ODH | Uigures deportados em paradeiro desconhecido

O Observatório de Direitos Humanos (ODH) denunciou ontem que 40 uigures – minoria muçulmana chinesa – deportados há um ano da Tailândia para a China estão “em paradeiro desconhecido”, após Banguecoque ter interrompido as visitas periódicas a que se comprometeu.

As autoridades tailandesas deportaram em 27 de Fevereiro de 2025 os 40 uigures que se encontravam há cerca de uma década na Tailândia, ao abrigo de um acordo com Pequim. A decisão foi criticada pelas Nações Unidas e por organizações de defesa dos direitos humanos.

“Colocaram 40 uigures em camiões com vidros escurecidos e enviaram-nos à força para a China”, recordou o Observatório de Direitos Humanos (Human Rights Watch, em inglês), na véspera de se cumprir um ano da deportação.

Segundo o ODH, a Tailândia suspendeu em Junho as visitas que se tinha comprometido a realizar periodicamente à região de Xinjiang, no noroeste da China, com o objectivo declarado de garantir o bem-estar dos deportados.

A última visita oficialmente comunicada por Banguecoque ocorreu em Março do ano passado, quando uma delegação liderada pelos então ministros da Defesa e da Justiça visitou 14 dos deportados.

27 Fev 2026

Hong Kong | Jimmy Lai vence recurso contra condenação

O ex-magnata de Hong Kong Jimmy Lai ganhou o recurso contra uma condenação por fraude de 2022, poucos dias após ser condenado a 20 anos de prisão por conluio com o exterior e publicação sediciosa.

“Validamos os recursos, anulamos os veredictos e suspendemos as penas” no processo por fraude, declarou o juiz do Tribunal Superior de Hong Kong Jeremy Poon. Lai não compareceu em tribunal, permanecendo detido. A decisão representa uma vitória surpreendente para Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, actualmente com 78 anos.

O caso de fraude pelo qual foi condenado em 2022 teve origem numa disputa sobre um contrato de arrendamento e não estava relacionado com as acusações que enfrentava ao abrigo da lei de segurança nacional. Jimmy Lai tinha sido condenado neste caso a cinco anos e nove meses de prisão por um esquema “planeado, organizado e de vários anos”, como qualificou na altura o juiz de primeira instância.

Durante o julgamento, a acusação argumentou que uma empresa de consultoria operada por Lai a título pessoal ocupava escritórios que o Apple Daily tinha arrendado para as operações de publicação e impressão do jornal. Lai foi condenado por violar os termos do contrato de arrendamento que o Apple Daily assinou com uma empresa estatal, o que a acusação caracterizou como fraude.

Os advogados de defesa argumentaram que o caso deveria ter sido tratado na esfera cível e não na criminal, acrescentando que a dimensão dos locais em causa era mínima.

O ex-executivo do Apple Daily Wong Wai-keung foi também acusado no mesmo caso e condenado a 21 meses de prisão. Em 10 de Fevereiro, um tribunal de Hong Kong condenou Jimmy Lai a 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa.

27 Fev 2026

Japão | Natalidade desce pelo décimo ano consecutivo

O número de nascimentos no Japão diminuiu em 2025 pelo décimo ano consecutivo, de acordo com dados publicados ontem pelo Ministério da Saúde japonês, acentuando os desafios enfrentados pela primeira-ministra, Sanae Takaichi.

No total, 705.809 bebés nasceram no arquipélago no ano passado, de acordo com os dados preliminares, uma queda de 2,1 por cento em relação a 2024. As estatísticas também incluem nascimentos de estrangeiros no Japão, bem como bebés nascidos no exterior de pais japoneses.

Notícias mais positivas são os 505.656 matrimónios, um número que representa um aumento de 1,1 por cento. O número de divórcios diminuiu 3,7 por cento, para 182.969 casos. Dados revelam ainda que o Japão registou 1.605.654 óbitos, ou seja, menos 13.030 do que em 2024, uma diminuição de 0,8 por cento.

De acordo com o Ministério dos Assuntos Internos, a população total do país era estimada em Fevereiro em 122,86 milhões de habitantes, uma queda de 0,47 por cento (580.000 pessoas) num ano. A quarta maior economia mundial apresenta uma das taxas de natalidade mais baixas do planeta e uma população em declínio.

Esta evolução já está a causar uma série de problemas no país, incluindo escassez de mão-de-obra, custos cada vez mais pesados com a segurança social e um número reduzido de activos a pagar impostos. Contribui também para agravar a elevada dívida do país, que já apresenta o rácio de endividamento mais elevado entre as grandes economias.

Sem sucesso

Números publicados no ano passado mostraram que o país tinha cerca de 100 mil centenários, dos quais quase 90 por cento eram mulheres.

Os sucessivos líderes japoneses, incluindo Takaichi, a primeira mulher à frente do país, prometeram travar a queda das taxas de natalidade, mas com sucesso limitado. A prefeitura de Tóquio chegou a desenvolver uma aplicação de encontros, que exige que os utilizadores forneçam documentos a comprovar que são solteiros e assinem uma carta a atestar que querem casar-se.

“A queda da taxa de natalidade e a diminuição da população constituem uma situação de emergência silenciosa que irá corroer progressivamente a vitalidade do nosso país”, afirmou Takaichi na semana passada no parlamento.

O Partido Liberal Democrático (PLD), que a dirigente lidera, obteve uma maioria de dois terços na câmara baixa do parlamento nas eleições legislativas de 08 de Fevereiro. Recorrer à imigração contribuiria para reverter o declínio demográfico do Japão e os problemas decorrentes no mercado de trabalho.

Sob pressão do partido anti-imigração Sanseito e do slogan desta formação política “os japoneses primeiro”, a primeira-ministra ultraconservadora prometeu, no entanto, um endurecimento das medidas em matéria de imigração.

27 Fev 2026

JD.com | Magnata quer democratizar posse de iates

O fundador do gigante chinês do comércio electrónico JD.com criou uma nova marca de iates com a qual espera que, a longo prazo, passem a existir na China embarcações que deixem de ser percepcionadas como “inalcançáveis”.

