividades para este ano. A UCCLA é uma organização intermunicipal, sem fins lucrativos, que se dedica ao fomento do intercâmbio e da cooperação entre os seus membros em vários domínios. Constituída em 1985, tem entre as cidades fundadoras Bissau, Lisboa, Luanda, Macau, Maputo, Praia, Rio de Janeiro e São Tomé/Água Grande. Actualmente, congrega 106 membros, entre os quais 24 efectivos, 44 associados, 28 apoiantes e 10 observadores. Segundo a agência Lusa, o secretário-geral da UCCLA, Luís Campos Ferreira, indicou que as cidades lusófonas têm “muito a aprender com a China”. “A República Popular da China deposita em Macau a sua plataforma para os países de língua portuguesa e, neste caso concreto, para as cidades de língua portuguesa. A China é muito útil e tem muito conhecimento a transmitir. Todos nós temos muito a aprender com a China também”, afirmou. O antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, entre 2013 e 2015, destacou também ser preciso melhorar a cooperação entre cidades lusófonas para além dos campos económicos e culturais. “O que sentimos é que há uma vontade de colaborar ainda mais, de as cidades partilharem conhecimento umas com as outras, para responder melhor às necessidades dos cidadãos”, afirmou Ferreira. O responsável destacou que a comunicação já existe em várias dimensões, “nomeadamente na cultural e na económica”, mas que precisa de ser reforçada. Com Lusa
Hoje Macau Manchete PolíticaQuadros qualificados | Macau quer atrair mais talentos lusófonos A meta foi traçada por Kong Chi Meng, coordenador da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados, que promete um esforço mais activo na captação de talentos da lusofonia O coordenador da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados de Macau disse que a região chinesa quer promover o programa de “captação de talentos” nos países lusófonos, incluindo Portugal e Brasil. Kong Chi Meng prometeu “promover de forma proactiva a política de atracção de talentos no estrangeiro, incluindo nos países de língua portuguesa”, de acordo com a emissora pública TDM – Teledifusão de Macau. “Estamos também a trabalhar com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento para promover de forma simultânea o investimento e a captação de talentos”, acrescentou Kong. O também director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude revelou que o programa já recebeu mais de duas mil candidaturas, com cerca de 900 já aprovadas. A terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, atraiu quase 300 candidaturas, acrescentou Kong. O dirigente sublinhou que a terceira fase inclui novos critérios, incluindo uma maior valorização de quadros qualificados com diplomas de universidades de Portugal e do Brasil. Macau estabeleceu em Julho de 2023 um programa de captação de quadros qualificados do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles detentores do Prémio Nobel. O programa prevê, entre outras vantagens, benefícios fiscais. Caminho único Este programa tornou-se a única alternativa para os cidadãos portugueses obterem o bilhete de identidade de residente no território. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. Aos portugueses resta a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. 23 BIRs No ano passado, houve um total de 23 bilhetes de identidade de residente (BIR) atribuídos a cidadãos portugueses, mais dois do que no ano anterior, quando foram autorizados 21 bilhetes de identidade de residente. Os dados da Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) foram divulgados ontem pelo jornal Ponto Final. Os números dos últimos dois anos foram os mais baixos desde 2000. Desde 2021, um dos anos da pandemia em que havia fortes restrições de entrada no território, que o número nunca ficou acima das 100 autorizações, como acontecia regularmente desde 2000.
