João Santos Filipe Manchete Política2026 Show! | Artistas japoneses com problemas para actuar em Macau Em causa, está o festival 2026 Show! Music Core in Macau, no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, onde deverão actuar vários grupos coreanos com membros japoneses. A opção passa assim por deixar “em terra” os artistas nipónicos Os artistas japoneses que integram grupos de pop coreano estão a enfrentar dificuldades para conseguiram as autorizações para actuarem em Fevereiro em Macau. A informação foi avançada pela agência noticiosa News1KR da Coreia do Sul, que revela ainda que o condicionamento vai fazer com que esses grupos actuem em Macau desfalcados. Segundo o artigo publicado em coreano, entre 7 e 8 de Fevereiro vai decorrer o festival 2026 Show! Music Core in Macau, no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, arrendado pelo Instituto Cultural (IC). O concerto ainda não foi confirmado pelas autoridades de Macau, o cartaz não é conhecido, nem se sabe quando é que os bilhetes vão ser colocados à venda. No entanto, desde Dezembro que nas redes sociais surgem informações sobre o evento em Macau. Como parte do cartaz é indicado que vão estar presentes grupos coreanos como Enyphen, Kickflip ou Le Sserafim que têm entre os membros artistas com nacionalidade japonesa. No entanto, o artigo da News1KR avança que as agências dos grupos convidados estão a enfrentar várias dificuldades, porque foram informados que “há vários problemas” com as autorizações de trabalho para os artistas japoneses. O artigo indica igualmente que houve grupos que cancelaram a presença em Macau, enquanto outros estão a tentar alterar as dinâmicas internas, para actuarem sem os membros com nacionalidade japonesa. Os grupos que cancelaram a presença não surgem identificados, mas os organizadores do evento estão a encontrar dificuldades para num curto espaço de tempo reunir o número de grupos necessários para o festival. De acordo com a legislação em vigor, os trabalhadores não residentes precisam de uma autorização para trabalhar em Macau, o chamado Cartão Azul. Contudo, o Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal permite que possam ser exercidas actividades profissionais ocasionais sem essa autorização, quando os não residentes são convidados por uma pessoa singular ou colectiva com sede em Macau. Todavia, a Direcção dos Serviços de Trabalho e Emprego (DSTE), o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) ou os Serviços de Alfândega (SA) pode sempre considerar que o trabalho não se enquadra nas excepções previstas na lei. Macau é China O artigo indica também que no meio artístico coreano surgem agora receios de que as actuações em Macau se tornem cada vez mais difíceis para os grupos com membros japoneses. Os obstáculos colocados às actuações em Macau são ainda encarados como o resultado das declarações da Primeira-Ministra do Japão, Takaichi Sanae, que afirmou que o país nipónico interviria num conflito entre o Interior e Taiwan. Como consequência das declarações a China começou a impôs algumas restrições à importação de produtos do Japão e vários concertos agendados para diferentes cidades no Interior foram cancelados. Em Macau, registou-se também uma onda de concertos com artistas japoneses cancelados, embora o Governo local se tenha distanciado destes acontecimentos. Desde as declarações de Takaichi Sanae, foram cancelados os concertos das artistas japonesas Ayumi Hamasaki e Mika Nakashima. Também o grupo de pop coreano, que integra artistas do Japão, Nexz viu cancelados dois espectáculos, que, na véspera, estavam totalmente esgotados. O HM contactou ontem o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os Serviços de Economia, Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Serviços de Alfândega e Instituto Cultural (IC) para obter uma reacção à notícia.
Hoje Macau Manchete SociedadeTurismo | Atingido recorde máximo de visitantes em 2025 Para a História. No ano passado, o território recebeu mais de 40 milhões de visitantes, um crescimento de 14,7 por cento face a 2024. Para o aumento, contribuíram as facilidades de deslocação a Macau dos turistas do Interior Macau recebeu mais de 40 milhões de visitantes em 2025, um novo máximo histórico, ultrapassando o anterior recorde de 39,4 milhões, fixado em 2019, antes da pandemia de covid-19, foi sexta-feira anunciado. O número de turistas que passou pelo território no ano passado foi o mais elevado desde que a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) começou a compilar dados mensais, em 1998, ainda durante a administração portuguesa. Macau acolheu no total quase 40,1 milhões de visitantes, mais 14,7 por cento do que em 2024 e acima da meta de 39 milhões, fixada em 16 de Dezembro pela directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes. No entanto, quase 59 por cento dos visitantes (23,5 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia em Macau no ano passado. Em 2024, o Governo Central divulgou uma série de medidas de apoio ao território, como o aumento do limite de isenção fiscal de bens para uso pessoal adquiridos por visitantes da China. Ao mesmo tempo, as autoridades chinesas alargaram a mais 10 cidades da China a lista de locais com “vistos individuais” para visitar Hong Kong e Macau. Além disso, desde 1 de Janeiro de 2025 que os residentes da vizinha cidade de Zhuhai podem visitar Macau uma vez por semana e ficar até sete dias. Em resultado, a esmagadora maioria (90,6 por cento) dos turistas que chegaram a Macau em Novembro vieram da China continental ou Hong Kong. Visitas internacionais Em 16 de Dezembro, Senna Fernandes sublinhou que o número de visitantes internacionais recuperou até cerca de 80 por cento dos níveis pré-pandemia. Em Agosto, a dirigente tinha apontado como objectivo mais de três milhões de turistas internacionais em 2025. Mas Macau falhou essa meta, ficando-se por 2,76 milhões de visitantes vindos do estrangeiro, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024. Cidadãos da Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Barém e Omã passaram a estar dispensados de visto para entrar na cidade a partir de 16 de Julho. Em 16 de Dezembro, Senna Fernandes recordou que as Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2026 prevêem a abertura de duas delegações de Macau no sudeste asiático e no nordeste da Ásia. As LAG, apresentadas no final de Novembro, prevêem a abertura de uma delegação na Malásia e apontam também como prioridade a aposta nos turistas dos países lusófonos. Só em Dezembro, Macau recebeu 3,58 milhões de visitantes, o valor mais elevado de sempre para este mês. A cidade registou assim um novo máximo histórico para Dezembro, depois de já o ter feito para os meses de Setembro (3,8 milhões), Outubro (3,47 milhões) e Novembro (3,35 milhões).
Hoje Macau Manchete SociedadeMacau facilita passagem a estrangeiros através da Ponte HZM O Governo de Macau anunciou que os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, vão poder usar canais electrónicos automáticos para entrar no Interior através da maior ponte marítima do mundo. A medida vai entrar em vigor na segunda-feira na fronteira que liga Macau à cidade vizinha de Zhuhai, parte da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, e abranger todos os cidadãos dos 82 países isentos de visto de entrada na RAEM. De acordo com um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança e da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau, os estrangeiros com pelo menos 7 anos de idade terão também de ser residentes permanentes na China continental, ter uma autorização de residência ou um visto válido. No final de Abril, o então secretário para a Segurança de Macau anunciou planos para acelerar o controlo fronteiriço de visitantes estrangeiros, sem estatuto de residente ou autorização de trabalho, através da utilização de canais electrónicos automáticos. As autoridades irão expandir os equipamentos de auto-serviço para o Sistema de Recolha de Dados Biométricos, que passará a aplicar-se a todos os visitantes estrangeiros, explicou Wong Sio Chak. O então secretário acrescentou que o Governo irá estudar a extensão da tecnologia de reconhecimento por íris nos controlos fronteiriços a não residentes ainda em 2025. “Estamos também a estudar formas de alargar o número de utilizadores elegíveis para os canais de passagem automática, permitindo que mais turistas estrangeiros beneficiem de processos de imigração mais rápidos e de uma circulação mais fluida na Grande Baía”, declarou Wong. Projecto nacional A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023. A partir de Junho, os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, começaram a poder entrar em Macau, através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, sem precisar de sair do veículo. A Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a mais longa travessia marítima do mundo, registou mais de 100 milhões de travessias de passageiros desde a inauguração, em Outubro de 2018, avançou em 6 de Janeiro a agência de notícias estatal chinesa Xinhua. A construção da ponte arrancou em 2009, mas foi afectada por atrasos, a morte de mais de 20 trabalhadores e derrapagens orçamentais. O custo final da infra-estrutura está estimado em 16,4 mil milhões de dólares, mais 25 por cento do que o inicialmente previsto. A ponte inaugurada em 2018 tem uma extensão de cerca de 55 quilómetros, que incluem um túnel subterrâneo de quase sete quilómetros entre duas ilhas artificiais para facilitar a navegação no delta do Rio das Pérolas. A infra-estrutura reduziu em cerca de metade o tempo de viagem entre Macau e Hong Kong.
