Golfo de Omã | Três marinheiros indianos mortos em ataque dos EUA

O Governo da Índia confirmou ontem a morte de três marinheiros indianos que tinham sido dados como desaparecidos após um ataque norte-americano ao petroleiro MT Settebello, de bandeira de Palau, no Golfo de Omã.

“É com profunda tristeza que tomamos conhecimento do trágico incidente a bordo do MT Settebello”. “A morte dos três marinheiros indianos, inicialmente dados como desaparecidos, foi confirmada após os seus corpos terem sido localizados e identificados”, indicou o ministro dos Transportes Marítimos da Índia, Sarbananda Sonowal, na rede social X.

Os militares norte-americanos confirmaram que um dos seus caças abriu fogo na quarta-feira contra o Setebello, que, segundo os EUA, tentava exportar petróleo do Irão, apesar do bloqueio imposto por Washington. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou no X que o ataque teve como alvo a “casa das máquinas” do navio “depois de a tripulação se ter recusado a cumprir as ordens das forças norte-americanas”.

A Índia convocou o encarregado de negócios norte-americano em Nova Deli, na noite de quarta-feira, e manifestou um forte protesto em relação ao ataque, disse à Agência France Presse um alto funcionário do Governo indiano.

Vinte e quatro marinheiros indianos seguiam a bordo do petroleiro alvo do ataque. O Setebello é o oitavo navio atacado desde o início do bloqueio dos EUA aos portos iranianos, segundo os militares norte-americanos.

Na segunda-feira, as equipas de resgate omanitas retiraram de helicóptero 24 marinheiros indianos de outro petroleiro registado em Palau, o Marivex, que foi alvo de disparos dos EUA enquanto navegava na costa de Omã.

12 Jun 2026

Filipinas | Sismo faz pelo menos 47 mortos

As autoridades das Filipinas elevaram ontem para 47 o número de mortos devido ao sismo de magnitude 7,8 que abalou na segunda-feira a ilha de Mindanau, no sul do país.

Um balanço divulgado pelas autoridades na quarta-feira dava conta de 46 mortos. Este novo balanço, divulgado pelo Conselho Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Catástrofes, indica ainda um total de 688 feridos e 31 desaparecidos.

As operações de resgate prosseguem em várias províncias do sul do arquipélago, onde dezenas de estruturas ficaram danificadas ou destruídas pelo sismo e pelas mais de duas mil réplicas que se seguiram. As autoridades mantêm mobilizados efectivos da Defesa Civil, das forças armadas e voluntários para localizar possíveis sobreviventes sob os escombros.

O forte sismo, um dos mais intensos registados nas Filipinas nas últimas décadas, afectou cerca de 390 mil pessoas, de acordo com dados actualizados ontem pelo Departamento de Bem-Estar Social e Desenvolvimento do Governo.

O relatório eleva também para 18.614 o total de casas danificadas, das quais 3.330 ficaram completamente destruídas, e estima em 39.293 o número de pessoas deslocadas pela catástrofe, com danos e alcance ainda por ser quantificados.

O sismo também causou danos em edifícios públicos, estradas, pontes e redes de abastecimento de electricidade e água potável em várias zonas de Mindanau, a segunda maior ilha do arquipélago. De forma preliminar, o Governo estima que as perdas em infraestruturas ultrapassem nove milhões de dólares.

As Filipinas situam-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma das zonas com maior atividade sísmica e vulcânica do planeta, onde os terramotos são frequentes.

12 Jun 2026

Ormuz | Irão volta a fechar estreito

O Irão voltou ontem a encerrar completamente o estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o transporte de petróleo e gás, em resposta aos mais recentes ataques norte-americanos, anunciou a autoridade marítima iraniana.

“Devido às tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região, o estreito de Ormuz está fechado até nova ordem”, afirmou em comunicado a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, que gere a passagem.

O Irão controla o estreito desde o início do conflito desencadeado por ataques norte-americanos e israelitas contra o regime de Teerão a 28 de Fevereiro, mas os militares têm permitido a passagem diária de cerca de 20 navios.

A Guarda Revolucionária Islâmica iraniana disse ontem ter lançado mísseis balísticos contra uma base norte-americana na Jordânia, após anunciar ataques a bases dos EUA no Kuwait e Bahrein, em resposta aos últimos ataques de Washington.

A ofensiva de Teerão surge depois de o exército norte-americano ter lançado, na quarta-feira, novos ataques contra “múltiplos alvos” no Irão como “resposta às agressões” do país persa, de acordo com a justificação do Centcom.

“As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar bombardeamentos adicionais de autodefesa hoje [quarta-feira] às 17:15 contra múltiplos alvos no Irão, sob a ordem do comandante-chefe”, o Presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu o organismo, com sede na Florida, numa mensagem na rede social X. O Centcom, que não esclareceu a duração dos ataques nem os alvos, afirmando apenas que os “bombardeamentos são uma resposta às agressões injustificadas e contínuas do Irão”.

Ferro e fogo

A agência iraniana Mehr informou que as defesas antiaéreas foram activadas em Teerão, enquanto a Fars relatou explosões em cidades do sul, como Sirik e a ilha de Qeshm, entre outras.

Tanto o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, como Trump anunciaram durante uma conferência de imprensa na quarta-feira que os bombardeamentos contra o Irão seriam retomados nas horas seguintes, depois de ataques anteriores na sequência do abate de um helicóptero norte-americano Apache na segunda-feira, e após Trump ter dito no início da semana que o acordo de paz estaria em fase e últimos acertos e deveria ser assinado em “um ou dois dias”.

Esta quarta-feira, o Presidente norte-americano voltou a acusar Teerão de estar a empatar as negociações para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

Sem sentido

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão admitiu ontem que o cessar-fogo que entrou em vigor entre Teerão e Washington a 08 de Abril deixou de ter sentido após os ataques aéreos dos Estados Unidos. Um comunicado divulgado pela diplomacia iraniana, salienta-se que os ataques “ilegais e criminosos” levados a cabo pelos Estados Unidos nas últimas horas foram uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas.

Na mesma linha, os diplomatas do Irão sublinharam que os ataques norte-americanos tornaram o cessar-fogo num acordo “praticamente sem efeito”.

12 Jun 2026

Pequim quer impulsionar ainda mais a integração entre ferrovias e turismo

A China promoverá ainda mais o desenvolvimento integrado dos sectores ferroviário e turístico e implementará mais medidas para expandir o consumo de serviços, de acordo com um documento governamental divulgado na quarta-feira, indica o diário do Povo.

