Golfo | MNE chinês espera que países “reforcem a sua independência”

Wang Yi condenou os ataques no Médio Oriente numa conversa com o homólogo de Omã em que pediu aos países da região para rejeitarem ingerências do exterior. O responsável chinês reiterou a disponibilidade de Pequim para desempenhar um papel construtivo na restauração da paz

O chefe da diplomacia chinesa apelou ontem aos países do Golfo para reforçarem a sua independência e rejeitarem a ingerência externa, numa conversa com o homólogo de Omã após ataques iranianos contra vários Estados da região.

Segundo um comunicado divulgado pela diplomacia chinesa, Wang Yi afirmou que “a China aprecia a mediação activa de Omã para promover as negociações entre o Irão e os Estados Unidos, bem como os seus grandes esforços para salvaguardar a paz regional”.

O chefe da diplomacia chinesa sustentou que “os Estados Unidos e Israel provocaram deliberadamente uma guerra contra o Irão, o que viola claramente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

Wang declarou que “a tarefa urgente agora é pôr termo imediato às acções militares para evitar uma maior propagação do conflito e impedir um agravamento irreversível”, acrescentando que a China “está igualmente disposta a desempenhar um papel construtivo”.

“A China espera que os países do Golfo desenvolvam boas relações de vizinhança e reforcem a solidariedade e coordenação, para que possam controlar plenamente o seu próprio futuro”, afirmou.

Sayyid Badr Albusaidi declarou que “as negociações entre o Irão e os Estados Unidos tinham alcançado progressos sem precedentes”, mas que, “infelizmente”, Washington e Telavive “ignoraram os resultados das conversações e iniciaram uma guerra”, segundo o comunicado.

Nas últimas semanas, o sultanato de Omã tinha mediado contactos entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano.

Resposta iraniana

O Irão lançou ataques com mísseis e veículos aéreos não tripulados (‘drones’) contra bases norte-americanas e alvos em países do Golfo como o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar e o Bahrein, em resposta à ofensiva iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o seu território.

Teerão sustenta que essas acções fazem parte da sua retaliação contra o que considera uma agressão directa e contra a presença militar norte-americana na região.

Wang falou também ontem por telefone com o homólogo iraniano, Abbas Araqchi, a quem assegurou o apoio de Pequim na defesa da soberania, segurança e integridade territorial do Irão, na primeira demonstração firme de respaldo desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel.

A China, principal parceiro comercial do Irão e maior importador do seu petróleo, condenou no domingo a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, durante a ofensiva conduzida por Israel e pelos Estados Unidos.

Desde sábado, Israel bombardeia, em coordenação com Washington, várias posições no Irão, alegando procurar destruir arsenais e capacidades de produção de mísseis balísticos e pôr fim ao regime dos aiatolas.

4 Mar 2026

Cooperação | Índia e Canadá com acordo em energia e fornecimento de urânio

A Índia e o Canadá anunciaram ontem, em Nova Deli, um acordo de cooperação em minerais e fornecimento de urânio, essencial para a energia nuclear.

O acordo de fornecimento de urânio, no âmbito da parceria estratégica entre os dois países, tem um valor de 2,6 mil milhões de dólares canadianos. A Índia, um grande consumidor de energia e o país mais populoso do mundo, com 1,4 mil milhões de habitantes, pretende aumentar a capacidade nuclear de oito gigawatts para 100 gigawatts até 2047.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, considerou ter sido alcançado um acordo histórico na área da energia nuclear civil, estabelecendo um fornecimento de urânio a longo prazo. Modi acrescentou que os dois países também vão trabalhar em conjunto em pequenos reactores modulares e reactores avançados.

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, afirmou que o Canadá está “bem posicionado” para ser um “fornecedor fiável” de gás natural liquefeito (GNL) a partir da costa oeste do país. Os acordos, que abrangeram também o sector tecnológico e a promoção das energias renováveis, foram anunciados depois de uma reunião em Nova Deli entre Modi e Carney.

A visita de Carney representa uma melhoria nas relações entre o Canadá e a Índia, que se tinham deteriorado em 2023. Na altura, Otava acusou Nova Deli de conduzir uma campanha de intimidação contra os activistas ‘sikhs’ residentes no Canadá, alegações rejeitadas pela Índia.

No encontro, Carney afirmou que os governos canadiano e indiano colaboraram mais no último ano do que nas últimas duas décadas, salientando que “não se trata simplesmente da renovação de uma relação”. No ano passado, os dois países tinham concordado retomar as negociações para um acordo de parceria económica abrangente. “O nosso objectivo é atingir os 50 mil milhões de dólares em comércio bilateral”, indicou Modi.

3 Mar 2026

Golfo Pérsico | Cosco reorganiza rotas e procura águas seguras

A companhia estatal chinesa de navegação Cosco Shipping anunciou que está a reorganizar a rota dos seus navios no Golfo Pérsico face à situação de insegurança no Médio Oriente e às restrições ao trânsito no estreito de Ormuz.

Num aviso aos clientes datado de 01 de Março, a empresa indicou que as embarcações que já entraram no Golfo, após concluírem as suas operações “e quando for seguro fazê-lo”, foram instruídas a dirigir-se para águas seguras e a permanecer ancoradas ou à deriva.

Os navios com destino à região receberam orientações para priorizar a segurança da navegação, incluindo a redução da velocidade, a permanência em ancoradouros protegidos ou o cumprimento de novas instruções operacionais, de acordo com o comunicado.

A empresa acrescenta que está a avaliar planos de contingência para a carga a bordo dos navios afetados, incluindo eventuais alternativas de descarga noutros portos.

O anúncio surge depois de o Irão ter advertido que o trânsito no estreito de Ormuz já não é seguro, na sequência do conflito desencadeado após os ataques lançados em 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra a república islâmica.

O aviso iraniano e o aumento do risco levaram, na prática, à suspensão ou ao desvio de rotas por parte de algumas grandes companhias marítimas, como a Maersk e a Mediterranean Shipping Company (MSC).

Ontem, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou que Ormuz é um “canal internacional importante para o comércio de bens e energia”, sublinhando que preservar a sua segurança corresponde aos “interesses comuns da comunidade internacional”.

3 Mar 2026

“Duas Sessões” | Pequim prepara-se para divulgar novo plano quinquenal

As chamadas “Duas Sessões” arrancam esta semana em Pequim. Em causa, num encontro que reúne cerca de 3.000 delegados de todo o país na capital chinesa, estarão as orientações das políticas económica, social, diplomática e militar para os próximos cinco anos

A China inicia esta semana as chamadas “Duas Sessões”, principal evento político anual do país, com destaque para a apresentação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030).

Milhares de delegados de todo o país reúnem-se no Grande Palácio do Povo, em Pequim, junto à praça Tiananmen, para aprovar legislação e formalizar decisões previamente definidas pelo Partido Comunista Chinês (PCC), que governa o país.

