Hoje Macau China / ÁsiaChina | Descobertos jazigos de petróleo com reservas estimadas em 100 milhões de toneladas A China anunciou a descoberta de vários jazigos de petróleo e gás de grande e média dimensão, com reservas de crude superiores a 100 milhões de toneladas, no âmbito de uma estratégia para reforçar a segurança energética. O ministério dos Recursos Naturais da China indicou que foram identificados 225 jazigos nas bacias de Tarim (noroeste), Ordos (norte) e na baía de Bohai (nordeste), segundo órgãos de comunicação locais. Desde o início desta nova ronda de exploração, Pequim deu prioridade ao petróleo e ao gás, com um investimento total próximo de 450 mil milhões de yuan, acrescentou um porta-voz. Entre as descobertas, incluem-se 13 campos petrolíferos com reservas superiores a 100 milhões de toneladas e 26 campos de gás com reservas acima de 100 mil milhões de metros cúbicos. O ministério destacou também avanços na exploração em profundidade, tanto em terra como no mar. Em terra, a China desenvolveu o seu primeiro poço de exploração até 10.000 metros de profundidade, denominado “Deep Earth Tak 1”, que permitiu detectar petróleo em camadas profundas. No mar, o campo de gás em águas ultraprofundas “Deep Sea One” entrou em fase de produção, colocando o país entre os mais avançados na exploração e extração de hidrocarbonetos em águas profundas, segundo as autoridades. O porta-voz sublinhou que os recursos de petróleo e gás são “cruciais” para a economia nacional, o bem-estar da população e a segurança energética.
Hoje Macau China / ÁsiaWuhan | Suspensas novas licenças para ‘robotáxis’ A China suspendeu a emissão de novas licenças para veículos autónomos após mais de uma centena de ‘robotáxis’ da gigante tecnológica Baidu ficarem imobilizados na cidade de Wuhan, informou ontem a agência Bloomberg. A medida impede as empresas de condução autónoma de acrescentarem novos veículos às frotas, iniciarem novos projectos-piloto ou expandirem-se para outras cidades, segundo a agência, que cita fontes com conhecimento do caso e não especifica a duração da suspensão. A medida ocorreu depois de as autoridades se mostrarem alarmadas com um incidente registado em 31 de Março em Wuhan, onde vários veículos do serviço Apollo Go, da Baidu, pararam subitamente, deixando passageiros temporariamente presos e perturbando o tráfego. A polícia de trânsito local indicou que o centro de emergências recebeu chamadas a reportar múltiplos veículos parados no meio da estrada, sem capacidade de se mover. Segundo investigações preliminares citadas pelas autoridades, o problema terá sido causado por um “erro de sistema”. Não foram registados acidentes nem feridos, e os passageiros conseguiram sair dos veículos em segurança. Após o incidente, três organismos, incluindo o ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, reuniram-se este mês com responsáveis de cidades com projcetos de ‘robotáxis’ ou testes de condução autónoma, de acordo com as fontes citadas pela Bloomberg. Os reguladores pediram aos governos locais uma revisão completa e o reforço da supervisão de segurança, para evitar episódios semelhantes. Em expansão O Apollo Go é o principal operador de ‘robotáxis’ na China, com centenas de veículos em mais de uma dezena de cidades, e anunciou em Agosto um acordo com a norte-americana Lyft para lançar este ano serviços na Europa, começando pelo Reino Unido e Alemanha. Um mês antes, a Baidu tinha também estabelecido uma parceria com a Uber para disponibilizar táxis autónomos noutras regiões da Ásia e no Médio Oriente. A empresa, frequentemente apelidada de “Google chinês” por operar um motor de busca dominante num país onde o acesso ao Google é bloqueado, vinha a expandir os testes do Apollo Go a um número crescente de cidades, com o objectivo de atingir cerca de 100 até 2030. Segundo previsões da própria Baidu, o mercado de ‘robotáxis’ na China poderá ultrapassar 1,3 biliões de yuan nos próximos anos.
Hoje Macau China / ÁsiaOrmuz | Japão considera passagem de petroleiro “sucesso diplomático” O Governo japonês classificou ontem a passagem pelo estreito de Ormuz de um navio ligado à empresa petroquímica nipónica Idemitsu Kosan, com dois milhões de barris de crude, como um “sucesso diplomático”, informou a emissora pública NHK. “A passagem de navios ligados ao Japão pelo estreito de Ormuz tem sido solicitada repetidamente”, referiu um funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros – não identificado pela NHK -, notando que, para a diplomacia japonesa, “isto pode ser considerado um sucesso diplomático”. Uma outra fonte governamental citada pela NHK, também não identificada, recordou que outros navios ainda não podem atravessar livremente este estreito crucial. “Para garantir um abastecimento energético estável para o Japão, devemos continuar a exigir que todos os países garantam a liberdade de navegação e a segurança dos seus navios”, afirmou. Embora a empresa japonesa tenha recusado comentar a situação do navio por motivos de segurança, de acordo com um comunicado divulgado pela NHK, o portal de monitorização MarineTraffic indicou que o petroleiro Idemitsu Maru se encontrava ontem no golfo de Omã às 12:30, hora local, após ter atravessado o estreito de Ormuz, e espera-se que chegue à cidade japonesa de Nagoya em meados de Maio. A televisão estatal iraniana Press TV informou na terça-feira à noite sobre a travessia do Idemitsu Maru, um navio com bandeira panamenha gerido por uma filial da refinaria japonesa Idemitsu Kosan e carregado com petróleo bruto desde março passado na Arábia Saudita. “A passagem exigiu coordenação com Teerão”, indicou a Press TV. No entanto, fontes oficiais japonesas garantiram à NHK que Tóquio não pagou qualquer taxa ao Irão.
