Arraial de S. João | Da Torre para a Doca dos Pescadores

Há nova localização este ano para uma das festas mais icónicas das comunidades portuguesa e macaense no território. Segundo noticiou a TDM Rádio Macau, o Arraial de São João regressa nos dias 20 e 21 de Junho na Doca dos Pescadores, deixando de se realizar na Torre de Macau. Mais concretamente o arraial realiza-se na zona exterior do restaurante Vic’s, no Hotel Rocks, localizado na Doca dos Pescadores.

A organização do evento está a cargo da Associação dos Macaenses (ADM), trazendo, como é habitual, petiscos portugueses e muita animação. De destacar que a localização do arraial tem sido um assunto debatido tendo em conta a saída da festa do bairro de São Lázaro, onde a festa se realizou desde 2007, em frente à igreja.

A edição deste ano conta ainda com apoios do Fundo de Desenvolvimento da Cultura da RAEM, tendo a colaboração na organização da Casa de Portugal, do Instituto Internacional e da Associação dos Jovens Macaenses. O HM contactou Miguel de Senna Fernandes, presidente da ADM, a fim de obter um comentário sobre a mudança de localização, mas até ao fecho da edição não foi possível estabelecer contacto.

Paragens e suspensões

Recorde-se que o arraial não se realizou durante quatro anos devido à pandemia e depois por restrições de trânsito no bairro de São Lázaro. Miguel de Senna Fernandes explicou ao Ponto Final, no ano passado, que “abrir a calçada de São Lázaro significaria cortar a festa em bocados, e isso não seria possível”.

“As pessoas ainda preferem São Lázaro, mas têm de compreender”, disse, explicando que a solução da Torre de Macau era a possível para manter a celebração com o parco orçamento atribuído. “Ainda bem que continuamos a contar com o apoio da Torre, que muito prontamente aceitou conceder-nos o mesmo espaço. Caso contrário, isto seria absolutamente irrealizável”, frisou.

A Associação dos Macaenses (ADM) já referiu que o arraial vai muito além da dimensão religiosa de homenagem ao padroeiro São João Baptista, constituindo um “esforço comunitário para manter a tradição de comemorar a data histórica de 24 de Junho de 1622”, em que as forças portuguesas derrotaram as tropas holandesas, mantendo a Administração portuguesa no território.

28 Mai 2026

10 de Junho sem recepção no Bela Vista, mas com ministro

O cartaz deste ano do “Junho – Mês de Portugal” não inclui a tradicional recepção consular no Bela Vista, que terá, no entanto, um Dia Aberto a toda a comunidade portuguesa e demais interessados, com destaque para uma mostra do artista local Eric Fok. Destaque ainda para a presença de Fernando Alexandre, ministro da Educação português.

Há um total de 37 eventos programados para as próximas semanas, sendo que esta sexta-feira será inaugurada a mostra “SOMOS – Imagens da Lusofonia 2025: O Hoje do Passado”, patente até ao dia 28 de Junho na Galeria de Exposições das Casas da Taipa.

Segundo uma nota da “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” (Somos – ACLP), a curadoria está a cargo de Francisco Ricarte, sendo que estará presente na inauguração o vencedor do primeiro prémio do mais recente concurso de fotografia promovido pela entidade, o fotógrafo moçambicano, Hamir Da Silva, autor da imagem “Resiliência da comunicação”.

Segundo a associação, a escolha do tema “O Hoje do Passado”, visa um foco “nas coisas antigas que perduram no tempo, que ainda hoje têm uma função e um propósito nas nossas sociedades e vidas, marcando a identidade cultural associada a um determinado espaço geográfico”.

Desta forma, “as imagens expostas capturam os costumes, tradições e demais elementos culturais que sobrevivem aos tempos, sejam edifícios históricos, locais públicos, técnicas artesanais antigas, ferramentas tradicionais de artesãos, ou práticas comunitárias ancestrais que nunca caíram em desuso e continuam a ser transmitidas e dinamizadas”. Haverá ainda um concerto de Afonso Cabral, integrado no programa do “10 de Junho”, que este ano se prolonga até 3 de Julho.

Irão traz consequências

O cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, alertou para os custos acrescidos das viagens devido à crise no estreito de Ormuz, o que teve um impacto directo na organização do programa.

“Os preços das viagens aumentaram significativamente a partir do início da chamada crise do estreito de Ormuz. Tudo isto pesa, torna a nossa vida mais difícil, mas fazemos sempre o evento com entusiasmo e motivação”, afirmou o diplomata.

A directora do Instituto Português do Oriente, Patrícia Ribeiro, sublinhou a dimensão do calendário, com “apenas cinco dias” sem eventos. Entre as iniciativas, estão previstas três cerimónias oficiais, três exposições, quatro eventos infantis, cinco oficinas com artistas, quatro concertos, cinco conferências e cinco momentos gastronómicos.

“Este será o panorama do nosso programa, que ainda poderá crescer com outros momentos, mas já é vasto e bonito”, acrescentou Patrícia Ribeiro.

Entretanto, o delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Bernardo Pinho, destacou a vertente gastronómica, com a quarta edição do roteiro “Comer e Beber à Portuguesa”, que este ano reúne um número recorde de 35 estabelecimentos participantes.

“Pretendemos consolidar um maior número de visitantes. No ano passado alcançámos quase 2.000 participações, um crescimento de 300 por cento face à segunda edição”, disse.

Segundo Pinho, os restaurantes, cafés, bares e padarias envolvidos vão oferecer menus temáticos ou descontos de 10 por cento em celebração do Dia de Portugal.

A gastronomia surge como uma das âncoras do ciclo, com o Cônsul Alexandre Leitão a sublinhar que “os produtores portugueses traduzem no prato a cultura”.

“Muita gente viaja pela gastronomia ou acha indissociável de uma viagem o percurso gastronómico. Países como a Itália e a França exploram isto muito bem, e a possibilidade de apresentar em Macau 35 restaurantes portugueses é um grande motivo de satisfação”, disse o cônsul.

Recepção na EPM

A recepção à comunidade no 10 de Junho regressa à Escola Portuguesa de Macau, espaço que, segundo Leitão, “integra o passado, o presente e o futuro da comunidade portuguesa em Macau”.

Apesar de este ano não acolher a recepção oficial, a residência consular da Bela Vista terá um Dia Aberto em Junho, permitindo ao público visitar a exposição do artista local Eric Fok, que irá decorar as paredes do edifício.

“Queremos abrir a casa o mais possível às comunidades, não só portuguesas, mas a todas as que devem conhecer aquele património magnífico”, sublinhou Leitão.

A Residência do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, antigo Hotel Bela Vista, é um emblemático edifício histórico do século XIX na Colina da Penha, classificado como património do território. O diplomata recordou que a última jornada de portas abertas na Bela Vista, em 2023, “surpreendeu” pela adesão.

O programa inclui ainda cerimónias no ConsuladoGeral e na Gruta de Camões, com a participação dos escuteiros lusófonos, da banda da Polícia de Segurança Pública e da Escola Portuguesa, além de palestras e workshops.

28 Mai 2026

Gongbei | Novo supermercado ameaça comércio local

No domingo, será inaugurado o novo Freshippo, um supermercado do grupo Alibaba, a escassos 300 metros da fronteira com Macau. A cadeia lançou uma campanha de publicidade dirigida a residentes da RAEM. Um académico da Universidade de Macau defende que os supermercados locais devem melhorar a oferta

A concorrência ao comércio e aos supermercados de Macau vai apertar, com a inauguração no domingo do supermercado Freshippo no centro comercial Parkside Mall, a cerca de 300 metros da fronteira entre Gongbei e as Portas do Cerco. Este é o segundo supermercado da cadeia ligada ao grupo Alibaba em Zhuhai, mas desta vez a empresa lançou mesmo uma campanha publicitária onde é visto um residente da RAEM a elogiar o centro comercial a outros residentes, segundo avançou a Macau News Agency.

A abertura de mais uma grande superfície em Zhuhai, perto da fronteira, aumenta a pressão sobre o comércio e os supermercados de Macau. Recorde-se que no primeiro trimestre deste ano, o volume de negócios dos supermercados diminuiu 5,2 por cento em termos anuais, apesar do crescimento de 23 por cento de todo o comércio a retalho, segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos.

O professor da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau Matthew Liu Ting Chi explica este fenómeno com o aumento dos turistas, que quando visitam Macau não procuram bens de primeira necessidade e pelo facto de os residentes da RAEM serem atraídos pelos preços baixos do comércio em Zhuhai. O académico estima que no segundo trimestre deste ano o volume de negócios dos supermercados recupere graças ao Grande Prémio para o Consumo.

Luta pela sobrevivência

Há sensivelmente um ano, quando a abertura do Freshippo foi avançada na comunicação social, o presidente da Supermarket and Livelihood Food Association of Macau, Wong Man Wai considerou a possibilidade como a “gota d’água” para muitas superfícies em Macau. Já então, o representante do sector apontava para ajustes operacionais para conseguir sobreviver à concorrência, mas também para uma adaptação aos novos padrões de consumo da população.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Matthew Liu também entende que os supermercados têm de agir e diferenciar o seu posicionamento de mercado, onde não só concorrem com preços mais apetecíveis em Zhuhai, mas também com o crescente comércio online com entregas ao domicílio.

O académico salientou que, ao mesmo tempo que nada parece mudar nas operações dos supermercados de Macau, do outro lado da fronteira há zonas de degustação nas superfícies, assim como venda de refeições preparadas no local.

É também essencial para o futuro dos supermercados de Macau apostar em força nas compras online, oferecer produtos diferentes que não se possam adquirir em Zhuhai e ir de encontro a uma clientela mais especializada que, por exemplo, procura alimentos saudáveis.

28 Mai 2026

Construção | Empresas locais com mais de 500 milhões por receber

A revelação foi feita pelo deputado José Pereira Coutinho, e decorreu de uma reunião com representantes das empresas locais. As empresas foram subcontratadas para trabalhos públicos na prisão de Coloane, neste caso realizada por uma empresa estatal, e nos dormitórios da Universidade de Macau

Nove empresas locais de construção subcontratadas para obras públicas e em concessionárias de jogo estão com dificuldades em receber mais de 500 milhões de patacas pelos serviços prestados. A situação foi revelada pelo deputado José Pereira Coutinho, depois de uma reunião com representantes das empresas, na terça-feira.

“Ontem [terça-feira], dia 26 de Maio de 2026, recebi representantes de nove empresas de construção locais que actuam como empresas directamente subcontratadas para tratar da questão da cobrança de mais de 500 milhões de patacas em pagamentos de obras”, relatou o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. “A situação é extremamente grave e já está a causar uma enorme pressão de liquidez (especialmente no que diz respeito a despesas correntes)”, acrescentou.