Liu Qiangdong apresentou a iniciativa após assinar esta semana acordos estratégicos com os governos das cidades de Shenzhen e Zhuhai (cidade vizinha de Macau), na província de Guangdong, onde a empresa prevê instalar a sua sede chinesa e construir uma base de fabrico de iates, noticiou o jornal económico 21st Century Business Herald.

Segundo declarações citadas pelo diário, o empresário afirmou que, embora a marca se posicione no segmento de gama alta, o desenvolvimento da cadeia de abastecimento nacional e a coordenação industrial poderão tornar plausível que “os iates entrem em milhares de lares, como os automóveis”.

O milionário estimou um custo de venda ao público de 14.000 dólares. Liu recordou que, há 40 anos, o automóvel também era considerado um bem “fora do alcance da maioria”. O empresário salientou ainda que, apesar de a China já ultrapassar os Estados Unidos no número de automóveis em circulação, o país conta com cerca de 12.000 iates, face aos 13 milhões registados nos EUA, diferença que, no seu entender, revela um “enorme potencial de desenvolvimento” no mercado náutico chinês.

O projecto prevê um investimento de 5.000 milhões de yuan para competir com fabricantes internacionais e promover o desenvolvimento da cadeia de abastecimento local, numa altura em que mais de 90 por cento dos componentes de iates de gama alta são actualmente importados da Europa e dos Estados Unidos.

27 Fev 2026

Comércio | Países lusófonos importaram valor recorde de produtos chineses em 2025

Os países lusófonos importaram em 2025 produtos da China no valor de 88,1 mil milhões de dólares, uma subida homóloga de 3,1 por cento e o montante mais alto de sempre, segundo dados oficiais quarta-feira divulgados.

O valor, que corresponde a 74,8 mil milhões de euros, é o mais elevado desde que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) começou a apresentar estes dados, em 2013.

O Brasil continua a ser o maior comprador no bloco lusófono, apesar das importações vindas da China terem caído 0,7 por cento em comparação com 2024, para 71,6 mil milhões de dólares, de acordo com a informação dos Serviços de Alfândega da China.

Pelo contrário, o segundo na lista, Portugal, comprou à China mercadorias no valor de 7,19 mil milhões de dólares, um aumento de 17,7 por cento. Na direção oposta, as exportações dos países de língua portuguesa para a China caíram 1,4 por cento em 2025, para 137,7 mil milhões de dólares, o valor mais baixo desde 2021, no pico da pandemia de covid-19.

27 Fev 2026

Merz: Segundo dia de visita à China centrado na tecnologia

O chanceler alemão, Friedrich Merz, chegou ontem à cidade chinesa de Hangzhou para cumprir uma última etapa da sua visita oficial centrada na vertente tecnológica, depois de na véspera, em Pequim, ter defendido o aprofundamento da cooperação económica.

Merz deslocou-se à capital da província oriental de Zhejiang após uma manhã em Pequim, onde visitou a Cidade Proibida e instalações do construtor automóvel Mercedes-Benz, antes de viajar para um dos principais polos tecnológicos da China, sede de gigantes do comércio electrónico como a Alibaba.

Em Hangzhou, o chanceler deverá reunir-se com autoridades locais e visitar empresas ligadas à inovação tecnológica e à robótica, numa agenda focada em sectores considerados estratégicos para a cooperação industrial e digital entre os dois países.

Merz encontra-se na China acompanhado por uma delegação de cerca de 30 grandes empresas alemãs, incluindo Volkswagen, BMW, Siemens e Bayer.

O director executivo e membro do conselho da Câmara de Comércio Alemã no norte e nordeste da China, Oliver Oehms, afirmou ao jornal 21st Century Business Herald que a delegação “reflecte bem a estrutura geral dos negócios alemães na China”, incluindo grandes grupos e um número significativo de empresas de média dimensão, conhecidas na Alemanha como “campeões ocultos”.

Segundo Oehms, em comparação com visitas de anteriores chanceleres, “o tamanho da delegação, com cerca de 30 empresas, é maior e o nível dos seus dirigentes também é mais elevado”, o que demonstra a importância atribuída pelo sector empresarial à deslocação.

Quanto aos resultados da visita, considerou que “não devem ser avaliados apenas pelo número de acordos assinados”, mas pela capacidade de aprofundar e elevar as relações comerciais bilaterais, acrescentando que a deslocação poderá funcionar como um “botão de reinício” para abrir uma nova fase na cooperação entre a China e a Alemanha.

Na quarta-feira, O chanceler alemão anunciou uma encomenda de “até 120” aviões feita pela China ao construtor aeronáutico europeu Airbus”, indo ao encontro da vontade do Presidente chinês de novos progressos nas relações bilaterais.

Parceiros de confiança

Também na quarta-feira, em Pequim, Merz reuniu-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, que afirmou que a China apoia uma Europa “independente e auto-suficiente”, num contexto de tensões comerciais entre Pequim e a União Europeia.

O líder chinês defendeu que ambas as partes actuem como “parceiros fiáveis” e apelou à preservação da estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento, numa altura em que a Alemanha enfrenta pressões económicas internas e um défice orçamental recorde que reacendeu o debate político em Berlim.

Antes do encontro com Xi, Merz reuniu-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang. Após a reunião, as duas partes assistiram à assinatura de cinco acordos nas áreas da cooperação climática, prevenção de doenças animais e comércio de produtos avícolas.

27 Fev 2026

EUA / China | Marco Rubio destaca “estabilidade estratégica” nas relações

Em contagem decrescente para a visita Donald Trump a Pequim, o secretário de Estado norte-americano destaca o um alívio das tensões entre as duas nações

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira que os Estados Unidos e a China alcançaram “estabilidade estratégica” nas relações, marcadas por tensões prolongadas.

“Penso que alcançámos pelo menos uma espécie de estabilidade estratégica nas nossas relações”, declarou Rubio aos jornalistas, antes da visita prevista do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, no final de Março.

O chefe da diplomacia norte-americana considerou, durante uma deslocação às Caraíbas, que ambos os países concluíram que uma guerra comercial global total entre Washington e Pequim seria “profundamente prejudicial” para as duas partes e para o resto do mundo. Marco Rubio e Donald Trump têm considerado a China um adversário estratégico no plano internacional.