Hoje Macau China / ÁsiaHK | Multa ou prisão para posse ou consumo de cigarros electrónicos Uma nova lei em Hong Kong, que regula a posse de cigarros eletrónicos e que contempla penas de prisão, entrou ontem em vigor. O Governo do território pretende encerrar o mercado de dispositivos electrónicos de fumo, tabaco aquecido e cigarros sem tabaco, colocando a região semiautónoma na vanguarda das restrições globais contra os ‘vapes’. As novas normas visam produtos alternativos ao tabaco, proibindo a sua importação, fabrico, venda, promoção e, de forma inédita, posse e consumo em espaços públicos. A entrada destes artigos é proibida tanto por viajantes como através de mercadorias, com excepções técnicas em trânsito aeroportuário. As infrações por importação podem implicar multas até dois milhões de dólares de Hong Kong e penas de até sete anos de prisão. A produção, distribuição ou posse com fins comerciais é penalizada com até 50.000 dólares de Hong Kong e seis meses de prisão.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Defendido reforço da ONU para evitar que prevaleça “lei da selva” no mundo O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu ontem o reforço das Nações Unidas e do multilateralismo num contexto de crescente instabilidade global, para evitar que prevaleça a “lei da selva”. Wang expressou esta posição durante um encontro em Pequim com a presidente da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock, segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Perante um cenário internacional marcado por tensões crescentes e pela adoção de abordagens baseadas na força por alguns países, “é necessário manter o rumo correcto da unidade e da cooperação e não permitir que prevaleça a lei da selva”, afirmou Wang, citado no comunicado. O diplomata considerou que a organização e o multilateralismo enfrentam “sérios desafios” e alertou contra a hegemonia, a intimidação e a imposição da vontade do mais forte, defendendo antes um sistema baseado na equidade e na justiça. Wang descreveu a Assembleia Geral da ONU como a principal plataforma para a prática do multilateralismo e assegurou que a China continuará a defender este sistema internacional, promovendo o desenvolvimento comum e reforçando a governação global. Unidos venceremos Baerbock agradeceu o apoio da China às Nações Unidas e destacou o seu “papel fundamental” como membro fundador e permanente do Conselho de Segurança na defesa do direito internacional, segundo o mesmo comunicado. “Perante a crescente pressão sobre o multilateralismo e os ataques directos à Carta da ONU, os países devem unir-se mais do que nunca para apoiar a organização”, afirmou. Desde o início do conflito no Médio Oriente, Pequim tem apelado a uma solução negociada, apoiando iniciativas que contribuam para reduzir tensões, e defendendo que o Conselho de Segurança deve desempenhar um papel de desanuviamento e não “compactuar com actos de guerra ilegais”. A China tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.
Hoje Macau China / Ásia1 de Maio | Voos encarecem com subida das sobretaxas de combustível Os voos domésticos na China para o feriado de 1 de Maio registam este ano preços mais elevados do que em 2025 e antes da pandemia, pressionados pela subida dos custos energéticos ligada à guerra no Médio Oriente. O preço médio dos bilhetes em classe económica situava-se em 971 yuan em 27 de Abril, mais 12,9 por cento do que em 2025 e 23,2 por cento acima de 2019, segundo o portal de notícias Yicai. Os dados indicam ainda uma ligeira descida nos dias anteriores ao feriado, que decorre de 1 a 5 de Maio, com o valor médio a recuar de cerca de 1.000 yuan registados a 22 de Abril, numa tendência interpretada por alguns utilizadores como uma “queda” de preços em determinadas rotas. Contudo, fontes do sector citadas pelo mesmo meio referem que não se trata de uma descida generalizada, mas de ajustes normais em função da procura, após tarifas iniciais mais elevadas. O aumento dos preços surge depois da subida das sobretaxas de combustível aplicada desde o início de Abril, que fixam suplementos de 60 yuan para trajectos inferiores a 800 quilómetros e de 120 yuan para distâncias superiores. Apesar da pressão sobre os custos, o sector mantém previsões de “normalidade” na operação durante o feriado, com uma oferta de voos semelhante à do ano passado, indicou recentemente a Associação de Transporte Aéreo da China. A subida dos preços ocorre num contexto de impacto do conflito no Médio Oriente e das tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa das importações energéticas da China, aumentando a incerteza nos mercados. A guerra já encareceu directamente os custos energéticos e logísticos no país, obrigando as autoridades a intervir temporariamente para limitar a subida dos combustíveis.