Hoje Macau Manchete SociedadeMacau | Feira de Turismo fecha com 60 acordos assinados A Expo Internacional de Turismo de Macau encerrou após três dias de actividades, marcados pela assinatura de cerca de 60 protocolos de cooperação e pela estreia de pavilhões dedicados à tecnologia turística e à economia de baixa altitude. A 14.ª edição do evento teve lugar de 10 a 12 de Abril no hotel-casino Venetian Macau e contou com mais de 700 expositores dos mercados nacional e internacional, e nove de países de língua portuguesa. Segundo a organização, perto de 120 instituições e associações ligadas à cultura e ao turismo participaram na cerimónia de assinatura realizada no sábado, abrangendo áreas como a expansão global do turismo, a indústria digital e inteligente, a integração da medicina com o turismo e a iniciativa Nova Rota da Seda. Um dos destaques da expo foi o “Pavilhão da Tecnologia Turística”, que reuniu empresas como a AutoNavi, a iFlytek e a Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), apresentando produtos e serviços tecnológicos aplicados ao sector. Também estreou o “Pavilhão da Economia de Baixa Altitude”, com empresas como a gigante chinesa de drones DJI e a empresa de aeronaves EHang a mostrarem soluções para tráfego aéreo urbano e turismo de baixa altitude. A economia de baixa altitude é um novo sector económico focado no uso de aeronaves civis tripuladas e não tripuladas (drones) em altitudes entre 1.000 a 3.000 metros. A expo apostou também na demonstração de ferramentas digitais para a indústria do turismo, incluindo um sistema inteligente de navegação 3D para orientar os visitantes em Macau. Na abertura do evento, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, disse que face “às incertezas da conjuntura internacional e da geopolítica”, Macau espera alargar a origem dos turistas. As autoridades de Turismo de Macau declararam estar a ponderar cobrir os custos de transporte dos turistas internacionais que aterrarem no aeroporto de Guangzhou, no sul da China, para se deslocarem ao território.
Hoje Macau China / Ásia MancheteImprensa | Visita de Sánchez à China dada como exemplo da relação desejável com Europa A quarta visita do primeiro-ministro espanhol à China, está a ser vista como um exemplo de uma relação sólida que deveria ser estendida a toda a Europa A imprensa estatal chinesa destacou ontem a visita do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apresentando-a como exemplo das relações que a China pretende manter com a Europa. “Europa e China voltam a ver-se ao espelho espanhol”, titula um editorial do jornal oficial Global Times, que descreve Espanha como uma “ponte vital” entre o país asiático e a Europa e sustenta que “ainda hoje é evidente o espírito duradouro da ligação com Madrid”. Segundo o editorial, a aproximação de Espanha à China “não representa de forma alguma um afastamento da Europa nem uma tentativa de demonstrar que Madrid mantém melhores relações com Pequim do que os seus vizinhos”. Pelo contrário, “o pragmatismo e a abertura espanhóis demonstram uma corrente positiva e de longa data nas relações China – Europa que é actualmente abafada pelo ruído político: a disposição para aceitar a complexidade do outro e procurar consensos e benefícios através da interação”, lê-se no editorial do Global Times. “Ao traçar o futuro das relações entre a China e a Europa, talvez devêssemos olhar além das mesas de negociação em Bruxelas e espreitar o ‘espelho espanhol’”, vincou o jornal. Num tom semelhante, o China Daily e o Diário do Povo destacaram a visita de Sánchez, sublinhando as quatro deslocações ao país asiático em quatro anos e a solidez da relação bilateral. A imprensa chinesa deu também destaque à agenda privada do chefe do Executivo espanhol e da esposa durante o fim de semana, quando foram vistos – e filmados por vários transeuntes – a passear por locais emblemáticos de Pequim, como o Palácio de Verão e bairros tradicionais (‘hutong’) em torno das históricas torres do Tambor e da Campainha. Focos da visita A agenda oficial de Sánchez começou ontem com uma visita e um discurso na Universidade Tsinghua, na capital chinesa, uma das mais prestigiadas do país, seguindo-se uma deslocação à Academia Chinesa de Ciências e ao parque científico-tecnológico da empresa Xiaomi, uma das maiores tecnológicas do país. O principal foco político da visita está previsto para hoje, quando Sánchez se reunirá com o Presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro, Li Qiang, e o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, além de presidir à assinatura de acordos bilaterais com este último. A visita decorre num contexto marcado pela guerra no Irão, pelas tensões comerciais globais e pelo interesse de Espanha em reduzir o défice comercial, atrair investimento chinês e reforçar a cooperação tecnológica. Papel principal O primeiro-ministro espanhol instou ontem a China a reforçar o seu papel no sistema multilateral, defendendo maior pressão para o cumprimento do direito internacional e o fim de conflitos como os do Médio Oriente ou da Ucrânia. Pedro Sánchez fez estas declarações na Universidade Tsinghua, em Pequim, no arranque da visita oficial ao país, sublinhando que sem a cooperação das grandes potências não será possível alcançar um sistema multilateral equilibrado. “A China faz muito, e saudamos isso, mas pode fazer mais, exigindo, como tem feito, que o direito internacional seja respeitado e que cessem conflitos como os do Irão, Líbano, Cisjordânia ou Ucrânia”, afirmou. O chefe do Executivo espanhol insistiu que “o direito internacional é a base de tudo” e apelou a um maior envolvimento de Pequim para promover a estabilidade global. No plano económico, Sánchez pediu que a China “se abra” para evitar que a Europa “tenha de se fechar”, defendendo a necessidade de corrigir o actual défice comercial entre Madrid e Pequim. Segundo o líder espanhol, este desequilíbrio, que aumentou 18 por cento no ano passado, é “insustentável” a médio prazo devido aos “movimentos isolacionistas e aos agravamentos sociais que provoca”.
