Trânsito | Acidente entre carros e autocarro causa quatro feridos

Após uma ultrapassagem pela esquerda, uma viatura com sete lugares perdeu o controlo e atingiu outro carro e um autocarro. Apesar do impacto, e de um dos condutores ter ficado encarcerado, todos os feridos foram considerados ligeiros

Quatro pessoas ficaram feridas, depois do condutor de um carro de sete lugares ter perdido o controlo da viatura e embatido noutra viatura e num autocarro público. O caso aconteceu na noite de quarta-feira, por volta das 19h30, obrigou a cortar o trânsito no local do embate, na Avenida da Amizade, em frente do Edifício do Grande Prémio de Macau. O vídeo do acidente tornou-se viral nas redes sociais.

De acordo com as imagens divulgadas online, quando circulava na recta em frente ao Edifício do Grande Prémio, em direcção ao centro de Macau, o condutor da viatura que se despista, de cor branca, começa por fazer uma ultrapassagem pela esquerda ao veículo que está a captar as imagens. Feita a primeira manobra, o homem muda de faixa de rodagem para tentar ultrapassar uma moto.

No entanto, a mudança de direcção é feita antes de uma curva para a esquerda, que coincide com a primeira curva do Circuito da Guia, pelo que o condutor perde o controlo da viatura, embate nos separadores de plástico e atinge um outro carro de sete lugares e um autocarro.

Como consequência do embate, o condutor do veículo de sete lugares atingido ficou preso e teve de ser desencarcerado pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o jornal Ou Mun, quando foi transportado para o hospital, o homem estava consciente e as autoridades indicaram que não corria perigo de vida. Os restantes feridos, com menor gravidade, são o condutor do autocarro e uma passageira, que se queixaram de dores no peito, e ainda o condutor do veículo responsável pelo acidente.

Álcool zero

Segundo as autoridades, os testes do álcool realizados ao condutor da viatura branca e do autocarro no local do acidente apresentaram resultados negativos, com o encarcerado a ser testado apenas mais tarde. Todos os condutores são residentes de Macau.

Numa investigação preliminar ao acidente, as autoridades consideraram que o embate se deveu ao facto de o condutor do carro branco ter feito uma ultrapassagem ilegal e ter entrado em velocidade excessiva na curva onde perdeu o controlo da viatura.

Nas imagens que circularam online, o carro branco, com matrícula de Macau, Hong Kong e do Interior, surge carregado de caixas brancas, o que levantou suspeitas de poder estar envolvido em actividades de contrabando. Todavia, este aspecto não foi abordado pelas autoridades na conferência de imprensa no local do acidente.

Dispositivo mobilizado

Após o registo do acidente, as autoridades enviaram para o local dois veículos de resposta a emergências e quatro ambulâncias, num total de 26 bombeiros. No local, três dos quatro feridos encontravam-se à beira da estrada a aguardar por auxílio, enquanto o outro condutor estava preso dentro da viatura.

A operação de desencarceramento demorou cerca de 40 minutos, com os trabalhos a serem dificultados pelo facto de o condutor estar preso pela parte inferior do corpo. Por volta das 20h12, foi possível remover o homem e levá-lo para o hospital. As equipas de salvamento trataram também de encerrar a estrada ao trânsito, que se manteve fechada até por volta das 20h45, altura em que as operações de reboque das viaturas danificadas e de limpeza da estrada ficaram concluídas.

20 Mar 2026

Moradores | Pedidos de ajuda de estudantes a aumentar

O Centro de Aconselhamento aos Estudantes da associação dos Moradores tem registado um aumento de casos de apoio psicológico nos últimos anos, especialmente após a pandemia. Cada profissional pode ter em média entre 30 a 40 casos, acima do limiar recomendado pelo Governo

O acompanhamento psicológico a alunos, em especial do secundário, tem seguido uma tendência de aumento nos últimos anos, com particular incidência depois da pandemia da covid-19. Um dos exemplos dessa realidade vive-se no Centro de Aconselhamento aos Estudantes da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM). A chefe de coordenação dos serviços sociais da associação, Chau Un Ian, revela que a procura de serviços de psicologia e saúde mental aumentou significativamente.

Em declarações ao jornal Ou Mun, a responsável admitiu que o centro dos Moradores passou a disponibilizar mais actividades e serviços relacionados com saúde mental. Porém, a sobrecarga dos assistentes de aconselhamento é um factor de preocupação. Importa referir que entre os critérios de admissão destes profissionais estão licenciaturas em psicologia ou serviço social.

Hoje em dia, cada profissional acompanha em média entre 30 a 40 casos, volume que Chau Un Ian sublinha estar acima das recomendações da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. Em 2018, foi publicado um estudo sobre a organização da prestação de serviços de apoio psicológico, a pedido do Governo, em que se recomenda que cada profissional acompanhe até 30 casos de curto prazo e 20 de longo prazo.

A febre da IA

A responsável dos Moradores indicou ainda que há profissionais do centro que acompanham cerca de 40 casos graves. Sobre a forma como os jovens entram no radar das equipas de apoio psicológico do centro, Chau Un Ian explica que por vezes são identificados pelo pessoal destacado nas escolas, através de pedidos directos dos alunos, ou quando são referenciados pelas escolas.

A coordenadora realça também o papel negativo que o ambiente económico pode ter na saúde mental dos jovens. Por exemplo, se um dos pais fica desempregado, com horário de trabalho e salário reduzido, ou sofre pressões económicas, essa ansiedade pode ser passada para a criança ou jovem. Estes factores tornaram-se também foco da intervenção dos profissionais do centro de aconselhamento dos Moradores.

Para lidar com os problemas suscitados por relações familiares, Chau Un Ian indicou que o centro está a estudar a possibilidade de usar ferramentas tecnológicas de Inteligência Artificial, como jogos para aliviar a carga emocional e o stress das jovens, métodos que já são familiares para os mais novos.

20 Mar 2026

Jogo | Subida de receitas pode superar Singapura e Las Vegas

As receitas brutas dos casinos de Macau podem crescer este ano à volta de 6 por cento, superando as estimativas de crescimento de Las Vegas e Singapura, segundo o banco Morgan Stanley. Porém, os analistas antecipam resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização inferiores aos de 2025

Os casinos de Macau podem terminar este ano com uma subida das receitas brutas que supera os crescimentos das receitas de Las Vegas e Singapura. Segundo os analistas do banco Morgan Stanley, citados pelo portal GGR Asia, a indústria do jogo de Macau poderá registar este ano um aumento de receitas brutas na ordem dos 6 por cento, valor bem acima das estimativas de cerca de 1 por cento dos casinos da cidade-Estado e da capital do jogo norte-americana.

Importa referir que a previsão de crescimento para este ano de 6 por cento já contrasta com a subida anual de mais de 9 por cento verificada no ano passado, quando a indústria registou receitas brutas de 247,4 mil milhões de patacas.

Porém, nem tudo são rosas na nota divulgada pelo Morgan Stanley na quarta-feira, com os analistas a anteciparem crescimento dos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) mais fraco do que o esperado e abaixo dos resultados de 2025, para cerca de 2 por cento.

As razões para o “arrefecimento” podem situar-se nos custos para atrair jogadores de um segmento intermédio, que trazem uma pressão de custos que é “estrutural devido ao foco no mercado de massas premium”. Além disso, os analistas não afastam a possibilidade de rever por baixo os resultados EBITDA do sector ao longo do ano.

A idade dos porquês

O crescimento dos lucros EBITDA de apenas 2 por cento foi justificado também pelos analistas com um esperado “arrefecimento” no segmento base de massas, elevados subsídios e despesas dos sectores não-jogo. Recorde-se que as concessionárias de jogo assumiram compromissos de investimento nas novas concessões que vão implicar despesas avultadas, nomeadamente os planos de revitalização de seis zonas históricas da cidade, além dos aumentos das licenças de maternidade e paternidade anunciadas recentemente.

Os planos de revitalização das zonas históricas têm sido alvo de algumas críticas, por exemplo do deputado Nick Lei que apontou falta de eficácia e resultados desde que os programas foram anunciados em 2023. As zonas intervencionadas são os Estaleiros de Lai Chi Vun, a Rua da Felicidade, a zona da Barra, os cais 23 e 25 do Porto Interior, a Avenida de Almeida Ribeiro, a Rua de Cinco de Outubro e a Fábrica de Panchões Iec Long.

20 Mar 2026

Imobiliário | Aproveitamento dos casinos-satélites exige flexibilidade

Segundo a imobiliária Savills, há vários investidores internacionais interessados em explorar os ex-casinos-satélites, devido à grande dimensão dos espaços. No entanto, é pedida celeridade nos procedimentos administrativos para libertar as áreas

Apesar do encerramento dos casinos-satélite, a empresa imobiliária Savills (Macau) Limited acredita que os edifícios têm potencial para atrair investidores internacionais devido às grandes dimensões dos espaços. A posição da imobiliária foi explicada por Franco Liu, director-geral da instituição, em declarações citadas pelo jornal Ou Mun.