Hoje Macau China / ÁsiaCuba | Pequim defende cooperação “legítima e transparente” em resposta a EUA A China defendeu ontem como “legítima e transparente” a cooperação com Cuba e rejeitou as acusações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre alegadas actividades de inteligência perto dos Estados Unidos. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que “a cooperação entre a China e Cuba é legítima e transparente”, quando questionado sobre se Pequim se considerava visada pelas declarações de Washington. Lin acrescentou que “fabricar pretextos, difundir rumores e difamar outros não pode servir de justificação” para o “bloqueio brutal e as sanções ilegais” impostas pelos Estados Unidos a Cuba. Segundo o responsável, essas medidas “não podem ocultar” que Washington “violou gravemente os direitos de sobrevivência e desenvolvimento” da ilha e “as normas básicas das relações internacionais”. O porta-voz reiterou que a China “apoiará firmemente Cuba na salvaguarda da sua soberania nacional e segurança” e instou os Estados Unidos a “pôr termo de imediato ao bloqueio, às sanções e a qualquer forma de coerção e pressão” contra o país. Rubio afirmou numa entrevista que os Estados Unidos “não permitirão” que países considerados adversários realizem operações de inteligência ou instalem bases militares perto do seu território. As declarações surgem num contexto de crescente pressão de Washington sobre Havana, que inclui sanções e advertências sobre possíveis medidas adicionais, bem como acusações recorrentes sobre a cooperação da ilha com outros países em áreas estratégicas. A China tem denunciado repetidamente o que classifica como “diplomacia coerciva” dos Estados Unidos em relação a Cuba e reiterado o seu apoio à ilha na defesa da soberania, opondo-se a sanções unilaterais e a qualquer forma de ingerência nos seus assuntos internos.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Energia solar deve superar o carvão até ao final do ano A capacidade instalada de energia solar na China deverá superar pela primeira vez a do carvão em 2026 e, juntamente com a eólica, representar metade do total, segundo previsões do sector eléctrico. O Conselho de Electricidade da China (CEC) indicou num relatório divulgado ontem que o consumo de eletricidade no país deverá crescer entre 5 por cento e 6 por cento este ano, impulsionado por uma expansão estável da economia e pelo desenvolvimento de novas infraestruturas ligadas à inovação e modernização industrial. Segundo o documento, intitulado “Relatório de análise e previsão sobre a situação nacional da oferta e da procura de electricidade”, a capacidade instalada de energia solar deverá ultrapassar a do carvão pela primeira vez, enquanto a soma da energia eólica e solar deverá atingir cerca de metade da capacidade total instalada até ao final de 2026. No âmbito dos objectivos de “duplo carbono” – que prevêem atingir o pico das emissões antes de 2030 e a neutralidade carbónica até 2060 –, a incorporação de novas energias deverá manter um ritmo elevado. A nova capacidade instalada este ano deverá ultrapassar os 400 milhões de quilowatts, dos quais mais de 300 milhões corresponderão a fontes renováveis. Como resultado, a capacidade total instalada de geração eléctrica na China deverá atingir cerca de 4.300 milhões de quilowatts até ao final do ano, com aproximadamente 63 por cento proveniente de fontes não fósseis, enquanto o peso do carvão deverá recuar para cerca de 31 por cento. Organizações como a Greenpeace consideram que a China se encontra num ponto de inflexão na transição energética, com o rápido crescimento da energia eólica e solar a poder contribuir para antecipar o pico de emissões. Ainda assim, alertam que a expansão do uso do carvão continua e que o ritmo de instalação de renováveis começa a mostrar sinais de abrandamento.
Hoje Macau China / ÁsiaÍndia | Homem leva corpo da irmã a banco para levantar dinheiro Um homem de uma comunidade tribal no estado de Odisha, no leste da Índia, levou os restos mortais da sua irmã a uma agência bancária para levantar as suas poupanças, depois de o banco se ter recusado a conceder-lhe acesso aos fundos. “Fui ao banco várias vezes e as pessoas disseram-me para trazer a titular da conta para levantar o dinheiro depositado em nome dela. Mesmo dizendo que estava morta, não me ouviram e insistiram para que a trouxesse ao banco. Cavei a campa e retirei o seu esqueleto como prova da sua morte”, contou Jeetu Munda aos meios de comunicação social. O incidente ocorreu depois de o banco ter exigido a certidão de óbito da irmã de Munda, documento necessário para processar o levantamento legalmente. Quando os funcionários se recusaram a processar o levantamento sem a certidão, Munda, que o banco alegou estar embriagado, colocou os restos mortais da irmã em frente à agência para comprovar a sua morte. Segundo o comunicado de imprensa divulgado ontem pelo Indian Overseas Bank, o principal do banco rural do país, a intenção da instituição era proteger os fundos na conta desta mulher que pertencia a uma comunidade tribal pobre, sublinhando que “não houve nenhum caso de assédio”. Segundo a polícia, a irmã de Munda faleceu há dois meses e tinha aproximadamente 19.300 rupias indianas (cerca de 170 euros) na sua conta bancária. O homem, que as autoridades dizem ser analfabeto, está a receber auxílio da polícia com a documentação necessária para obter a certidão de óbito que lhe permitirá recuperar o dinheiro da sua família.
Hoje Macau China / ÁsiaSeul | Ex-primeira dama condenada a quatro anos de prisão O tribunal de recurso da Coreia do Sul condenou ontem a ex-primeira-dama Kim Keon-hee a quatro anos de prisão, aumentando a pena inicial de 20 meses por corrupção. Na sentença transmitida em directo pela televisão sul-coreana, o Tribunal Superior de Apelação de Seul condenou Kim Keon-hee a quatro anos de prisão e impôs uma multa de 50 milhões de won (cerca de 29 mil euros). Kim Keon-hee, de 53 anos, é casada com o ex-chefe de Estado Yoom Suk Yeol, que desempenhou funções entre 2022 e 2025. Em Agosto de 2025, o Tribunal Distrital Central de Seul emitiu um mandado de detenção contra Kim Keon-hee por várias acusações de corrupção, incluindo suborno e fraudes no mercado bolsista incluindo manipulação de preços de acções. Na altura, a ex-primeira dama foi acusada também de influenciar indevidamente as listas de candidatos do Partido do Poder Popular. Em Dezembro de 2024, o ex-Presidente Yoom Suk Yeol declarou a lei marcial para alegadamente combater elementos “pró-Coreia do Norte” no Governo de Seul tendo revogado a medida poucas horas depois. Recentemente o Tribunal Distrital Central de Seul considerou-o culpado de liderar uma insurreição e condenou o ex-chefe de Estado a prisão perpétua.