A China fortalecerá o apoio fiscal e financeiro para impulsionar a renovação de estações ferroviárias voltadas para o turismo e a construção de instalações de serviços turísticos, afirmou um comunicado conjunto emitido por oito autoridades, incluindo o Ministério do Comércio, o Ministério da Cultura e Turismo e a China State Railway Group Co., Ltd.

Localidades qualificadas são incentivadas a direccionar o investimento de capital privado para o desenvolvimento e operação de produtos de turismo ferroviário em conformidade com as leis e regulamentos, indica o comunicado.

O documento solicitou que as instituições financeiras forneçam melhor financiamento para a modernização tecnológica e a renovação de equipamentos de comboios turísticos.

Serão realizados esforços para avançar no projecto e desenvolvimento de comboios turísticos transfronteiriços entre a China e o Laos, a China e o Cazaquistão, a China e o Vietname, bem como a China e a Rússia, observou o documento, destacando ainda a necessidade de lançar comboios adaptados para turistas estrangeiros, acrescenta a publicação.

Os governos locais e as operadoras ferroviárias receberão apoio para integrar recursos turísticos, incluindo pontos turísticos, hospedagem, alimentação e eventos desportivos, às rotas de transporte ferroviário, rodoviário e hidroviário.

O documento também propõe medidas para a construção de um sistema de big data sobre turismo ferroviário, com o objectivo de monitorar, prever e analisar os fluxos turísticos e apoiar o planeamento, o desenvolvimento, o marketing e a operação de produtos de turismo ferroviário.

12 Jun 2026

Xing’an | Explosão numa rua faz sete mortos e 17 feridos

Pelo menos sete pessoas morreram e 17 ficaram feridas na sequência de uma explosão ocorrida ontem numa rua da localidade de Xing’an, na região autónoma de Guangxi, no sul da China, informaram as autoridades locais.

Segundo um comunicado divulgado pelo Departamento de Segurança Pública do distrito de Xing’an, a explosão ocorreu pelas 01:40 locais, na rua Lingxiang.

As autoridades de Guilin e Xing’an mobilizaram agentes da polícia, bombeiros, equipas médicas e serviços de emergência para as operações de socorro e busca. Após quatro rondas de buscas no local, foi confirmada a morte de sete pessoas, enquanto os 17 feridos transportados para hospitais se encontram fora de perigo, indicou a mesma fonte.

Outras pessoas com ferimentos ligeiros receberam assistência médica no local e foram posteriormente realojadas. As operações de resgate prosseguiam ontem na zona afectada. As investigações preliminares afastaram a hipótese de a explosão ter sido provocada por uma fuga de gás em condutas ou por factores semelhantes. A polícia mantém aberta uma investigação para apurar as causas do incidente.

12 Jun 2026

Automóveis | BYD quer tornar-se a maior fabricante do mundo até 2030

O desenvolvimento tecnológico de carros eléctricos chineses processa-se a toda a velocidade. A BYD já ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos

A fabricante automóvel chinesa BYD pretende tornar-se o maior produtor mundial de veículos até 2030, em termos de produção e de vendas, afirmou o fundador e presidente da empresa, Wang Chuanfu, durante a assembleia anual de accionistas.

Citado ontem pelo portal económico chinês Yicai, Wang considerou que um “sistema tecnológico maduro” permitirá à BYD expandir simultaneamente os mercados doméstico e internacional. O responsável destacou que o mercado chinês continua pressionado por uma intensa guerra de preços e pela redução dos incentivos fiscais à compra de veículos eléctricos.

Após o lançamento de uma nova geração de baterias e de tecnologias de carregamento rápido, concebidas para responder aos principais desafios enfrentados pelos utilizadores de veículos eléctricos, Wang prometeu a introdução de “muitas mais” tecnologias “novas e exclusivas” nos próximos dois anos.

Com sede na cidade de Shenzhen, no sul da China, a BYD deixou de fabricar veículos com motores de combustão em 2022 e ultrapassou a norte-americana Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos.

Em 2025, as vendas globais da empresa aumentaram 8 por cento, para cerca de 4,6 milhões de veículos, o que a colocou na quinta posição mundial do sector, ainda longe da japonesa Toyota, que vendeu mais de 10 milhões de unidades pelo quinto ano consecutivo, segundo o Yicai.

Wang considerou que a actual conjuntura, marcada pela subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz, é favorável à BYD.

Percalços ultrapassados

A empresa foi afectada no primeiro trimestre pela redução das isenções fiscais concedidas por Pequim à compra de veículos eléctricos, que passaram de 10 por cento para 5 por cento, com um limite máximo equivalente a 2.200 dólares.

Como consequência, as vendas da BYD caíram 30 por cento face ao mesmo período do ano anterior, para pouco mais de 700 mil unidades. No entanto, a recuperação registada nos dois meses seguintes fez com que o balanço dos primeiros cinco meses do ano fosse praticamente idêntico ao de 2025.

A desaceleração do mercado interno levou a BYD, à semelhança de outras fabricantes chinesas, a apostar na internacionalização para sustentar o crescimento. Em Maio, as vendas da empresa no exterior aumentaram 81 por cento, ultrapassando os 160 mil veículos, impulsionadas em parte pela produção local em países como Brasil, Tailândia e, futuramente, Hungria.

Paralelamente, a empresa está a estudar um investimento de cerca de dois mil milhões de euros para instalar uma rede de 3.000 postos de carregamento ultrarrápido de 1.500 quilowatts na Europa até ao final do próximo ano, depois de já ter iniciado a instalação de estações na Alemanha e no Reino Unido.

Segundo Wang, a BYD conseguiu construir uma imagem de marca “premium” nos mercados internacionais, prevendo que a empresa ultrapasse este ano a meta de 1,5 milhões de veículos vendidos no exterior.

12 Jun 2026

Banguecoque | China apoia condenação à morte de dois uigures por atentado

A China apoiou ontem a decisão da justiça tailandesa de condenar à morte dois homens identificados como uigures pelo atentado de Banguecoque de 2015, que provocou 20 mortos, incluindo sete cidadãos chineses.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que os autores do ataque cometeram crimes “extremamente graves” e classificou-os como “completamente desumanos”. “A China apoia a Tailândia na condução do julgamento de acordo com a lei e na punição severa dos responsáveis”, declarou Lin, em conferência de imprensa.

Um tribunal de Banguecoque condenou ontem à pena de morte Yusufu Mieraili e Bilal Mohammed, dois cidadãos chineses de etnia uigur, por envolvimento no atentado contra o santuário hindu de Erawan, um dos locais mais frequentados por turistas na capital tailandesa.