O deputado apontou que “obras em questão incluem os dormitórios da Universidade de Macau, a terceira fase da prisão de Coloane e obras referentes a uma das concessionárias de jogos”.

Segundo José Pereira Coutinho a responsabilidade destes atrasos nos pagamentos também recai nos serviços públicos, que assinam contratos que permitem às empresas subcontratar outras para a prestação de serviços, sem acautelarem os interesses de todas as partes envolvidas. “Os serviços públicos competentes que atribuíram estas obras têm uma responsabilidade de garantir que as empresas subcontratadas estão protegidas no pagamento das obras realizadas”, vincou. “Esta situação continua a ser comum em Macau, devendo ser melhoradas as cláusulas contratuais dos contratos de construção e empreitadas”, destacou.

Novos contratos

Ainda na perspectiva do deputado, os serviços públicos têm de alterar os contratos que assinam como resultado de concursos públicos ou adjudicações directas para incluírem cláusulas a obrigar as empresas a pagarem os serviços prestados pelas subempreiteiras.

De acordo com a informação da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, a 3.ª fase da Prisão de Coloane foi construída pela Sociedade de Construção e Engenharia – Grupo de Construção de Xangai – SCG (Macau), a sucursal na RAEM do Grupo de Construção de Xangai, uma empresa estatal. A empresa estatal recebeu 739,8 milhões de patacas pelas obras.

A restante informação divulgada pelo deputado não permite apurar as outras empresas envolvidas nos projectos, nem a identidade da concessionária. O HM tentou entrar em contacto com José Pereira Coutinho, mas até ao fecho da edição o deputado mostrou-se incontactável.

28 Mai 2026

Administração | Renovadas lideranças do IAM, Obras Públicas e Solos e Construção

O Governo renovou a nomeação de Chao Wai Ieng como presidente do Conselho de Administração do IAM, de Lai Weng Leong à frente dos Serviços de Solos e Construção Urbana e de Lam Wai Hou nos Serviços de Obras Públicas. As comissões de serviços do trio foram renovadas por um ano

O Chefe do Executivo renovou a comissão de serviço de Chao Wai Ieng à frente do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) por mais um ano. A renovação foi oficializada por um despacho assinado por Sam Hou Fai, publicado ontem no Boletim Oficial.

Chao Wai Ieng substituiu José Tavares na liderança do IAM no início do ano passado, depois de ter dirigido por cerca de um ano e meio os Serviços de Identificação.

Ainda no IAM, destaque para ascensão de Tam Wai Fong a vice-presidente do conselho de administração, para onde foi nomeada administradora em Fevereiro do ano passado. A responsável passa a exercer o cargo que estava ocupado por Mak Kim Meng desde o início de 2025. Tam Wai Fong foi nomeada número dois do IAM por um ano.

Sam Hou Fai renovou também os mandatos das administradoras Ung Sau Hong, que está no conselho de administração desde os tempos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais em 2013, e de To Sok I, que tem mais de nove anos no conselho de administração. As administradoras viram os seus cargos renovados também por um ano.

Se cá nevasse

Também a comissão de serviços de Lai Weng Leong enquanto director dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) foi renovada por um ano, a contar da próxima segunda-feira, de acordo com um despacho assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man.

Lai Weng Leong está à frente da DSSCU desde Abril de 2022, ou seja, desde a criação da entidade, após a reestruturação da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

Raymond Tam renovou ainda o cargo de Mak Tat Io enquanto subdirector da DSSCU, que também ocupa a posição desde Abril de 2022. Também Chan Hoi Ieng foi reconduzida como subdirectora dos serviços de solos e construção urbana, cargo que ocupa desde o passado mês de Outubro.

Outro cargo de direcção que se mantém desde a extinção da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes é o de Lam Wai Hou, à frente da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) desde a sua génese em Abril de 2022. Lam Wai Hou começa igualmente a nova comissão de serviço na próxima segunda-feira. À semelhança da DSSCU, Raymond Tam manteve cargos dos subdirectores da DSOP Luís Carvalho e Sam Weng Chon.

28 Mai 2026

Plano Director | Consulta Pública sobre novas alterações arranca amanhã

Os detalhes sobre as alterações só deverão ser conhecidos amanhã, com a divulgação do documento de consulta. Porém, visam os chamados “grandes projectos” como a zona cultural e turística, o pólo de ciência e investigação e o hub de cargas em Hengqin

Começa amanhã a consulta pública sobre as alterações ao Plano Director da RAEM que visam promover a integração no “desenvolvimento nacional”. A informação foi anunciada ontem, através de um comunicado da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU).

A consulta vai decorrer entre sexta-feira e 27 de Agosto e tem como objectivo o “aprofundamento da integração e do serviço à conjuntura do desenvolvimento nacional”, permitir “a concretização dos projectos de grandes empreendimentos públicos” do Governo da RAEM e garantir “a disponibilização de reservas territoriais” para o desenvolvimento do território.

As alterações propostas pelo Executivo só vão ser tornadas públicas amanhã, e a informação divulgada ontem foi limitada. Contudo, o comunicado aponta que as alterações ao Plano Director vão ser desenvolvidas em duas vertentes. A primeira inclui as alterações para concretizar os chamados grandes projectos que incluem a “Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, o “Parque Ciên-Tec de Macau” e o “Hub de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas”.

Em relação à zona de turismo e cultura, o projecto foi alvo de consulta pública no final do ano passado e vai incluir a três projectos: o Museu Nacional da Cultura de Macau, o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.

Ciência e cargas

O Parque Ciên-Tec de Macau vai ficar localizado na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros, o plano de concepção foi adjudicado no mês passado, e vai ser um espaço para empresas tecnológicos do Interior da China se instalarem em Macau a pensar na internacionalização. Segundo a informação revelada anteriormente pelo Executivo, o objectivo é atrair empresas que operam em áreas como os circuitos integrados, biomedicina, tecnologia digital e tecnologia aeroespacial.

Já o Porto de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas vai ficar na Ilha da Montanha, e tem como objectivo facilitar as companhias que transportam cargas do Interior da China através do Aeroporto Internacional de Macau.

O comunicado do Governo foi críptico no que diz respeito à segunda vertente das alterações, limitando-se a indicar que envolvem “alterações decorrentes de outras actualizações” relacionadas com “os planos de nível superior, diplomas legais e regulamentares, avisos e despachos do Chefe do Executivo” assim como “projectos e estudos, publicados nos últimos anos”.

28 Mai 2026

Bombeiros | Saídas para incêndios sobem 15%

Dados do Corpo de Bombeiros (CB) mostram que o número de saídas para casos de incêndios aumentou, em termos anuais, 15,35 por cento, tendo-se registado, entre os meses de Janeiro e Março deste ano, 248 casos, face aos 215 casos registados em igual período do ano passado.

O CB explica que em 194 saídas não foram usadas mangueiras, sendo que “as principais causas dos incêndios deveram-se ao esquecimento de desligar os fogões, a chamas que não foram totalmente extintas, à queima de incensos e velas/papéis votivos, ao curto-circuito das instalações eléctricas e às falhas mecânicas/de equipamentos”, com um total de 166 casos. Tal representou 66,94 por cento do número total de saídas de incêndio.

No caso das saídas com ambulâncias, houve um ligeiro aumento de 0,93 por cento, com 11.515 casos a registarem-se no primeiro trimestre deste ano. Registaram-se, portanto, mais 106 casos em termos anuais, sendo que os casos gerais de socorro estiveram relacionados, na sua maioria, com episódios de tontura, dor abdominal, febre e vários tipos de ferimentos.

Destacam-se ainda, nos dados ontem divulgados, um aumento de 55,16 por cento de ocorrências de “serviços especiais”. No primeiro trimestre deste ano, registaram-se 1.775 casos face aos 1.144 casos dos primeiros três meses de 2025.

27 Mai 2026

Ébola | Autogestão de 21 dias para 12 países africanos

Pessoas vindas de 12 países africanos, incluindo Angola, vão fazer 21 dias de autogestão de saúde após chegarem a Macau, com acompanhamento dos Serviços de Saúde. Foi também reforçado o controlo sanitário e avaliação de risco de quem vem dos 12 países de risco e de quem tem passaporte destas regiões

A expressão “autogestão de saúde” voltou a entrar no léxico do Governo, desta vez devido à epidemia da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda. O Executivo de Sam Hou Fai impôs, desde ontem, um período de 21 dias de autogestão de saúde para quem chega à RAEM vindo de 12 países africanos.

A vigilância que começou por incindir sobre indivíduos vindos da República Democrática do Congo e no Uganda, onde persistem surtos de Ébola, foi alargada a mais 10 países, entre os quais Angola, considerados de “alto risco” de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde. O reforço da vigilância será alargado ao Sudão do Sul, Ruanda, Quénia, Zâmbia, República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, República do Congo (Brazzaville) e Burundi.

Logo na fronteira, “será reforçado o controlo sanitário e a avaliação de risco para os indivíduos que tenham visitado as regiões relevantes nos últimos 21 dias ou titulares de passaporte das respectivas regiões”.

A medida anunciada na noite de segunda-feira pelos Serviços de Saúde, tem como referência as “Recomendações para a Prevenção e Controlo da Doença por vírus Ébola” emitidas pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China.

Três semanas de gestão

Quem chegue a Macau com sintomas suspeitos da doença por vírus Ébola, e tenha estado nas regiões consideradas de alto-risco, será transferido de imediato para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para avaliação e exames mais aprofundados. Já os “indivíduos assintomáticos” serão sujeitos ao acompanhamento e gestão da saúde, durante 21 dias a contar do dia de entrada na RAEM, o mesmo período de incubação do vírus do Ébola.

As pessoas abrangidas pela medida terão de “proceder à observação do seu estado de saúde diariamente”, e os Serviços de Saúde vão “monitorizar e acompanhar a saúde” dos mesmos.

Se surgirem sintomas, “como febre, fadiga, dores de cabeça, dores de garganta, vómitos, diarreia ou hemorragia de causa desconhecida, devem recorrer imediatamente ao médico”. Se tiverem de se deslocar a instituições médicas por conta própria, as autoridades ressalvam que devem evitar os transportes públicos e “tomar medidas de protecção individual, evitando contactos físicos com outras pessoas”. Além disso, devem “informar, por iniciativa própria, os profissionais de saúde sobre o seu historial de viagens e eventuais contactos de risco”

“Os Serviços de Saúde salientam que, actualmente, a avaliação do risco de ameaça da doença por vírus Ébola para Macau continua a ser considerada de baixo risco, sendo o risco geral para a saúde pública controlável”.

