Seul | Coreia do Norte lançou vários mísseis balísticos

A Coreia do Norte realizou ontem testes de lançamento de vários mísseis balísticos, os últimos de uma série de exercícios efectuados nas últimas semanas, anunciou o exército sul-coreano.

“As nossas forças armadas detectaram vários mísseis balísticos não identificados lançados em direcção ao mar do Leste a partir da região de Sinpo, na Coreia do Norte, por volta das 06:10 locais “, indicou o Estado-Maior Conjunto sul-coreano, referindo-se à zona marítima também conhecida como mar do Japão. “Reforçámos o nosso dispositivo de vigilância e alerta em antecipação a eventuais disparos adicionais”, acrescentou.

Horas antes, a agência de notícias sul-coreana Yonhap tinha dado conta do teste de lançamento de pelo menos um míssil balístico. O lançamento eleva para seis o número de testes de mísseis balísticos conhecidos da Coreia do Norte desde o início do ano. Em 14 de Abril, os meios de comunicação estatais norte-coreanos noticiaram um teste de mísseis de cruzeiro a partir de um contratorpedeiro no mar Amarelo, na presença do líder Kim Jong-un.

Preocupações gerais

Estes últimos testes ocorrem num momento em que a Coreia do Norte continua a ignorar os gestos do Presidente sul-coreano de centro-esquerda, Lee Jae-myung, para tentar melhorar as relações, que se deterioraram sob o governo do antecessor de direita, Yoon Suk-yeol.

Seul manifestou pesar após a incursão de ‘drones’ civis na Coreia do Norte em Janeiro, um gesto inicialmente qualificado como um “comportamento muito feliz e sensato” por Kim Yo-jong, a poderosa irmã do líder norte-coreano. No entanto, um alto responsável norte-coreano descreveu posteriormente, em Abril, a Coreia do Sul como “o Estado inimigo mais hostil” a Pyongyang.

A Coreia do Norte considera o programa de armas nucleares e mísseis balísticos como um seguro de vida face às intenções de invasão que atribui à Coreia do Sul e aos Estados Unidos. .Na quarta-feira, o chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, referiu um “aumento muito preocupante” das capacidades nucleares da Coreia do Norte, que estimou em “algumas dezenas de ogivas”.

20 Abr 2026

Malásia | Incêndio deixa cerca de mil casas calcinadas

Cerca de mil casas ficaram calcinadas e mais de 9.000 pessoas foram afectadas ontem na Malásia, após incendiar-se, de madrugada, a vila flutuante de Kampung Bahagia, sem que tenham sido reportadas vítimas mortais até ao momento. A zona afectada (este) “compreende umas 1.200 casas, das quais cerca de mil foram afectadas, o que significa 9.007 residentes”, disse o chefe da polícia do distrito de Sandakan, George Abd Rakman, em declarações recolhidas pela agência de notícias Bernama.

As chamas arrasaram uma superfície de mais de quatro hectares, assegurou o chefe dos bombeiros de Sandakan, Jimmy Lagung, citado pela mesma fonte. Imagens difundidas por media e autoridades locais mostram chamas intensas a devorar casas, assim como estruturas calcinadas e reduzidas a escombros.

A corporação local de bombeiros recebeu o alerta para o incêndio pelas 01:30 (17:30 TMG), após o que 35 efectivos, tanto de Sandakan, declarado situação de desastre, como do distrito vizinho de Kinabatangan, acorreram ao local. A maré baixa dificultou os trabalhos para assegurar uma fonte aberta de água para a extinção das chamas, afirmou Lagung, embora as autoridades já tenham dado o incêndio por controlado.

De momento, não há informação de vítimas mortais. Após constatarem que a zona não era segura, foram instalados dois centros de evacuação para acolher as vítimas. Segundo “informação oficial” citada pela Bernama, o Comité Estatal de Gestão de Desastres de Sabah – o Estado malaio oriental onde se localiza a vila – o primeiro centro acolhia de manhã um total de 661 pessoas afectadas.

“A prioridade actual é a segurança das vítimas e a assitência imediata no local. O Governo Federal está a coordenar-se com o Governo do Estado de Sabah para oferecer ajuda básica e realojamento temporário o quanto antes”, escreveu o primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, nas redes sociais.

20 Abr 2026

PR Chapo quer empresários chineses a investirem em Moçambique

O Presidente moçambicano convidou, na China, os empresários daquele país asiático a investirem em Moçambique para ajudar no desenvolvimento e industrialização através da transformação local das matérias-primas, afirmando que é preciso investir agora porque “o comboio não espera”.

“Quero convidar os meus irmãos a investir em Moçambique, porque quanto mais cedo possível melhor, porque o comboio já está a andar e geralmente o comboio não espera, pode passar e chegar tarde, enquanto os outros já apanharam o comboio”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo.

O Presidente moçambicano falava na província de Hunan, na China, durante um encontro com cerca de 350 empresários no quadro da visita de Estado que efetua àquele país asiático, em que lembrou que Moçambique está agora a atravessar uma fase de desenvolvimento de vários projectos, sobretudo os ligados à exploração de gás, indicando que é preciso aproveitar o momento para investir.

Além do sector de gás, Chapo quer os empresários chineses a investirem em tecnologia, agricultura, indústria, infraestruturas, inovação, corredores logísticos que causam maior impacto económico e social.

Perante os empresários, o Presidente de Moçambique esclareceu que o país está a construir as bases para a sua independência económica “com foco, resiliência e determinação”, através de uma transformação estrutural da economia que pretende alcançar a industrialização e o desenvolvimento da cadeia de valor, pedindo investimentos dos empresários de Hunan, província considerada “capital das máquinas agrícolas, máquinas industriais, camiões, máquinas para a indústria mineira”.

“Queremos convidar aos empresários do Hunan para juntos aos empresários virem investir em Moçambique na industrialização (…) A nossa visão como Governo é que os nossos recursos minerais sejam transformados em Moçambique e já começamos esse trabalho (…) essa é a nossa visão, gerar renda em Moçambique, pagar-se impostos e desenvolvermos o nosso país”, disse Chapo.

Portas abertas

Ao apresentar as potencialidades de Moçambique, Chapo referiu-se aos projectos de desenvolvimento dos corredores logísticos e dos portos, incluindo a construção de fronteiras de paragem única juntos dos países vizinhos, indicando que estas decisões colocam o país numa posição estratégica para receber investidores.

Neste sentido, o chefe do Estado moçambicano mostrou também abertura do país para concessões de diversas infraestruturas como estradas, em períodos de 20 a 30 anos, indicando que é para as empresas chinesas recuperarem os investimentos que eventualmente poderão fazer.

