Pearl Horizon | Só 338 residentes compraram fracções de substituição

Apenas 338 residentes dos 1.923 lesados com a não construção do Pearl Horizon avançaram para a compra dos apartamentos de substituição, disponibilizados pela Macau Renovação Urbana. Os dados foram divulgados ontem pelo canal chinês da Rádio Macau.

Os apartamentos de substituição visavam auxiliar os residentes que ficaram sem as fracções que estavam a pagar quando o Governo recuperou o terreno onde iria ser construído o empreendimento de luxo Pearl Horizon.

O prazo para a compra terminou no final de Janeiro, de acordo com o despacho do Chefe do Executivo publicado em Novembro do ano passado. O número, representa 17,6 por cento dos residentes lesados. Os apartamentos de substituição ficam localizados no edifício Pearl Metropolitan, composto por seis blocos de apartamentos com 50 andares, fornecendo 2.064 fracções autónomas.

9 Fev 2026

Segurança nacional | Calvin Chui defende nova lei

Calvin Chui, advogado e presidente da Federação de Juventude de Macau, defendeu a proposta de lei do Governo que vai permitir afastar os mandatários judiciais de qualquer processo que tenha elementos entendidos como relevantes para a segurança nacional.

“A transformação [do diploma] num sistema jurídico concreto e o aperfeiçoamento da ‘arquitectura’ de alto nível da estrutura de funcionamento da segurança nacional estão em consonância com os requisitos fundamentais da governação de Macau, de acordo com a lei”, afirmou Chui, filho do deputado Chu Sai Peng e sobrinho do ex-Chefe do Executivo Chui Sai ON, em declarações citadas pelo Canal Macau. “Esta abordagem promove também o estado de direito e a institucionalização e a normalização do trabalho de segurança nacional, com o objectivo último de estabelecer uma salvaguarda jurídica mais robusta e estável para a estabilidade a longo prazo e a prosperidade sustentada da RAEM”, acrescentou.

Segundo as exigências futuras do diploma que ainda vai ser votado na Assembleia Legislativa, a comissão vai ter todos os poderes para vetar a participação dos advogados de processos. Além disso, os mandatários judiciais têm de apresentar informação detalhada sobre as suas vidas, ligações com o exterior e também do agregado familiar.

9 Fev 2026

Paternidade | Governo rejeita apelos a reforço da licença

O Governo de Macau rejeitou ontem apelos ao aumento da licença de paternidade, apesar da região pretender reforçar a licença de maternidade e das férias anuais, para inverter a mais baixa natalidade do mundo.

Na primeira sessão de uma consulta pública, representantes de duas das mais importantes associações tradicionais do território defenderam a extensão da licença de paternidade, actualmente fixada em apenas cinco dias úteis.

Um dirigente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau disse que a licença de paternidade deveria ser prolongada até 15 dias ou, em alternativa, parte da licença poderia ser gozada pelo pai.

O representante, de apelido Sit, defendeu que a medida poderia ajudar o pai a ter um papel mais activo, nomeadamente nos primeiros meses de vida do bebé, sobretudo se a mãe ainda estiver a recuperar de parto por cesariana.

Também uma representante da Associação Geral das Mulheres de Macau apelou ao reforço da licença de paternidade, para encorajar os pais a tomar conta dos filhos e “promover a igualdade de género”.

Mas Maria Chu Pui Man, dirigente da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), rejeitou os apelos e disse apenas que o pai poderá, como já acontece actualmente, tirar dias para apoiar a família após o nascimento.

A consulta pública, a decorrer até 16 de Março, tem como base uma proposta da DSAL para estender a licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias – um valor já aplicado aos funcionários da administração pública – com os custos a serem divididos entre o Governo e os empregadores.

Férias na agenda

As autoridades querem também aumentar as férias anuais no sector privado, por antiguidade. Há 40 anos que os residentes permanentes de Macau têm direito a apenas seis dias remunerados de descanso anual. Os funcionários públicos têm direito a 22 dias úteis.

O Executivo do território propõe que os trabalhadores tenham direito a mais um dia útil de férias por cada dois anos que passam na mesma empresa, até um máximo de 12 dias úteis por ano.

Um dos objectivos das alterações, disse em 30 de Janeiro o director da DSAL, Chan Un Tong, é permitir à população de Macau “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”.

O Governo encomendou em 2025 um estudo “a uma terceira entidade” – cuja identidade não foi revelada – sobre o eventual aumento da licença de maternidade e de férias anuais, que foi concluído no final de ano. O estudo incluiu um inquérito, segundo o qual os trabalhadores consideram tanto a actual licença de maternidade como o período de férias anuais “insuficiente para atender às necessidades familiares”.