Hoje Macau China / ÁsiaExecuções na Coreia do Norte aumentaram desde pandemia de covid-19 Um relatório divulgado ontem por uma organização não-governamental sul-coreana concluiu que a Coreia do Norte intensificou consideravelmente as execuções desde a pandemia, em particular por consumo de produtos culturais estrangeiros e infracções políticas. Pyongyang fechou as fronteiras em Janeiro de 2020 para travar a propagação do coronavírus e, nos anos seguintes, empenhou-se em reforçar a segurança, como atestam regularmente estudos de investigação e artigos da imprensa. Organizações não-governamentais (ONG) afirmam que o confinamento agravou as violações dos direitos humanos na Coreia do Norte, considerado um dos Estados mais repressivos do mundo. O relatório da ONG sul-coreana Transitional Justice Working Group (TJWG) revela que as condenações à morte e as execuções mais do que duplicaram nos quase cinco anos que se seguiram ao encerramento das fronteiras, em comparação com o mesmo período anterior a este. O TJWG recolheu dados junto de centenas de norte-coreanos que fugiram do país e de vários meios de comunicação social que mantêm redes de fontes no interior deste Estado isolado, desprovido de imprensa independente. Desde a pandemia, as autoridades intensificaram o recurso à pena capital para infracções como o consumo de filmes, séries e música sul-coreanos, indicou a organização. As condenações à pena de morte relacionadas com a cultura estrangeira, a religião e “a superstição” aumentaram 250 por cento após o encerramento das fronteiras, de acordo com o documento. Críticas fatais Além disso, o forte aumento das execuções por crimes políticos, tais como críticas ao líder Kim Jong-un, pode sugerir que o Governo “está a reagir a um descontentamento interno crescente ou a intensificar a violência de Estado para reprimir a contestação política”, estima a ONG. Quase três quartos das execuções foram realizadas em público, tendo a maioria das pessoas sido mortas a tiro, indica ainda o relatório. O Governo norte-coreano é também acusado de tortura, trabalhos forçados e restrições consideráveis à liberdade de expressão e de circulação. Além disso, á acusado de explorar quatro campos de prisioneiros políticos onde até 65 mil pessoas seriam sujeitas a trabalhos forçados, de acordo com um relatório de 2025 do Instituto Coreano para a Unificação Nacional.
Hoje Macau China / ÁsiaQinzhou | Chuvas intensas provocam inundações e evacuações Inundações provocadas por chuvas torrenciais deixaram carros submersos e forçaram a retirada de mais de 200 residentes na cidade de Qinzhou, no sul da China, segundo órgãos de comunicação estatais. Equipas de resgate mobilizaram barcos insufláveis para retirar moradores que ficaram presos nas suas casas, na cidade situada na região de Guangxi, informou a agência noticiosa oficial Xinhua. Imagens divulgadas pela agência mostraram socorristas a caminhar com água até ao peito, enquanto bombeiros transportavam idosos ao colo. As autoridades locais indicaram que a estação meteorológica de Qinzhou registou mais de 270 milímetros de chuva em 24 horas, até às 08:00 de segunda-feira, o valor mais elevado para um único dia de Abril. Num comunicado publicado na rede social WeChat, o analista meteorológico Lin Nan referiu que episódios de chuva tão intensa nas regiões costeiras do sul da China costumam ocorrer apenas após a chegada da monção de Verão, entre meados e o final de Maio, sendo raro no final de Abril. Na manhã de onetm, as escolas retomaram as aulas e o tráfego circulava normalmente na maioria das zonas da cidade, segundo um órgão de comunicação ligado às autoridades chinesas de gestão de emergências.
Hoje Macau China / ÁsiaPCC promete reforçar segurança energética face a conflito no Irão A cúpula do Partido Comunista Chinês apelou ontem ao reforço da segurança energética face ao impacto da subida dos preços do petróleo e do gás, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. O Presidente chinês, Xi Jinping, presidiu a uma reunião do Politburo na qual foi sublinhada “a necessidade de enfrentar de forma sistemática as perturbações e desafios provenientes do exterior”, segundo um comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial Xinhua. Perante a conjuntura, a liderança do PCC defendeu a importância de “responder às diversas incertezas com a certeza do desenvolvimento de alta qualidade”, numa referência ao novo modelo económico que Pequim procura consolidar, num contexto de abrandamento do crescimento. Os dirigentes apontaram ainda para uma política fiscal “mais proactiva” e uma política monetária “moderadamente flexível”, com liquidez “ampla” no sistema financeiro, bem como para medidas de estímulo à procura interna, estabilização do emprego e das expectativas dos mercados. Entre as preocupações destacadas, estão também a taxa de câmbio do yuan, o sector imobiliário, a concorrência excessiva em alguns sectores, a dívida oculta de governos locais e a necessidade de avançar na regulação da inteligência artificial. No plano energético, o Politburo apelou ao reforço da planificação e construção de novas redes hídricas e eléctricas, infraestruturas subterrâneas urbanas e sistemas de computação, comunicações e logística. “É necessário (…) promover o arranque de projectos-chave quando as condições forem adequadas”, refere o comunicado. Abastecimento garantido A reunião ocorreu um dia após um responsável da Administração Nacional de Energia ter destacado a resiliência do sector petrolífero chinês face aos riscos decorrentes da guerra com o Irão, classificando como garantido o abastecimento de crude e gás, graças ao aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços. O bloqueio ‘de facto’ do Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás mundiais antes do conflito, afetou toda a Ásia. No caso da China, a rota é particularmente sensível, dado que por ali passam cerca de 45 por cento das suas importações energéticas. O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis no país, obrigando as autoridades a limitar temporariamente os aumentos a cerca de metade do que resultaria do mecanismo habitual, tendo sido registada na semana passada a primeira descida em 2026. A China beneficiou parcialmente do contexto, com um aumento das exportações de tecnologias ‘verdes’, como painéis solares, baterias e veículos eléctricos, impulsionadas pela subida