Hoje Macau China / Ásia MancheteHong Kong | Sobreviventes voltam a casas destruídas após incêndio Os habitantes do complexo em Tai Po começaram a regressar aos antigos apartamentos na esperança de recuperar alguns dos bens que ficaram para trás Milhares de habitantes de Hong Kong que perderam as suas casas num gigantesco incêndio no ano passado começaram ontem a regressar ao local, pela primeira vez, para recuperar o que resta dos seus pertences. O incêndio, que deflagrou em Novembro no complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, fez 168 mortos e afectou sete dos oito edifícios, obrigando milhares de pessoas a abandonar as suas casas. Cerca de seis mil residentes vão poder entrar nas habitações em períodos de até três horas, com o processo a prolongar-se até ao início de Maio, enquanto as autoridades procuram avaliar cerca de 1.700 apartamentos. Imagens divulgadas pelas autoridades mostram tectos e paredes colapsados ou enegrecidos pelas chamas, com interiores cobertos de destroços, após um incêndio que danificou mais de 920 apartamentos, alguns completamente destruídos. As zonas mais afectadas foram classificadas como “áreas perigosas”, tendo sido realizados trabalhos de reforço estrutural em edifícios fragilizados. Entre os residentes, o regresso é marcado por sentimentos contraditórios. “Penso que há na realidade muitas pessoas que não querem aceitar [a proposta do Governo], mas não têm outra escolha. Foram forçadas a aceitá-la”, disse Harry Leung, citado pela agência de notícias France Presse, referindo-se à oferta das autoridades para compra dos apartamentos a preços próximos do valor de mercado anterior ao incêndio. “Se tivesse escolha, não queria mesmo sair” do complexo, acrescentou. Betty Ho, que viveu mais de 30 anos no local, disse à AFP que espera recuperar sobretudo álbuns de fotografias de infância, sublinhando que os “bens de toda uma vida” da família ficaram no apartamento. Após o incêndio, Ho foi realojada em habitação temporária, onde poderá permanecer até ao final do ano, mas confessou sentir-se “ansiosa” face à incerteza sobre o futuro: “Seremos expulsos? Onde vou encontrar um lugar para viver?”, questionou. Outros residentes antecipam um impacto emocional significativo ao regressar. “Tenho o coração pesado, estou muito desapontado. Não esperava que o primeiro andar tivesse ficado assim”, disse Keung Mak, de 78 anos, citado pela agência de notícias Associated Press (AP), após ver imagens do apartamento onde viveu mais de 40 anos. Segundo a AP, o tecto da habitação ficou tão danificado que deixou visível a estrutura metálica, enquanto o chão está coberto de detritos e partes do edifício necessitam de reforço para evitar colapso. A mulher de Mak, Kit Chan, afirmou à AP que “muitas coisas com valor comemorativo desapareceram”, acrescentando: “Nem uma única folha de papel terá ficado”. Dificuldades acrescidas Entre os residentes mais idosos, que representavam mais de um terço dos cerca de 4.600 habitantes do complexo, o regresso é particularmente exigente, com alguns a prepararem-se fisicamente para subir escadas até aos 31 andares, devido à inoperacionalidade dos elevadores. As autoridades indicaram que mais de 1.400 pessoas com 65 ou mais anos se registaram para regressar aos edifícios. Enquanto decorre a investigação às causas do incêndio, sobreviventes continuam dispersos pela cidade, muitos em alojamento temporário. O Governo de Hong Kong considerou inviável reconstruir o complexo no mesmo local e propôs a recompra dos direitos de propriedade, embora alguns residentes contestem a decisão, defendendo que parte dos edifícios poderia ser recuperada. “Sabemos que há questões suspeitas por detrás disto. Espero que possamos realmente encontrar a verdade”, disse Cyrus Ng à AP, referindo-se à investigação em curso. Segundo um advogado envolvido no inquérito, citado pela AP, quase todos os sistemas de segurança contra incêndios falharam no dia da tragédia devido a erro humano.
Andreia Sofia Silva Eventos MancheteCCM | Obras de Xian Xinghai em concerto do Colégio Batista de Macau É hoje que o grande auditório do Centro Cultural de Macau acolhe o espectáculo “Remando em Frente, Pelo Amor à Pátria”, que não só dá destaque às composições de Xian Xinghai, nascido em Macau, como celebra os 70 anos do Colégio Batista de Macau. Um dos destaques será a apresentação de uma versão mais internacional de “Cantata do Rio Amarelo” O grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) recebe hoje, dia 21, a partir das 20h, o espectáculo “Remando em Frente, Pelo Amor à Pátria”, com foco nas composições de Xian Xinghai, compositor ligado a Macau. O concerto serve também para celebrar os 70 anos do Colégio Batista de Macau, contando com músicos locais, nomeadamente dois solistas, uma orquestra sinfónica de 60 músicos e o Coro Xinghai de Panuy, de Cantão, com cerca de uma centena de vozes. O maestro brasileiro Oswaldo Veiga Jardim, ligado à organização do espectáculo e ao currículo musical da escola, contou ao HM que alguns dos destaques musicais da noite são a “Cantata do Rio Amarelo”, apresentada na versão inglesa e chinesa, e ainda a “Sinfonia nº1”, composta por Xian Xinghai entre os anos de 1935 e 1941. O público pode assistir a “um concerto inteiramente dedicado à música de Xian Xinghai”, apresentando “o primeiro andamento da Sinfonia nº1 ‘Libertação Nacional’ Op.5”, disse Veiga Jardim. “Em 2025, quando o projecto ainda estava na fase inicial, pensámos em apresentar uma selecção de obras sinfónicas chinesas, incluindo a Rapsódia Chinesa, Op. 26, uma peça bastante interessante. Da minha parte, sonhava secretamente em apresentar a Cantata do Rio Amarelo, obra composta em 1939 durante a invasão japonesa, cuja versão para piano e orquestra tive a oportunidade de dirigir diversas vezes”, confessou. Porém, “as dificuldades inerentes à apresentação da cantata são enormes e desencorajadoras, sobretudo porque é uma obra longa que exige um grande coro, uma grande orquestra, actores, dois solistas de alto nível e um narrador, mais de 200 pessoas”, pelo que “Cantata do Rio Amarelo quase ficou de fora do programa. No entanto, quando Oswaldo Veiga Jardim descobriu a tese de doutoramento de Hong Xiang-tang, de 2009, intitulada “Performing the Yellow River Cantata”, percebeu que podia, afinal, incluir esta composição no programa. “O facto de Xian Xinghai, na sua correspondência com colegas e amigos, ter manifestado o desejo de ver suas obras executadas nos palcos internacionais, foi a faísca que acendeu o nosso entusiasmo para ultrapassar as dificuldades e pensar concretamente na apresentação desta obra em inglês, tendo em conta o público cosmopolita de Macau. A partir daí, tudo foi se encaixando de uma forma que beira o sobrenatural”, referiu. Sobre o grupo coral de Cantão que participa no concerto, Oswaldo Veiga Jardim diz ser composto “por entusiastas com vasta experiência na apresentação das obras corais de Xin Xinghai”, e que acompanha outro grupo coral ligado ao Colégio Batista de Macau. Sobre a apresentação de “Sinfonia nº1”, o maestro diz que “informações fidedignas sobre esta obra são bastante escassas”, não existindo, segundo o seu conhecimento, “qualquer gravação comercial da obra”. Desta forma, “o material de orquestra que vamos usar no concerto foi totalmente preparado por nós e é baseado na única versão da partitura disponível ao público: uma edição soviética de 1955, publicada pela Muzgiz, a editora estatal de música soviética que, na sequência da Revolução Russa de 1917, assumiu o controlo da antiga editora Jurgenson”. Oswaldo Veiga Jardim destaca, portanto, o “sentimento de orgulho” no facto de ser “um grupo de Macau a apresentar uma obra inédita de um compositor chinês nascido em Macau”. Para a História A realização deste concerto em homenagem a Xian Xinghai não surge por acaso, dado que no ano passado se celebraram os 80 anos da vitória na guerra de resistência contra a agressão japonesa e o fim da II Grande Guerra Mundial, destaca Oswaldo Veiga Jardim, que acrescenta o assinalar dos 80 anos da morte deste compositor, nascido em 1905 e falecido em 1945. Xian Xinghai foi “o mais célebre compositor chinês que deixou uma vasta obra que inclui sinfonias, bandas sonoras de filmes, centenas de canções patrióticas e a Cantata do Rio Amarelo, certamente a sua obra mais conhecida”. “Parece brincadeira dizer isso, mas como ele nasceu e morreu em anos terminados em cinco, Xian é um daqueles compositores que sempre merecem duplas homenagens, tanto pelo aniversário da morte quanto pelo do nascimento”, disse o consultor do currículo musical do Colégio Batista de Macau. “Cantata” internacional Oswaldo Veiga Jardim considera que a “Cantata do Rio Amarelo” é uma composição de “grande beleza e monumentalidade” que, no entanto, “nunca conseguiu se estabelecer na tradição coral ocidental devido principalmente às barreiras linguísticas impostas pelo texto em mandarim, que exige cantores que dominem o idioma, e aos desafios técnicos de incorporar elementos étnicos tradicionais às apresentações ocidentais”. Houve apenas uma apresentação americana em 1943 “com Paul Robeson e uma produção russa de meados da década de 1950 no Conservatório Tchaikovsky de Moscovo”, recorda o maestro, mas é uma obra que “permanece amplamente associada à sua tradição em língua chinesa”. Desta forma, a apresentação de “Cantata do Rio Amarelo” no território “faz todo o sentido”, por Macau ser uma “cidade de vocação cosmopolita e local de nascimento de Xian Xinghai”. O que se fez com este concerto foi “tomar a dianteira na apresentação de uma versão ‘mais internacional’ da cantata e, atendendo às aspirações do próprio compositor, torná-la mais acessível ao grande público”. Também “Sinfonia nº1” nunca “mereceu a devida atenção”, aponta Oswaldo Veiga Jardim. “A mensagem mais importante [deste concerto] é a de reconectar, sob o ponto de vista musical, Xian Xinghai, o homem, às suas origens cosmopolitas de Macau”, nomeadamente na sua ligação “à colónia piscatória da Rua da Praia do Manduco, onde sua família vivia, valorizando