Segundo Liu, o espaço libertado com o encerramento dos casinos-satélite no final do ano passado é muito significante, pelo que pode ser aproveitado para experimentar o lançamento de diferentes variantes de entretenimento viradas para o turismo e para a população. Este aspecto contribui para o interesse em investir naquelas áreas do território, agora menos ocupadas, inclusive por empresários internacionais, que procuram uma oportunidade para entrar no mercado de Macau.

No entanto, a imobiliária deixou um alerta ao Governo. Para aproveitar uma nova onda de investimentos no ZAPE é necessário acelerar os procedimentos administrativos relativos aos espaços encerrados. Franco Liu recordou que durante os primeiros encerramentos de casinos-satélites, ainda antes dos fins forçados, que os processos de reaproveitamento das áreas de jogo demoraram cerca de dois anos.

Liu explicou que a lentidão no reaproveitamento se deveu aos procedimentos administrativos, motivados pelo facto de as áreas de jogo serem entregues à RAEM, após o encerramento. Estes procedimentos são encarados como pouco eficientes em termos de desenvolvimento da economia.

Preços a descer

Em relação ao mercado de habitação, Franco Liu afirmou que se está a verificar uma recuperação do número de transacções devido às medidas do Governo de isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação e por ter aumentado para 80 por cento o limite máximo do crédito bancário na compra de habitação.

No entanto, o director-geral da empresa indicou que em termos do mercado de habitações usadas os preços continuam em quebra, ao contrário do que acontece com as habitações em primeira mão.

Por isso, Franco Liu apelou ao Governo para lançar mais medidas de incentivo ao mercado imobiliário, para que haja uma recuperação dos preços de habitação, com a criação de programas de atracção de não-residentes com dinheiro para investir ou subsídios à compra de habitação.

20 Mar 2026

Segurança nacional | Secretário garante que direitos de defesa estão assegurados

O hemiciclo aprovou ontem, na especialidade, a proposta de lei que redefine as competências e a composição da Comissão de Defesa da Segurança do Estado. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, afirmou que “o regime não retira direitos de defesa aos interessados, nem a qualificação profissional dos advogados”

Macau vai ter uma renovada Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) que visa proteger e salvaguardar matérias relacionadas com a segurança nacional e tudo o que possa ser considerado como segredos de Estado.

A Assembleia Legislativa (AL) votou ontem, na especialidade, este diploma que, por exemplo, vem clarificar os serviços públicos que estão representados no organismo, nomeadamente o Instituto Cultural, e os meios de defesa possíveis dos envolvidos em processos judiciais.

Num debate em que a aprovação se fez por unanimidade e foram poucas as questões colocadas pelos deputados, Wong Kit Cheng questionou o facto de, com este diploma, ser obrigatória autorização especial, da parte do juiz, para o mandatário judicial intervir no processo, caso o juiz entenda que o caso em questão envolve matérias de segurança do Estado.

“Vai haver alterações em relação aos direitos do interessado em ser defendido por um advogado”, questionou. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, clarificou que “os objectivos deste ajustamento é clarificar o mecanismo”. “Se me pergunta se afecta os direitos de defesa, ou de constituição de advogado por parte do interessado, o que [as alterações visam] é dar apoio aos interessados. O regime não retira direitos de defesa do interessado, nem a qualificação profissional do advogado.”

O que passa a acontecer, segundo a nova lei ontem aprovada, é que “em casos de matéria de segurança do Estado, o interessado tem de conseguir autorização [para o mandatário] intervir no acto processual e o juiz tem de obter o parecer da CDSE, que tem força vinculativa”, disse o secretário.

“Pretende-se evitar fugas de informação de segurança nacional, mas não se priva o interessado do direito de defesa”, acrescentou Chan Tsz King. Ficou a ideia de que se pretende redefinir as qualificações dos mandatários e advogados neste tipo de processos, a fim de “evitar potenciais riscos para a segurança do Estado”. A ideia do Executivo é “implementar uma barreira de defesa para evitar que os actos processuais sejam prejudicados”, disse ainda o responsável.

Recorde-se que a CDSE existe desde 2018, mas foi agora alvo de uma reformulação no conteúdo e funcionamento. Uma das principais alterações prende-se com o facto de os juízes encarregues deste tipo de processos ligados à segurança nacional poderem realizar sessões de julgamento à porta fechada. Além disso, prevê-se que um advogado tenha de obter autorização do juiz antes de intervir no processo, devendo dar informações sobre a família e ligações que tem no exterior.

A CDSE passará a avaliar riscos para a segurança nacional nas áreas da educação, cultura e economia, além das funções no domínio político – como a apreciação da qualificação, idoneidade e o grau de “patriotismo” de candidatos aos cargos de poder político no território.

Contas quase secretas

Outra questão levantada pelo deputado Chui Sai Peng no debate de ontem, foi a obrigatoriedade de a CDSE apresentar à AL, todos os anos, um relatório de contas. “É confidencial, tendo segredos de Estado, ou o público pode aceder [ao documento]?”, questionou.

O secretário explicou que no documento apenas estará a soma total do que foi gasto e não a discriminação de despesas, para que se garanta a protecção de actividades da CDSE do grande público.

“Tendo em conta a confidencialidade dos trabalhos, tudo será feito pelo secretário da CDSE e será depois apresentado ao Chefe do Executivo para aprovação. Esta norma é excepcional e não está sujeita à lei do enquadramento orçamental. Tendo em conta a transparência dos trabalhos, aditámos nesta lei que o Governo deve apresentar anualmente o relatório que vai ter o valor total das despesas da CDSE, mas estas não serão apreciadas. O relatório é divulgado, mas no valor total, dando confidencialidade aos trabalhos da CDSE.” O secretário para a Segurança disse que foram tidas em conta “as experiências de Hong Kong” a este nível.

Em relação ao regulamento administrativo que regula a organização do secretariado da CDSE, Chan Tsz King disse que “está quase pronto” e que deverá entrar em vigor “quase ao mesmo tempo da proposta de lei”.

O secretário deixou ainda a garantia de que, “para que todos os sectores da sociedade conheçam as alterações da lei, o Governo vai recorrer a diferentes meios de comunicação social e contactar associações cívicas para que os cidadãos fiquem com mais consciência sobre a segurança nacional”.

Nas declarações de voto, Lam Lon Wai e Ella Lei frisaram que “o Governo da RAEM está sempre com consciência dos riscos da segurança do Estado, tendo recorrido à produção legislativa para colmatar desafios e imprevistos, a fim de, no futuro, salvaguardar um ambiente saudável” para o território em matéria política e cívica.

20 Mar 2026

Excursão | Investigadas compras forçadas em Macau, HK e Zhuhai

As autoridades de Shenzhen estão a investigar um caso de compras forçadas que terá ocorrido numa excursão a Macau, Zhuhai e Hong Kong. A situação foi revelada pelo jornal chinês Jimu News, que se infiltrou na excursão de baixo custo, que terá custado aos turistas 380 yuan para uma viagem de cinco dias às três cidades, entre os dias 8 e 12 de Março.

A reportagem revelou práticas de compras forçadas e pressão constante para adquirir produtos em lojas seleccionadas na excursão organizada pela filial do distrito de Yantian (Shenzhen) da Agência de Viagens Internacional Hengsheng. A viagem de baixo custo atraiu na larga maioria pessoas idosas que acabaram por passar a maior parte do tempo em lojas de outlet, onde os seguranças das lojas os impediam de sair até terem permissão do guia da excursão.

O jornal relata que os idosos acabaram por ser coagidos a comprar medicamentos no valor de milhares de yuan, incluindo três pessoas de “meia-idade” que terão gasto cerca de 10.000 yuan num só dia. Quando as despesas ficavam aquém das expectativas, o guia terá reagido com raiva e gritos, ameaçando continuar a visitar lojas até que as compras satisfizessem os comerciantes envolvidos no esquema.

O guia chegou mesmo a ameaçar cortar as refeições a dois excursionistas que, depois de gastarem mais de 1.000 yuan cada, pediram para que o foco da excursão incidisse mais sobre pontos de interesse turístico em vez de lojas. O departamento de cultura e turismo do distrito de Yantian foi visitado pelas autoridades que iniciaram procedimentos de mediação entre lesados e a agência de viagens.

19 Mar 2026

Jardim Nova Taipa | Incêndio leva homem ao hospital

Um homem foi encontrado no andar em que deflagrou o incêndio com queimaduras de segundo grau na cara, mãos e pés. Foi transportado para o hospital em condição “estável”. As chamas começaram num apartamento que estava a ser renovado

Um homem de 65 anos teve ontem de ser hospitalizado, depois de ter sofrido queimaduras devido a um incêndio na Urbanização Jardim Nova Taipa. Segundo a informação do Corpo de Bombeiros (CB), as chamas deflagraram na manhã de ontem, por volta das 9h, num apartamento que estava a ser alvo de renovação, e o ferido era um dos trabalhadores no local.

Quando as equipas de salvamento chegaram ao 24.º andar, onde o incêndio teve origem, encontram o homem no chão, com queimaduras de segundo grau na cara, nas mãos e nos pés. O trabalhador foi retirado do edifício pelas equipas de resgate e transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde as autoridades indicaram que se encontra, em condição estável e longe de perigo. Também foi relatado que vários residentes receberam tratamento em ambulâncias no local.