global dos preços do crude. Pequim condenou repetidamente os ataques de Washington e Telavive contra Teerão, mas sublinhou também a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Pena de prisão perpétua para menor de 15 anos por violar e matar uma colega Um tribunal chinês condenou ontem a prisão perpétua um menor que tinha 14 anos à data dos factos por violar e matar uma colega de 15 anos, num caso que reacendeu o debate sobre a delinquência juvenil no país. O Tribunal Intermédio da cidade de Qujing, na província de Yunnan, sudoeste da China, condenou o arguido, de apelido Jiang, a prisão perpétua pelos crimes de violação e homicídio intencional, além de lhe impor a privação de direitos políticos para toda a vida, informou a agência oficial China News Service. Segundo a sentença, os factos ocorreram entre a noite de 6 de Julho e a madrugada de 07 de Julho de 2025, quando o menor tentou agredir sexualmente a vítima, estudante do mesmo estabelecimento de ensino. Posteriormente, ao temer que o crime fosse descoberto, estrangulou-a com as mãos. O tribunal considerou que os actos constituem crimes de violação e homicídio intencional e devem ser punidos de forma conjunta, nos termos da lei. A mesma instância sublinhou que as circunstâncias foram “particularmente graves” e as consequências sérias, o que justificou a aplicação de uma pena severa. Ainda assim, por se tratar de um menor à data dos factos, a legislação chinesa não permite a aplicação da pena de morte, tendo o tribunal optado pela prisão perpétua após avaliar a natureza do crime e o impacto social. O julgamento contou com a presença de familiares da vítima, bem como de representantes de órgãos legislativos e conselheiros políticos, além de meios de comunicação social. Violência em debate O caso surge após outros episódios recentes que suscitaram preocupação com a violência entre menores na China. Em Dezembro de 2024, um tribunal da província de Hebei, norte do país, condenou a prisão perpétua um adolescente de 13 anos pelo homicídio de um colega de escola, num caso que gerou amplo debate sobre a responsabilidade penal de menores. O Código Penal chinês estabelece que menores entre os 12 e os 14 anos podem assumir responsabilidade penal em casos graves, mediante aprovação do Ministério Público. Nos últimos anos, vários casos reacenderam o debate sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção da violência nos ambientes escolares e de melhorar os sistemas de protecção de menores no país.
Hoje Macau China / Ásia MancheteChina / EUA | Representantes esperam que encontro entre Xi e Trump relance relações O encontro entre os dois líderes deverá acontecer entre 14 e 15 de Maio em Pequim Responsáveis chineses e norte-americanos indicaram ontem, em Hong Kong, esperar que visita prevista de Donald Trump à China, em Maio, relance as relações bilaterais entre os países. Durante numa conferência organizada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos em Hong Kong (AmCham), o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China naquele território, Cui Jianchun, afirmou que a forma como as duas maiores economias do mundo “se relacionam vai moldar o panorama global fundamental”. “O único caminho a seguir é através do diálogo e da consulta”, disse, acrescentando que relações estáveis “servem os interesses comuns da comunidade internacional”. Trump deverá visitar Pequim nos dias 14 e 15 de Maio para se reunir com Xi, naquela que será a primeira deslocação de um Presidente norte-americano em funções à China em quase uma década. A viagem, destinada a estabilizar as relações económicas e comerciais, estava prevista para Março, mas foi adiada devido à guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão. Está também prevista uma visita de Xi a Washington ainda este ano. Cui afirmou que a abordagem de Pequim assenta em “respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação mutuamente benéfica”, incluindo o respeito pelos sistemas políticos e interesses fundamentais de cada parte, bem como a gestão das divergências sem conflito. “Desde que a China e os Estados Unidos respeitem estes princípios, as relações bilaterais terão um futuro melhor”, afirmou. O responsável confirmou que as duas partes mantêm contactos sobre a visita planeada de Trump, acrescentando que relações “estáveis, sólidas e sustentáveis” irão “reforçar a confiança da comunidade empresarial norte-americana” e aprofundar a cooperação económica. No mesmo evento, a cônsul-geral dos Estados Unidos em Macau e Hong Kong, Julie Eadeh, destacou tanto as oportunidades como as tensões na relação bilateral. “Os desafios que enfrentamos na relação entre os Estados Unidos e a China são reais e, em alguns casos, estão a aumentar”, afirmou, reiterando o compromisso de Washington com o diálogo. “Os Estados Unidos procuram uma relação com a China assente na equidade e na reciprocidade, que torne o nosso país mais seguro, mais forte e mais próspero”, acrescentou, sublinhando a necessidade de “condições de concorrência equitativas” e de um “acesso ao mercado justo e recíproco”. Diálogo e incerteza Eadeh referiu que mais de 1.400 empresas norte-americanas operam em Hong Kong, atraídas pelos “mercados de capitais e conectividade internacional” do território, descrevendo a cidade como um espaço historicamente propício ao “diálogo construtivo”, embora reconhecendo que “a cidade mudou de forma significativa” e que a política dos EUA se ajustou. Pequim reforçou, desde 2023, o controlo de Hong Kong ao implementar duras medidas de segurança nacional e ao suprimir a oposição política local. David Butts, responsável pela AmCham em Hong Kong, afirmou que a conferência ocorre num momento de elevada incerteza. “Não há dúvida que o clima empresarial deste ano é dos mais turbulentos”, disse, classificando 2026 como “um ano decisivo” para as relações económicas entre EUA e China, e considerando que a suspensão de um ano de sanções comerciais impostas pelos EUA está prevista terminar em Novembro. “Estamos a antecipar desenvolvimentos significativos”, afirmou Butts, apontando para a possibilidade de vários encontros entre Trump e Xi este ano, bem como para marcos políticos importantes, incluindo a aprovação do novo plano económico quinquenal da China e a cimeira de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC na sigla inglesa), prevista para Novembro em Shenzhen.
