San Wa Ou | Lusodescendentes são “membros importantes” do país

Um jornal de Macau declarou num editorial sobre a nova lei de “unidade étnica” que os lusodescendentes do território vão continuar a ser “membros importantes da família diversa e unificada da nação chinesa”.

A Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnicos foi aprovada este mês em Pequim pela Assembleia Popular Nacional, principal órgão legislativo chinês, e visa promover “um sentido mais forte de comunidade entre todos os grupos étnicos da nação chinesa”, refere-se na publicação do jornal em língua chinesa San Wa Ou.

A legislação estabelece que a unidade étnica deve ser promovida por todos os órgãos governamentais e empresas privadas, incluindo governos locais e organizações afiliadas ao Estado. O país tem 56 grupos étnicos, mas a maioria da população é de etnia ‘han’, com as restantes minorias a representar cerca de 8,9 por cento da população.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

Papel de relevo

No editorial publicado ontem, o San Wa Ou de Macau sublinha o papel dos residentes lusodescendentes – comummente chamados de macaenses – na aplicação da legislação e na integração plena na comunidade nacional chinesa.

“Os lusodescendentes representam cerca de 2,5 por cento da população de Macau, sendo descendentes de casamentos entre portugueses e chineses ou famílias portuguesas radicadas há gerações no território”, aponta-se no editorial assinado pelo director e editor do jornal, Lam Chong.

Segundo Lam, após a transferência de soberania, em 1999, a Lei Básica da RAEM consagrou a proteção dos interesses, costumes e tradições culturais dos lusodescendentes, reconhecendo-os como parte integrante da sociedade local. “Embora não sejam formalmente classificados entre as 56 etnias da China, a nova lei enquadra-os no princípio da ‘diversidade na unidade’, valorizando o seu papel histórico como ponte entre culturas e a sua contribuição para a prosperidade e estabilidade de Macau”, descreveu.

No editorial citam-se exemplos de participação política, como o advogado e antigo deputado Leonel Alves, que, após adquirir cidadania chinesa, se tornou “o primeiro macaense de origem portuguesa a integrar o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC)”, contribuindo com propostas para o desenvolvimento nacional e de Macau.

Na vertente cultural, destaca-se no editorial a acção de Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, que “tem promovido activamente o intercâmbio cultural entre Macau e os países de língua portuguesa”, reforçando o papel da cultura macaense como elo de ligação entre a China e o espaço lusófono.

Vantagens de cá

No jornal sublinha-se ainda que o Governo local “aproveita as vantagens únicas dos residentes lusodescendentes, oferecendo-lhes amplas oportunidades de desenvolvimento e permitindo que partilhem os frutos do progresso de Macau e do país”.

No plano económico, o editorial incentiva a usar “a vantagem bilingue e o conhecimento dos países de língua portuguesa” através de entidades comerciais e políticas, ajudando Macau a afirmar-se como “super elo de ligação” na cooperação entre a China e lusofonia.

Conclui-se ainda que, sob a orientação da nova lei étnica, os lusodescendentes de Macau “continuarão a ser membros importantes da família diversa e unificada da nação chinesa, trabalhando em conjunto com todos os cidadãos chineses para escrever um novo capítulo de unidade e progresso nacional e contribuir para a grande revitalização da nação chinesa”.

26 Mar 2026

Escolas | PJ alerta para crimes sexuais entre adolescentes

A Polícia Judiciária enviou uma carta para escolas, pais e estudantes a alertar para a possibilidade de punição penal para adolescentes que tenham relações sexuais, mesmo com consentimento e numa relação de namoro. As autoridades acrescentaram ainda conselhos sobre a educação sexual de jovens

A Polícia Judiciária (PJ) enviou um comunicado a escolas, encarregados de educação e estudantes a alertar para a possibilidade de prática de crime em relações sexuais entre adolescentes, mesmo que o sexo seja consentido e entre namorados, como foi noticiado pelo Canal Macau da TDM.

A missiva, enviada através da “Rede de Comunicação com as Escolas”, um mecanismo que ligação entre as autoridades policiais e estabelecimentos de ensino, começa por relatar que a PJ “recebeu a comunicação de um caso envolvendo estudantes menores de idade que, sendo namorados, mantiveram relações sexuais”. A polícia acrescenta que “foi instaurado de imediato o processo e adoptadas as medidas de intervenção”, sem especificar exactamente o que aconteceu.

As autoridades policiais chegaram ao ponto de tecer considerações e dar conselhos sobre sexualidade entre jovens, reconhecendo apenas a heterossexualidade.

“É normal que os jovens, durante a adolescência, sintam curiosidade pelo sexo oposto. Contudo, devido à insuficiente consciência de auto-protecção, à falta de conhecimento correcto sobre as relações de género ou à existência de eventuais mal-entendidos quanto às disposições legais, podem facilmente incorrer comportamentos que ultrapassem limites e até constituem crime, causando impacto para toda a vida.” O comunicado da PJ, foi enviado em chinês no dia 27 de Fevereiro e em português no dia 3 de Março.

Elogio ao fetichismo

A PJ cita artigos do código penal sobre abuso sexual de crianças, estupro e acto sexual com menores, apontando para a gravidade dos crimes e as suas consequências legais.

As autoridades apelam ainda às escolas e aos pais para “acompanharem de perto o quotidiano dos jovens, prestando atenção às suas relações de amizade, transmitindo-lhes desde cedo conceitos correctos sobre as relações de género e conhecimentos adequados na esfera sexual.

Com a ideia de construir um ambiente de crescimento seguro e saudável para os jovens, a PJ vinca a importância de lhes proporcionar cuidados e orientações, lembrando que caso sejam vítimas devem procurar ajuda o mais rapidamente possível juntos dos pais, professores, agentes de aconselhamento ou da polícia.

A PJ termina a missiva a pedir informações sobre a vida sexual dos jovens, apelando aos pais e escolas a contactarem a Secção de Acompanhamento de Menores da PJ “se tiverem informações sobre crimes”, que como ficou especificado podem incluir actos sexuais consentidos entre namorados.

26 Mar 2026

Macau Legend | Fecho de casino-satélite leva a perdas de 1,57 mil milhões

A Macau Legend teve um prejuízo de 1,57 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2025, devido ao encerramento do último ‘casino-satélite’ da operadora, o Legend Palace. A empresa reservou mais de 70 milhões de dólares de Hong Kong para compensações a funcionários despedidos

A Macau Legend disse na terça-feira à noite que o prejuízo – o maior desde 2020, no pico da pandemia de covid-19 – se deve sobretudo a uma queda do valor contabilístico do empreendimento Doca dos Pescadores.

Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a Macau Legend Development justifica a diminuição de 1,18 mil milhões de dólares de Hong Kong com o encerramento, em 12 de Novembro, do ‘casino-satélite’ Legend Palace. A Macau Legend referiu ainda ter reservado cerca de 71 milhões de dólares de Hong Kong para o pagamento de compensações a funcionários despedidos do casino Legend Palace.

A empresa sublinhou que a previsão para o prejuízo de 2025 foi feita “com base numa análise preliminar das demonstrações de gestão consolidadas não auditadas”. Os resultados oficiais da Macau Legend serão divulgados em 31 de Março. No final de Agosto de 2025, a operadora admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em actividade” devido a dívidas totais de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Além-mar

Em 17 de Janeiro passado, o Governo de Cabo Verde tomou posse dos bens e edifício do hotel-casino que a empresa começou a construir na capital Praia, mas abandonou há anos. Três dias depois, a Macau Legend disse que as autoridades cabo-verdianas não tinham “qualquer fundamento legítimo” para reaver a propriedade no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa. A operadora garantiu que estava “a procurar aconselhamento jurídico” para decidir como responder à perda do hotel-casino, algo que, sublinhou, já estava previsto nas contas.

Em Março de 2025, a Macau Legend já tinha anunciado prejuízos de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong em 2024, em parte devido à ameaça de reversão do hotel-casino.

Em 4 de Março passado, o Governo de Cabo Verde lançou um concurso de ideias para o espaço, aberto até meados de Abril, sendo que as propostas que forem seleccionadas serão objecto de consulta pública. Em Setembro de 2025, a empresa lançou um concurso público para a venda de um projecto imobiliário Ponto Legend, situado na vizinha Hengqin, e que inclui uma praça ao ‘estilo manuelino’.