Hoje Macau China / Ásia MancheteTarifas | China rejeita ameaças das autoridades americanas A China rejeitou ontem a ameaça do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50 por cento sobre produtos chineses caso Pequim forneça armamento ao Irão, defendendo uma política de exportação de material militar “responsável”. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que a China aplica “controlos rigorosos” à exportação de produtos militares, em conformidade com a sua legislação e obrigações internacionais. O responsável acrescentou que Pequim “se opõe a difamações infundadas ou associações maliciosas” relacionadas com alegados envios de equipamento militar ou tecnologia de duplo uso para o Irão. Trump fez esta advertência durante o fim de semana, numa entrevista à cadeia televisiva Fox News, na qual afirmou que, se Washington detectar esse tipo de transferências, irá impor uma tarifa de 50 por cento sobre os produtos chineses, uma medida que classificou como “uma quantia impressionante”. O líder norte-americano já tinha avisado, um dia antes, que Pequim enfrentaria “grandes problemas” nesse cenário. As declarações surgem após notícias de órgãos como a CNN indicarem que os serviços de informações dos Estados Unidos consideram que a China poderá estar a preparar o envio de equipamento militar para o Irão, numa altura em que Teerão procura reforçar as suas capacidades em plena guerra na região. Este cenário coincide com um período de elevada tensão no Médio Oriente, após semanas de confrontos entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, bem como com negociações em curso entre Washington e Teerão para tentar pôr fim ao conflito, iniciadas no fim de semana em Islamabade, sem avanços concretos. As advertências de Trump surgem também a poucas semanas de uma visita prevista a Pequim para se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, num contexto marcado por tensões comerciais e tecnológicas entre as duas potências e pelo impacto global do conflito na segurança energética e nas cadeias de abastecimento.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeMotociclos | Registadas mais de seis mil infracções em 2025 O CPSP aplicou, no ano passado, mais de seis mil infracções a motas que estacionaram de forma ilegal ou que obstruíram a entrada e saída de outros motociclos. Conselheiro do trânsito sugere incentivos para que os residentes consigam estacionar no sítio certo Continuam elevadas as multas aplicadas aos condutores de motociclos que estacionam onde não podem, e de forma ilegal. Dados fornecidos pelo Corpo de Polícia de Segurança Público (CPSP), e noticiados pelo canal chinês da Rádio Macau, revelam que só no ano passado houve 6095 motociclos que, por estarem mal estacionados, causaram problemas de congestionamento de trânsito, bloqueando acessos ou impedindo a saída de outras motas. Deste grupo de multas, 664 dizem respeito a motociclos que estacionaram de forma errada, impedindo a saída de outra mota do lugar onde estava estacionada. Os responsáveis do CPSP adiantaram que muitos residentes estacionam os seus motociclos de forma errada, o que faz com que uma mota ocupe dois lugares, obstruindo as faixas adjacentes. O CPSP explica ainda que, durante as inspecções realizadas pelos agentes, estes analisam o panorama do estacionamento das motas, aplicando multas caso parte da mota esteja a ocupar a outra faixa, obstruindo a circulação no local; ou ainda se as motas estiverem estacionadas de forma a impedir a entrada ou saída de outros motociclos do lugar de estacionamento. Mais videovigilância Sobre os lugares onde ocorrem mais infracções do género, o CPSP prometeu comunicar mais com outros departamentos públicos na partilha de informações e opiniões, equacionando a instalação de câmaras de videovigilância ou de detecção de estacionamento ilegal, a fim de melhorar o panorama das multas. Por seu turno, o membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Wong U Kei, sugeriu que as autoridades lancem ofertas ou acções de promoção em parques de estacionamento a fim de levar os condutores de motociclos a escolher, com prioridade, estes parques para procurarem lugares de estacionamento antes de se deslocarem. “Podem ser oferecidos mais incentivos aos motociclistas para parques de estacionamento. Recentemente alguns parques públicos oferecem os primeiros 15 ou 30 minutos, o que faz com que os residentes optem pelos parques” ao invés de estacionarem na rua. O responsável acrescentou que os incentivos, como minutos gratuitos ou outros, evitam que “um lugar de estacionamento fique ocupado com dois motociclos”, podendo até “mudar os hábitos de deslocação”. “Eu sou um desses exemplos, porque antes de me deslocar procuro sempre ver onde há vagas de estacionamento para motos”, disse Wong U Kei.