No apartamento onde se iniciou o incêndio, e que estava a ser renovado, os bombeiros depararam-se com chamas vivas que foram extintas com recurso às mangueiras de água. Além disso, para acelerarem a remoção dos fumos de dentro do apartamento, as equipas de salvamento recorreram a ventoinhas extractoras.

Segundo o jornal Ou Mun, o homem resgatado reconheceu que antes da explosão terá havido uma fuga de gás. Contudo, o espaço foi ventilado e os trabalhos prosseguiram. A explosão terá ocorrido quando uma cortadora fez uma faísca que levou à explosão.

Correr pela vida

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, quando os moradores do edifício se aperceberam das chamas começaram a abandonar os apartamentos, o que levou a que 50 pessoas saíssem pelos seus próprios meios.

Ao jornal Ou Mun, alguns moradores que se encontravam no exterior do edifício, enquanto os bombeiros combatiam o incêndio, afirmaram ter ouvido uma grande explosão e ter sentido o edifício a tremer. Após esse momento, viram as chamas a sair do interior do apartamento afectado.

Também um residente com o apelido Ho, que vive perto do edifício afectado, afirmou que tinha regressado a casa quando se ouviu a explosão. Este foi à rua ver o que se passava e verificou que havia pedaços de vidro no passeio. Devido ao combate às chamas, várias secções da Rua de Bragança e da Rua de Foshan foram encerradas temporariamente ao trânsito.

Em reacção ao incêndio, o Instituto de Acção Social (IAS) afirmou estar a acompanhar a situação disponibilizando alojamento para os moradores afectados. “O Instituto de Acção Social está profundamente preocupada com o incêndio ocorrido na Urbanização Jardim Nova Taipa, na Taipa”, foi comunicado. “Assim que tomou conhecimento do incidente, o IAS coordenou com as agências de serviços sociais da Taipa o envio de equipas ao local para prestar apoio e conforto aos residentes afectados”, foi acrescentado. Segundo o comunicado da manhã de ontem não tinha havido qualquer pedido de alojamento temporário.

19 Mar 2026

Gripe | Número de crianças que foram ao hospital quase duplica

Os Serviços de Saúde lançaram um alerta para o aumento dos casos de gripe, com a taxa de testes positivos ao vírus da influenza a chegar quase aos 18 por cento, ultrapassando o limiar que obriga à emissão de alerta. As autoridades apelam à vacinação, em especial grávidas, crianças e idosos

Os Serviços de Saúde emitiram na terça-feira um alerta para o aumento dos casos de gripe em Macau. “Os resultados laboratoriais mostram que a taxa de positividade nos testes ao vírus da gripe aumentou gradualmente de 5 por cento na semana de 22 a 28 de Fevereiro para 17,8 por cento na semana passada (8 a 14 de Março), ultrapassando o nível de alerta de 15,2 por cento”, especificam as autoridades.

Mais de 70 por cento destes casos envolveram o vírus da gripe B, o que representa uma evolução face aos anteriores períodos de elevada prevalência da gripe. As duas fases anteriores de pico do vírus da gripe em Macau foram entre meados de Novembro de 2025 e o início de Janeiro de 2026, com o subtipo H3 do vírus da gripe A a ser a estirpe predominante em circulação.

De acordo com os dados dos serviços de urgência dos três hospitais da região, verificou-se um aumento significativo das consultas de crianças devido a sintomas semelhantes aos da gripe. O número de consultas aumentou gradualmente a partir do final de Fevereiro, passando de 177 por semana entre 22 e 28 de Fevereiro, para 342 por semana na semana passada (8 a 14 de Março). Os Serviços de Saúde ressalvam que o volume de consultas de adultos devido a sintomas semelhantes se manteve “relativamente estável”.

Mais vale prevenir

Com o vírus a regressar a um nível de maior actividade, os Serviços de Saúde apelaram à população para tomar precauções, especialmente grávidas, crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crónicas que ainda não tenham sido vacinadas contra a gripe. As autoridades reforçaram que estes grupos demográficos “têm maior probabilidade de sofrer complicações graves ou mesmo de falecer, pelo que devem vacinar-se o mais rapidamente possível”.

As autoridades revelaram na terça-feira que cinco casos colectivos de gripe afectaram escolas do território, com as infecções a superar a meia centena. Em relação a este tipo de surtos em jardins de infância e escolas, os casos mais recentes são causados principalmente pelo vírus da gripe B.

“Os casos aumentaram gradualmente a partir de meados de Fevereiro, passando de zero nas primeiras três semanas para 10 na semana passada, com nove casos registados nos primeiros três dias desta semana”, indicaram os Serviços de Saúde, ressalvando que desde Janeiro não se registaram casos graves de gripe.

19 Mar 2026

Tribunais | Portugal abre duas vagas de juiz para Macau

Depois de em Outubro do ano passado o presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) ter demonstrado abertura para enviar mais juízes para Macau, as autoridades de Portugal abriram agora um concurso de recrutamento

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) de Portugal anunciou na terça-feira a abertura de recrutamento de dois juízes portugueses para funções nos tribunais de primeira instância de Macau na área cível. De acordo com o aviso publicado, podem candidatar-se magistrados judiciais com uma antiguidade superior a sete anos e inferior a 15, sendo a nomeação válida por dois anos, eventualmente renovável.

As candidaturas devem ser apresentadas até 31 de Março, e segundo o documento elaborado pela Comissão Independente Responsável pela Indigitação de Juízes da RAEM, os magistrados seleccionados terão vencimento e regalias equiparadas às dos juízes locais da mesma categoria e antiguidade.

O salário corresponde a uma percentagem do vencimento mensal do Chefe do Executivo, actualmente fixado em 268.297 patacas, que varia de acordo com o tempo de serviço como magistrado, entre os 50 por cento e os 60 por cento do valor mensal auferido pelo líder do Governo.

Além da remuneração, os juízes terão direito a subsídios de férias e de Natal, habitação ou subsídios de arrendamento e equipamento, assistência médica para si e para o agregado familiar, bem como férias judiciais de 22 dias úteis por ano.

Portugal e Macau mantêm um acordo de cooperação judiciária que assegura a continuidade de magistrados portugueses (juízes e procuradores) no território, apoiando o sistema jurídico de matriz portuguesa. Esta colaboração, foca-se no recrutamento, na formação e na troca de experiências judiciais.

Colmatar saídas

O único juiz vindo de Portugal a trabalhar em Macau actualmente é Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, juiz do Tribunal de Segunda Instância, depois de o juiz Rui Ribeiro ter antecipado para o final de Outubro de 2025 o fim da comissão especial, que terminava em Maio de 2026.

Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do Tribunal de Primeira Instância Carlos Carvalho, que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território a continuar por mais dois.

Apesar da rejeição, em Outubro do ano passado, durante uma visita a Macau, o líder do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, e por inerência preside também ao CSM, afirmou aos jornalistas que se as autoridades de Macau demonstrassem interesse haveria abertura para enviar mais magistrados portugueses para o território. “Vamos tentar ver o que é que realmente eles ainda conseguem transmitir de útil e se são necessários, porque se forem necessários, virão novos juízes”, garantiu.

19 Mar 2026

Tabaco | Governo acha difícil proibir fumo a quem anda nos passeios

Num período em que decorre a consulta pública sobre o aumento de restrições ao consumo de tabaco, o Governo afasta a possibilidade de uma proibição total de fumar e de aumentar os impostos sobre o tabaco

O chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo dos Serviços de Saúde (SS), Lam Chong, considera difícil de implementar uma proibição de fumar para quem caminha nas ruas. A limitação foi reconhecida durante o programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

“Estudamos as práticas a nível mundial em relação às pessoas que fumam enquanto caminham e nenhum país ou região conseguiu implementar este tipo de proibição”, afirmou Lam Chong, depois de ser confrontado com uma ouvinte que ligou para o programa a defender a proibição. “As práticas mais aplicáveis, que também estão previstas nas alterações propostas, passam pela classificação das zonas com maior fluxo de visitantes como locais em que é proibido fumar”, indicou.

Lam Chong reconheceu que as medidas não satisfazem a pretensão de parte da população de proibir quem caminha de fumar. No entanto, existe a esperança entre o Governo de contribuir para diminuir o impacto do fumo nos locais ao ar-livre com maior concentração de pessoas.

Ao mesmo tempo, Lam Chong destacou que as classificações de certas zonas como locais em que é proibido fumar pode transformar-se numa mensagem para os fumadores que o seu vício é tido como um acto indesejável.

Luta anti-tabaco

No programa de ontem do Fórum Macau foram discutidas as alterações ao regime de prevenção e controlo do tabagismo, uma vez que decorre uma consulta pública até 8 de Abril.

Segundo as medidas propostas pelo Executivo, vai ser implementada uma proibição total de qualquer contacto com cigarros electrónicos, assim como outros produtos de tabaco, como xixa. Anteriormente, o Executivo explicou esta opção por considerar que este tipo de produtos de tabaco são portas de entrada para o mundo das drogas.

No entanto, o Executivo vai continuar a proibir os cigarros tradicionais, mesmo que ontem alguns ouvintes tenham defendido uma proibição de todos os produtos de tabaco ou um aumento enorme do imposto sobre o tabaco. Contudo, Lam Chong defendeu os cigarros tradicionais: “A proibição total não é apropriada, porque as pessoas vão andar a fumar às escondidas”, frisou.