O encontro, permitirá divulgar o novo plano quinquenal, documento orientador das políticas económica, social, diplomática, política e militar para os próximos cinco anos.

O plano deve apresentar respostas estruturais a vários desafios, desde a fraca procura interna e a crise no sector imobiliário até às restrições ao acesso a tecnologias avançadas impostas pelos Estados Unidos e às disputas comerciais com Washington e a União Europeia.

A sessão plenária da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão máximo legislativo da China, começa quinta-feira e prolonga-se por cerca de uma semana. Paralelamente, reúne-se, a partir de quarta-feira, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), um órgão consultivo que integra representantes de vários sectores da sociedade.

O primeiro-ministro Li Qiang deverá anunciar na quinta-feira a meta oficial de crescimento económico para 2026. Em 2025, a economia chinesa cresceu 5 por cento, em linha com o objectivo governamental, mas dos ritmos mais baixos das últimas décadas. Analistas antecipam que a meta para este ano possa situar-se entre 4,5 por cento e 5 por cento.

Nos últimos anos, Pequim tem defendido uma reorientação do modelo económico para uma maior dependência do consumo interno, reduzindo a aposta tradicional nas exportações e no investimento público. Contudo, a incerteza no mercado imobiliário e o desemprego jovem continuam a incentivar a poupança das famílias.

Especialistas consideram que o novo plano deverá reforçar a aposta nas altas tecnologias, na transição ecológica e na segurança das cadeias de abastecimento.

Steve Tsang, director do instituto SOAS China da Universidade de Londres, afirmou que a linha principal deverá aprofundar a orientação já definida pelo Presidente chinês, Xi Jinping, sem mudanças estruturais significativas no modelo político ou económico.

Sarah Tan, economista da Moody’s Analytics, considerou que a estratégia sinaliza uma transição de um modelo assente no endividamento para outro centrado na inovação, mas alerta que uma recuperação sustentável exigirá maior protecção social, aumento de rendimentos e resolução da crise imobiliária.

Outros desafios

A China enfrenta igualmente um desafio demográfico, com a população a diminuir pelo terceiro ano consecutivo. O Governo tem anunciado medidas de apoio à natalidade, incluindo subsídios e expansão de serviços de creche, mas o impacto tem sido limitado.

O orçamento da Defesa deverá também ser revelado durante as sessões, num momento em que o Governo conduz uma ampla campanha anticorrupção no seio das Forças Armadas. As “Duas Sessões” são vistas como um momento-chave para sinalizar as prioridades estratégicas de Pequim ao país e à comunidade internacional.

3 Mar 2026

Petrolíferas chinesas disparam em bolsa com ataques no Médio Oriente

As três principais petrolíferas estatais chinesas fecharam ontem com ganhos de 10 por cento na Bolsa de Xangai, o limite diário de valorização, impulsionadas pela subida do crude após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

Segundo o portal especializado Gelonghui, é a primeira vez que a PetroChina, a Sinopec e a Cnooc registam a valorização máxima permitida numa mesma sessão no mercado de Xangai. Uma oscilação no valor das acções de 10 por cento leva automaticamente à suspensão das negociações.

A PetroChina atingiu máximos desde 2015 e a Sinopec desde 2018, enquanto a Cnooc alcançou um recorde de capitalização bolsista neste mercado, onde se estreou em 2022. Em Hong Kong, onde as três empresas também estão cotadas, os ganhos eram, minutos antes do fecho, de 4,09 por cento para a PetroChina, 2,57 por cento para a Sinopec e 6,16 por cento para a Cnooc.

Segundo o mesmo meio, cerca de uma dezena de outras empresas do sector energético registaram igualmente a valorização máxima permitida na China continental. Entre elas, a Tong Petrotech, que presta serviços de perfuração, subia quase 20 por cento, limite aplicável a algumas empresas na Bolsa de Shenzhen.

A conjuntura beneficiou também empresas ligadas ao ouro e à prata, considerados activos de refúgio em períodos de incerteza. A Hunan Gold, em Shenzhen, e a Chifeng Gold, em Xangai, avançaram 10 por cento.

A sessão foi igualmente positiva para os sectores da defesa, aeroespacial e transporte marítimo, enquanto as companhias aéreas recuaram, pressionadas pela subida do preço do petróleo e pelos encerramentos de espaços aéreos no Médio Oriente.

O preço do barril de Brent subia cerca de 8 por cento ontem de manhã para 78,22 dólares, após o ataque ao Irão, um dos principais produtores da OPEP+ e país que controla o estreito de Ormuz, por onde passa quase 20 por cento do comércio mundial de crude.

Sob controlo

O Irão representa cerca de 11 por cento das importações chinesas de petróleo, sendo a China o maior comprador mundial, mas aproximadamente 45 por cento do crude adquirido por Pequim provém de outros países do Golfo, como a Arábia Saudita, o Iraque e o Kuwait.

Apesar disso, especialistas citados pela imprensa local consideram que o impacto da suspensão do trânsito em Ormuz anunciada por grandes companhias marítimas seria “geralmente controlável”. Já Alicia García Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis, defendeu que a crise iraniana representa para a China um “risco maior” do que o caso da Venezuela.

Segundo a analista, o Irão tem fornecido à China petróleo com desconto, frequentemente contornando as sanções norte-americanas através do ‘comércio triangular’ – através de terceiros países –, com transações liquidadas maioritariamente na moeda chinesa, o yuan.

“Este acordo manteve a economia iraniana à tona face ao isolamento ocidental, ao mesmo tempo que fornece a Pequim combustível barato”, afirmou.

3 Mar 2026

Ambiente | Energia solar impulsiona ligeira descida das emissões em 2025

As emissões de carbono da China nos sectores da energia e da indústria recuaram 0,3 por cento em 2025, apesar do aumento do consumo total de energia, impulsionadas pela forte expansão da produção solar, segundo dados oficiais.

As estatísticas, divulgadas pelo Gabinete Nacional de Estatísticas, indicam uma queda de 0,3 por cento nas emissões desses sectores no ano passado, num contexto em que o consumo total de energia cresceu 3,5 por cento.

A produção de energia limpa representou 40 por cento do total da geração eléctrica em 2025, face a 37 por cento no ano anterior, com destaque para a energia solar, que ultrapassou a eólica. Registaram-se ainda aumentos mais modestos na produção hidroeléctrica e nuclear.

Apesar da descida das emissões associadas à energia e à indústria, a China – o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa – continua fortemente dependente do carvão. O consumo total deste combustível aumentou 0,1 por cento em 2025, embora a sua quota no cabaz energético tenha recuado ligeiramente.

A China comprometeu-se a atingir o pico das emissões antes de 2030 e a alcançar a neutralidade carbónica até 2060.