Líderes do mundo

Questionado pela Lusa sobre o potencial impacto das alterações na taxa de natalidade em Macau, que em 2024 foi a mais baixa do mundo, Chan Un Tong respondeu que o objectivo é “aperfeiçoar o direito dos trabalhadores ao descanso”.

Em 2025, Macau registou 2.871 recém-nascidos, uma queda de 20,4 por cento e o menor número de nascimentos em quase 50 anos, disse em 01 de Janeiro o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou.

Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.

Este valor é ainda mais baixo do que a estimativa feita num relatório divulgado em Julho pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA, na sigla em inglês): 0,68 nascimentos por mulher.

Apesar de mais optimista, a estimativa da UNDESA já indicava que Macau teria tido em 2024 a mais baixa natalidade do mundo, a uma grande distância da segunda jurisdição na lista, Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher.

9 Fev 2026

CNRS | Descoberto dinossauro com 125 milhões de anos e picos idênticos ao porco-espinho

Uma nova espécie de dinossauro herbívoro, que viveu há 125 milhões de anos e possuía espinhos comparáveis aos de um porco-espinho moderno, foi descoberta na China, anunciou na sexta-feira o Centro Nacional Francês de Investigação Científica (CNRS).

Em comunicado, o CNRS afirmou que “até então, não existiam provas que comprovassem a existência de tais espinhos nos dinossauros” e explicou que os cientistas baptizaram a nova espécie de ‘Haolong dongi’ em homenagem a Dong Zhiming, pioneiro da paleontologia chinesa.

A investigação sobre a descoberta foi publicada na sexta-feira na revista Nature Ecology & Evolution, noticiou a agência Efe.

A descoberta na China da pele fossilizada excepcionalmente bem preservada de um jovem iguanodonte do Cretácico levou os cientistas do CNRS e os seus parceiros internacionais a utilizarem tomografias de raios X de alta resolução e cortes histológicos.

Os investigadores conseguiram então observar células da pele preservadas durante 125 milhões de anos, que indicaram a presença de espinhos ocos e córneos em grande parte do corpo, comparáveis aos dos porcos-espinhos modernos na sua função de defesa.

Estas protuberâncias demonstram também um mecanismo de defesa evolutivo até então desconhecido nos iguanodontes, um grupo de dinossauros que, dependendo da espécie, podiam medir entre 6 e 10 metros de comprimento e pesar várias toneladas.

O estudo sugere que os espinhos desempenhavam um papel na termorregulação (por serem ocos, poderiam ter ajudado a dissipar ou absorver calor) ou na percepção sensorial (para detectar movimentos ou alterações no ambiente).

“Como o espécime ‘Haolong dongi’ é um juvenil, ainda não se sabe se estes espinhos também estavam presentes nos adultos”, observou ainda o CNRS.

9 Fev 2026

Mar do Sul | Pequim realiza patrulhas aéreas e navais

Pequim revelou ontem que realizou patrulhas aéreas e navais no disputado mar do Sul da China, em resposta aos exercícios conjuntos realizados em Janeiro pelas Filipinas e pelos Estados Unidos nestas águas disputadas.

O porta-voz do Comando do Teatro Sul do Exército de Libertação Popular (PLA, na sigla em inglês) disse que as patrulhas decorreram entre 02 e 6 de Fevereiro, sem fornecer mais detalhes sobre os meios aéreos e navais envolvidos.

“Numa tentativa de provocar instabilidade no mar do Sul da China, o lado filipino aliou-se a países de fora da região e realizou as chamadas ‘patrulhas aéreas bilaterais’, o que mina a paz e a estabilidade regional”, lamentou Zhai Shichen.

Em comunicado, o porta-voz realçou que as forças chinesas “permanecerão em alerta máximo” e “defenderão firmemente a soberania territorial e os direitos e interesses marítimos da China”. As manobras seguiram-se às realizadas por Pequim, nas mesmas águas, em 25 e 26 de Janeiro, depois de as Filipinas e os Estados Unidos terem organizado um exercício conjunto de navegação no Atol de Scarborough.

Este atol é conhecido como Huangyan na China e como Bajo de Masinloc, nas Filipinas, que garantem que a zona se encontra dentro da zona económica exclusiva de Manila.

A China reivindica a soberania sobre praticamente todo o mar do Sul da China, uma região estratégica por onde passa aproximadamente 30 por cento do comércio marítimo global e que contém importantes áreas de pesca e potenciais reservas de hidrocarbonetos.