Actualmente, o imposto sobre o tabaco ocupa 60 por cento do preço a retalho. Lam Chong argumentou que não se deve aumentar mais o preço através dos impostos, porque o valor é menor nas regiões vizinhas, o que vai fazer com que haja cada vez mais contrabando.

Sem revistas

Quanto à proibição da posse de cigarros electrónicos em locais públicos, Lam Chong apontou que vai visar todos os fumadores, mesmo os que apenas tenham este tipo de equipamentos guardados numa bolsa. No entanto, o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo indicou que os inspectores não vão ter competência para realizar buscas, por isso, as situações em que os cigarros estão escondidos não devem levar a multas.

Um outro ouvinte mostrou-se preocupado com a gravação de vídeo pelos inspectores que pode violar a privacidade pessoal. Na resposta, o subdirector dos SS, Cheang Seng Ip, garantiu que os inspectores só ligam as câmaras de vídeo se houver um conflito e ameaças durante o processo de aplicação de lei. O responsável também explicou que antes de ligarem os equipamentos de gravação, os inspectores terão de informar os indivíduos envolvidos. E se não houve ocorrências anormais, a gravação vai ser eliminada após sete dias.

19 Mar 2026

China/Guiné-Bissau | Uma relação que começou com a descolonização

Em “As relações entre a República Popular da China e a Guiné-Bissau: entre a diplomacia, a economia e a segurança”, o académico Orazio Maria Gnerre descreve um caminho que começou com a independência da Guiné-Bissau. O artigo, publicado na revista académica Janus, fala de interesses mútuos que permitem que “o futuro próximo da Guiné-Bissau e da China” continue “intimamente ligado”

Numa fase em que a China procura cimentar relações com o chamado “Sul Global”, nomeadamente África e América Latina, têm sido crescentes as ligações comerciais e diplomáticas com países africanos de língua portuguesa. A Guiné-Bissau, país que tem atravessado tensões políticas internas, tem sido um dos parceiros africanos da China. A relação foi alvo de análise por parte do académico Orazio Maria Gnerre no artigo “As relações entre a República Popular da China e a Guiné-Bissau: entre a diplomacia, a economia e a segurança”, publicado na revista Janus – E-Journal of International Relations, da Universidade Autónoma de Lisboa.

O autor descreve como o relacionamento entre os dois países começou em 1975, quando a Guiné-Bissau ganhou independência face a Portugal, ao fim de 13 anos de Guerra Colonial, e como essas conexões à República Popular da China (RPC) estão longe de terminar tendo em conta a existência de interesses económicos mútuos, até porque “a RPC delineou um importante plano de investimento na Guiné-Bissau”.

Conclui o autor que “as relações entre China e Guiné-Bissau”, cimentadas “num longo período da história contemporânea, desde o contexto da Guerra Fria até aos dias de hoje, numa fase de crescente multipolarização”, ocorreram “numa dupla via”. Ou seja, tem havido “um diálogo diplomático permitido por um certo tipo de atitude político-cultural e por uma abordagem realista em relação às necessidades económicas e comerciais dos dois países”.

Neste relacionamento entre estados, “a questão colonial não é de importância secundária”, tendo em conta que o processo de descolonização proporcionou “um quadro de significado político à cooperação entre os dois países (que, portanto, também ocorre em áreas para além da meramente económica)”, além de ter garantido “o desenvolvimento de um certo tipo de comércio internacional”.

No processo de descolonização português, há 51 anos, “a China entrou no jogo político das nações lusófonas e das que estiveram sob domínio português, incluindo a Guiné-Bissau”, tendo começado a desenvolver nesse período “a ideia do comércio Sul-Sul”, lançado na Conferência de Bandung, em 1955.

Importa frisar que, nestes anos após a descolonização, a Guiné-Bissau rompeu relações com a RPC para estreitar laços com Taiwan, algo que terminou em 1998. Nesses anos em que a China teve um relacionamento com o país africano, ocorreram “intercâmbios económicos entre os dois países”, com a RPC a “financiar a construção de um estádio, um hospital e outras instalações”.

Mais recentemente, a Guiné-Bissau aderiu à iniciativa “Faixa e Rota”, tendo assinado, em 2021, um memorando de entendimento com a China. “Este tipo de projecto poderia certamente proporcionar à Guiné-Bissau algumas vantagens, se fosse plenamente aproveitado no sentido de aumentar os investimentos para o desenvolvimento. Além disso, a garantia da construção de projectos de infra-estruturas, tais como portos, autoestradas e vias férreas, reveste-se de grande importância para os países da África Subsariana”, é analisado.

Um dos acordos mais recentes foca-se no sector mineiro, tendo sido assinado “um importante acordo” com a Chinalco. “A parceria (com o projecto da Iniciativa Faixa e Rota) manifesta-se não apenas com a construção de infra-estruturas, mas com alianças comerciais”.

Nem tudo são rosas

Orazio Maria Gnerre considera que “o futuro próximo da Guiné-Bissau e da China parece estar intimamente ligado”, ainda que tenham ocorrido “altos e baixos” nesta relação.

A volatilidade centra-se “no período difícil” vivido pela Guiné-Bissau “em termos de crescimento e desenvolvimento”. “As tensões políticas e o impacto das catástrofes naturais dificultam a construção de relações internacionais sólidas que permitam ao país desenvolver melhores infra-estruturas e afirmar-se tanto na região como a nível mundial. As complexas relações da República Popular da China com o país também se enquadram neste contexto”.

Assim, “este elemento deve ser tido em conta, considerando a importante presença do país asiático no continente africano, bem como o volume de negócios e o apoio à construção de infra-estruturas que garante a muitas nações africanas”. Descreve-se que, neste contexto, “as relações diplomáticas entre o país africano e os seus partidos políticos com a China têm sido flutuantes e marcadas por questões internas, bem como por acontecimentos internacionais”.

Hoje o continente africano “está a crescer, tanto economicamente como em termos de infra-estruturas” e a Guiné-Bissau também se enquadra neste crescimento, sendo um país que, depois de 1975, “foi inicialmente liderado pela autoridade do movimento de libertação nacional e, posteriormente, entrou numa fase de graves confrontos políticos e relativa instabilidade”.

É, contudo, uma nação com “muitos recursos e um grande potencial de crescimento que deve apenas ser aproveitado da melhor forma”, pelo que as autoridades guineenses procuram que o país cresça “no domínio das infra-estruturas e construa a sua própria autonomia económico-política a partir dos sectores em que encontra as maiores vantagens”.

Assim, “é neste contexto que podemos inserir e interpretar as relações entre o país subsariano e a República Popular da China”. Na sua história, a Guiné-Bissau “recebeu ajuda do país asiático [China] neste delicado processo [de descolonização], o que favoreceu relações diplomáticas alternadas entre estas duas entidades políticas”.

Segundo o autor, “o perfil teórico da política chinesa sempre se dirigiu tanto ao conjunto de países emergentes da colonização, como à ideia de cooperação para o desenvolvimento entre países descolonizados”, sendo, por isso, “que as relações entre a Guiné-Bissau e a China são tão importantes e tão fortemente caracterizadas num sentido político”.

Internacionalização é a chave

O autor e académico destaca “duas tendências que se conjugam de forma quase espontânea” no relacionamento entre a China e África. “Por um lado, a China procura estabelecer parcerias com países africanos, tanto para seguir as premissas da sua política económica internacional — formulada desde os primórdios do governo comunista revolucionário — como para adquirir, através do comércio e da cooperação, matérias-primas de grande importância para a indústria do país.”

Há, depois, “a tentativa de muitos países africanos de crescer e garantir cada vez mais estabilidade e segurança”, sendo que a “internacionalização, o acesso aos mercados internacionais e a venda das suas matérias-primas tornam-se uma necessidade para estes países”. A internacionalização, através do comércio e exportação de produtos, tem “uma importância vital, tal como a atracção de investimento estrangeiro”.

Assim, o académico afirma que a história política da Guiné-Bissau determinou todas essas tendências políticas e económicas que, até à data, são relevantes no âmbito de uma análise complexa da situação actual do país, bem como das suas relações específicas. “O peso real que o fenómeno da descolonização teve condicionou, em todos os aspectos, a forma que o país, o seu comércio e a sua acção diplomática assumiram”, criando-se um cenário de comparação “com a China contemporânea, também nascida de um fenómeno de descolonização”, apesar das devidas diferenças históricas e contextuais.

Esse panorama acabou por criar, entre os dois países, “um certo tipo de relação económico-política que intervém num contexto que, sem dúvida, não é fácil (tanto a nível regional como global), mas que avança a um ritmo acelerado numa situação mundial em completa reestruturação”.

O artigo cita ainda dados que mostram como a Guiné-Bissau tem registado algum desenvolvimento, apesar de passar “por fases alternadas de sucesso em termos de crescimento económico”, graças a uma grande volatilidade “devido a acontecimentos de natureza política ou ambiental”.