Rubio sublinhou, contudo, que os Estados Unidos continuarão a manter cautela em relação a Pequim e a procurar diversificar cadeias de abastecimento, de forma a reduzir a dependência da China. Comprometeu-se também a prosseguir os esforços para que a China aceite negociar um acordo nuclear tripartido com os Estados Unidos e a Rússia.

Encontro em Genebra

Um alto responsável norte-americano reuniu-se esta semana, em Genebra, com homólogos russos e chineses, após o fim da validade do tratado New START sobre controlo de armamento nuclear.

Washington apelou ainda para o lançamento de negociações multilaterais que incluam a China. “Eles disseram publicamente que não querem fazê-lo”, afirmou Rubio, referindo-se a Pequim.

“Mas continuaremos a pressionar, porque acreditamos que seria positivo para todos alcançarmos um acordo dessa natureza”, acrescentou. A Rússia e os Estados Unidos detêm, de longe, os maiores arsenais nucleares do mundo, embora o da China esteja a crescer rapidamente.

Donald Trump deverá deslocar-se à China no final de Março, naquela que será a sua primeira visita ao país desde o início do segundo mandato.

Marco Rubio indicou que tenciona acompanhar o Presidente. Em 2020, quando era senador, foi alvo de sanções impostas por Pequim devido ao seu apoio aos direitos humanos em Hong Kong e junto da minoria chinesa de origem muçulmana uigur.

27 Fev 2026

Coreia do Sul | Subida de 6% nos nascimentos

A Coreia do Sul anunciou ontem um aumento de mais de 6 por cento no número de nascimentos em 2025, mas a taxa de fecundidade mantém-se abaixo do mínimo necessário para travar o declínio populacional. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério de Dados e Estatísticas da Coreia do Sul, o número de nascimentos cresceu pelo segundo ano consecutivo e registou o maior aumento anual desde 2010.

Em resultado, a taxa de fecundidade da Coreia do Sul, ou seja, o número médio de filhos por mulher, subiu ligeiramente, de 0,75 para 0,8. Um valor que permanece abaixo do mínimo de 2,1 necessário para manter a população actual da Coreia do Sul.

A diretora da divisão de tendências demográficas do ministério, Park Hyun-jeong, disse que o aumento do número de casamentos na Coreia do Sul desempenhou um papel importante nesta tendência.

A Coreia do Sul tem uma das taxas de fertilidade mais baixas do mundo. O Governo tem gasto milhares de milhões de euros para incentivar as mulheres a terem mais filhos, com pouco sucesso até agora. De acordo com várias projecções, ao ritmo actual, a população da Coreia do Sul passará dos actuais 51 milhões para quase metade, 26,8 milhões, até ao final do século.

Especialistas dizem que existem várias razões para a baixa taxa de natalidade da Coreia do Sul, incluindo o elevado custo de criar filhos e uma economia competitiva, que dificulta o acesso a empregos bem remunerados.

No início de Fevereiro, o autarca de Jindo (sudoeste), Kim Hee-soo, gerou controvérsia ao sugerir que as comunidades rurais poderiam combater o declínio demográfico atraindo mulheres do Vietname ou do Sri Lanka.

26 Fev 2026

FMI | China deve priorizar crescimento liderado pelo consumo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou ontem à China para tornar a transição para um modelo de crescimento assente no consumo uma “prioridade central”, instando também Pequim a reduzir uma “política industrial injustificada”, face a crescentes desequilíbrios externos.

As recomendações da equipa técnica do FMI, divulgadas antes das reuniões anuais da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo da China), reforçam os apelos a um reequilíbrio económico, sobretudo depois de o excedente comercial recorde registado pela China no ano passado ter intensificado preocupações globais.

“A China precisa de avançar de forma decisiva para um crescimento liderado pelo consumo”, afirmou Sonali Jain-Chandra, chefe da missão do FMI para a China, citada pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.

A responsável acrescentou que o FMI acolhe positivamente a ênfase dada ao consumo nas propostas do 15.º Plano Quinquenal e no comunicado da Conferência Central de Trabalho Económico de dezembro, que definiu as prioridades para o ano.

No relatório anual sobre a economia chinesa – a chamada consulta ao abrigo do Artigo IV – o FMI defende um estímulo orçamental mais robusto para impulsionar o consumo e aliviar as fragilidades do sector imobiliário, a par de maior protecção social, novo alívio monetário e maior flexibilidade cambial.

“O modelo de crescimento liderado pelo consumo deve ser a prioridade central”, sublinhou o conselho executivo do FMI, acrescentando que deve ser mantida uma orientação expansionista até que as pressões deflacionistas diminuam de forma duradoura.

O relatório considera que as medidas adoptadas até agora “permanecem insuficientes face à dimensão dos desafios” e recomenda uma expansão orçamental adicional equivalente a 0,8 por cento do PIB em 2026, face ao cenário de base.

O FMI projecta que o crescimento económico chinês abrande para 4,5 por cento em 2026, após uma expansão de 5 por cento no ano passado.

26 Fev 2026

Japão | PM enfrenta polémica sobre ofertas a deputados

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, encontra-se no centro de uma polémica relacionada com ofertas concedidas a deputados do seu partido, após a vitória expressiva da formação nas eleições legislativas do início de Fevereiro.

Mais de 300 eleitos do Partido Liberal-Democrata (PLD) puderam escolher um artigo de um catálogo, “em sinal de apreço pelo seu sucesso numa eleição muito difícil”, escreveu Takaichi numa mensagem publicada na rede social X, assegurando que não foram utilizados fundos públicos.

A questão surge num contexto sensível, depois do escândalo das “caixas negras”, envolvendo milhões de ienes, que atingiu o PLD em 2023 e levou à queda do então primeiro-ministro Fumio Kishida. A indignação dos eleitores em relação a esse caso contribuiu também para a perda da maioria parlamentar do seu sucessor, Shigeru Ishiba, em 2024 e 2025.