“Estamos dispostos a receber irmãos empresários da China da província de Hunan e de outras províncias para podermos desenvolver juntos Moçambique”, disse Chapo. O Presidente moçambicano pediu ainda a estes empresários aposta na formação do capital humano, indicando que a China é um parceiro estratégico de “primeira linha” não apenas para financiamento, mas para a troca de conhecimentos.

Chapo quer também estes empresários a investirem no sector de energia para exportar para os países da região austral de África que “enfrentam desafios”, indicando que o país também tem agora potencial para a construção de centrais eléctricos, além das potencialidades que surgem com a exploração do gás.

Chapo chegou a Pequim na quinta-feira para uma visita de Estado num contexto em que os dois países assinalam meio século de relações diplomáticas e procuram aprofundar a parceria estratégica.

20 Abr 2026

Pequim | Robô humanoide vence meia-maratona e supera recorde mundial humano

Um robô humanoide venceu ontem uma meia-maratona para robôs em Pequim, superando o recorde mundial humano, numa demonstração dos avanços tecnológicos da China.

O vencedor da Honor – fabricante chinês de smartphones – completou a corrida de 21 quilómetros em 50 minutos e 26 segundos, de acordo com uma publicação na rede social chinesa WeChat da Área de Desenvolvimento Económico e Tecnológico de Pequim, também conhecida como Beijing E-Town, onde a corrida começou.

O robô foi mais rápido do que o ugandês Jacob Kiplimo, detentor do recorde mundial humano, que percorreu a mesma distância em cerca de 57 minutos em Março. O desempenho marcou um avanço significativo em relação à corrida inaugural do ano passado, quando o robô vencedor terminou em duas horas, 40 minutos e 42 segundos.

A escala do evento deste ano foi quase cinco vezes maior do que a de 2025, com mais de 100 equipas a participar na competição, incluindo cinco do estrangeiro. No entanto, a corrida não decorreu sem percalços — um robô caiu na linha de partida, outro colidiu com uma barreira.

A Beijing E-Town afirmou que cerca de 40 por cento dos robôs percorreram o percurso de forma autónoma, enquanto os restantes foram controlados remotamente. A emissora estatal chinesa CCTV informou que um robô actuou como agente de trânsito, para orientar os participantes com gestos de braços e voz.

O mais recente plano quinquenal de Pequim promete “visar as fronteiras da ciência e da tecnologia”. Acelerar o desenvolvimento de produtos como robôs humanoides faz parte do plano para 2026-2030 da segunda maior economia do mundo.

20 Abr 2026

Nova Zelândia | Negada vigilância militar no espaço aéreo chinês

A Nova Zelândia rejeitou sábado as alegações de Pequim de que teria conduzido uma operação de vigilância militar no espaço aéreo chinês, assegurando que as manobras, apoiadas pela ONU, visavam a Coreia do Norte. Pequim declarou na sexta-feira que um avião de patrulha antisubmarina P-8A neozelandês realizou “operações de reconhecimento de aproximação e de hostilização no espaço aéreo” sobre o mar do Sul da China e o mar da China Oriental.

As manobras “prejudicavam os interesses da China em matéria de segurança, aumentavam os riscos de mal-entendidos e erros de avaliação e perturbavam gravemente a ordem da aviação civil no espaço aéreo em questão”, afirmou então um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês durante uma conferência de imprensa.

“Estas actividades não visam a China, mas têm como objectivo vigiar as violações das sanções da ONU contra a Coreia do Norte, que de facto ocorrem no mar da China Oriental e no mar do sul da China”, afirmou um porta-voz do exército neozelandês. “A tripulação das Forças de Defesa da Nova Zelândia agiu de forma profissional e em conformidade com o direito internacional e os procedimentos da aviação civil em vigor na região”, acrescentou.

A defesa neozelandesa “analisou as rotas percorridas e todas as informações disponíveis” e não dispõe de quaisquer dados que indiquem que tenham perturbado a aviação civil”, ainda segundo o porta-voz, que indicou que se realizou “um diálogo” entre Wellington e Pequim sobre este assunto.

20 Abr 2026

Pequim e Hanói acordam cooperação em cadeias de abastecimento

A China e o Vietname acordaram criar um grupo de trabalho sobre cadeias industriais e de abastecimento, num contexto de guerra comercial e reconfiguração da produção na Ásia, segundo uma declaração conjunta divulgada sexta-feira.

O documento, publicado no final da visita de Estado do líder vietnamita, To Lam, indica que ambas as partes “acordaram defender um comércio e investimento livres e abertos” e “construir conjuntamente cadeias industriais e de abastecimento seguras e estáveis”, de acordo com o texto citado por órgãos estatais chineses.

A declaração acrescenta que Pequim e Hanói pretendem aprofundar a cooperação em sectores emergentes, incluindo economia digital, desenvolvimento verde, inteligência artificial, semicondutores, tecnologia quântica e ferrovia de alta velocidade. Os dois países manifestaram ainda apoio ao investimento de empresas “capazes e com boa reputação” nos respectivos mercados e defenderam a criação de um ambiente de negócios “justo, conveniente e transparente”.

A China mantém-se como o principal parceiro comercial do Vietname, num contexto em que várias empresas industriais chinesas transferiram nos últimos anos parte da produção para o país vizinho, para contornar as tarifas impostas pelos Estados Unidos desde o primeiro mandato do Presidente norte-americano, Donald Trump.

O texto refere também o compromisso de acelerar a ligação ferroviária entre os dois países e de a transformar num “novo destaque” da relação bilateral.

De visita

O anúncio foi feito no final de uma visita durante a qual To Lam, secretário-geral do Partido Comunista do Vietname e, desde a semana passada, também Presidente do país, se reuniu com o homólogo chinês, Xi Jinping, bem como com o primeiro-ministro, Li Qiang, e outros altos responsáveis.

A acumulação por To Lam dos dois principais cargos do sistema político vietnamita aproxima-se do modelo chinês, onde Xi Jinping é simultaneamente Presidente e secretário-geral do Partido Comunista Chinês, além de líder das Forças Armadas. Apesar da proximidade entre os dois países comunistas, Pequim e Hanói mantêm divergências sobre reivindicações territoriais no mar do Sul da China, em particular em torno de várias ilhas disputadas.

Sobre este ponto, ambas as partes indicaram que vão “gerir melhor” as diferenças. A declaração inclui ainda compromissos para reforçar a coordenação política e de segurança, alargar a cooperação em áreas como ciência, tecnologia, alfândegas, agricultura, turismo e formação de recursos humanos, e promover os intercâmbios entre partidos, instituições e organizações sociais dos dois países.