uma ligação que certamente teve importância decisiva no futuro do pequeno Xian”. A escolha do repertório focou-se no “desejo de apresentar ao público de Macau dois lados distintos da personalidade musical do compositor”, nomeadamente “a cantata, de inspiração folclórica, como instrumento popular de resistência durante um período trágico da história da China”, e também a sinfonia. Esta última “como uma tentativa mais complexa e estruturalmente ambiciosa de reconciliar o ‘universo folclórico chinês’ com o academismo musical ocidental que Xian absorveu em Paris, tendo como pano de fundo a luta pela libertação nacional”. Numa nota biográfica divulgada pela organização do concerto, lê-se que Xian Xinghai viveu uma vida “marcada pela pobreza e dificuldades”, tendo nascido pobre numa família de Tanka, nome dado a habitantes em barcos, em Macau. O seu pai, Xian Xitai, morreu no mar antes do filho nascer, tendo este sido criado pela mãe, Huang Suyin, “cujas canções folclóricas e canções de embalar influenciaram, sem dúvida, a sua obra posterior”. Xian cresceu em Guangzhou, em Panyu, onde foi criado pelo avô materno, tendo a família ido depois para Singapura, em 1912, aquando da morte do avô e em busca de melhores condições de vida, tendo voltado depois a Guangzhou. Foi nessa altura que Xian teve os primeiros contactos com a música ocidental, nomeadamente no Lingnan College, onde aprendeu violino e clarinete e começou a estudar as obras de mestres como Bach e Beethoven. Depois de uma passagem por França onde estudou música, Xian regressou à China em 1935, tendo escrito canções para cinema, rádio e para o Movimento Nacional de Salvação da Canção, num “esforço patriótico que surgiu no final da década de 1930 para fomentar uma frente unida contra a invasão japonesa e pôr fim à guerra civil”. Foi assim que Xian Xinghai se envolveu no movimento comunista, “compondo ‘canções de massas’ e oferecendo aulas de música gratuitas a cadetes do Partido Comunista”. Em Maio de 1940 o Comité Central do Partido Comunista enviou Xian para a União Soviética numa missão de trabalho. Na sequência do início da II Guerra Mundial e da invasão alemã da URSS, o equipamento e o pessoal do estúdio foram evacuados para Almaty, no Cazaquistão. Xian passou lá os últimos anos de vida, a ensinar e a compor, vivendo na casa do colega e compositor Bakhytzhan Baikadamov. Após um período de saúde debilitada, Xian foi transferido para Moscovo, onde faleceu em 1945, aos 40 anos.
João Santos Filipe Manchete SociedadeParque Industrial | Concepção adjudicada por 197,8 milhões O futuro Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau vai ficar localizado na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros. Os planos de concepção foram adjudicados à empresa estatal Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co. Os dois planos de concepção do Plano Concepcional para o Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau foram adjudicadas por 197,8 milhões de patacas à Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co., Ltd.. As instalações que vão ser construídas para se transformarem no grande centro de investigação industrial e científico na RAEM vão ficar localizadas na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros. De acordo com a informação divulgada pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), o plano de concepção para a parcela do parque na Avenida Wai Leong foi entregue à empresa de estatal por cerca de 49,3 milhões de patacas. O pagamento previsto vai ser feito em renminbis, totalizando 42,9 milhões. No caso do lote na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros, o plano de concepção vai custar 148,5 milhões de patacas, ou 129,1 milhões de renminbi. Os planos, apesar dos montantes envolvidos, foram adjudicados directamente à empresa estatal, depois de terem sido apresentadas duas propostas por escrito, uma para cada um dos lotes. Os dois projectos têm de ser apresentados pela empresa até ao final do próximo ano, para depois se dar início às obras. No terreno da Avenida Wai Long, a área bruta de construção vai ser de 150 mil metros quadrados, incluindo as encostas e o Túnel da Colina da Taipa Grande, e na Zona E1 dos Novos Aterros Urbanos a área bruta de construção totaliza cerca de 500 mil metros quadrados. A empresa Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co. foi fundada em 1961, é uma das principais empresas de tecnologia nacional, ao fazer parte do grupo Zhongguancun Development Group. Diversificação da Economia O parque foi apresentado durante a consulta pública, que decorreu no final do ano passado, como uma forma de dar “uma boa resposta à questão inadiável do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. O documento da consulta apontava que a pandemia da Covid-19 mostrou “a urgência de desenvolvimento da diversificação da estrutura industrial” da RAEM, dado que o produto interno bruto (PIB) apresentou uma redução a 50 por cento. No documento da consulta era ainda garantido que o parque faz parte do caminho para o futuro, porque “a promoção do desenvolvimento da indústria científica e tecnológica” vai desenvolver “uma nova força para Macau cultivar novos motores de crescimento económico e apoiar o desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. “A construção do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau é, assim, um projecto de grande relevância para a implementação das orientações estratégicas do Estado, o apoio ao desenvolvimento da indústria científica”, foi acrescentado.
Hoje Macau Manchete PolíticaCiberataques | Governo alvo de quatro milhões de acções por mês Segundo o Executivo, o “rigoroso regime de gestão de segurança” e a “equipa de monitorização dedicada” têm evitado que os ataques frequentes sejam bem-sucedidos O Governo apontou que o seu centro de computação em nuvem repele, em média, mais de quatro milhões de ciberataques todos os meses. Numa resposta a perguntas do deputado Vong Hou Piu sobre o actual uso de inteligência artificial (IA) na melhoria da eficiência da administração pública, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) confirmou que, apesar do elevado volume de ataques cibernéticos registado ao longo de 2025, não ocorreu até à data qualquer incidente de segurança. As autoridades atribuíram este registo de defesa a uma “equipa de monitorização dedicada” e a um “rigoroso regime de gestão de segurança”, concebido para proteger a infra-estrutura electrónica e os dados sensíveis da cidade. O Governo de Macau tem acelerado a integração da IA nas operações internas, com a SAFP a iniciar testes de uma plataforma em grande escala para agilizar tarefas administrativas como a análise de dados, o processamento de documentos e a redacção de atas de reuniões. Para mitigar os riscos associados a esta nova tecnologia, o SAFP sublinhou que a plataforma de IA está alojada no Centro de Computação em Nuvem do Governo e é de uso exclusivamente interno. “O SAFP continuará a monitorizar os riscos de ciberataques, respondendo atempadamente e reforçando as capacidades de detecção e bloqueio de intrusões”, afirmaram os serviços, salientando que a cibersegurança continua a ser um pilar da estratégia de governação electrónica do Executivo. IA como exigência As autoridades do território acrescentaram que o impulso para a modernização deverá também transformar o pessoal da função pública, com os futuros processos de recrutamento poderão ser actualizados para incluir a proficiência em IA como critério de selecção. “No âmbito do regime actual, os júris de concurso têm a discricionariedade de ponderar conhecimentos de tecnologia de IA em provas e entrevistas, garantindo que os novos recrutas estão preparados para a transição digital”, indicaram. O Governo defende que as actualizações tecnológicas são essenciais para melhorar a qualidade do serviço prestado e a eficiência do trabalho em todos os departamentos públicos.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeBNU assina acordo com Manteigaria, do grupo Portugália O Banco Nacional Ultramarino (BNU) vai assinar um protocolo com o grupo Portugália, que detém a marca “Manteigaria”, de produção de pastéis de nata. Recorde-se que a Manteigaria já está em Macau, onde a empresa fez um investimento de dois milhões de euros, e deverá chegar este ano a Hong Kong. “Vamos celebrar um protocolo entre o BNU e a Manteigaria numa lógica de desenvolvimento das suas operações em Macau, Hong Kong e outras cidades da Grande Baía, em que se utiliza Macau como plataforma”, disse Carlos Cid Álvares, CEO do BNU, aos jornalistas. O BNU faz parte do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), banco público português, e Carlos Cid Álvares explicou que, no contexto destes negócios portugueses que procuram a sua expansão, “a CGD estará aí para os apoiar”. “Que venham mais manteigarias, temos todo o gosto em fazer isso”, referindo-se a apoios bancários na expansão da marca. Em relação à visita de Sam Hou Fai a Lisboa e Madrid, Cid Álvares falou na existência de “uma vontade política enorme” para que haja um reforço de relações comerciais. “Esta comitiva de 120 pessoas demonstra isso. Há pessoas do sector público, privado, e acredito que com tantos protocolos a serem assinados, com uma comitiva desta dimensão e com a vinda do Chefe do Executivo, que visita as três principais figuras do Estado português, há uma vontade para que este intercâmbio aconteça, quer em termos de investimento, quer em termos de trading e volume de negócios.” Vistos a melhorar Carlos Cid Álvares defendeu ainda que “empresas dos países de língua portuguesa e latino-americanos terão todo o interesse em vir para Macau, que é completamente ‘friendly’ para os estrangeiros, sendo um dos sítios mais seguros do mundo, com a Ásia para se viajar e um bom sistema de ensino”. Porém, “há coisas a melhorar” para que os negócios floresçam, nomeadamente ao nível “do sistema de vistos de trabalho”. “Tem havido tentativas de melhoria por parte do Governo, para que [o sistema] possa ser menos burocrático e incerto e permita que as famílias dos CEO e CFO se juntem”, rematou. O CEO do BNU lembrou que os negócios de Portugal com Macau não passam apenas pelo vinho. Aliás, “o vinho ocupa uma percentagem ridícula das exportações portuguesas”. “Portugal tem empresas de primeira linha a competir no mercado internacional, sendo os melhores em seis ou sete sectores de actividade. Lembro-me do tomate, azeite, cortiça, café e dos moldes, ou até a pasta de papel. Estão habituadas a competir no mercado internacional e podem acrescentar valor com parcerias com empresas de Macau, num mercado como é o chinês, ou da Grande Baía, com cerca de 80 milhões de consumidores”, exemplificou.