Nunu Wu Manchete SociedadeAno Novo Chinês | Apelos a preços estáveis na restauração Associações apelaram a empresários da restauração para não aumentarem preços nos feriados do Ano Novo Chinês. Apesar da subida dos custos de operação, para compensar empregados que trabalham nos feriados obrigatórios, as associações sugerem a criação de menus com ofertas mais em conta Com os feriados do Ano Novo Chinês a aproximarem-se, associações que representam o sector da restauração apelam aos empresários e gerentes de restaurantes para não aumentarem os preços durante o período festivo, ou, se não tiverem alternativa, serem contidos na subida dos preços das refeições. Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, Lei U Weng, referiu que os empresários do sector estão a aplicar todos os esforços para que os residentes fiquem e gastem dinheiro na cidade, de forma a impulsionar a economia local. Sob o actual ambiente económico, Lei U Weng defende que os gerentes e donos de restaurantes não devem aumentar os preços durante os feriados do Ano Novo Chinês. Mas, se não se conseguir evitar a tendência devido ao aumento da taxa de serviço, o representante recomendou que devem ser seguidos os princípios de moderação, razoabilidade, abertura e transparência. Recorde-se que a lei que regula as relações de trabalho obriga os empregadores a compensarem os funcionários que trabalhem em dias de feriado obrigatório, com o triplo do salário ou o dobro (acrescido de um dia de folga adicional). Soluções criativas Lei U Weng salientou a necessidade de recorrer à criatividade comercial para contornar os custos acrescidos. Para tal, sugeriu a criação de menus especiais para os feriados, de forma a incentivar a permanência em Macau dos residentes. Também o presidente da Associação dos Comerciantes da Boa Cozinha de Macau, Ho Tsz Kit, apoiou a ideia, lembrando que muitos restaurantes criaram em anos anteriores menus especiais com descontos para atrair os clientes durante o Ano Novo Chinês. Este ano, os feriados obrigatórios calham a 17, 18 e 19 de Fevereiro. Para desviar o impacto do aumento dos custos, o representante afirmou que os empresários do ramo não têm alternativa. Ou encerram os restaurantes durante os feriados (solução visível para quem fica em Macau durante estes períodos), ou cobram até 30 por cento da taxa de serviço aos clientes. O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) apontou que entre o Natal e o Ano Novo, cerca de 400 estabelecimentos de bebidas e comidas emitiram declarações para utilizar novas tabelas de preços, com aumentos de preços que variaram entre 10 por cento e 40 por cento. Se os restaurantes não pedirem ao IAM novas tabelas de preços ou cobrarem taxas de serviço adicional, nem avisarem os clientes destas mudanças, podem ser multados em 2.500 patacas e 5.000 patacas, respectivamente.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCorrupção | Investigado general de alta patente por minar autoridade de Xi A mais alta figura do Exército Popular de Libertação e aliado próximo do Presidente Xi Jinping está sob investigação, acusado de infligir graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política nas forças armadas O Exército chinês detalhou ontem as razões pelas quais foi aberta uma investigação contra o general de mais alta patente do país, Zhang Youxia, acusado de “minar” a autoridade do Presidente Xi Jinping. Um editorial publicado no PLA Daily, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação (EPL), indica que as investigações anunciadas este sábado contra Zhang, assim como contra o chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central (CMC, órgão máximo do Exército), Liu Zhenli, mostram que “a tolerância na luta contra a corrupção não é permitida”. Zhang, de 75 anos, é o primeiro vice-presidente da CMC, o que o coloca como o “número 2” militar do país, com uma patente apenas atrás da de Xi Jinping, que lidera o órgão, e é também um dos 24 membros do Politburo, o segundo escalão de comando do Partido Comunista Chinês (PCC), no poder. “Zhang e Liu, como altos comandantes do Partido e do Exército, traíram profundamente a confiança que lhes foi depositada (…) e pisaram e prejudicaram gravemente o sistema de responsabilidade suprema que reside no presidente da CMC [Xi]”, aponta o texto, também divulgado pela agência oficial Xinhua. O artigo acusa os dois generais de “exacerbarem os problemas políticos e de corrupção que ameaçam a autoridade absoluta do Partido sobre as Forças Armadas” e de “mancharem a imagem e a autoridade dos líderes da CMC”. “Infligiram graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política no Exército, o ambiente político do Exército ou a preparação geral para o combate, o que representa um grave impacto negativo para o Partido, o país e o Exército”, acrescenta o documento. Para além de revelar as acusações contra os dois generais, o editorial enfatiza o objectivo das purgas militares de Xi: “Ficou demonstrado que, quanto mais o Exército luta contra a corrupção, mais forte e puro se torna, com maior capacidade de combate. Se a corrupção for erradicada de forma profunda, as Forças Armadas serão mais capazes e terão mais confiança”, escreve o PLA Daily. Aliado próximo Zhang era considerado uma figura-chave nos planos de Xi para modernizar as Forças Armadas e também o aliado militar mais próximo do Presidente chinês, em parte porque os pais de ambos, o general Zhang Zongxun e o vice-primeiro-ministro (1959-1965) Xi Zhongxun, lutaram juntos na guerra civil que culminou na fundação da República Popular da China em 1949. De acordo com fontes anónimas citadas pelo jornal de Hong Kong “South China Morning Post”, a acusação contra Zhang — que terá sido detido na passada segunda-feira — é por corrupção, por “não controlar” colaboradores próximos e familiares, e por não ter comunicado os problemas à cúpula do PCC em primeira instância. Tanto Zhang como Liu, heróis de guerra condecorados e os únicos membros da direcção da CMC com experiência real de combate — ambos participaram nas campanhas contra o Vietname no final dos anos 70 —, estiveram ausentes de um seminário do PCC presidido por Xi esta semana, o que desencadeou especulações sobre o seu paradeiro. Desde que chegou ao poder em 2012, Xi impulsionou sucessivas purgas na cúpula das Forças Armadas, movimentos destinados tanto a combater a corrupção entre as suas fileiras como a reforçar a lealdade dos comandantes militares ao PCC e à sua liderança.
João Luz Manchete SociedadeIlha Verde | Pedido aproveitamento turístico de colina e convento Nick Lei quer saber se existem planos para revitalizar a Ilha Verde e aproveitar os recursos da zona. O deputado pergunta ao Governo se vai integrar a zona ribeirinha, o parque industrial e a fronteira de Qingmao para criar uma área dedicada ao turismo cultural e conservação ecológica A Ilha Verde é uma oportunidade por aproveitar. Assim se pode resumir a interpelação escrita divulgada ontem por Nick Lei. O deputado ligado à comunidade de Fujian quer saber o que o Governo está a planear para a zona, tendo em conta os recursos patrimoniais e históricos da Ilha Verde, assim com a paisagem natural e a localização ribeirinha. Apesar de a Colina da Ilha Verde ser propriedade privada, Nick Lei lembra que também contém património protegido por lei, “que não só tem muitas árvores antigas que precisam ser salvaguardadas, como têm locais históricos”. Um dos ex-libris da zona é o convento jesuíta, um edifício delapidado que testemunha a presença da Companhia de Jesus desde o século XVII. “Há muito tempo que a população espera que o Governo promova a abertura da colina, a restauração do património histórico e cultural e a criação de espaços públicos com dimensão educativa e cultural”, afirma o deputado. Além disso, Nick Lei defende que estas valias históricas e naturais podem ser integradas num “corredor de turismo cultural portuário”, aproveitando a posição ribeirinha e a proximidade com a fronteira e Qingmao e a Zona Industrial Transfronteiriça Zhuhai-Macau. Pedras no sapato Apesar do potencial, Nick Lei reconhece os desafios inerentes à zona, como o caos urbanístico, o sistema rodoviário inadequado e a falta de infra-estruturas comunitárias. Além disso, o plano de renovação urbana traçado em 2024 para a Ilha Verde ainda não avançou e o deputado refere que houve quem defendesse que o plano só deveria ser implementado em conjugação com um projecto urbanístico geral da zona norte da península. Recorde-se que o plano anunciado em 2024 prevê a conservação dos recursos históricos e naturais, a intervenção na zona costeira sul da Ilha Verde, a aposta em infra-estruturas públicas, espaços verdes, melhoria dos sistemas rodoviário e pedonal e o aumento da oferta comercial, turística e de lazer. O objectivo será criar uma comunidade moderna na Ilha Verde, rodeada de natureza e água, capaz de proporcionar um ambiente apropriado para residir, trabalhar e com condições para pequenas e médias empresas prosperarem.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPortugal-RAEM | Reunião Comissão-Mista volta a ser adiada Não há duas sem três, e o encontro entre Portugal e Macau foi adiado mais uma vez. Em Setembro, tanto Luís Montenegro como Sam Hou Fai tinham indicado o início de Fevereiro como a data da 7.ª Reunião da Comissão-Mista que, no entanto, deverá acontecer até ao fim de Junho Ao contrário do que chegou a estar previsto, a Comissão Mista Portugal-RAEM não vai reunir em Fevereiro. A informação foi adiantada ontem pelo Canal Macau, com base na informação obtida junto de “fonte próxima” do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Em Setembro do ano passado, quando esteve em Macau, Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal, afirmou que a Comissão Mista Portugal-RAEM iria reunir-se entre os dias 4 e 6 de Fevereiro de 2026. Na altura, em comunicado, do lado de Macau, também Sam Hou Fai confirmava que o encontro tinha ficado agendado para o início do próximo mês. No entanto, a Comissão Mista Portugal-RAEM foi novamente adiada. De acordo com o Canal Macau, o futuro encontro deverá acontecer até ao final de Junho, embora ainda não haja uma data concreta. A TDM cita “questões de agenda” como o motivo que terá estado na base de mais um adiamento. Quando visitou Macau, em Setembro, Luís Montenegro destacou o facto de se ter encontrado uma data para realizar o encontro da Comissão-Mista como um dos aspectos positivos da visita. A Comissão-Mista foi criada em 2001, no âmbito do Acordo Quadro de Cooperação entre a RAEM e Portugal que visavam reforçar a cooperação entre as duas partes, no período pós-transferência da soberania e reforçar “os laços de amizade e solidariedade”. O acordo em vigor foca a cooperação em áreas como a economia, cultura, segurança pública e a cooperação jurídica e judiciária. Contudo, apesar do texto legal prever que a Comissão-Mista é realizada a cada dois anos, a primeira reunião apenas aconteceu em 2011. A última vez que a Comissão-Mista reuniu aconteceu em Maio de 2019, quando Fernando Chui Sai On era Chefe do Executivo. Durante o mandato de Ho Iat Seng, marcado por três anos de pandemia, não houve qualquer reunião. BIR à mesa Na reunião que foi adiada por três vezes, espera-se que seja abordada a questão da restrição aos nacionais portugueses no acesso ao Bilhete de Identidade de Residente (BIR). Durante anos, até 2023, os portugueses que viessem trabalhar para Macau, após a transferência, tinham um regime especial de acesso ao estatuto de residente, que foi revogado pela Assembleia Legislativa, inclusive com votos de deputados com passaporte português, após uma proposta do Governo de Ho Iat Seng. A intenção de abordar o regresso de um regime mais favorável para os cidadãos portugueses que se mudem para Macau na Comissão-Mista foi tornada pública por Paulo Rangel, Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, em Março de 2025, depois de um encontro com Sam Hou Fai.