9 Fev 2026

Justiça | Anulada pena de morte de um canadiano num caso de droga

A aproximação entre a China e o Canadá, reflectida na recente viagem do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim, parece ter impactado no cancelamento da sentença de morte aplicada ao cidadão canadiano

A China cancelou a pena de morte de um canadiano acusado de tráfico de droga por Pequim, disse sexta-feira uma fonte governamental canadiana, marcando um novo sinal de redução da tensão diplomática entre os dois países.

Detido por tráfico de droga, Robert Lloyd Schellenberg tinha sido condenado à morte em Janeiro de 2019, altura em que as tensões eram muito fortes entre Pequim e Ottawa, após a detenção, em Vancouver (oeste do Canadá), de Meng Wanzhou, directora financeira da Huawei, a pedido dos Estados Unidos.

Mas as relações desde então têm-se acalmado com a libertação de Meng Wanzhou e porque as políticas proteccionistas do Presidente americano Donald Trump e a sua diplomacia por vezes errática levaram o Canadá a aproximar-se da China.

Em meados de Janeiro, o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, discutiram em Pequim uma nova parceria, após anos de desentendimentos.

Uma porta-voz do Ministério canadiano dos Negócios Estrangeiros precisou que Ottawa tinha sido informado da “decisão do Supremo Tribunal Popular da República Popular da China no caso de Robert Schellenberg”.
“O Canadá defendeu clemência neste caso, como faz para todos os canadianos condenados à pena de morte”, acrescentou.

Detido em 2014 por tráfico de droga e condenado em primeira instância a 15 anos de prisão, Robert Lloyd Schellenberg foi novamente julgado e condenado à morte em 2019. Na altura, a justiça tinha considerado a pena inicial demasiado “branda”.

O tribunal tinha-o acusado de ter desempenhado um “papel chave” num tráfico de droga destinado a enviar cerca de 222 quilos de metanfetamina para a Austrália. Já condenado no passado no Canadá por tráfico de estupefacientes, Schellenberg afirmava, por sua vez, ser apenas um turista que teria sido apanhado.

A confirmação da sua pena ocorreu no momento em que Meng Wanzhou se encontrava perante um tribunal canadiano para audiências dedicadas à sua possível extradição para os Estados Unidos.

A directora financeira da Huawei e filha do fundador do gigante chinês das telecomunicações era acusada de ter mentido para contornar as sanções americanas contra o Irão. Ao mesmo tempo, a China tinha também colocado atrás das grades dois cidadãos canadianos, Michael Kovrig e Michael Spavor, acusados de espionagem.

Embora os três tenham sido, entretanto, libertados, as tensões persistiram, com Pequim a culpar Ottawa pelo seu suposto alinhamento com a política chinesa de Washington, até ao regresso de Donald Trump ao poder e sua ingerência nas eleições canadianas.

Virar a página

Ao deslocar-se a Pequim em meados de Janeiro, o primeiro-ministro Mark Carney quis virar a página de anos de atrito entre os dois países. Esta foi a primeira visita de um chefe de governo canadiano a Pequim desde a de Justin Trudeau, em Dezembro de 2017.

Embora o Canadá tenha, historicamente, económica e politicamente, laços muito mais fortes com o seu vizinho americano, o Canadá e a China têm em comum sofrer, directa ou indirectamente, nos últimos anos, os efeitos das políticas agressivas do Presidente Donald Trump, tanto contra os seus rivais como contra os seus aliados.

Carney assumiu o compromisso de ver o Canadá duplicar as suas exportações para países além dos Estados Unidos até 2035. E destacou o peso da China: segunda potência económica representando um terço do crescimento global e com a qual o comércio sustenta centenas de milhares de canadianos.

A China é o segundo parceiro comercial do Canadá, atrás dos Estados Unidos. O volume de trocas de bens entre o Canadá e a China atingiu 89,62 mil milhões de dólares americanos em 2025.

9 Fev 2026

Arquivo em Lisboa ajuda brasileiros a confirmar posse de terras

O Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) de Portugal ainda hoje é consultado por brasileiros que procuram provas de que são os donos das suas terras no Brasil, distribuídas pelos portugueses há cinco séculos, indica a responsável por esta instituição.

“De tempos a tempos, recebemos pedidos de cedência de um documento autenticado para um tribunal, ou para dirimir um litígio ou um conflito a esse nível, apesar de ser documentação histórica”, disse à agência Lusa Ana Canas, investigadora do Centro de História da Universidade de Lisboa e que tem desempenhado funções de direcção do AHU.