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSam Hou Fai em Lisboa | Empresas e Governo, um modelo de “alto nível” Decorreu esta segunda-feira, em Lisboa, uma sessão de apresentação dos serviços profissionais de Macau como plataforma sino-lusófona, no âmbito da visita oficial de Sam Hou Fai a Portugal. O presidente do IPIM destacou que o modelo de juntar empresas e Governo nestas missões tem agora uma maior dimensão, “de alto nível”. O olhar está na lusofonia, mas também nas oportunidades que o mundo hispânico pode trazer É uma delegação com mais trabalho de casa feito aquela que está em Lisboa por estes dias – são 120 empresários de Macau ou do interior da China que acompanham o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, naquela que é a primeira viagem oficial à Europa no seu mandato. Esta segunda-feira decorreu, em Lisboa, a “Sessão de apresentação dos serviços profissionais de Macau como plataforma sino-lusófona e jantar de intercâmbio”, onde estiveram presentes alguns empresários de Macau, como Jorge Neto Valente ou Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos. Não faltaram ainda, na lista de oradores, Oriana Pun, secretária-geral da Associação dos Advogados de Macau, ou Tsui Wai Kwan, presidente do Centro de Arbitragem do World Trade Center de Macau. Discursos proferidos em mandarim foram palavra de ordem. À margem da sessão, que decorreu no Tivoli Oriente, Che Weng Keong, presidente do conselho administrativo do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM), falou precisamente da maior preparação da delegação de empresários da RAEM e dos benefícios da conexão com as autoridades governamentais. Questionado sobre o modelo de associar várias empresas ao Governo, o responsável classificou-o como sendo, ao nível da sua dimensão, “de alto nível”. “Desta vez contamos com 120 pessoas e é um grupo muito grande, com representantes de empresas de Macau, interior da China e Hengqin. Há empresas [integrantes da comitiva] que fazem parte do ranking das 500 maiores do interior da China. Gostaríamos de, através desta missão, conseguir promover mais oportunidades para a criação de mais negócios”, declarou. Em relação às áreas de negócio inclui-se a “Big Health”, ou área da saúde, “tecnologia de ponta, negócios online e transfronteiriços, “bem como outros negócios e assuntos comerciais”. “Em relação ao mercado do interior da China, esta missão [a Lisboa] representa 40 por cento da área de ‘Big Health’ e tecnologias de ponta”, frisou. Destaca-se ainda o facto de este ano, do rol de empresas constarem “empresas de maior dimensão do interior da China, bem como muitas empresas cotadas em Bolsa”. Em relação a visitas oficiais realizadas anteriormente, Che Weng Keong destacou o plano de “maximizar a sua eficiência”, sendo que, desta vez, foi feito “muito trabalho” prévio. “Recolhemos projectos desenvolvidos por empresas do interior da China, para que empresas portuguesas e espanholas consigam antecipar os trabalhos preparativos” no que diz respeito ao intercâmbio e conhecimento do tipo de negócios. Desta forma, “podemos ver que para Portugal e Espanha já estamos preparados com dezenas de acordos para serem assinados durante esta missão”, disse o presidente do IPIM. Esta segunda-feira decorreu, por exemplo, uma cerimónia de assinatura de 17 acordos no MEO Arena, zona da Expo. Objectivos definidos Che Weng Keong não deixou de frisar que os mercados de língua portuguesa são importantes, mas também os de língua espanhola. Sempre que há questões sobre planos de futuro ou objectivos a cumprir com este tipo de missões empresariais, a resposta contém Espanha no horizonte. “Todos sabem que, por razões históricas, Macau tem um laço muito estreito com vários países de língua portuguesa. Também gostaríamos de ter alguma extensão até Espanha nesta visita. O nosso objectivo é desenvolver o mercado do interior da China com os países de língua portuguesa e espanhola, para que Macau sirva de plataforma para que estas regiões e países tenham oportunidade de encontrar parceiros de negócios.” Muitos desafios Nem tudo são rosas nesta história de fazer negócios. Ng In Cheong, directora-adjunta dos Serviços de Assuntos Jurídicos da Zona de Cooperação Guangdong e Macau em Hengqin, e uma das responsáveis pelo Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), falou de alguns desafios que é preciso enfrentar para que as empresas dos dois lados se conheçam. “A formação sobre línguas ou outros temas é algo complexo, porque a língua é o problema principal para a saída das empresas da China, causando obstáculos, o que não deveria acontecer. Por isso cooperamos com universidades para que se realizem formações, e procuramos também estudantes de espanhol e português. Mas além de falarem português, também têm de dominar outros conhecimentos”, declarou. Admitindo que o CECPS existe há menos de um ano e que ainda não há muito trabalho a mostrar, a verdade é que “já se alcançaram alguns resultados” deste serviço “one-stop” existente em Hengqin. “Ajudamos empresas que querem sair de Macau e que não sabem como o fazer, e ajudamos aquelas que querem sair da China. Damos formação às empresas para que formem os seus trabalhadores. Temos uma empresa que presta serviços como o E-bay e que já está a fazer negócios em Portugal”, adiantou Ng In Cheong. Nesta fase, o Centro já estabeleceu contactos “com mais de 200 empresas”, tendo sido “celebrados acordos de cooperação com muitas entidades”. “Só que o nosso centro ainda é muito recente”, frisou. Apesar do pouco tempo de existência, este centro de serviços deverá expandir-se a outros países. “O nosso centro tem uma presença em Hengqin, mas temos também centros situados em Xangai, Pequim e Shenzhen. Também vamos criar escritórios no Brasil, México e Espanha”, explicou Ng In Cheong. Frederico Ma, presidente da direcção da Associação Comercial de Macau e empresário, também demonstrou ter grandes expectativas com esta visita a Lisboa. “No ano passado realizamos um fórum para o nosso sector e gostaríamos de continuar a reforçar os laços com vários países. Esperamos que, com esta visita, possamos assinar mais acordos com países de língua espanhola. Visitei Portugal várias vezes e agradeço que o Governo da RAEM organize estas visitas, para que nós e empresas do interior da China possamos, em conjunto, ter esta visita a Portugal e Espanha.” Admitindo que a área da engenharia ou gestão de infra-estruturas constitui “uma das vantagens das empresas do interior da China”, Frederico Ma disse que o “ambiente de investimento em Portugal é muito positivo, não tendo sido gravemente afectado pela crise económica actual”. “Temos [em Macau] alguns centros de empreendedorismo para ajudar os jovens a criar negócios. O mercado de Portugal é bom, e há várias vantagens em se investir em Portugal através da plataforma de Macau”, acrescentou o também empresário.
Hoje Macau Manchete SociedadeCrime | Detidas 34 pessoas por branqueamento de 45,6 milhões A rede de branqueamento de capital operava entre o Interior e Macau e as detenções resultaram de uma operação conjunta. As autoridades acreditam que a rede operava pelo menos desde Janeiro do ano passado, obtendo ganhos ilícitos de aproximadamente 2,5 milhões de yuan A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de 34 suspeitos de branqueamento de 45,6 milhões de yuan, fraude e falsificação de documentos. As detenções resultaram de uma operação conjunta com as autoridades do Interior. A operação, realizada na quinta-feira, resultou em 25 detidos em Macau e nove no interior da China, incluindo três alegados cabecilhas, disse o chefe da divisão de crimes organizados da Polícia Judiciária (PJ), Ho Wai Lok, em conferência de imprensa. A PJ acredita que, desde Janeiro de 2025, terão sido branqueados pelo menos 45,6 milhões de yuan, obtendo ganhos ilícitos de aproximadamente 2,5 milhões de yuan. “Em Macau, entre os 25 suspeitos, dois são residentes de Hong Kong e os restantes são da China continental”, disse Ho. As autoridades apreenderam 5,7 milhões de dólares de Hong Kong em numerário, bem como equipamento para falsificar cartões de identidade e cartões bancários da China continental, incluindo impressoras, hologramas e trituradoras. A polícia do Interior da China deteve nove pessoas em Guangxi, no sul do país, e noutras províncias, entre os quais os três alegados cabecilhas, afirmou Ho. Outras 31 pessoas, tinham sido detidas no início do ano na vizinha cidade de Zhuhai, numa operação que levou ao desmantelamento de 11 bancos ilegais ligados ao mesmo grupo de crime organizado. Hierarquia organizada Segundo a PJ, o grupo operava a três níveis: “membros de baixa hierarquia abordavam apostadores junto a casinos e hotéis, oferecendo taxas de câmbio favoráveis para converter numerário ou fichas de Hong Kong em yuan. Os intermediários contactavam então os superiores, sediados na China continental, para efectuarem transferências bancárias”, explicou o responsável. A polícia disse que alguns apostadores viram as contas bancárias congeladas pouco depois de receberem o dinheiro. Outros, tornaram-se suspeitos ao regressar à China continental, depois de a polícia ter verificado que tinham recebido nas contas bancárias fundos que tinham sido desviados de vítimas de burlas online em oito províncias do país. Registou-se um total de 12 casos relacionados, com as perdas totais das vítimas a ascenderem a 3,59 milhões de yuan.