26 Mar 2026

“Rei do Jogo” taiwanês, ligado ao jogo VIP em Macau, morto no Camboja

O fugitivo taiwanês Lin Bingwen, procurado por jogo ilegal e branqueamento de capitais, foi morto a tiro no Camboja, confirmaram as autoridades de Taiwan. De acordo com a polícia cambojana, Lin foi abatido na segunda-feira à noite numa estrada isolada em Sihanoukville – cidade costeira no sudeste do país conhecida pelos seus casinos – “por três a quatro” atacantes que fugiram de imediato, referiram as autoridades do Camboja. O crime foi descrito como premeditado e está em curso uma operação de detenção, sem confirmação oficial dos motivos.

O Departamento de Investigação Criminal (CIB, na sigla em inglês) de Taiwan confirmou a morte, pondo fim a uma perseguição que se prolongava há mais de um ano e envolvia várias jurisdições.

Lin estava na lista de procurados pelo alegado envolvimento no escândalo do “88 Club”, em Taipé, considerado um dos maiores casos de banca paralela e jogo ilegal em Taiwan, com transferências ilícitas estimadas em 21,7 mil milhões de dólares taiwaneses (585,8 milhões de euros).

O caso levou à condenação de Guo Zhemin, líder deste clube privado, extraditado em 2023 e condenado em 2025 a quase 12 anos de prisão, com apreensão de activos significativos, incluindo criptomoedas. O escândalo envolveu também dezenas de agentes da polícia taiwanesa, condenados por ligações ao clube, que funcionava como espaço privado para figuras influentes dos negócios e da política.

Com antecedentes no crime organizado em Taipé, Lin esteve também ligado a um escândalo de manipulação de jogos de beisebol em 2007 e, mais tarde, integrou o sector de promoção de jogo VIP em Macau. Com o colapso desse modelo de angariação de jogadores VIP, após a prisão em Macau das maiores figuras do sector entre 2021 e 2022, passou a operar em estruturas clandestinas de banca paralela e plataformas de pagamento.

Vida nas sombras

Em 2023, foi acusado no caso “88 Club” e libertado sob caução de três milhões de dólares taiwaneses (80.962 euros), mas desapareceu no final de 2024. Durante a fuga, manteve actividade nas redes sociais, negando estar a fugir da justiça e prometendo regressar a Taiwan nos seus próprios termos.

Segundo media taiwanesas, Lin estava envolvido em operações de hotéis e casinos com parceiros chineses em Sihanoukville, cidade apontada como o centro regional de jogo ilícito e redes financeiras clandestinas. A investigação ao homicídio prossegue, sem detenções anunciadas pelas autoridades cambojanas.

O Ministério Público de Taiwan esta semana acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet. A operação levou à detenção de 20 pessoas, o congelamento de quase 231 milhões de dólares taiwaneses (6,22 milhões de euros) em contas bancárias e a apreensão de 2,62 milhões de dólares taiwaneses (71 mil euros) em dinheiro.

O número de transações suspeitas registadas nos casinos de Macau, capital mundial do jogo, caiu 6,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais.

26 Mar 2026

Finanças | Reserva financeira volta a atingir novo recorde

A reserva ganhou 7,03 mil milhões de patacas em comparação com o anterior recorde de 666,7 mil milhões de patacas, atingindo assim os 673,8 mil milhões de patacas

Os activos da reserva financeira de Macau alcançaram um novo recorde máximo em Janeiro, pelo segundo mês consecutivo, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial da região mostra que a reserva valia, no final de Janeiro, 673,8 mil milhões de patacas. A reserva ganhou 7,03 mil milhões de patacas em comparação com o anterior recorde, 666,7 mil milhões de patacas, fixado no final de Dezembro.

Foi o melhor arranque de ano para a reserva desde 2015 e quase duplicou a valorização registada em Dezembro, mês em que ganhou 3,54 mil milhões de patacas. Durante o ano passado, foram ganhos 50,5 mil milhões de patacas, mais do que em 2024, ano em que os activos subiram 35,7 mil milhões de patacas.

O melhor ano de sempre para a reserva financeira ainda continua a ser 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. O valor da reserva extraordinária no final de Janeiro era de 503,1 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas.

Revisão orçamental

Em Novembro, a Assembleia Legislativa aprovou, por unanimidade, o orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas.

Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 293,4 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 273,7 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 105,5 mil milhões de patacas.

Em 2025, os investimentos renderam à reserva financeira mais de 42,9 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 6,9 por cento, indicou ontem a AMCM, num relatório também divulgado no Boletim Oficial. O retorno aumentou 38,7 por cento em comparação com 2024, ano em que os rendimentos renderam à reserva quase 31 mil milhões de patacas, correspondente a 5,3 por cento.

26 Mar 2026

Macauport | Concessão para explorar Porto de Ká-Hó prolongada até 2033

A empresa que tem Pansy Ho como presidente da mesa da Assembleia Geral, da Comissão Executiva e do Conselho de Administração vai explorar o porto por mais sete anos. Durante este período terá de construir um armazém frigorífico e um posto de inspecção

O Governo prolongou por mais sete anos o contrato com a Macauport, para a exploração do Porto de Ká-Hó. O novo vínculo entre a empresa e a RAEM passa a prolongar-se até 2033, entrou ontem em vigor, e a informação foi divulgada através do Boletim Oficial. Com o novo vínculo, a empresa compromete-se a promover “obras que visem potenciar a exploração do Porto de Ká-Hó”, como um “armazém frigorífico e posto de inspecção”.

A renovação do contrato impõe também novas obrigações, ao nível do transporte das mercadorias consideradas perigosas, que passam não só por assegurar o trânsito, mas também “todas as medidas viáveis para coordenar o transporte marítimo das substâncias perigosas por terceiros devidamente qualificados, sempre que solicitada pela entidade fiscalizadora”. O vínculo chegava ao fim este ano, depois de estar em vigor desde 2019, sendo que nessa altura a renovação do contrato também foi por um período de sete anos.

A Macauport é responsável pela gestão da operação do Terminal de Contentores do Porto de Ká-Hó e tem como principal accionista a Marban Corporation, empresa registada no paraíso fiscal das Bahamas. A Marban tem uma participação de 55 por cento e está ligada ao universo da STDM.

O outro grande accionista da empresa é a RAEM, com uma participação de 31,8 por cento. A empresa estatal Nam Kwong é outro dos principais accionistas, com uma participação de 12 por cento, a que se junta ainda a Shell (Macau) com uma participação de 0,8 por cento, a Socarpor- Sociedade de Cargas Portuárias (Lisboa), com 0,14 por cento, e a Fielden Investment Limited, com 0,01 por cento.

Pansy no controlo

Em termos dos órgãos sociais, a empresa tem Pansy Ho como presidente da mesa da Assembleia Geral, presidente do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executivo. Em todos estes órgãos sociais, a filha mais velha do segundo de casamento de Stanley Ho conta com a irmã Daisy como vice-presidente.

Em 2024, a Macauport apresentou um lucro de cerca de 565,8 mil patacas, apesar de ter considerado que as condições de operação ao longo do ano não foram satisfatórias. Os resultados desse ano mostraram também uma quebra acentuada do lucro em comparação com 2023, quando os lucros tinham sido de 9 milhões de patacas. No entanto, os resultados deste ano ainda não são conhecidos, devendo ser publicados até ao final do próximo mês no Boletim Oficial.

26 Mar 2026

Médio Oriente | Alertas de viagem para mais seis países

Macau aconselha precaução a residentes caso pretendam viajar para seis países “perante a contínua deterioração da situação no Médio Oriente”. Os países que passaram para o primeiro nível de alerta são o Bahrein, Jordânia, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos

Depois de elevar o alerta de viagem para o nível mais elevado para o Irão e Israel, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) emitiu ontem o alerta de viagem 1, o nível mais baixo numa escala de três, para seis países do Médio Oriente: Bahrein, Jordânia, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

De acordo com o portal da DST, o nível 1 “representa o surgimento de uma ameaça à segurança pessoal”. “Os residentes de Macau que planeiem viajar ou que se encontrem no destino, devem estar em alerta (…). É sugerido que se mantenham atentos e que acompanhem o desenvolvimento dos acontecimentos”, explica o portal. No mesmo comunicado, a DST recomenda aos residentes de Macau que planeiam viajar para o Iraque, Kuwait e Iémen, ou que já se encontram nesses países, “que redobrem a atenção” no que toca à segurança pessoal.