Hoje Macau China / ÁsiaUE | China ameaça retaliar contra lei industrial O ministério do Comércio da China afirmou ontem que a proposta de lei do acelerador industrial da União Europeia introduz “barreiras graves ao investimento” e “discriminação institucional” contra empresas estrangeiras e advertiu que responderá se Bruxelas avançar. Em comunicado publicado no seu portal oficial, a tutela indicou que, na passada sexta-feira, apresentou formalmente às autoridades europeias os seus comentários ao projecto legislativo, nos quais expressa “grave preocupação” com o conteúdo. Segundo Pequim, a iniciativa impõe “numerosos requisitos restritivos” ao investimento estrangeiro em quatro scetores estratégicos emergentes e dominados pela China: baterias, veículos eléctricos, energia fotovoltaica e matérias-primas críticas. O ministério criticou ainda a inclusão de cláusulas “discriminatórias” de “origem UE” na contratação pública e nas políticas de apoio estatal. O ministério do Comércio sustentou que a proposta “poderia violar” princípios básicos como o de “nação mais favorecida” e o “tratamento nacional”, além de contrariar acordos internacionais sobre tarifas, investimento, propriedade intelectual ou subsídios. A tutela acrescentou que a lei prejudicaria as expectativas de investimento das empresas chinesas na Europa, seria contrária à “concorrência justa” e poderia travar a transição verde europeia, além de afetar o sistema multilateral de comércio. Resposta pronta Pequim instou Bruxelas a retirar do texto os requisitos considerados discriminatórios para investidores estrangeiros, as exigências de conteúdo local, as disposições sobre transferência forçada de tecnologia e propriedade intelectual e as restrições na contratação pública. O ministério avisou também que acompanhará de perto o processo legislativo e que, se a União Europeia “ignorar” as suas observações e a norma prejudicar empresas chinesas, Pequim “não terá mais opção senão adoptar contramedidas”. A Comissão Europeia apresentou o projecto em Março como um dos pilares da estratégia para reindustrializar o continente e reduzir dependências em sectores estratégicos face a potências como a China ou os Estados Unidos. A proposta prevê a exigência de um mínimo de produção europeia na atribuição de apoios públicos e a imposição de condições a grandes investimentos estrangeiros, o que afecta empresas chinesas.
Hoje Macau China / ÁsiaCorrupção | Julgamento de Netanyahu novamente adiado O depoimento do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no julgamento por corrupção foi ontem novamente adiado por motivos de segurança, noticiou a imprensa de Israel. O depoimento do primeiro-ministro, que estava previsto ser retomado ontem após um adiamento de relacionado com a guerra de Israel contra o Irão, foi suspenso uma hora antes do início, devido a “preocupações de segurança” evocadas pelo advogado, Amit Hadad. De acordo com os meios de comunicação israelitas Canal 12 e Ynet, que citaram o advogado de Netanyahu, não foi ainda anunciada a nova data para a continuação do julgamento do primeiro-ministro. Netanyahu solicitou formalmente um indulto ao Presidente israelita, Isaac Herzog, a 30 de Novembro do ano passado. No domingo, Herzog afirmou que não vai analisar o pedido até que as tentativas de chegar a um acordo extrajudicial com a acusação se esgotem. Antes da guerra com o Irão, o primeiro-ministro israelita comparecia em tribunal três vezes por semana para o julgamento dos casos de alegada corrupção em que está envolvido. Benjamin Netanyahu enfrenta três processos judiciais: dois casos por fraude e abuso de confiança, e um caso de corrupção considerado grave. Este último relaciona-se com alegados favores concedidos pelo primeiro-ministro — quando ainda era ministro das Comunicações — ao empresário Shaul Elovich, que controlava a empresa de telecomunicações Bezeq e o portal Walla News, em troca de uma cobertura mediática favorável.
Hoje Macau China / ÁsiaFarmácia | Indiana Sun Pharm compra grupo norte-americano Organon por 10.000 ME A farmacêutica indiana Sun Pharma anunciou ontem que concluiu um acordo para adquirir o grupo americano Organon, especializado em saúde das mulheres, por um montante avaliado em 11.750 milhões de dólares. O maior laboratório farmacêutico indiano comprará a totalidade das acções da Organon ao preço de 14 dólares por acção, no âmbito de uma transação totalmente em dinheiro, indicaram as duas empresas num comunicado conjunto. A aquisição foi aprovada pelos conselhos de administração dos dois grupos e deve estar concluída “no início de 2027”, sujeita à obtenção das aprovações regulatórias necessárias e ao acordo dos accionistas. Esta operação está “em linha recta” com o projecto da Sun Pharma de desenvolver a sua actividade de “medicamentos inovadores”, acrescenta o comunicado, destacando que também permite ao gigante indiano tornar-se um dos dez principais actores globais do mercado de biossimilares. “O portfólio, as capacidades e o alcance global da Organon são muito complementares aos nossos”, declarou o presidente da Sun Pharma, Dilip Shanghvi, num comunicado. “Acreditamos que a fusão destas duas organizações permitirá criar uma plataforma mais sólida e diversificada”, sublinhou. A presidente da Organon, Carrie Cox, estimou que esta aquisição representava um “valor imediato e convincente” para os accionistas. O laboratório americano Organon oferece medicamentos e soluções terapêuticas para mulheres, cobrindo uma gama que vai da contracepção à fertilidade, passando por doenças cardiovasculares e cancros. A Índia, frequentemente denominada “farmácia do mundo”, exportou mais de 31.000 milhões de dólares em medicamentos no último exercício fiscal.