Takaichi afirmou ontem no Parlamento que o custo dos presentes, incluindo portes e impostos, foi de cerca de 30.000 ienes (164 euros) por pessoa, tendo sido suportado por um fundo da secção local do PLD na província de Nara, que lidera. Na mesma mensagem na rede social X, acrescentou esperar que os presentes “sejam úteis no futuro trabalho enquanto legisladores”.

Também tu, Takaichi?

O portal Bunshun Online indicou que o catálogo em causa pertence à conhecida cadeia de grandes armazéns Kintetsu. O portal disponibiliza vários catálogos, incluindo um com artigos avaliados em 34.000 ienes (185 euros), como bicicletas, caranguejo ou estadias em hotéis de luxo.

Ishiba tinha sido criticado em Março passado por, segundo a imprensa, ter oferecido o equivalente a 100.000 ienes (544 euros) em vales de compra – pagos do seu próprio bolso – a 15 deputados recém-eleitos.

Após as novas revelações envolvendo Takaichi, Junya Ogawa, líder do principal partido da oposição, a Aliança Centrista Reformista, escreveu na rede social X: “As pessoas podem facilmente pensar: ‘Senhora primeira-ministra Takaichi, também a senhora?’ É mais um assunto sobre o qual terá de prestar esclarecimentos”.

A lei japonesa sobre financiamento político estabelece que particulares não podem fazer doações a candidatos a cargos públicos, mas que os partidos políticos, incluindo as suas estruturas locais, estão autorizados a fazê-lo.

26 Fev 2026

Nuclear | Pequim nega ter realizado testes e acusa EUA de querer pretexto para os retomar

A China qualificou ontem como infundadas as acusações dos Estados Unidos sobre alegados ensaios nucleares explosivos no seu território e acusou Washington de procurar pretextos para retomar os próprios testes atómicos.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou em conferência de imprensa que as acusações norte-americanas são “infundadas e evasivas” e “não têm qualquer fundamento”, reagindo a declarações recentes de uma delegação dos EUA na Conferência do Desarmamento, em Genebra.

Segundo Mao, a China “apoia firmemente os propósitos e objectivos” do Tratado de Proibição Completa dos Ensaios Nucleares e tem respeitado o compromisso dos cinco Estados com armas nucleares de manter uma moratória sobre testes.

A porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de “incriminar e difamar outros países” para escapar às suas obrigações internacionais em matéria de controlo de armamento, prática que, afirmou, “prejudica gravemente a sua credibilidade internacional”.

Pequim instou Washington a cumprir a moratória e a “defender o consenso internacional sobre a proibição de ensaios nucleares”.

As declarações surgem após o secretário de Estado adjunto norte-americano para o Controlo de Armamento e Não Proliferação, Christopher Yeaw, ter afirmado na segunda-feira, em Genebra, que os EUA dispõem de dados que apontam para um alegado teste chinês em 2020 no deserto de Lop Nur, além de alertar para a rápida expansão do arsenal nuclear chinês.

A troca de acusações coincide com a expiração, a 05 de Fevereiro, do tratado New START entre Estados Unidos e Rússia e com novos contactos diplomáticos em Genebra sobre o futuro do controlo de armamento nuclear, nos quais Washington defende que um eventual novo acordo inclua também a China.

26 Fev 2026

Hong Kong prevê fim de vaga deficitária e crescimento económico de até 3,5 por cento

A economia de Hong Kong deverá crescer até 3,5 por cento à boleia do regresso de um excedente orçamental, após anos três anos em défice, anunciou ontem o secretário das Finanças da região semiautónoma chinesa.

A economia de Hong Kong esteve “em alta” em 2025, com o comércio externo a manter-se forte, o consumo privado a recuperar e o investimento fixo a acelerar, afirmou Paul Chan durante a apresentação do orçamento para 2026, citado pelo portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP).

O responsável pela tutela das Finanças previu um crescimento de 2,5 por cento a 3,5 por cento na economia da região administrativa especial no atual ano fiscal (01 de Abril 2025 a 31 de Março 2026).

“A médio prazo, o proteccionismo persistirá em algumas das principais economias, enquanto a fragmentação da economia global continuará. No entanto, a ascensão do Sul Global e a remodelação do panorama global do comércio e do investimento irão desbloquear novos mercados e novas áreas de crescimento”, avaliou o secretário, ainda de acordo com a HKFP.

Paul Chan anunciou ainda que o excedente no ano fiscal de 2025-26 encerra uma série de três anos em défice orçamental. Impulsionadas pela procura por produtos electrónicos, as exportações de bens de Hong Kong cresceram 12 por cento, com aumentos a assinalar nas exportações para a China continental e para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), escreveu o portal.

Ainda de acordo com o HKFP, a cidade no sul da China registou um défice de 80,3 mil milhões de dólares de Hong Kong no ano fiscal de 2024-25, de 101,6 mil milhões de dólares de Hong Kong (em 2023-24 e de 122 mil milhões (em 2022-23.

Já o mercado de acções apresentou um “desempenho excelente”, de acordo com o responsável. O índice Hang Seng subiu 28 por cento ao longo do ano, enquanto as ofertas públicas iniciais (IPO) arrecadaram 280 mil milhões de dólares de Hong Kong, ficando em primeiro lugar globalmente.

Na apresentação do orçamento, o secretário das Finanças afirmou ainda que o Governo está empenhado em atrair mais empresas para se instalarem na região.

Em promoção

Instrumentos políticos, incluindo acordos de concessão de terrenos, subsídios financeiros e incentivos fiscais, vão ser implementados para promover indústrias e investimentos, anunciou, de acordo com a emissora pública RTHK [Radio Television Hong Kong].

O chefe das finanças de Hong Kong destacou, além disso, a importância de aumentar o apoio às empresas da China continental que estão a expandir-se a mercados internacionais.

Outra área de foco, referiu Paul Chan, passa por promover ainda mais Hong Kong como um centro internacional de convenções e exposições, com 100 milhões de dólares de Hong Kong a ser reservados para atrair exposições internacionais de grande escala com novos elementos.

A emissora noticiou ainda que Paul Chan anunciou que vai presidir ao novo “Comité sobre IA+ e Estratégia de Desenvolvimento Industrial” como parte dos trabalhos para garantir que todos os sectores da sociedade compreendem e utilizem a inteligência artificial.