Esta documentação, fisicamente presente no AHU, mas já disponível nos meios digitais, inclui documentos da concessão de sesmarias no Brasil, um sistema de distribuição de terras adoptado pela Coroa portuguesa, no século XVI, em que eram doadas terras aos sesmeiros, para que estes as ocupassem e nelas produzissem.

E é esta prova de concessão da terra que os seus proprietários ainda hoje procuram no AHU, pois é lá que reside a documentação resultante do relacionamento entre o Brasil e a administração portuguesa, durante o período colonial.

Quilómetros de papéis

O AHU, criado em 1931 com o objectivo de salvaguardar os repositórios da administração colonial portuguesa, guarda cerca de 17 quilómetros de documentação, a qual retrata o relacionamento entre os vários territórios (antigas colónias portuguesas) e os organismos sediados em Lisboa.

Documentos que se têm revelado fontes de informação sobre estes territórios e as suas vivências: Índia, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau.

O acervo do Brasil, localizado nas instalações do AHU, que fica no Palácio do Ega, em Lisboa, foi objecto do “Projecto Resgate Barão do Rio Branco”, um programa de cooperação arquivística internacional, que tem por missão catalogar e reproduzir a documentação histórica manuscrita referente a este país, até à independência, em 1822.

Os portugueses chegaram ao Brasil em 1500 e a ocupação das terras arrancou em 1530. É a história desta presença e o relacionamento com a Coroa, em Portugal, até à independência, que a documentação relata. Durante mais de 10 anos, cerca de 120 investigadores envolvidos neste projecto trabalharam os 300.000 documentos que se encontram no AHU e que envolvem o Brasil, os quais estão agora devidamente identificados e distribuídos em mais de 2.000 caixas, além de disponíveis nos meios digitais.

9 Fev 2026

Timor-Leste | ONG ajuda médicos a realizarem internatos em Macau

A Fundação GX tem apoiado estudantes de Timor-Leste a realizarem internatos médicos em Hong Kong e Macau, disse ontem o presidente da organização não governamental (ONG).

Leung Chun-ying explicou que a GX, com sede em Hong Kong, tem dado apoio financeiro para permitir que estudantes de medicina da Universidade Nacional Timor Lorosa’e se desloquem a uma das duas regiões chinesas.

Numa entrevista à emissora pública de Hong Kong RTHK, o antigo líder do Governo do território disse que a fundação expandiu o trabalho para dez países em quatro continentes, oferecendo oito tipos diferentes de assistência.

Leung disse que a GX assinou acordos com três instituições locais de ensino superior: a Universidade de Hong Kong, a Universidade Chinesa e a Universidade Politécnica. O objectivo, explicou o ex-chefe do Executivo de HK, é ajudar os estudantes a participarem em trabalhos humanitários, para que possam aprender “benevolência” em Hong Kong e “compaixão” no estrangeiro.

Leung defendeu que, face às grandes mudanças no panorama internacional, a China precisa não só de consolidar as amizades existentes com outros países, mas também de fazer novas.

Em Outubro de 2024, a directora executiva da GX, Emily Chan Ying-yang, disse à Lusa que a fundação queria aplicar em outros países, a começar pelas Honduras, um projecto que inverteu em Timor-Leste o rápido crescimento da dengue.

Entre Janeiro e Julho, a GX instalou mais de 1.670 lâmpadas anti-mosquitos e distribuiu quase 30 mil fitas adesivas para apanhar insectos, perto de 18 mil testes rápidos de detecção da dengue e cerca de 500 redes anti-mosquitos, nos 14 municípios timorenses.

9 Fev 2026

Cooperação | Coimbra e Macau com programa de investigação

O programa de colaboração académica entre universidades das duas cidades vai centrar-se na promoção de estudos sino-portugueses e contempla a digitalização de arquivos históricos

A Universidade de Coimbra e a Universidade Politécnica de Macau lançaram um programa de investigação em Humanidades Digitais, centrado na promoção de estudos sino-portugueses, que passa pela digitalização de arquivos históricos, anunciou a instituição chinesa.

A iniciativa tem como objectivo “desenvolver ainda mais o papel de Macau como ponte de intercâmbio académico entre a China e os países de língua portuguesa e aprofundar a cooperação internacional na investigação científica interdisciplinar”, lê-se num comunicado da Universidade Politécnica de Macau (UPM).