Hoje Macau Manchete SociedadeLançada primeira base de dados sobre estudos camonianos A Universidade de Macau (UM) e a Universidade de Coimbra (UC) acabam de lançar o “Camões Lab”, a primeira base de dados digital sobre estudos camonianos desenvolvida em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação “la Caixa” e Imprensa Nacional-Casa da Moeda. O lançamento decorreu em Coimbra, sendo a UM “parceira principal” deste projecto, destaca-se num comunicado oficial da UM. “Camões Lab” visa contribuir “para a preservação cultural e para a investigação em humanidades digitais”, sendo que, nas palavras do reitor da UC, Amílcar Falcão, o projecto é “inovador” e tem “uma visão de futuro, que ajuda a levar a obra de Camões para além do meio académico, alcançando um público mais vasto”. Delfim Leão, vice-reitor da UC, descreveu que o “Camões Lab” é uma plataforma que estará disponível aos utilizadores “por fases, prevendo-se que a primeira entre em funcionamento em meados de 2026 e que a construção global fique concluída até ao final de 2027”. Manuel Portela, director da Biblioteca Geral da UC, “salientou que a plataforma evoluirá para uma base de conhecimento académico dinâmica, em permanente actualização e de acesso aberto”. Digitalizar e preservar Este projecto nasce numa altura em que se celebram os 500 anos do nascimento de Luís de Camões, poeta maior da língua portuguesa e autor de “Os Lusíadas”, uma epopeia sobre os Descobrimentos. A plataforma criada entre a UM e UC visa “criar uma plataforma digital de referência mundial para os estudos camonianos, preservando, estudando e promovendo, em formato digital, a sua obra literária”. Pretende-se uma integração de “tecnologias de processamento de linguagem natural e de inteligência artificial, procedendo à marcação estruturada dos textos segundo a norma internacional XML-TEI”. Além disso, irão identificar-se “através de anotações semânticas figuras históricas, personagens literárias e informações geográficas, de modo a reforçar a legibilidade e a interoperabilidade dos textos em ambiente de investigação digital”. A ideia é concretizar “o duplo objectivo de preservação textual e de aplicação digital”.
Nunu Wu Manchete SociedadeAviação | Air Macau admite cancelamento de 400 voos em Maio e Junho A empresa justifica-se com o aumento do preço dos combustíveis, que aponta ter subido para 205 dólares americanos por barril. A Air Macau admite ser incapaz de explorar comercialmente o negócio nestas circunstâncias, mas defende-se dizendo que segue as práticas internacionais A Air Macau admite que cancelou 400 voos previstos para Maio e Junho, o que justificou com o aumento do preço do combustível. A reacção surge depois de nas últimas semanas terem aparecido várias informações de que a companhia aérea de Macau estava a cancelar vários voos regionais, sem que houvesse confirmação oficial. No sábado, de acordo com uma resposta citada pelo jornal Ou Mun e pelo canal chinês da Rádio Macau, a empresa admitiu que já tinha cancelado 155 voos internacionais. A estes, juntam-se outros 245 voos para destinos no Interior, o que significa que, em média, a Air Macau está a cancelar seis voos por dia. Quando questionada sobre os motivos dos cancelamentos, a transportadora local, que é controlada pela empresa estatal que também controla a Air China, justificou-se ao indicar que o preço do combustível para aviação internacional subiu para 205 dólares americanos por barril, e que nem o aumento da “taxa e combustível” permitiu cobrir os custos operacionais crescentes. Segundo a Air Macau, os cancelamentos antecipados fazem com que os passageiros não sejam surpreendidos por alterações na véspera da viagem, e assim possam proteger melhor os seus direitos. A companhia local defendeu também que os cancelamentos com duas semanas de antecedência são uma prática internacional na forma como se lida com o aumento dos preços do combustível. Os cancelamentos acontecem numa altura em que Macau tenta atrair cada vez mais visitantes internacionais. Sobre este aspecto, a empresa, que tem como accionista o Governo da RAEM, indica que está a fazer “todos os esforços” para preservar as ligações a Macau. Queixas recebidas Por sua vez, o Conselho de Consumidores (CC), que é controlado pelo Governo, o segundo maior accionista na Air Macau, revelou ao canal chinês da Rádio Macau ter recebido cinco queixas desde o início de Abril. As queixas foram apresentadas por três residentes e dois turistas. Ao mesmo tempo, o organismo liderado Leong Pek San afirmou que quando recebe qualquer queixa entra em contacto com as companhias aéreas “o mais rapidamente possível” para informar a empresa sobre as denúncias e “mediar os litígios entre as duas partes”. Em algum momento, na resposta citada pela Rádio Macau, o Conselho Consumidores coloca a possibilidade de haver sanções. Em vez disso, a autoridade “insta” as companhas aéreas “a notificar antecipadamente os consumidores com reservas e a disponibilizar opções adequadas de remarcação e reembolso, caso sejam necessários ajustes nos voos”.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCombustíveis | Deputado sugere financiamento de PME O deputado da FAOM considera que os preços sobem muito depressa, mas que demoram demasiado tempo a descer, pelo que pede uma maior fiscalização do mercado pelas autoridades competentes O deputado Leong Sun Iok defende que o Governo deve seguir o exemplo de Hong Kong e subsidiar o preço dos combustíveis para as Pequenas e Médias Empresas (PME). A proposta do membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) surge numa interpelação escrita. No documento, Leong Sun Iok começa por questionar o Executivo sobre o facto de os preços do petróleo estarem em quebra nos tempos mais recentes, apesar do prolongar da tensão no Médio Oriente, sem que os efeitos se sintam na RAEM. “É importante notar que, apesar de uma recente queda significativa nos preços internacionais do petróleo, os preços a retalho dos combustíveis e do gás de petróleo liquefeito (GPL) em Macau ainda não acompanharam essa redução”, apontou. “Sendo os combustíveis e o GPL bens indispensáveis para a vida quotidiana dos cidadãos e para os diversos sectores de actividade, a subida dos preços tem um impacto directo nas despesas correntes da população e nos custos globais do transporte e da logística da sociedade”, alertou. Com tudo a ficar mais caro, devido ao efeito transversal do aumento dos preços internacionais do petróleo, Leong indica que mais uma vez a população verifica que os preços dos combustíveis e do gás “sobem rapidamente e muito”, quando há aumento internacional, mas que quando a tendência é a oposta, a redução acontece “devagar” e numa proporção menor. O deputado afirma também que esta é uma situação regular e que aconteceu quando houve a invasão da Ucrânia pela Rússia. Por isso, Leong pergunta ao Governo se há planos para “aperfeiçoar” o mecanismo de fiscalização dos preços. Política de apoios Também para evitar que a população tenha de suportar totalmente o aumento dos combustíveis, o deputado sugere apoio para as PME, como acontece em Hong Kong. Desta forma, indica o legislador, ajuda-se as empresas e faz-se com que os preços no consumidor não sejam tão elevados. “Com vista a aliviar os encargos dos sectores, o vizinho Governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong anunciou recentemente a implementação de uma medida de alívio com duração de dois meses, incluindo um subsídio de 3 dólares de Hong Kong por litro de gasóleo para veículos comerciais, bem como a redução de 50 por cento das portagens de túneis”, descreveu. “O Governo da RAEM deve ponderar activamente tal prática, acompanhar de perto a subida dos preços em Macau e avaliar, sempre que necessário, a introdução de abonos específicos a combustíveis ou medidas de alívio dirigidas aos sectores dos transportes e às micro, pequenas e médias empresas mais afectados pela volatilidade dos preços dos combustíveis, de modo a aliviar os encargos dos sectores e contribuir para a estabilização dos preços”, opinou. “Vai fazê-lo?”, perguntou.