27 Mai 2026

Cáritas Macau | Enviados 20 mil euros para ajudar Portugal e Espanha

A revelação foi feita pelo secretário-geral Paul Pun Chi Meng, que considera que apesar do montante não ser elevado é uma forma de mostrar “preocupação e solidariedade”

A Cáritas Macau doou 20 mil euros para ajudar as populações afectadas pelas tempestades que atingiram a Península Ibérica em Fevereiro, disse ontem à Lusa o secretário-geral da organização, Paul Pun Chi Meng.

Em Fevereiro, a Cáritas Macau lançou uma campanha de angariação de fundos, que decorreu durante três meses, para ajudar as vítimas da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta. Paul Pun disse que a organização enviou 10 mil euros para a Cáritas Espanha e outros 10 mil euros para a Cáritas Portugal, com quem a Cáritas Macau tem há muito uma parceria, lembrou o secretário-geral.

A organização católica foi fundada em 1951, ainda durante a administração portuguesa de Macau. “O dinheiro que recolhemos não é muito, mas mesmo assim tentamos demonstrar a nossa preocupação e solidariedade”, disse Pun. Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas. Na sequência do mau tempo, o Governo de Portugal anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Viagem a Portugal

Paul Pun visitou Portugal entre 14 e 17 de Abril, numa deslocação que já tinha sido marcada antes das tempestades, mas que permitiu ao secretário-geral da Cáritas Macau ver “enormes danos causados às infra-estruturas e às florestas”.

A passagem por Portugal permitiu também à Cáritas Portugal e à Cáritas Macau assinar um acordo para renovar a parceria iniciada em 2019 em áreas como a ajuda humanitária e a resposta a emergências, revelou o dirigente.

Mas o novo acordo acrescenta um outro ponto, a integração de pessoas em mobilidade, sublinhou Pun. “Caso um português tenha problemas em Macau, podemos colaborar com ele. No caso de os residentes de Macau enfrentarem problemas em Portugal, eles ajudam-nos”, explicou o secretário-geral.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

A Cáritas Portugal e a Cáritas Macau discutiram também como “unir recursos financeiros” para ajudar os mais desfavorecidos em outros países lusófonos, referiu Pun, que deu como exemplo as inundações que afectaram Moçambique.

27 Mai 2026

Consumo | Defendida extensão do Grande Prémio até ao fim de Agosto

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Lei Cheok Kuan, considera que o Governo deveria estender até ao fim de Agosto o Grande Prémio de Consumo. O responsável pede também a criação de promoções específicas para o Verão

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, defende que o Governo deveria prolongar a edição deste ano do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias até final de Agosto. A iniciativa arrancou em Abril e inclui a distribuição de 400 milhões de patacas em descontos por um período de dez semanas, para aumentar o consumo nos bairros com menos turismo por parte de quem tem residência de Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável afirmou que é necessário dar continuidade ao programa e responder ao potencial de consumo de residentes durante o Verão, defendendo ainda a criação de campanhas promocionais específicas só para esta época do ano.

A ideia seria criar campanhas sazonais em coordenação com comerciantes das zonas centro, Sul e Norte, a fim de impulsionar o consumo potenciado pelos subsídios atribuídos pelo Governo e pelas promoções criadas pelos comerciantes.

Celebrar o património

Em relação ao tipo de actividades a criar, Lei Cheok Kuan argumentou que podem ser implementados eventos culturais e artísticos relacionados com o património cultural e que aproveitem a zona costeira de Macau. Um dos exemplos apontados é a criação, em Junho, de actividades relacionadas com o património cultural, como exposições à noite, com guias, em locais como as Ruínas de São Paulo, Largo do Senado e Templo de A-Má, para que os turistas possam tirar fotografias.

Também para Julho, o dirigente associativo sugeriu actividades relacionadas com a gastronomia local, ligadas à revitalização do Mercado Nocturno do Pagode do Bazar e de Rua 5 de Outubro, no Porto Interior. Já em Agosto poderiam ser organizadas actividades dedicadas a produtos culturais e criativos para pais e filhos, nomeadamente feiras de artesanato e pacotes de entretenimento pensados para famílias.

Em termos de infra-estruturas de trânsito, Lei Cheok Kuan sugere que o Governo crie rotas específicas de autocarros para as zonas centro e sul, com ligação a zonas comerciais e diferentes atracções turísticas.

Lei Cheok Kuan espera que estas rotas de autocarro possam ser mais frequentes, pedindo também a criação de guias de consumo para zonas comerciais junto de hotéis e postos fronteiriços. A ideia é incentivar os comerciantes a prolongar o horário de funcionamento dos estabelecimentos em conjugação com a realização de espectáculos de rua, construindo-se, assim, um ambiente de economia e consumo à noite.

27 Mai 2026

Orçamento | Sam Hou Fai pede contenção de despesas

Nas orientações para as propostas orçamentais de 2027, o Chefe do Executivo voltou a pedir aos serviços públicos que não ultrapassem as despesas orçamentadas para este ano. Sam Hou Fai pediu prudência e razoabilidade na avaliação da necessidade de despesas

As despesas dos serviços públicos para 2027 não devem ser superiores às orçamentadas para este ano. Esta é uma das principais orientações para a elaboração de propostas orçamentais para o ano económico de 2027, de acordo com um despacho assinado por Sam Hou Fai e publicado ontem no Boletim Oficial.

O Chefe do Executivo lançou orientações semelhantes no ano passado, seguindo o caminho também já trilhado pelo Governo liderado por Ho Iat Seng.

É indicado que os “serviços e organismos que adoptam o regime de contabilidade de caixa” não devem orçamentar despesas que excedam as despesas constantes no Orçamento do ano económico de 2026. Os serviços e organismos em regime de contabilidade de acréscimo devem seguir a mesma recomendação. Porém, não é aplicável o mesmo limite das despesas relativas a “provisões para riscos diversos”, depreciações e amortizações, ao regime de aposentação e sobrevivência, “bem como às dos custos de venda de bens e de prestação de serviços”.

Com tranquilidade

Em relação às estimativas de despesas com pessoal, à semelhança das orientações anteriores, Sam Hou Fai refere que terão por referência o índice salarial dos trabalhadores da Administração Pública em vigor. Além disso, os serviços que estejam “no âmbito de controlo sobre a quota de pessoal total”, não devem exceder a sua quota.

Relativamente aos valores de funcionamento ou orçamentos privativos de serviços e organismos, caso se preveja aumentos orçamentais, as propostas devem referir a “base de cálculo do montante orçamentado das respectivas classificações económicas e aos fundamentos da variação do orçamento”.

O despacho indica também que a Direcção dos Serviços de Finanças é a entidade que define os limites máximos relativos a despesas de representação, de forma a “cumprir os princípios de poupança rigorosa e de gestão prudente das finanças”. Neste capítulo, mais uma vez, “os serviços que pretendam aumentar o orçamento vão ter de justificar a subida, indicando a base de cálculo utilizada e as razões da variação”. As propostas de orçamento têm de chegar ao gabinete do Chefe do Executivo até 8 de Outubro.

PIDDA | Taxa de execução de 20 % no primeiro trimestre

No primeiro trimestre do ano, a taxa de execução do Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) foi de 20,6 por cento, tendo sido apresentadas, pelo Governo, despesas na ordem das 3,72 mil milhões de patacas. Os dados foram noticiados pelo canal chinês da Rádio Macau e divulgados pela deputada e também presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública, Song Pek Kei.

A legisladora acrescentou que 70 dos 199 projectos não recorreram à verba prevista, num total de 10 mil milhões de patacas. Destes 70 projectos, 12 são do Instituto para os Assuntos Municipais, 11 da Universidade de Macau e nove da Direcção dos Serviços de Obras Públicas. O orçamento do PIDDA para este ano é de 18 mil milhões de patacas.

AL | Sam Hou Fai responde a perguntas dia 16 de Junho

O Chefe do Executivo vai deslocar-se à Assembleia Legislativa a 16 de Junho para responder às perguntas dos deputados, de acordo com a informação divulgada ontem. Segundo o comunicado do Gabinete de Comunicação Social, Sam vai ainda fazer “uma retrospectiva sobre a acção governativa” dos últimos seis meses, e apresentar “as prioridades de trabalho para o segundo semestre” deste ano.

O comunicado indica também que as perguntas focam áreas como “a economia, a sociedade e os assuntos ligados ao bem-estar da população”. Como parte da tradição, as perguntas são enviadas ao Executivo antes de ser feitas na Assembleia Legislativa. O comunicado do Governo considera que este tipo de interacção de resposta às perguntas tem como “objectivo de reforçar a boa comunicação a nível executivo e legislativo” e fazer com que “haja uma melhor compreensão, por parte da população, sobre os trabalhos desenvolvidos pelo Governo”.

27 Mai 2026

Glenn Mccartney, académico: “É importante avaliar continuamente o sentimento da comunidade”

O que leva a boicotes turísticos, seja de turistas que rejeitam destinos, ou populações com atitudes negativas face a visitantes? O docente da Universidade de Macau Glenn Mccartney analisou as causas destes boicotes e alerta: “É algo a que devemos estar cada vez mais conscientes em Macau, dado o grande volume de visitas”

No artigo “Tourist Boycott Decision-Making—Why Do It (Or Not)? Understanding and Responding to Tourism Boycotts” cita o trabalho de outros estudiosos sobre o boicote turístico que ocorreu em Hong Kong durante os protestos em Central. Terá sido este um ponto de viragem para o sector do turismo, deixando uma marca na região?

Os boicotes turísticos têm um efeito imediato e subsequente de longa duração. A questão reside em quanto tempo o sentimento negativo permanece, e também nas intervenções das autoridades de turismo para restaurar esse sentimento positivo – algo que vimos em boicotes anteriores, onde o número de visitantes foi restaurado. Embora o boicote deva ser evitado, naturalmente que a tarefa do destino e das autoridades turísticas é agir rapidamente, por exemplo, através de campanhas de comunicação, para evitar que qualquer sentimento negativo se enraíze.

Estará Macau preparada, em termos de gestão da comunicação, imagem e apoio ao sector, para um boicote turístico?