O novo programa, lançado oficialmente esta semana, vai reunir “as vantagens das duas universidades” para “desenvolver inovações de investigação multidimensionais”, centrando-se na “promoção de estudos de humanidades sino-portugueses, incluindo a digitalização dos arquivos históricos, a investigação e o desenvolvimento em modelos de linguagem portuguesa de grande escala e inteligência artificial, a revitalização digital do património cultural, bem como a comunicação digital contemporânea”.

Ainda de acordo com o comunicado, o vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC), Nuno Mendonça, referiu na ocasião que, com a inteligência artificial a alterar profundamente a investigação e o ensino, “a ascensão das humanidades digitais não é apenas um desafio técnico, mas também um diálogo profundo que envolve ética e cultura”.

“Com os séculos de experiência nos estudos da cultura chinesa, a UC serve de ponte académica entre o Oriente e o Ocidente, com o objectivo de integrar as tecnologias linguísticas, as indústrias criativas e a investigação em património cultural através deste programa”, disse Mendonça, citado na nota.

Laboratórios académicos

No futuro, as duas universidades vão cooperar para criar laboratórios académicos que “serão pioneiros na inovação tecnológica no campus em Hengqin, um espaço que simboliza a fusão entre tradição e inovação”, reforçou.

As duas instituições de ensino assinaram um acordo “para estabelecer uma base de cooperação no domínio do ensino superior na ‘Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin’, a fim de construir um ‘campus internacional’ orientado para a comunidade mundial”, lembrou, por seu turno, o reitor da UPM.

Neste sentido, disse Marcus Im, o novo programa assume uma missão significativa. Com foco “nas tecnologias da linguagem e dos textos e nas aplicações digitais”, e através da “construção de uma base de dados de textos interlinguísticos, promove a inovação de dados nas ciências humanas e sociais”.

Por outro lado, através de exposições digitais e experiências interactivas, “estimula a divulgação e a partilha de recursos multiculturais”, constatou o reitor da UPM, também citado na nota. O novo campus da Universidade Politécnica de Macau estará integrado numa cidade universitária, que vai abranger também o novo campus da Universidade de Macau, cujas obras arrancaram em Dezembro do ano passado.

Na apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2026, no final do ano passado, o Governo local referiu que, numa primeira fase, Universidade de Macau, Universidade Politécnica de Macau e Universidade de Turismo de Macau vão estabelecer-se no local, “prevendo-se que iniciem as actividades lectivas a partir de Setembro de 2026, com o número de estudantes fixado em 1.200, no primeiro ano, e com predominância ao nível de pós-graduação”.

9 Fev 2026

Turismo | Aumentam gastos em elementos não jogo

No quarto trimestre de 2025, a despesa total dos visitantes não relacionada com o jogo cifrou-se em 21,87 mil milhões de patacas, mais 14,2 por cento, em termos anuais. O número foi revelado na sexta-feira pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

O aumento foi justificado com a despesa total dos excursionistas (5,34 mil milhões de patacas) que subiu 85,9 por cento. A despesa total dos turistas (16,54 mil milhões de patacas) cresceu 1,6 por cento. Contudo, os números mostram que as pessoas estão a gastar menos. A despesa per capita dos visitantes não relacionada com o jogo (2.104 patacas) diminuiu 1,0 por cento, em termos anuais, o que significa que o aumento é conseguido à custa do crescimento de o número de turistas, que individualmente estão a gastar menos.

Analisando a despesa per capita dos visitantes por principais origens, os gastos dos visitantes do Interior da China (2.245 patacas), de Hong Kong (988 patacas) e a dos visitantes internacionais (2.064 patacas) desceram 10,3 por cento, 2,1 por cento, e 3,5 por cento face a 2024. A despesa per capita dos visitantes de Taiwan (2.083 patacas) cresceu 6,7 por cento.

9 Fev 2026

Fronteiras | Novo recorde de passagens a dez dias do Novo Ano Lunar

Macau registou um novo máximo histórico de entradas e saídas nas fronteiras, quando faltam dez dias para o Ano Novo Lunar, a maior migração anual do mundo, foi ontem anunciado.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau indicou que as fronteiras do território registaram a passagem de cerca de 867 mil pessoas no sábado, o número mais elevado desde que os registos diários começaram.

Num comunicado, a PSP referiu que a maior fatia dos movimentos (39,1 por cento) deveu-se aos turistas. Macau, capital mundial dos casinos, recebeu cerca de 174 mil visitantes no sábado, ainda assim longe do recorde diário, fixado em 2 de Janeiro: 188 mil.