26 Fev 2026

Visita | Merz quer reforçar laços de cooperação com a China

Apesar das preocupações com a concorrência comercial, a visita de do chanceler alemão deverá servir para fortalecer os laços económicos entre as duas nações

O chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu ontem em Pequim uma cooperação mais “justa” com a China, no arranque de uma visita ao principal parceiro comercial da Alemanha, cada vez mais visto no seu país como um forte concorrente.

“Temos preocupações muito concretas relativamente à nossa cooperação, que queremos melhorar e tornar mais justa”, afirmou Merz no início de conversações com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, no Grande Palácio do Povo, no centro de Pequim.

O chefe do Governo chinês apelou à Alemanha para trabalhar no sentido de “defender conjuntamente o multilateralismo e o livre-comércio”.

Merz, que chegou ontem a meio da manhã com uma ampla delegação empresarial, tinha prevista uma reunião e jantar com o Presidente chinês, Xi Jinping, naquela que é a sua primeira visita à China desde que assumiu funções, em 2025.

O chanceler afirmou ver “um grande potencial de crescimento” para duas das maiores economias do mundo, sublinhando, no entanto, a necessidade de um diálogo “aberto”.

Antes da partida, Merz indicou que pretendia abordar vários temas de divergência, como regras de concorrência, acesso aos mercados e segurança no abastecimento de terras raras, matérias-primas essenciais para muitas empresas alemãs e cuja produção é dominada pela China.

O responsável alemão quer também discutir a guerra na Ucrânia, contando com as boas relações de Pequim com Moscovo. “A voz de Pequim é ouvida, mesmo em Moscovo”, declarou. É o mais recente dirigente estrangeiro a deslocar-se a Pequim, num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, tem agitado a ordem internacional com novas tarifas e a revisão de antigas alianças.

“Hoje, a China tornou-se incontornável para todos”, afirmou Merz, na terça-feira. Nos últimos três meses, passaram por Pequim os líderes do Reino Unido, Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Irlanda ou França.

Da concorrência

Ao mesmo tempo, a indústria alemã enfrenta crescente pressão da concorrência chinesa. A maior economia europeia, fortemente dependente das exportações e durante anos sustentada pelo vasto mercado chinês, viu as vendas dos seus construtores automóveis diminuírem significativamente na China e enfrenta cada vez mais competição tecnológica chinesa a nível global.

Tal como outros parceiros da União Europeia, a Alemanha manifesta preocupação com a expansão dos veículos eléctricos chineses e com o escoamento para a Europa dos excedentes de produção da China.

Berlim alerta ainda para o uso, por parte de Pequim, de semicondutores e terras raras como instrumentos na disputa comercial global, como aconteceu em 2025, afectando severamente as cadeias de abastecimento, nomeadamente da indústria automóvel.

“Queremos e devemos adoptar uma política de redução de riscos, não apenas em relação à China”, afirmou Merz, sublinhando, contudo, que seria um erro associar essa estratégia a uma dissociação económica.

A Alemanha e outros países criticam as restrições de acesso ao mercado chinês, os subsídios considerados indevidos e a alegada subvalorização da moeda chinesa. Xi Jinping tem apresentado a China como um parceiro fiável e defensor do multilateralismo e do livre-comércio, promovendo uma relação de “ganhos para ambos” baseada no “respeito mútuo”.

Em 2025, a China travou uma intensa disputa comercial e diplomática com os Estados Unidos sob a presidência de Trump, cuja deslocação a Pequim está prevista para o final de Março.

Merz viajou acompanhado pelos presidentes executivos da Volkswagen, BMW e Mercedes. Hoje, assistirá à apresentação de veículos autónomos pela Mercedes e deslocar-se-á depois a Hangzhou, polo tecnológico, para visitar o grupo de robótica Unitree e a empresa Siemens Energy.

No ano passado, o défice comercial da Alemanha com a China aumentou mais de 22 mil milhões de euros, atingindo cerca de 89 mil milhões de euros.

26 Fev 2026

Ásia | Tailândia acusa Camboja de violar cessar-fogo na fronteira

O exército da Tailândia denunciou ontem uma troca de tiros com as forças cambojanas ao longo da fronteira e acusou o país vizinho de violar as tréguas de Dezembro, alegação que o Camboja negou categoricamente.

Segundo um comunicado militar tailandês, as forças cambojanas dispararam ontem uma granada de 40 milímetros contra uma patrulha na província fronteiriça de Sisaket, o que desencadeou uma resposta da Tailândia.

Não foram registados feridos entre as tropas de Banguecoque, segundo o comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“As forças tailandesas responderam disparando um [lança-granadas] M79 na direcção de onde provieram os disparos, de acordo com as regras de conduta militar, a título de aviso e em legítima defesa”, acrescentou o exército.

O porta-voz militar tailandês, Winthai Suvaree, declarou no comunicado que “as acções do Camboja violaram o acordo de cessar-fogo” de 27 de Dezembro de 2025, que pôs fim a três semanas de confrontos mortais na fronteira.

“Estas alegações são totalmente falsas, inventadas e distorcem grosseiramente os factos com a intenção deliberada de enganar a opinião pública e provocar tensões ao longo da fronteira entre o Camboja e a Tailândia”, reagiu o ministro da Informação cambojano.

Neth Pheaktra reiterou à AFP o “compromisso inabalável” de Phnom Penh com a trégua de Dezembro e com um acordo de cessar-fogo anterior, de curta duração, assinado em Outubro na presença do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Segundo o comunicado tailandês, o incidente pode ter resultado de uma “rotação de tropas cambojanas”, em que o novo pessoal, não familiarizado com os regulamentos, terá cometido “falhas operacionais”. Os dois reinos do Sudeste Asiático disputam há muito o traçado da fronteira de 800 quilómetros, definida durante o período colonial francês.

25 Fev 2026

Coreia do Sul | Ex-presidente recorre da condenação a prisão perpétua

O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol, condenado na semana passada à prisão perpétua por ter imposto a lei marcial no final de 2024, recorreu ontem da sentença, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

“Pretendemos revelar os erros nos factos e a incompreensão dos princípios legais na decisão do primeiro julgamento”, afirmaram os advogados do ex-presidente preso.