Além disso, o autor recorda que a Guiné-Bissau “é frequentemente assolada por choques climáticos”, sendo que nos anos de 2003, 2004 e 2005 sofreu “graves inundações que danificaram as suas infraestruturas, aldeias e o sector agrícola, deixando um impacto grave na economia e na sociedade”.

19 Mar 2026

Caso Kong Chi | Pena aumentada para 24 anos de prisão

O Tribunal de Segunda Instância (TSI) concluiu ontem o segundo julgamento de Kong Chi, ex-Procurador-Adjunto da RAEM, e aumentou-lhe a pena de 21 anos de prisão para 24 anos. O colectivo de juízes considerou Kong culpado de vários crimes de corrupção, prevaricação e abuso de poder.

Em relação aos outros arguidos, o advogado Ho Kam Meng foi condenado com uma pena de prisão de 15 anos e a empresária Choi Sao Ieng com uma pena de 16 anos e 9 meses de prisão. A advogada e quarta arguida Kuan Hoi Lon, que nunca esteve presente durante o julgamento, foi absolvida de todas as acusações.

Segundo o jornal Ou Mun, durante a leitura da sentença, o juiz Choi Mou Pan considerou ter ficado provado que Kong Chi utilizou a sua posição no Ministério Público para arquivar ou pedir a absolvição de arguidos em vários casos, recebendo vários benefícios em troca. Esta actividade foi desenvolvida em conjunto com o advogado Ho Kam Meng e a empresária Choi Sao Ieng.

Choi Mou Pan apontou também que aquando da transferência de soberania, Kong Chi fez um juramento do cumprimento dos princípios legais, de integridade e de salvaguarda dos interesses da RAEM. Contudo, para os juízes ficou provado que Kong abusou seus poderes para obter ganhos pessoais, violando as leis.

O tribunal destacou ainda que os vários crimes dados como provados só foram possíveis devido à postura do ex-Procurador-Adjunto e que sem ele não teriam ocorrido. Choi Mou Pan afirmou também que a conduta de Kong Chi “teve um impacto profundo em Macau”.

Rol de acusações

O ex-Procurador-Adjunto da RAEM estava acusado de 79 crimes, entre os quais 56 crimes de prevaricação, todos em co-autoria com Ho Kam Meng, e outros 23 crimes de corrupção passiva para acto ilícito.

Ho Kam era acusado de criar/fazer parte de uma associação secreta. Esta associação envolve Kong Chi e Choi Sai Ieng, que foram condenados por este crime no primeiro julgamento. O advogado estava ainda acusado de outros 68 crimes, entre os quais 12 crimes de corrupção passiva para acto ilícito e 56 crimes de prevaricação em co-autoria com Kong Chi.

No caso do advogado Ho Kam Meng, o tribunal deu como provado que integrava e prestava apoio à associação ou sociedade secreta, à qual pertenciam também Kong Chi e Choi Sao Ieng, crime pelo que já tinham sido condenado no primeiro julgamento.

Quanto a Kuan Hoi Lon, a advogada foi dada como inocente, por se considerar que não ficou provado ter agido além das suas competências legais.

18 Mar 2026

Crise financeira do FC Porto de Macau compromete continuidade

A filial do Futebol Clube do Porto em Macau atravessa uma crise financeira e operacional que pode por em causa a sua continuidade, segundo uma carta enviada aos sócios pela direcção. Na missiva, a dirigente da Casa do Futebol Clube do Porto de Macau – China, Diana Massada, apontou que o clube enfrenta “sérias dificuldades financeiras e operacionais”, que culminaram recentemente num processo de despejo da sede e na existência de várias dívidas por resolver.

Massada recorda que, ao longo de oito anos, a actual direcção dedicou tempo e recursos pessoais que ajudaram a ultrapassar dificuldades pontuais e a permitir que o clube continuasse a existir, mas admite que “a situação se tornou particularmente difícil” no último ano e meio.

Entre os factores apontados, estão a falta de pagamento regular das quotas – apenas cerca de dez em mais de 100 sócios têm as quotas em dia, a ausência de patrocinadores, problemas estruturais na sede arrendada e dificuldades na exploração da cantina da entidade, que deveria ser uma das principais fontes de receita. A presidente sublinha ainda que a participação activa dos associados tem sido limitada, o que condicionou a capacidade de desenvolver projectos e superar momentos exigentes.

Apelos múltiplos

Na carta, a direcção apela ao apoio dos sócios para regularizarem quotas, identificarem patrocinadores e colaborarem em projectos como a Escola de Futebol ou o voleibol juvenil. Uma das necessidades imediatas mencionada é a de retirar e vender bens da antiga sede para liquidar pequenas dívidas.

“O clube atravessa um momento difícil, mas continua a representar muitos anos de dedicação, convívio, prática desportiva e espírito de comunidade”, escreveu Diana Massada, apelando à “vontade colectiva” dos sócios para garantir a continuidade da Casa do FC Porto de Macau.

O FC Porto de Macau foi fundado em 2006 e ascendeu rapidamente à I Divisão do futebol do território, onde chegou a ser segundo classificado. A última vez que o clube esteve presente no primeiro escalão de Macau foi em 2012, com os problemas financeiros a atirarem a equipa para a última divisão.

A equipa sénior de futebol de onze do FC Porto de Macau caiu na época passada da terceira para a quarta divisão, duas épocas depois de ter conquistado a promoção, após 10 derrotas, um empate e zero vitórias.

18 Mar 2026

Macao Water | Esperada subida de 3% no consumo

O ano passado ficou marcado por uma redução do consumo de água, ao contrário das expectativas. A deslocação dos residentes para fora do território durante as férias e fins-de-semana foi indicada como a causa da contracção

A directora executiva da Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (Macao Water), Nacky Kuan Sio Peng, prevê um aumento do consumo de água em Macau ao longo deste ano a rondar os 3 por cento. O cenário foi traçado pela gestora da sociedade à margem de um Almoço de Ano Novo Lunar com órgãos de comunicação social.

A dirigente justificou a estimativa com inauguração de mais hotéis e habitações. “Apesar das obras de construção terem ficado concluídas [o que leva a uma redução do consumo], prevemos um aumento anual de três por cento no consumo de água, porque os habitantes da Zona A dos Novos Aterros Urbanos e do lote P na Areia Preta vão mudar-se para as habitações, e também porque alguns projectos hoteleiros nas ilhas vão ser inaugurados e vão entrar em funcionamento”, afirmou Nacky Kuan.

Quanto à utilização de água reciclada, que começou a ser fornecida a 1 de Março às habitações públicas em Seac Pai Van e à Universidade de Macau, Nacky Kuan fez um balanço positivo dos serviços e indicou que actualmente a média diária de fornecimento deste tipo de água é de 1,5 mil metros cúbicos. A água reciclada é um tipo de água não potável, que recebe um tratamento mínimo para ser utilizada nos autoclismos e na rega de espaços verdes.

Menor consumo

Em relação ao balanço do consumo de água no ano passado, a empresa reconheceu que houve uma redução de 0,7 por cento. “Apesar de se realizarem muitos eventos e concertos, e o número de turistas ter registado um aumento ideal, o que resultou num aumento do fornecimento de água nas ilhas de 3 por cento, o número foi afectado pela quebra no consumo de água pelos residentes e com o fim de várias construções”, explicou a responsável.

A redução do consumo de água contraria as expectativas da empresa, que em 2025 previa um aumento de 3 por cento no consumo, o que acabou por não se verificar. Nacky Kuan considerou que o consumo de residentes no exterior foi a razão que resultou na queda do consumo de água, particularmente durante as férias e os fins-de-semana. A responsável também apontou que o consumo de água pelas pequenas e médias empresas ainda não recuperou para os níveis pré-pandemia.

A nível da cooperação inter-regional, no ano passado, a Macao Water aderiu à Aliança do Sector de Conservação de Água da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, com o objectivo de promover conjuntamente a inovação no âmbito da conservação da água. Além disso, a empresa também participou, pela primeira vez, como membro da comissão organizadora num simpósio promovido pela Associação Internacional da Água.

A empresa fez ainda o balanço sobre várias obras terminadas no ano passado, como, por exemplo, a ampliação da Barragem de Seac Pai Van, assim como a instalação da rede de abastecimento de água e de condutas subterrâneas partilhadas na Zona A. Também no início deste ano, entrou em funcionamento a segunda fase da obra de ampliação da Estação Elevatória de Pinggang, em Zhuhai.

18 Mar 2026

Habitação | Compras e vendas mais do que duplicaram em Fevereiro

O mercado de habitação mostra sinais de recuperação com o número de transacções e o preço médio do metro quadrado a apresentarem novos aumentos

No mês de Fevereiro, o número de transacções imobiliárias cresceu para um total de 494, o que representa um aumento anual para mais do dobro. Os números foram actualizados ontem no portal da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Em Fevereiro de 2025, o número de transacções tinha sido de 176 compras e vendas, o que significa que no segundo mês do corrente ano houve mais 352 transacções.

O crescimento do mercado de habitação aconteceu em todas as regiões do território, embora tenha acontecido de forma mais notória na Península de Macau. Aqui, foram registadas 411 transacções, mais do triplo do que tinha acontecido em 2025, quando o número de negócios foi de 126.