3 Mar 2026

Rússia, China e Irão pedem diálogo entre Afeganistão e Paquistão

Os governos da Rússia, China e Irão pediram sexta-feira ao Afeganistão e ao Paquistão que dialoguem para conseguir paz, após o início de um novo conflito bilateral.

O apelo dos três países surge depois de o Governo paquistanês ter declarado “guerra aberta” contra os talibãs, após uma onda de ataques das forças afegãs na quinta-feira, que levou Islamabad a lançar ataques aéreos contra a capital, Cabul, e outras cidades afegãs como Kandahar.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Sakharova, manifestou, num comunicado, a sua “preocupação” com a “escalada dramática dos confrontos armados” entre os dois países, que “envolvem unidades do exército regular, capacidades aéreas e armamento pesado”, provocando “baixas de ambos os lados, incluindo civis”.

“Apelamos ao Afeganistão e ao Paquistão, ambos nossos aliados, a abandonarem este confronto perigoso e a regressarem à mesa das negociações para resolver todas as diferenças por meios políticos e militares”, declarou Sakharova.

A Rússia é o único país do mundo que reconheceu oficialmente o Governo talibã. Deixou de considerar o Estado Islâmico um grupo terrorista em Abril de 2025 e recebe frequentemente delegações do Afeganistão. Já a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, enfatizou que Pequim “está a acompanhar de perto a situação”, durante uma conferência de imprensa.

“O Paquistão e o Afeganistão são vizinhos próximos e ambos são vizinhos da China. Como vizinha e amiga, a China está profundamente preocupada com a escalada do conflito e profundamente entristecida pelas vítimas que este causou”, observou Mao Ning.

A porta-voz chinesa sublinhou que o seu país “apoia a luta contra todas as formas de terrorismo” e pediu que os dois lados “mantenham a calma e a moderação, resolvam adequadamente as suas diferenças e disputas através do diálogo e das consultas, alcançando um cessar-fogo o mais rapidamente possível para evitar mais sofrimento”.

O diálogo “está em consonância com os interesses fundamentais de ambos os países e dos seus povos e ajudará a manter a paz e a estabilidade na região”, referiu a responsável chinesa.

“A China tem estado a mediar [o conflito] entre o Paquistão e o Afeganistão através dos seus canais e está preparada para continuar a desempenhar um papel construtivo na redução das tensões e na melhoria das relações entre os dois países”, argumentou Mao, observando que Pequim “prestará assistência aos seus cidadãos, se necessário”, sem comentar, para já, a possibilidade de iniciar um processo de retirada.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, declarou nas redes sociais, ainda antes de ver o seu país atacado por americanos e israelitas, que “no mês sagrado do Ramadão, mês de moderação e fortalecimento da solidariedade no mundo islâmico, é apropriado que o Afeganistão e o Paquistão resolvam as suas diferenças no âmbito da boa vizinhança e através do diálogo”.

“A República Islâmica do Irão está pronta para prestar toda a assistência necessária para facilitar o diálogo e reforçar o entendimento e a cooperação entre os dois países”, acrescentou o ministro iraniano.

Mortes anunciadas

O ministro da Informação do Paquistão, Ataullah Tarar, declarou sexta-feira que os ataques paquistaneses, parte da Operação “Ira da Verdade”, mataram mais de 130 alegados combatentes talibãs, antes de sublinhar que “estima-se que haja muitas mais vítimas em ataques contra alvos militares em Cabul, Paktia e Kandahar”.

O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, confirmou os bombardeamentos, embora tenha negado qualquer número de vítimas, depois de as autoridades afegãs terem afirmado que a sua onda de ataques na quinta-feira resultou na morte de mais de 50 soldados paquistaneses ao longo da Linha Durand — a fronteira de 2.640 quilómetros entre os dois países.

As hostilidades eclodiram dias depois de as autoridades afegãs terem denunciado os ataques aéreos paquistaneses perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, afirmando que os ataques mataram mais de uma dezena de civis.

Islamabad argumentou que os ataques aéreos visavam “campos terroristas e esconderijos” do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como talibã paquistanês, e do grupo Estado Islâmico (EI), em resposta aos recentes ataques suicidas em solo paquistanês.

2 Mar 2026

Ucrânia | China vê esperança nas negociações sobre apesar de divergências

A China afirmou sexta-feira que existe esperança nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, apesar das divergências entre as partes, e indicou que os contactos em curso começaram a centrar-se em “questões substantivas” do conflito.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Mao Ning declarou que “a via para a paz não será alcançada da noite para o dia, mas enquanto houver diálogo, há esperança”, ao comentar as recentes rondas de conversações entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia e outra prevista para o início deste mês.

Segundo Mao, embora persistam diferenças, as partes “estão empenhadas no diálogo” e começaram a focar-se em matérias de fundo relacionadas com a crise.

A responsável acrescentou que, durante o encontro desta semana entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, o líder chinês reiterou a “posição de princípio” de Pequim, baseada na procura de uma solução por via do diálogo e da negociação.

Mao defendeu a necessidade de assegurar a “participação equitativa de todas as partes”, atender às suas “preocupações legítimas” e promover uma “segurança comum” como base para um quadro de paz duradouro. A porta-voz reiterou que a China continuará a desempenhar “um papel construtivo à sua maneira” no apoio aos esforços de paz.

As declarações coincidem com o quarto aniversário do início da invasão russa da Ucrânia e surgem após acusações dos Estados Unidos nas Nações Unidas de que Pequim estaria a “facilitar” a máquina de guerra russa, alegações rejeitadas pelas autoridades chinesas.

Na véspera da visita de Merz, a diplomacia chinesa sublinhou ainda que a crise na Ucrânia “não é nem deve tornar-se um assunto entre a China e a Europa” e reiterou que Pequim mantém uma “posição objectiva e imparcial”, não sendo parte no conflito.

2 Mar 2026

Mar do Sul | Autoridades expulsam navios filipinos das águas de Huangyan Dao

A Guarda Costeira da China (GCC) expulsou na sexta-feira navios filipinos que invadiram ilegalmente as águas territoriais da China nas proximidades de Huangyan Dao, no Mar do Sul da China, indica a Xinhua.

Um grande número de navios filipinos entrou ilegalmente nas águas próximas a Huangyan Dao em 27 de Fevereiro. Ignorando riscos de colisão, cortaram repentinamente a rota de navegação à frente dos navios de patrulha da GCC, um acto deliberado de provocação, acrescenta a agência estatal chinesa.

Os navios da GCC permaneceram consistentemente e contidos durante todo o incidente e, de acordo com a lei, emitiram avisos verbais e controlaram as rotas de navegação, antes de expulsar com sucesso os navios filipinos invasores, de acordo com a GCC.