Yoon foi condenado em primeira instância à prisão perpétua pelo Tribunal Distrital Central de Seul, que na quinta-feira passada considerou que os seus actos constituíram insurreição ao mobilizar tropas no Parlamento nacional e mergulhar o país na sua pior crise em décadas.

O recurso do ex-presidente surge depois de a equipa especial do Ministério Público que conduziu o caso ter anunciado que também iria recorrer da sentença, uma vez que tinha pedido a pena de morte, para a qual existe uma moratória no país.

Yoon, que já se encontrava na prisão enquanto aguardava a decisão, declarou a lei marcial na noite de 03 de Dezembro de 2024, um decreto que foi bloqueado pelo Parlamento algumas horas depois. O ex-presidente foi destituído em Abril do ano passado pelo Tribunal Constitucional, por considerar que não havia indícios de uma situação de emergência que justificasse o decreto.

25 Fev 2026

Japão pede tratamento justo face à nova tarifa global de 15% dos EUA

O Japão pediu aos Estados Unidos que garantam que o impacto da nova tarifa global de 15 por cento, que deverá entrar agora em vigor, não seja superior ao do acordo comercial bilateral assinado em 2025.

O ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ryosei Akazawa, insistiu, numa conversa telefónica com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que “o tratamento dado ao Japão seja garantido como não menos favorável” do que o previamente acordado, informou o ministério, em comunicado.

O porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, declarou em conferência de imprensa que o arquipélago vai estudar “de forma minuciosa” a decisão do Supremo Tribunal dos EUA, que na sexta-feira travou a anterior política comercial da Casa Branca.

Kihara acrescentou que o Japão está a seguir “de perto e com interesse” as ramificações da nova tarifa global sobre o acordo comercial bilateral assinado em Julho. O acordo prevê compromissos de investimento japoneses avaliados em 550 mil milhões de dólares e a redução de 25 por cento para 15 por cento das tarifas sobre produtos japoneses, incluindo automóveis.

Os primeiros projectos anunciados na semana passada, avaliados em 36 mil milhões de dólares, incluem a maior infraestrutura de gás natural no estado de Ohio, no oeste dos EUA, uma instalação de exportação de petróleo bruto e uma unidade de diamantes sintéticos.

Donald anuncia

No sábado, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a nova tarifa alfandegária global iria aumentar de 10 por cento para 15 por cento, “com efeito imediato”.

Esta taxa vai somar-se às “tarifas aduaneiras normais já em vigor”, afirmou o Presidente republicano, acrescentando que “todos os acordos” continuam válidos e que Washington apenas vai “proceder de forma diferente”.

O anúncio aconteceu um dia depois de Trump ter anunciado uma tarifa global de 10 por cento sobre todos os países, por um período de 150 dias.

Horas antes, o Supremo Tribunal dos EUA determinou, por seis votos contra três, que o Governo norte-americano excedeu os poderes invocados para impor as chamadas “tarifas recíprocas” aos parceiros comerciais de Washington.

25 Fev 2026

Diplomacia | Pequim quer Ucrânia fora do foco antes de visita de Merz

A visita do chanceler alemão à China deverá servir para aproximar as segunda e terceira maiores economias mundiais através da assinatura de vários acordos comerciais. Pequim reitera a sua posição “objectiva e imparcial” sobre o conflito na Ucrânia

A crise na Ucrânia “não é nem deve tornar-se uma questão entre China e Europa”, afirmou ontem a diplomacia chinesa, na véspera de o chanceler alemão, Friedrich Merz, iniciar a sua primeira visita oficial ao país asiático.

A porta-voz do ministério Mao Ning declarou em conferência de imprensa que Pequim mantém uma “posição objectiva e imparcial” sobre o conflito e apoia uma solução política através de esforços diplomáticos, mas “não é parte na questão da Ucrânia”.

Mao respondia a uma pergunta sobre a possibilidade de Merz abordar com as autoridades chinesas, durante a visita, a guerra na Ucrânia e o papel de Pequim no conflito, afirmando que os líderes “trocarão opiniões sobre assuntos de interesse comum”.

Segundo a porta-voz, a visita de Merz permitirá reforçar a “cooperação e o benefício mútuo” entre os dois países. Mao assinalou que se trata da primeira deslocação do líder alemão desde que assumiu funções e assegurou que Pequim está disposta a aproveitar a ocasião para “melhorar o entendimento e a confiança mútua”.

Durante a visita, que decorrerá entre amanhã e quinta-feira, o governante alemão reunir-se-á com o Presidente chinês, Xi Jinping, e manterá conversações oficiais com o primeiro-ministro, Li Qiang, para abordar o estado das relações bilaterais e temas de interesse comum.

Grandes expectativas

Mao salientou que, enquanto segunda e terceira maiores economias mundiais, o desenvolvimento estável das relações bilaterais “corresponde aos interesses de ambas as partes e às expectativas da comunidade internacional”.

De acordo com o Governo alemão, Merz abordará em Pequim questões económicas, comerciais e de segurança, sendo acompanhado por uma delegação empresarial. Em 2025, a China foi o principal parceiro comercial da Alemanha, com um volume de trocas de 251,8 mil milhões de euros, segundo dados oficiais alemães.

A visita de Merz junta-se à série de deslocações de líderes ocidentais à China nos últimos meses, incluindo os presidentes ou primeiros-ministros de Espanha, França, Canadá, Irlanda, Reino Unido e Portugal.

25 Fev 2026

Mais de mil assinaturas contra a expulsão de aluno que pediu inquérito a incêndio em Hong Kong

Mais de mil pessoas já assinaram uma petição a pedir a uma universidade de Hong Kong a reintegração do estudante que foi expulso após pedir uma investigação independente a um incêndio que causou 168 mortos. Docentes, alunos e antigos alunos da Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK, na sigla em inglês) já tinham assinado a petição online até domingo à noite, avançaram os promotores da iniciativa.

De acordo com um comunicado enviado à imprensa e citado pelo portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP), a petição foi lançada na sexta-feira por “um grupo de estudantes, docentes e alumni” da universidade.