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim destaca “resiliência” do sector petrolífero apesar do conflito A China destacou ontem a “resiliência” do sector petrolífero face aos riscos da guerra no Irão e garantiu o abastecimento de energia, apoiado no aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços. Citado pelo jornal oficial Diário do Povo, o subdirector do Departamento Geral da Administração Nacional de Energia da China, Zhang Xing, afirmou que as autoridades reforçaram o sector nos últimos cinco anos para assegurar o fornecimento “em todas as circunstâncias”. Segundo o responsável, a produção de petróleo manteve-se acima de 200 milhões de toneladas anuais, atingindo novos máximos, enquanto a de gás natural registou nove anos consecutivos de crescimento, com aumentos superiores a 10 mil milhões de metros cúbicos por ano. Zhang destacou ainda o reforço das infraestruturas, com mais de 200.000 quilómetros de oleodutos e gasodutos de longa distância e uma capacidade de receção de gás natural liquefeito superior a 120 milhões de toneladas anuais, bem como uma rede de importações energéticas “mais diversificada”. Pequim tem respondido às “mudanças no ambiente externo” com uma estratégia baseada em “produção estável, importações diversificadas e regulação temporária de preços”, visando garantir “a estabilidade da economia” e satisfazer a procura interna, acrescentou. Ásia em foco O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás globais antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das represálias de Teerão, tem afectado sobretudo a Ásia, principal destino dessas exportações. No caso chinês, a situação naquela rota marítima é particularmente sensível, já que cerca de 45 por cento das importações de petróleo e gás do país passam pelo estreito. O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis na China, obrigando as autoridades a intervir temporariamente, embora na semana passada tenha sido registado o primeiro recuo dos preços em 2026. A China tem condenado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que defende o respeito pela soberania dos países do Golfo, com os quais mantém relações políticas, comerciais e energéticas estreitas.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Bloqueada aquisição da ‘startup’ Manus pela Meta A China bloqueou a aquisição da ‘startup’ de inteligência artificial Manus pela tecnológica norte-americana Meta, por 2.000 milhões de dólares invocando regras de segurança sobre investimento estrangeiro, segundo um comunicado oficial. Numa nota breve divulgada ontem, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma indicou que proibiu a operação e exigiu às partes envolvidas que abandonassem o negócio, sem mencionar directamente a Meta, dona do Facebook e do Instagram. A decisão foi tomada pelo mecanismo de revisão de segurança do investimento estrangeiro, ao abrigo da legislação chinesa, após as autoridades terem anunciado no início do ano que estavam a analisar o caso. A entidade não detalhou as razões concretas para o bloqueio. A Meta tinha anunciado em Dezembro a aquisição da Manus, uma empresa de inteligência artificial com raízes chinesas mas sediada em Singapura, num movimento pouco comum de uma grande tecnológica dos Estados Unidos sobre uma empresa ligada à China. A Manus desenvolve agentes de inteligência artificial de uso geral, capazes de executar tarefas complexas de forma autónoma, e a operação visava reforçar a oferta de IA da Meta nas suas plataformas. A empresa norte-americana tinha garantido que não haveria participação chinesa remanescente na Manus e que esta cessaria operações na China. Ainda assim, o ministério do Comércio chinês alertou, em Janeiro, que operações envolvendo investimento externo, exportação de tecnologia, transferência de dados e aquisições transfronteiriças devem cumprir a legislação nacional. Em reacção, a Meta afirmou ontem que a transacção “cumpriu plenamente a legislação aplicável” e disse esperar uma “resolução adequada” do processo.
Hoje Macau China / ÁsiaIndústria chinesa | Lucros sobem 15,5% no primeiro trimestre Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 15,5 por cento em termos homólogos no primeiro trimestre, reforçando a recuperação após três anos consecutivos de quedas, segundo dados oficiais divulgados ontem. De acordo com o Gabinete Nacional de Estatística da China, os ganhos destas empresas atingiram cerca de 1,7 biliões de yuan entre Janeiro e Março. O crescimento superou os 15,2 por cento registados no conjunto de Janeiro e Fevereiro – isolando Março, o indicador avançou 15,8 por cento –, mas ficou abaixo das previsões do portal especializado Trading Economics, que apontavam para uma subida de 18 por cento. Para este indicador, a autoridade estatística considera apenas empresas industriais com receitas anuais superiores a 20 milhões de yuan. O estatístico da instituição Yu Weining atribuiu a evolução positiva à adopção de “medidas macro mais proactivas e eficazes”, destacando o contributo de sectores como maquinaria, alta tecnologia e matérias-primas. No sector da maquinaria, a electrónica liderou o crescimento, com um aumento de 124,5 por cento nos lucros. Na indústria de alta tecnologia, o segmento da indústria “verde” duplicou os resultados, impulsionado pela procura associada à subida do preço do petróleo no contexto da guerra no Irão. Já no sector das matérias-primas, a indústria de metais não ferrosos registou um aumento de 116,7 por cento nos lucros, também influenciada pelo impacto do conflito no Médio Oriente nos preços do alumínio. Apesar da recuperação, Yu alertou para “múltiplas incertezas” no ambiente externo e sublinhou que persistem problemas estruturais na economia chinesa, como o excesso de capacidade produtiva e a fraqueza da procura interna.