Os actos perigosos dos navios filipinos não só constituíram uma grave provocação contra as operações de protecção dos direitos e aplicação da lei da GCC, como também reflectiram irresponsabilidade em relação à segurança pessoal dos tripulantes filipinos, afirmou a GCC. A China tem cumprido consistentemente as suas responsabilidades de resgate marítimo, mas nunca permitirá que qualquer país infrinja a sua soberania sob qualquer pretexto, acrescentou.

2 Mar 2026

USAID | Recuo dos EUA criou situações humanitárias trágicas

O antigo dirigente de Hong Kong e actual vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Leung Chun-ying, critica o súbito abandono americano de organizações humanitárias e reafirma o compromisso da China na ajuda global aos países mais necessitados

Vitor Quintã, agência Lusa

Leung Chun-ying, antigo líder do Governo de Hong Kong, disse à Lusa que o encerramento da agência de ajuda internacional dos Estados Unidos (EUA) aumentou a necessidade de assistência humanitária no mundo, criando situações “de partir o coração”.

Em Julho, Washington anunciou o fim das operações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), afectando dezenas de países que dependiam dessa assistência. “Estamos realmente tristes por ver países que dependiam da assistência dos EUA a serem apanhados de surpresa”, disse, em entrevista à agência Lusa, o presidente da fundação GX, que opera em 10 países.

O desmantelamento da USAID, que por si só representava 42 por cento da ajuda humanitária em todo o mundo, começou em Fevereiro de 2025, pouco depois de Donald Trump regressar à presidência dos EUA. “Os EUA não os avisaram com antecedência suficiente, pelo que estes países não estavam preparados”, lamentou Leung, que liderou o Governo da região chinesa entre 2012 e 2017.

Moçambique foi o Estado de língua portuguesa que mais ajuda recebeu da USAID em 2023, totalizando 664,1 mil milhões de dólares, seguido de Angola, Brasil e Timor-Leste. “Quando alguém está doente, precisa de tratamento imediato. Mas quando os médicos não têm os recursos necessários, é uma situação muito triste, de partir o coração, realmente”, lamentou Leung Chun-ying.

“Em alguns países, devido à retirada repentina dos norte-americanos, até falta o paracetamol, um simples analgésico”, sublinhou o antigo político. Outros doadores ocidentais tradicionais também seguiram o exemplo dos EUA e reduziram as contribuições.

“As necessidades aumentaram. Mas esta mensagem não foi realmente transmitida às pessoas, porque há muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo no mundo”, lamentou Leung. “A comunicação social tem estado muito ocupada com as notícias do dia-a-dia. Mas as necessidades são enormes”, referiu o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

Compromisso chinês

O responsável sublinhou que “a China já declarou publicamente que fará mais para demonstrar o seu compromisso como um dos maiores países do mundo”, mas defendeu que “isso não deve recair sobre os ombros de um só país”.

Em 07 de Janeiro, Donald Trump retirou os EUA de 66 organizações internacionais, 31 delas ligadas às Nações Unidas, já depois de cortado o financiamento à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Leung Chun-ying recordou que, em Maio, a China prometeu dar mais 500 milhões de dólares à OMS nos próximos cinco anos, para mitigar o impacto da saída dos EUA. “A China apoia o sistema da ONU. A ONU não é perfeita, mas também não é substituível. Continuamos a depender da ONU e das agências da ONU, incluindo a OMS”, referiu o dirigente.

Questionado sobre o possível impacto do Conselho da Paz, criado por Donald Trump, que avisou que pode tornar a ONU obsoleta, Leung Chun-ying disse apenas que este novo órgão “ainda está em formação”.

2 Mar 2026

ODH | Uigures deportados em paradeiro desconhecido

O Observatório de Direitos Humanos (ODH) denunciou ontem que 40 uigures – minoria muçulmana chinesa – deportados há um ano da Tailândia para a China estão “em paradeiro desconhecido”, após Banguecoque ter interrompido as visitas periódicas a que se comprometeu.

As autoridades tailandesas deportaram em 27 de Fevereiro de 2025 os 40 uigures que se encontravam há cerca de uma década na Tailândia, ao abrigo de um acordo com Pequim. A decisão foi criticada pelas Nações Unidas e por organizações de defesa dos direitos humanos.

“Colocaram 40 uigures em camiões com vidros escurecidos e enviaram-nos à força para a China”, recordou o Observatório de Direitos Humanos (Human Rights Watch, em inglês), na véspera de se cumprir um ano da deportação.

Segundo o ODH, a Tailândia suspendeu em Junho as visitas que se tinha comprometido a realizar periodicamente à região de Xinjiang, no noroeste da China, com o objectivo declarado de garantir o bem-estar dos deportados.

A última visita oficialmente comunicada por Banguecoque ocorreu em Março do ano passado, quando uma delegação liderada pelos então ministros da Defesa e da Justiça visitou 14 dos deportados.

27 Fev 2026

Hong Kong | Jimmy Lai vence recurso contra condenação

O ex-magnata de Hong Kong Jimmy Lai ganhou o recurso contra uma condenação por fraude de 2022, poucos dias após ser condenado a 20 anos de prisão por conluio com o exterior e publicação sediciosa.

“Validamos os recursos, anulamos os veredictos e suspendemos as penas” no processo por fraude, declarou o juiz do Tribunal Superior de Hong Kong Jeremy Poon. Lai não compareceu em tribunal, permanecendo detido. A decisão representa uma vitória surpreendente para Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, actualmente com 78 anos.

O caso de fraude pelo qual foi condenado em 2022 teve origem numa disputa sobre um contrato de arrendamento e não estava relacionado com as acusações que enfrentava ao abrigo da lei de segurança nacional. Jimmy Lai tinha sido condenado neste caso a cinco anos e nove meses de prisão por um esquema “planeado, organizado e de vários anos”, como qualificou na altura o juiz de primeira instância.

Durante o julgamento, a acusação argumentou que uma empresa de consultoria operada por Lai a título pessoal ocupava escritórios que o Apple Daily tinha arrendado para as operações de publicação e impressão do jornal. Lai foi condenado por violar os termos do contrato de arrendamento que o Apple Daily assinou com uma empresa estatal, o que a acusação caracterizou como fraude.

Os advogados de defesa argumentaram que o caso deveria ter sido tratado na esfera cível e não na criminal, acrescentando que a dimensão dos locais em causa era mínima.

O ex-executivo do Apple Daily Wong Wai-keung foi também acusado no mesmo caso e condenado a 21 meses de prisão. Em 10 de Fevereiro, um tribunal de Hong Kong condenou Jimmy Lai a 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa.

27 Fev 2026

Japão | Natalidade desce pelo décimo ano consecutivo

O número de nascimentos no Japão diminuiu em 2025 pelo décimo ano consecutivo, de acordo com dados publicados ontem pelo Ministério da Saúde japonês, acentuando os desafios enfrentados pela primeira-ministra, Sanae Takaichi.