A questão do comportamento em torno do boicote turístico é a animosidade ou retaliação do potencial visitante. A acção tomada pode ser cancelar reservas (se for possível), mudar a viagem para outro local e partilhar opiniões nas redes sociais. Constatei que existem múltiplas razões pelas quais surgem boicotes e animosidade por parte dos turistas. O viajante pode perceber algo que aconteceu no destino como sendo antiético ou errado, e contrário à sua própria imagem, ou ser influenciado por outros, como, por exemplo, através de redes sociais. Os viajantes podem continuar a achar que ocorreram irregularidades, mas mesmo assim viajar, considerando o boicote desnecessário, pensando que são outros que estão a aderir ao boicote. [Podem ainda pensar] que o boicote poderá prejudicar comunidades que dependem do turismo, como as pequenas e médias empresas, ou que a acção terá, de qualquer forma, um impacto limitado, mas é importante ter em conta que pode continuar a existir um sentimento negativo. Avaliar a probabilidade de um boicote é válido, mas a comunicação, e especialmente o envolvimento nas redes sociais, é uma acção fundamental para mitigar consequências a longo prazo. Na verdade, a gestão da comunicação também faz parte de uma estratégia de resposta à gestão de crises no turismo. É necessário evitar comportamentos arraigados e trabalhar em intervenções como a comunicação eficaz junto desses visitantes, quer estejam, ou não, a boicotar [o destino], e também da comunidade, funcionários do turismo e hotelaria, e meios de comunicação, incluindo as redes sociais, ligadas também a questões como a imagem da cidade como destino. Dada a importância significativa do turismo para Macau, o comportamento de boicote ou qualquer tipo de animosidade em relação ao turismo de massa que gere maior atenção poderia ser tido em conta na preparação para a gestão de crises turísticas.

Tendo em conta as conclusões do seu estudo, que factores poderiam levar a um boicote a Macau como destino turístico?

Quando escrevi este estudo, analisei os boicotes turísticos a nível global, bem como as suas razões e consequências. No que diz respeito à sua questão, o foco poderia estar no sentimento dos residentes ou análise das publicações nas redes sociais partilhadas por visitantes, na sua maioria provenientes da China continental e de Hong Kong. [O potencial boicote] poderia dever-se, por exemplo, a um incidente de falha no serviço ou a uma experiência negativa que pudesse escalar em discussões nas redes sociais. Não se trata de uma acção de boicote turístico, como refiro no documento, mas sim de expressão de um sentimento negativo, que, no entanto, poderia prejudicar a imagem do destino. Esta perspectiva é particularmente importante devido à estratégia de Macau de se posicionar como Centro Mundial de Turismo e Lazer, pelo que monitorizar o sentimento dos visitantes estaria intimamente ligado à avaliação contínua e ao investimento nesta declaração de posicionamento da marca.

Pode a guerra no Médio Oriente dar origem a cenários de boicote, especialmente em regiões onde existem investimentos no turismo e no jogo? Será que Macau poderá tirar partido desta situação, e como se deve posicionar tendo em conta esse panorama?

A guerra no Médio Oriente poderá dar origem a cenários de boicote. Há quem seja afectado na região, bem como pessoas que formam opiniões ao ver televisão, programas de opinião e publicações nas redes sociais. Os boicotes podem significar que os turistas procurem ou lhes sejam apresentados destinos alternativos, e esta mudança pode ser a curto ou a longo prazo. Uma estratégia turística para Macau neste momento consiste em alargar os segmentos turísticos além da China continental e de Hong Kong. Por exemplo, houve recentemente uma delegação de alto nível a Portugal e Espanha, com o objectivo de reforçar laços turísticos. Por isso, o foco deve permanecer nestas acções de desenvolvimento turístico, como consolidar a imagem de marca da cidade de Macau nos potenciais mercados turísticos estrangeiros, desenvolver ligações de transporte, como companhias aéreas, infra-estruturas e desenvolvimento de produtos turísticos em Macau, e estratégias de marketing e promoção para viajantes de lazer e de negócios no estrangeiro, com uma perspectiva mais ampla do turismo internacional para Macau e Grande Baía.

Poderá ocorrer em Macau um boicote turístico inverso, com os locais a “boicotar” turistas, evitando-os ou adoptando atitudes menos acolhedoras?

Sim, é possível que os habitantes locais adoptem uma atitude menos acolhedora em relação ao turismo. Isso já está bem documentado em estudos sobre turismo e a atitude dos residentes. Há casos em que os residentes se sentem incomodados e irritados com o aumento do número de visitantes, especialmente quando se considera que os custos superam os benefícios. Temos assistido, nos últimos anos, a protestos em ruas e locais turísticos. Isto deve-se a grandes aumentos dos preços da habitação e rendas, à sobrelotação, que também se designa por “turismo excessivo”, e ainda à pressão sobre as infra-estruturas e o ambiente local. Penso que é algo de que devemos estar cada vez mais conscientes em Macau, dado o grande volume de visitas. Os resorts integrados no Cotai foram concebidos para grandes volumes de visitantes, pelo que o foco recairia sobre os bairros e comunidades locais. Tudo para que os benefícios económicos positivos, directos ou indirectos, sejam sentidos e superem as percepções negativas. Por isso, será importante avaliar continuamente o sentimento da comunidade, fazendo investigação sobre a economia, mas incluindo, também, as perspectivas sociais e ambientais. Isso iria proporcionar uma visão mais abrangente das atitudes dos residentes, não apenas no presente, mas também com vista a possíveis acções futuras para manter um sentimento positivo. Existem formas de as autoridades planearem, gerirem e definirem estratégias para o desenvolvimento do turismo de forma sustentável, o que implica, essencialmente, adoptar uma visão de planeamento a longo prazo e uma maior consulta à comunidade – mantendo-a informada. Ou seja, um bom canal de comunicação. Vimos isso, por exemplo, no programa de consulta pública sobre a revisão da lei do jogo de Macau em 2021. Outras acções comuns incluem, por exemplo, reuniões comunitárias abertas ao público.

Glenn Mccartney destaca a importância da capacidade de resiliência

Em “Tourist Boycott Decision-Making—Why Do It (Or Not)? Understanding and Responding to Tourism Boycotts”, Glenn Mccartney destaca a importância de perceber quando vem aí uma crise no turismo “tendo em conta a proximidade e incerteza sentidas na fase de recuperação pós-pandémica, a influência das redes sociais e maior sensibilização dos turistas, bem como a sua reacção emocional a questões globais”.

Nas conclusões do estudo lê-se que “o sentimento inicial de boicote pode ser um prenúncio de piores tempos por vir (especialmente se o que motivou o boicote persistir)”, sendo que o estudo de causas e impactos pode ajudar as autoridades a elaborar “respostas e intervenções adequadas para dissuadir acções de boicote e mitigá-lo a longo prazo”.

Torna-se, assim, fundamental analisar “quais os motivos de boicote que resultam em comportamentos de viagem mais ou menos arraigados e em que cenários”, ou ainda “acompanhar a evolução do sentimento de boicote”. Outro critério importante é “examinar a resiliência do destino durante e após o boicote”, criando-se uma “projecção de recuperação que inclua factores sociais e internos”. Essa recuperação deve ainda incluir “a cooperação entre sectores público e privado e uma resposta colectiva apoiada por dados”.

Causa e efeito

No estudo do docente da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau, destaca-se que “a animosidade e impactos variam consoante o evento que deu origem ao boicote e a resposta das autoridades”, sendo citado um estudo sobre o impacto dos protestos em Hong Kong, de 2020.

“Ao investigar boicotes turísticos por parte de turistas chineses decorrentes de animosidade política (por exemplo, o protesto Occupy Central em 2014) ou não política (por exemplo, o sequestro de um autocarro em Manila em 2010), verificou-se que os boicotes por animosidade não política exerceram impactos imediatos a curto prazo, enquanto os boicotes por animosidade política se prolongaram.”

Glenn Mccartney cita também o caso ocorrido durante o Ano Novo Chinês, no ano passado, quando a “Tailândia registou um declínio dramático no número de viajantes chineses devido a preocupações de segurança relacionadas com o rapto e posterior resgate de um actor chinês, Wang Xing”.

27 Mai 2026

Ébola | Alerta para viagens à República Democrática do Congo

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) lançou um alerta a aconselhar os residentes de Macau “para evitarem, sempre que não seja estritamente necessário, deslocar-se à República Democrática do Congo (também conhecida como Congo-Kinshasa)”.

O alerta foi justificado pelo facto de a Organização Mundial da Saúde ter classificado o surto da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda como uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, existindo a tendência de propagação do surto na República Democrática do Congo.

A entidade liderada por Helena de Senna Fernandes acrescentou que “os residentes de Macau que se encontram naquele destino devem acompanhar de perto a evolução do surto, reforçar a sua consciência de prevenção e adoptar as devidas medidas de protecção individual.

Mais de 900 casos suspeitos ou confirmados na RDCongo

Os casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) ascendem a mais de 900, incluindo 101 em que a presença do vírus foi identificada em laboratório, alertou ontem a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O director-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou as dificuldades em lidar com o surto na província de Ituri, epicentro da crise, onde uma em cada quatro pessoas necessita de assistência humanitária e uma em cada cinco é deslocada interna.

“A violência está a obrigar as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e humanitários, o que está a dificultar gravemente os esforços para alargar o rastreio de contactos do Ébola e identificar as infecções com antecedência suficiente para prestar apoio”, sublinhou.

Até à data, foram registadas 204 “mortes prováveis” devido à epidemia declarada em 15 de Maio, informou no sábado o Governo congolês. Angola, que faz fronteira com a RDCongo, está entre os 10 países africanos que correm o risco de ser afectados pelo vírus Ébola, além RDCongo e do Uganda, alertou no sábado a agência de saúde Africa CDC.

As crises de longa data no leste da RDCongo, que tornaram a região palco de um dos piores desastres humanitários do mundo, afectam a resposta ao Ébola por vários motivos. Por um lado, a região enfrenta uma ameaça constante de violência. O leste da RDCongo tem sido palco de violência por parte de dezenas de grupos rebeldes distintos há anos, alguns deles com ligações a países estrangeiros ou ao Estado Islâmico(EI).

Por outro lado, os rebeldes do grupo armado Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiados pelo Ruanda, controlam partes da região e, embora o Governo da RDCongo ainda controle em grande parte a província de Ituri, no nordeste, que é o epicentro do surto de Ébola, esse controlo é frágil.

Surtos habituais

A RDCongo é regularmente afectada por surtos e epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto directo com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

A actual epidemia corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual não existe vacina e cuja taxa de mortalidade varia entre 30 por cento e 50 por cento, segundo a OMS. O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.

Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pela epidemia actual, as directrizes de contenção assentam essencialmente no cumprimento das medidas de prevenção sanitária e na detecção rápida dos casos.

26 Mai 2026

Turismo | Mais de 14,6 milhões de visitantes em quatro meses

Mais de 14,6 milhões de pessoas visitaram Macau nos primeiros quatro meses de 2026, um registo recordista. O fluxo crescente de turistas alargou-se a Maio. Só no sábado e domingo, entraram em Macau mais de 300 mil visitantes

Macau registou a entrada de mais de 14,65 milhões de visitantes nos primeiros quatro meses do ano, mais 13,1 por cento do que em igual período em 2025, no que consiste um recorde histórico para o período em análise.