20 Abr 2026

MNE | Roma e Pequim são “forças na defesa do multilateralismo”

Os chefes da diplomacia chinesa e italiana reuniram para reforçar os laços de cooperação face à crise internacional

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou sexta-feira, após uma reunião com o homólogo italiano, Antonio Tajani, que China e Itália são “forças importantes” na defesa do multilateralismo, num contexto de tensões no Médio Oriente.

Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang destacou que os dois países “são parceiros estratégicos globais, com vantagens complementares e amplas perspectivas para aprofundar a cooperação”. O chefe da diplomacia chinesa afirmou que Pequim está disposta a “manter o dinamismo dos intercâmbios, melhorar o entendimento e reforçar a confiança mútua” com Roma.

Wang alertou ainda que, “desde o início deste ano, os conflitos geopolíticos persistem, os focos de tensão intensificaram-se e a ordem internacional e a segurança global enfrentam desafios graves”. “A China está disposta a trabalhar com Itália para reforçar a comunicação e a coordenação em assuntos internacionais e multilaterais”, acrescentou.

Sobre o conflito no Médio Oriente, Wang reiterou que “a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irão não deveria ter ocorrido”, sublinhando que “o prolongado conflito afetou gravemente a segurança energética internacional e a segurança do Estreito de Ormuz”.

“A tarefa urgente é promover o regresso dos Estados Unidos e do Irão às negociações e procurar uma solução política”, afirmou. Tajani considerou que “as relações atuais entre Itália e China desenvolvem-se de forma satisfatória e fluida” e que Roma “atribui grande importância aos laços com Pequim”.

“Tendo em conta a actual situação internacional complexa e volátil, Itália valoriza altamente a influência significativa da China nos assuntos internacionais e em plataformas multilaterais como as Nações Unidas”, acrescentou. A reunião decorre num contexto de relançamento das relações entre Pequim e Roma, após a saída de Itália, em Dezembro de 2023, da iniciativa chinesa das Faixa e Rota, à qual aderiu em 2019.

A decisão não significou uma ruptura: durante uma visita à China em 2024, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerou a saída “coerente”, mas sublinhou que não era a única via para desenvolver os laços bilaterais, tendo então assinado com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, um plano de acção para abrir uma “nova fase” de cooperação.

20 Abr 2026

China | Executado homem que matou e roubou criador de conteúdos famoso

As autoridades chinesas executaram ontem Yu Jinsheng, condenado à pena de morte por roubo e homicídio no caso do assassínio do criador de conteúdos conhecido como “Luo Damei”, popular nas plataformas digitais chinesas.

A execução, por método não especificado, foi realizada por ordem do Tribunal Popular Supremo da China, após a aprovação da pena capital na sequência da revisão do caso, informou o Tribunal Superior da província de Henan, no centro do país.

Antes da execução, Yu reuniu-se com familiares próximos, segundo a mesma fonte. Em primeira instância, o Tribunal Intermédio de Nanyang tinha condenado o arguido à pena de morte, privação de direitos políticos vitalícia e confisco de todos os bens, por roubo e homicídio doloso, numa decisão de Outubro de 2025.

O condenado recorreu, mas o Tribunal Superior de Henan rejeitou o recurso em 05 de Dezembro de 2025, mantendo a sentença e remetendo o caso para ratificação pelo Supremo, que autorizou a execução. O caso remonta a Julho de 2023 e gerou grande atenção na China devido à popularidade da vítima.

O influenciador Luo Damei, cujo nome real era Shang Zhanfeng, tinha conquistado uma ampla audiência ‘online’ com vídeos de temática artística, inspirados na ópera e em vestuário tradicional, nos quais surgia caracterizado com personagens femininas.

Segundo a sentença, Yu, endividado devido a jogos de azar, soube que Luo tinha rendimentos elevados e planeou assaltá-lo com a companheira, Sha Yujiao, e um amigo, Yang Heng. Foi Yang quem conseguiu atrair Luo, em 05 de Julho de 2023, para uma casa arrendada por Yu. No local, Yu imobilizou Luo, amarrou-o e, com a ajuda de Sha, transportou-o no próprio veículo para uma habitação desocupada.

Sob ameaça, obrigaram Luo a transferir mais de dois milhões de yuan (para as suas contas. Dois dias depois, Yu matou a vítima e escondeu o corpo num armazém subterrâneo de batatas.

17 Abr 2026

Timor-Leste | Banco Mundial prevê crescimento económico de 4,1% em 2026

A economia timorense deverá crescer 4,1 por cento em 2026, mas a perspectiva é insuficiente para gerar emprego, ganhos de produtividade e aumentar as exportações, segundo o relatório económico de Timor-Leste ontem divulgado pelo Banco Mundial.

Depois de em 2025 ter registado um crescimento de 4,5 por cento, o mais elevado desde 2014, as previsões do Banco Mundial indicam que a economia timorense vai manter o crescimento em 2026 impulsionado pelo consumo das famílias e pelas elevcadas despesas governamentais.

“As perspetivas económicas de Timor-Leste mantêm-se estáveis a curto prazo, mas cada vez mais frágeis sob as políticas actuais”, lê-se no relatório, denominado “Elevando o nível: Como a adesão à ASEAN Pode Apoiar a Transformação Económica de Timor-Leste”.

Para 2026, o Banco Mundial, prevê um aumento da inflação para 2,3 por cento, devido à subida dos preços globais provocados pelo conflito no Médio Oriente, mas perspectiva que o consumo privado se mantenha resiliente, suportado pelos gastos públicos.

“O investimento privado é provável que permaneça limitado e concentrado na construção civil, comércio a retalho e hotelaria, com pouco movimento para bens comercializáveis ou para melhoramento de sectores de produtividade”, salienta.

17 Abr 2026

Japão reactivou a maior central do mundo após 14 anos de fecho

A central nuclear japonesa de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, começou ontem a fornecer electricidade depois de ter estado desligada durante mais de 14 anos.

“Às 16:00, do dia 16 de Abril, recebemos o certificado de confirmação de pré-utilização e o certificado de aprovação de inspecção de pré-utilização da Autoridade de Regulação Nuclear e retomámos as operações comerciais”, explicou a TEPCO, a empresa que gere a central. A companhia acrescentou que a central estava a operar com aproximadamente 1.356 megawatts (MW). A TEPCO reiniciou o reactor número 06 do complexo no passado mês de Janeiro.

Tal como outras centrais nucleares no Japão, a central de Kashiwazaki-Kariwa foi temporariamente desligada após o desastre nuclear de Fukushima, em 2011. A companhia responsável pela central tinha planeado retomar as operações comerciais em Fevereiro, mas teve de adiar a data várias vezes devido a problemas durante o processo de arranque.