No total, 705.809 bebés nasceram no arquipélago no ano passado, de acordo com os dados preliminares, uma queda de 2,1 por cento em relação a 2024. As estatísticas também incluem nascimentos de estrangeiros no Japão, bem como bebés nascidos no exterior de pais japoneses.

Notícias mais positivas são os 505.656 matrimónios, um número que representa um aumento de 1,1 por cento. O número de divórcios diminuiu 3,7 por cento, para 182.969 casos. Dados revelam ainda que o Japão registou 1.605.654 óbitos, ou seja, menos 13.030 do que em 2024, uma diminuição de 0,8 por cento.

De acordo com o Ministério dos Assuntos Internos, a população total do país era estimada em Fevereiro em 122,86 milhões de habitantes, uma queda de 0,47 por cento (580.000 pessoas) num ano. A quarta maior economia mundial apresenta uma das taxas de natalidade mais baixas do planeta e uma população em declínio.

Esta evolução já está a causar uma série de problemas no país, incluindo escassez de mão-de-obra, custos cada vez mais pesados com a segurança social e um número reduzido de activos a pagar impostos. Contribui também para agravar a elevada dívida do país, que já apresenta o rácio de endividamento mais elevado entre as grandes economias.

Sem sucesso

Números publicados no ano passado mostraram que o país tinha cerca de 100 mil centenários, dos quais quase 90 por cento eram mulheres.

Os sucessivos líderes japoneses, incluindo Takaichi, a primeira mulher à frente do país, prometeram travar a queda das taxas de natalidade, mas com sucesso limitado. A prefeitura de Tóquio chegou a desenvolver uma aplicação de encontros, que exige que os utilizadores forneçam documentos a comprovar que são solteiros e assinem uma carta a atestar que querem casar-se.

“A queda da taxa de natalidade e a diminuição da população constituem uma situação de emergência silenciosa que irá corroer progressivamente a vitalidade do nosso país”, afirmou Takaichi na semana passada no parlamento.

O Partido Liberal Democrático (PLD), que a dirigente lidera, obteve uma maioria de dois terços na câmara baixa do parlamento nas eleições legislativas de 08 de Fevereiro. Recorrer à imigração contribuiria para reverter o declínio demográfico do Japão e os problemas decorrentes no mercado de trabalho.

Sob pressão do partido anti-imigração Sanseito e do slogan desta formação política “os japoneses primeiro”, a primeira-ministra ultraconservadora prometeu, no entanto, um endurecimento das medidas em matéria de imigração.

27 Fev 2026

JD.com | Magnata quer democratizar posse de iates

O fundador do gigante chinês do comércio electrónico JD.com criou uma nova marca de iates com a qual espera que, a longo prazo, passem a existir na China embarcações que deixem de ser percepcionadas como “inalcançáveis”.

Liu Qiangdong apresentou a iniciativa após assinar esta semana acordos estratégicos com os governos das cidades de Shenzhen e Zhuhai (cidade vizinha de Macau), na província de Guangdong, onde a empresa prevê instalar a sua sede chinesa e construir uma base de fabrico de iates, noticiou o jornal económico 21st Century Business Herald.

Segundo declarações citadas pelo diário, o empresário afirmou que, embora a marca se posicione no segmento de gama alta, o desenvolvimento da cadeia de abastecimento nacional e a coordenação industrial poderão tornar plausível que “os iates entrem em milhares de lares, como os automóveis”.

O milionário estimou um custo de venda ao público de 14.000 dólares. Liu recordou que, há 40 anos, o automóvel também era considerado um bem “fora do alcance da maioria”. O empresário salientou ainda que, apesar de a China já ultrapassar os Estados Unidos no número de automóveis em circulação, o país conta com cerca de 12.000 iates, face aos 13 milhões registados nos EUA, diferença que, no seu entender, revela um “enorme potencial de desenvolvimento” no mercado náutico chinês.

O projecto prevê um investimento de 5.000 milhões de yuan para competir com fabricantes internacionais e promover o desenvolvimento da cadeia de abastecimento local, numa altura em que mais de 90 por cento dos componentes de iates de gama alta são actualmente importados da Europa e dos Estados Unidos.

27 Fev 2026

Comércio | Países lusófonos importaram valor recorde de produtos chineses em 2025

Os países lusófonos importaram em 2025 produtos da China no valor de 88,1 mil milhões de dólares, uma subida homóloga de 3,1 por cento e o montante mais alto de sempre, segundo dados oficiais quarta-feira divulgados.

O valor, que corresponde a 74,8 mil milhões de euros, é o mais elevado desde que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) começou a apresentar estes dados, em 2013.

O Brasil continua a ser o maior comprador no bloco lusófono, apesar das importações vindas da China terem caído 0,7 por cento em comparação com 2024, para 71,6 mil milhões de dólares, de acordo com a informação dos Serviços de Alfândega da China.

Pelo contrário, o segundo na lista, Portugal, comprou à China mercadorias no valor de 7,19 mil milhões de dólares, um aumento de 17,7 por cento. Na direção oposta, as exportações dos países de língua portuguesa para a China caíram 1,4 por cento em 2025, para 137,7 mil milhões de dólares, o valor mais baixo desde 2021, no pico da pandemia de covid-19.

27 Fev 2026

Merz: Segundo dia de visita à China centrado na tecnologia

O chanceler alemão, Friedrich Merz, chegou ontem à cidade chinesa de Hangzhou para cumprir uma última etapa da sua visita oficial centrada na vertente tecnológica, depois de na véspera, em Pequim, ter defendido o aprofundamento da cooperação económica.

Merz deslocou-se à capital da província oriental de Zhejiang após uma manhã em Pequim, onde visitou a Cidade Proibida e instalações do construtor automóvel Mercedes-Benz, antes de viajar para um dos principais polos tecnológicos da China, sede de gigantes do comércio electrónico como a Alibaba.

Em Hangzhou, o chanceler deverá reunir-se com autoridades locais e visitar empresas ligadas à inovação tecnológica e à robótica, numa agenda focada em sectores considerados estratégicos para a cooperação industrial e digital entre os dois países.

Merz encontra-se na China acompanhado por uma delegação de cerca de 30 grandes empresas alemãs, incluindo Volkswagen, BMW, Siemens e Bayer.

O director executivo e membro do conselho da Câmara de Comércio Alemã no norte e nordeste da China, Oliver Oehms, afirmou ao jornal 21st Century Business Herald que a delegação “reflecte bem a estrutura geral dos negócios alemães na China”, incluindo grandes grupos e um número significativo de empresas de média dimensão, conhecidas na Alemanha como “campeões ocultos”.