Nos quatro primeiros meses de 2026, o número de entradas de visitantes na RAEM totalizou 14.655.300, segundo os dados divulgados na sexta-feira pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), que divide a cifra em entradas de excursionistas (9.103.273) e de turistas (5.552.027), cujo crescimento foi de 20,1 e 3,3 por cento, respectivamente.

Nos quatro primeiros meses do ano, o número de entradas de visitantes internacionais foi de 1.009.892, mais 10,7 por cento, face ao período homólogo de 2025, sendo que o período médio de permanência dos visitantes (1,0 dias) diminuiu 0,1 dias, face aos quatro primeiros meses de 2025, e o dos turistas (2,2 dias) desceu 0,1 dias.

Durante o mês de Abril, especificamente, o número de entradas de visitantes foi de 3.441.396, mais 11,3 por cento, em termos anuais, um registo que composto por entradas de excursionistas (2.095.953) e de turistas (1.345.443), que aumentaram 19,4 e 0,6 por cento, respectivamente. Já o período médio de permanência dos visitantes (1,0 dias), diminuiu 0,1 dias, face a Abril de 2025, e o dos turistas (2,3 dias) manteve-se, informou a DSEC.

Quem é quem

Em termos de origens de visitantes, no mês de referência, o número de entradas de visitantes do Interior da China fixou-se em 2.405.286, mais 13,1 por cento, em termos anuais. O número de visitantes provenientes de Hong Kong (680.521) e de Taiwan (101.453) aumentaram 3,1 e 32,2 por cento no mês em análise.

As entradas de visitantes internacionais totalizaram 254.136, mais 10,5 por cento, em termos anuais, lideradas por turistas das Filipinas (51.544), Coreia do Sul (40.603) e Tailândia (29.008), com subidas de 19,6, 9,1 e 41,8 por cento, face a Abril de 2025. Em relação aos visitantes de longa distância, o número de entradas de visitantes dos Estados Unidos da América (15.299) aumentou 13,9 por cento, face a Abril do ano anterior, sublinham os serviços.

Além dos números da DSEC para os primeiros quatro meses de 2026, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou ontem que o número de travessias registadas nos postos fronteiriços (nos dois sentidos), desde o início do ano, ultrapassou 100 milhões. A marca antecipou o registo do ano passado em 14 dias, segundo a contabilidade do CPSP.

Somando os registos de sábado e domingo, as autoridades revelam que mais de 300 mil visitantes entraram em Macau nos dois dias, com destaque para sábado quando as entradas chegaram quase às 160 mil.

Turismo | Associação espera mais visitantes fora de Guangdong

Leng Sai Vai, presidente da Associação de Federação da Indústria e Comercial de Turismo de Macau, disse ao jornal Ou Mun que as autoridades devem procurar captar visitantes de alta qualidade, ou seja, de zonas mais afastadas de Guangdong, que possam permanecer e fazer compras em Macau, e não apenas buscar um maior número de turistas.

Segundo o jornal Ou Mun, o responsável citou os dados dos turistas relativos a Abril e também dos primeiros quatro meses do ano, que revelam um aumento consecutivo, argumentando que estes resultam das políticas de facilitação de visitas dos cidadãos do interior da China para Macau aprovadas pelo Governo Central.

Porém, Leng Sai Vai destacou que como a maioria dos turistas oriundos da região do delta do rio das pérolas não pretende pernoitar em Macau, fica difícil que o consumo local atinja valores mais elevados. Desta forma, o responsável acredita que o Governo deve reforçar as actividades de promoção turística em zonas mais afastadas da província de Guangdong e até noutras províncias chinesas, pois a face à distância maior, será também maior a probabilidade de os visitantes pernoitarem no território.

O dirigente associativo recordou ainda que o parque de estacionamento do Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau tem cerca de três mil vagas para turistas de Hong Kong, mas a taxa de ocupação não é alta. Assim, o Governo poderia permitir que esses lugares fossem ocupados por carros com matrícula do Interior da China para um melhor aproveitamento dos recursos públicos. Ao mesmo tempo, tal poderia levar a um aumento do consumo nos negócios localizados perto do parque.

26 Mai 2026

Portugueses | Número de imigrantes para Macau a cair

Em 2024, 14 portugueses imigraram para Macau, o número mais baixo desde o ano 2000. A informação consta do Relatório Emigração Portuguesa, elaborado pelo Observatório da Emigração

Em 2024, o número de imigrantes portugueses a mudar-se para Macau baixou para 14 e atingiu o número mais baixo desde 2000, de acordo com os dados do Relatório Emigração Portuguesa 2025, elaborado pelo Observatório da Emigração. Em relação à parte de Macau, o documento tem por base os números da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Segundo o documento, o valor de 14 imigrantes de Portugal representa uma diminuição anual de 73,6 por cento em comparação com 2023, quando chegaram ao território 53 imigrantes do país europeu.

De acordo com o relatório, primeiramente citado pelo portal Macau News Agency, para encontrar um registo pior que o do ano passado é necessário recuar a 2000, o primeiro ano depois da transferência. Nessa altura houve apenas quatro portugueses a imigrarem para Macau.

No entanto, os dados divulgados não permitem perceber se aos novos imigrantes foram concedidos bilhetes de identidade de residentes (BIR) ou cartões de trabalhador não-residente, o cartão azul.

Em termos da imigração total para Macau, o relatório indica que em 2024 houve 1.074 novos imigrantes, e os 14 portugueses representam 1,3 por cento deste universo. Neste capítulo, a percentagem de portugueses no total de imigrantes é a baixa desde que este tipo de estatística surge no relatório, em 2007. Para encontrar um valor semelhante é preciso recuar a 2009, quando houve um total de 9.489 imigrantes e em que 137 eram portugueses, o que se concretizou numa proporção de 1,4 por cento.

Pior que na covid-19

Os dados mais recentes mostram também que o número de imigrantes vindos de Portugal está abaixo mesmo dos anos da covid-19, quando os não-residentes nem podiam entrar em Macau, devido à política de zero casos. A covid prolongou-se entre 2020 e 2023 e as restrições e entrada foram sendo flexibilizadas ou apertadas de acordo com o surgimento de casos em Macau e também a situação no Interior.

Em 2020, houve 67 portugueses a imigrarem para Macau, o número baixou para 18 no ano seguinte, em 2021, e subiu para 20 em 2022. Em 2023, ano em que entraram em vigor as restrições para dificultar a obtenção de bilhete de identidade de residente pelos portugueses, houve 53 portugueses a imigrarem. Finalmente, em 2024, os dados mais recentes mostram o valor a baixar para 14.

26 Mai 2026

Combustíveis | Governo anuncia 41 milhões para gasolineiras

Na apresentação do programa que visa controlar os preços, o Executivo admitiu que os preços do gás de petróleo liquefeito e dos combustíveis subiram 60 por cento desde Março

O Governo anunciou que vai disponibilizar 41 milhões de patacas aos operadores petrolíferos locais para aliviar a subida do preço dos combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente.

As autoridades tinham já anunciado há duas semanas que colocariam à disposição das empresas comerciantes de combustíveis no território 80 milhões de patacas para ajudar a mitigar o aumento preço do diesel. O novo subsídio anunciado pelas autoridades de Macau será de 2,55 patacas por litro de GPL, e 1,5 patacas por litro de gasolina, durante dois meses, entre 26 de Maio e 25 de Julho.

Coube ao director da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Yau Yun Wah, apresentar em conferência de imprensa “o plano para efectivamente aliviar a pressão sobre custo de vida dos residentes e os custos operacionais das micro, pequenas e médias empresas, decorrentes do aumento do preço do gás de petróleo liquefeito (GPL) e da gasolina”, que se irá traduzir numa despesa de 16 milhões de patacas com o GPL e 25 milhões de patacas para controlar o preço da gasolina sem chumbo.

A previsão tem por base o consumo médio de GPL e gasolina sem chumbo registado em Macau nos últimos meses e um aumento dos preços na ordem dos 60 por cento desde Março.

“Tomando o GPL como exemplo, o preço médio de mercado no início de Março era de aproximadamente 21,37 patacas por quilograma, enquanto o preço médio actual é de 25,63 patacas, o que representa um aumento de 4,26 patacas. O subsídio cobre 60 por cento deste montante”, explicou o responsável. “O método de cálculo para o regime de subsídios à gasolina é o mesmo”, concluiu.

Registos das transacções

As cinco operadoras do território vão ficar obrigadas a manter registos completos e a apresentar relatórios quinzenais, e auditores independentes irão analisar as informações recolhidas e verificar eventuais irregularidades, como registos falsos, sublinhou a DSEDT.

As importações totais de petróleo pela Ásia, que absorvem 85 por cento dos envios de crude do Golfo, caíram a pique 30 por cento em Abril face ao ano anterior, atingindo o nível mais baixo desde Outubro de 2015, segundo dados da Kpler com base em dois meses de bloqueio do Estreito de Ormuz. O estreito foi praticamente encerrado na sequência da guerra lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e Israel em 28 de Fevereiro.

A China, o maior importador de petróleo do mundo, protegeu-se da actual crise através do recurso a fornecedores alternativos, como a Rússia, reservas estratégicas, energias alternativas e restrições à exportação de combustíveis e fertilizantes.

Segundo o director da DSEDT, os preços em Macau “seguem a plataforma de Singapura”, como acontece em toda a Ásia-Pacífico, enquanto no interior da China são determinados pela Comissão de Reforma e Desenvolvimento, que define a estratégia económica nacional e aplica limites e reduções temporárias para suavizar os impactos de picos anormais nos preços globais.

Singapura actua como principal definidora de preços de combustíveis na região da Ásia-Pacífico, por ser um importante centro regional de refinação e distribuição.

Segundo a informação oficial existem cinco operadoras petrolíferas no mercado em Macau: Total, Shell, Esso, Caltex e a companhia estatal Nam Kwong Oil, com esta última a gerir o único terminal de petróleo para fins públicos e comerciais do território.

26 Mai 2026

Aperfeiçoamento Contínuo | Auditoria aponta falhas a programa

Faltas frequentes, inexistência de registos de comparência e um docente que ministrava 26 cursos na mesma área. Estas são algumas das conclusões do relatório do Comissariado de Auditoria sobre o Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo

O Comissariado de Auditoria (CA) apurou que mais de metade dos alunos de nove instituições faltaram frequentemente às aulas, falhando a presença legalmente exigida, no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O número consta do relatório mais recente do CA, que foi divulgado na sexta-feira, e que critica a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) por falhas na fiscalização das presenças.