“Esta é a primeira vez em mais de 14 anos que a central de Kashiwazaki-Kariwa, que com os sete reactores combinados pode gerar até 8.212 MW, fornece energia à área metropolitana de Tóquio e à parte leste da província de Shizuoka”, disse a TEPCO. A Assembleia da Câmara Municipal de Niigata, região onde se encontra localizada a central de Kashiwazaki-Kariwa, aprovou a reativação do reactor número 06 em Dezembro de 2025, depois de a agência reguladora nuclear japonesa ter aprovado a operação.

Apontar ao futuro

Os reactores 06 e 07 foram submetidos às inspecções necessárias para a reactivação em 2017, mas a central foi posteriormente desligada devido a problemas de segurança no que dizia respeito a ataques terroristas. Em Dezembro de 2023, foram aprovadas as medidas necessárias e, desde então, a TEPCO tem vindo a realizar os procedimentos para colocar os reatores em funcionamento.

Com uma capacidade superior a 8.000 MW, a central de Kashiwazaki-Kariwa faz parte do plano de fornecimento de energia da TEPCO e está alinhada com a estratégia promovida pelo Governo japonês para impulsionar a energia nuclear de forma a atingir as metas de redução de emissões de combustíveis fósseis.

17 Abr 2026

Economia chinesa | Crescimento de 5% no primeiro trimestre de 2026

Os números da economia chinesa, no primeiro trimestre deste ano, superaram as expectativas dos analistas e resistiram ao impacto negativo da guerra Médio Oriente

A economia chinesa acelerou no primeiro trimestre, crescendo 5 por cento em termos homólogos, apesar do impacto da guerra no Irão, segundo dados divulgados ontem pelas autoridades. Os dados relativos ao período entre Janeiro e Março, que abrange o início do conflito, superaram as expectativas dos economistas e ficaram acima dos 4,5 por cento registados no trimestre anterior.

Analistas consideram que a China deverá resistir aos impactos de curto prazo da guerra, que entra na sétima semana, mas alertam para riscos a médio prazo, incluindo o abrandamento da procura global por exportações chinesas. O aumento dos preços da energia, impulsionado pelo conflito, está a pressionar a inflação e o crescimento económico global.

O Fundo Monetário Internacional reviu esta semana em baixa a previsão de crescimento da China para 4,4 por cento em 2026. No mês passado, as autoridades chinesas fixaram uma meta de crescimento entre 4,5 por cento e 5 por cento para este ano, a mais baixa desde 1991.

“A China pode provavelmente absorver perturbações de curto prazo, mas uma guerra prolongada e preços elevados da energia durante mais tempo deverão começar a afectar o crescimento na segunda metade do ano”, afirmou Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do banco ING.

A prolongada crise no sector imobiliário continua a afectar a confiança de consumidores e investidores, embora o país tenha alcançado no ano passado um crescimento de 5 por cento, sustentado por exportações robustas que elevaram o excedente comercial para um nível recorde de cerca de 1,2 biliões de dólares (, apesar das tarifas impostas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“A ausência de uma resolução rápida para a guerra no Irão deverá penalizar o crescimento global, o que afectará negativamente a capacidade de outras economias para absorver exportações chinesas”, afirmou Eswar Prasad, professor da Universidade de Cornell, citado pela agência Associated Press.

A abrandar

Na terça-feira, a China divulgou que as exportações cresceram 2,5 por cento em Março, em termos homólogos, desacelerando face aos dois meses anteriores. Segundo Prasad, num contexto em que os países procuram proteger as suas economias dos efeitos do conflito, “a procura por importações chinesas está claramente a diminuir”.

Economistas consideram que a China poderá ainda atingir a sua meta de crescimento deste ano, “entre 4,5 por cento e 5 por cento”, através de estímulos políticos, mas alertam que um aumento do investimento público poderá intensificar pressões deflacionistas e reforçar a dependência das exportações, caso a procura interna não recupere de forma significativa.

17 Abr 2026

Abbas Araqchi fala com China, Paquistão e Japão antes de possíveis negociações

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, manteve na quarta-feira contactos com homólogos da China e do Japão e com o chefe do Exército do Paquistão, nas vésperas de possíveis novas negociações com Washington.

Araqchi falou com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que afirmou, numa conversa telefónica, que a actual situação entrou numa “fase crítica de transição da guerra para a paz”, abrindo “uma janela de oportunidade”.

Wang indicou que a China apoia a manutenção do cessar-fogo e das negociações, o que “serve o interesse fundamental do povo iraniano e corresponde à expectativa comum dos países da região e da comunidade internacional”, segundo um comunicado da diplomacia chinesa.

“A China está disposta a continuar a promover a distensão e a melhoria das relações entre os países da região”, acrescentou, sublinhando que Pequim pode “desempenhar um papel construtivo para alcançar paz e estabilidade duradouras no Médio Oriente”. A China, principal parceiro comercial do Irão, tem condenado a guerra desde a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra Teerão, em 28 de Fevereiro.

Araqchi manteve também uma conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Toshimitsu Motegi, que destacou ser “fundamental” preservar o cessar-fogo e pôr fim ao conflito, incluindo a garantia da segurança da navegação no estreito de Ormuz.

Tóquio considerou “muito significativo” manter uma comunicação fluida com o Irão e indicou que o Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, tem mantido contactos com os países envolvidos e mediadores. Araqchi apelou à comunidade internacional para adoptar uma abordagem responsável que evite o agravamento da situação, referindo-se à “insegurança gerada em Ormuz” como consequência directa da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel.

Na mesa

O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, deslocou-se a Teerão para contactos de alto nível sobre a retoma das negociações. A visita surge num contexto de intensificação dos esforços para levar novamente Estados Unidos e Irão à mesa de negociações, após o fracasso do primeiro encontro, que decorreu durante 21 horas na capital paquistanesa.

Uma segunda ronda de contactos directos deverá realizar-se no início da próxima semana. Islamabade surge como principal opção para acolher as conversações, embora Genebra se mantenha como alternativa técnica, com o Paquistão a assumir um papel de mediador activo.

O esforço diplomático inclui uma digressão regional do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, pelo Golfo e Turquia, visando alcançar um acordo antes do fim da trégua no Estreito de Ormuz, previsto para 22 de Abril.

17 Abr 2026

Wuhan | Autarca de Wuhan que geriu primeiro surto de covid-19 acusado de corrupção

A procuradoria chinesa formalizou a acusação por alegados subornos contra Zhou Xianwang, ex-autarca de Wuhan durante o início do primeiro surto conhecido de covid-19, e ordenou a detenção após concluir a investigação, informou a imprensa local.