A DST recordou que desde Junho tem vindo a aconselhar os residentes a abandonarem Irão e Israel “o mais rápido possível” e a não viajarem para qualquer dos dois países. A linha aberta da DST recebeu, entre 1 de Março e a passada segunda-feira, 18 pedidos de informação ou assistência relacionados com o Médio Oriente, dos quais cerca de 80 por cento dizem respeito a residentes retidos em Dubai, Abu Dhabi e Bahrein.

Os restantes estão relacionados com cancelamentos e pedidos de reembolso de viagens de grupo que não tinham ainda sido iniciadas. A DST acrescenta que “os sistemas de transporte nos aeroportos do Médio Oriente e na Europa continuam a ser afectados”, recomendando atenção a informações das companhias aéreas sobre possíveis para ajustes nos voos.

Além disso, a Embaixada da China em Israel emitiu na segunda-feira um comunicado com detalhes para transferência e evacuação e sobre reforço das medidas de segurança.

Aqui ao lado

Na segunda-feira, as autoridades de Hong Kong elevaram para o nível negro, o mais elevado, o alerta de viagem para Israel e Irão. “Devido à situação de segurança altamente imprevisível no Irão e em Israel, o Governo aconselha os residentes de Hong Kong a evitarem todas as viagens” para qualquer dos dois países. Um porta-voz do Governo acrescentou que os residentes que se encontram em Israel ou Irão devem “cuidar da sua segurança pessoal e abandonar ou deslocar-se imediatamente para regiões relativamente seguras”.

A região aconselhou também os residentes a “terem cautela e proteger a sua segurança pessoal” caso viajem para Bahrein, Jordânia, Omã, Qatar, Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de Fevereiro, uma campanha de bombardeamentos no Irão, que respondeu com ataques aéreos contra Israel e países vizinhos do Golfo que albergam bases militares dos Estados Unidos e também várias infra-estruturas petrolíferas.

25 Mar 2026

SMG | Previsões para 2026 apontam para 5 a 8 ciclones tropicais

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) estimam que entre cinco a oito ciclones tropicais afectem Macau este ano, “correspondendo a um número normal a ligeiramente superior ao normal, não se excluindo a eventual influência de tufões fortes ou de intensidade superior”.

Segundas as previsões dos SMG, a época de tufões terá início em Junho, prolongando-se até Outubro. Durante a estação chuvosa (de Abril a Setembro), a temperatura média irá situar-se “entre valores normais e acima do normal”, a mesma previsão para a precipitação acumulada, apesar de a previsão abrir a possibilidade de “episódios de precipitação extrema”.

As autoridades salientam o aumento de “fenómenos meteorológicos extremos”, “num contexto de aquecimento global”, que explicam o registo do ano passado. “Em 2025, registaram-se 14 ciclones tropicais a afectar Macau, ultrapassando o recorde histórico de 12 ocorrido em 1974, tornando-se assim o ano com maior número de ciclones tropicais a afectar o território desde o início dos registos sistemáticos, em 1968. De entre estes, o tufão “Wipha” e o supertufão “Wagasa” conduziram ambos ao hastear do sinal n.º 10 em Macau, constituindo a primeira vez que, num mesmo ano, foi necessário hastear por duas vezes o sinal n.º 10”, indicam os SMG.

25 Mar 2026

IAM | Novo recorde de gatos abatidos em 2025

Com o Governo a recusar implementar os programas de “captura, esterilização e devolução”, o número de abate de animais volta a subir. No caso dos felinos, estabelecem-se novos recordes. Quanto aos caninos, os abates aproximam-se de valores anteriores

O ano de 2025 ficou marcado pelo maior número de abates de gatos em Macau pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), um registo que bateu o recorde anterior, que era de 2023. Os dados constam do portal oficial do IAM.

No ano passado, foram abatidos um total de 158 gatos, um aumento de 32,8 por cento em relação a 2024, ou de mais 39 abates quando o número tinha atingido 119 gatos mortos. Em relação ao anterior recorde, de 140 gatos abatidos, em 2023, os dados mais recentes mostram um aumento dos abates de 12,9 por cento, ou mais 18 abates.

Até 2025, altura em que o IAM fez uma limpeza dos dados estatísticos, a informação oficial mostrava que antes de 2023, o maior número de abates felinos tinha acontecido em 2007, com 124 mortes. Apesar dos anos recentes terem trazido novos recordes ao nível das mortes dos gatos, a verdade é na maioria dos anos, o território tende a abater mais cães, o que voltou a acontecer em 2025.

No ano passado, o IAM abateu um total de 333 cães capturados nas ruas do território. Este número está muito longe do recorde de 2010, quando ao longo desse ano o IAM matou um total de 718 cães. Também em 2015, houve mais mortes, com um total de 336 abates caninos.

Apesar do recorde antigo, as autoridades têm aumentado o número de mortes nos anos mais recentes. Em 2024, foram abatidos 311 caninos, o que significa que no ano passado se registou um aumento de 7,1 por cento, ou de 22 abates face ao ano transacto. Contudo, entre 2023 e 2024, o número de mortes teve um crescimento de 41,2 por cento, ou 91 mortes, de 220 abates para 311 abates.

Sem mudanças

O aumento do número de abate de animais acontece ao mesmo tempo que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) recusa implementar os programas de “captura, esterilização e devolução” dos animais que andam à solta nas ruas de Macau.

Este programa era uma aspiração de alguns deputados, mais ligados à ala democrata, mas que perdeu espaço na Assembleia Legislativa, depois das exclusões eleitorais. Apesar disso, o assunto não morreu de todo, e no final do ano passado o deputado dos Moradores, Leong Hong Sai, voltou a abordar o assunto, através de uma interpelação escrita.

Contudo, os dirigentes do IAM preferem apostar numa política de abate de animais, em vez de implementar o programa de “captura, esterilização e devolução”. “Tendo em conta a alta densidade populacional de Macau, tomando como referência as experiências do exterior e tendo em consideração a influência sobre a vida da população, o ambiente ecológico das florestas, a saúde pública, entre outros factores, não há condições, nesta fase, para desenvolver plenamente as medidas ‘captura, esterilização e devolução’ para animais vadios em todas as zonas de Macau”, limitou-se a justificar Chao Wai Ieng, sobre a opção deste Governo.

Enquanto se procedeu ao aumento do número de abates, o Executivo eliminou cerca de 15 anos de dados oficiais. No ano passado o HM questionou o IAM sobre o desaparecimento dos dados oficiais, mas nunca recebeu qualquer resposta.

25 Mar 2026

Hengqin | Mais um dirigente de empresa estatal acusado de corrupção

O antigo gerente-geral da Da Heng Qin Investment, Wu Pusheng, foi acusado de receber subornos e abuso de recursos públicos. Wu Pusheng é o segundo dirigente da empresa responsável pelo desenvolvimento de Hengqin a cair nas malhas da justiça chinesa em menos de um ano

Wu Pusheng, que foi dirigente-geral da empresa estatal Da Heng Qin Investment, vai ser julgado pela suspeita aceitar subornos, abuso de poder e de recursos públicos para proveito próprio, depois de ter sido anunciado que corre um processo criminal que já foi encaminhado para o Ministério Público.

As informações foram divulgadas na segunda-feira pela Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai. Em comunicado, as autoridades da cidade vizinha referem que Wu Pusheng teve uma crise ideológica, traindo as missões políticas originais, demonstrou deslealdade e desonestidade perante o Partido Comunista Chinês (PCC) e não colaborou com a investigação. Acção que terão determinado a expulsão do partido.

A entidade acusou o empresário de violar “princípios fundamentais de integridade, receber prendas, dinheiro e violar as regras do PCC. Além disso, foi acusado de receber subornos, abusar de recursos públicos para o uso privado, concorrência desleal, abuso de poder para beneficiar terceiros em contratação de projectos de obras e aceitar ilegalmente grandes somas de dinheiro e bens materiais de elevado valor.

A Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai acrescentou que Wu Pusheng “não se conteve” em continuar acções graves, mesmo depois do 18.º Congresso Nacional do PCC, em 2012, onde Xi Jinping deu início à campanha anti-corrupção.

Disco riscado

As acusações que recaem sobre Wu Pusheng são semelhantes às que incidiram sobre Hu Jia, o ex-presidente da Da Heng Qin Investment e seguem a linha habitual da campanha anti-corrupção.