Por outro lado, os residentes de Macau foram responsáveis por 36,7 por cento das entradas e saídas nas fronteiras da região, enquanto os trabalhadores migrantes representaram 21,6 por cento.

De acordo com os dados da PSP, a maior fronteira do território, as Portas do Cerco, foi também a mais movimentada, com quase 463 mil passagens, o valor diário mais elevado dos últimos cinco anos, desde o início da pandemia de covid-19.

9 Fev 2026

Concertos | Grupo sul-coreano sobe ao palco sem cantor japonês

O cantor japonês Shotaro ficou de fora dos dois concertos do grupo Riize em Macau, o que foi justificado com “circunstâncias imprevisíveis”. As autoridades de Macau não se pronunciaram oficialmente, mas na Coreia do Sul as notícias indicam a existência de um boicote a artistas do país nipónico

A organização dos dois concertos dos Riize em Macau, que decorreram no fim-de-semana, confirmou que o grupo masculino sul-coreano actuou sem o cantor japonês Shotaro, numa altura de tensões entre Pequim e Tóquio.

Os Riize, que actualmente têm seis elementos, subiram ao palco da Galaxy Arena, no hotel-casino Galaxy Macau, com apenas cinco artistas, disse a empresa IME Macau. Num comunicado publicado nas redes sociais e citado pelo canal em língua portuguesa da televisão pública TDM – Teledifusão de Macau, a empresa justificou a decisão com “circunstâncias imprevisíveis”, sem mais detalhes.

Questionada na terça-feira sobre o cancelamento de espectáculos com artistas japonesas, a directora dos Serviços de Turismo de Macau disse não ter “informação concreta sobre a situação”.

Maria Helena de Senna Fernandes falava à margem da apresentação do desfile do Ano Novo Lunar, que celebra o ano do Cavalo. Ao contrário de anos anteriores, não haverá grupos do Japão.

Em 28 de Janeiro, a emissora sul-coreana MBC, que estava a organizar o ‘Show! Music Core in Macau’, um festival de música da Coreia do Sul, que incluía bandas que integram artistas japoneses, cancelou o evento.

O festival estava marcado igualmente para o passado fim-de-semana, no Local de Espectáculos ao Ar Livre, na zona do Cotai, criado pelo Governo da RAEM. A MBC não deu qualquer explicação para a decisão, dizendo apenas que foi tomada “após uma análise completa das circunstâncias locais e das condições logísticas gerais”.

Pelos vistos

Ainda antes do anúncio oficial por parte da MBC, a imprensa da Coreia do Sul já tinha avançado com o possível cancelamento devido à alegada dificuldade dos artistas japoneses em obter vistos para actuar em Macau.

A Lusa tentou confirmar esta informação junto dos Serviços de Imigração da Polícia de Segurança Pública, o Instituto Cultural (IC) de Macau e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, mas não obteve qualquer resposta.

Em 12 de Dezembro, a presidente do IC negou qualquer interferência no cancelamento de concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trata apenas de decisões comerciais dos organizadores.

“Acho que diferentes partes têm os seus factores de ponderação”, disse Leong Wai Man, numa conferência de imprensa. “É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou.

Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do sector comercial, é uma decisão do organizador” “Não tenho mais nada a acrescentar”, sublinhou a dirigente.

Em Dezembro, tinham sido cancelados espectáculos com artistas japoneses em pelo menos três diferentes hotéis-casinos de Macau. Em Novembro, a primeira-ministra do Japão falou no parlamento nipónico sobre uma eventual intervenção militar japonesa num conflito entre a China continental e Taiwan.

Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”. Dias depois, Pequim desaconselhou deslocações ao Japão, exemplo seguido mais tarde pelas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong.

Ao contrário do habitual, o Governo de Hong Kong não enviou qualquer representante a um evento organizado pelo consulado do Japão na quinta-feira, para assinalar o aniversário do imperador nipónico Naruhito, avançou o portal de notícias Hong Kong Free Press.

9 Fev 2026

Construção | Salários perderam valor em 2025

O salário real médio dos trabalhadores da construção civil teve uma quebra de 1,9 por cento no ano passado, de acordo com os dados apresentados pelos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Apesar disso, o índice do salário real do pintor aumentou 5,8 por cento, face a 2024, ao passo que o do assentador de tijolo e estucador desceu 3 por cento.

O índice médio de preços dos materiais de construção dos edifícios de habitação correspondeu a 122,3 no ano de referência, menos 1,1 por cento, face a 2024. O índice de preços da madeira e o do betão pronto desceram 1,8 por cento e 1,4 por cento, respectivamente, em termos anuais, enquanto o do cabo eléctrico aumentou 2,1 por cento.