Segundo a Procuradoria Popular Suprema da China, o caso, investigado pela Comissão Nacional de Supervisão – principal órgão anticorrupção do Estado –, foi remetido ao Ministério Público, que decidiu acusar o antigo presidente da Câmara de Wuhan do crime de aceitação de subornos.

O processo foi atribuído à procuradoria da cidade de Shangqiu, no centro do país, que já apresentou a acusação formal, dando início à fase judicial. Segundo a acusação, Zhou terá utilizado os cargos que ocupou ao longo da carreira, incluindo em governos locais da província de Hubei e na administração provincial, para favorecer terceiros em troca de benefícios ilegais.

As autoridades sustentam que o ex-dirigente recorreu tanto às suas funções directas como à influência associada aos cargos para obter vantagens indevidas, acrescentando que o montante dos subornos foi “especialmente elevado”.

Zhou, que também foi vice-presidente do órgão consultivo provincial de Hubei, estava sob investigação desde Julho do ano passado por “graves violações da disciplina e da lei”, expressão comummente utilizada na China para designar casos de corrupção.

Em Fevereiro de 2020, ainda como presidente da câmara de Wuhan, o responsável admitiu que as autoridades locais demoraram a divulgar informações sobre o surto de covid-19, alegando necessidade de aprovação de instâncias superiores. Apesar disso, manteve-se no cargo até ao início de 2021, ao contrário de outros dirigentes locais afastados devido à gestão das primeiras semanas da pandemia.

17 Abr 2026

Chips | TSMC bate recorde de lucros com aumento de 58,3% no primeiro trimestre

A TSMC, maior fabricante mundial de ‘chips’, registou lucros de 572,48 mil milhões de dólares taiwaneses no primeiro trimestre, uma subida homóloga de 58,3 por cento, informou ontem a empresa.

O valor superou as previsões dos analistas e marca o nono trimestre consecutivo de crescimento dos lucros, estabelecendo um novo recorde para a tecnológica taiwanesa neste período. Face ao trimestre anterior (Outubro-Dezembro de 2025), o lucro líquido aumentou 13,2 por cento.

Apesar de, historicamente, o sector dos semicondutores registar melhores resultados na segunda metade do ano, a forte procura por ‘chips’ avançados para alimentar sistemas operativos de inteligência artificial e computação de alto desempenho tem impulsionado os resultados da empresa, fornecedora de grupos como Apple, Nvidia, AMD e Qualcomm.

A facturação cresceu 35,1 por cento em termos homólogos entre Janeiro e Março, para 1,13 biliões de dólares taiwaneses (30,70 mil milhões de euros), acima das previsões internas da empresa.

Os ‘chips’ mais avançados, produzidos com tecnologia de três nanómetros, representaram 25 por cento das receitas, enquanto os de cinco e sete nanómetros contribuíram com 36 por cento e 13 por cento, respectivamente. A margem líquida atingiu 50,5 por cento no primeiro trimestre de 2026, acima dos 48,3 por cento registados no trimestre anterior.

Segundo a consultora TrendForce, a TSMC detinha no final do ano passado 70,4 por cento da quota global de mercado na fabricação de semicondutores, à frente da sul-coreana Samsung (7,1 por cento) e da chinesa SMIC (5,2 por cento). Em Janeiro, a empresa anunciou planos para aumentar o investimento para entre 52 e 56 mil milhões de dólares este ano, impulsionada pela procura por ‘chips’ para inteligência artificial.

17 Abr 2026

Moçambique | PR na China com financiamento na agenda

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, vai tentar mobilizar financiamento para “projectos estruturantes” em Moçambique junto da China, para onde partiu ontem, em visita de Estado de sete dias.

“No plano económico, o chefe do Estado irá mobilizar recursos para o financiamento de projetos estruturantes de elevado impacto social e económico, bem como impulsionar o relançamento da economia nacional, com enfoque nos setores prioritários, nomeadamente infraestruturas, mineração, energia e agricultura”, refere uma nota da Presidência da República. O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, realiza uma visita de Estado à China de 16 a 22 de Abril, a convite do homólogo chinês, Xi Jinping.

A Presidência acrescenta que Moçambique “propõe-se reforçar a cooperação político-diplomática e económica com a China, bem como aprofundar a concertação em matérias de interesse comum da agenda internacional, com destaque para as questões do Sul Global, a reforma das Nações Unidas e as mudanças climáticas”.

De acordo com a Presidência, acompanham o chefe de Estado deputados, membros do Governo e outros quadros do Estado moçambicano. O Governo chinês assumiu na terça-feira que esta visita vai aprofundar a parceria estratégica entre os dois países.

“Acredita-se que esta visita promoverá o desenvolvimento aprofundado da parceria estratégica abrangente entre a China e Moçambique e contribuirá para a construção de uma comunidade China-África sólida e com um futuro partilhado para a nova era, além de reforçar a solidariedade e a cooperação no Sul Global”, disse, em conferência de imprensa, em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun.

“Actualmente, a confiança política mútua entre os dois países está a aprofundar-se, com resultados profícuos na cooperação em diversas áreas e na estreita cooperação em questões internacionais e regionais”, sublinhou Guo Jiakun.

16 Abr 2026

Coreia do Norte | Pyongyang classifica documento japonês como “grave provocação”

A Coreia do Norte acusou ontem o Japão de “grave provocação”, depois de Tóquio manifestar oposição ao programa nuclear do país no ‘Livro azul’, um documento diplomático publicado na semana passada. Os dois países não mantêm relações oficiais, e Pyongyang critica regularmente Tóquio pela colonização da península da Coreia (1910-1945).

Neste ‘Livro Azul’, que tem como objectivo apresentar as posições diplomáticas de Tóquio, o Japão reiterou a oposição à posse de armas nucleares pela Coreia do Norte, além de expressar mal-estar face ao envio por Pyongyang de tropas e munições para apoiar o esforço de guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Pyongyang insistiu que não vai abandonar o arsenal nuclear, qualificando a trajectória de irreversível. Esta posição constitui “uma grave provocação que viola os direitos soberanos, os interesses de segurança e os direitos ao desenvolvimento do nosso Estado sagrado”, relatou um responsável não identificado do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, num comunicado.

As “medidas destinadas a reforçar as capacidades de defesa” da Coreia do Norte “inscrevem-se no direito à autodefesa”, indica-se no comunicado divulgado pela agência de notícias oficial norte-coreana KCNA. A mesma fonte descreveu o ‘Livro Azul’ como sendo “tecido de uma lógica de gangsters” e “de absurdos”. Neste documento, escreveu a agência de notícias France-Presse, o Japão despromoveu a China, anteriormente descrita como “um dos parceiros mais importantes do Japão”, a “vizinho importante”, pela primeira vez em dez anos.