Em relação à Taipa, segundo os dados mais recentes, registou-se um total de 65 transacções, quando no ano passado tinha havido 36, e em Coloane o número passou no espaço de um ano de 14 para 18 transacções. Além das transacções, também o preço médio do metro quadrado ficou mais caro. Embora neste caso os mercados de Macau tenham sofrido alterações diferentes.

Em média, o preço do metro quadrado aumentou de 76.243 patacas para 77.713 patacas, um crescimento de 1,9 por cento ou 1.470 patacas. Na Península de Macau, o crescimento foi de 10,5 por cento, de 72.986 patacas para 80.672 patacas, uma diferença de 7.686 patacas. Na Taipa, houve uma redução de 17,6 por cento, de 82.471 patacas para 67.790 patacas, enquanto em Coloane a redução do preço médio do metro quadrado foi de 20,1 por cento, de 83.571 patacas para 66.747 patacas.

Aumento mensal

Também a nível mensal, o mercado apresentou um crescimento no número de transacções e do preço médio do metro quadrado. No primeiro mês do ano, o número de transacções foi de 384, o que significa que mensalmente se registou um aumento de 110 transacções ou de 28,7 por cento.

Na Península de Macau o registo de compras e vendas subiu de 299 em Janeiro para 411 em Fevereiro, enquanto na Taipa aumentou de 58 para 65. A excepção aconteceu em Coloane, onde as transacções baixaram de 27 para 18.

Também os preços apresentaram alterações distintas. Na Península, houve uma subida mensal de 11.223 patacas, de 69.449 patacas por metro quadrado para 80.672 patacas por metros quadrado, e na Taipa de 1.103 patacas, de 66.867 patacas para 67.970 patacas. Em Coloane, registou-se uma redução do preço do metro quadrado médio de 7.443 patacas, de 74.190 patacas para 66.747 patacas.

Desde o início do ano que a Direcção de Serviços de Finanças (DSF) deixou de actualizar os dados das transacções face à primeira e última metade dos meses, passando apenas a compilar o total mensal.

18 Mar 2026

Estudo | Reformas transformaram maior centro de jogo do mundo

Um estudo dos académicos João Ilhão Moreira e Zhou Yudi indica que as reformas efectuadas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim em termos do controlo de capitais

O desmantelamento do sistema de promotores de jogo VIP em Macau, responsável em tempos por mais de 70 por cento das receitas dos casinos, marcou uma mudança decisiva nas prioridades de governação da China, segundo um estudo da Universidade de Macau. Os autores, João Ilhão Moreira e Zhou Yudi, concluíram que as reformas introduzidas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim de maior controlo de capitais, transparência reforçada e governação baseada na lei.

O estudo afirma que o fim destes promotores VIP (conhecidos como “junkets”) reflectiu um alinhamento estratégico com os “objectivos da China continental, incluindo maior controlo de capitais”, reforço da transparência financeira e governação assente na lei.

O trabalho sublinha que o modelo dos “junkets”, que servia clientes de alto nível e facilitava fluxos opacos de capitais provenientes da China continental, tornou-se cada vez mais incompatível com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização em curso.

“Embora tenha sido integral para o crescimento de Macau, o sistema de ‘junkets’ entrou em conflito crescente com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização do sector”, escreveram os autores. O estudo traça a evolução da indústria desde a transferência de soberania em 1999, observando que os “junkets” foram tolerados durante décadas devido ao seu contributo para as receitas brutas do jogo.

Realidade dos números

Em 2011, a receita do jogo em Macau atingiu 269,1 mil milhões de patacas, cinco vezes a receita de Las Vegas, e com as salas VIP a contribuir com mais de 70 por cento dessa receita. A detenção e condenação, em 2021, de Alvin Chau, líder do maior grupo de “junkets” do território, o Suncity Group, simbolizou o fim de uma era e acelerou a transição para um modelo de mercado de jogo centrado em jogadores ocasionais e turismo integrado.

Chau foi depois condenado a 18 anos de prisão, tendo sido considerado culpado de mais de 100 crimes, incluindo liderança de uma associação criminosa, fraude e exploração ilegal de jogo, envolvendo apostas superiores a 823,7 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Segundo os investigadores, o sistema de “junkets” evoluiu para uma poderosa rede financeira, que se estendia muito além das salas de jogo. Os operadores não foram apenas intermediários de clientes VIP, mas também facilitadores de grandes fluxos de capitais opacos entre a China continental e Macau.

Os autores assinalaram que as salas VIP e os “junkets” “criaram redes de fluxos de capitais não regulados”, estabelecendo canais paralelos fora do sistema bancário oficial da China. Estas redes tornaram-se problemáticas, à medida que Pequim reforçou o controlo de capitais e exigiu maior transparência.

O estudo destaca que, embora tolerados durante anos, os “junkets” dependeram de apostas paralelas e transferências discretas de fundos, práticas que acabaram por colidir com os objectivos de modernização da China. Em 2022, o Governo da RAEM avançou com a primeira grande revisão da Lei do Jogo em mais de duas décadas.

A reforma introduziu alterações profundas: redefiniu o papel das concessionárias e dos promotores de jogo, praticamente desmantelou o sistema de “junkets” e reforçou os mecanismos de controlo e transparência.

Caminho da diversificação

O novo enquadramento legal passou a privilegiar a diversificação da indústria, com maior foco no mercado de massas e no turismo integrado, em detrimento das salas VIP, dominadas por “junkets”. Além disso, alinhou Macau com as prioridades nacionais da China, nomeadamente no reforço do controlo de capitais, prevenção do branqueamento de dinheiro e integração da RAEM na estratégia de desenvolvimento económico nacional.

“As medidas legais e regulatórias introduzidas entre 2022 e 2024 foram concebidas para alinhar a indústria do jogo de Macau com as prioridades da China”, conclui o estudo.

18 Mar 2026

Visita | Sam Hou Fai em Portugal e Espanha em Abril

O Gabinete de Comunicação Social anunciou ontem que o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, irá visitar Portugal e Espanha entre os dias 17 e 23 de Abril. O Governo ainda não revelou a agenda das visitas, nem os membros do Executivo que vão acompanhar Sam Hou Fai na visita inaugural ao exterior desde que tomou posse como líder do Governo da RAEM.

Historicamente, a primeira visita internacional de um Chefe do Executivo é a Portugal, mas desta vez também irá incluir a Espanha. Recorde-se que Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos, como complemento do papel de plataforma sino-lusófona atribuída pelo Governo Central a Macau.

Inicialmente, o Governo da RAEM apontou a visita a Portugal para o primeiro semestre de 2025, mas as eleições legislativas portuguesas obrigaram ao adiamento para o Verão.

A última vez que um Chefe do Executivo visitou Portugal foi em Abril de 2023, na primeira viagem do antigo líder Ho Iat Seng ao exterior, depois dos três anos de restrições pandémicas. Na altura, Ho encontrou-se com o então primeiro-ministro português, António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa, na altura Presidente da República.

18 Mar 2026

Tifo | Residente infectado depois de acampar em Jiangmen

Os Serviços de Saúde foram notificados de um caso de tifo epidémico relativo a um residente de 31 anos diagnosticado na quinta-feira no Hospital Conde de São Januário. As autoridades de saúde, classificaram o caso como importado e indicaram que o doente continua hospitalizado, mas com um quadro clínico estável. O paciente começou por apresentar manchas negras e uma erupção cutânea na perna esquerda no dia 26 de Fevereiro e, cerca de uma semana depois desenvolveu sintomas como febre, dores de cabeça e dores musculares. No dia 7 de Março, as erupções cutâneas espalharam-se pelo corpo, o que levou o residente recorrer ao hospital.

Os Serviços de Saúde realçaram que o homem acampou num parque de campismo em Jiangmen, nos dias 24 e 25 de Fevereiro, um local com zonas relvadas, onde provavelmente terá sido picado por insectos.

O tifo epidémico é uma doença infectocontagiosa aguda causada pela picada de larvas portadoras de uma bactéria que tem como habitat natural ratos de zonas de selva quentes e húmidas, essenciais para a multiplicação da bactéria, que se pode propagar para humanos através de picadas de piolhos.

Sem tratamento imediato, uma pequena percentagem de doentes pode desenvolver complicações graves, incluindo pneumonia, encefalite e miocardite, que podem resultar em insuficiência respiratória, choque e morte, com uma taxa de mortalidade de até 60 por cento.

17 Mar 2026

Subemprego | Pedido apoio a residentes com quebra de salários

Num contexto em que os trabalhadores na área dos transportes e armazéns têm cada vez mais dificuldades em encontrar emprego a tempo inteiro, a deputada Wong Kit Cheng pede soluções ao Executivo

 

A deputada Wong Kit Cheng pediu ao Governo para lançar novos apoios para fazer face à subida do subemprego, ou seja, das situações em que as pessoas trabalham menos horas do que as que desejam. O apelo foi feito através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

“Embora a taxa de desemprego se tenha mantido num nível baixo, a taxa de subemprego registou um aumento significativo, verificando-se esta situação principalmente nos ramos dos transportes e armazenagem, das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas e do comércio a retalho”, descreveu a legisladora. “Isto demonstra, por um lado, que os trabalhadores residentes estão a enfrentar o problema de subemprego no mercado de trabalho, o que tem um impacto substancial nos seus rendimentos e, por outro, que a procura no mercado está a diminuir, sendo que os referidos sectores estão a deparar-se com dificuldades operacionais”, apontou.