Hoje Macau Manchete PolíticaCasinos | Transacções suspeitas sobem 11,8 por cento O sector do jogo está a relatar cada vez mais transacções suspeitas de branqueamento de capitais, o que de acordo com os dados do Gabinete de Informação Financeira explica a tendência de subida O número de transacções suspeitas registadas nos casinos de Macau subiu 11,8 por cento no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais. O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos submeteram, no total, 997 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo. Segundo estatísticas divulgadas na sexta-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações de transacções suspeitas reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para a subida do número total, de 10,2 por cento. Entre Janeiro e Março, o gabinete recebeu 1.356 participações, sendo que 73,5 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 18,1 por cento vieram de bancos e seguradoras e 8,4 por cento de outras instituições e entidades. Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando a região semiautónoma chinesa tinha fixado um recorde no número de transacções suspeitas. Casos recentes No final de Março, o Ministério Público de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses, provenientes de jogo ilegal na Internet. Apesar de ter sido questionado sobre o incidente, o GIF nunca se pronunciou sobre o caso. No início de Abril, especialistas em crime organizado indicaram à Lusa que Macau continua a ser um “nó fundamental para a lavagem de dinheiro” por organizações criminosas, apesar do desmantelamento do sistema de ‘junkets’. “Embora grandes sindicatos criminosos chineses tenham deslocado operações pelo Sudeste Asiático em resposta a medidas repressivas, Macau continua a ser um ponto operacional e de encontro para estas redes profundamente enraizadas”, disse Martin Pubrick, antigo membro da Polícia Real de Hong Kong e especialista em corrupção e crime organizado. “Casas de câmbio, lojas de penhores e movimentos através de cartões de crédito absorveram essa procura, o que pode significar que a lavagem de dinheiro em Macau é hoje menos centralizada e menos visível”, sublinhou John Wojcik, investigador sénior da Infoblox Threat Intelligence e ex-analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaVisita Sam Hou Fai | Esperado novo impulso na cooperação Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, chega a Portugal esta semana, com promessas de maior cooperação na bagagem. A economista Maria Fernanda Ilhéu pede facilitação do processo de residência para portugueses, enquanto Bernardo Mendia, secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa diz que podem sair “resultados diferentes, mas complementares” das passagens por Madrid e Lisboa O que esperar daquela que é a primeira visita oficial de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, a Portugal e Espanha, nessa qualidade de governante? Muita coisa, sobretudo maior proximidade empresarial no âmbito do relacionamento entre Portugal e China, sem esquecer áreas como a tecnologia e investigação, segundo afirmaram ao HM dois analistas. A economista Maria Fernanda Ilhéu, presidente da Associação Novos Amigos da Rota da Seda (ANRS), espera que a visita “contribua para desenvolver um enquadramento favorável à cooperação sustentada entre as universidades e os centros de investigação científica portugueses”, com ligação a Macau, podendo existir maior “intercâmbio de alunos, professores e investigadores”. Tudo com o “objectivo de aprofundar a colaboração inovadora da Indústria-Universidade-Investigação, de Portugal com Macau e com o Interior da China”. Sam Hou Fai chega a Lisboa este sábado, estando programados encontros com dirigentes políticos e protocolos entre empresas. No âmbito desta visita ,decorre na segunda-feira, dia 20, um encontro intitulado “Iniciativas Macau – China – Portugal”, com uma “Sessão de Promoção de Cooperação Económica e Comercial Macau–Portugal”, no período da manhã e, à tarde, a sessão “Encontro em Shenzhen – Ano da China da APEC 2026 (edição dedicada a Portugal)”. Estes dois eventos são co-organizados pela Câmara de Comércio Luso-Chinesa (CCLC). Bernardo