Em Maio do ano passado, o antigo presidente do grupo empresarial, Hu Jia foi acusado de violações à disciplina e à lei e ficou sob investigação da Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai. Em Setembro, o organismo anunciou que Hu Jia recebeu subornos entre 2015 e 2024, acabando também por ser expulso do PCC e a investigação seguiu para o Ministério Público.

Após a divulgação do caso de Hu Jia, o vice-director do Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada Su Kun demitiu-se do cargo por “motivos pessoais”. Su Kun está desde 4 de Fevereiro a cumprir um período experimental de seis meses como técnico superior assessor no gabinete do secretário para Administração e Justiça Wong Sio Chak.

25 Mar 2026

Segurança Social | Leong Sun Iok quer mais fontes de financiamento

O legislador ligado aos Operários avisa que são necessárias mais fontes de financiamento para o Fundo de Segurança Social, para permitir aumentar as pensões. Contudo, o deputado não faz qualquer proposta, e espera que o Governo apresente soluções

O deputado Leong Sun Iok considera que o Governo tem de fazer uma revisão do sistema de financiamento do Fundo de Segurança Social, devido ao envelhecimento da população e ao aumento dos custos inerentes. A posição do deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) foi divulgada através de um comunicado.

Segundo o deputado, o território “precisa de encarar o facto de que, desde de 2023, o índice de envelhecimento de Macau ultrapassou pela primeira vez os 100 por cento, o que significa que a população idosa ultrapassou oficialmente a população de crianças e adolescentes”.

Além disso, aponta que os idosos têm cada vez mais expectativas “em relação à qualidade de vida”, apesar do “agravamento do envelhecimento da população”, “aumento dos preços” e de haver cada vez mais idosos dependentes dos rendimentos dos jovens.

Neste contexto de maior pressão, o deputado considera que o Governo deve “rever a estrutura das fontes de financiamento do actual Fundo de Segurança Social”, “estudar formas de aumentar as receitas do fundo e ajustar de forma razoável o montante das pensões”. O deputado argumento que o seu objectivo é “permitir que a grande maioria dos idosos desfrute de uma velhice confortável”.

Perigos do jogo

Sobre o montante gasto do Fundo de Segurança Social, Leong Sun Iok indica que entre 2020 e 2024, a nível das pensões, houve um aumento dos gastos de 950 milhões de patacas para 5,17 mil milhões patacas. Este montante deveu-se somente a haver mais pessoas a receberem uma pensão, dado que o montante não sofreu aumentos durante estes anos.

Com grande parte do financiamento a vir das receitas do jogo, o deputado pede diversificação, para evitar as flutuações deste mercado. “A experiência da pandemia demonstrou que as dotações provenientes do jogo, que representam uma parte significativa, são extremamente susceptíveis às influências do ambiente externo, tendo o montante injectado caído abruptamente de 5,01 mil milhões de patacas em 2019 para 780 milhões de patacas em 2022”, apontou. “Além disso, o retorno dos investimentos [feitos pelo FSS] é repleto de incertezas: embora em 2019 tenha sido registado um excedente de 5,5 mil milhões de patacas, em 2022 verificou-se uma perda de investimento de 7,7 mil milhões patacas”, vincou.

Face aos números Leong San Iok sugeriu que, para garantir a estabilidade a longo prazo do sistema de segurança social, o Governo deve rever a estrutura actual das fontes de financiamento e estudar activamente estratégias para aumentar as receitas. No entanto, o deputado não indicou qualquer tipo de solução para aumentar as receitas do fundo.

25 Mar 2026

Saúde | Residentes evitam procurar apoio psiquiátrico

O director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM) apontou ontem que um dos maiores problemas no tratamento de saúde mental do território é o próprio estigma dos residentes em pedir apoio psiquiátrico.

O número de mortes por suicídio tem vindo a crescer nos últimos anos em Macau, com a melhoria dos serviços de apoio à saúde mental da população a ganhar maior destaque na discussão de saúde pública. Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade.

Segundo Alvis Lo, os SSM disponibilizam actualmente 10 especialistas de saúde mental no Serviço de Psiquiatria do hospital público Conde de São Januário, com 160 médicos de diferentes especialistas a terem recebido treino para providenciarem serviços de saúde mental. “Temos também um mecanismo de saúde mental comunitário, e de encaminhamento para o hospital público. Nós queremos que os cidadãos possam receber atendimento o mais cedo possível”, apontou o diretor dos SSM.

No entanto, Lo alertou que um “problema essencial” reside na resistência dos próprios residentes em procurar apoio quando confrontados com problemas de foro psicológico. “Pensam que serão considerados fracos mentalmente ou serem descritos como alguém com problemas mentais. Nós queremos encorajar as pessoas a procurar apoio e temos serviços disponíveis”, indicou Lo.

Dados essenciais

As autoridades de saúde da cidade chinesa semi-autónoma anunciaram ontem um novo inquérito sobre a saúde, para questionar cerca de 3.000 residentes com mais de 18 anos sobre vários indicadores de saúde.

Numa conferência de imprensa ontem, a chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos SSM, Leong Iek Hou, indicou que o inquérito pretende articular os trabalhos de saúde publica com informação do estado de saúde dos residentes e aumentar a consciência dos mesmos sobre a prevenção. Além de testes médicos para os voluntários, o inquérito terá também pela primeira vez uma componente de avaliação de saúde mental.

“Desta vez teremos alguns itens para saber algumas coisas sobre saúde mental, como ansiedade, insatisfação ou a qualidade do sono. Perguntamos se o residente está a utilizar o nosso serviço de assistência e se conhece esses serviços. Com estes dados vamos tomar como referência para as nossas políticas de futuro”, apontou Leong.

Como prevenir

Numa resposta a perguntas da Lusa sobre as estratégias planeadas para prevenir o aumento de casos de suicídio, os SSM apontaram que as causas “são complexas e envolvem frequentemente doenças mentais, factores psicológicos, socioeconómicos, familiares, de relações interpessoais e biogenéticos”.

Apesar da complexidade do assunto, os SSM sublinharam que “o suicídio pode ser prevenido” e que a prevenção eficaz exige “a atenção e participação activa de todos”. Para reduzir a ocorrência de casos, os responsáveis da saúde pediram aos residentes que “no seu dia-a-dia, mantenham um contacto próximo, comuniquem mais e prestem atenção às pessoas à sua volta”, incentivando aqueles que enfrentam perturbações emocionais a procurar apoio profissional.

Segundo os SSM, actualmente, os nove centros de saúde da cidade disponibilizam serviços de saúde mental, complementados por psicoterapia financiada pelo Executivo e prestada pela União Geral das Associações dos Moradores de Macau e pela Associação das Mulheres de Macau.

Foi também criada a uma linha aberta de apoio emocional disponível 24 horas por dia e uma aplicação de “Autoverificação Emocional”, que permite aos residentes avaliar o seu estado psicológico. Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.

24 Mar 2026

Hengqin | Homicídio perto de Novo Bairro de Macau

Uma estudante da MUST morreu na sexta-feira na sequência de um assalto a um apartamento que dista 3 quilómetros do Novo Bairro de Macau e menos de 1 quilómetro do posto fronteiriço. O suspeito está detido e a universidade local garantiu estar a acompanhar o caso

Na passada sexta-feira, um assalto a um apartamento acabou tragicamente com a morte de uma das vítimas, uma jovem estudante da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) que dividia casa com mais três jovens, todas do sexo feminino.

O Departamento de Segurança Pública de Hengqin emitiu um comunicado a confirmar a detenção de um homem de 26 anos de idade, suspeito de ter atacado as duas mulheres e morto uma delas. “Na noite de 20 de Março, o suspeito entrou numa área residencial em Hengqin e roubou duas vítimas, uma delas morreu. O caso continua em investigação”, indicaram as autoridades num comunicado emitido no domingo, sem acrescentar mais detalhes. Até ontem, não foram divulgadas mais informações sobre o caso, tanto das autoridades chinesas como das congéneres de Macau, incluindo se a vítima era residente da RAEM.

Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, a MUST confirmou no domingo que a vítima mortal era uma estudante da universidade. “A universidade está a levar o assunto muito a sério e criou um grupo de trabalho para acompanhar o caso. Uma vez que a polícia do Interior da China está actualmente a investigar, não há mais informações disponíveis neste momento”, indicou a MUST.