Hoje Macau Manchete SociedadeCabo Verde | Macau Legend crítica governo por reaver hotel-casino A empresa fundada por David Chow defende que não há “qualquer fundamento legítimo” que permitisse ao Governo de Cabo Verde recuperar o hotel-casino em obras. O Executivo africano afirmou que a acção se deve a assegurar que o projecto é concluído A Macau Legend Development (MLD) afirmou que o Governo de Cabo Verde não tinha “qualquer fundamento legítimo” para reaver o hotel-casino, cuja construção a operadora de jogo deixou por concluir na capital, Praia. No sábado, o Executivo cabo-verdiano anunciou que tomou posse dos bens e do edifício do hotel-casino que a empresa, com dificuldades financeiras, começou a construir, mas abandonou há anos. Na terça-feira à noite, a MLD disse que foi notificada, em 15 de Janeiro, pelo Governo de Cabo Verde da intenção de reaver os bens e o edifício no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa. As autoridades cabo-verdianas solicitaram a presença de um representante da operadora “para facilitar uma entrega voluntária” do hotel-casino inacabado, referiu a MLD. “Tendo determinado que este pedido carecia de qualquer fundamento legítimo, a empresa não concordou”, sublinhou a MLD, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong. O Governo de Cabo Verde avançou com a tomada de posse na sexta-feira, entrando nas instalações do projecto e “ignorando a objecção da empresa à entrega voluntária”, lamentou a MLD. A operadora garantiu que “está actualmente a procurar aconselhamento jurídico” para decidir como responder à perda do hotel-casino, algo que, sublinhou, já estava previsto nas contas da MLD. “Assim, a direcção considera que o recente desenvolvimento do projecto de investimento não terá um impacto adverso relevante na operação ou no desempenho financeiro da empresa”, sublinha-se no comunicado. Interesses maiores O Governo de Cabo Verde reiterou no sábado que “fez tudo para assegurar a implementação do projecto”, mas os contratos “foram irremediavelmente incumpridos” por parte dos investidores. Em Julho, o ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, disse à Lusa, em Macau, que o Governo daria uma “última oportunidade” à empresa, que prometeu “uma alternativa” para o espaço. No final de Março, a MLD já tinha anunciado prejuízos de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong em 2024, em parte devido à ameaça de reversão do hotel-casino na capital de Cabo Verde. Em 2015, o empresário de Macau David Chow Kam Fai, fundador da operadora, anunciava um investimento de 250 milhões de euros. Após revisões, a conclusão da primeira fase do projecto estava prevista para 2021. No final de 2023, o presidente da MLD, Li Chu Kwan, disse que o grupo pretendia encerrar os projectos em Cabo Verde e no Camboja. Actualmente, havia apenas guardas nos portões do recinto, uma área de cerca de 160 mil metros quadrados, que inclui o ilhéu, parcialmente esventrado e, uma ponte asfaltada de poucos metros que o liga a um prédio de cerca de oito andares, vazio e vedado com taipais – que, entretanto, começaram a ser retirados. No final de Agosto de 2025, a MLD admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em actividade” devido a dívidas totais de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong.
Nunu Wu Manchete PolíticaImobiliário | Pedido reforço do sector e bonificação de juros O director-geral da imobiliária Savills Macau quer que o Governo promova mais medidas para acabar com a tendência de queda dos preços no mercado. Franco Liu acredita que os residentes têm dinheiro disponível para investir, mas a queda dos preços afasta o investimento no sector A empresa de serviços imobiliários Savills Macau defendeu a implementação de um plano de bonificação dos juros dos créditos bancários para a compra de imóveis. Ao jornal Ou Mun, o director-geral, Franco Liu, considerou que as medidas do Governo de isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação e de aumentar para 80 por cento o limite máximo do crédito bancário na compra de habitação não foram suficientes para reanimar o mercado. À publicação em língua chinesa, Liu explicou que o cenário no mercado de imobiliário está muito longe de ser o ideal, com um declínio progressivo do preço do metro quadrado. O responsável reconheceu que em Abril de 2024 o Governo mudou de política e aboliu todas medidas que visavam controlar a procura. O alívio durou pouco tempo, e o mercado voltou a apresentar novamente períodos de contracção. Mais uma vez, no ano passado, o Executivo tentou responder à contracção do mercado com a isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação. Contudo, a procura gerada não foi suficiente para contrariar a tendência geral de desvalorização dos preços e de quebra do número de transacções. Outras soluções Apesar de reconhecer que o Executivo tem implementado as medidas sugeridas ao longo do tempo pelas imobiliárias, Franco Liu considera que é preciso mais. Neste sentido, sugeriu que o Governo implemente um plano de bonificação, em que os fundos da RAEM possam subsidiar os juros dos empréstimos na compra de habitação. O responsável indicou também que os juros pagos do empréstimo devem ser dedutíveis como imposto profissional, o que significa que parte do montante pode ser devolvido aos compradores. Segundo Liu, esta medida permitirá aliviar o stress dos jovens quando têm de pagar os empréstimos para a habitação. Com as medidas propostas, Franco Liu considera que pode haver um maior incentivo à compra de imóveis e que os comerciantes vão sair beneficiados. Sobre o estado actual do mercado imobiliário, Franco Liu explicou que o ciclo vicioso da queda dos preços deve ser estancado, porque o valor da habitação dos residentes registou uma desvalorização de pelo menos 20 a 30 por cento. Com quebras de valor desta ordem, o agente imobiliário indica que as pessoas não vão procurar comprar imóveis. Ao mesmo tempo, Franco Liu indicou que o consumo local está em quebra, porque cada vez mais pessoas vai para o Interior no fim-de-semana, o que faz com que as lojas estejam igualmente a desvalorizar. Todavia, o agente imobiliário acredita que a situação pode ser invertida, porque os residentes têm depósitos bancários que ultrapassam os 800 mil milhões de patacas, pelo que a desvalorização do imobiliário se deve exclusivamente à falta de confiança para investir. Franco Liu defende assim que o Governo deve continuar a lançar novas medidas para estabilizar a procura e levar à estabilização dos preços dos imóveis.
João Luz Manchete PolíticaTNR | Sam Hou Fai reitera promessa de rever mecanismo de autorização O Governo irá rever e aperfeiçoar o mecanismo de apreciação e autorização de contratação dos trabalhadores não-residentes para controlar o número não-residentes no mercado laboral. A garantia foi dada por Sam Hou Fai no jantar de aniversário da Federação das Associações dos Operários de Macau O Governo “irá proceder à revisão completa e ao aperfeiçoamento do mecanismo de apreciação e autorização de contratação dos trabalhadores não-residentes, a fim de exercer um controlo dinâmico do número de trabalhadores não-residentes”. O compromisso, já avançado nas Linhas de Acção Governativa, foi reiterado pelo Chefe do Executivo na cerimónia de celebração do 76.º Aniversário da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), que se realizou na terça-feira à noite. O discurso de Sam Hou Fai centrou-se na promoção do emprego dos residentes locais, enquanto ponto fulcral para a estabilidade da conjuntura geral da cidade. “Desde que os residentes locais sejam capazes e estejam dispostos, devem ser prioritariamente contratados”, indicou o Chefe do Executivo. Para atingir o objectivo de prioridade no mercado de trabalho, Sam Hou Fai lembrou o papel da criação do Grupo de Trabalho para a Coordenação da Promoção do Emprego, que tem por foco o emprego dos residentes de Macau, com particular incidência nas camadas mais jovens. Sam Hou Fai afirmou também que o Executivo irá aperfeiçoar as leis laborais, intensificar a frequência das acções de emparelhamento profissional e formação profissional, assim como organizar sessões informativas sobre segurança e a saúde ocupacional. Ainda assim, o governante apontou que a economia de Macau segue numa tendência estável e promissora, e que “os principais indicadores económicos revelam uma melhoria constante”, e “a taxa de desemprego geral mantém-se num nível relativamente baixo”. Grandes expectativas Com um forte teor nacionalista, Sam Hou Fai relembrou as cincos expectativas de Xi Jinping para a RAEM. A primeira acentua na estudo e implementação profunda do “espírito consagrado nos discursos e instruções importantes do Presidente Xi Jinping”, para unir e orientar os trabalhadores no apoio ao Governo e na defesa da segurança nacional e a estabilidade social A segunda expectativa é a articulação do 15.º plano quinquenal do país com os projectos políticos de longo prazo da RAEM, para o qual Sam Hou Fai espera a contribuição da FAOM através de “sugestões e propostas valiosas em defesa das acções governativas”, formando um elo entre o Executivo e a população. A diversificação das indústrias e o aumento da qualificação e da competitividade profissionais dos jovens são vectores da terceira expectativa, com foco particular em Hengqin. A zona de cooperação aprofundada e a integração na Grande Baía são os pontos essenciais da quarta expectativa, para a qual Sam Hou Fai espera cooperação da FAOM ao nível da “formação de quadros qualificados, apoiando a integração e a prestação de serviços de Macau na conjuntura do desenvolvimento nacional”. A quinta expectativa de Xi Jinping para a RAEM, é o reforço da “bela tradição do patriotismo e do amor a Macau”.