Segundo os moldes do programa, os alunos têm de frequentar 70 por cento das aulas de cada formação em que se inscrevem, para obterem o montante do subsídio, que pode chegar a 6 mil patacas. O subsídio é pago de acordo com o valor da formação em que os interessados se inscrevem. Mesmo sem as presenças necessárias, as inscrições são importantes porque permite que os cursos sejam realizados e subsidiados.

No entanto, em nove instituições 65,13 por cento de todos os alunos perderam sempre a caução paga, por nunca atingiram a presença exigida para receberem o subsídio. Nessas instituições, que não foram identificadas, o CA revelou que “86 cursos que não dispunham de registos relativos à restituição das cauções” e que em quatro desses cursos “não foram encontrados quaisquer comprovativos de presença dos formandos”.

Os potenciais abusos das instituições não terão ficado por aqui, dado que 302 formandos estavam “inscritos em dois ou mais cursos na mesma instituição […] sem qualquer prova de comparência”. Entre estes, 42 alunos inscriveram-se em cinco ou mais cursos na mesma instituição, também sem provas de que tenham frequentado as aulas.

No relatório o CA indica também que detectou o caso de “um único formador” que foi responsável por 29 cursos “da mesma tipologia” em nove instituições abrangidas pelo programa. “Em sete dessas instituições, o mesmo formador foi responsável por todos os cursos realizados nessas instituições, perfazendo 26 cursos no total. Verificou-se, ainda, que 18 formandos inscritos em dois cursos ministrados pelo mesmo formador e organizados por instituições diferentes sem evidência de comparência”, foi revelado.

DSEDJ criticada

Face às situações detectadas, o CA criticou a DSEDJ pelas falhas na análise dos dados recolhidos através das inspecções in loco. “A DSEDJ não realizou uma análise integrada com base nos dados disponíveis, situação que, associada à inexistência de mecanismos de alerta que permitissem a detecção atempada de irregularidades, revela fragilidades na prevenção de irregularidades e na identificação de riscos” foi considerado. “Assim, importa que a DSEDJ aproveite melhor os dados ao seu dispor e implemente uma metodologia orientada para a gestão de riscos, de modo a identificar e prevenir situações irregulares, garantindo, assim, uma aplicação mais eficaz e rigorosa do erário público afecto ao Programa”, foi acrescentado.

Em reacção ao relatório, a DSEDJ afirmou que “concorda” com as conclusões e indicou ter tomado medidas para corrigir as falhas identificadas ao nível das presenças, com as alterações introduzidas no programa a 1 de Abril. Com o novo modelo, os formandos têm de pagar os cursos logo no início, em vez de pagarem apenas uma caução, e só recebem o dinheiro do subsídio da DSEDJ depois de terem frequentado pelo menos 70 por cento das aulas.

A DSEDJ indicou também ter adoptados novos modelos de análise dos dados sobre os cursos para detectar possíveis irregularidades de forma eficaz.

26 Mai 2026

Pastelaria | Manteigaria com “tudo para singrar” em Hong Kong

Abre hoje em Hong Kong a primeira loja de pastéis de nata portugueses, um investimento da Manteigaria, marca ligada ao grupo Portugália. Fábio Pombo, director-geral da Manteigaria para a Ásia, está optimista quanto ao negócio que, no seu entender, “tem tudo para singrar”. A empresa espera abrir mais duas lojas em Hong Kong até ao fim do ano

A primeira loja de pastéis de nata portugueses em Hong Kong abre hoje, com “tudo para singrar” na região chinesa, disse à Lusa o líder da empresa. A inauguração está marcada para 2 de Junho, mas o espaço, situado na zona Central da ilha de Hong Kong, vai começar a vender pastéis uma semana antes, revelou o director-geral da Manteigaria Ásia Hong Kong, Fábio Pombo.

Após vários anos como ‘chef’ do Club Lusitano, a maior instituição da comunidade lusodescendente de Hong Kong, Pombo foi convidado pelo Grupo Portugália Restauração para lançar a Manteigaria – Fábrica de Pastéis de Nata na antiga colónia britânica.

Mas a ligação já vem de longe: “Eu vivia em Lisboa, no prédio adjacente à primeira Manteigaria, no Chiado. Quando surgiu esta oportunidade, quase que nem pensei duas vezes”. “Fiquei logo muito motivado e entusiasmado para abraçar esta oportunidade, porque é a primeira vez que uma empresa portuguesa e com um produto português se tenta estabelecer a este nível em Hong Kong”, explicou Pombo.

A região vizinha “já é um sítio que adora, idolatra” as tartes de estilo britânico, mas o empresário tem confiança que os pastéis de nata podem ganhar um espaço num “mercado muito competitivo”.

Por um lado, a massa “tem uma tradição já centenária”, que “dificilmente alguém consegue recriar”, até porque exige uma técnica que “não é fácil de dominar” e requer “muita prática e repetição”. Aliás, parte da equipa de 12 pessoas que irá arrancar com o espaço em Hong Kong “está a ser treinada” nas lojas da Manteigaria de Macau, acrescentou o empresário. Além disso, ao contrário de parte da pastelaria vendida em Hong Kong, que “não é feita fresca”, os pastéis de nata serão feitos na própria loja: “A cada meia hora está a sair uma fornada”.

“Acho que têm muito potencial para ser um sucesso em Hong Kong”, acrescentou Pombo, que escolheu seguir a receita já testada em Macau, com uma redução para metade do açúcar. “Pela minha experiência como ‘chef’ de cozinha aqui, o maior elogio que os cantoneses podem fazer a uma sobremesa é ‘isto não é muito doce'”, explicou Pombo.

Original e autêntico

A Manteigaria gastou cerca de quatro milhões de dólares de Hong Kong para abrir um espaço em “uma das cidades mais caras do mundo”, revelou o empresário, investimento que a empresa espera recuperar em dois anos. Pombo sublinhou que a primeira loja, situada “no centro do centro” de uma cidade com sete milhões de habitantes, pretende atrair tantos turistas como os chineses e estrangeiros que trabalham nos “muitos escritórios” à volta.

Mas o ‘chef’ já está “no terreno há meses” à procura de locais para abrir duas outras lojas até ao fim do ano, tendo como alvos Wanchai ou Causeway Bay, também na ilha de Hong Kong, e Tsim Sha Tsui, em Kowloon, ambas populares zonas turísticas.

De acordo com dados oficiais, Hong Kong recebeu 49,9 milhões de visitantes em 2025, mais 12 por cento do que no ano anterior. “Vai ser a primeira vez que muitos destes turistas, principalmente turistas asiáticos, vão poder experimentar um pastel de nata como ele é feito em Portugal. Ou seja, o pastel de nata original e autêntico”, disse Pombo.

Em Fevereiro, o sócio-gerente do Grupo Portugália Restauração em Macau, Diogo Vieira, disse à Lusa que, depois de Hong Kong, o “projecto de expansão” da Manteigaria irá espreitar “os outros mercados circundantes”, incluindo a China continental, Coreia do Sul, Singapura e Tailândia.

Fábio Pombo acredita que Hong Kong pode ser importante para testar a resposta de vários mercados asiáticos ao pastel de nata “e isso vai facilitar também o saltar para outras geografias”.

Comparando com o croissant francês, o ‘chef’ disse acreditar que o pastel de nata pode, “se calhar, daqui a 10 anos, 20 anos, tornar-se uma referência mundial da identidade portuguesa, tanto ou mais do que o Cristiano Ronaldo”.

26 Mai 2026

Diplomacia | Xi poderá visitar Pyogyang nas próximas semanas

A possível deslocação de Xi Jinping à Coreia do Norte foi adiantada por Seul que, caso a viagem se confirme, pede ao Presidente chinês que contribua para a estabilidade na península coreana

O Presidente da China, Xi Jinping, estará a programar visitar a Coreia do Norte nas próximas semanas, após a recente visita do chefe da diplomacia chinesa a Pyongyang, segundo fontes governamentais citadas pela agência de notícias estatal sul-coreana.

Neste sentido, Seul pediu ontem a Pequim que contribua para a estabilidade na península. “Obtivemos informações que indicam que o Presidente Xi Jinping visitará a Coreia do Norte em breve”, declarou uma fonte governamental sul-coreana não identificada, citada na quarta-feira à noite pela Yonhap.

Uma segunda fonte oficial citada pela agência sul-coreana indicou que a visita poderá ocorrer no final deste mês ou no início do próximo, tendo sido preparada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que visitou a Coreia do Norte em Abril passado, e após as recentes viagens dos guarda-costas e do pessoal cerimonial de Xi à capital norte-coreana.

“O Governo está a acompanhar de perto os movimentos relacionados” com a possível viagem de Xi para se reunir com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmou o gabinete presidencial à agência de notícias EFE, antes de acrescentar que espera que os intercâmbios entre Pyongyang e Pequim “se realizem de forma a contribuir para a paz e a estabilidade na península coreana”.

Já o ministro da Unificação sul-coreano, Chung Dong-young, afirmou, ainda de acordo com a Yonhap, estar “à espera” de um anúncio oficial de Pequim relativamente à visita, expressando a expectativa de que Xi e Kim abordem uma possível cimeira entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, caso se encontrem.

Vizinhos sintonizados

A China é o parceiro mais importante da Coreia do Norte, e Kim reuniu-se com Xi em Setembro do ano passado em Pequim. Os líderes reafirmaram então os laços, num encontro interpretado como uma tentativa de restabelecer a sintonia entre Pyongyang e Pequim, no contexto da crescente cooperação militar norte-coreana com Moscovo na guerra na Ucrânia.

As expectativas de uma viagem de Xi a Pyonyang, que, a confirmar-se, será a segunda visita como presidente após a visita realizada em 2019, surgem na sequência do recente encontro do líder chinês com os homólogos norte-americano, Donald Trump, e russo, Vladimir Putin.

Trump e Xi confirmaram, durante a cimeira em Pequim, na semana passada, o objectivo comum de desnuclearizar a Coreia do Norte. Além disso, o republicano afirmou ter mantido a comunicação com Kim Jong-un, sem detalhar esses supostos contactos.

22 Mai 2026

Junkets | Queixas da concorrência desleal de massas “premium”

Apesar do aumento das receitas dos junkets, o presidente da Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau queixa-se de concorrência desleal e injustiça fiscal. U Io Hung destaca a forma como o segmento de massas premium é operado, incluindo com a concessão de empréstimos

Nos primeiros três meses de 2026, o bacará VIP gerou receitas de 19,8 mil milhões de patacas, segundo dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, resultado que significou uma subida homóloga de 35 por cento.