Em 12 de Fevereiro, Miles Kwan Ching-fung, que lançou uma petição a pedir uma investigação independente ao incêndio que causou em Novembro 168 mortos num complexo habitacional em Hong Kong, anunciou que tinha sido expulso da CUHK. A petição lançada na sexta-feira critica a decisão de um comité disciplinar da CUHK de expulsar Miles Kwan, de 24 anos, como uma “injustiça processual”.

Em 14 de Fevereiro, o jovem disse ao HKFP que foi convocado para uma reunião do comité disciplinar, em 07 de Janeiro, devido a “múltiplos actos de má conduta”, mas que o comité nunca relevou quais os alegados actos. A petição alega que o comité “parece ter privado (…) Kwan do seu direito fundamental, constitucionalmente garantido, a um julgamento justo”.

Os promotores da iniciativa recordaram que as regras internas da CUHK prevêm que “os casos sob investigação policial/processos judiciais (…) devem ser tratados após o conhecimento do resultado da investigação/sentença judicial”.

Tragédia em Tai Po

Em 26 de Novembro, 168 pessoas morreram no complexo de habitação social Wang Fuk Court, no pior incêndio a atingir Hong Kong em quase oito décadas.

Três dias depois, a polícia de Hong Kong deteve Kwan por suspeita de sedição – um crime que pode acarretar a pena de prisão perpétua – depois de o jovem ter lançado uma petição, que chegou a reunir mais de mil assinaturas.

O estudante sublinhou que a CUHK admitiu “falta de informação” sobre a detenção e justificou a expulsão com a “atitude indelicada e desrespeitosa para com o comité” e uma alegada violação das regras de confidencialidade.

“Quando o comité considerou as provas insuficientes”, isso “deveria ter levado à suspensão do processo”, refere a petição lançada na sexta-feira. As duas novas acusações foram “impostas sem notificação prévia” a Miles Kwan e apenas “após a conclusão da audiência”, lamenta o documento.

Além disso, o estudante foi acusado de ter uma “atitude indelicada e desrespeitosa” apenas por questionar “a base jurídica do processo disciplinar”, acrescenta a petição.

Dias depois do incêndio, o líder do governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, criou uma comissão de inquérito independente, presidida por um magistrado, para esclarecer as causas do fogo e da sua rápida propagação.

25 Fev 2026

Harbin | Tigres siberianos em dieta após excessos de Ano Novo

Cerca de duzentos tigres siberianos de uma reserva no norte da China estão a cumprir um “jejum intermitente” para contrariar os efeitos do excesso de alimentação durante o Ano Novo Lunar, quando recebem grandes quantidades de comida dos turistas.

A direcção do Parque do Tigre Siberiano de Harbin, na província de Heilongjiang, anunciou em comunicado que o programa de dieta estará em vigor até 31 de Março, com o objectivo de melhorar a saúde e o bem-estar dos felinos, que terão recebido uma média recorde de 10.000 visitantes diários durante as férias recém-terminadas, segundo a imprensa local.

O parque permite aos visitantes comprar no local tiras de carne crua ou mesmo aves vivas para alimentar os tigres através de aberturas nas janelas dos autocarros que percorrem as instalações, uma das atrações mais populares do espaço.

Durante o período de dieta, será proibida, de forma rotativa, a alimentação dos animais num dos onze espaços ao ar livre onde vivem, no recinto com uma área total de 800 mil metros quadrados.

Para além da vertente turística e pedagógica, as instalações de Harbin desenvolvem também programas de investigação, conservação e reprodução, no âmbito dos esforços da China para preservar o tigre siberiano, espécie ameaçada de extinção.

Estima-se que existam apenas cerca de 500 exemplares deste felino em estado selvagem em todo o mundo, dos quais cerca de 70 na China, segundo dados do World Wildlife Fund (WWF).

25 Fev 2026

Taiwan | Japão planeia deslocar mísseis terra-ar para perto da ilha

O Japão anunciou ontem planos para deslocar mísseis terra-ar para uma ilha japonesa perto de Taiwan até 2031, ao mesmo tempo que as autoridades japonesas aumentam os alertas sobre as ambições militares da China na região.

“O nosso plano é deslocar “mísseis terra-ar de médio alcance” durante o ano fiscal de 2030″ — ou seja, durante o período de 12 meses que termina em Março de 2031 — para a ilha de Yonaguni, a cerca de 110 quilómetros a leste de Taiwan, anunciou o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, durante uma conferência de imprensa regular.

A ilha de Yonaguni, isolada e localizada a aproximadamente 2.000 quilómetros de Tóquio, já alberga uma base das Forças de Autodefesa do Japão.

Este anúncio surge quando a China tem tomado uma série de medidas económicas, políticas e simbólicas contra o Japão desde Novembro, em retaliação a comentários feitos pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. A líder do Japão sugeriu que uma intervenção militar do seu país seria possível no caso de um ataque chinês a Taiwan.

Desde então, a China tem desencorajado os seus cidadãos a viajar para o Japão. Ontem, anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 destas de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.

25 Fev 2026

Tarifas | Pequim anuncia que está a “avaliar” decisão do Supremo dos EUA

O ministério chinês do Comércio anunciou ontem que está a “avaliar” o conteúdo e impacto da decisão da Supremo Tribunal dos Estados Unidos sobre as tarifas impostas pela Administração de Donald Trump, reiterando a oposição às medidas “unilaterais”.

Num comunicado, o ministério indicou que “tomou nota” da decisão judicial no litígio sobre as tarifas e que está a realizar uma “avaliação integral” das suas implicações.

A China “opõe-se sistematicamente às medidas tarifárias unilaterais” e reitera que “a guerra comercial não tem vencedores e o proteccionismo não tem saída”, indicou o ministério, depois de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter decidido que a Administração Trump excedeu os seus poderes ao invocar a Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) como base jurídica para impor as taxas tarifárias.

O ministério acrescentou que as chamadas “tarifas recíprocas” e as tarifas relacionadas com o fentanil constituem medidas ‘unilaterais’ que, segundo Pequim, “não só violam as regras económicas e comerciais internacionais”, como também o “direito interno” dos Estados Unidos, e “não atendem aos interesses de nenhuma das partes”.