Segundo os dados citados pela deputada, entre Novembro do ano passado e Janeiro, a taxa de subemprego foi de 2,2 por cento, um aumento de “0,2 por cento” em comparação com o período anterior. A taxa de desemprego foi de 2,2 uma redução de “0,1 por cento”.

Face a esta situação, Wong Kit Cheng pretende saber como é que o Executivo vai utilizar os planos de formação e a plataforma com a oferta de cursos de requalificação para providenciar um “apoio concreto para a mudança de profissão” e “planos de formação técnica”.

A legisladora, ligada à Associação da Mulheres, pediu também ao Governo ajudas para quem não consegue encontrar uma profissão num sector diferente daquele em que trabalhava, antes de ficar numa situação com rendimentos reduzidos: “Quanto aos indivíduos que não consigam mudar de profissão devido à idade, ao nível de competências, ao contexto familiar ou a outros factores, o Governo deve resolver o problema de subemprego, através da conjugação de emprego e de outras medidas de apoio. Como vai fazer isto?”, questionou.

Licenciados à vista

Ao mesmo tempo, Wong Kit Cheng mostrou-se preocupada com os próximos meses devido ao ingresso no mercado do trabalho dos alunos do ensino superior que terminam os seus estudos e entram no mercado de trabalho.

A deputada aponta assim que “a procura de emprego vai aumentar”, pelo que pede explicações de como o Executivo “pode planear melhor e implementar medidas adequadas para fazer face à situação” para “reduzir o desfasamento com as competências práticas exigidas no local de trabalho”.

Wong pediu também a “divulgação das informações” sobre o mercado de trabalho para que haja uma “transição suave” para os recém-licenciados que entram no mundo do trabalho. “É uma questão que merece atenção contínua por parte das autoridades competentes”, vincou.

17 Mar 2026

AL | Orçamento reforçado para obras de “grande escala”

O orçamento da Assembleia Legislativa foi alterado pela terceira vez, com um aumento de 31,4 milhões de patacas, para 255,4 milhões de patacas. O edifício da assembleia terá obras de “grande escala”, os serviços serão informatizados, e o orçamento com pessoal e formação também irá subir

 

 

O orçamento da Assembleia Legislativa (AL) para 2026 vai ser rectificado, pela terceira vez, aumentando 14 por cento dos 224 milhões de patacas inicialmente propostos, para quase 255,4 milhões de patacas, ou seja, mais cerca de 31,4 milhões de patacas. A informação, publicada no portal da AL, consta de uma deliberação assinada pelo presidente do órgão legislativo, André Cheong, e os restantes membros da mesa.

O aumento do orçamento para este ano foi justificado com a necessidade de obras no edifício, informatização, aperfeiçoamento de equipamentos e aumento das despesas com pessoal e formação.

As duas rectificações anteriores envolveram apenas a transferência de verbas orçamentadas para outros gastos, sem alterar o valor do orçamento anual.

As maiores despesas no extrato relativo à alteração do orçamento são relativas a “edifícios e estabelecimentos”, com uma despesa de quase 13,6 milhões de patacas, mais de um terço do valor total do aumento. A factura relativa a gastos com mobília está estimada em dois milhões de patacas, enquanto as despesas com equipamentos informáticos e sistemáticos estão orçamentadas em mais de 5,6 milhões de patacas, e para software e direitos estão destinados 9,3 milhões de patacas.

Em relação aos custos com pessoal, a rectificação adiciona 2 milhões de patacas, subindo para 186,7 milhões patacas, o que representa um aumento de 1,08 por cento. Nesta área, os maiores aumentos são nas rúbricas das ajudas de custo diárias (+65,1 por cento) e ajudas de custo de embarque (+ 87,4 por cento).

 

As causas

Na lista de fundamentos para a rectificação orçamental para promover a “mudança do espaço de trabalho e das obras de remodelação do Edifício da AL”, os deputados começam por indicar que, apesar de terem um edifício próprio, sofrem com a insuficiência de espaço de trabalho. Como tal, ficam impedidos de “oferecer serviços mais diversificados de melhor qualidade”.

Com a mudança do gabinete do presidente do Tribunal de Última Instância, prevista para este ano, que funciona no edifício do Fórum Macau, para as novas instalações na Avenida da Praia Grande, serão transferidos para o espaço vago no Fórum Macau cerca de 80 trabalhadores dos serviços de apoio da AL. Este volume representa cerca de dois terços dos recursos humanos da AL.

A transferência irá implicar “obras fundamentais de remodelação” no Complexo do Fórum Macau, assim como a compra de equipamentos de escritório.

Uma vez concluída a transferência, vão arrancar as “obras de remodelação e renovação em grande escala no Edifício da AL, em especial no primeiro andar, optimizando a configuração funcional”. O objectivo é criar novos espaços de trabalho com o intuito, como exemplificado pela mesa, de “reforçar a comunicação e ligação entre a AL e a população, especialmente a juventude, e melhorar a compreensão do público sobre as funções e trabalho concreto AL”.

No capítulo da informatização, será criada uma plataforma para trabalhos internos para eliminar o uso do papel, assim como um sistema auxiliar com inteligência artificial e um sistema de gestão de gestão financeira electrónica. Além disso, o portal da AL será actualizado.

Em relação à mão-de-obra, é indicado que o número de trabalhadores “vai aumentar ligeiramente” e serão organizadas mais sessões de formação internas.

17 Mar 2026

Geopolítica | Alerta para impacto económico de conflitos internacionais

Sam Hou Fai alerta para as “recentes alterações geopolíticas” e “conflitos internacionais” que constituem “ameaças ao desenvolvimento económico da cidade”

 

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, alertou ontem para as “perturbações na cadeia de abastecimento” e outros desafios que as recentes alterações geopolíticas e conflitos internacionais geraram enquanto ameaças ao desenvolvimento económico da cidade.

Macau, “enquanto pequena economia aberta e fortemente dependente do exterior, enfrenta múltiplas incertezas e desafios”, afirmou Sam Hou Fai no discurso de abertura da primeira sessão de 2026 do Conselho de Desenvolvimento Económico, apelando aos empresários presentes para que estejam preparados para os enfrentar e que incentivem ao investimento e diversificação da economia local, fortemente dependente da indústria do jogo.

“Actualmente, no contexto da evolução acelerada e da transformação sem precedentes do último século em todo o globo, os conflitos geopolíticos continuam a intensificar-se, a recuperação económica mundial enfrenta entraves e diversos factores de incerteza, assim como se sobrepõem as perturbações nas cadeias de abastecimento, tornando o ambiente externo de desenvolvimento significativamente mais complexo, grave e incerto”, disse o chefe do Executivo.

Sam Hou Fai indicou ainda que o Governo vai avaliar os “pontos de convergência” possíveis com o 15.º Plano Quinquenal do país aprovado este mês durante os encontros da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), denominados como “Duas Sessões”, em Pequim.

 

Metas baixas

A China estabeleceu nestes encontros uma meta de crescimento do PIB de 4,5 por cento a 5 por cento para 2026, a mais baixa desde 1991, sinalizando um foco na estabilidade e qualidade sobre velocidade, e priorizando investimentos estratégicos, tecnologia e consumo interno.

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Macau cresceu 4,3 por cento em 2025, ultrapassando 63.600 euros, o segundo valor mais elevado da Ásia.

No entanto, a agência de notação financeira Fitch previu que o crescimento do PIB do território irá desacelerar para 4 por cento em 2026, porque as condições económicas “mais fracas” irão “pesar cada vez mais sobre os turistas chineses”.

“Macau enfrenta numerosos desafios ao seu desenvolvimento, mas esperamos avançar em conjunto. A construção da Grande Baía avança com resultados bem visíveis, e a nova vaga de tecnologia tem injectado uma nova dinâmica de desenvolvimento. Devemos ter em consciência a adversidade prevenindo os riscos e avaliando o pulso do desenvolvimento nacional”, destacou Sam.

A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com um produto interno bruto (PIB) superior a um bilião de euros.

“Espero que vocês, como empresários, estejam preparados para agarrar as oportunidades, reforçando o investimento em Hengqin de maneira a injectar nova vitalidade. Espero que possam também acompanhar de perto os assuntos de desequilíbrio e dificuldades enfrentados pelas Pequenas e Médias Empresas”, destacou.

O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (Ilha da Montanha), adjacente a Macau, como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia da região administrativa especial.

 

Aposta no futuro

Criado em 2023, o Conselho de Desenvolvimento Económico de Macau, que ontem realizou a primeira reunião do ano, é um organismo consultivo do Governo da RAEM, cuja finalidade é disponibilizar pareceres e apresentar propostas sobre a formulação de estratégias para o desenvolvimento económico da região assim como políticas relacionadas com a economia.

Além do Chefe do Executivo e do secretário para a Economia, o organismo inclui representantes de associações de interesses económicos e profissionais assim como “individualidades de reconhecido mérito” na respectiva área.