9 Fev 2026

Economia | Macau com mais 275 empresas no ano passado

Em 2025 constituíram-se 4.678 sociedades (mais 123, face a 2024), a maioria no ramo de actividade económica do comércio por grosso e a retalho (1.640) e no ramo dos serviços prestados às empresas (1.352).

Ao mesmo tempo dissolveram-se 946 sociedades, tendo o crescimento líquido do número de sociedades sido de 3.732 (mais 275). Os números foram revelados na sexta-feira pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O capital social das sociedades constituídas totalizou 545 milhões de patacas.

Entre as sociedades constituídas, 3.430 (73,3 por cento do total) pertenciam ao escalão de capital social inferior a 50 mil patacas e o capital social destas sociedades (88 milhões de patacas) correspondeu a 16,2 por cento do total. Constituíram-se ainda 52 sociedades com um escalão de capital social igual ou superior a um milhão de patacas e o capital social destas sociedades (287 milhões de patacas) representou 52,7 por cento do total.

9 Fev 2026

Economia | Aliados históricos dos EUA cedem influência à China

Os líderes do Reino Unido e do Canadá “inclinaram-se perante Pequim”, observou ontem o analista Bill Bishop, numa análise aos recentes contactos diplomáticos com a China, que reflectem um distanciamento em relação aos Estados Unidos.

“Tivemos dois dos mais firmes aliados históricos dos Estados Unidos, dois membros da NATO […] efectivamente, de certa forma, a inclinarem-se perante Pequim”, comentou o analista no seu boletim diário Sinocism.

A visita realizada na semana passada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à República Popular da China – a primeira de um chefe de Governo britânico desde 2018 – ocorre num momento em que outros líderes ocidentais, como os da França, Finlândia e Canadá, também procuram reforçar os laços com Pequim, numa tendência de diversificação de alianças face à imprevisibilidade da política externa norte-americana.

Apesar de Pequim não ter anunciado concessões de relevo à delegação britânica, Starmer regressou ao Reino Unido com a redução das tarifas sobre o whisky britânico de 10 por cento para 5 por cento e com a promessa de novas parcerias comerciais. Uma delegação empresarial de cerca de 50 empresas, incluindo a AstraZeneca, acompanhou o chefe do Governo, tendo sido anunciado um investimento de 15 mil milhões de dólares na China até 2030.

A visita foi precedida pela aprovação, por parte das autoridades britânicas, de um projecto para uma nova embaixada chinesa em Londres, bloqueado durante vários anos, bem como pelo abandono de um processo judicial por espionagem que envolvia cidadãos chineses.

Para Bishop, a estratégia de Pequim não visa substituir os Estados Unidos como aliado principal destes países, mas sim “explorar o espaço deixado por fissuras” nas relações tradicionais com Washington. A visita de Starmer, tal como a do primeiro-ministro canadiano, é interpretada como um sinal de abertura para relações mais pragmáticas com dois membros da NATO e da aliança de informação “Cinco Olhos”.

“A China continua a ter uma enorme vantagem em cadeias de abastecimento críticas, como as terras raras”, lembrou Bishop, referindo-se ao controlo chinês sobre minerais essenciais para a indústria.

Um relatório recente do grupo de reflexão European Council on Foreign Relations (ECFR) apontou num sentido semelhante. O documento concluiu que a política externa unilateral e transacional de Donald Trump está a provocar um realinhamento global, com vários países a considerar a China um actor mais previsível e, em certos casos, mais confiável do que os Estados Unidos.

Mapas de influência

Segundo o ECFR, apenas 16 por cento dos europeus vêem hoje os EUA como um aliado confiável. Entre os inquiridos em 21 países, apenas 10 por cento acreditam que os EUA terão mais influência no mundo dentro de 10 anos, enquanto 36 por cento apostam na China. O relatório sublinhou ainda que muitos cidadãos, tanto na Europa como no chamado Sul Global, já não vêem o mundo dividido entre dois blocos rivais, mas sim como um espaço multipolar, onde é possível manter boas relações com ambas as potências.

Para Bishop, o objectivo da China não é virar aliados ocidentais contra Washington, mas sim aproveitar as divisões que se alargaram. “Não se trata de os virar contra os Estados Unidos, mas sim de expandir o espaço de influência e negociação”, afirmou.