Apesar da evolução, o presidente da Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau, U Io Hung, queixa-se de concorrência desleal das concessionárias, mais especificamente na forma como operam o segmento massas premium.

Em declarações ao jornal Ming Pao, o dirigente associativo salientou que as concessionárias começaram a emitir notas de crédito para grandes apostadores (markers), comportamento semelhante ao praticado pelos junkets, e um dos motivos que as autoridades terão usado para justificar o aperto ao jogo VIP.

Além destes créditos, U Io Hung argumenta que a obrigatoriedade de pagar 5 por cento de imposto sobre as comissões pagas a promotores de jogo coloca o sector numa situação de desvantagem, uma vez que os créditos concedidos pelas concessionárias a jogadores premium não estão sujeitos a taxação.

Lugar ao sol

O representante dos promotores de jogo revelou também que irá tentar que seja concedido ao sector isenções fiscais que estão previstas na legislação. A lei que regula a exploração de jogo em Macau prevê a possibilidade de o Chefe do Executivo isentar parcialmente o pagamento do imposto sobre as comissões por um período não superior a cinco anos, desde que não exceda 40 por cento do valor a pagar.

Para lá das operações, U Io Hung indicou que a criminalização das trocas de dinheiro para jogar modificou o ambiente nas imediações das áreas de jogo, aumentando a violência dos delitos. O dirigente indicou ao Ming Pao que a indústria do jogo passou a ser afectada por outros crimes, como roubos através de transferências bancárias forçadas, usura e burlas. Uma evolução que, na sua óptica, deve ser endereçada pelas autoridades.

O sector do jogo VIP tem sofrido grandes impactos desde a campanha que culminou na condenação de director executivo da Suncity Alvin Chau, altura em que as licenças de promotores de jogo em Macau caíram de 85 para 18. De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem recuperado e atingiu 31 no final de Março deste ano. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50.

22 Mai 2026

Inquérito | Residentes crêem precisar de 6,6 milhões na reforma

Os residentes aspiram reformar-se aos 62 anos de idade, e acreditam precisarem de 6,6 milhões de patacas para o resto da vida. Um inquérito encomendado pela seguradora FWD mostra que a maioria dos residentes está pressionada face ao ritmo de crescimento das suas poupanças

Os residentes de Macau têm a expectativa de se reformar aos 62 anos e acreditam que com 6,6 milhões de patacas em poupanças podem enfrentar a vida pós-trabalho. A conclusão consta de um inquérito apresentado pela seguradora FWD, sobre os planos de reforma dos residentes da RAEM e de Hong Kong.

Segundo o inquérito, citado pelo portal Macau News Agency, 64 por cento dos 1.008 residentes de Macau e Hong Kong inquiridos afirmou sentir-se “ansioso, preocupado ou a tentar lidar com” o estado das suas finanças pessoais.

As respostas mostram um sentimento generalizado de inquietação em relação às poupanças. O inquérito foi encomendado pela seguradora a uma empresa de estudos com os inquiridos a situarem-se numa faixa etária entre os 21 e os 65 anos.

Entre aqueles que reconheceram estar sob pressão financeira, 58 por cento apontaram como principal causa da preocupação o aumento continuo do custo de vida. Ao mesmo tempo, 48 por cento indicaram estar preocupados com o custo da saúde e 47 por cento reconheceu estar a ter problemas para lidar com o facto de não conseguir poupar dinheiro suficiente para ter uma reforma “confortável”.

Apesar do montante indicado de 6,6 milhões de patacas, os responsáveis apontam que pode haver uma discrepância entre o dinheiro indicado e os gastos reais. “Num contexto de inflação crescente e em que há um aumento das despesas com cuidados de saúde, surge uma situação potencial para se verificar uma discrepância entre as poupanças para a reforma previstas pelo público e as suas necessidades reais de poupança”, afirmou Ken Lau, director-geral da FWD para a Grande China e director executivo em Hong Kong, num comunicado. “Este risco de longevidade não deve ser ignorado”, alertou.

Jovens preocupados

Os resultados mostram também que os jovens adultos são cada vez mais exigentes quanto ao dinheiro que consideram ser necessário para a vivência pós-profissional. Os inquiridos com idades entre os 21 e 29 anos afirmaram terem planos para se reformarem aos 60 anos e necessitarem de cerca de 7,8 milhões de patacas para a reforma. A média quando são considerados todos os inquiridos é mais baixa, e fixa-se nos 6,6 milhões de patacas.

Ao mesmo tempo, os residentes com idades entre os 30 e 44 anos admitem terem problemas para conseguirem lidar com o facto de terem de contribuir ao mesmo tempo para as despesas com os pais e os filhos. Cerca de 71 por cento afirmaram abdicarem das suas poupanças pessoais, para cuidar da família.

Ao mesmo tempo, 57 por cento das pessoas com idades entre os 30 e 44 anos confessou que gasta mensalmente pelo menos 20 por cento do orçamento para pagar despesas com os pais e os filhos. Já as pessoas com idades entre 45 e 62 anos, 62 por cento afirmaram estarem preocupados com o facto de as suas poupanças não estarem a crescer ao ritmo necessário para cobrir as despesas da reforma.

22 Mai 2026

Turismo | Andy Wu dá voto de confiança ao novo plano quinquenal

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, considera viável o objectivo do 3º Plano Quinquenal que prevê um crescimento de 5 por cento ao ano do número de turistas internacionais

A Associação de Indústria Turística de Macau acredita que os objectivos do novo Plano Quinquenal do Governo ao nível do turismo são “viáveis”. A posição sobre o plano para os anos entre 2026 e 2030 foi tomada pelo presidente da associação, Andy Wu Keng Kuong, em declarações ao jornal Ou Mun.

O documento que foi colocado em consulta pública na terça-feira estabelece como metas para o turismo um crescimento anual de cinco por cento do número de turistas internacionais até 2030 e a “expansão das fontes internacionais de turismo”. Em termos de metas qualitativas, o documento contempla objectivos menos mesuráveis como a “melhoria da qualidade do desenvolvimento do turismo”. Ainda assim, na perspectiva do presidente da associação, as metas são “pragmáticas” e “viáveis” e existe confiança na indústria que vai ser possível aumentar o número de turistas internacionais.

Andy Wu explicou que as previsões do Governo para este ano apontam que Macau deverá receber cerca de 3 milhões de turistas internacionais, o nível de 2019, antes da pandemia da covid-19, que levou o Executivo a impor forte restrições de entrada no território. Em 2025, o número de turistas internacionais foi de 2,75 milhões, cerca de 90 por cento dos níveis de 2019.

Face a esta evolução, o dirigente associativo explicou que a tendência actual é “encorajadora”, mesmo se alguns mercados internacionais mais tradicionais, como a Coreia do Sul e o Japão, tenham apresentado uma recuperação mais lenta. A retoma nestes mercados foi justificada com “o ambiente económico internacional”. No entanto, Andy Wu apontou que o número de turistas de outros destinos, como a Rússia, Filipinas e outros países do Sudeste Asiático têm compensado o menor crescimento dos mercados tradicionais.

Desafios por ultrapassar

No entanto, para alcançar os resultados, Andy Wu defende o reforço da cooperação do Governo com companhias aéreas internacionais e resolver o problema da falta de voos para Macau. Wu explicou que a falta de voos directos de destinos internacionais para Macau continua a ser um problema crónico, sem resolução, principalmente ao nível dos voos com longa duração. Para o presidente da associação, esta é mesmo a principal fragilidade ao nível do turismo.

O dirigente associativo demonstrou ainda apoio à nova estratégia do Executivo de tentar melhorar as ligações com os grandes centros de aviação do Interior da China, como Xangai ou Pequim, para atrair visitantes que utilizam esses aeroportos para viajar para Macau. Como parte desta estratégia, Wu apontou que se podem atrair mais turistas da Rússia para Macau.

22 Mai 2026

Tabagismo | Macau inspira campanha em Hengqin

A experiência de Macau no combate ao tabagismo deve servir de modelo para a Grande Baía, segundos as autoridades de Hengqin. Inspirado nas políticas da RAEM, o Executivo da Zona de Cooperação lançou uma campanha para sensibilizar a população para os perigos do tabaco

Em jeito de celebração do Dia Mundial Sem Tabaco, que se celebra a 31 de Maio, o Executivo da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin lançou uma campanha de sensibilização sobre os malefícios do tabaco inspirada nas políticas de Macau. “Construir em Conjunto uma Hengqin sem Fumo” arrancou na quarta-feira e irá estender-se até 19 de Junho, com sessões informativas sobre os malefícios do consumo de tabaco em escolas e zonas comunitárias. A campanha irá também incluir palestras e a instalação de “estações para consulta e redução de danos” para fumadores.

A Direcção dos Serviços de Assuntos de Subsistência de Hengqin indicou que cerca de 30 estabelecimentos assumiram compromissos para converterem os seus espaços em zonas livres de fumo. Importa referir que o consumo de tabaco no Interior da China é prevalente, incluindo em Zhuhai, sendo normal uma casa de banho pública aparentar o ambiente de uma sala de fumo.

As autoridades de Hengqin indicaram também que vão apresentar as medidas mais recentes implementadas em Macau, mas também trabalhos que ganharam na última década concursos de pintura para promover entre os jovens de Macau uma vida “Sem Fumo e Sem Álcool”.

Pérola na Baía

Na sessão de apresentação da campanha, Fong Fong Tan, directora dos Serviços de Assuntos de Subsistência de Hengqin, afirmou que a Grande Baía irá aprender com as “experiências avançadas” de Macau no controlo do tabagismo. Com essa inspiração, a também directora da Comissão Nacional de Campanhas Patrióticas de Saúde garantiu que irá realizar “campanhas publicitárias de controlo do tabagismo, assim como informar fumadores para a obrigação de respeitarem as proibições de fumar em locais públicos e convencê-los a deixarem de fumar o mais rapidamente possível”.

Recentemente, o Governo da RAEM lançou um programa-piloto para zonas na via pública nas imediações do Parque do Dr. Carlos d’Assumpção, no NAPE, em que é proibido fumar, excepto numa cabine.

Além disso, no ano passado, as infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram mais de um quarto, 27,9 por cento, com quase todas as irregularidades associadas ao tabaco. A esmagadora maioria das violações da lei foi cometida por fumadores, com 5.008 casos, mais 1.064 face a 2024, um aumento de 27 por cento, o que significa uma média diária superior a 15 multas por dia.