João Luz Eventos MancheteDesfile Internacional | Governo convida grupos artísticos e empresas O Desfile Internacional de Macau deste ano já mexe. O Instituto Cultural abriu ontem as inscrições e convidou associações artísticas e culturais locais, escolas e pequenas e médias empresas a apresentarem propostas. O desfile deste ano tem como tema os Descobrimentos e realiza-se a 29 de Março O Instituto Cultural (IC) está a receber desde ontem propostas para o Desfile Internacional de Macau deste ano. O prazo de candidatura termina ao final da tarde do próximo domingo. “O IC convida todas as associações artísticas e culturais locais registadas, escolas e pequenas e médias empresas (PME) interessadas em participar neste evento”, foi indicado ontem em comunicado. O governo indicou que os grupos e PME locais interessados podem enviar propostas e informações para a Divisão de Actividades Recreativas do Instituto Cultural (Edifício do Instituto Cultural, Praça do Tap Siac, Macau). No envelope deve ser indicado que a proposta é referente ao “Desfile Internacional de Macau 2026 – Convite à Apresentação de Propostas por Grupos Artísticos Locais” ou ao “Desfile Internacional de Macau 2026 – Convite à Apresentação de Propostas por Pequenas e Médias Empresas Locais para o Carnaval VIVA” Esta última actividade será uma novidade na edição deste ano e terá como objectivos aumentar a participação das PME locais em grandes eventos e expandir o alcance do desfile. O Carnaval VIVA no Anim’Arte NAM VAN realiza-se na véspera e no dia do evento e irá oferecer ao público “especialidades gastronómicas e diversas experiências interactivas criativas, transformando a área num local de destaque juntamente com as principais actividades do desfile”, indica o IC. Navegar pela cidade O Governo referiu ontem que na edição deste ano os grupos participantes serão incentivados a “mostrar a essência de Macau como a ‘Cidade de Navegantes’, expressando a sua criatividade e mostrando o encanto da integração cultural e inovação de Macau”. O objectivo do IC é demonstrar de uma forma colorida o papel importante de Macau durante a “Era dos Descobrimentos”. A rota do cortejo deste ano tem início nas Ruínas de S. Paulo e termina na Praça do Lago Sai Van. Os grupos artísticos vão ter quatro modalidades para escolher os moldes da participação no desfile: “Tema do Desfile”, “Desfile de Grupos Artísticos”, “Desfile de Instalações Artísticas de Grande Escala” e “Desfile de Planeamento Especial”. Como tem sido habitual, o desfile internacional irá extravasar os limites do trajecto oficial, para se “incorporar na comunidade”, com várias actividades de extensão programadas para os bairros fora dos circuitos turísticos. Os grupos podem optar por se inscrever na modalidade de “Actuação Comunitária e Grupos de Arte de Rua”, que irá levar aos bairros residenciais a arte e expressão cultural do desfile. Desde a primeira edição, em 2011, que têm sido convidados grupos de artes performativas de todo o mundo, assim como artistas locais, para proporcionar “um ambiente cultural e alegre, realçando a paisagem única do Centro Histórico de Macau”. O IC acrescenta que o desfile internacional tem também o papel de difundir o conceito de “Amor, Paz e Integração Cultural” e promover a interacção e o intercâmbio das artes e da cultura.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | Cresce número de grandes apostadores O mais recente relatório Citigroup revela que o mercado dos grandes apostadores está a crescer em Macau. O aumento surge a poucas semanas do Ano Novo Lunar, uma das alturas mais proveitosas para os casinos Mais jogadores e a apostarem montantes mais elevados. É esta a conclusão do relatório do banco de investimento Citigroup sobre o segmento dos grandes apostadores no mercado de Macau, em Janeiro. De acordo com o relatório citado pelo portal GGR Asia, houve num aumento de 72,3 por cento no volume de apostas observado pelos analistas. Além disso, foram contados nos primeiros dias de Janeiro 28 grandes apostadores, quando no período homólogo o número tinha sido de 24 grandes jogadores. A pesquisa do Citi no primeiro mês do ano registou 8,1 milhões de dólares de Hong Kong em apostas de grandes jogadores, que contrastam com o valor de 4,7 milhões de dólares apostados por esse nível de jogadores em Janeiro de 2025. “Consideramos que é seguro dizer que Macau tem uma oferta de produtos de jogo e não relacionados ao jogo que é atractiva para os jogadores do Interior com maior poder de compra, que continuam dispostos a gastar”, escreveram os analistas George Choi e Timothy Chau. O relatório indica que no início de Janeiro passaram por Macau vários grandes apostadores com o “jogador do mês” a apostar 1 milhão de dólares de Hong Kong numa das jogadas, na sala Horizon, no Galaxy Macau. Além disso, os analistas assistiram a um jogador a apostar uma mão de 850 mil dólares de Hong Kong no City of Dreams, e outro a apostar 640 mil dólares, no Clube Presidente no Wynn Palace. Maior média Os 28 grandes apostadores observados pelos analistas durante as visitas aos casinos de Macau apostaram um total de 8,1 milhões de dólares de Hong Kong, o que representa uma aposta média de 290 mil dólares de Hong Kong por grande jogador. O valor é um aumento de 49 por cento em relação ao período homólogo. “Encontrámos seis grandes jogadores apostar 500 mil dólares de Hong Kong ou mais, em comparação com apenas dois em Janeiro de 2025”, foi indicado. Como parte da justificação para este aumento, o Citigroup especula que pode resultar das promoções dos casinos que oferecem bilhetes para alguns concertos muito populares, como da banda de Kpop Blackpink, que vai actuar no final do mês em Hong Kong, Raymond Lam, na Arena Venetian ou Dylan Wang, na Arena Galaxy. O aumento não se limitou aos grandes apostadores, no segmento mais alto do mercado de massas os analistas observaram um volume de apostas em crescimento, para 16 milhões de dólares de Hong Kong, uma valorização de 25 por cento face ao período homólogo. O Citi afirmou ainda que a Galaxy “recuperou a liderança no segmento mais elevados do mercado de massas”, de acordo com a pesquisa de Janeiro, com uma fatia de mercado de cerca de 25 por cento, o que não deixa de representar uma queda de dois pontos percentuais em relação a Janeiro de 2025.
João Santos Filipe Manchete PolíticaZona A | Ella Lei pede melhores ligações de autocarro Além da insuficiente oferta de transportes públicos, a deputada alerta o Governo para a necessidade de assegurar a reparação dos defeitos de construção nas habitações públicas e de apresentar dados do controlo da qualidade da água Ella Lei apelou ao Executivo para melhorar as ligações de transportes entre a Zona A dos Novos Aterros e o território. O pedido foi deixado através de um comunicado, depois de a deputada ter reunido com vários moradores daquele local. A legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) afirmou que com a construção dos edifícios na Zona A há cada vez mais pessoas a viverem na quela área. Contudo, a falta de ligações de transportes surge como um grande desafio. “Actualmente, apenas três percursos de autocarro servem a Zona A, com frequentes situações de sobrelotação dos veículos durante as horas de ponta, o que impede os moradores de apanharem os autocarros”, relatou. Ella Lei indicou que os residentes se queixam porque a frequência dos meios de transporte é insuficiente, os percursos são limitados, além de considerarem que a distância das paragens para os edifícios é demasiado longa. A legisladora pede assim melhores ligações a “instalações essenciais”, como hospitais e mercados nas várias zonas do território, serviços que actualmente não se encontram na Zona A. Corrigir defeitos Os problemas não se ficam pelos transportes públicos. Numa altura em que a maioria dos aterros ainda está a ser construída, as poeiras são igualmente encaradas como um problema com impacto na qualidade de vida. A habitação económica construída no local também mereceu críticas, com moradores a pedirem que o Governo assuma as responsabilidades pelos defeitos de construção durante o período de garantia dos apartamentos. “Depois de uma longa espera, muitas famílias já se instalaram [nas habitações públicas] ou estão a preparar as mudanças. Os departamentos do governo devem reforçar a coordenação com os empreiteiros e as empresas de gestão imobiliária para melhorar a eficiência e a qualidade na resolução dos defeitos de construção”, aponta a deputada. Ella Lei salirenta ainda que é necessário encorajar a abertura de mais negócios nos novos aterros, porque actualmente o comércio disponível é muito limitado. Ao mesmo tempo, os residentes mostraram-se preocupados com a falta de controlo da qualidade da água, que dizem ser imperativo implementar, para garantir que a água consumida é potável. Apesar das várias sugestões de melhorias apresentadas no comunicado, Ella Lei elogiou o Governo pela construção da Zona A, por responder às necessidades de habitação do território.