Segundo Oehms, em comparação com visitas de anteriores chanceleres, “o tamanho da delegação, com cerca de 30 empresas, é maior e o nível dos seus dirigentes também é mais elevado”, o que demonstra a importância atribuída pelo sector empresarial à deslocação.

Quanto aos resultados da visita, considerou que “não devem ser avaliados apenas pelo número de acordos assinados”, mas pela capacidade de aprofundar e elevar as relações comerciais bilaterais, acrescentando que a deslocação poderá funcionar como um “botão de reinício” para abrir uma nova fase na cooperação entre a China e a Alemanha.

Na quarta-feira, O chanceler alemão anunciou uma encomenda de “até 120” aviões feita pela China ao construtor aeronáutico europeu Airbus”, indo ao encontro da vontade do Presidente chinês de novos progressos nas relações bilaterais.

Parceiros de confiança

Também na quarta-feira, em Pequim, Merz reuniu-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, que afirmou que a China apoia uma Europa “independente e auto-suficiente”, num contexto de tensões comerciais entre Pequim e a União Europeia.

O líder chinês defendeu que ambas as partes actuem como “parceiros fiáveis” e apelou à preservação da estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento, numa altura em que a Alemanha enfrenta pressões económicas internas e um défice orçamental recorde que reacendeu o debate político em Berlim.

Antes do encontro com Xi, Merz reuniu-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang. Após a reunião, as duas partes assistiram à assinatura de cinco acordos nas áreas da cooperação climática, prevenção de doenças animais e comércio de produtos avícolas.

27 Fev 2026

EUA / China | Marco Rubio destaca “estabilidade estratégica” nas relações

Em contagem decrescente para a visita Donald Trump a Pequim, o secretário de Estado norte-americano destaca o um alívio das tensões entre as duas nações

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira que os Estados Unidos e a China alcançaram “estabilidade estratégica” nas relações, marcadas por tensões prolongadas.

“Penso que alcançámos pelo menos uma espécie de estabilidade estratégica nas nossas relações”, declarou Rubio aos jornalistas, antes da visita prevista do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, no final de Março.

O chefe da diplomacia norte-americana considerou, durante uma deslocação às Caraíbas, que ambos os países concluíram que uma guerra comercial global total entre Washington e Pequim seria “profundamente prejudicial” para as duas partes e para o resto do mundo. Marco Rubio e Donald Trump têm considerado a China um adversário estratégico no plano internacional.

Rubio sublinhou, contudo, que os Estados Unidos continuarão a manter cautela em relação a Pequim e a procurar diversificar cadeias de abastecimento, de forma a reduzir a dependência da China. Comprometeu-se também a prosseguir os esforços para que a China aceite negociar um acordo nuclear tripartido com os Estados Unidos e a Rússia.

Encontro em Genebra

Um alto responsável norte-americano reuniu-se esta semana, em Genebra, com homólogos russos e chineses, após o fim da validade do tratado New START sobre controlo de armamento nuclear.

Washington apelou ainda para o lançamento de negociações multilaterais que incluam a China. “Eles disseram publicamente que não querem fazê-lo”, afirmou Rubio, referindo-se a Pequim.

“Mas continuaremos a pressionar, porque acreditamos que seria positivo para todos alcançarmos um acordo dessa natureza”, acrescentou. A Rússia e os Estados Unidos detêm, de longe, os maiores arsenais nucleares do mundo, embora o da China esteja a crescer rapidamente.

Donald Trump deverá deslocar-se à China no final de Março, naquela que será a sua primeira visita ao país desde o início do segundo mandato.

Marco Rubio indicou que tenciona acompanhar o Presidente. Em 2020, quando era senador, foi alvo de sanções impostas por Pequim devido ao seu apoio aos direitos humanos em Hong Kong e junto da minoria chinesa de origem muçulmana uigur.

27 Fev 2026

Coreia do Sul | Subida de 6% nos nascimentos

A Coreia do Sul anunciou ontem um aumento de mais de 6 por cento no número de nascimentos em 2025, mas a taxa de fecundidade mantém-se abaixo do mínimo necessário para travar o declínio populacional. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério de Dados e Estatísticas da Coreia do Sul, o número de nascimentos cresceu pelo segundo ano consecutivo e registou o maior aumento anual desde 2010.

Em resultado, a taxa de fecundidade da Coreia do Sul, ou seja, o número médio de filhos por mulher, subiu ligeiramente, de 0,75 para 0,8. Um valor que permanece abaixo do mínimo de 2,1 necessário para manter a população actual da Coreia do Sul.

A diretora da divisão de tendências demográficas do ministério, Park Hyun-jeong, disse que o aumento do número de casamentos na Coreia do Sul desempenhou um papel importante nesta tendência.

A Coreia do Sul tem uma das taxas de fertilidade mais baixas do mundo. O Governo tem gasto milhares de milhões de euros para incentivar as mulheres a terem mais filhos, com pouco sucesso até agora. De acordo com várias projecções, ao ritmo actual, a população da Coreia do Sul passará dos actuais 51 milhões para quase metade, 26,8 milhões, até ao final do século.

Especialistas dizem que existem várias razões para a baixa taxa de natalidade da Coreia do Sul, incluindo o elevado custo de criar filhos e uma economia competitiva, que dificulta o acesso a empregos bem remunerados.

No início de Fevereiro, o autarca de Jindo (sudoeste), Kim Hee-soo, gerou controvérsia ao sugerir que as comunidades rurais poderiam combater o declínio demográfico atraindo mulheres do Vietname ou do Sri Lanka.

26 Fev 2026

FMI | China deve priorizar crescimento liderado pelo consumo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou ontem à China para tornar a transição para um modelo de crescimento assente no consumo uma “prioridade central”, instando também Pequim a reduzir uma “política industrial injustificada”, face a crescentes desequilíbrios externos.

As recomendações da equipa técnica do FMI, divulgadas antes das reuniões anuais da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo da China), reforçam os apelos a um reequilíbrio económico, sobretudo depois de o excedente comercial recorde registado pela China no ano passado ter intensificado preocupações globais.

“A China precisa de avançar de forma decisiva para um crescimento liderado pelo consumo”, afirmou Sonali Jain-Chandra, chefe da missão do FMI para a China, citada pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.

A responsável acrescentou que o FMI acolhe positivamente a ênfase dada ao consumo nas propostas do 15.º Plano Quinquenal e no comunicado da Conferência Central de Trabalho Económico de dezembro, que definiu as prioridades para o ano.

No relatório anual sobre a economia chinesa – a chamada consulta ao abrigo do Artigo IV – o FMI defende um estímulo orçamental mais robusto para impulsionar o consumo e aliviar as fragilidades do sector imobiliário, a par de maior protecção social, novo alívio monetário e maior flexibilidade cambial.