Hoje Macau Manchete PolíticaEconomia e Finanças | Novo secretário ainda por escolher O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, declarou ainda na sexta-feira, antes de partir para a Europa, que ainda não decidiu o novo nome que irá substituir Tai Kin Ip no cargo de secretário para a Economia e Finanças. Segundo a TDM Rádio Macau, Sam Hou Fai explicou que quando o candidato for escolhido será apresentado um pedido de nomeação ao Governo Central, em conformidade com as disposições da Lei Básica. O governante máximo da RAEM voltou a reiterar que Tai Kin Ip saiu do cargo por motivos pessoais, dizendo “compreender” a sua situação e que respeita a sua decisão. A notícia de que Tai Kin Ip vai deixar o elenco governativo, menos de dois anos depois de ter sido escolhido, foi divulgada na última semana. Visita | CE pede a estudantes para alargarem horizontes Este sábado a agenda do Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, a Lisboa ficou marcada por um encontro com mais de uma centena de estudantes do ensino superior de Macau que estão em Portugal. Segundo noticiou a TDM Rádio Macau, o Chefe do Executivo desafiou os estudantes “a alargar horizontes através da língua portuguesa”. Por sua vez, em declarações à rádio, alguns alunos falaram das suas aspirações para o futuro. No caso de Iao Kachon, estudante de Relações Internacionais na Universidade do Porto, a ideia é voltar a Macau e procurar trabalho na região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Lao Chi Leng, estudante na Faculdade Direito da Universidade do Porto, diz que também pretende trabalhar em Macau.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaPlano Quinquenal | Consulta pública arranca em Maio O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, disse em Macau, antes de partir na sua visita oficial à Europa, que o terceiro plano quinquenal da RAEM está a ser preparado, devendo o documento de consulta pública estar pronto no próximo mês. O Governo vai ainda elaborar um “plano geral” sobre viagens ao exterior Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, declarou na sexta-feira, antes de partir na viagem oficial à Europa que inclui países como Portugal e Espanha, que o terceiro Plano Quinquenal da RAEM está a ser preparado. Segundo um comunicado oficial divulgado, o governante explicou que o documento de consulta deverá estar “pronto no próximo mês de Maio para consulta pública”, com duração de 40 dias. Sam Hou Fai disse ainda que a elaboração de mais um Plano Quinquenal, que traça as principais políticas em diversas áreas a implementar no território, “é a tarefa mais importante e prioritária do Governo da RAEM este ano”. O Plano Quinquenal da RAEM deverá estar em consonância com o 15.º Plano Quinquenal do país, encontrando-se o documento base “numa fase de aperfeiçoamento”, tendo o Governo “concluído basicamente” a sua redacção. Desta forma, Sam Hou Fai disse que foram realizados “estudos aprofundados de investigação preliminar”, pretendendo-se agora “auscultar amplamente as opiniões de diversos sectores da sociedade, nomeadamente académicos e associações”. Viagens programadas Na mesma conferência de imprensa, o Chefe do Executivo declarou também que após concluir esta viagem, que inclui também passagens por Bruxelas e Genebra, o Governo vai, no segundo semestre do corrente ano, “elaborar um plano geral sobre as visitas ao estrangeiro”. O governante afirmou que “o Governo deve aproveitar as próprias vantagens” do território e promover “a expansão e o reforço da cooperação e do intercâmbio com mais países”. Na calha, estão “visitas oficiais a países do Sudeste Asiático e do Nordeste Asiático, bem como a possibilidade de visitar outros países de língua portuguesa e espanhola”. Sam Hou Fai “encorajou secretários e dirigentes a nível de direcção do Governo a liderarem delegações a visitas ao exterior”, acrescentou. Sobre a viagem à Europa, Sam Hou Fai falou de um “programa intenso, com conteúdos substanciais”, sendo que a escolha de Portugal como primeira paragem da visita “reflecte plenamente a importância que Macau atribui à continuação da amizade sino-portuguesa”. Com agenda marcada com o Presidente da República, António José Seguro, ou com o próprio primeiro-ministro, Luís Montenegro, Sam Hou Fai assegurou que “esta é a visita a Portugal, de entre todas as que já se realizaram, em que uma delegação oficial da RAEM reúne com o maior número de responsáveis políticos portugueses”, abrangendo “o leque mais vasto de áreas”. A visita da delegação da RAEM inclui um grupo de empresários e começa em Lisboa, onde Sam Hou Fai chegou este sábado, seguindo-se Madrid e depois Genebra, na Suíça, e Bruxelas, na Bélgica. O regresso a Macau está agendado para domingo, dia 26. Relativamente à comunicação política com o hemiciclo, o governante disse estar “a coordenar com o Presidente da Assembleia Legislativa” a presença “numa sessão plenária da Assembleia Legislativa a meio do ano para trocar ideias com os deputados sobre a governação e o desenvolvimento social, além de responder a perguntas dos deputados após a apresentação do Relatório das Linhas de Acção Governativa”.
Sérgio Fonseca Desporto MancheteAutomobilismo | Macau mantém forte presença no Interior da China Depois do Grande Prémio da China de Fórmula 1 e de um evento extra-campeonato promovido pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC), em Zhuzhou, arrancam este fim de semana os campeonatos chineses de velocidade. Em destaque, estão o revitalizado Campeonato da China de GT e o Campeonato Chinês de Fórmula 4, ambos marcados por uma presença expressiva de Macau. Na sua quarta edição, o Campeonato da China de GT atravessa o momento mais pujante, com 57 viaturas inscritas na prova inaugural, no Circuito Internacional de Xangai, o que obrigou a organização a dividir as grelhas de partida entre GT3 e GTC/GT4. A participação do piloto-celebridade Wang Yibo impulsionou o retorno mediático do campeonato e a adesão, reunindo hoje o campeonato praticamente todas as principais estruturas do Interior da China da especialidade. Entre os 28 carros da categoria GT3 figura Liu Lic Ka, sendo que o veterano piloto de Macau irá partilhará o seu Mercedes-AMG GT3 com o jovem alemão Tom Kalender, sob a égide da sua equipa, a Elegant Racing. A lista de inscritos inclui ainda dois apelidos italianos sonantes do desporto automóvel internacional, que vão ganhando experiência e nome no automobilismo asiático. Enzo Trulli, filho do antigo piloto de Fórmula 1 Jarno Trulli, alinhará num Porsche 911 GT3 R. Já Lorenzо Patrese, filho de Riccardo Patrese, também ele ex-piloto de F1 e vencedor do Grande Prémio de Macau em 1977 e 1978, estará ao volante de um Ferrari 296 GT3. Aposta na formação Os mesmos monolugares de Fórmula 4 que recentemente competiram na primeira edição da Taça do Mundo da FIA, no Circuito da Guia, regressam à actividade para a jornada inaugural de um campeonato que é o único de monolugares no país. Estão previstas seis provas ao longo da temporada, com uma passagem pela cidade vizinha de Zhuhai. Presente desde a génese da competição, a Asia Racing Team, que assinala 23 anos de actividade, inscreve quatro monolugares para Timur Shagaliev, Josh Feng, Zhuyuan Chen e Chujian Huang. O chefe de equipa, o português residente em Macau Rodolfo Ávila, encara o início da época com prudente optimismo: “Sentimo-nos preparados para a nova temporada, mas mantemos alguma cautela nas expectativas, tendo em conta que três dos nossos pilotos são estreantes e enfrentaremos adversários mais experientes. O talento existe e importa agora perceber de que forma poderá traduzir-se em resultados”, afirmou o antigo campeão chinês e asiático de Fórmula Renault. Apesar da ausência de pilotos da RAEM nesta ronda inaugural, em Xangai, outra estrutura de Macau mantém forte presença na disciplina. A Champ Motorsport, que habitualmente com André Couto, Andy Chang ou Charles Leong Hon Chio entre os habituais “drivers coaches”, inscreve três Ligier JS F422 para Kimi Chan, Ken Chow e Chow Chun Shing. Macpro Racing Team mantém ligação à Honda Por seu turno, na disciplina de carros de Turismo, a Macpro Racing Team continuará a representar Macau no Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), cuja temporada tem início nos dias 25 e 26 de Abril. Após um passado como equipa oficial da Dongfeng Honda, a estrutura actua hoje de forma independente, mantendo, contudo, a ligação histórica à marca japonesa. Para 2026, a equipa inscreve três Honda Civic FL5 TCR, desenvolvidos pela italiana JAS Motorsport a partir do mais recente Civic Type R, no sempre popular CTCC. Segundo fonte da estrutura, em declarações divulgadas nas plataformas oficiais do campeonato, a escolha do modelo assenta na experiência acumulada com a marca: “A equipa utiliza carros da Honda há muitos anos e conhece profundamente as características dos diferentes modelos. O novo Civic FL5 TCR apresenta uma base muito sólida em termos de comportamento dinâmico e equilíbrio no limite, beneficiando ainda de melhorias evidentes no sistema de travagem.” Por outro lado, a mesma fonte da equipa por quem correram no passado vários nomes conhecidos do automobilismo da RAEM, como André Couto, Henry Ho ou Eurico de Jesus, os carros da Honda têm uma presença muito importante no meio do automobilismo de Macau, desde os antigos EG e DC2, passando pelo FD2, até ao atual FL5 TCR, sendo uma presença constante nas pistas há mais de uma década, com uma base técnica sólida e fácil de trabalhar em termos de afinação e preparação.”