João Luz Eventos MancheteConcerto | Tyson Yoshi ao vivo na arena do Londoner este fim-de-semana O popular rapper de Hong Kong Tyson Yoshi vai actuar no Arena do Londoner no sábado e domingo, depois de ter sido anunciado que será um dos artistas convidados do espectáculo de Ano Novo Chinês de Jimmy O. Yang. Com dois discos na bagagem, Tyson Yoshi é um dos artistas mais populares da região vizinha Agora é oficial. Tyson Yoshi irá actuar pela primeira vez em Macau no próximo fim-de-semana na arena do Londoner. Os concertos estão marcados para sábado, a partir das 20h, e domingo às 19h. Os bilhetes estão à venda e custam entre 1.280 e 680 patacas. Fazendo jus à imagem de bad boy recheado de produtos de luxo, o espectáculo do artista de Hong Kong intitula-se “Tyson Yoshi o Vilão ao vivo em Macau”. O primeiro disco de Yoshi, magistralmente intitulado como “1st” foi lançado em 2019, começando uma carreira que em pouco tempo o tornaria num dos artistas de Hong Kong mais populares ao nível do hop hop mais comercial que se faz. Corpo musculado e uma aparente alergia a roupa no torso, aliado a uma vertente mais romântica de rap, fizeram de Tyson Yoshi um fenómeno de visualizações no YouTube, com o vídeo da música “Christy”, dedicada à sua namorada e futura esposa, a superar os 36 milhões de visualizações e mais de 21 milhões de streams no Spotify em mais de 100 países. Não só a música o catapultou para a fama, como em Junho de 2024 pediu a namorada em casamento durante um concerto. Porém, antes disso, em 2021, a popularidade do artista de Hong Kong voltou a ter um novo impulso, depois de actuar no Music is Live ao lado de Terence Lam, Keung To e Jer Lau. Em Abril de 2023, Yoshi lançou o segundo registo discográfico: “2nd Pre Evolution”, que acabaria por consolidar a sua carreira. Digestão fácil No repertório dos concertos na arena do Londoner não vão falar os singles “Christy”, “I don’t smoke & I don’t drink” e “Would you be mine?”. Apesar da imagem de bad boy, Tyson Yoshi, ou Ben Cheng Tsun Yin, estudou no Reino Unido, onde fez o secundário e se licenciou em Arquitectura de Interiores pela Universidade de Brighton. Um ano antes de lançar o primeiro disco, deu início à carreira em Taiwan com o lançamento do single “To My Queen”, que haveria de dar o mote para as sonoridades que haveria de trilhar. Após a estreia em palco em Macau, o romântico rapper de Hong Kong vai voltar a actuar no Cotai, desta vez no Galaxy Arena no espectáculo de comédia e música de Jimmy O. Yang. Os espectáculos estão marcados para os dias 21 e 22 de Fevereiro.
João Santos Filipe Manchete PolíticaImobiliário | Preço da habitação desvalorizou 14,1% em 2025 Apesar de o preço médio da habitação estar em queda desde 2018, nunca a diferença de um ano para o outro tinha sido tão elevada em termos relativos. No ano passado, a Taipa foi o local onde os imóveis habitacionais mais perderam valor No ano passado, o preço médio do metro quadrado da habitação apresentou uma redução de 14,15 por cento, de acordo com os dados mais recentes publicados pela Direcção de Serviços de Finanças Públicas (DSF). Ao mesmo tempo, o número de transacções caiu 9,2 por cento. Em 2025, o preço médio do metro quadrado das casas caiu para 73.949 patacas, quando no ano anterior o valor tinha registado uma média de 86.137 patacas por metro quadrado. Esta redução significa que uma habitação com 76 metros quadrados, que em 2024 custava 6,55 milhões de patacas, passou a estar avaliada em 5,62 milhões de patacas, uma diferença de 930 mil patacas. Coloane continua a ser o local onde as habitações atingem os valores mais altos, com uma média de 82.013 patacas por metro quadrado. Ainda assim, houve uma desvalorização de 20,7 por cento, dado que no ano passado o metro quadrado era transaccionado por 103.386 metros quadrados. Na Península de Macau, o preço médio em 2025 foi de 79.549 patacas, uma redução anual de 8,4 por cento face a 2024, quando o preço médio era de 72.869 por metros quadrado. A maior desvalorização anual registou-se na Taipa, com o valor do metro quadrado a afundar 21,5 por cento para 74.044 patacas, quando no ano anterior tinha sido de 94.298 patacas. Oitos anos a descer Os resultados divulgados pela DSF confirmam também a tendência de desvalorização do imobiliário que se prolonga há oito anos e que levou a uma redução do preço geral dos imóveis de 33,5 por cento. Em 2018, o metro quadrado era avaliado em 111.237 patacas, mas terminou em 2025 nas 73.949 patacas. Esta diferença significa que uma habitação com 76 metros quadrados, que em 2018 custava 8,45 milhões de patacas, passou a estar avaliada em 5,62 milhões de patacas, uma perda de 2,83 milhões de patacas. Entre 2017 e 2018, o preço médio do metro quadrado subiu anualmente 10,6 por cento de 100.569 patacas para 111.237 patacas. No entanto, após esse crescimento somaram-se reduções anuais, embora nunca com a magnitude registada entre 2024 e 2025. Até este ano, a maior redução relativa do valor foi registada entre 2021 e 2022, quando o preço médio caiu de 101.310 patacas para 92.134 patacas, o que representou 8,88 por cento. Este nível só encontrou paralelo com os anos de 2020 e de 2024, quando foram registadas quedas anuais do valor do metro quadrado de 6,34 por cento e 6,06 por cento, respectivamente.
João Luz Manchete PolíticaCuidadores | Subsídio sobe e é alargado a pessoas com deficiência mental A partir deste mês, o subsídio para cuidadores aumenta 10,3 por cento para 2.400 patacas, a primeira actualização desde que começou a ser distribuído de forma permanente em Dezembro de 2023. Este ano, o subsídio passa também a contemplar quem cuida de pessoas com deficiência mental O montante do subsídio para cuidadores será alargado, a começar este mês, assim como os critérios de atribuição. Desde que passou a ser um apoio definitivo, o subsídio para apoiar cuidadores de idosos ou pessoas dependentes por doença ou incapacidade manteve-se pouco mais de dois anos em 2.175 patacas por mês. A partir deste mês, a prestação do apoio passará a ser de 2.400 patacas mensais, ou seja, um aumento de 10,3 por cento. Os critérios de atribuição do subsídio também foram alargados, passando a incluir como beneficiárias pessoas com deficiência mental (autismo ou psicose primária) de grau grave ou profundo. Segundo o despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, publicado ontem no Boletim Oficial, o apoio será alargado também a quem cuida de pessoas portadoras de deficiência motora de grau grave ou profundo, assim como de pessoas que “não consigam realizar acções de sentar e levantar sem ser assistidas por terceira pessoa ou objecto de apoio, devido à incapacidade funcional”. O Governo efectou também “várias melhorias, designadamente o aumento do limite máximo do total de rendimento mensal do agregado familiar e a aceitação dos pedidos apresentados por residentes da RAEM que vivam em Hengqin”. Também cobertos pelo apoio, serão crianças com menos de quatro anos de idade que apresentem as deficiências referidas, ainda sem grau formalmente atribuído. O que fazer O Instituto de Acção Social (IAS) disponibiliza a partir de hoje no seu portal de internet o novo regulamento para atribuição do subsídio para cuidadores, assim como os formulários para requerer o apoio. Para solicitar a atribuição do subsídio, é necessário apresentar atestado médico emitido por instituição médica designada pelo IAS. “No que se refere aos pedidos apresentados para pessoas portadoras de deficiência intelectual, mental (autismo/psicose primária) ou motora, de grau grave ou profundo, deverá contactar a Divisão de Serviços de Reabilitação do IAS”, foi acrescentado num comunicado divulgado ontem. Ao longo de cinco anos, que incluíram três anos em que o apoio ainda tinha carácter provisório, o IAS distribuiu mais de 18 milhões de patacas a 310 cuidadores.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPresidenciais | Marques Mendes venceu em Macau António José Seguro e André Ventura passam à segunda volta, mas em Macau o grande vencedor foi o candidato apoiado pelo Partido Social Democrata, que conseguiu mais votos do que Seguro e Ventura juntos Luís Marques Mendes foi o candidato a presidente de Portugal mais votado no consulado em Macau com um total de 1.073 votos, equivalente a 47,19 por cento dos votos. No entanto, os resultados nacionais deixam o político apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD) afastado da segunda volta, que vai ser disputada por António José Seguro, o grande vencedor da noite em Portugal apoiado pelo Partido Socialista (PS), e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega (CH). Em Macau, Luís Marques Mendes registou mais votos do que os resultados de Seguro e Ventura juntos. O candidato apoiado pelo PS ficou no segundo lugar com a preferência de 477 eleitores (20,98 por cento). O presidente do Chega ficou em terceiro, com 282 votos (12,40 por cento). No entanto, o resultado de Marques Mendes em Macau ganha uma outra dimensão, porque mesmo juntando os 191 votos (8,40 por cento) do quarto mais votado, João Cotrim Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, aos de Seguro e Ventura, o resultado não é suficiente para ultrapassar o número de preferências obtido pelo candidato do PSD. Os candidatos que ficaram entre segundo e quarto juntos somaram 950 votos, menos 123 que Mendes. Marques Mendes conseguiu superar a votação de Marcelo Rebelo de Sousa em 2021, quando o actual presidente juntou 