Segundo o tribunal, os dois homens foram considerados culpados de homicídio premeditado e de outros crimes relacionados com a colocação de um engenho explosivo no recinto religioso, em 17 de Agosto de 2015.

A explosão matou 20 pessoas, entre as quais vários turistas chineses, e feriu mais de uma centena. Durante a leitura da sentença, um dos juízes afirmou existirem “provas suficientes” para concluir que os arguidos cometeram homicídio e tentativa de homicídio com premeditação.

Os dois condenados negaram as acusações e anunciaram que vão recorrer da decisão, segundo o advogado de defesa. O processo prolongou-se durante quase uma década, devido à pandemia de covid-19 e a sucessivos atrasos processuais, incluindo dificuldades na obtenção de tradutores.

O atentado ocorreu semanas após a junta militar então no poder na Tailândia ter deportado à força 109 uigures para a China, o que levou vários observadores a interpretar o ataque como uma retaliação. A polícia tailandesa identificou inicialmente 17 suspeitos, mas apenas Mieraili e Mohammed chegaram a ser detidos e julgados.

12 Jun 2026

Irão | China pede “calma e moderação” após ataques dos EUA e retaliação

A China apelou ontem à “calma e moderação” após os ataques dos Estados Unidos contra o Irão e a retaliação iraniana contra bases norte-americanas no Médio Oriente, defendendo um cessar-fogo rápido e o regresso à via diplomática.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “profunda preocupação” de Pequim com a situação e apelou a todas as partes envolvidas para que adotem “medidas concretas” destinadas a reduzir as tensões. Lin afirmou ainda que os diferendos devem ser resolvidos por meios políticos e diplomáticos e defendeu a concretização, “o mais rapidamente possível”, de um cessar-fogo “abrangente e duradouro”.

As declarações surgem depois de os Estados Unidos terem realizado três vagas de ataques contra o Irão, em resposta ao abate de um helicóptero Apache norte-americano no estreito de Ormuz, uma operação à qual Teerão respondeu com ataques contra bases militares dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein.

O ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reafirmou ontem o “direito à autodefesa” da República Islâmica e advertiu os países do Golfo sobre a sua “responsabilidade” em impedir que os Estados Unidos utilizem os seus territórios para atacar o Irão.

Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, entre os alvos da retaliação esteve a Quinta Frota norte-americana estacionada no Bahrein, enquanto a Jordânia assegurou ter interceptado vários mísseis sem registo de vítimas ou danos materiais.

A nova escalada ocorre apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que continua a ser possível alcançar um acordo com Teerão dentro de “dois ou três dias”, após várias semanas de negociações com a República Islâmica.

11 Jun 2026

UE | China promete defender empresas visadas por novas sanções

A China prometeu ontem defender os interesses das suas empresas perante novas sanções da União Europeia contra entidades ligadas ao esforço de guerra russo, após Bruxelas confirmar que o próximo pacote incluirá companhias sediadas no país asiático.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian reiterou, em conferência de imprensa, que Pequim opõe-se “firmemente” a sanções unilaterais que não tenham base no direito internacional nem autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Lin afirmou que a China apresentou, em diversas ocasiões, protestos junto da parte europeia e instou Bruxelas a “corrigir as suas práticas erradas” e a revogar as sanções, que classificou como “ilegais”. O responsável acrescentou que Pequim continuará a acompanhar de perto a evolução da situação e adoptará as medidas necessárias para proteger os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas.

As declarações surgem depois de a Comissão Europeia ter apresentado, na terça-feira, o 21.º pacote de sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia, centrado nos sectores da energia, finanças e comércio.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, explicou que as novas medidas incluem restrições adicionais à chamada “frota fantasma” russa e visam manter a pressão sobre as fontes de receita de Moscovo.

A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, indicou que o pacote incluirá também controlos às exportações e medidas contra cerca de cinquenta empresas de países terceiros, incluindo entidades sediadas na China, Turquia, Quirguistão, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos e Índia, que Bruxelas acusa de contribuírem para o complexo militar-industrial russo.

11 Jun 2026

China | Exportações automóveis sobem 73 por cento em Maio

As exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentaram 73 por cento em Maio, em termos homólogos, para cerca de 809.000 unidades, impulsionadas pelo crescente interesse em veículos eléctricos num contexto de subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão.

A Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) indicou ontem que as exportações de veículos totalmente eléctricos e híbridos mais do que duplicaram face ao mesmo mês do ano passado, atingindo cerca de 435.000 unidades, mais de metade do total. O resultado supera as cerca de 796.000 viaturas exportadas em Abril, segundo dados da mesma associação.

Fabricantes chineses como a BYD têm acelerado a expansão internacional, apostando em mercados da América Latina, Ásia e Europa, numa altura em que a procura doméstica enfrenta pressões devido, em parte, à redução dos incentivos governamentais para a substituição de automóveis convencionais por eléctricos.

As vendas domésticas de automóveis de passageiros caíram 23,4 por cento em Maio, em termos homólogos, para 1,44 milhões de unidades, registando o sétimo mês consecutivo de quedas. As vendas de veículos com motores de combustão interna, incluindo automóveis a gasolina e gasóleo, recuaram quase 42 por cento, enquanto a quota dos veículos eléctricos continuou a crescer.

Analistas do banco suíço UBS estimam que as exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentem cerca de 40 por cento em 2026, face ao ano anterior, enquanto as exportações de veículos eléctricos poderão crescer cerca de 80 por cento.

“O preço elevado do petróleo traduziu-se claramente num maior interesse pelos veículos eléctricos”, afirmou Paul Gong, responsável pela análise do sector automóvel chinês no UBS. Segundo o analista, as exportações automóveis chinesas superaram as expectativas nos primeiros meses do ano, enquanto as vendas domésticas ficaram abaixo do previsto.

Sempre a crescer

Claire Yuan, analista da S&P Global Ratings, prevê que as exportações chinesas mantenham um forte dinamismo em 2026, apontando para um crescimento anual entre 30 por cento e 50 por cento. De acordo com a Agência Internacional da Energia (AIE), cerca de um em cada quatro automóveis novos vendidos no mundo no ano passado foi eléctrico.

A organização prevê que as vendas globais destes veículos atinjam 23 milhões de unidades em 2026, representando quase 30 por cento do mercado mundial. A China é o maior produtor mundial de veículos eléctricos e fornece a maioria dos modelos vendidos a nível global.