Hoje Macau China / ÁsiaYuan | Emissão de dívida fora da China atinge máximos com procura de investidores Entidades estrangeiras recorreram a volumes recorde de financiamento na moeda chinesa, o yuan, este ano, face a taxas de juro baixas e crescente procura de investidores chineses por activos com maior rendimento, segundo dados citados pelo Financial Times. O aumento insere-se numa expansão mais ampla da emissão de dívida denominada em yuan fora da China continental, conhecida como “dim sum bonds”, que já atingiu cerca de 300 mil milhões de yuan em 2026, mais do dobro do registado no mesmo período do ano passado, que já tinha sido recorde, apontou o jornal britânico. Entre os emitentes recentes de dívida em yuan fora da China está Portugal, além de entidades públicas como a MuniFin (Finlândia) ou o Korea Development Bank, reflectindo um alargamento do leque de mutuários. A emissão por bancos norte-americanos, em operações geridas pelas próprias instituições, ascendeu a 47,5 mil milhões de yuan, também um máximo histórico, com o banco norte-americano de investimento Goldman Sachs a representar a maioria deste montante. “Há muita procura por activos ‘offshore’ em yuan. Trata-se de uma fonte alternativa de financiamento atractiva”, afirmou Isaac Wong, responsável pela distribuição de rendimento fixo, moedas e matérias-primas do banco na Ásia (excluindo o Japão). Analistas descrevem o fenómeno como uma “corrida ao financiamento” em yuan ‘offshore’, com emissores que vão de governos a instituições financeiras internacionais. Papel de relevo O banco norte americano de investimento Goldman Sachs tornou-se o maior emissor estrangeiro deste tipo de dívida e o segundo maior no total, apenas atrás do Bank of China, tendo captado 32,1 mil milhões de yuan este ano, cerca de 10 por cento do total. A tendência é apoiada por políticas de Pequim para internacionalizar a moeda, incluindo o alargamento do programa Bond Connect, que permite a investidores da China continental comprar obrigações em Hong Kong. Estas medidas visam canalizar poupança doméstica para activos com maior rendimento, numa altura em que a rentabilidade para produtos de poupança na China permanece historicamente baixa – cerca de 1,75 por cento nas obrigações soberanas a 10 anos. Economistas indicam que o yuan começa a assumir um papel semelhante ao que anteriormente era desempenhado pelo iene japonês como moeda de financiamento, numa altura em que os custos de endividamento no Japão aumentaram significativamente. “A moeda chinesa tornou-se uma importante fonte de financiamento por falta de melhores alternativas”, afirmou Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis. O crescimento destas emissões surge num contexto em que Pequim procura reforçar o papel internacional do yuan, apesar de manter controlos apertados sobre os fluxos de capital, incentivando emissores estrangeiros a recorrer à moeda chinesa e reduzindo a dependência do dólar norte-americano.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Centenas de bombeiros combatem incêndios florestais Centenas de bombeiros participaram sábado no combate a incêndios florestais no norte do Japão, onde as autoridades pediram a mais de 3.200 pessoas para abandonarem as casas, anunciaram fontes governamentais. Os fogos nas zonas montanhosas da região de Iwate destruíram já cerca de 700 hectares de floresta desde que começaram há três dias, disseram as autoridades locais num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Uma imponente coluna de fumo, cujo cheiro era perceptível num raio de 30 quilómetros, elevava-se no vale próximo da cidade de Otsuchi, na região de Iwate. Enquanto dois helicópteros largavam água sobre a floresta em chamas, vários carros de bombeiros tentavam proteger habitações próximas do fogo, segundo a AFP. As autoridades disseram que pelo menos oito edifícios arderam, mas que todos os residentes conseguiram sair a tempo. Uma dezena de helicópteros e 1.300 bombeiros, bem como as forças de autodefesa do Japão, foram mobilizados hoje para combater os incêndios. “Estamos a envidar todos os esforços para extinguir” os fogos, afirmou um responsável da autarquia de Iwate à AFP. “No final de contas, espero realmente que chova”, declarou um habitante de Otsuchi à estação pública NHK. Invernos cada vez mais secos aumentaram o risco de incêndios florestais no Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaTailândia pede ajuda à China face a escassez de fertilizantes A Tailândia pediu sexta-feira ajuda à China para garantir o fornecimento de fertilizantes aos agricultores, perante problemas de escassez causados pela guerra no Médio Oriente, anunciou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnkirakul. O pedido foi feito durante uma reunião em Banguecoque com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse o próprio chefe do Governo da Tailândia aos jornalistas, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Anutin qualificou a interrupção no fornecimento de fertilizantes em consequência da guerra no Irão como um dos principais problemas da Tailândia. “Gostaríamos que a China considerasse o fornecimento de fertilizantes, se dispuser de quantidades suficientes, para ajudar os agricultores tailandeses”, disse o político conservador. Anutin também pediu a Pequim que incluísse a Tailândia nas negociações sobre rotas marítimas e transporte de energia a partir do Médio Oriente. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura colocou na quinta-feira a Tailândia entre os países com maiores riscos para a segurança alimentar devido à dependência do golfo Pérsico para a exploração dos solos, especialmente o arroz. Sobre o aspecto energético, Anutin assegurou que nas “actuais condições de relativa estabilidade”, numa alusão à trégua e negociações entre Israel, os Estados Unidos e o Irão, não haverá escassez de petróleo nem interrupções no fornecimento. “No entanto, não diria que a situação seja totalmente segura, já que desconhecemos quanto tempo durará a guerra”, afirmou. Abertura total Anutin reafirmou que a Tailândia está aberta a mais investimentos chineses em indústrias como robótica, sensores, veículos eléctricos e inteligência artificial, setores nos quais já circula capital do gigante asiático. O ministro chinês, que visitou anteriormente o Camboja e irá a Myanmar no fim de semana, abordou com Anutin as relações entre Banguecoque e Phnom Penh. Wang ofereceu-se como mediador para que os países avancem na normalização das relações, após os confrontos na fronteira que provocaram dezenas de mortos em Dezembro de 2025. A China tem intensificado nos últimos anos a presença na região do Sudeste Asiático, com um maior peso em investimentos, comércio e cooperação em segurança, num cenário marcado por tensões estratégicas e competição com os Estados Unidos pela influência.