926 votos, e confirmou o segundo mandato. Segunda metade Em quinto lugar, ficou Henrique Gouveia e Melo com 133 votos (5,85 por cento), seguido por Manuel João Vieira. O cantor e comediante conseguiu 39 votos (1,72 por cento), superando em Macau candidatos consagrados como políticos, casos de Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, que teve 28 votos (1,23 por cento), e de António Filipe, candidato do Partido Comunista Português, que juntou 20 votos (0,88 por cento). No nono lugar ficou André Pestana, candidato independente que juntou 14 votos (0,62 por cento), à frente de Jorge Pinto, apoiado pelo Livre de Rui Tavares, que não foi além dos 12 votos (0,53 por cento). Finalmente, no último lugar em Macau ficou Humberto Correia, com cinco votos (0,22 por cento). Ao longo dos dois dias de votação no Consulado de Portugal em Macau houve ainda 66 votos nulos (2,78 por cento) e 32 votos em branco (1,43 por cento). Cenário nacional O bom resultado de Luís Marques Mendes não teve reflexo nos resultados eleitorais gerais. Quando faltavam apurar os resultados dos denominados “postos consulares” de México, Arábia Saudita, Costa do Marfim, Etiópia, Luanda, Pequim e Berlim, António José Seguro estava confirmado como o vencedor da noite, com um total de 1.754.895 votos (31,11 por cento), seguido por André Ventura, com 1.326.44 votos (23,52 por cento). Os dois candidatos vão disputar a segunda volta a 8 de Fevereiro, com a votação em Macau a ocorrer durante esse fim-de-semana, ao longo de 7 e 8 de Fevereiro. No terceiro lugar a nível global ficou João Cotrim Figueiredo, com 902.564 votos (16,00 por cento), seguido por Henrique Gouveia e Melo, com 695.088 votos (12,32 por cento), e Luís Marques Mendes, com 637.394 (11,30 por cento). Mais afastado do grupo dos cinco primeiros ficaram Catarina Martins (116.303 votos/2,06 por cento), António Filipe (92.589 votos/1,64 por cento), Manuel João Vieira (60.899 votos/1,08 por cento), Jorge Pinto (38.536 votos/0,68 por cento), André Pestana (10.893 votos/0,19 por cento) e Humberto Correia (4.622 votos/0,08 por cento). A nível global houve ainda 61.226 votos em branco (1,06 por cento) e 65.381 votos nulos (1,13 por cento). Resultados Presidenciais Macau 2026 Candidato Percentagem de Votos Total de Votos Luís Marques Mendes 47,19% 1.073 votos António José Seguro 20,98% 477 votos André Ventura 12,40% 282 votos João Cotrim Figueiredo 8,40% 191 votos Henrique Gouveia e Melo 5,85% 133 votos Manuel João Vieira 1,72% 39 votos Catarina Martins 1,23% 28 votos António Filipe 0,88% 20 votos André Pestana da Silva 0,62% 14 votos Jorge Pinto 0,53% 12 votos Humberto Correia 0,22% 5 votos Em Branco 1,43% 34 votos Nulos 2,78% 66 votos Votantes 4,11% Abstenção 95,89% 2.374 votantes 57.748 inscritos Resultados Presidenciais Macau 2021 Candidato Percentagem de Votos Total de Votos Marcelo Rebelo de Sousa 64,62% 926 votos Ana Gomes 14,45% 207 votos André Ventura 8,03% 115 votos Tiago Mayan Gonçalves 4,61% 66 votos Marisa Matias 3,49% 50 votos João Ferreira 2,93% 42 votos Vitorino Silva 1,88% 27 votos Em Branco 1,02% 15 votos Nulos 1,76% 26 votos Votantes 2,10% Abstenção 97,90% 1.474 votantes 70.134 inscritos
Hoje Macau China / Ásia MancheteDiplomacia |Relações “saudáveis e estáveis” serve interesses de China e Canadá A visita do líder do governo canadiano à China marcou o regresso do entendimento saudável entre as duas nações após um período de tensões e divergências. O Presidente da China, Xi Jinping, afirmou sexta-feira que o desenvolvimento de relações “saudáveis e estáveis” com o Canadá serve os interesses de ambos os países, durante um encontro com o primeiro-ministro canadiano. Xi reuniu-se em Pequim com Mark Carney, naquela que é a primeira visita de um chefe de Governo canadiano ao país em quase uma década e que visa normalizar as relações bilaterais, que atravessaram períodos de tensão nos últimos anos, devido a disputas diplomáticas e comerciais. Durante o encontro, realizado no Grande Palácio do Povo, Xi afirmou que o “desenvolvimento saudável e estável” das relações entre a China e o Canadá “corresponde aos interesses comuns de ambos os países” e contribui para “a paz, estabilidade e prosperidade mundiais”, segundo a televisão estatal chinesa CCTV. O líder chinês destacou que o contacto prévio entre ambos, em Outubro, à margem de uma cimeira na Coreia do Sul, deu início a uma nova fase de aproximação. Xi apelou à construção de “um novo tipo de parceria estratégica” capaz de colocar os laços entre Pequim e Otava numa trajectória “sustentável e duradoura”. Carney agradeceu a recepção e manifestou a vontade do Canadá de trabalhar com a China “com base na boa cooperação passada”, para desenvolver uma relação estratégica adaptada ao actual contexto internacional e promotora de “estabilidade, segurança e prosperidade” para ambos os países e para a região do Pacífico. Na véspera, o primeiro-ministro canadiano reuniu-se com o homólogo chinês, Li Qiang. Os dois abordaram temas como cooperação económica, energia e comércio, e testemunharam a assinatura de vários acordos nas áreas aduaneira e comercial. Laços reforçados Segundo a CCTV, Carney reiterou o interesse do Canadá em reforçar a cooperação nas cadeias de abastecimento e em sectores estratégicos, bem como o compromisso com o multilateralismo e o sistema de comércio internacional. Li Qiang defendeu o alargamento da cooperação em áreas como energia limpa, agricultura moderna, tecnologias digitais e indústria aeroespacial. Também à margem da visita, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com a ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, sublinhando a necessidade de eliminar interferências e fortalecer a confiança mútua para promover uma relação “estável, sólida e saudável”. A visita de Carney é a primeira de um primeiro-ministro canadiano à China desde a deslocação de Justin Trudeau em 2017, e ocorre num contexto de crescente instabilidade no comércio internacional, com Otava a procurar diversificar as parcerias económicas.
João Luz Eventos MancheteCCM | Peça “Adeus, Minha Concubina” com workshops e actvidades Entre os dias 29 de Janeiro e 1 de Fevereiro, a companhia Teatro do Povo de Pequim apresenta quatro sessões da peça “Adeus, Minha Concubina” no Estúdio II do Centro Cultural de Macau (CCM). Os bilhetes custam 220 patacas e estão à venda na Bilheteira de Enjoy Macao. Os espectadores podem gozar de um desconto de 50 por cento, “mediante a apresentação de Bilhete de Identidade de Residente de Macau, Cartão de Estudante a tempo inteiro, Cartão de Professor de Macau, Cartão de Benefícios Especiais para Idosos ou Cartão de Registo de Avaliação de Deficiência válidos”, indicou na sexta-feira o Instituto Cultural. A apresentação da peça apresentada pelo Teatro do Povo de Pequim é um dos pontos altos da “1.ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa”, que começou no fim de Novembro do ano passado e decorre até Março. O ciclo é organizado pelo IC e o Departamento de Publicidade, Cultura e Desporto do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, com o patrocínio da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura. A peça, descrita pela organização como como imersiva, foi escrita por Mo Yan, laureado com o Prémio Nobel da Literatura. O IC acrescenta que a encenação de “Adeus, Minha Concubina” que irá subir ao palco do CCM “rompe com a estrutura narrativa tradicional do drama histórico, explorando temas intemporais como o poder, a sobrevivência e a responsabilidade através de múltiplos encontros e uma estrutura de diálogos entrelaçados temporalmente, entre as personagens Yu Ji e Lü Zhi”. Com um design cénico imersivo, o público ficará rodeado pelo acampamento do Exército de Chu, sentado em almofadas ou bancos de palha dispostos em vários níveis, para testemunhar de perto os intensos enredos de amor e ódio entre as personagens. Aprender com arte Além das quatro sessões de teatro, “serão também organizados workshops e actividades complementares que convidam o público a participar e a experienciar a beleza da cultura tradicional chinesa sob múltiplas perspectivas”, é descrito pelo IC. Nos dias 30 e 31 de Janeiro, após o espectáculo (entre as 22h e as 22h30), os espectadores vão ter a oportunidade de conversar com os artistas. No dia 27 de Janeiro, em jeito de antecipação, será organizado o “Diálogo Inter-regional entre Jovens Artistas”, que contará com “os principais criadores da produção e jovens actores do Interior da China e de Macau”. O objectivo desta actividade é lançar uma “discussão aprofundada sobre a construção de personagens e as artes performativas, desconstruindo o processo criativo, as percepções e as técnicas de representação de personagens dramáticas a partir de múltiplas dimensões, como a acção, a personalidade e a imagem”. A conversa, marcada para o Auditório do Museu de Arte de Macau, é dirigida a grupos de teatro e jovens actores sediados em Macau e a admissão será feita por ordem de chegada. Além das conversas, será realizada uma oficina de joalharia em esmalte, no dia 31 de Janeiro entre as 16h30 e as 17h30 na Sala de Conferências do Centro Cultural de Macau, que tem como destinatários residentes de Macau maiores de 6 anos No dia seguinte, no mesmo lugar e às mesmas horas, realiza-se o Workshop de Caligrafia para Idosos para residentes de Macau com mais de 55 anos de idade. As vagas são limitadas e os interessados podem inscrever-se na aplicação Conta Única de Macau.