Pequim insiste ainda que as relações entre as duas potências devem ser geridas com base na cooperação. “Os factos têm demonstrado repetidamente que a China e os Estados Unidos beneficiam quando cooperam e são prejudicados quando se confrontam”, afirmou o ministério, que instou Washington a “cancelar” as tarifas unilaterais impostas aos seus parceiros comerciais.

Pequim afirmou ter observado que os Estados Unidos “se preparam” para recorrer a medidas alternativas, como “investigações comerciais”, com o objetivo de manter a imposição de taxas aos seus parceiros, e advertiu que a China “manterá uma vigilância estreita” e “protegerá firmemente” os seus interesses.

24 Fev 2026

Cooperação | Coreia do Sul e Brasil elevam relação bilateral a “parceria estratégica”

Coreia do Sul e Brasil acordaram ontem elevar as relações bilaterais ao nível de “parceria estratégica”, numa cimeira realizada em Seul entre os presidentes sul-coreano, Lee Jae-myung, e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Decidimos elevar a nossa relação bilateral a uma ‘parceria estratégica'”, anunciou Lee, numa conferência de imprensa após o encontro. O Presidente sul-coreano explicou que o “Plano de Acção Quinquenal Coreia do Sul-Brasil”, adoptado ontem, servirá como roteiro integral em áreas como política, economia, cooperação prática e intercâmbios entre cidadãos.

Entre os principais resultados das conversações, destacou o impulso à retoma das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, bem como a assinatura de onze memorandos de entendimento em sectores como PME, saúde, agricultura, espaço, defesa e aviação.

Em matéria económica, os dois países concordaram com a necessidade de ampliarem a cooperação mutuamente benéfica e apoiaram a pronta retoma das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul.

Lula da Silva lembrou que o Brasil abriga a maior comunidade de origem coreana da América Latina, com cerca de cinquenta mil pessoas, e que o K-pop, as telenovelas e a culinária da Coreia do Sul têm milhões de consumidores no Brasil.

24 Fev 2026

Presidência timorense da ASEAN em 2029 é “grande responsabilidade”, defende Xanana

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a presidência timorense da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), prevista para 2029, é uma grande responsabilidade e vai definir a percepção que a região terá do país.

“Trata-se de uma grande responsabilidade para a nossa nação e para todo o nosso povo. Devemos garantir que correspondemos à confiança em nós depositada pelos nossos parceiros regionais”, afirmou Xanana Gusmão.

O líder do executivo timorense falava na primeira reunião do Conselho Nacional de Organização da Presidência ASEAN (ACNOC), realizada no Ministério das Finanças, em Díli. “Presidir à ASEAN não se resume apenas a acolher reuniões. Trata-se de um teste à capacidade do Estado para coordenar, definir prioridades, orçamentar e executar com disciplina”, salientou Xanana Gusmão.

“Em 2029, o nosso desempenho definirá a forma como a região percepcionará Timor-Leste durante a próxima geração. Em 2029, os olhos do mundo estarão postos em nós. Será, de longe, o maior evento internacional que alguma vez realizámos”, destacou o primeiro-ministro.

Plano em acção

O Conselho de Ministros aprovou no início de Fevereiro a criação do Conselho Nacional para a Organização da Presidência de Timor-Leste da ASEAN em 2029.

Este Conselho Nacional é um órgão central de coordenação interministerial responsável pela orientação estratégica, planeamento, acompanhamento e supervisão de todos os trabalhos preparatórios e da realização da Presidência da ASEAN.

“Neste primeiro encontro decidimos e aprovámos o nosso plano de acção para 2026 e também escolhemos os sectores que precisam de definir a sua liderança para conduzir o processo e os respectivos comités”, afirmou a vice-ministra para os Assuntos da ASENA, Milena Rangel.

Segundo Milena Rangel, os preparativos de Timor-Leste irão abranger questões de protocolo, a definição do tema do país, infraestruturas, comunicação, hospitalidade, entre outros aspectos. Timor-Leste tornou-se estado-membro da ASEAN em Outubro do ano passado.

A ASEAN foi criada em 1967 pela Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas, que assume actualmente a presidência da organização, e integrada mais tarde pelo Brunei Darussalam, Camboja, Laos, Myanmar e Vietname.

24 Fev 2026

Coreia do Norte | Xi felicita Kim Jong-un por reeleição como líder do partido no poder

O Presidente da China, Xi Jinping, felicitou ontem o homólogo norte-coreano, Kim Jong-un, pela reeleição como secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia, ao mesmo tempo que destacou as “relações amigáveis” entre Pequim e Pyongyang.

Xi destacou na sua mensagem que a reeleição de Kim reflecte a “grande confiança e o apoio sincero” do “partido, do Governo e do povo da Coreia do Norte”, segundo a agência estatal Xinhua, sublinhando que o nono congresso do partido, realizado numa fase que descreveu como “crucial”, se reveste de “importante significado”.

O líder chinês expressou ainda o desejo de que a Coreia do Norte aproveite a ocasião como ponto de partida para impulsionar a agenda política e económica.

A felicitação chega um dia depois de o Partido dos Trabalhadores ter reeleito Kim no quarto dia do congresso, numa sessão em que, segundo a agência norte-coreana KCNA, se destacou a melhoria “radical” da dissuasão bélica do país, com as forças nucleares como seu eixo central. Xi afirmou que a China e a Coreia do Norte são “vizinhos socialistas amigos, que se apoiam mutuamente” e sustentou que manter, consolidar e desenvolver os laços bilaterais é uma política constante de Pequim.

O Presidente chinês indicou que, numa “situação internacional complexa e volátil”, está “disposto” a “fortalecer o bem-estar e a amizade” entre a China e a Coreia do Norte e a “contribuir positivamente para a promoção da paz, estabilidade, desenvolvimento e prosperidade regional e mundial”.

A China continua a ser o principal parceiro comercial da Coreia do Norte, país com o qual partilha uma fronteira de mais de 1.400 quilómetros, num cenário marcado pelas sanções internacionais a Pyongyang e pela crescente cooperação militar norte-coreana com a Rússia.

24 Fev 2026