17 Mar 2026

Rota das Letras | Andreia Sofia Silva apresenta livro sobre censura em Macau

Andreia Sofia Silva, que apresentou no domingo um livro sobre a censura do Estado Novo em Macau, considera que a imprensa local nunca foi “plenamente livre e isenta”, e que durante o Estado Novo os jornais de língua portuguesa eram desproporcionalmente atacados pela comissão de censura face às publicações em chinês

 

A jornalista do HM Andreia Sofia Silva apresentou no domingo, no último dia de programação do festival literário Rota das Letras, o seu livro “O Lápis Vermelho – A Censura do Estado Novo à Imprensa de Macau”. Numa sessão apresentada por Frederico Rato, a autora realçou as formas distintas como a Comissão de Censura à Imprensa tratou com dois pesos e duas medidas os jornais em língua portuguesa e os jornais em chinês.

“Descobri depois mais documentação da Comissão de Censura à Imprensa já com provas de que a imprensa chinesa teria ido, também, à censura, mas sem consequências”, explicou Andreia Sofia Silva à Lusa.

“Percebi depois no decorrer da investigação que as diferenças de tratamento para com as duas imprensas, em português e chinês, foram muitas por parte das autoridades”, acrescentou. Entre os exemplos encontrados estão suspensões de jornais portugueses, incluindo O Clarim, da Igreja Católica.

“Com frequência quase semanal o governador enviava os recortes de jornais censurados para o Ministério do Ultramar, em Lisboa, para que as autoridades na metrópole fossem informadas dos temas abordados pela imprensa”, explicou Silva.

Nos arquivos, porém, não encontrou provas de procedimentos semelhantes relativamente à imprensa chinesa. Um exemplo foi o Ou Mun Iat Pou, ainda hoje o maior jornal de Macau, que em determinados períodos reproduziu notícias com os cortes impostos pela censura.

Para Andreia Sofia Silva, esta diferença de tratamento reflecte as limitações da autoridade portuguesa em Macau, sobretudo perante a influência política de Pequim. A investigação desenvolvida ao longo de cinco anos conclui que a censura actuou de forma plena sobre a imprensa portuguesa em Macau, mas de forma limitada à imprensa chinesa, revelando fragilidades da administração colonial portuguesa.

“Através da análise à censura do Estado Novo podemos percepcionar as fragilidades da administração portuguesa face às autoridades de Pequim, constituindo mais uma prova de que Portugal nunca exerceu autonomia plena sobre Macau”, disse.

Antes e depois

O trabalho de investigação da autora decorreu entre 2020 e Janeiro de 2025, com base sobretudo na documentação da Comissão de Censura à Imprensa conservada no arquivo diplomático português.

Andreia Sofia Silva lembra que, ao longo do século XX, os jornais foram também frequentemente utilizados como instrumentos políticos por diferentes forças. Segundo a autora, na imprensa portuguesa “havia uma defesa do império e da necessidade da Guerra Colonial”, enquanto na imprensa chinesa “surgiam notícias com foco nos movimentos de libertação”.

Nos anos da Guerra Sino-Japonesa, por exemplo, a região funcionou como um espaço onde coexistiam várias correntes políticas. “A história traz-nos mensagens e reflexões relacionadas com as especificidades de Macau e das suas gentes, que podem ser lidas também à luz do panorama actual”, disse Silva.

A investigadora considera que história da imprensa na cidade mostra que o exercício do jornalismo no território sempre esteve condicionado por factores políticos e sociais. “A imprensa de Macau nunca foi plenamente livre e isenta, por vários motivos e contextos históricos”, afirmou.

Apesar das mudanças ocorridas nas últimas décadas, Andreia Sofia Silva considera que o jornalismo no território continua a enfrentar desafios estruturais. “Assistimos hoje a um grande decréscimo de massa crítica e de opinião pública. Mas devo dizer que a sociedade de Macau nunca teve muito esse pendor”, concluiu.

16 Mar 2026

SS| Proibição de cigarros electrónicos vai entrar logo em vigor

Os Serviços de Saúde consideram que a legislação actual pode ser contada como um período transitório para a proibição total do cigarro electrónico

 

O Governo quer tolerância zero contra os fumadores de cigarros electrónicos e promete que a proibição total vai entrar em vigor, assim que a futura lei for aprovada na Assembleia Legislativa. A posição do Executivo foi explicada por Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SS), que quer tornar ilegal a posse e o consumo deste produto.

“A segunda revisão à lei [de prevenção e controlo do tabagismo] entrou em vigor no final de 2022. Já estão proibidos o fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte de cigarros electrónicos”, afirmou Alvis Lo, na mais recente sessão de consulta pública, de acordo com o Canal Macau. “Teoricamente, os últimos três anos em que a lei esteve em vigor serviram como período de transição. Por isso, não vamos criar outro período transitório para a posse [e consumo] de cigarros electrónicos no espaço público, porque as pessoas já devem estar adaptadas [às novas restrições]”, acrescentou.

O novo regime prevê a utilização de câmaras de filmar pelos fiscalizadores. Apesar desta alteração, Alvis Lo considera que a privacidade dos fumadores e dos inspectores vai ser protegida e que não haverá utilização dos equipamentos para fazer prova contra eventuais fumadores. “Durante a implementação da nova lei, os inspectores e fumadores vão ser protegidos. Os vídeos das câmaras [dos inspectores] não vão ser utilizados como prova para verificar se os fumadores violaram a lei”, foi prometido.

Futuro em aberto

Alvis Lo indicou também que nesta revisão não se vai permitir a utilização do sistema de CCTV da cidade para perseguir os fumadores. No entanto, não afastou estas possibilidade no futuro. “Quanto ao uso de câmaras de vigilância no espaço público na implementação da lei do tabaco, não se trata apenas de uma questão técnica, mas está também relacionado com o nível de recepção da sociedade sobre a vida privada. Por isso, a curto prazo não vamos seguir essa via”, vincou.

Quando apresentaram a consulta pública sobre o futuro diploma que vai limitar as áreas para fumar e proibir os cigarros electrónicos, assim como a pasta para os cachimbos de água, os SS defenderam que os cigarros electrónicos são mais prejudiciais do que os tradicionais.

“Os cigarros electrónicos não são melhores do que os cigarros tradicionais. Mas, com diferentes sabores e diferentes formas, são mais atraentes e conseguem atrair o consumo dos jovens”, afirmou, na altura, Lam Chong, chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e Alcoolismo dos Serviços de Saúde. “Algumas pessoas, passado algum tempo, passam a fumar cigarros tradicionais”, acrescentou.

16 Mar 2026

Habitação | Empréstimos com aumento anual de quase 20%

O ano arrancou com a procura de financiamento para compra de habitação a subir. No entanto, o incumprimento dos empréstimos também apresenta um crescimento anual

 

Em Janeiro, o montante dos novos empréstimos para a compra de habitação registou um crescimento anual de praticamente 20 por cento. Os dados foram divulgados, na sexta-feira, pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

No primeiro mês do ano, os novos empréstimos para a compra de habitação atingiram 1,59 mil milhões de patacas, quando em Janeiro de 2025 o valor não tinha ido além dos 1,33 mil milhões de patacas.

Quando a comparação é feita com o mês anterior, Dezembro de 2025, a subida é mais significativa, atingido os 76,7 por cento, dado que nesse mês o valor dos empréstimos hipotecários foi de 898,4 milhões de patacas.

“De Novembro de 2025 a Janeiro de 2026, o número médio mensal dos novos Empréstimos Hipotecários para Habitação aprovados atingiu 1,25 mil milhões de patacas, correspondendo a um aumento de 12,3 por cento em comparação com o período anterior (De Outubro a Dezembro de 2025)”, foi comunicado pela AMCM.

Os dados revelam também que entre o montante dos novos empréstimos para a compra de habitação, 98,7 por cento partiu de residentes, um valor de 1,57 mil milhões de patacas, enquanto os restantes 1,3 por cento, ou 20,4 milhões partiram de não-residentes.

Apesar do aumento dos empréstimos para a habitação, o montante total de todos os empréstimos, incluindo novos e antigos, apresenta uma redução anual de 5,4 por cento, para 206,06 mil milhões de patacas.

Em relação ao ano passado, registou-se também um aumento anual do incumprimento dos empréstimos para a compra de habitação, com o valor a ser de 3,6 por cento, uma subida de 0,1 pontos percentuais.

 

Menor actividade

No que diz respeito aos novos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias, Janeiro representou uma redução anual de 61,6 por cento, com o montante dos novos empréstimos a cair para 560,8 milhões de patacas.

Há um ano, o valor dos novos empréstimos para investir neste sector ultrapassava 1,46 mil milhões de patacas.

Quando a comparação é feita a nível mensal, Janeiro de 2026 apresentou um aumento de 15,1 por cento, dado que o valor tinha sido de 487,2 milhões de patacas, em Dezembro de 2025.

Com estas alterações, o valor total deste tipo de empréstimos teve uma queda anual de 8,5 por cento, para 137,45 mil milhões de patacas. Em comparação com Dezembro de 2025, a redução foi de 0,5 por cento.

A taxa de incumprimento dos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias manteve-se em 5,4 por cento, o que significa que não houve alterações em termos anuais nem mensais.

16 Mar 2026