A BYD, maior fabricante chinesa de veículos eléctricos, vendeu mais de 160.000 automóveis no exterior em Maio, um aumento de 80 por cento face ao mesmo período do ano passado. A empresa pretende vender 1,5 milhões de veículos fora da China este ano, acima dos 1,05 milhões registados em 2025.

A fabricante sediada no sul da China ultrapassou a Tesla no ano passado como a maior produtora mundial de veículos eléctricos em volume de vendas. A expansão internacional poderá também melhorar a rentabilidade das fabricantes chinesas, após uma intensa guerra de preços no mercado doméstico ter pressionado as margens do sector.

11 Jun 2026

PCC | Chefe de gabinete de Xi à frente da principal escola de quadros

A academia mais importante na formação de dirigentes políticos passa a contar com a liderança de Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, um homem da inteira confiança do Presidente chinês

O chefe de gabinete do Presidente chinês, Xi Jinping, foi nomeado director da Escola Central do Partido Comunista Chinês (PCC), instituição que desempenha um papel central na formação ideológica dos quadros do regime e na preparação dos futuros dirigentes. Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China, assumiu na semana passada a liderança da academia sediada em Pequim, considerada a principal escola de formação de quadros do PCC.

A nomeação é vista como um sinal da importância atribuída por Xi ao trabalho ideológico e ao controlo político dos funcionários do partido, numa altura em que Pequim procura reforçar a auto-suficiência tecnológica, a segurança das cadeias de abastecimento e a disciplina interna.

Ao longo das últimas três décadas, a direcção da Escola Central do Partido foi tradicionalmente reservada ao sucessor designado do líder chinês ou ao principal responsável pela ideologia do regime.

O próprio Xi Jinping dirigiu a instituição entre 2007 e 2012, antes de ascender à liderança máxima da China, enquanto o seu antecessor, Hu Jintao, ocupou o cargo entre 1993 e 2002. Entre ambos esteve Zeng Qinghong, antigo vice-presidente chinês e responsável pelos assuntos partidários, que liderou a escola enquanto integrava o Comité Permanente do Politburo.

Após Xi, a instituição foi dirigida por Liu Yunshan, então principal responsável pela ideologia do PCC, e posteriormente por Chen Xi, antigo colega universitário de Xi Jinping e considerado um dos seus mais próximos aliados políticos.

Modelo exemplar

Fundada em 1935, na cidade de Yan’an, durante a guerra civil chinesa, a Escola Central do Partido teve um papel determinante na formação política dos quadros comunistas e na consolidação do movimento liderado por Mao Zedong.

Depois do fim da Revolução Cultural, em 1976, a instituição tornou-se um espaço importante para a reflexão interna sobre os erros cometidos durante a era maoista e manteve-se como o principal centro de formação de dirigentes antes da sua promoção a cargos superiores.

Sob a liderança de Xi Jinping, a escola ganhou ainda mais relevância. Num discurso em 2015, Xi defendeu um controlo apertado da orientação ideológica dos quadros comunistas.

O líder chinês argumentou que estas instituições são essenciais para preservar a fidelidade ao marxismo e impedir a influência de valores ocidentais, apontando países como Iraque, Síria e Líbia como exemplos de Estados mergulhados no caos após a adopção de modelos políticos estrangeiros.

Espaço de eleição

Xi tem utilizado regularmente a Escola Central do Partido para apresentar a altos funcionários as suas visões sobre governação, segurança nacional e desenvolvimento económico.

Nos últimos anos, a instituição passou também a oferecer formação em áreas consideradas prioritárias pelo Governo chinês, incluindo segurança das cadeias de abastecimento e gestão dos recursos de terras raras. A influência da escola estende-se igualmente ao recrutamento das elites políticas chinesas.

Dois dos actuais 22 membros do Politburo, Li Shulei, responsável pela propaganda do PCC, e Shi Taifeng, chefe do Departamento de Organização, construíram grande parte das suas carreiras académicas e políticas na instituição.

Ambos trabalharam na Escola Central do Partido durante décadas e foram colegas de Xi Jinping quando este dirigiu a academia antes de assumir a liderança da China.

11 Jun 2026

Filipinas | Sismo de segunda-feira fez pelo menos 41 mortos e 450 feridos

O sismo de segunda-feira nas Filipinas fez pelo menos 41 mortos, disseram ontem fontes provinciais de Mindanao contactadas pela Agência France-Presse (AFP), acrescentando que cerca de 450 pessoas ficaram feridas.

O sismo, de magnitude 7,8, ocorreu ao largo da ilha de Mindanao, de acordo com os departamentos de gestão de catástrofes das Filipinas. Segundo a AFP, várias pessoas feridas receberam cuidados ao ar livre, enquanto os esforços das equipas de resgate foram dificultados pelas várias réplicas registadas na mesma zona.

Muitas estradas de acesso ficaram bloqueadas e, conforme referiram várias fontes à agência noticiosa francesa, milhares de cidadãos permanecem desalojados.

Na região de Glan, onde pelo menos 13 pessoas morreram num deslizamento de terras, um funcionário hospitalar disse que mais de 60 doentes estavam deitados em camas transferidas para o exterior do edifício, por temerem que os tremores tivessem enfraquecido a estrutura.

O sismo levou à emissão de ordens de retirada das zonas costeiras do sul das Filipinas e da Indonésia, e foram emitidos alertas de tsunami, entretanto cancelados.

10 Jun 2026

Executivo de Hong Kong promete “prudência” na classificação de crimes

O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, comprometeu-se ontem a exercer com “prudência e seriedade” a sua nova competência para classificar crimes comuns como infracções relacionadas com a segurança nacional.

Lee defendeu em conferência de imprensa a nova legislação subsidiária da Lei de Segurança Nacional, com a qual o Governo da região administrativa especial chinesa procura definir, de forma mais ágil, quais as condutas que podem ser enquadradas na categoria de “crimes contra a segurança nacional”, um âmbito que, na antiga colónia britânica, acciona procedimentos judiciais mais severos do que os previstos para causas penais comuns.

“O objectivo da introdução da legislação subsidiária é esclarecer, tornar muito, muito mais claro, como é que os crimes […] que põem em risco a segurança nacional ao abrigo da legislação de Hong Kong serão classificados como tal”, afirmou Lee aos jornalistas.

“Não se pretende, nem se irá alargar a definição dos crimes, nem se irá introduzir novos crimes, novos poderes ou novas sanções. Também não se alarga o âmbito de aplicação da lei”, acrescentou.