João Santos Filipe Manchete SociedadeActivos Públicos | Empresa da UM com lucro de 2,7 milhões Os resultados mais recentes da empresa que realiza estudos ficam marcados por uma correcção do lucro de 2024, que passou de 781 mil patacas para 2,9 milhões de patacas No ano passado, a UMTEC, empresa controlada pela Universidade de Macau, apresentou um lucro de 2,7 milhões de patacas, de acordo com os dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços da Supervisão e Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Os resultados mais recentes apresentam uma revisão da contabilidade relativa a 2024. Em 2025, as vendas da empresa, que disponibiliza serviços de investigação, dispararam de 18,1 milhões de patacas para 31,2 milhões de patacas. Contudo, os custos das vendas também ficaram mais caros, com uma subida de 15,3 milhões para 23,1 milhões de patacas. Como resultado destas alterações, os lucros brutos subiram de 2,8 milhões para 8,1 milhões de patacas. No entanto, a UMTEC gerou menos dinheiro em “operações de financiamento”, com os ganhos a serem reduzidos em 400 mil patacas, e com os “outros rendimentos”, com a fonte das receitas a apresentar uma redução de quase 2 milhões de patacas. Ao mesmo tempo, as “outras despesas” da empresa apresentaram um salto significativo ao atingirem 2,8 milhões de patacas, quando no ano anterior não tinham ido além de 233 mil patacas. Esta diferença foi justificada com maiores perdas devido a trocas cambiais. As variações indicadas explicam o motivo que leva a empresa a apresentar uma redução dos lucros, apesar de até ter obtido receitas maiores do que no ano anterior. Resultados corrigidos Apesar das diferenças, os resultados da UMTEC ficam marcados pela correcção dos números declarados relativamente a 2024. No ano passado, a UMTEC tinha declarado lucros em 2024 de 781 mil patacas. Contudo, os resultados de ontem apresentam uma correcção desses números, que saltaram de 781 mil patacas para 2,9 milhões de patacas. Estas alteração foi explicada com a forma como os investimentos em moeda que não a pataca foram calculados, principalmente tendo em conta a construção do novo campus na Ilha da Montanha, através da subsidiária Guangdong Hengqin UM Higher Education Development. “A administração observou uma diferença técnica entre a taxa de câmbio original utilizada e a taxa de referência adoptada nas melhores práticas de mercado em vigor, resultante principalmente da selecção de diferentes plataformas de referência de taxas de câmbio”, foi justificado. “Para cumprir rigorosamente as normas de relato financeiro e garantir que o valor contabilístico do investimento reflecte com precisão o valor real durante esse período, a taxa de câmbio à vista aplicável à data da transacção foi tecnicamente revista de 1,118 para 1,1347”, foi acrescentado. Face a esta alteração, em 2024 os “outros rendimentos” da empresa aumentaram de 30 mil patacas para 2,2 mil milhões de patacas, justificando a correcção do lucro. Mais lucros A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia, uma das empresas detidas pela Universidade de Macau (UM) para prestar serviços de pesquisa, registou um lucro de 7,3 milhões no ano passado. Os resultados foram apresentados no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicas (DSSGAP) e representam uma quebra em relação a 2024, quando o lucro tinha atingido as 10,5 milhões de patacas. A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia é uma das três empresas controladas pela Universidade de Macau. As restantes são a UMTEC, que também se dedica à investigação, e a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, que vai ser responsável pelo desenvolvimento do novo campus da UM no Interior, num investimento que poderá chegar aos 4 mil milhões de renminbis.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEPM | Alunos participaram em acampamento militar Um grupo de alunos esteve cinco dias em Zhuhai no Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional, onde trocaram os uniformes da EPM pelas fardas militares. Segundo um jornal do Interior, as iniciativas deste género envolvem o manuseamento de armas, mas as fotos da escola não mostram estudantes armados Um grupo de cerca de 16 estudantes da Escola Portuguesa de Macau (EPM) participou, em Zhuhai, num dos acampamentos militares no Interior para promover o patriotismo. A iniciativa foi organizada em conjunto pela Departamento de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e pela General Association of Chinese Students of Macau, e divulgada pela instituição de ensino, através das redes sociais. “O Acampamento da Defesa Nacional do ano lectivo 2025-26 organizado pelo Departamento de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e co-organizado pela General Association of Chinese Students of Macau, decorreu de 30 de Março a 03 de Abril, no Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional, em Zhuhai”, comunicou a escola. A instituição de ensino classificou ainda a iniciativa como “uma actividade de cinco dias em que os estudantes tiveram a oportunidade de vivenciar um treino militar, em regime de internato”. “O objectivo foi cultivar o senso de disciplina, o espírito de equipa, além de fortalecer o sentido de patriotismo”, foi acrescentado. O HM contactou a EPM para perceber os moldes da participação da escola na iniciativa, a forma de selecção dos alunos no acampamento e ainda se no futuro haverá mais estudantes a participar em iniciativas semelhantes. Até ao fecho da edição de ontem não foi recebida qualquer resposta. Projecto do Governo O envolvimento de estudantes locais em acampamentos militares em Zhuhai tornou-se uma prática frequente nos últimos anos, no âmbito das políticas nacionalistas, com a participação dos alunos a ser divulgadas nas redes sociais pelas instituições de ensino. Em 2024, foi tornado público que “as autoridades relevantes de Macau estabeleceram uma cooperação de longo-prazo com o Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional de Zhuhai para a organização de campos militares”. A informação foi divulgada pelo portal do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, que citou um artigo do jornal estatal de Guangdong Southern Daily. O artigo referia ainda que todos os anos, cerca de 4.000 alunos do 8º ano de escolaridade de Macau iriam a Zhuhai participar em “campos de actividades de educação para a segurança nacional”. Neste artigo, era indicado que os treinos iam envolver o “manuseio de armas, competências básicas de estratégia militar, combate corpo a corpo (incluindo com armas brancas), obedecer a ordens”, simulação de situações de combate e cerimónias de hastear da bandeira nacional. O HM tentou perceber junto da EPM se houve manuseamento de armas em Zhuhai, mas não recebeu qualquer resposta. As fotos divulgadas pela EPM não mostram armas.
Hoje Macau Manchete PolíticaPortugal | Sam Hou Fai encontra-se com líderes dos três poderes O líder do Governo de Macau tem encontros agendados com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai encontrar-se com “os líderes dos órgãos executivo, legislativo e judicial” durante uma passagem por Portugal, foi ontem anunciado. A participação de Tai Kin Ip estava prevista para a visita, mas o secretário é uma baixa de última hora, depois de ter sido exonerado do cargo. Sam parte amanhã para “a primeira visita ao estrangeiro” desde que tomou posse, em Dezembro de 2024, sublinhou o Gabinete de Comunicação Social (GCS) do Governo de Macau. A deslocação começa em Lisboa, passa ainda por Madrid, Genebra e Bruxelas, antes de regressar a Macau em 26 de Abril. Além do primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, a nota não clarifica se Sam Hou Fai se irá também reunir com o Presidente da República, António José Seguro. Segundo o Governo de Macau, os encontros em Lisboa têm “o objectivo de aprofundar, de forma contínua, a cooperação entre Macau e Portugal sob a base sólida existente”. Numa entrevista transmitida no domingo pelo canal em português da emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, Sam Hou Fai disse que poderão ser assinados “mais de 39 protocolos de cooperação com entidades ou empresas de Portugal”. Os acordos abrangem domínios como “o comércio e a economia, a plataforma sino-portuguesa, a educação, a cultura, o turismo, a formação de quadros qualificados, ‘Big Health’ [saúde integrada] e a tecnologia de ponta”, disse Sam. Comissão mista O governante disse ainda que a Comissão Mista Portugal/Macau irá reunir-se, pela primeira vez desde Maio de 2019, antes do início da pandemia de covid-19, mas Sam Hou Fai não revelou nem a data nem a agenda da reunião. Em Setembro, após um encontro com Sam Hou Fai na região chinesa, Luís Montenegro disse que entre os temas na agenda da comissão estarão as restrições impostas à residência de portugueses. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. Aos portugueses resta a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. A única alternativa para garantir o bilhete de identidade de residente passa agora por uma candidatura aos recentes programas de captação de quadros qualificados. Em Setembro, Luís Montenegro disse que “as coisas estarão encaminhadas” quanto a uma solução para as restrições. O GCS indicou ontem que Sam Hou Fai irá levar uma delegação com “representantes de várias empresas-chave” de Macau e da China continental, incluindo da zona económica especial na vizinha Hengqin (ilha da Montanha). O comunicado referiu que o programa da visita a Portugal inclui uma sessão de promoção de cooperação económica e comercial.
Hoje Macau Manchete PolíticaSegurança nacional | Sam Hou Fai promete reprimir ligações a “forças hostis externas” O líder do Governo prometeu na quarta-feira reprimir severamente as ligações entre residentes que se oponham ao regime do Partido Comunista e “forças hostis externas”. “Com uma determinação inabalável, defendemo-nos e combatemos a interferência externa”, disse Sam Hou Fai, na cerimónia de inauguração de actividades ligadas à educação para a segurança nacional. “Reprimimos severamente, nos termos da lei, as ligações entre elementos anti-China, desestabilizadores de Macau e forças hostis externas”, acrescentou, no discurso, o Chefe do Executivo. O ex-deputado Au Kam San foi detido em 30 de Julho por alegadamente ter agido em “conluio, desde 2022, com uma organização anti-China” estrangeira, disse na altura a Polícia Judiciária (PJ) de Macau. Sam Hou Fai defendeu ainda que as alterações à lei de segurança nacional “reforçam ainda mais o mecanismo de liderança de topo e conferem à Comissão de Defesa da Segurança do Estado [CDSE] uma base jurídica mais sólida, bem como uma capacidade de execução reforçada”. A nova lei estipula que a escolha de um advogado para casos de segurança nacional está sujeita à aprovação de um juiz, que remete o requerimento à CDSE para que a mesma emita um parecer vinculativo e não passível de recurso. Ainda segundo a legislação, o pedido de aprovação do advogado pode ocorrer “em qualquer processo judicial, se a autoridade judiciária competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”.