Mendia, secretário-geral da CCLC, descreve ao HM que a visita de Sam Hou Fai reveste-se de “significado institucional”, destacando o facto de “todos os Chefes do Executivo da RAEM, desde a sua criação, terem escolhido Portugal como o primeiro destino de visita oficial fora da Ásia”. Trata-se de uma “tradição não é meramente protocolar”, mas que “é o reconhecimento explícito de que Portugal ocupa um lugar central e insubstituível na política externa e na identidade de Macau”. No caso da viagem de Sam Hou Fai, “era esperada desde a primeira metade de 2025, tendo sido adiada duas vezes, primeiro devido às eleições legislativas em Portugal, depois por compromissos do próprio Governo de Macau. O facto de se ter insistido na sua realização, logo no primeiro semestre do mandato, demonstra que Lisboa continua a ser a prioridade diplomática para o novo Chefe do Executivo”, lembrou. Mais perto Para Bernardo Mendia, esta visita “ocorre num contexto de reaproximação entre a China e o sul da Europa”, numa altura em que Macau “se está a posicionar como parte de um movimento coordenado de aproximação, alargando o seu papel tradicional de plataforma para os países de língua portuguesa também ao espaço hispano-americano”. O secretário-geral da CCLC lembra que, para Portugal, esta aproximação ao universo espanhol “não é o ideal, uma vez que dilui a nossa relevância no contexto da competição pelo IDE [Investimento Directo Estrangeiro] chinês e colocação dos nossos produtos na China”. Porém, também podem “surgir oportunidades neste novo contexto, considerando a abundância de território e recursos existentes nos países de expressão espanhola em conjugação com a posição e experiência das empresas e entidades portuguesas em Macau”. Tendo em conta este relacionamento chinês com Portugal e Espanha, da visita de Sam Hou Fai podem sair “conclusões diferentes, mas complementares”, entende Bernardo Mendia. “Em Portugal, [a visita] será lida como um reforço da função de plataforma e um gesto de continuidade institucional. Em Espanha, será interpretada num quadro mais amplo: o de Madrid como porta de entrada para a China no sul da Europa e de ponte para os mercados hispano-americanos, algo que poderá alinhar como a própria estratégia de Macau”, analisou. Pragmatismo precisa-se Bernardo Mendia pede ainda que haja uma “modernização pragmática da cooperação” entre Portugal e Macau”, devendo o país “olhar para além do valioso legado histórico e focar-se em sectores de futuro, como a economia azul, a transição energética e a alta tecnologia”. Assim, “a criação de plataformas de inovação entre universidades e empresas de ambas as partes, focadas em áreas como a inteligência artificial e as biociências, será determinante para capitalizar o potencial que ainda temos por explorar”, destaca Bernardo Mendia, um pouco à semelhança do que defende Maria Fernanda Ilhéu. O secretário-geral da CCLC diz ser “fundamental o reforço do papel do Fórum Macau e a criaçāo de mecanismos que facilitem a mobilidade de talentos e empresários”, cabendo depois às câmaras de comércio “intensificar as missões empresariais sectoriais”. Mais vistos Maria Fernanda Ilhéu espera ainda que a visita de Sam Hou Fai possa abrir “uma via diplomática para que os vistos de permanência para cidadãos portugueses qualificados naquele território sejam facilitados, não só pela perspectiva de construção na RAEM como um ‘centro internacional de talentos de alto nível’, mas também tendo em consideração o que foi estipulado na Declaração Conjunta”, recorda. A economista, que viveu em Macau, destaca que “os vistos de residência em Macau para portugueses tornaram-se, desde Agosto de 2023, mais difíceis, sendo estes agora tratados como outros estrangeiros”, sendo “enquadrados no reagrupamento familiar ou posse de competências técnicas muito específicas”, ficando equiparados a outros “blue cards”. Para a responsável, “este comportamento administrativo parece desajustdo com os objectivos do Plano Quinquenal de Macau para os próximos cinco anos e o convite do governo de Macau faz para as empresas e outras instituições portuguesas, nomeadamente académicas e desenvolvimento científico participem no desenvolvimento da Zona de Hengqin”.