Segundo o líder do Executivo de Hong Kong, “a relevância da mudança não reside na criação de novos crimes”, mas na capacidade de classificar determinados casos dentro deste quadro desde uma fase inicial do processo.

No quadro desta alteração legislativa, basta que o Chefe do Executivo emita um certificado oficial para que o caso fique sujeito às regras aplicáveis às investigações e julgamentos de segurança nacional, incluindo restrições mais severas ao acesso à liberdade sob caução e a intervenção de juízes designados para este tipo de processos.

Prós e contras

A proposta suscitou críticas entre sectores jurídicos e observadores locais, devido ao alargamento da margem discriccionária do Chefe do Executivo e à capacidade limitada de controlo sobre as suas decisões.

Em reação às objecções, Lee sustentou que o território enfrenta riscos complexos, incluindo supostos actos de espionagem ou sabotagem impulsionados por “actores estatais estrangeiros profissionais e sofisticados”, e defendeu que esse tipo de ameaças exige um tratamento especial devido à sensibilidade da informação envolvida.

“Grande parte da informação disponível é confidencial, muito sensível e não adequada para divulgação pública”, explicou, para justificar o sigilo oficial.

Além disso, Lee salientou que a norma não alarga as definições de subversão ou sedição nem introduz punições inéditas, mas pretende “reduzir o risco de controvérsias nos tribunais” através de uma classificação mais clara dos crimes.

O Governo de Hong Kong anunciou na segunda-feira que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim o agravamento da moldura penal até à pena perpétua.

10 Jun 2026

Guizhou | Chuvas intensas obrigam à retirada de cerca de 10 mil pessoas

Chuvas “excepcionalmente intensas” registadas durante o fim de semana na província chinesa de Guizhou, no centro do país, provocaram inundações e levaram à retirada de cerca de 10 mil pessoas, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua.

As áreas mais afectadas foram as cidades de Qianxi e Zunyi e a vila de Changshun, segundo a agência. As autoridades locais ativaram operações de emergência permanentes e retiraram até ao momento 1.377 residentes de 491 famílias, além de terem resgatado mais de 50 pessoas que ficaram cercadas pelas águas.

Em Changshun, mais de três mil habitantes de cerca de mil habitações situadas a jusante da barragem de Bancong foram transferidos para zonas seguras, após uma falha de energia ter afetado o funcionamento da infraestrutura e provocado o seu transbordo.

O Ministério dos Recursos Hídricos e a Administração Meteorológica da China emitiram no domingo à tarde um alerta vermelho, o nível mais elevado do sistema chinês, devido ao risco de enxurradas em áreas do sudeste de Guizhou entre domingo e ontem.

Até à noite de domingo, quase cinco mil residentes foram retirados preventivamente na prefeitura autónoma de Qiandongnan, enquanto prosseguia a retirada de outras cerca de 22 mil pessoas.

As chuvas afectam também outras regiões do sul da China. A província de Guangdong activou na noite de sábado um plano de resposta de emergência devido à previsão de precipitação intensa, tempestades localizadas e possíveis cheias acima dos níveis de alerta em rios de pequena e média dimensão.

Desde meados de Maio, a China enfrenta uma sucessão de episódios de chuva intensa no centro e sul do país, com inundações e deslizamentos de terras em várias províncias. Os serviços meteorológicos chineses atribuíram o adiantamento da época das chuvas a sistemas atmosféricos anómalos.

9 Jun 2026

Filipinas | Sobe para 12 número de mortos na sequência de sismo

Pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas na sequência de um sismo de magnitude 7,8, no sul das Filipinas, de acordo com um novo balanço das autoridades. Um balanço anterior da polícia dava conta de um morto e de quatro feridos, além do desabamento de vários edifícios no arquipélago.

O sismo teve o epicentro no mar, a cerca de 13 quilómetros a sudoeste de General Santos, uma cidade com mais de 700 mil habitantes, na ilha de Mindanau, um centro de processamento de atum e de outras actividades comerciais na região de Mindanau, no sul do arquipélago. O sismo provocou um tsunami com ondas de um metro de altura nas zonas costeiras próximas.

O Presidente Ferdinand Marcos Jr. exortou a população a dirigir-se para terrenos mais elevados nas zonas mais vulneráveis a um tsunami, e as autoridades indonésias, malaias e japoesas também emitiram alertas para as áreas costeiras próximas.

O líder filipino afirmou que as agências de resposta a catástrofes estavam em estado de alerta para intervir. “O Governo nacional está em acção e não vamos deixar Mindanau para trás”, disse Marcos. O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico afirmou que a ameaça de um tsunami passou cerca de cinco horas após o sismo, ocorrido às 07:37.

Pelo menos sete pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas em General Santos, onde alguns edifícios pequenos ruíram parcialmente e várias estruturas, incluindo uma ponte importante, sofreram fissuras perigosas, disse o director regional do Gabinete de Defesa Civil, Rod Sosmeña, à agência Associated Press (AP).

Outras cinco pessoas morreram nas províncias meridionais de Cotabato do Sul e Davau Ocidental, e na ilha de Balut, afirmaram Sosmeña e outro responsável, Ednar Dayanghirang.

9 Jun 2026

Visita | Xi declara que amizade entre Pequim e Pyongyang “perdurará para sempre”

O Presidente chinês defendeu ontem a continuidade da aliança entre China e Coreia do Norte e apelou ao reforço da coordenação face “à hegemonia” e “política de força”, num artigo no jornal norte-coreano Rodong Sinmun.

O texto, divulgado também pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua, foi publicado por ocasião da viagem de Xi Jinping à Coreia do Norte, a primeira em sete anos, e no ano em que se comemora o 65.º aniversário do Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua entre os dois países. Xi afirmou que a relação bilateral se encontra num “novo ponto de partida histórico” e sustentou que Pequim pretende “impulsionar o desenvolvimento” dos laços com Pyongyang.

Isto após anos em que as relações arrefeceram devido aos ensaios nucleares norte-coreanos e num momento em que Pequim procura preservar a influência face à crescente aproximação da Coreia do Norte à Rússia. O líder chinês salientou que a “amizade tradicional” entre os dois países “perdurará para sempre” e recordou que se reuniu seis vezes com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, nos últimos anos.

Xi defendeu também que Pequim e Pyongyang preservem o sistema internacional centrado nas Nações Unidas e a ordem baseada no direito internacional, ao mesmo tempo que se opõem “à hegemonia” e à “política da força”.