22 Mai 2026

Diogo Lopes Teixeira, arquitecto e professor na USJ: “Estamos a aquecer as nossas cidades”

Arquitecto, co-fundador do atelier “Hori-zonte”, no Porto, e professor convidado na Universidade de São José, Diogo Lopes Teixeira foi considerado um dos melhores arquitectos europeus com menos de 40 anos nos “Europe 40 Under 40”. Em entrevista, chama a atenção para a importância do bambu e alerta para o excesso do ar condicionado

Qual o significado deste prémio para a sua carreira?

O prémio parte de candidatura feita em definição com os meus dois sócios. É, obviamente, importante, porque traz sempre motivação e confirma um bocadinho daquilo que estamos a tentar fazer com a nossa profissão, mais especificamente nós, como arquitectos mais ligados à área da sustentabilidade. O reconhecimento do trabalho que temos feito dá-nos motivação para continuar, para o fazer ainda melhor. É um privilégio ser reconhecido num grupo restrito de 40 arquitectos na Europa que têm feito um trabalho ligado à inovação e a alguns projectos de sustentabilidade. Mas nós damos aulas ou estamos ligados a algumas universidades, como a Universidade de São José (USJ) de Macau. Portanto, vestimos sempre a camisola em equipa, ainda que haja alguns momentos individuais.

Como tem corrido a experiência de docência na USJ?

Somos professores convidados. O primeiro contacto foi em 2024 através do professor Filipe Afonso, que é nosso colega e amigo. Tem sido uma boa experiência, e no meu caso acompanhei alunos no processo de desenhar e concorrer a um concurso que costumam fazer para desenhar um pavilhão em bambu, explorando [a utilização] de software e tecnologia. Foi um concurso aberto não apenas a pessoas de Macau, Hong Kong ou China, mas de todo o Sudeste Asiático, e o projecto ganhou.

Em termos de formação em arquitectura, os cursos são relativamente recentes. Como olha para o panorama do ensino de arquitectura no território?

A nossa experiência é muito recente, mas o que posso dizer é que, obviamente, é importante que os habitantes de Macau, que vivem a cidade todos os dias, consigam ter uma palavra sobre o seu desenvolvimento, seja num plano mais público, ao nível de infraestruturas e do urbanismo, mas também no desenho dos próprios edifícios e espaços interiores onde habitam. Nós, como escritório de arquitectura focado na sustentabilidade e no reconhecimento do local, achamos que a parte de identidade é muito importante. É preciso entender o local onde vivemos, e este tem muito a ver com o clima, os materiais disponíveis, os tipos de vida. Portanto, eles próprios são os melhores agentes da transformação da cidade. Existe uma série de talentos e arquitectos que podem ter uma palavra a dizer na transformação das cidades.

O seu trabalho foca-se na ideia da arquitectura sustentável. Como encara o uso do bambu, a sua preservação e papel em termos de sustentabilidade?

Quando comparamos com a Europa a maioria das estruturas e andaimes são feitos em bambu, e é algo que, para nós, não é concebível, porque estamos habituados às estruturas metálicas que ocupam a paisagem das cidades durante os anos em que os edifícios estão em construção. É uma pena que os andaimes em bambu não possam ser usados como uma estrutura permanente. Por exemplo, se tivermos de formular a imagem de um edifício, e se vai ser construído o andaime em bambu, porque não pensar numa forma em que este possa servir de base para, por exemplo, as varandas do edifício no futuro, ou como parte integrante da estrutura. Da nossa experiência, com o densificar das cidades e a necessidade de construir mais em altura, tecnologias e instrumentos como o bambu não são os mais apropriados, ou passam a ficar um bocado em desuso. Há também menos pessoas especializadas para o fazer. As universidades, e estes concursos, são importantes para sensibilizar as pessoas de que existe aqui um material que faz parte de uma cultura e que poderá ser introduzido, se calhar não em edifícios com grande altura e escala, mas noutros projectos.

É cada vez mais importante a arquitetura sustentável? Ainda estamos longe dos padrões ideais?

Sim, tendo em conta o objectivo que achamos que deveria existir num sector muito poluente. O sector da construção contribui cerca de 40 por cento para a emissão de gases e efeitos de estufa para atmosfera, e devia tentar olhar para aquilo que constrói uma pegada neutra, que deve ser dividida em dois parâmetros. Um deles é a energia, no sentido em que devemos pensar que os nossos edifícios são energicamente neutros e produzem energia suficiente para as necessidades em termos de manutenção, evitando-se gastos energéticos muito grandes. [Falo também] nas escolhas de sistemas de construção e materiais, que devem ser o mais neutros possível. Obviamente que o mercado não está 100 por cento preparado para isso, devendo existir legislação e apoios, ou incentivos fiscais.

Como estes apoios podiam ajudar, na prática?

No sentido em que novos materiais de base natural poderiam vir ao de cima e ser mais recorrentes no mercado. Isso ainda não acontece e há um caminho grande a fazer, porque é preciso perceber o que existe neste momento no nosso parque edificado. Há um comparativo engraçado entre a cidade de Lisboa, onde muitos edifícios não são dotados de isolamento ou de boas janelas e não têm sistemas de climatização, então há muitos ares condicionados espalhados no exterior do edifício. Esta imagem é ainda mais presente em Macau. É importante perceber que estes sistemas e as renovações que são feitas aos edifícios são prejudiciais também para o exterior.

Em que sentido?

Se colocarmos máquinas exteriores que não são bem dimensionadas ou bem feitas, ou se o projecto não for bem feito, estamos a aquecer ar exterior, ou seja, a retirar ar quente do interior das habitações e a colocá-lo no exterior. Estamos a aquecer as nossas cidades, e depois se precisamos de ir buscar ar fresco ao exterior, ele está mais quente do que deveria estar, além da poluição que já existe. Em Macau, e em muitas áreas da China, essa é uma imagem recorrente, vemos edifícios completamente cheios de máquinas de ar condicionado, e as temperaturas, bem como os níveis de humidade, são muito altos nestas localizações.

Desenvolveu dois projectos na China, um deles o “Park Greenhouse Garden”, em Xangai, e o “Taiyuan Botanical Garden”, onde decerto terá desenvolvido a ideia da arquitectura mais amiga do ambiente? Teve margem para explorar novas coisas nesta área?

Há princípios adoptados que são muito importantes e destaco dois. Houve a intenção de desenhar um edifício que fosse menos dependente de infra-estruturas exteriores e que pudesse produzir o máximo de energia possível. Portanto, é um edifício com muitos painéis solares e que consegue produzir muita energia para a sua manutenção. São projectos interessantes. Não é algo comum hoje em dia na Europa, mas são, praticamente, museus de plantas que criam atmosferas diferentes. Há um espaço dedicado a plantas suculentas, com um clima mais árido, tipo deserto, e temos um pavilhão com esse tipo de ecologia. Temos depois um pavilhão mais tropical, que já implica ter a vegetação do Sudeste Asiático, e aí conseguiu-se que o edifício fosse bastante neutro nesse aspecto. A outra questão é o facto de se situar numa zona onde foi a Expo de Xangai, muito central da cidade, mas desabitada, com muitos edifícios devolutos. Assim, este edifício [Park Greenhouse Garden] surge numa infra-estrutura existente que foi reaproveitada para introduzir um novo programa. Há esta ideia de circularidade, de aproveitar algo que estava lá, mas que não tinha função, para se adaptar e receber pessoas. Ao mesmo tempo, acompanhou-se a recriação de um parque urbano na zona. Estes dois fenómenos aproximam-se muito daquilo que gostamos de fazer, ou do que achamos que pode ser um projecto mais sustentável.

Arquitectura é mais do que construir para habitar, é preciso também ter sensibilidade para o fazer. Como define a sua profissão?

A arquitectura é o palco de muitas actividades humanas, sejam elas vividas no exterior, nas cidades. Neste aspecto, a arquitectura e o urbanismo andam de mãos dadas. Mas é também palco de muitos fenómenos importantes para a vida das outras pessoas. Portanto, a arquitectura está por todo o lado e acolhe outras dinâmicas e outras funções da vida humana com o desenho dos espaços, sejam eles museológicos, parques, zonas de conforto das pessoas com a introdução de vegetação, onde estas se sintam confortáveis, ou mesmo os próprios edifícios de habitação. Para nós, é importante sentir que temos responsabilidade de desenhar algo para as pessoas utilizarem, onde se possam sentir confortáveis, apelando ao seu bem-estar e conforto quando usam os espaços. Ao mesmo tempo, podermos também balancear isto com o conforto do nosso planeta e com os recursos limitados.

Foi fácil projectar na China? Ou foi desafiante lidar com esse mercado?

O projecto de Xangai fez parte de uma prática profissional anterior minha, quando estava num escritório de arquitectura na Áustria. Existe uma barreira cultural que é preciso compreender e também de comunicação.

Para o prémio “Europe 40 Under 40” concorreu com três projectos, o “Eco Retreat Yuma”, em Setúbal; o “Dome Next Door”, na Letónia; e “Historical Palace Office”, no Porto. Que ligações têm entre si?

São três projectos muito diferentes e que contam histórias diferentes, mas com um propósito comum. O projecto na Letónia é feito em parceria com outras pessoas que são muito próximas. A possibilidade de projectar num território que é património da UNESCO, como é Praça da Catedral de Riga, é muito interessante, porque nos permitiu utilizar materiais locais e ter uma estrutura em madeira, um material mais sustentável. [O projecto foi pensado para] ser palco de actividades que trouxesse de novo as pessoas para o centro da cidade. O centro histórico de Riga é muito bonito, mas pouco habitado pelos habitantes da cidade, sendo muito mais turístico. Criar este parque recreativo, onde as pessoas se possam encontrar, usufruir dele e ter momentos de encontro na sua própria cidade é muito importante. Tentámos recriar muito da arquitectura e património existentes através das formas geométricas dos arcos e com materiais locais. No Porto fizemos a reabilitação de um edifício, e as reabilitações enquadram-se bem na nossa filosofia. Houve um cuidado muito grande para tentar preservar e recuperar parte dos materiais existentes e dar nova vida a um edifício que estava sem função, e que tem também a integração com uma zona verde, introduzindo meios de biodiversidade. Utilizámos materiais locais e com uma baixa pegada [ecológica], como a ardósia, o que se alinha muito com os nossos pressupostos. Depois, o projecto em Setúbal é de turismo ecológico, feito num lugar muito específico e bonito. Houve bastante cuidado na maneira como intervimos no local, tentando ter o mínimo de impacto, com uma construção feita em fábrica, que chegou ao local e que foi pousada. Foi também planeada através de uma leitura muito presente do ambiente e do clima. A forma como se constrói nesta área, podendo-se construir num ambiente em que se respeita a paisagem natural existente, é quase como se o edifício desaparecesse no meio da paisagem.

22 Mai 2026