“O modelo de crescimento liderado pelo consumo deve ser a prioridade central”, sublinhou o conselho executivo do FMI, acrescentando que deve ser mantida uma orientação expansionista até que as pressões deflacionistas diminuam de forma duradoura.

O relatório considera que as medidas adoptadas até agora “permanecem insuficientes face à dimensão dos desafios” e recomenda uma expansão orçamental adicional equivalente a 0,8 por cento do PIB em 2026, face ao cenário de base.

O FMI projecta que o crescimento económico chinês abrande para 4,5 por cento em 2026, após uma expansão de 5 por cento no ano passado.

26 Fev 2026

Japão | PM enfrenta polémica sobre ofertas a deputados

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, encontra-se no centro de uma polémica relacionada com ofertas concedidas a deputados do seu partido, após a vitória expressiva da formação nas eleições legislativas do início de Fevereiro.

Mais de 300 eleitos do Partido Liberal-Democrata (PLD) puderam escolher um artigo de um catálogo, “em sinal de apreço pelo seu sucesso numa eleição muito difícil”, escreveu Takaichi numa mensagem publicada na rede social X, assegurando que não foram utilizados fundos públicos.

A questão surge num contexto sensível, depois do escândalo das “caixas negras”, envolvendo milhões de ienes, que atingiu o PLD em 2023 e levou à queda do então primeiro-ministro Fumio Kishida. A indignação dos eleitores em relação a esse caso contribuiu também para a perda da maioria parlamentar do seu sucessor, Shigeru Ishiba, em 2024 e 2025.

Takaichi afirmou ontem no Parlamento que o custo dos presentes, incluindo portes e impostos, foi de cerca de 30.000 ienes (164 euros) por pessoa, tendo sido suportado por um fundo da secção local do PLD na província de Nara, que lidera. Na mesma mensagem na rede social X, acrescentou esperar que os presentes “sejam úteis no futuro trabalho enquanto legisladores”.

Também tu, Takaichi?

O portal Bunshun Online indicou que o catálogo em causa pertence à conhecida cadeia de grandes armazéns Kintetsu. O portal disponibiliza vários catálogos, incluindo um com artigos avaliados em 34.000 ienes (185 euros), como bicicletas, caranguejo ou estadias em hotéis de luxo.

Ishiba tinha sido criticado em Março passado por, segundo a imprensa, ter oferecido o equivalente a 100.000 ienes (544 euros) em vales de compra – pagos do seu próprio bolso – a 15 deputados recém-eleitos.

Após as novas revelações envolvendo Takaichi, Junya Ogawa, líder do principal partido da oposição, a Aliança Centrista Reformista, escreveu na rede social X: “As pessoas podem facilmente pensar: ‘Senhora primeira-ministra Takaichi, também a senhora?’ É mais um assunto sobre o qual terá de prestar esclarecimentos”.

A lei japonesa sobre financiamento político estabelece que particulares não podem fazer doações a candidatos a cargos públicos, mas que os partidos políticos, incluindo as suas estruturas locais, estão autorizados a fazê-lo.

26 Fev 2026

Nuclear | Pequim nega ter realizado testes e acusa EUA de querer pretexto para os retomar

A China qualificou ontem como infundadas as acusações dos Estados Unidos sobre alegados ensaios nucleares explosivos no seu território e acusou Washington de procurar pretextos para retomar os próprios testes atómicos.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou em conferência de imprensa que as acusações norte-americanas são “infundadas e evasivas” e “não têm qualquer fundamento”, reagindo a declarações recentes de uma delegação dos EUA na Conferência do Desarmamento, em Genebra.

Segundo Mao, a China “apoia firmemente os propósitos e objectivos” do Tratado de Proibição Completa dos Ensaios Nucleares e tem respeitado o compromisso dos cinco Estados com armas nucleares de manter uma moratória sobre testes.

A porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de “incriminar e difamar outros países” para escapar às suas obrigações internacionais em matéria de controlo de armamento, prática que, afirmou, “prejudica gravemente a sua credibilidade internacional”.

Pequim instou Washington a cumprir a moratória e a “defender o consenso internacional sobre a proibição de ensaios nucleares”.

As declarações surgem após o secretário de Estado adjunto norte-americano para o Controlo de Armamento e Não Proliferação, Christopher Yeaw, ter afirmado na segunda-feira, em Genebra, que os EUA dispõem de dados que apontam para um alegado teste chinês em 2020 no deserto de Lop Nur, além de alertar para a rápida expansão do arsenal nuclear chinês.

A troca de acusações coincide com a expiração, a 05 de Fevereiro, do tratado New START entre Estados Unidos e Rússia e com novos contactos diplomáticos em Genebra sobre o futuro do controlo de armamento nuclear, nos quais Washington defende que um eventual novo acordo inclua também a China.

26 Fev 2026

Hong Kong prevê fim de vaga deficitária e crescimento económico de até 3,5 por cento

A economia de Hong Kong deverá crescer até 3,5 por cento à boleia do regresso de um excedente orçamental, após anos três anos em défice, anunciou ontem o secretário das Finanças da região semiautónoma chinesa.

A economia de Hong Kong esteve “em alta” em 2025, com o comércio externo a manter-se forte, o consumo privado a recuperar e o investimento fixo a acelerar, afirmou Paul Chan durante a apresentação do orçamento para 2026, citado pelo portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP).

O responsável pela tutela das Finanças previu um crescimento de 2,5 por cento a 3,5 por cento na economia da região administrativa especial no atual ano fiscal (01 de Abril 2025 a 31 de Março 2026).

“A médio prazo, o proteccionismo persistirá em algumas das principais economias, enquanto a fragmentação da economia global continuará. No entanto, a ascensão do Sul Global e a remodelação do panorama global do comércio e do investimento irão desbloquear novos mercados e novas áreas de crescimento”, avaliou o secretário, ainda de acordo com a HKFP.

Paul Chan anunciou ainda que o excedente no ano fiscal de 2025-26 encerra uma série de três anos em défice orçamental. Impulsionadas pela procura por produtos electrónicos, as exportações de bens de Hong Kong cresceram 12 por cento, com aumentos a assinalar nas exportações para a China continental e para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), escreveu o portal.

Ainda de acordo com o HKFP, a cidade no sul da China registou um défice de 80,3 mil milhões de dólares de Hong Kong no ano fiscal de 2024-25, de 101,6 mil milhões de dólares de Hong Kong (em 2023-24 e de 122 mil milhões (em 2022-23.

Já o mercado de acções apresentou um “desempenho excelente”, de acordo com o responsável. O índice Hang Seng subiu 28 por cento ao longo do ano, enquanto as ofertas públicas iniciais (IPO) arrecadaram 280 mil milhões de dólares de Hong Kong, ficando em primeiro lugar globalmente.

Na apresentação do orçamento, o secretário das Finanças afirmou ainda que o Governo está empenhado em atrair mais empresas para se instalarem na região.