O dirigente chinês condenou ainda qualquer tentativa de “reavivar o militarismo”, uma expressão que as autoridades chinesas têm usado de forma reiterada nos últimos meses em referência ao Japão. O artigo não menciona a desnuclearização da Coreia do Norte, um assunto que Pyongyang voltou a descartar no domingo, ao afirmar que o estatuto nuclear do país é irreversível.

A visita do líder chinês ocorre em pleno reatamento dos contactos entre Pequim e Pyongyang, após uma reunião que Xi e Kim mantiveram em Setembro de 2025 em Pequim, uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, à Coreia do Norte em Abril e o reinício, em Março, das ligações ferroviárias e aéreas de passageiros entre ambos os países, após seis anos de suspensão.

9 Jun 2026

HK | Casos criminais podem ser ligados à segurança da China

O Chefe do Executivo da antiga colónia britânica passa a poder classificar casos que envolvam crimes como atentados à segurança nacional e, logo, sujeitos à pena de prisão perpetua

O Governo de Hong Kong anunciou ontem que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim a condenação à pena perpétua.

As autoridades divulgaram propostas para alterar a lei de segurança nacional, quase seis anos depois de o Governo Central chinês ter imposto esta legislação à região semiautónoma. As mudanças incluem a criação de um mecanismo que permite ao Chefe do Executivo de Hong Kong, através de um certificado, classificar casos como envolvendo “crimes que põem em perigo a segurança nacional”.

Quaisquer outros crimes de que um arguido seja acusado no mesmo processo seriam também automaticamente classificados como envolvendo a segurança nacional. Como tal, os julgamentos estariam a cargo de juízes nomeados especificamente pelo Governo de Hong Kong, poderiam decorrer à porta fechada e os suspeitos sujeitos a fianças mais elevadas.

As alterações vão ser enviadas para o Conselho Legislativo, através do chamado “processo de aprovação prévia”, que dá ao parlamento apenas 28 dias para discutir, alterar ou rejeitar as propostas.

As comissões parlamentares da Segurança e dos Assuntos Legais e Judiciários já realizaram uma reunião conjunta para começar a analisar as propostas. De acordo com a imprensa local, as autoridades afirmaram que pretendem concluir o processo e implementar as mudanças “o mais rapidamente possível”, sem especificar um calendário.

Outros ajustes

Em Março, o Governo de Hong Kong introduziu uma outra revisão da legislação, para punir quem se recusar a desbloquear dispositivos electrónicos em casos ligados à segurança nacional. A revisão autoriza os agentes das forças policiais, com mandados judiciais, a exigir que uma pessoa sob investigação forneça uma palavra-passe ou método de desencriptação para dispositivos.

Qualquer pessoa que conheça a palavra-passe ou o método de desencriptação, que esteja autorizada a aceder ao dispositivo ou que o detenha, controle ou utilize, fica obrigada a cumprir a exigência policial.

Caso alguém se recuse a desbloquear os dispositivos, pode enfrentar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong ou uma pena de prisão de até um ano. O documento estipula que esta obrigação se impõe mesmo nos casos onde exista “obrigação de sigilo ou qualquer outra restrição à divulgação de informações”, incluindo jornalistas, médicos e advogados.

As autoridades de Hong Kong afirmam que a lei de segurança nacional restaurou a ordem, após os protestos contra a lei de extradição para a China continental, em 2019.

9 Jun 2026

Xangai | China ainda carece de cultura futebolística, diz Leonel Pontes

O director técnico do clube chinês Shanghai Shenhua, Leonel Pontes, considera que a China tem condições para desenvolver um futebol competitivo a nível internacional, mas aponta a falta de cultura futebolística como um dos principais obstáculos.

“A China tem um potencial gigante”, afirmou à agência Lusa o responsável português, que desde 2023 coordena a estrutura técnica de um dos clubes mais históricos do país.

Pontes salientou que a China investiu fortemente em infraestruturas e dispõe de jovens atletas com qualidade: “Os jovens chineses têm muito talento, muita qualidade técnica, muita capacidade e são muito disciplinados”, afirmou.

Contudo, sublinhou que o desenvolvimento de jogadores exige tempo e experiência competitiva. “O talento tem de ser trabalhado ao longo dos anos. Isso requer tempo, requer cometer erros e voltar a corrigi-los”, explicou.

Segundo Pontes, a pandemia marcou uma interrupção no crescimento do futebol no país asiático, após um período em que os clubes investiram fortemente na contratação de treinadores e jogadores estrangeiros.

“A China deu um salto qualitativo antes da pandemia, porque investiu nos clubes para tornar a liga mais competitiva”, disse. O futebol na China está a reerguer-se após três anos da política de ‘zero casos’ de covid-19, que ditou o encerramento das fronteiras e paralisou a atividade económica.

Durante aquele período, a competição foi disputada em estádios vazios e vários jogos foram adiados durante semanas ou meses. Devido aos bloqueios rigorosos, os jogadores permaneceram presos em hotéis e várias estrelas estrangeiras não conseguiram voltar do exterior e acabaram por ser dispensadas.

Dezenas de clubes entraram em falência, expondo a insustentabilidade dos gastos que nos anos anteriores à pandemia abalaram o mercado de transferências: entre 2016 e 2019, estrelas como Alex Teixeira, Hulk, Carlos Tévez ou Ricardo Goulart rumaram à China, em contratações avaliadas em dezenas de milhões de euros e beneficiando de salários sem precedentes.

A exuberância dos gastos resultou também num maior escrutínio por parte das autoridades, que impuseram um tecto salarial de dois milhões de euros e passaram a taxar a 100 por cento as contratações de futebolistas estrangeiros acima de 5,5 milhões de euros.

Apesar disso, Leonel Pontes considera que o país ainda não possui uma tradição futebolística comparável à das principais potências. “O futebol na China não tem muitos anos. Os clubes ainda não têm cultura do que é o futebol de alto nível”, afirmou.

Limites ao crescimento

Pontes identificou também factores sociais que dificultam o recrutamento de jovens praticantes. “Os pais não querem que os seus filhos joguem futebol. Preferem que estudem”, observou.

Para o treinador português, essa realidade reduz a base de recrutamento e limita o crescimento competitivo. Como exemplo, apontou Xangai, uma cidade com mais de 25 milhões de habitantes, mas que conta actualmente com apenas quatro clubes nas três principais divisões profissionais.

“Para uma cidade com mais de 25 milhões de habitantes, provavelmente poderíamos ter muito mais clubes nas ligas profissionais”, afirmou. Apesar das dificuldades, Pontes acredita que o país reúne condições para evoluir.