Hoje Macau Manchete PolíticaGoverno | Tai Kin Ip deixa o cargo de secretário por “motivo pessoal” As razões da saída anunciada ontem de manhã não foram concretizadas nem é conhecido o nome do futuro secretário para a Economia e Finanças. O Executivo de Sam Hou Fai perde assim o segundo membro, em menos de dois anos O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, foi exonerado do Governo, depois de emitir uma declaração a justificar-se com um “motivo pessoal”. As razões não foram reveladas publicamente, mas este é o segundo secretário que o Executivo de Sam Hou Fai perde em menos de dois anos. A saída do Governo acontece a poucos dias do início da viagem oficial do Chefe do Executivo a Portugal e a Espanha, que vai ter na agenda vários assuntos relacionados com a cooperação económica e a diversificação da economia da RAEM. Os motivos não foram divulgados publicamente. “Eu, Tai Kin Ip, há algum tempo que, por motivo pessoal, solicitei formalmente ao Chefe do Executivo Sam Hou Fai a demissão do cargo de Secretário para a Economia e Finanças do Governo da Região Administrativa Especial de Macau”, pode ler-se no comunicado atribuído pelo Gabinete de Comunicação Social ao secretário. Hoje [ontem], o Conselho de Estado publicou, sob proposta do Chefe do Executivo, a minha exoneração do cargo”, acrescentou. Segundo a divulgação oficial, Tai Kin Ip agradeceu “de coração ao Governo Popular Central e ao Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, a confiança e o apoio” durante o período em que exerceu funções. O exonerado agradeceu ainda “a todos os trabalhadores dos serviços públicos da área da economia e finanças pelo esforço e colaboração”. Na mensagem, Tai Kin Ip é ainda citado a dizer que vai continuar “como sempre” a “prestar atenção, colaborar e apoiar o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM”. Elogios superiores Na hora da despedida, Sam Hou Fai emitiu um comunicado a elogiar o secretário que ocupou o cargo durante dois anos e no qual sucedeu a Lei Wai Nong. “ O Chefe do Executivo referiu que, desde a tomada de posse deste Governo, Tai Kin Ip desempenhou com brio o cargo de secretário para a Economia e Finanças, implementando as linhas orientadoras da governação e os planos de trabalho do Governo da RAEM”, pode ler-se na mensagem. “Liderou a equipa da área da economia e finanças actuando em obediência à lei, com sentido de responsabilidade, determinação e eficácia, e promoveu novos progressos na área da economia e finanças”, considerou Sam. O líder do Governo agradeceu ainda a Tai Kin Ip e reconheceu “os esforços e contributos” a promoção o desenvolvimento da RAEM. Com esta movimentação, o Executivo de Sam Hou Fai perde o segundo secretário em menos de dois anos. No entanto, desta vez o procedimento da substituição foi diferente do que aconteceu em Setembro do ano passado. Na altura, quando foi revelada a exoneração de André Cheong, ex-secretário para a Administração e Justiça, que deixou o Governo para assumir a presidência da Assembleia Legislativa, foi rapidamente comunicado que Wong Sio Chak iria substituir o exonerado. Ao mesmo tempo, Chan Tsz King foi anunciado como secretário da Justiça, ocupando a vaga deixada em aberta pela nova pasta de Wong Sio Chak. Ontem, e apesar de o Governo ter anunciado que a vontade de Tai Kin Ip tinha sido comunicada “há algum tempo”, não houve informação sobre o seu substituto. Ao invés, Sam Hou Fai comunicou que “o Governo da RAEM está a acompanhar o trabalho de nomeação do novo titular do cargo de Secretário para a Economia e Finanças, e será oportunamente submetida ao Governo Popular Central, para efeitos de nomeação, a indigitação do novo titular do cargo de Secretário para a Economia e Finanças”. Foi ainda clarificado que até “à tomada de posse do novo secretário, todas as competências inerentes ao cargo serão exercidas pelo Chefe do Executivo”.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCombustíveis | Vários voos entre China e Sudeste Asiático cancelados Vários voos entre a China e o Sudeste Asiático e a Oceânia foram cancelados nos últimos dias, devido à subida dos custos de combustível causada pela guerra no Irão, informou ontem o jornal The Paper. Desde o início do mês, algumas rotas que ligavam cidades chinesas a destinos na Tailândia, Laos, Malásia ou Camboja suspenderam temporariamente todos os voos, enquanto noutras, com destino à Austrália ou à Nova Zelândia, a taxa de cancelamento atinge 83,3 por cento. Segundo o jornal South China Morning Post, outras companhias aéreas, como a paquistanesa PIA, também reduziram voos com a China e outros destinos, enquanto empresas das Filipinas, Vietname ou Nova Zelândia cortaram rotas, e a Cathay Pacific, de Hong Kong, já anunciou que vai cancelar 2 por cento dos seus voos em Maio e junho. Lin Zhijie, especialista citado pelo The Paper, explicou que o combustível de aviação – cerca de um terço dos custos de uma companhia aérea – praticamente duplicou de preço desde o início da guerra no Irão, enquanto os bilhetes não acompanharam essa subida, colocando algumas empresas numa situação em que, quanto mais voos operam, maiores são as perdas. Além disso, alguns dos países mencionados enfrentam problemas de abastecimento de combustível devido ao bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz – destino de entre 84 por cento e 90 por cento do petróleo que transita por esta rota marítima crucial – o que agrava os custos e cria incerteza quanto à capacidade de reabastecimento. Mitigar impacto As companhias melhor posicionadas neste contexto são as transportadoras ‘low cost’ chinesas, como a Spring Airlines, que conseguem transportar até mais 25 por cento de passageiros do que outras companhias com os mesmos aviões, mitigando assim o impacto dos custos acrescidos com combustível, acrescentou Lin. Segundo dados da plataforma Flight Manager, a China deverá registar no próximo feriado de Maio um aumento das viagens, tanto em volume como em preços: as tarifas médias dos voos domésticos subiram 9,6 por cento em termos homólogos e mais de 20 por cento face ao mesmo período de 2019. A China tem resistido melhor ao impacto da guerra do que outros países da região, graças à sua capacidade interna de refinação, tendo também restringido as exportações de combustível, o que deixou alguns países vizinhos sem uma alternativa de fornecimento. Após uma das maiores subidas recentes dos combustíveis, os reguladores chineses anunciaram que vão limitar esse aumento a cerca de metade do habitual, para proteger os consumidores.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeIAM | Aberto concurso público para pavilhão infantil na Venceslau de Morais Está aberto o concurso público para a elaboração do projecto de obra do Pavilhão Infantil de Exploração na Avenida de Venceslau de Morais, disponível no primeiro e segundo andar do Edifício Mong Son, na Avenida de Venceslau de Morais. Segundo o despacho publicado esta quarta-feira em Boletim Oficial (BO), o prazo de validade das propostas é de 90 dias, devendo ser entregue uma caução provisória de 60 mil patacas, com a caução definitiva a valer quatro por cento do preço global da adjudicação. As propostas devem ser submetidas junto do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) até ao dia 27 de Maio, pelas 17h, sendo que o acto público decorre no dia seguinte. Segundo é descrito no despacho, há duas partes a ter em conta na elaboração do projecto de obra, nomeadamente a “prestação de serviços de concepção e de assistência técnica, sendo o prazo total de concepção de 110 dias úteis”. O Governo vai ter em conta, para a adjudicação, critérios como a “remuneração total dos serviços”, o “preço global da obra” e a “proporção de trabalhadores residentes das empresas dos concorrentes”, sem esquecer a “experiência na concepção de projecto com itens similares”.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePreços | Prevista estabilidade em produtos vindos da China Ip Sio Man, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, prevê a estabilidade de preços dos produtos a curto prazo tendo em conta que a maioria é importada da China. Porém, nos produtos oriundos do estrangeiro poderá haver aumentos dentro de meses O dirigente da Associação da União de Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, declarou ao jornal Ou Mun que não deverá haver um grande aumento de preços nos próximos meses nos produtos importados da China, tendo em conta que a taxa de câmbio continua a ser forte. Ip Sio Man explicou que o preço médio do câmbio atingiu o ponto mais alto do mercado em três anos, com 6,85 renminbis para um dólar americano. Tendo em conta que Macau importa mais produtos do interior da China, a associação defende que é limitado o impacto da taxa de câmbio. Na lista de exportadores de Macau surge, em segundo lugar, a região do Sudeste Asiático, enquanto mercadorias de média e alta qualidade são oriundas da Europa e EUA. Ip Sio Man afirmou que os preços dos produtos fabricados na China têm-se mantido estáveis, com a maioria dos importadores a optar por suportar os custos ao invés de aumentar os preços junto dos consumidores para aumentar as margens de lucro. O responsável defendeu ser cedo apresentar expectativas quanto a eventuais aumentos de preços, dizendo que a China tem reservas suficientes de petróleo, sendo generalizado o uso de transporte ferroviário e de veículos eléctricos. Além disso, os produtos frescos são oriundos de Guangdong e regiões próximas, pelo que Ip Sio Man acredita que é ainda possível controlar custos e evitar eventuais subidas de preços. No entanto, os produtos oriundos de fora da província de Guangdong poderão ficar mais caros por acarretar maiores distâncias no transporte. Depois de se fazerem os inventários dos produtos oriundos da Europa, dentro de dois a três meses, poderá haver um aumento de preços, acredita Ip Sio Man. Contentores mais caros No que diz respeito ao mercado internacional e preços praticados, em comparação com a valorização do renminbi, Ip Sio Man destacou que os preços internacionais dos combustíveis subiram, provocando o aumento de custos associados ao transporte e entrega, com maior impacto nos preços das mercadorias. Ip Sio Man falou do caso do transporte marítimo, cujo valor da tarifa por contentor, nas rotas do Sudeste Asiático, nomeadamente no caso da Tailândia, aumentou em cerca de 500 patacas. No caso das rotas europeias a situação é mais grave devido às tensões no Médio Oriente, tendo aumentado o tempo de trânsito de um mês para mais de três meses. Tal resulta num aumento significativo de custos financeiros e também de mais tempo gasto no transporte.