Hoje Macau Manchete SociedadeNatalidade | Igualdade e equilíbrio entre vida e trabalho essenciais Uma académica da UPM considera que Macau deve legislar licenças parentais iguais, promovendo a igualdade de género e o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, que afirma serem factores essenciais para reverter a baixa da natalidade. “O equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é um factor chave para impulsionar a taxa de fertilidade”, afirmou à Lusa Lok Cheng, académica da Universidade Politécnica de Macau (UPM) que estuda políticas públicas. A investigação de Lok, que compara as políticas parentais de Macau com as de países como Alemanha, Suécia e Estados Unidos, apoia esta conclusão. Macau registou a taxa de natalidade mais baixa do mundo em 2024 e o número mais reduzido de nascimentos em quase 50 anos em 2025, disse, no início do ano, o director substituto do hospital público de Macau, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM Macau. Este declínio persistiu apesar de um orçamento revisto aprovado no ano passado para reforçar apoios sociais, incluindo subsídios para pais com crianças até três anos, aumentos dos abonos de natalidade e subsídios de casamento. Macau oferece actualmente 70 dias de licença de maternidade e apenas cinco dias de licença de paternidade para trabalhadores do sector privado (no público são 90 dias para as mães e cinco para os pais), lembrou a especialista: “Menos do que os 98 dias recomendados pela Organização Internacional do Trabalho”, referiu. Esta disparidade, argumentou Lok, reforça a ideia de que as mulheres têm a principal responsabilidade pelos recém-nascidos, o que também tem impacto na carreira profissional. “Aceitámos tacitamente que as mulheres têm uma responsabilidade maior no cuidado dos recém-nascidos, e isso reflecte-se no local de trabalho”, continuou. Olhar para fora Em contraste, a especialista, que também é funcionária pública, aponta para políticas europeias. “A Suécia tem uma política parental bem estabelecida e registou um aumento na taxa de natalidade no início dos anos 2000”, disse. “Tanto a Alemanha como a Suécia proporcionam licenças de maternidade mais longas e estão a promover activamente a participação do pai”, reforçou. Lok explicou que a Suécia oferece mais de 300 dias de licença parental partilhada, sendo 90 dias reservados exclusivamente para o pai. “Macau actualmente não tem regulamentação relevante quanto ao pai”, observou a académica, sugerindo que a região poderia aprender com este modelo para implementar uma licença parental igualitária e “promover a igualdade de género no local de trabalho”. Tal política, disse, ajudaria as famílias a partilhar o cuidado das crianças e “eliminaria o preconceito de género que coloca as mulheres como as principais cuidadoras”. “Este preconceito é prejudicial para o desenvolvimento profissional das mulheres”, avaliou. De acordo com os últimos dados oficiais da Base de Dados das Mulheres de Macau, o salário médio mensal da população feminina em 2024 era de 16.800 patacas, inferior às 19.300 patacas auferidas pelos homens. Lok explicou que muitas mulheres hesitam em ter filhos, receando o aumento dos deveres familiares e a estagnação das carreiras. Mas quando o cuidado das crianças é partilhado, “isso pode aumentar a vontade de ter filhos e reduzir os custos associados”. Tal mudança também beneficiaria as mulheres profissionalmente, acrescentou. Se os deveres parentais forem distribuídos de forma mais igualitária, “as empresas estariam menos preocupadas com o género ao contratar mulheres em idade fértil, e as mulheres poderiam prosseguir carreiras em pé de igualdade”. Lok reconheceu que pode ser um desafio para Macau adoptar um sistema como o da Suécia, mas é necessário “avançar gradualmente”. “O primeiro passo é aumentar a licença de maternidade para 98 dias, de acordo com o padrão internacional”, concluiu.
Hoje Macau Manchete SociedadeJogo | Receitas VIP subiram 24,1% ao longo de 2025 As receitas vindas dos grandes apostadores, um segmento conhecido em Macau como jogo VIP, subiram 24,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira. O jogo bacará VIP atingiu receitas de 68 mil milhões de patacas no ano passado, revelou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Só no último trimestre, as receitas das grandes apostas aumentaram 45 por cento em comparação com o período entre Outubro e Dezembro de 2024, para 20,3 mil milhões de patacas. No entanto, o jogo VIP em Macau continua longe dos picos históricos atingidos antes da pandemia da covid-19. Em 2019, o bacará para este segmento representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos. Mas em 2025 ficou-se por uma fatia de 27,5 por cento. As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, em Novembro de 2021. O antigo director executivo da Suncity Alvin Chau Cheok Wa foi condenado, em Janeiro de 2023, a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau. De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem vindo a recuperar e atingiu a marca de 30 no final de Julho, número que se mantinha na mais recente actualização, em 15 de Dezembro. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50. Número a aumentar Também as receitas do jogo mais popular em Macau, o bacará no chamado mercado de massas, aumentaram 3,4 por cento em 2025, para 137,9 mil milhões de patacas. O bacará de massas representou 57,7 por cento do total das receitas dos casinos no território no ano passado, sendo de longe o jogo de fortuna e azar mais procurado pelos apostadores chineses. As receitas das máquinas de jogos aumentaram 7,3 por cento em comparação com 2024, para 13,9 mil milhões de patacas. Em 2025, os casinos de Macau registaram receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento. O Governo de Macau tinha previsto, no orçamento inicial para 2025, receitas do jogo de 240 mil milhões de patacas, o que representaria um aumento de 6 por cento em comparação com o ano anterior. Mas, em 11 de Junho, a Assembleia Legislativa aprovou um novo orçamento, proposto pelo Executivo, que reduziu em 4,56 mil milhões de patacas a previsão para as receitas públicas. O secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, admitiu aos deputados que o corte se deveu ao facto de as receitas brutas do jogo no primeiro trimestre de 2025 terem “ficado ligeiramente abaixo do previsto”.
Hoje Macau Manchete PolíticaEleições | Portugueses em Macau pedem atenção a quem está longe À porta do histórico edifício do Consulado-Geral de Portugal em Macau, portugueses que escolheram votar no sábado celebram o momento democrático e exigem “mais cuidado” com quem vive longe. Vários eleitores voltaram a sugerir a implementação do voto electrónico. Foi uma campanha presidencial “algo confusa – como está o mundo neste momento -“, mas que Cristina Osswald fez questão de acompanhar. E neste dia de Inverno, mas de sol, em Macau, a portuguesa celebra a possibilidade de escolha. “Sempre que possível ia ouvindo entrevistas, debates e apresentações dos candidatos. Mas pareceu-me que, se calhar, há essa questão de uma dispersão de votos, que faz parte da democracia, não é? E sobretudo quando se vive num regime que não é democrático, claramente mais se aprecia a democracia”, diz à Lusa a docente da Universidade Politécnica de Macau depois de votar. Mas o caminho que um eleitor de Macau percorre até ao momento do voto, sublinha Osswald, não é o ideal. A viver há seis anos fora de Portugal, a docente nota que os “procedimentos têm melhorado”, embora “continuem abaixo das expectativas”. “O mundo é cada vez mais global, não vejo razão para não haver voto electrónico”, considera a docente, que, antes de Macau, passou por Florença, onde para votar tinha de se deslocar a Milão. “Podemos ir ao banco [‘online’], às finanças, e não conseguirmos votar ‘online’ parece uma coisa que não faz muito sentido. Acho que seria por aí que deveria também haver um maior investimento. Por exemplo, aqui, pessoas com pouca mobilidade não podem vir votar”, declara. Cristina Osswald olha para a escadaria que conduz ao consulado, onde nesse momento, idosos sobem os degraus com dificuldade – apesar de, nas traseiras do edifício, haver uma outra porta com acesso a elevador. “É a democracia que perde. Em tempos que são complicados e são, diria, quase dramáticos, acho que era uma coisa extremamente simples poder votar-se ‘online'”, continua a professora, referindo ainda a “pouca informação” em Macau sobre os procedimentos que antecedem o acto eleitoral. “Conheço muita gente aqui em Macau, sobretudo pessoas mais idosas, que não vêm votar, porque não foi divulgado que tínhamos que nos inscrever antes”, nota. Pretensão antiga A escolha electrónica tem sido uma reivindicação de longa data do Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, disse à Lusa, no ano passado, que o tema “foi abordado várias vezes e com vários governos”. Félix Teixeira, técnico de laboratório reformado a viver em Macau há 30 anos, defende que votar ‘online’ poderia servir sobretudo regiões onde “a deslocação está dificultada”. “Macau é pequeno, aqui tanto faz”. E que expectativas tem das presidenciais? Para o antigo funcionário do Instituto para os Assuntos Municipais, a multiplicidade de caras nos boletins é bom prenúncio: “Ouvem-se mais vozes”, diz. E para os emigrantes, sublinha, estar hoje aqui é aproximar-se de casa: “Se não estiver em contacto directo com o país, está-se fora de todo o circuito, da política e da esfera social”, concretiza. Sentir à distância De acordo com o consulado, existem mais de 150 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. No entanto, inscritos para votar, o número é quase três vezes inferior: 57.748, segundo dados cedidos à Lusa pela representação diplomática. Do topo das escadarias do histórico edifício do consulado – antigo Hospital de São Rafael, fundado em 1569 – o casal de macaenses Francisco Xavier Leong e Alina da Luz pedem mais atenção a quem está no exterior. “Esperamos que o novo presidente tenha mais cuidado com os cidadãos estrangeiros, não só de Portugal”, refere Leong. “Votamos porque somos portugueses e, enquanto bons cidadãos, é nosso dever”, completa a mulher. Para o casal, que vive ali perto, votar presencialmente é mais simples. Francisco Leong admite mesmo “mais dificuldade” com a opção electrónica. “Felizmente em Portugal sempre tivemos grande confiança nos resultados eleitorais. Há muitas pessoas que têm dúvidas relativamente ao voto electrónico, mas julgo que se for bem conduzido, é uma boa opção”, diz, por sua vez, José Paulo Esperança. À Lusa, o professor de Finanças da Universidade Cidade de Macau assume que espera elevada participação no escrutínio, porque “há preocupações para a democracia portuguesa” e “candidatos preocupantes”. “Portugal – e o mundo – está com evoluções que me preocupam. Porque há cada vez mais subida da extrema direita e de fenómenos que são muito preocupantes”, afirma. Nas presidenciais de 2021 votaram em Macau 1.479 pessoas, ou seja 2,1 por cento do total de inscritos (70.134). Marcelo Rebelo de Sousa venceu nesta região chinesa com 64,62 por cento dos votos, seguindo-se Ana Gomes (14,45 por cento) e André Ventura (8,03 por cento).