Preencher lacunas

Com a limitada informação divulgada pelas autoridades de Hengqin, começaram a circular online dados não confirmados sobre o caso. O jornal Cheng Pou cita internautas que referiram que o apartamento onde ocorreu o crime era habitado por quatro jovens, e que duas estariam fora de casa na altura em que o suspeito entrou na residência.

Segundo o que o HM conseguiu apurar, o crime ocorreu no complexo habitacional de luxo Acesite Mansion, que fica a cerca de 3 quilómetros de distância do Novo Bairro de Macau em Hengqin e a cerca de meio quilómetro do posto fronteiriço entre a Ilha da Montanha e Macau.

O homicídio da jovem estudante ocorreu três meses depois de um ataque com faca no centro comercial Ponto Legend, também perto da fronteira com a RAEM. Cerca de um mês antes do ataque, em meados de Novembro, verificou-se uma situação semelhante em Zhuhai com um homem que terá agredido com uma faca transeuntes na área de Xiangzhou.

24 Mar 2026

Calçada portuguesa | IAM garante “padrão e design original”

As autoridades municipais de Macau indicaram à Lusa que a calçada portuguesa poderá ser substituída em certas zonas por materiais antiderrapantes, mas mantendo “o padrão e design original”. A calçada, um dos elementos de cultura portuguesa mais distintivos do território, foi considerada no passado pelas autoridades municipais da cidade chinesa semiautónoma perigosa para pedestres em tempos de chuva, por se tornar escorregadia e irregular.

Numa resposta à Lusa, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) apontou que a decisão de substituir a calçada em certos locais terá lugar apenas depois de avaliar a “utilização das rodovias e os factores ambientais em diferentes locais”, além da “paisagem e a cultura urbana” de Macau.

A calçada portuguesa foi substituída, recentemente, em algumas zonas da cidade, nomeadamente na praça de Ferreira do Amaral, uma das áreas mais movimentadas da cidade. Relativamente aos materiais usados nos passeios, o IAM descreveu que os irá seleccionar de “acordo com diferentes situações”.

No que diz respeito aos pavimentos de calçada à portuguesa existentes nas “zonas de protecção cultural ou outras zonas de protecção”, o IAM indicou que irá “estudar a viabilidade de adução de modelos semelhantes e de revestimentos mais antiderrapantes”, no sentido de equilibrar a paisagem histórica e cultural da cidade e a segurança pública.

24 Mar 2026

Português | Utilização “limitada” entre famílias de residentes

Um estudo sobre a utilização de diferentes línguas pelas famílias residentes de Macau, mostra que o cantonês surge associado à identidade local, enquanto o inglês e o mandarim são vistos como oportunidades de mobilidade social. A língua de Camões é oficial, mas no contexto familiar tem uma utilização limitada

Entre os residentes de Macau, a utilização da língua portuguesa em contexto familiar é limitada, apesar de se tratar de um idioma oficial no território. Esta é uma das conclusões do estudo “Política Linguística Familiar Sustentável em Comunidades Multiculturais: um Estudo Empírico Sobre as Famílias de Residentes Permanentes de Macau”, elaborado pelas académicas Zhang Yuhan e Wei Huiping, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês).

O estudo foi publicado na revista científica Languages, distribuída online pelo portal MDPI, e teve por base 170 questionários feitos a residentes com família, dois por cada agregado familiar, assim como a observação da utilização das diferentes línguas pelas famílias locais.

A primeira conclusão do estudo aponta que a utilização das línguas pelas famílias locais tem por base “um calculismo pragmático”, com adaptações estruturais, quando necessário, mais do que “estados emocionais”.

Como parte deste pragmatismo, as autoras referem o caso de uma família macaense que antes da transição proibiu a filha de falar português em casa e a mudou de uma escola portuguesa para uma em que se aprendia em cantonês. O objectivo passou por assegurar que a descendente tinha as ferramentas linguísticas necessárias para continuar a viver em Macau depois da transição. “O português é utilizado apenas em determinadas famílias (as famílias macaenses), o que realça o ambiente sociolinguístico único de Macau; apesar do seu estatuto oficial, a sua função no uso linguístico na vida quotidiana e nos contextos linguísticos familiares é bastante limitada”, foi analisado.

Identidade e oportunidades

No âmbito da abordagem pragmática, o mandarim e o inglês surgem como línguas do futuro, associadas a mais oportunidades de emprego, enquanto o cantonês surge como marca da identidade local.

“O cantonês funciona principalmente como capital simbólico, reforçando o sentimento de pertença local e a lealdade cultural, enquanto o mandarim e o inglês são considerados formas de capital de troca que proporcionam acesso a qualificações académicas, emprego e mobilidade social”, pode ler-se nas conclusões. “Em particular, os pais apresentam o inglês como um recurso valioso, invocando preocupações relacionadas com a escolaridade e a mobilidade futura. Estas justificações podem reflectir a orientação pragmática dos próprios pais; reflectem também os requisitos escolares institucionais e os discursos dominantes no mercado de trabalho de Macau”, foi considerado.

Os resultados mostram também que as famílias com menor grau de educação tendem a valorizar mais o cantonês, enquanto as mais formadas insistem na necessidade de dominar bem o inglês e o mandarim. Ao mesmo tempo, quanto mais tempo as famílias vivem em Macau, maior é a importância atribuída à aprendizagem do inglês.

24 Mar 2026

Trabalho ilegal | 383 empregadores punidos no ano passado

Além das entidades patronais, foram também punidos 285 trabalhadores não-residentes e abertos 79 inquéritos criminais. As multas renderam mais de 6 milhões aos cofres da RAEM

No ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais aplicou sanções a 383 empregadores, devido ao envolvimento em casos de trabalho ilegal. Os dados foram divulgados pelo director da DSAL, Chan Un Tong, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

Os empregadores multados resultaram de um total de 683 inspecções que a DSAL realizou por si, ou em conjunto com outros órgãos do Governo, que levaram à aplicação de sanções a 668 pessoas e entidades. Destas, “383 eram entidades empregadoras e 285 eram não-residentes”, que acabaram por ser multados em mais de 6 milhões de patacas.

Na origem das sanções estiveram práticas como exercício de funções em local ou para um empregador diferentes do autorizado, exercício de funções alheias às autorizadas, contratação de trabalhador ilegal ou trabalho por conta própria. Além das sanções administrativas, a polícia encaminhou 79 empregadores, por suspeita da prática do crime emprego irregular, ao Ministério Público para efeitos de investigação.

A resposta de Chan Un Tong não indica o desfecho dos inquéritos relacionados com o trabalho ilegal, nem as consequências para estes empregadores. Segundo a legislação em vigor o crime de emprego irregular é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos dois anos. Nos casos de reincidência a punição sobe para um mínimo de dois anos e um máximo de oito anos, se não houver outras questões agravantes.

Controlar as redes sociais

Na resposta, o director da DSAL garantiu também à deputada que tanto o órgão que lidera como a polícia fazem um controlo regular das redes sociais e de outros meios de recrutamento, para evitar a contratação de trabalhadores ilegais. “A DSAL recolhe informações sobre o trabalho ilegal em vários aspectos, tomando a iniciativa de fiscalizar as informações relacionadas com o trabalho ilegal nas plataformas de redes online, efectuando, em tempo oportuno, a análise e o estudo das violações da lei e reforçando a gestão a partir da fonte”, foi indicado. “A DSAL dispõe ainda de um mecanismo de denúncia por vários canais (incluindo telefone, e-mail e via postal), a fim de facilitar a denúncia do trabalho ilegal por parte dos cidadãos”, foi acrescentado.

Chan garantiu ainda que no que diz respeito à polícia, no caso em que encontram casos suspeitos de trabalho ilegal há”, por iniciativa própria, uma investigação. Na interpelação a deputada mostrou-se preocupada com o trabalho ilegal e exigia mais medidas para controlar o fenómeno e a imigração.

24 Mar 2026

Concertos | Song Pek Kei pede detalhes sobre descontos

Depois de o Governo ter anunciado um plano para incentivar, através de descontos, espectadores de concertos a gastar dinheiro nos bairros residenciais, Song Pek Kei pergunta quando arranca o programa. Os transportes para os bairros também merecem a atenção da deputada

A atracção de turistas para as zonas afastadas dos pontos turísticos mais populares de Macau continua a ser uma questão para a qual tem sido difícil encontrar soluções.