Isto marca oficialmente um agravamento das relações entre os dois países, depois de a primeira-ministra nacionalista japonesa, Sanae Takaichi, ter dado a entender que o Japão poderia intervir militarmente em caso de um ataque contra Taiwan, que Pequim considera território chinês.

16 Abr 2026

Combustíveis | Vários voos entre China e Sudeste Asiático cancelados

Vários voos entre a China e o Sudeste Asiático e a Oceânia foram cancelados nos últimos dias, devido à subida dos custos de combustível causada pela guerra no Irão, informou ontem o jornal The Paper.

Desde o início do mês, algumas rotas que ligavam cidades chinesas a destinos na Tailândia, Laos, Malásia ou Camboja suspenderam temporariamente todos os voos, enquanto noutras, com destino à Austrália ou à Nova Zelândia, a taxa de cancelamento atinge 83,3 por cento.

Segundo o jornal South China Morning Post, outras companhias aéreas, como a paquistanesa PIA, também reduziram voos com a China e outros destinos, enquanto empresas das Filipinas, Vietname ou Nova Zelândia cortaram rotas, e a Cathay Pacific, de Hong Kong, já anunciou que vai cancelar 2 por cento dos seus voos em Maio e junho.

Lin Zhijie, especialista citado pelo The Paper, explicou que o combustível de aviação – cerca de um terço dos custos de uma companhia aérea – praticamente duplicou de preço desde o início da guerra no Irão, enquanto os bilhetes não acompanharam essa subida, colocando algumas empresas numa situação em que, quanto mais voos operam, maiores são as perdas.

Além disso, alguns dos países mencionados enfrentam problemas de abastecimento de combustível devido ao bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz – destino de entre 84 por cento e 90 por cento do petróleo que transita por esta rota marítima crucial – o que agrava os custos e cria incerteza quanto à capacidade de reabastecimento.

Mitigar impacto

As companhias melhor posicionadas neste contexto são as transportadoras ‘low cost’ chinesas, como a Spring Airlines, que conseguem transportar até mais 25 por cento de passageiros do que outras companhias com os mesmos aviões, mitigando assim o impacto dos custos acrescidos com combustível, acrescentou Lin.

Segundo dados da plataforma Flight Manager, a China deverá registar no próximo feriado de Maio um aumento das viagens, tanto em volume como em preços: as tarifas médias dos voos domésticos subiram 9,6 por cento em termos homólogos e mais de 20 por cento face ao mesmo período de 2019.

A China tem resistido melhor ao impacto da guerra do que outros países da região, graças à sua capacidade interna de refinação, tendo também restringido as exportações de combustível, o que deixou alguns países vizinhos sem uma alternativa de fornecimento. Após uma das maiores subidas recentes dos combustíveis, os reguladores chineses anunciaram que vão limitar esse aumento a cerca de metade do habitual, para proteger os consumidores.

16 Abr 2026

Díli | Ramos-Horta considera ataques contra o Papa inaceitáveis

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou que os ataques gratuitos contra o Papa Leão XIV são inaceitáveis, reagindo às provocações feitas pelo chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, contra a igreja católica. “Estamos ao lado do Papa Leão XIV, o líder global mais respeitado.

“Ataques gratuitos contra o Papa Leão XIV e a deturpação da sua posição são inaceitáveis. O Papa nunca afirmou que a posse de armas nucleares é aceitável. O Irão não possui armas nucleares. Israel possui”, escreveu, terça-feira, o também prémio Nobel da Paz na sua página no Facebook. O Presidente dos Estados Unidos afirmou que o Papa é “terrível em política externa”, aludindo às críticas de Leão XIV sobre o Irão e a Venezuela, e instou-o a “deixar de agradar à esquerda radical”.

Em causa, estava o discurso proferido pelo Sumo Pontífice na Basílica de São Pedro, em Roma, no sábado, em que Leão XIV denunciou os belicistas e as “demonstrações de força”, numa das suas críticas mais veementes até à data aos conflitos armados que assolam o mundo.

“Não quero um Papa que ache que está bem o Irão ter uma arma nuclear. Não quero um papa que considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela (…). E não quero um papa que critique o Presidente dos Estados Unidos quando estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito”, declarou Donald Trump. Leão XIV respondeu que não teme a administração norte-americana e reiterou o seu compromisso de “erguer a voz para construir a paz”. Em Timor-Leste, 98 por cento dos cerca de 1,3 milhões de habitantes são católicos.

16 Abr 2026

Coreia do Norte | Agência de energia atómica alerta para actividades nucleares

O director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, alertou ontem para o aumento significativo da actividade com energia nuclear na Coreia do Norte, tal como anunciara Pyongyang.

“Confirmámos que as actividades nucleares estão em curso e em expansão significativa, não só no reactor de classe de 5 MegaWatts (MW), nas instalações de reprocessamento de combustível nuclear usado e no reactor de água em Yongbyon, mas também noutras instalações por perto”, disse Grossi, em conferência de imprensa em Seul, citado pelo jornal sul-coreano Chosun Ilbo.

O responsável da AIEA declarou que as equipas de inspecção avaliaram minuciosamente as capacidades nucleares da Coreia do Norte, mesmo após a retirada daquele país, em 2009.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, determinou, em Fevereiro, que o país vai fortalecer e expandir ainda mais as suas forças nucleares, exercendo plenamente seu estatuto de estado detentor de armas nucleares, no congresso que define a estratégia nacional quinquenal. Jong-un também declarou que qualquer evolução positiva nas relações bilaterais com os Estados Unidos da América depende de os responsáveis de Washington abandonarem as suas exigências de desnuclearização de Pyongyang.

As declarações de Rossi ocorrem três dias depois de a Coreia do Norte ter realizado um teste de mísseis de cruzeiro descritos como “estratégicos”, uma indicação de sua potencial capacidade de transportar ogivas nucleares.

16 Abr 2026

Seul / Imprensa | AIEA apela a acordo sobre enriquecimento de urânio

A urgência de se alcançar um acordo entre os EUA e o Irão foi sublinhada pelo director da Agência Internacional de Energia Atómica na imprensa sul-coreana

O director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, frisou ontem a necessidade de ser atingido um qualquer acordo entre Estados Unidos da América (EUA) e Irão sobre o processo de enriquecimento de urânio. Para o responsável daquela instituição, uma possível suspensão do programa nuclear da República Islâmica iraniana é uma “decisão política”, em declarações reproduzidas pelo jornal sul-coreano Chosun Ilbo.