Em promoção

Instrumentos políticos, incluindo acordos de concessão de terrenos, subsídios financeiros e incentivos fiscais, vão ser implementados para promover indústrias e investimentos, anunciou, de acordo com a emissora pública RTHK [Radio Television Hong Kong].

O chefe das finanças de Hong Kong destacou, além disso, a importância de aumentar o apoio às empresas da China continental que estão a expandir-se a mercados internacionais.

Outra área de foco, referiu Paul Chan, passa por promover ainda mais Hong Kong como um centro internacional de convenções e exposições, com 100 milhões de dólares de Hong Kong a ser reservados para atrair exposições internacionais de grande escala com novos elementos.

A emissora noticiou ainda que Paul Chan anunciou que vai presidir ao novo “Comité sobre IA+ e Estratégia de Desenvolvimento Industrial” como parte dos trabalhos para garantir que todos os sectores da sociedade compreendem e utilizem a inteligência artificial.

26 Fev 2026

Visita | Merz quer reforçar laços de cooperação com a China

Apesar das preocupações com a concorrência comercial, a visita de do chanceler alemão deverá servir para fortalecer os laços económicos entre as duas nações

O chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu ontem em Pequim uma cooperação mais “justa” com a China, no arranque de uma visita ao principal parceiro comercial da Alemanha, cada vez mais visto no seu país como um forte concorrente.

“Temos preocupações muito concretas relativamente à nossa cooperação, que queremos melhorar e tornar mais justa”, afirmou Merz no início de conversações com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, no Grande Palácio do Povo, no centro de Pequim.

O chefe do Governo chinês apelou à Alemanha para trabalhar no sentido de “defender conjuntamente o multilateralismo e o livre-comércio”.

Merz, que chegou ontem a meio da manhã com uma ampla delegação empresarial, tinha prevista uma reunião e jantar com o Presidente chinês, Xi Jinping, naquela que é a sua primeira visita à China desde que assumiu funções, em 2025.

O chanceler afirmou ver “um grande potencial de crescimento” para duas das maiores economias do mundo, sublinhando, no entanto, a necessidade de um diálogo “aberto”.

Antes da partida, Merz indicou que pretendia abordar vários temas de divergência, como regras de concorrência, acesso aos mercados e segurança no abastecimento de terras raras, matérias-primas essenciais para muitas empresas alemãs e cuja produção é dominada pela China.

O responsável alemão quer também discutir a guerra na Ucrânia, contando com as boas relações de Pequim com Moscovo. “A voz de Pequim é ouvida, mesmo em Moscovo”, declarou. É o mais recente dirigente estrangeiro a deslocar-se a Pequim, num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, tem agitado a ordem internacional com novas tarifas e a revisão de antigas alianças.

“Hoje, a China tornou-se incontornável para todos”, afirmou Merz, na terça-feira. Nos últimos três meses, passaram por Pequim os líderes do Reino Unido, Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Irlanda ou França.

Da concorrência

Ao mesmo tempo, a indústria alemã enfrenta crescente pressão da concorrência chinesa. A maior economia europeia, fortemente dependente das exportações e durante anos sustentada pelo vasto mercado chinês, viu as vendas dos seus construtores automóveis diminuírem significativamente na China e enfrenta cada vez mais competição tecnológica chinesa a nível global.

Tal como outros parceiros da União Europeia, a Alemanha manifesta preocupação com a expansão dos veículos eléctricos chineses e com o escoamento para a Europa dos excedentes de produção da China.

Berlim alerta ainda para o uso, por parte de Pequim, de semicondutores e terras raras como instrumentos na disputa comercial global, como aconteceu em 2025, afectando severamente as cadeias de abastecimento, nomeadamente da indústria automóvel.

“Queremos e devemos adoptar uma política de redução de riscos, não apenas em relação à China”, afirmou Merz, sublinhando, contudo, que seria um erro associar essa estratégia a uma dissociação económica.

A Alemanha e outros países criticam as restrições de acesso ao mercado chinês, os subsídios considerados indevidos e a alegada subvalorização da moeda chinesa. Xi Jinping tem apresentado a China como um parceiro fiável e defensor do multilateralismo e do livre-comércio, promovendo uma relação de “ganhos para ambos” baseada no “respeito mútuo”.

Em 2025, a China travou uma intensa disputa comercial e diplomática com os Estados Unidos sob a presidência de Trump, cuja deslocação a Pequim está prevista para o final de Março.

Merz viajou acompanhado pelos presidentes executivos da Volkswagen, BMW e Mercedes. Hoje, assistirá à apresentação de veículos autónomos pela Mercedes e deslocar-se-á depois a Hangzhou, polo tecnológico, para visitar o grupo de robótica Unitree e a empresa Siemens Energy.

No ano passado, o défice comercial da Alemanha com a China aumentou mais de 22 mil milhões de euros, atingindo cerca de 89 mil milhões de euros.

26 Fev 2026

Ásia | Tailândia acusa Camboja de violar cessar-fogo na fronteira

O exército da Tailândia denunciou ontem uma troca de tiros com as forças cambojanas ao longo da fronteira e acusou o país vizinho de violar as tréguas de Dezembro, alegação que o Camboja negou categoricamente.

Segundo um comunicado militar tailandês, as forças cambojanas dispararam ontem uma granada de 40 milímetros contra uma patrulha na província fronteiriça de Sisaket, o que desencadeou uma resposta da Tailândia.

Não foram registados feridos entre as tropas de Banguecoque, segundo o comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“As forças tailandesas responderam disparando um [lança-granadas] M79 na direcção de onde provieram os disparos, de acordo com as regras de conduta militar, a título de aviso e em legítima defesa”, acrescentou o exército.

O porta-voz militar tailandês, Winthai Suvaree, declarou no comunicado que “as acções do Camboja violaram o acordo de cessar-fogo” de 27 de Dezembro de 2025, que pôs fim a três semanas de confrontos mortais na fronteira.

“Estas alegações são totalmente falsas, inventadas e distorcem grosseiramente os factos com a intenção deliberada de enganar a opinião pública e provocar tensões ao longo da fronteira entre o Camboja e a Tailândia”, reagiu o ministro da Informação cambojano.

Neth Pheaktra reiterou à AFP o “compromisso inabalável” de Phnom Penh com a trégua de Dezembro e com um acordo de cessar-fogo anterior, de curta duração, assinado em Outubro na presença do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Segundo o comunicado tailandês, o incidente pode ter resultado de uma “rotação de tropas cambojanas”, em que o novo pessoal, não familiarizado com os regulamentos, terá cometido “falhas operacionais”. Os dois reinos do Sudeste Asiático disputam há muito o traçado da fronteira de 800 quilómetros, definida durante o período colonial francês.

25 Fev 2026