“A China tem capacidade de crescimento porque tem condições, tem atletas e tem meios. Acredito que os responsáveis estão interessados em desenvolver o futebol e aumentar a sua representatividade internacional”, concluiu.

8 Jun 2026

Coreia do Sul | Presidente nomeia PM especialista em tecnologia

O Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, nomeou ontem como primeira-ministra a actual titular da pasta das Pequenas e Médias Empresas, Han Seong-sook, uma especialista em tecnologia que liderou o portal da Internet Naver.

Segundo a agência de notícias EFE, que cita uma declaração do chefe de gabinete do Governo sul-coreano, Kang Hoon-sik, a escolhida por Lee é justificada com a capacidade para “realizar com sucesso a transição decisiva para a inteligência artificial e impulsionar o crescimento da Coreia do Sul”.

O anúncio da mudança no cargo, que no sistema presidencial da Coreia do Sul é principalmente cerimonial, surge num momento em que Lee assinala o seu primeiro ano à frente do executivo, num contexto de fortalecimento do Partido Democrático (PD), no poder, que arrasou nas eleições locais realizadas esta semana, mas não conseguiu conquistar a Câmara Municipal de Seul.

A agência de notícias sul-coreana Yonhap descreve Han como uma especialista em tecnologias da informação, que iniciou a carreira profissional como jornalista e acabou por desempenhar um papel fundamental na consolidação da Naver como a maior plataforma de Internet do país asiático.

A candidata a primeira-ministra, de 59 anos, assumiu em 2017 o cargo de directora-executiva da Naver, tornando-se a primeira mulher a ocupar esse cargo na empresa. Se for aprovada pelo parlamento, Han tornar-se-á a segunda mulher na história do país asiático a ocupar o cargo de primeira-ministra, depois de Han Myung-sook ter governado entre 2006 e 2007.

8 Jun 2026

Visita | Xi Jinping na Coreia do Norte pela primeira vez desde 2019

O Presidente chinês, Xi Jinping, está de visita à Coreia do Norte, naquela que é a primeira deslocação ao país vizinho em quase sete anos, anunciaram sexta-feira os dois países.

Xi está na Coreia do Norte entre hoje e amanhã, segundo breves comunicados divulgados na sexta-feira pelos órgãos de comunicação estatais dos dois países. A última visita do líder chinês a Pyongyang ocorreu em Junho de 2019. O anúncio surge um dia depois de a Coreia do Norte ter revelado uma nova instalação destinada à produção de materiais para bombas nucleares.

Especialistas consideram que a divulgação da unidade sugere que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, pretende reforçar o estatuto do país como potência nuclear, antes da visita de Xi. A deslocação ocorre poucas semanas depois de Xi ter recebido, separadamente, em Pequim, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Rússia, Vladimir Putin.

Nos últimos anos, Kim deu prioridade ao aprofundamento das relações com a Rússia, enviando tropas e armamento convencional para apoiar a invasão lançada por Moscovo na Ucrânia. No entanto, o líder norte-coreano também tem procurado reforçar os laços com a China, principal parceiro comercial e maior fornecedor de ajuda económica da Coreia do Norte.

Xi e Kim encontraram-se em Pequim, em Setembro, e comprometeram-se a reforçar a cooperação bilateral e o apoio mútuo. Kim deslocou-se então à capital chinesa para assistir a um desfile militar, ao lado de outros líderes estrangeiros, incluindo Putin.

As Forças Armadas da Coreia do Sul avaliaram a nova instalação nuclear como uma unidade de enriquecimento de urânio. Durante uma visita ao local, Kim anunciou planos para reforçar as capacidades nucleares do país “a um ritmo exponencial”.

8 Jun 2026

Ensino superior | Quase 13 milhões de chineses começam hoje o exame de acesso

Cerca de 12,9 milhões de jovens estudantes chineses, segundo o Ministério da Educação, começaram ontem a fazer o ‘gaokao’, o temido exame nacional de admissão à universidade. Este exame altamente selectivo, que ocupa um lugar central na sociedade chinesa, determina o acesso às melhores universidades e, por extensão, as futuras oportunidades de carreira.

O ‘gaokao’ tem a duração de vários dias e inclui testes de mandarim, matemática, inglês, ciências e humanidades. Os resultados serão anunciados no final de Junho.

À porta de um centro de exames em Pequim, dezenas de polícias e seguranças mantinham a ordem enquanto os pais, de telemóveis na mão, esperavam filmar os filhos a entrar na sala de provas. Alguns estavam vestidos de vermelho, uma cor da sorte na cultura chinesa.

“Estou um pouco ansioso”, admite Zhang Xinnan, de 18 anos, com o seu uniforme escolar, momentos antes do início dos exames. “Mas domino as coisas que precisava de saber”, acrescenta.

O ensino superior desenvolveu-se rapidamente na China nas últimas décadas, à medida que o desenvolvimento económico levou a uma melhoria dos padrões de vida, mas também a maiores expectativas dos pais em relação aos estudos e carreiras dos seus filhos.

No entanto, o mercado de trabalho para jovens licenciados já não é tão promissor como antes, sendo a elevada taxa de desemprego jovem uma grande preocupação. De acordo com os dados oficiais, cerca de um em cada seis chineses entre os 16 e os 24 anos, excluindo os estudantes, está desempregado.

As atitudes em relação aos exames estão a mudar, com os estudantes e os pais cada vez menos dispostos a sacrificar a saúde física e mental para obter bons resultados. “Sou bastante liberal”, diz Deng Ju, de 53 anos, segurando uma pilha de cadernos para a filha, que está a rever até ao último minuto com uma amiga. “Estou mais preocupada com a saúde física; o exame é apenas uma formalidade”, acrescenta.

8 Jun 2026

JALP | Advogada chinesa lidera associação internacional de língua portuguesa

A nova presidente da Associação Internacional de Jovens Advogados de Língua Portuguesa (JALP) defendeu à Lusa que, perante “desafios geopolíticos complexos”, os profissionais jurídicos têm a responsabilidade de “construir pontes entre culturas e sistemas jurídicos distintos”.

A associação elegeu como presidente, até 2028, Un I Wong, uma advogada chinesa de Macau formada na Universidade Católica Portuguesa e que exerce há nove anos em Portugal. Un recordou ter iniciado o percurso na sociedade Morais Leitão, em Portugal, onde foi, “durante algum tempo, a única advogada de origem chinesa da equipa”.