“Sem verificação, todos os acordos não passam de papelada”, disse Grossi, adiantando que, se Washington e Teerão chegarem a um entendimento, a AIEA “vai solicitar cooperação na verificação e nas salvaguardas”. Questionado sobre uma possível paragem no processo de enriquecimento de urânio, o líder da AIEA limitou-se a afirmar que tal seria “uma decisão política”, sem exprimir a posição da entidade que dirige.

Guerra e paz

A questão do urânio enriquecido foi a justificação para a primeira guerra de 12 dias, em Junho, e para a ofensiva conjunta de Israel e EUA, em 28 de Fevereiro, já que Washington exige “enriquecimento zero”, enquanto Teerão defende o seu direito de mantê-lo para uso civil.

O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou recentemente que os EUA estão prontos para ajudar economicamente o Irão se aquele país do Médio Oriente se comprometer a não desenvolver armas nucleares, após a suspensão das negociações falhadas no fim de semana, no Paquistão.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, defendeu na quarta-feira, em Pequim, o “direito inalienável” do Irão ao processo de enriquecer urânio para fins pacíficos, tendo já Moscovo avançado com a ideia de receber o urânio enriquecido iraniano, em caso de haver um acordo de paz.

Entretanto, os responsáveis de Islamabade anunciaram haver a possibilidade de nova ronda de negociações entre representantes de EUA e do Irão brevemente.

16 Abr 2026

Avião chinês não tripulado HH-200 completa voo inaugural

O avião não tripulado comercial HH-200, desenvolvido pela estatal chinesa Aviation Industry Corporation of China (AVIC), realizou ontem o voo inaugural, assinalando um marco no desenvolvimento de equipamentos de transporte autónomos de grande escala.

A aeronave voou de forma estável durante a manhã, com todos os sistemas a funcionar correctamente e a cumprir sem problemas os objectivos de voo previstos, informou a agência noticiosa oficial Xinhua. Construído de acordo com padrões da aviação civil, o HH-200 está equipado com capacidades de voo autónomo totalmente inteligente e sistemas de prevenção de obstáculos baseados em inteligência artificial.

O aparelho, que completou o primeiro voo na base do Centro de Ensaios de Voo de Aeronaves Civis da AVIC, na cidade de Weinan, província de Shaanxi (norte da China), incorpora um design estrutural inovador e um uso extensivo de materiais compósitos, permitindo reduzir o peso em 20 por cento e diminuir os custos operacionais.

Longa vida

A aeronave dispõe de uma capacidade de carga padrão de 12 metros cúbicos, expansível até 18, e uma carga útil máxima de 1,5 toneladas. O HH-200 atinge uma velocidade de cruzeiro até 310 quilómetros por hora, tem uma autonomia máxima de 2.360 quilómetros e uma vida útil estimada em 50.000 horas de voo ou 15.000 descolagens e aterragens.

Em termos operacionais, a Xinhua destacou a “elevada capacidade de adaptação ambiental”, incluindo descolagem e aterragem em pistas curtas de 500 metros e a altitudes superiores a 4.200 metros, bem como resistência a temperaturas extremas entre -40°C e 50°C, o que permite ultrapassar desafios logísticos em zonas montanhosas, insulares, nevadas e de grande altitude.

Está previsto que o HH-200 opere sobretudo em rotas de carga fronteiriças, costeiras e transfronteiriças, na logística de pequenas encomendas ponto a ponto no interior, no transporte entre ilhas no Sudeste Asiático e em redes de carga aérea dos países envolvidos na iniciativa chinesa Faixa e Rota.

No futuro, o aparelho poderá ser rapidamente adaptado a múltiplas missões, incluindo operações de resgate de emergência, combate a incêndios florestais, modificação meteorológica, deteção remota aérea e protecção de culturas agrícolas e florestais.

16 Abr 2026

Diplomacia | Relações entre China e Rússia são “preciosas”

Xi Jinping reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, que esteve de visita ao país. Seguem-se Trump, em Maio, e Putin ainda na primeira metade do ano

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que a estabilidade e a previsibilidade das relações entre a China e a Rússia são particularmente “preciosas” num contexto internacional marcado por “mudanças e turbulência”. Durante um encontro em Pequim com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, Xi considerou que a “forte vitalidade” e o “significado exemplar” do tratado de amizade entre os dois países se destacam ainda mais neste cenário.

O líder chinês defendeu que os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países devem implementar plenamente o consenso alcançado com o Presidente russo, Vladimir Putin, apelando ao reforço da comunicação estratégica e à coordenação diplomática.

Xi instou ainda as duas partes a promover a parceria estratégica abrangente entre Pequim e Moscovo para que “atinja novos patamares, avance de forma mais estável e vá mais longe”. O Presidente chinês não especificou, contudo, a que se referia ao mencionar “mudanças e turbulência” no cenário internacional, numa altura em que persiste a incerteza sobre a duração da guerra no Irão.

Putin a caminho

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, de visita à China durante dois dias, anunciou ainda que o Presidente russo, Vladimir Putin, vai visitar a China na primeira metade deste ano. Lavrov fez o anúncio numa conferência de imprensa no final da visita oficial ao país asiático, durante a qual se reuniu com o Presidente chinês, Xi Jinping, e com o seu homólogo, Wang Yi.

A deslocação do chefe da diplomacia russa voltou a evidenciar a sintonia entre Moscovo e Pequim. Na terça-feira, Wang afirmou que ambas as partes “coordenam plenamente as suas posições” e “apoiam-se mutuamente” no plano internacional, enquanto Lavrov denunciou tentativas de “conter” a Rússia e a China através de estruturas de “blocos” na Ásia.

O ministro russo declarou ainda perante Xi que a relação bilateral desempenha “um papel estabilizador” nos assuntos mundiais, acrescentando depois que os vínculos entre os dois países são cada vez mais importantes para o que descreveu como “a maioria da população mundial”.

Lavrov sustentou também ontem que a Rússia pode compensar a escassez de recursos energéticos registada na China e noutros países na sequência da crise no Médio Oriente. O responsável russo acrescentou que os laços entre a Rússia e a China são “inquebráveis perante qualquer tempestade”.

E Trump em Maio

O anúncio surge numa altura em que é esperada, para Maio, a visita a Pequim do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para os dias 14 e 15, o que abre a possibilidade de as deslocações de Putin e Trump à China ocorrerem com reduzido intervalo temporal.

Está também previsto que Putin, que já visitou o país asiático mais de duas dezenas de vezes enquanto Presidente russo, regresse à China em Novembro para participar, pela primeira vez desde 2017, na cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia – Pacífico (APEC), que terá lugar este ano na cidade de Shenzhen, no sudeste da China.