Na apresentação das Linhas de Acção Governativa para este ano, o Executivo introduziu o “Programa de Concertos + Benefícios de Consumo nos Bairros Comunitários”. A ideia pode resumir-se à distribuição de cupões de descontos, que só podem ser usados no comércio e restauração dos bairros residenciais, a turistas e residentes que comprem bilhetes para espectáculos em Macau através de determinadas plataformas online.

Uma vez que não foram divulgadas mais informações desde a menção nas LAG, Song Pek Kei escreveu uma interpelação a pedir detalhes sobre este programa. A deputada, ligada à comunidade de Fujian, sublinhou a intenção do Governo de fazer de Macau uma cidade de concertos, apesar da vaga de eventos cancelados nos últimos meses.

Corrida de barreiras

A legisladora salienta que a “economia de concertos” tem sido um importante factor para a diversificação da economia da região. Porém, as alterações nos padrões de consumo, a forma como as autoridades referem o baixo consumo e quebra de poder de compra dos turistas, e a instabilidade internacional acrescentam barreiras adicionais à economia dos bairros afastados dos pontos quentes de turismo. Estas mudanças tornaram a vida mais cara e retiraram confiança aos consumidores.

Song Pek Kei destaca também a importância de optimizar infra-estruturas comunitárias, que acabem com o “isolamento” dos bairros em relação às rotas turísticas. “Actualmente, os transportes em Macau envolvem principalmente deslocações entre a península e o Cotai, ou viagens directas para locais de concertos, com percursos de ponto a ponto”, argumenta.

Para que os bairros residenciais sejam mais visitados por turistas, a deputada recordou que Sam Hou Fai prometeu optimizar os transportes públicos para permitir que quem visita Macau para ver um espectáculo passe pelas zonas “esquecidas”, impulsionando a economia comunitária. Como tal, a legisladora pergunta quais os planos do Governo para atingir essa meta.

24 Mar 2026

Economia | Ano Novo Lunar resulta em inflação mais alta em dois anos

O período de feriados foi sinónimo de subida de preços em Macau. O maior acréscimo aconteceu ao nível dos serviços de lazer, recreação, desporto e cultura. Também a comida ficou mais cara, assim como as viagens

A inflação anual em Macau atingiu em Fevereiro o valor mais elevado em dois anos, devido ao Ano Novo Lunar, anunciou na sexta-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). De acordo com dados oficiais, o índice de preços no consumidor (IPC) subiu 1,16 por cento em comparação com o mesmo mês do ano passado, o valor mais elevado desde Fevereiro de 2024.

A inflação mais que duplicou em comparação com Janeiro (0,54 por cento), algo que a DSEC justificou com o período do Ano Novo Lunar ter ocorrido em Fevereiro, ao contrário de 2025, que teve lugar em Janeiro. O Ano Novo Lunar, a maior migração anual do mundo, é um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico em Macau, que este ano se verificou entre 15 e 23 de Fevereiro.

A DSEC sublinhou que foram os produtos e serviços de lazer, recreação, desporto e cultura a registar o maior acréscimo em termos anuais (mais 7,76 por cento), em virtude da subida dos preços dos quartos de hotel e das excursões (mais 26,6 por cento). A região terminou 2025 com uma inflação anual de 0,33 por cento, o valor mais baixo dos últimos quatro anos.

Em Junho de 2021, Macau viveu o último de 10 meses consecutivos de queda de preços – ou deflação – no pico da crise económica causada pela pandemia de covid-19. A deflação reflecte debilidade no consumo doméstico e no investimento e é particularmente gravoso, já que uma queda no preço dos activos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias.

Comida mais cara

Os dados oficiais mostram que em Fevereiro a inflação também se fez sentir nos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (mais 0,92 por cento). O custo das refeições adquiridas fora de casa subiu 1,23 por cento. Os gastos com rendas ou hipotecas de apartamentos subiram 0,63 por cento e 0,48 por cento, respectivamente. Em 11 de Novembro, a Autoridade Monetária de Macau aprovou a terceira descida da taxa de juro este ano.

Em Abril de 2024, a Assembleia Legislativa do território acabou com vários impostos sobre a aquisição de habitações, para “aumentar a liquidez” no mercado imobiliário, defendeu na altura o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong. Devido à subida do valor do ouro a nível mundial, a região registou um aumento de 40,7 por cento no preço da joalharia, ourivesaria e relógios, produtos populares entre os turistas do Interior.

Com o preço do petróleo também a disparar nos mercados internacionais, o custo dos bilhetes de avião subiu quase um terço (32,7 por cento).

23 Mar 2026

Turismo | Mais 32,6 por cento de visitantes em Fevereiro

Os feriados do Ano Novo Lunar impulsionaram o número de turistas a visitar Macau, com um crescimento anual de 32,6 por cento. A esmagadora maioria dos turistas veio do Interior

Macau recebeu 4,17 milhões de visitantes em Fevereiro, mais 32,6 por cento do que no mesmo mês de 2025, impulsionados pelos feriados do Ano Novo Lunar, foi anunciado na sexta-feira. Janeiro já tinha alcançado o valor mais elevado para esse mês desde 1998, apesar do Ano Novo Lunar, um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico para Macau, ter ocorrido no final de Fevereiro. Em 2025, o início do Ano Novo Lunar aconteceu em 29 de Janeiro, mas este ano principiou a 17 de Fevereiro.

Segundo os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a esmagadora maioria dos visitantes que passou por Macau em Fevereiro veio da China continental, com 3,29 milhões de entradas, mais 43,6 por cento que no mesmo mês do ano passado. Hong Kong contribuiu com 591.300 visitantes (mais 2 por cento) e Taiwan com 89.628 (mais 31,9 por cento).

Já o número de visitantes internacionais, recuou 3,3 por cento, para 200.848. No Sudeste Asiático, as Filipinas destacaram-se com 45.195 entradas (mais 16,3 por cento), enquanto a Indonésia (11.587) e a Tailândia (9.973) registaram quedas de 22,3 por cento e 11,4 por cento, respectivamente.

Outras visitas

A Índia somou 5.831 visitantes (mais 42,5 por cento), enquanto a Coreia do Sul contabilizou 55.994 (menos 5,6 por cento). Entre os mercados de longa distância, os Estados Unidos da América registaram 11.142 visitantes (mais 5,5 por cento). A atracção de mais turistas estrangeiros para o território tem sido um dos objectivos repetidamente sublinhados pelas autoridades turísticas de Macau.

As autoridades do território apontaram como alvo para 2025 receber mais de três milhões de turistas internacionais, no entanto esse valor ficou-se pelos 2,76 milhões de visitantes, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024. Em 17 de Fevereiro, a directora dos Serviços de Turismo de Macau destacou Portugal como uma das prioridades no que toca a atrair mais visitantes estrangeiros.

No total dos dois primeiros meses de 2026, Macau recebeu 7,82 milhões de visitantes, mais 15,1 por cento do que em igual período de 2025, com as entradas de visitantes internacionais a chegar aos 479.301, um aumento de 6,8 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

23 Mar 2026

Desenvolvimento Contínuo | Valor mantido em 6 mil patacas

A nova ronda do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo, que começa este ano e se prolonga até 2029, mantém o valor do apoio em 6 mil patacas. A informação foi confirmada pelo Conselho Executivo, na sexta-feira, depois de ter terminado a discussão sobre o programa dos próximos três anos.

“O montante máximo do subsídio a conceder a cada beneficiário do Programa é de 6 000 patacas”, foi comunicado. “O subsídio aplica-se aos cursos do ensino superior, cursos de educação contínua e exames de credenciação organizados por instituições locais e do exterior que decorram entre 1 de Julho de 2026 e 30 de Junho de 2029, destinando-se exclusivamente ao pagamento das propinas dos cursos ou despesas decorrentes dos exames de credenciação”, foi acrescentado.

Segundo o comunicado de imprensa do Conselho Executivo, devido a uma maior ligação entre a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), os beneficiários deixam de ter de apresentar à DSEDJ o comprovativo do pagamento das propinas do curso na apresentação do pedido de atribuição do subsídio.

Também de forma a evitar potenciais fraudes, os membros dos órgãos das instituições que disponibilizam cursos que podem ser financiados deixam de ter direito aos subsídios, caso se inscrevam em cursos dos próprios institutos que lideram.