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | Apesar de subida das receitas, lucros devem manter-se No primeiro trimestre do ano, as receitas das concessionárias apresentaram um crescimento anual de 14,3 por cento. No entanto, os analistas do banco Jefferies consideram que a competição entre as operadoras pode fazer com que os lucros arrecadados não sofram grandes alterações Apesar do aumento das receitas do jogo no início do ano, o banco de investimento Jefferies indica que os lucros das concessionárias se estão a manter nos valores do ano passado. O cenário é traçado no relatório mais recente para os investidores, citado pelo portal GGRAsia. Segundo o documento assinado pelos analistas Anne Ling e Jingjue Pei, a margem dos resultados ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) continuar a ser “um desafio” para as concessionárias. Esta margem é um indicador financeiro que mede a percentagem de receita líquida que uma empresa transforma em lucro operacional. No primeiro trimestre do ano, as receitas aumentaram 14,3 por cento, em termos anuais, mas o crescimento foi motivado pelo segmento dos grandes apostadores, onde a margem de lucro está a ser afectada “pelas promoções e pela competição” entre as concessionárias. Em relação aos resultados das operadoras, o banco Jefferies acredita que a Sands China vai apresentar a maior capacidade de transformar as receitas em lucros operacionais, ao atingir uma percentagem de 30 por cento. No pólo oposto, o desempenho mais fraco do mercado é atribuído à SJM, com uma margem de 15 por cento. No entanto, nem tudo são más notícias para a SJM, uma vez que a margem de 15 por cento é superior à do período homólogo em dois pontos percentuais e à do trimestre anterior em cinco pontos percentuais. Os analistas atribuem a diferença, que consideram benéfica, ao encerramento dos casinos-satélite. Subida de 6,8 por cento Sobre estimativas para o mercado do jogo, os analistas estimam um crescimento anual das receitas de 6,8 por cento, o que deverá representar um total de 264,2 mil milhões de patacas, quando no ano passado foi de 247,4 mil milhões de patacas. “Estimamos um aumento das receitas brutas do jogo de 6,8 em 2026, face ao consenso de 6 por cento”, indicaram os analistas. Estes números significam que em termos das receitas da indústria o banco Jefferies está mais optimista do que a maioria dos outros analistas. No primeiro trimestre do ano, as receitas do jogo atingiram 65,9 mil milhões de patacas, um crescimento anual de 14,3 por cento. Nos primeiros três meses de 2025, as receitas tinham atingido 57,7 mil milhões de patacas, o que na altura representou um crescimento anual de 0,6 por cento. Desde o início do corrente ano, Janeiro foi o mês com maiores receitas, que chegaram às 22,6 mil milhões de patacas. Em Fevereiro, as receitas foram de 20,6 mil milhões de patacas e em Março de 22,6 mil milhões de patacas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaAbusos | Defendidos novos moldes para consultas com menores Após a PJ ter anunciado o caso de um especialista de medicina tradicional chinesa que terá abusado de uma menor, a deputada Wong Kit Cheng defende que é preciso garantir que há sempre um adulto a acompanhar os menores nas consultas médicas Wong Kit Cheng defendeu a revisão dos moldes em que decorrem as consultas médicas com menores. Esta foi a reacção da deputada ligada às Mulheres, depois da Polícia Judiciária (PJ) ter revelado, na terça-feira, o caso de um profissional especializado em medicina tradicional chinesa suspeito do crime de assédio sexual de menor. De acordo com as declarações citadas pelo jornal Ou Mun, a deputada considera que a sociedade tem a obrigação de proteger os menores pelo que devem ser revistos os moldes das consultas médicas com menores, para criar mecanismos legais mais fortes e “proteger os pacientes”. A deputada, que é enfermeira de formação, indica que o Governo deve estudar a possibilidade de os menores serem sempre acompanhados por familiares nas consultas médicas. Wong Kit Cheng afirmou também que é necessário que o Serviços de Saúde (SS) comece a suspender de forma preventiva o pessoal médico suspeito, e interromper o funcionamento das clínicas, quando existem suspeitas de crimes contra menores e os pacientes. Em relação ao caso em concreto, a deputada condenou o médico, por considerar que abusou da confiança estabelecida entre o profissional de saúde e o paciente. Wong observou ainda que este tipo de condutas contribui para quebrar a confiança entre a população e os médicos do território. Massagens e óleos afrodisíacos Na terça-feira, a PJ anunciou a detenção de um médico de 44 anos especializado em medicina tradicional chinesa por assédio de uma paciente menor. Segundo a versão das autoridades, a vítima foi duas vezes à clínica acompanhada pela família para tratar de tremores nas mãos. Sempre que a menor foi acompanhada, o médico mostrou um comportamento profissional. Contudo, na terceira visita, a vítima foi sozinha, e a consulta terá decorrido de forma diferente do habitual. O médico pediu à menor que trocasse de roupa, para receber uma massagem na zona das pernas, cinturas e costas. Durante esta massagem, o médico terá baixado a roupa interior da menor e aberto as pernas da vítima, para poder ver-lhe a vagina. Além disso, terá colocado um óleo na cintura da paciente, sendo que esta afirma que após a aplicação do óleo teve uma sensação de quente. Após a consulta, a menor sentiu-se assediada e contou à família o sucedido. A queixa foi apresentada dois dias depois dos acontecimentos, o que a família justificou com a necessidade “pensar com cuidado” sobre o sucedido. Durante as investigações, a PJ apreendeu um óleo, que acredita ter sido utilizado no alegado crime, e que apresentou à comunicação social como óleo afrodisíaco. Nas investigações, descobriu-se ainda que o médico, em conluio com outros dois funcionários da clínica, terá cometido uma burla com vales de saúde, no valor de 860 mil patacas. Todos detidos O crime de abuso sexual de menor prevê uma pena de prisão mínima de 1 ano e máxima de 10 anos, dependendo dos contornos do caso. A PJ indicou não ter havido violação, o que poderá contribuir para uma pena menos pesada. No caso da burla de valor consideravelmente elevado, os três detidos arriscam uma pena de prisão mínima de 2 anos e máxima de 10 anos.
João Santos Filipe Manchete PolíticaConsumo | Pedido cartão de 10 mil patacas para residentes O deputado Chan Hao Wan, ligado à ATFPM, justifica a necessidade da distribuição de uma nova ronda do cartão de consumo de 10 mil patacas com o preço dos combustíveis e as dificuldades de emprego sentidas tanto pelos mais jovens como por pessoas de meia-idade O deputado Chan Hao Wan defende a atribuição de um cartão de consumo no valor de 10 mil patacas a cada residente, para fazer face ao preço dos combustíveis. A posição do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) consta de uma interpelação escrita. Segundo Chan, “devido à instabilidade da conjuntura internacional, os preços do petróleo têm vindo a aumentar a nível mundial” e em Macau acompanha-se a tendência. O deputado indica que desde Janeiro, quando o preço médio da gasolina sem chumbo era de 14,72 patacas por litro, houve um aumento de 16,4 por cento, uma vez que foi atingido um preço máximo de 17,40 patacas por litro. No mercado grossista, a gasolina é comercializada a 16,34 patacas por litro. “Esta volatilidade dos preços dos combustíveis é obviamente uma injustiça para os consumidores, havendo necessidade de reforçar a fiscalização do Governo”, aponta Chan. Como consequência, os preços junto da população estão a aumentar: “A subida do preço dos combustíveis tem vindo a aumentar directamente os custos das famílias e dos comerciantes em Macau”, indica o deputado. “As famílias de base, os idosos e os grupos com baixo rendimento enfrentam uma grave pressão de vida, uma vez que o crescimento dos salários não acompanha a inflação, sendo necessária uma gestão extremamente rigorosa das suas despesas diárias”, avisa. Crise no emprego Às dificuldades apresentadas pelo aumento do preço dos combustíveis, junta-se a “crítica situação do emprego em Macau”, onde “os jovens e as pessoas de meia-idade em mudança de emprego enfrentam dificuldades” e “rendimentos instáveis”. Ao mesmo tempo, Chan Hao Wan argumenta que as reservas da RAEM geraram 42,9 mil milhões de patacas no ano passado, mais do que suficiente para pagar esta medida extraordinária. “Tendo em conta a actual grande pressão de vida dos residentes, a elevada inflação, a robustez da reserva financeira da RAEM e as dificuldades dos residentes das camadas sociais mais baixas, dos idosos e dos grupos mais vulneráveis, o Governo vai atribuir um cartão de consumo no valor de 10 mil patacas, com vista a atenuar directamente os encargos da população?”, questiona. “O Governo vai ainda lançar outras medidas complementares para atenuar as dificuldades da população? Vai prestar um apoio geral às famílias das camadas sociais mais baixas, aos idosos e aos grupos vulneráveis, no sentido de assegurar uma vida estável?”, acrescenta. O deputado pede ainda ao Executivo que fiscalize de forma mais rigorosa as gasolineiras, um pedido antigo dos legisladores, e deixa o desejo que o Governo liderado por Sam Hou Fai “escute as vozes das camadas mais desfavorecidas da população”.