A China e a Rússia têm vindo a estreitar relações nos últimos anos. Pouco antes da invasão russa da Ucrânia em larga escala, Xi e Putin proclamaram, em Pequim, uma “amizade sem limites” entre os dois países.

16 Abr 2026

China classifica Espanha como “parceiro fiável” após visita de Sánchez

A China destacou ontem a “confiança mútua” com Espanha e classificou o país como “parceiro fiável”, após a visita oficial do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante a qual foi acordado reforçar o diálogo estratégico e ampliar a cooperação.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que a visita, a quarta de Sánchez em quatro anos, foi um “completo sucesso” e permitiu trocas “profundas e amistosas” entre os líderes dos dois países, com “novos consensos importantes”.

Segundo o responsável, ambas as partes acordaram estabelecer um mecanismo de diálogo estratégico a nível diplomático e reforçar a comunicação para “consolidar” e “melhorar” a estabilidade da relação bilateral. Guo sublinhou ainda a convergência entre Pequim e Madrid em questões internacionais, referindo que ambos defendem a salvaguarda do multilateralismo e do direito internacional, num contexto de conflitos e tensões globais.

Nesse sentido, destacou a vontade comum de reforçar a coordenação perante os desafios actuais e de desempenhar um papel construtivo na comunidade internacional. O porta-voz acrescentou que uma maior cooperação entre a China e a Europa não só beneficia ambas as partes, como contribui para a estabilidade global, manifestando disponibilidade para que Espanha desempenhe um papel activo na relação entre Pequim e a União Europeia.

No plano económico, Guo indicou que foi acordado aprofundar a cooperação em áreas como comércio, educação, agricultura, ciência e tecnologia, bem como avançar em setores como energia, economia digital e inovação. A China está também disposta a importar mais produtos espanhóis e a incentivar o investimento das suas empresas em Espanha, de forma a expandir o comércio e a cooperação industrial, acrescentou.

Sintonia geral

A visita, a quarta de Sánchez à China em quatro anos e a primeira com carácter oficial, teve um forte enfoque económico, visando facilitar o acesso de produtos espanhóis ao mercado chinês e reduzir um défice comercial que o líder espanhol classificou como “insustentável”.

Fontes do Governo espanhol afirmaram que estas visitas contribuem para abrir portas à exportação de produtos, sublinhando que os resultados têm surgido gradualmente na sequência das deslocações anteriores de Sánchez. Nesta visita, a assinatura de vários acordos deverá facilitar a entrada na China de produtos agroalimentares como pistácios, figos, proteína animal suína e determinados fertilizantes.

Se, segundo o executivo espanhol, as visitas anteriores ajudaram a canalizar investimento chinês para Espanha, nesta deslocação Sánchez voltou a apresentar o país como destino atractivo para empresas chinesas. O líder espanhol apelou ainda aos responsáveis empresariais dos dois países para reforçarem parcerias, numa reunião que contou com a presença de representantes de 36 empresas chinesas, cujo volume de negócios combinado rondou um bilião de dólares em 2025.

A deslocação evidenciou igualmente a sintonia entre os dois países em questões internacionais e permitiu elevar o nível do diálogo bilateral, num momento em que Espanha procura reforçar o papel da União Europeia na relação com a China.

16 Abr 2026

PR de Moçambique inicia amanhã visita de Estado de sete dias à China

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, inicia amanhã uma visita de Estado de sete dias à China, anunciou ontem o Governo chinês. “A convite do Presidente Xi Jinping, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, realizará uma visita de Estado à China de 16 a 22 de Abril”, lê-se numa informação divulgada ontem pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

A Lusa já tinha noticiado em 18 de Março a previsão desta visita de Estado à China, conforme autorização dada nesse dia pelo parlamento, depois de Daniel Chapo ter assumido querer elevar a cooperação bilateral a um novo patamar. O Presidente moçambicano transmitiu em 18 de Fevereiro ao homólogo chinês, Xi Jinping, o objectivo de reforçar a cooperação entre os dois países em 2026, reafirmando ainda o apoio ao princípio de “Uma só China”.

“A República de Moçambique reafirma a sua firme determinação em continuar a trabalhar, lado a lado, com a República Popular da China, no reforço dos laços de amizade, cooperação e solidariedade, reiterando o seu apoio ao princípio de Uma só China”, lê-se na mensagem enviada por Chapo, a propósito do novo ano chinês.

O chefe do Estado moçambicano sublinhou ainda o significado especial deste ano, destacando os valores que orientam a relação bilateral: “O ano de 2026, proclamado como o Ano da Cooperação Povo-a-Povo, assume um significado especial, ao promover valores de amizade, solidariedade e compreensão mútua, que Moçambique partilha e cultiva no quadro da sua Parceria Estratégica Global com a China”.

Recorda a importância histórica das relações entre os dois países, com 50 anos, e que “hoje se projectam numa cooperação abrangente e mutuamente vantajosa”, lê-se na mesma mensagem, em que Chapo aponta 2026 como “uma oportunidade estratégica para elevar a cooperação bilateral a um novo patamar”.

Contas em dia

Moçambique pagou em três meses de 2025 mais de 36 milhões de euros à China pelo serviço da dívida, que lidera entre os credores bilaterais do país, segundo dados do Ministério das Finanças de Novembro. De acordo com um relatório sobre a gestão da dívida, o serviço da dívida à China foi o que mais pesou nas contas moçambicanas em três meses, de Janeiro a Março, com 35,51 milhões de dólares em amortizações e 6,77 milhões de dólares em juros. A dívida de Moçambique à China ascendia, no final de Junho, a 1.347 milhões de dólares.

Antes, em Outubro, o Governo chinês perdoou os juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até 2024 e fez uma doação de 12 milhões de euros ao país africano, anunciou então a primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi.

“Tivemos duas notícias positivas vindas do Presidente [chinês], Xi Jinping, uma das notícias foi a doação ao nosso país de 100 milhões de Yuan — a moeda chinesa — [equivalente a 12 milhões de euros] e o perdão dos juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até o ano de 2024”, disse Levi, que falava aos jornalistas após uma visita de dois dias à China.

O Governo moçambicano prevê a realização de seis visitas de Estado pelo Presidente da República em 2026 e a assinatura de cinco acordos internacionais. Na área de Cooperação Internacional, documentos de suporte ao Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2026, referem que estão previstas “seis visitas de Estado”, ao Canadá, Botsuana, Angola, Rússia, China e Vietname.

“No âmbito do reforço e aprofundamento das relações de irmandade, amizade, solidariedade e de cooperação entre os povos e países, bem como a mobilização de financiamento para a viabilização da agenda nacional de desenvolvimento”, justifica-se no documento, sobre as visitas de Estado.

15 Abr 2026