23 Mar 2026

Segurança Nacional | Comissão para proteger cultura chinesa

Wong Sio Chak, considerou que “para destruir um país não é preciso apenas usar meios militares ou ‘online’”. O secretário para a Administração e Justiça apresentou sexta-feira o regulamento administrativo que vai complementar a lei da comissão da segurança nacional

O secretário para a Administração e Justiça defendeu na sexta-feira que o reforço da segurança nacional no território é também um meio de protecção da “cultura chinesa”.

“Para destruir um país não é preciso apenas usar meios militares ou ‘online’, mas é possível recorrer a um processo de intervenção ou eliminação cultural”, afirmou Wong Sio Chak, um dia depois de ter sido aprovada a nova lei pela Assembleia Legislativa para reforçar a Comissão de Defesa da Segurança do Estado, criada em 2018 para apoiar o líder do Governo na tomada de decisões relativas à segurança nacional da China.

Segundo Wong, a “destruição da cultura pode ser algo mais invisível” e as autoridades culturais e educacionais da cidade semiautónoma chinesa têm um papel importante de defesa” na segurança de Estado e de protecção da “cultura chinesa”. O secretário é também o porta-voz do Conselho Executivo de Macau, que apresentou sexta-feira o regulamento administrativo para o secretariado responsável pelo apoio técnico, administrativo e logístico da nova comissão.

O organismo passará a avaliar riscos para a segurança nacional nas áreas da educação, cultura e economia, além das funções no domínio político – como a apreciação da qualificação, idoneidade e ‘patriotismo’ das personalidades candidatas ao exercício de cargos de poder em Macau.

Comissão completa

Além do Chefe do Executivo, secretários do Governo e chefias da polícia e segurança, a comissão inclui também o presidente do Instituto Cultural e o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, precisamente com o propósito de salvaguardar a segurança do Estado na educação e cultura, apontou Wong.

A nova Lei da Unidade Étnica da China, aprovada em Março de 2026, estende-se a Macau e Hong Kong, focando-se na promoção da identidade nacional, segurança e ensino do mandarim. O diploma faz menção a Macau e Hong Kong e indica que as duas regiões vão ser apoiadas no ensino da história e da cultura chinesa, ao mesmo tempo que ajudam a preservar a segurança nacional.

O programa do Executivo de Macau para 2026 prevê a criação, até ao final do ano, de um Grupo de Trabalho para a Coordenação da Educação Patriótica dos Jovens. As Linhas de Acção Governativa incluem ainda, no âmbito do chamado “plano geral para a educação sobre a segurança nacional”, a revisão dos livros e outros materiais didácticos dos ensinos básico e secundário, até ao terceiro trimestre de 2027.

Em 2022, então secretário para a Segurança de Macau, Wong Sio Chak afirmou que a educação sobre a segurança do Estado iria ser alargada a alunos não chineses. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

23 Mar 2026

Hengqin | Sam Hou Fai diz que planos são mesmo para cumprir

O desenvolvimento de Hengqin é a missão fundamental de Macau e “é mesmo para cumprir”, vincou o Chefe do Executivo. Sam Hou Fai pediu foco nos sectores prioritários designados por Pequim e apontou a cooperação com Guangdong como tarefa crucial

“O desenvolvimento de alta qualidade da Zona de Cooperação de Hengqin constitui a tarefa crucial para a cooperação entre Guangdong e Macau nas novas circunstâncias (…) Continuamos plenamente conscientes de que a intenção original de explorar Hengqin é mesmo para cumprir a missão fundamental de promover a diversificação adequada da economia de Macau.” A meta voltou a ser traçada pelo Chefe do Executivo da RAEM, num discurso no jantar de Primavera da província de Guangdong.

Sam Hou Fai vincou que o desenvolvimento de Hengqin é a “tarefa crucial” nas relações entre as duas regiões e sublinhou a “responsabilidade inalienável de reforçar a cooperação” que tem, a par do Governador de Guangdong, Meng Fanli.

O líder do Governo da RAEM indicou que as autoridades das duas regiões devem insistir na união, liderando “todos os sectores de Guangdong e Macau na implementação do espírito consagrado nas importantes directrizes emitidas pelo Senhor Presidente Xi Jinping relativas ao desenvolvimento de Hengqin”.

Como tal, Sam Hou Fai afirmou que Guangdong deve aumentar, “ainda mais”, o investimento na Ilha da Montanha e canalizar para a zona “projectos de alta qualidade de Guangdong”, com foco nos sectores prioritários estabelecidos pelo Governo Central como caminho para a diversificação económica de Macau. Recorde-se que estes sectores são finanças modernas, alta tecnologia, turismo (cultural, desportivo e de convenções e exposições) e medicina tradicional chinesa.

Melhor dos mundos

Sam Hou Fai mostrou-se confiante de que o desenvolvimento industrial de Hengqin, através de um “portfólio de empreendimentos e projectos emblemáticos” pode resultar num “efeito multiplicador significativo” que dará, não só um impulso no desenvolvimento integrado de Macau e Hengqin, como na integração no mercado da Grande Baía.

O governante da RAEM salientou também a integração ao nível do dinamismo do “fluxo bidirecional de pessoas entre Guangdong e Macau”, apontando que em 2025 Macau recebeu cerca de 40,07 milhões de visitantes, estabelecendo um novo recorde. Entre estes, os visitantes de Guangdong foram cerca de 17,1 milhões, representando 42,7 por cento de todos os turistas que visitaram a RAEM. Este volume representou um aumento de 30,4 por cento face a 2024.

Também o crescimento do produto interno bruto de Hengqin foi destacado, com Sam Hou Fai a mencionar que em 2025 o PIB “regional da zona” chegou a 54,7 mil milhões de yuan, com vendas a retalho de bens de consumo de 5,7 mil milhões de yuan, um aumento anual de 20,3 por cento.

23 Mar 2026

Natalidade | Investigadoras defendem “medidas radicais” em Macau

Macau tem uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, segundo dados da Organização das Nações Unidas. Em 2025 registaram-se apenas 2.871 nascimentos, número mais baixo em cerca de 50 anos. Neste contexto, académicas ouvidas pela LUSA defendem “medidas radicais” para inverter a tendência, além de subsídios

Investigadoras disseram à Lusa que, para reverter a natalidade mais baixa do mundo, Macau precisa de “medidas mais radicais” do que meros subsídios para melhorar a vida de toda a população. Em 2025, a região registou 2.871 recém-nascidos, o menor número em quase meio século. No ano anterior, a taxa de fecundidade tinha sido de 0,58 nascimentos por mulher, longe do necessário para a substituição de gerações (2,1).

Segundo estimativas do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, Macau terá tido em 2024 a mais baixa natalidade do mundo, seguida de Singapura, com uma taxa de fecundidade de 0,95 nascimentos por mulher. Algo que “reflecte pressões estruturais comuns em muitas economias urbanas do leste asiático onde o custo de vida é elevado”, disse Emma Zang Xiaolu, socióloga da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Em Hong Kong, 15 escolas primárias estão em risco de fechar após a região vizinha ter registado em 2025 cerca de 31.100 nascimentos, o número mais baixo de sempre. A China continental registou 7,92 milhões de nascimentos em 2025, também o valor mais baixo desde a fundação da República Popular da China, em 1949. A taxa de natalidade também caiu para mínimos históricos.

“Aquelas trajectórias de vida muito convencionais, sobre a idade em que se deve casar e, depois de casar, deve-se ter filhos, essas normas foram enfraquecendo”, disse Mu Zheng, socióloga da Universidade Nacional de Singapura.

À medida que o leste asiático se tornou mais desenvolvido e rico, as pessoas “valorizam mais as preferências individuais”, apesar da influência “da família e dos valores familiares” ser ainda maior do que no Ocidente, acrescentou.

Mas a pressão da família colide com “muitos outros tipos de pressões”, sublinhou Mu Zheng, incluindo expectativas de um bom desempenho académico e, mais tarde, uma cultura de trabalho “muito exigente”. Emma Zang também aponta “as longas jornadas de trabalho” como factores que dificultam a constituição de uma família, juntamente com “os custos de habitação e a incerteza quanto às oportunidades económicas futuras”.