João Santos Filipe Manchete PolíticaGoverno | Sam Hou Fai fala de “bom início” de mandato O Chefe do Executivo considera que o Governo teve “um bom início”. Foi desta forma que Sam Hou Fai fez o balanço do primeiro ano de governação, num encontro com 70 membros da Administração para reiterar a necessidade dos governantes “implementarem o espírito” dos discursos de Xi Jinping. De acordo com a versão oficial do encontro, divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “afirmou que o trabalho do primeiro ano deste governo decorreu de forma estável, sucessiva e tranquila, com reformas, inovações, avanços e resultados”, o que considerou ser “um bom início”. O Chefe do Executivo elogiou os serviços públicos por terem como prioridade “os interesses fundamentais do País e os interesses integrais de Macau” que são encarados como “o ponto de partida para instalar uma mentalidade global que garanta firmemente a soberania, a segurança nacional e o interesse de desenvolvimento do País, e assegure a situação estável e harmoniosa de Macau”. Em segundo lugar, Sam destacou os esforços dos funcionários no reforço da “colaboração e cooperação interdeapartamental a fim de elevar a eficiência executiva” e destacou a concretização “com precisão” das acções governativas. Sam Hou Fai referiu ainda “a importância de haver mais consciência das insuficiências” e a necessidade de as insuficiências “serem verificadas à medida que o trabalho é realizado, de forma a analisar os problemas existentes e executar o devido aperfeiçoamento”. Seguir o espírito Em relação ao corrente ano, Sam Hou Fai prometeu que vai continuar “a implementar plenamente o espírito dos discursos do Presidente Xi Jinping para planear os próximos trabalhos”. O líder do Governo pediu ainda um Governo de pensamento único, que maximiza o “papel central do Chefe do Executivo”. “Todas as tutelas e serviços devem unificar o mesmo pensamento, envidar todo o seu esforço e colaborarem proactivamente, com um elevado sentido de responsabilidade e de missão e assim criar uma enorme força para trabalhar e avançar juntos, de modo a que, em conjunto, completem esta tarefa prioritária do governo da RAEM para este ano”, afirmou. “Paralelamente, deve instar e aperfeiçoar a predominância do poder executivo, maximizando o papel central do Chefe do Executivo e do governo da RAEM no sistema de governação”, acrescentou. E nesta organização centralizada à volta do Chefe do Executivo, a Assembleia Legislativa também está incluída: “Deve a Secretária para a Administração e Justiça cumprir efectivamente as suas atribuições e responsabilidades, reforçando a coordenação e cooperação para garantir que o governo da RAEM assuma as suas funções centrais de governação com profissionalismo e pragmatismo, no sentido de criar uma estrutura de governação com uma interligação entre os níveis superiores e inferiores e uma sinergia de cooperação entre os serviços, e de promover uma interacção positiva entre os poderes executivo e legislativo que cooperem, apoiem e promovam reciprocamente, a nível institucional, político e operacional”, atirou.
Andreia Silva Grande Plano MancheteEleições | Portugal prepara-se para escolher o próximo Presidente da República Portugal vai a votos no domingo para escolher o próximo Presidente da República. Dos 11 candidatos, apenas dois têm mandatários por Macau: Bessa Almeida do PSD, e Neto Valente do PS. O ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau realça que António José Seguro “não alinha em provocações à China”, enquanto Bessa Almeida considera que Marques Mendes é o homem certo para o momento Onze candidatos vão a votos no domingo para a escolha do próximo Presidente da República portuguesa, para um mandato de cinco anos. Trata-se de um número recorde, sendo que apenas sete tem apoio de partidos políticos. Concorrem ao cargo Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social-Democrata (PSD), e que nomeou António Bessa Almeida para seu mandatário na RAEM. Segue-se António José Seguro, com apoio do Partido Socialista (PS), que tem Jorge Neto Valente, presidente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau e advogado, como seu mandatário. São os únicos candidatos à Presidência da República que escolheram figuras para mandatários da RAEM. Os restantes candidatos são Henrique Gouveia e Melo, João Cotrim de Figueiredo, Catarina Martins, António Filipe, André Ventura Jorge Pinto, Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia. Ao HM, António Bessa Almeida, militante do PSD e explicou as razões para apoiar Marques Mendes. “Na altura que Portugal atravessa, o país necessita de um candidato como Marques Mendes, profundo conhecedor das diversas políticas”, começou por apontar. Questionado sobre o tipo de acções desenvolvidas em Macau para captar o eleitorado para o voto em Marques Mendes, Bessa Almeida apenas referiu que “a campanha em Macau é totalmente diferente da de Portugal”, sendo que as acções desenvolvidas passam por “aquilo que o candidato vai procedendo na proximidade com o povo, passando informação”. Para Bessa Almeida, “o eleitorado em Macau, do lado chinês, também é constituído por portugueses”, e que “tem acompanhado estas eleições como qualquer outro português acompanha, com visões seguras para o futuro de Portugal”. No passado dia 6 de Janeiro, o mandatário divulgou uma nota a realçar a importância da candidatura de Marques Mendes, que neste momento está longe dos lugares cimeiros nas sondagens. “Sempre nos preocupamos com tudo o que está relacionado com Portugal e neste momento, a nível mundial, as mudanças políticas são bruscas e inesperadas. Por isso precisamos de um presidente visionário, experiente e ponderado na condução dos destinos de Portugal e dos portugueses nascidos e radicados fora do país.” Uma volta segura Em Portugal as sondagens relativas às eleições presidenciais têm sido quase diárias, e mostram um volte face na escolha dos candidatos. Se inicialmente António José Seguro estava algo afastado dos lugares cimeiros, uma sondagem realizada pela Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e jornal Público, entre os dias 6 e 9 de Janeiro e divulgada esta semana, mostra como Seguro está em empate técnico com André Ventura, candidato do Chega, garantindo 23 por cento das intenções de voto, quando Ventura arrecada 24 por cento. João Cotrim de Figueiredo surge em terceiro lugar, com 19 por cento, havendo possibilidade de ir à segunda volta de eleições, seguindo-se Marques Mendes e Gouveia e Melo com 14 por cento. Outra sondagem, desta vez para a TVI, CNN, TSF e Jornal de Notícias, com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro, mostram Seguro com 23,9 por cento das intenções de voto, seguindo-se Cotrim de Figueiredo com 20,8 por cento e Ventura com 20,5 por cento. Marques Mendes cai para quinto lugar, com 13,2 por cento. Seguro escolheu, na RAEM, Jorge Neto Valente para seu mandatário, que não atendeu a chamada do HM. Num comunicado divulgado nos jornais esta quarta-feira, o ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau declarou que Seguro “propõe uma visão de futuro assente na modernização do país, na valorização da educação e aposta na inovação”. Referindo-se especificamente às relações Portugal-China, Neto Valente destaca que “diferentemente de outros candidatos, Seguro não alinha em provocações à China no que respeita ao estatuto de Taiwan, sendo também um candidato que “conhece Portugal, a Europa e o mundo”. Neto Valente afirmou também que Seguro “é um homem decente”. “Participou em todos os debates, revelou educação, defendeu as suas ideias com firmeza, nunca foi excessivo na linguagem e, ao contrário dos outros, não insultou adversários, nem lhes fez insinuações maliciosas.” Um “percurso consistente” Paulo Pisco, mandatário da campanha de Seguro para a emigração, recordou ao HM que o candidato “chegou a exprimir a opinião que, dado tratar-se de um voto presencial [para as eleições presidenciais], o Governo poderia ter feito muito mais, designadamente cumprindo aquilo que diz a lei eleitoral para a Presidência da República, que é a possibilidade de serem abertas mais mesas de voto”. Seguro defendeu ainda, segundo Paulo Pisco, “que poderia ter sido também aplicado o voto em mobilidade, tendo por base a experiência anteriormente realizada nas últimas eleições para o Parlamento Europeu”. Paulo Pisco refere que António José Seguro tem feito um “percurso muito consistente, sólido e objectivo”, que o permitiu chegar aos primeiros lugares das sondagens. Relativamente ao eleitorado que está emigrado, o deputado destaca que Seguro “não se desviou dos propósitos, forma e valores com que pretende exercer a Presidência da República”. Além disso, é “um garante da estabilidade do sistema político e também da democracia”. “Esta imagem que o candidato António José Seguro tem passado neste seu percurso tem-lhe valido uma maior receptividade por parte dos eleitores”, destacou Paulo Pisco. O mandatário não esquece que “Seguro é o candidato que tem mais mandatários por país na nossa diáspora”. “São 18, dez na Europa e oito fora da Europa. Julgo que isto consubstancia um compromisso muito firme do candidato para com o exercício de funções como Presidente da República, e na relação que pretende ter com a diáspora”, frisou. Olhando para os candidatos nos lugares mais abaixo nas sondagens, temos muitos rostos da esquerda. A mesma sondagem com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro coloca Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, com 2,5 por cento; seguindo-se António Filipe, do PCP, com 1,4 por cento, taco a taco com Jorge Pinto, do Livre, que tem 1,3 por cento. Manuel João Vieira, artista plástico e músico, obtém 1 por cento das intenções de voto.