“Mais tarde, passei a integrar [a MdME], uma sociedade com presença em Macau, Hong Kong e Lisboa, tendo ainda realizado uma experiência em Pequim. Estas vivências permitiram-me observar diferentes formas de trabalhar e de encarar a profissão jurídica em contextos distintos”, explicou.

Na China continental, destacou, “existe uma forte cultura profissional orientada para a rapidez de execução, capacidade de resposta e proactividade”.

“Costumo dizer, em tom de brincadeira, que na advocacia chinesa parece vigorar o modelo ‘007’, isto é, disponibilidade de meia-noite a meia-noite, sete dias por semana”, acrescentou. Em Portugal, apontou, há “uma maior valorização do equilíbrio entre vida profissional e pessoal, bem como do debate jurídico e da construção argumentativa”.

Macau, por sua vez, “ocupa uma posição particularmente interessante”, conjugando a matriz jurídica portuguesa com um ambiente de trabalho “mais próximo do modelo português”, mas que beneficia “da proximidade ao dinamismo económico da Ásia”, explicou Un.

“No fundo, esta experiência internacional reforçou a minha convicção de que não existe um único modelo de sucesso. Os melhores profissionais são aqueles que conseguem integrar diferentes formas de pensar e trabalhar e navegar entre culturas, sistemas jurídicos e realidades profissionais distintas”, concluiu.

Construir pontes

A advogada apontou que ter estudado e trabalhado entre a Europa e a Ásia reforçou a convicção de que a “advocacia do futuro não deve limitar-se às fronteiras nacionais”.

“Hoje, os advogados desempenham também um papel relevante na construção de pontes entre culturas, economias e sistemas jurídicos”, afirmou. Un sublinhou que os jovens advogados lusófonos possuem “uma vantagem única” de integrar uma comunidade que se estende por vários continentes, e “marcada por diversidade económica e cultural”.

“Num contexto global cada vez mais interligado, mas também marcado por desafios geopolíticos complexos, acredito que os jovens advogados lusófonos podem afirmar-se como profissionais globais”, acrescentou.

Fundada em 2020, a JALP é uma associação sem fins lucrativos que visa apoiar, integrar e representar jovens advogados dos países de língua oficial portuguesa. Reúne actualmente mais de 300 associados.

Os novos órgãos sociais, para o triénio 2026-2028, integram representantes de Angola, Brasil, Macau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. A direcção vai ser presidida por Un, tendo como vice-presidentes Pedro Leão Trigo e Lukeno Ribeiro Alkatiri.

Un destacou como prioridade “reforçar a JALP como plataforma activa de ligação entre jovens advogados lusófonos” e aprofundar a “ligação entre diferentes jurisdições”, “promovendo a partilha de conhecimento, experiências e boas práticas”.

Outra meta, será preparar os jovens advogados para a “transformação acelerada da profissão”, com a “tecnologia, a inteligência artificial e novas exigências dos clientes a redefinir a prática da advocacia”. Apesar das dificuldades, Un descreveu que “nunca existiram tantas possibilidades de colaboração internacional”, ou de acesso ao conhecimento e utilização de tecnologia para potenciar o trabalho dos advogados.

A responsável anunciou ainda planos para parcerias da associação com universidades, ordens de advogados e organizações internacionais, e dialogar com entidades ligadas ao ecossistema de tecnologia legal.

“Assumimos o compromisso de reforçar a proximidade entre os jovens advogados lusófonos, promover a inovação na profissão jurídica e contribuir para a construção de uma comunidade jurídica mais internacional, colaborativa e preparada para o futuro”, concluiu a nova presidente da JALP.

8 Jun 2026

Diplomacia | Pequim proíbe entrada de quatro deputados neozelandeses

A China proibiu a entrada no país de quatro deputados neozelandeses que visitaram Taiwan em Maio, uma decisão que Wellington classificou como surpreendente. Os quatro parlamentares, pertencentes a diferentes partidos políticos da Nova Zelândia, deslocaram-se a Taiwan no início de Maio, segundo a rádio pública neozelandesa RNZ.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Winston Peters, disse ter ficado “surpreendido” com a decisão anunciada pela embaixada chinesa em Wellington e pediu aos diplomatas neozelandeses que abordassem o assunto junto das autoridades chinesas.

O gabinete de Peters sublinhou que a visita é compatível com a política de “Uma Só China” seguida por Wellington, segundo a qual a Nova Zelândia reconhece a posição de Pequim sobre Taiwan.

“Os membros do parlamento neozelandês são livres de tomar as suas próprias decisões sobre convites para deslocações ao estrangeiro, independentemente do Governo”, indicou um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros.

Um participante na visita, o deputado trabalhista Duncan Webb, revelou que os parlamentares tinham sido previamente avisados pela embaixada chinesa de que poderiam enfrentar sanções caso viajassem para Taiwan.

A embaixada chinesa em Wellington afirmou que os quatro deputados ignoraram “repetidos avisos” e que a visita teve “graves consequências políticas”, constituindo uma “ingerência” nos assuntos internos da China.

Segundo a RNZ, a missão diplomática indicou ainda que a proibição poderá ser levantada caso os parlamentares apresentem um pedido de desculpas.

5 Jun 2026

Cuba | China acusa EUA de recorrerem a “rumores e difamações” para justificar embargo

A China acusou ontem os Estados Unidos de recorrerem a “rumores e difamações” para justificar o embargo a Cuba, após Washington ter associado a ilha ao terrorismo e a alegadas operações de espionagem chinesas.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou ontem que “fabricar pretextos e difundir rumores e difamações” não pode servir para justificar o “brutal bloqueio” e as “sanções ilegais” impostas pelos Estados Unidos a Cuba.

Em conferência de imprensa, Mao defendeu que as medidas norte-americanas prejudicam há décadas a economia e o bem-estar da população cubana e sustentou que a comunidade internacional se opõe amplamente a essa política. A diplomata reiterou o apoio de Pequim à soberania e à segurança de Cuba e apelou a Washington para que ponha fim “imediatamente” ao embargo, às sanções e às medidas de pressão contra Havana.

As declarações surgem depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter afirmado perante a Comissão de Relações Externas do Senado que Cuba apoiou “quase todos” os grupos violentos de esquerda da América Latina.

Rubio defendeu ainda que a ilha necessita de uma nova liderança e de uma transição baseada em “reformas sérias” para deixar de representar uma ameaça para os Estados Unidos.

A administração de Donald Trump reforçou a pressão sobre Cuba desde o início do ano, através de novas restrições e de medidas contra o sector petrolífero, que as autoridades cubanas consideram responsáveis pelo agravamento da crise económica na ilha.

5 Jun 2026