O caso de Emily

Macau era a 13.ª cidade mais cara do mundo em 2024, de acordo com um inquérito da empresa de consultoria norte-americana Mercer, sobretudo devido ao preço da habitação. As pressões sentidas em outras cidades do leste asiático “são intensificadas” em Macau, sublinhou Emma Zang, “por uma economia altamente especializada e pelo espaço habitacional limitado”.

Depois, em contraste, o território enfrenta também o problema do envelhecimento da população, tendo, no ano passado, a população idosa aumentado 0,7 por cento face aos 14,6 por cento registados em 2024, isto numa população composta por 688.900 pessoas.

Da população total, 80.300 eram jovens entre os 0 e os 14 anos (11,7 por cento) e 105.200 tinham 65 ou mais anos (15,3 por cento). Em 2025 registaram-se 2.870 nados-vivos, e observaram-se 2.424 óbitos. A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em Macau em 2023, com as autoridades locais a prever uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.

Ter filhos ainda não está nos planos de Emily Cheong, de 29 anos, apesar de já ter casado há três anos. “Ainda estamos a viver com os meus pais, a tentar poupar para a entrada de um apartamento”, explicou a residente à Lusa. A situação do casal complicou-se no ano passado, quando encerrou o ‘casino-satélite’ em que trabalhava o marido de Cheong, um ‘croupier’ que conseguiu encontrar um novo emprego, mas com um salário mais baixo.

Dez ‘casinos-satélite’ – espaços sob a alçada das concessionárias de jogo, mas geridos por outras empresas – fecharam portas em 2025, antes da data limite imposta quando a legislação que regula os casinos foi alterada, em 2022.

Medidas não chegam

O Governo de Macau introduziu medidas para incentivar a natalidade, como um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para crianças até aos três anos.

Mas Emma Zang não está optimista: “Incentivos governamentais podem ajudar de forma marginal, mas estudos a nível mundial sugerem que os subsídios financeiros, por si só, raramente revertem o declínio”. “Muitas dessas políticas não são particularmente eficazes”, confirmou Mu Zheng, porque os incentivos “podem não ser suficientemente grandes para realmente remover toda a ansiedade” dos jovens adultos.

A socióloga deu como exemplo a expectativa, colocada nos pais, de “um investimento intensivo, de tempo, energia e dinheiro, no desenvolvimento e educação dos filhos”. Emma Zang acredita que “melhor acessibilidade à habitação, equilíbrio entre o trabalho e a família e disponibilidade de cuidados infantis tendem a ser mais importantes para a estabilização demográfica a longo prazo”.

Mudanças na licença

O Governo prometeu oferecer, de forma gratuita, mais e melhores creches e lançou uma consulta pública, que terminou na segunda-feira, sobre o aumento, no sector privado, da licença de maternidade, de 70 para 90 dias.

Políticas que “realmente apoiem as famílias jovens e incentivem a igualdade de género”, nomeadamente na divisão do trabalho doméstico, podem funcionar, mas Mu Zheng sublinha que mesmo na Escandinávia o efeito foi-se esbatendo.

A socióloga diz que, a longo prazo, é preciso “medidas mais radicais e abrangentes”, incluindo “criar uma cultura de trabalho mais amiga” da vida familiar e “reduzir a pressão sobre a saúde mental”.

Na apresentação da consulta pública sobre os ajustes à licença da maternidade, Chan Un Tong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) disse que um dos objectivos da medida é “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”. O estudo encomendado pelo Executivo para analisar o aumento dos dias de maternidade diz que os trabalhadores consideram tanto a actual licença de maternidade como o período de férias anuais “insuficiente para atender às necessidades familiares”.

Nesta conferência de imprensa, Chan Un Tong acrescentou que as autoridades pretendem “aperfeiçoar o direito dos trabalhadores ao descanso”. “O Governo tem, através de várias formas, tentado criar condições para que os residentes possam ter uma vida melhor”, acrescentou o director da DSAL.

No que diz respeito à licença de paternidade, que se mantém apenas nos cinco dias úteis, o Governo parece não ter vontade de mudar, isto conforme as conclusões de uma sessão da consulta pública sobre a licença de maternidade, ocorrida em Fevereiro. Segundo noticiou a agência Lusa, nessa primeira sessão de consulta o Governo rejeitou os apelos feitos para o aumento da licença de paternidade apresentados pelos representantes de duas das mais importantes associações tradicionais do território.

Um dirigente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau disse que a licença de paternidade deveria ser prolongada até 15 dias ou, em alternativa, parte da licença poderia ser gozada pelo pai. O representante, de apelido Sit, defendeu que a medida poderia ajudar o pai a ter um papel mais activo, nomeadamente nos primeiros meses de vida do bebé, sobretudo se a mãe ainda estiver a recuperar de parto por cesariana.

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, admitiu ser necessário “criar condições em termos de educação e emprego” para subir a baixa natalidade, que apontou como um dos maiores desafios da cidade a longo prazo. A 31 de Dezembro, o Fundo de Segurança Social de Macau defendeu que “sejam estabelecidas condições para iniciar a implementação, de forma gradual e ordenada”, de um regime obrigatório de contribuições.

23 Mar 2026

Trânsito | Acidente entre carros e autocarro causa quatro feridos

Após uma ultrapassagem pela esquerda, uma viatura com sete lugares perdeu o controlo e atingiu outro carro e um autocarro. Apesar do impacto, e de um dos condutores ter ficado encarcerado, todos os feridos foram considerados ligeiros

Quatro pessoas ficaram feridas, depois do condutor de um carro de sete lugares ter perdido o controlo da viatura e embatido noutra viatura e num autocarro público. O caso aconteceu na noite de quarta-feira, por volta das 19h30, obrigou a cortar o trânsito no local do embate, na Avenida da Amizade, em frente do Edifício do Grande Prémio de Macau. O vídeo do acidente tornou-se viral nas redes sociais.

De acordo com as imagens divulgadas online, quando circulava na recta em frente ao Edifício do Grande Prémio, em direcção ao centro de Macau, o condutor da viatura que se despista, de cor branca, começa por fazer uma ultrapassagem pela esquerda ao veículo que está a captar as imagens. Feita a primeira manobra, o homem muda de faixa de rodagem para tentar ultrapassar uma moto.

No entanto, a mudança de direcção é feita antes de uma curva para a esquerda, que coincide com a primeira curva do Circuito da Guia, pelo que o condutor perde o controlo da viatura, embate nos separadores de plástico e atinge um outro carro de sete lugares e um autocarro.

Como consequência do embate, o condutor do veículo de sete lugares atingido ficou preso e teve de ser desencarcerado pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o jornal Ou Mun, quando foi transportado para o hospital, o homem estava consciente e as autoridades indicaram que não corria perigo de vida. Os restantes feridos, com menor gravidade, são o condutor do autocarro e uma passageira, que se queixaram de dores no peito, e ainda o condutor do veículo responsável pelo acidente.

Álcool zero

Segundo as autoridades, os testes do álcool realizados ao condutor da viatura branca e do autocarro no local do acidente apresentaram resultados negativos, com o encarcerado a ser testado apenas mais tarde. Todos os condutores são residentes de Macau.

Numa investigação preliminar ao acidente, as autoridades consideraram que o embate se deveu ao facto de o condutor do carro branco ter feito uma ultrapassagem ilegal e ter entrado em velocidade excessiva na curva onde perdeu o controlo da viatura.

Nas imagens que circularam online, o carro branco, com matrícula de Macau, Hong Kong e do Interior, surge carregado de caixas brancas, o que levantou suspeitas de poder estar envolvido em actividades de contrabando. Todavia, este aspecto não foi abordado pelas autoridades na conferência de imprensa no local do acidente.

Dispositivo mobilizado

Após o registo do acidente, as autoridades enviaram para o local dois veículos de resposta a emergências e quatro ambulâncias, num total de 26 bombeiros. No local, três dos quatro feridos encontravam-se à beira da estrada a aguardar por auxílio, enquanto o outro condutor estava preso dentro da viatura.

A operação de desencarceramento demorou cerca de 40 minutos, com os trabalhos a serem dificultados pelo facto de o condutor estar preso pela parte inferior do corpo. Por volta das 20h12, foi possível remover o homem e levá-lo para o hospital. As equipas de salvamento trataram também de encerrar a estrada ao trânsito, que se manteve fechada até por volta das 20h45, altura em que as operações de reboque das viaturas danificadas e de limpeza da estrada ficaram concluídas.

20 Mar 2026