6 Fev 2026

Ano Novo Chinês | Sessão de papéis votivos na Fundação Rui Cunha

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje a segunda sessão da iniciativa “Fai Chun – Oferta de Papéis Votivos”, a propósito da chegada do Ano Novo Chinês. Assim sendo, os interessados e curiosos podem passar pela galeria para receber os papéis votivos, que são mensagens de boa sorte em caligrafia chinesa, entre as 10h e as 16h. Os papéis são gratuitos, sendo um evento co-organizado pela Associação de Poesia dos Amigos do Jardim da Flora.

A FRC recebe 41 mestres da caligrafia e poetas que vão criar frases bem-afortunadas e dísticos de versos alusivos às celebrações do Novo Ano Lunar do Cavalo.

Fai Chun é uma decoração tradicional usada durante o Ano Novo Chinês, que marca a chegada da época primaveril. Em português poderá traduzir-se por Onda de Primavera. As pessoas colocam os Fai Chun nas portas para criar uma atmosfera alegre e festiva, já que as frases caligrafadas significam boa sorte e prosperidade.

Normalmente, os Fai Chun tradicionais são de cor vermelha, com caracteres pretos ou dourados inscritos a pincel, que visam proteger as casas com votos de bons auspícios para o ano que se segue. Hoje em dia, são mais frequentes as versões impressas e produzidas em larga escala. Podem ser quadrados ou rectangulares e pendurados na vertical ou na horizontal, geralmente aos pares. Não existem apenas na China, mas também na Coreia, Japão e Vietname.

2026 é o Ano do Cavalo de Fogo, que se inicia a 17 de Fevereiro de 2026 (primeiro dia do Novo Ano Chinês) e dura até 5 de Fevereiro de 2027. O Cavalo é o sétimo dos 12 signos do zodíaco chinês.

6 Fev 2026

Comércio de minerais | Pequim rejeita fragmentação após iniciativa dos EUA

A China rejeitou ontem a criação de “pequenos círculos” exclusivos no comércio internacional de minerais críticos e defendeu um ambiente comercial “aberto, inclusivo e universalmente benéfico”, em resposta a iniciativas lideradas pelos Estados Unidos.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que “manter um ambiente de comércio internacional aberto, inclusivo e universalmente benéfico serve os interesses comuns de todos os países”.

Lin sublinhou ainda que “todas as partes têm a responsabilidade de desempenhar um papel construtivo” para salvaguardar a estabilidade e a segurança das cadeias globais de produção e abastecimento de minerais críticos.

O porta-voz acrescentou que a China “opõe-se a que qualquer país prejudique a ordem económica e comercial internacional através de regras de ‘pequenos círculos’ exclusivos”, numa referência indirecta aos mecanismos de cooperação promovidos por Washington com parceiros e aliados para reduzir a dependência da China neste sector.

As declarações surgem depois de os Estados Unidos anunciarem a criação de uma aliança comercial para minerais críticos e de Washington e a União Europeia terem acordado um primeiro plano de acção conjunto para coordenar políticas de abastecimento destas matérias-primas, consideradas essenciais para indústrias como a dos semicondutores, baterias avançadas e defesa.

Pequim reiterou nos últimos dias que a sua posição quanto à estabilidade das cadeias globais de abastecimento “não se alterou” e defendeu o reforço da comunicação e do diálogo entre países, em detrimento de fórmulas que “fragmentam o comércio internacional”.

6 Fev 2026

Relatório | Investimento directo no exterior atinge máximo desde 2018

A China investiu cerca de 124 mil milhões de dólares no estrangeiro em 2025, o valor mais elevado em novos acordos desde 2018, indicou ontem a consultora norte-americana Rhodium Group.

Apesar de continuar longe do recorde histórico de 287 mil milhões de dólares registado em 2016, o valor total foi impulsionado por projectos de nova geração nos sectores da mineração, centros de dados e energia, que representaram, em conjunto, cerca de 100 mil milhões de dólares no último ano.

O relatório assinala ainda que as operações efectivamente concluídas ascenderam a 73 mil milhões de dólares – o valor mais elevado desde 2019 –, reflectindo o habitual desfasamento entre o anúncio e a concretização dos investimentos, bem como o cancelamento de alguns projectos.

Segundo a Rhodium, embora a China continue a investir fortemente em fábricas no exterior, a tendência está em declínio. Ao contrário, as exportações continuam a ser o principal motor da globalização económica chinesa.

“As empresas chinesas podem estar a localizar parte da produção através de investimento direto externo, mas a estratégia de globalização da China continua a centrar-se nas exportações”, afirma o relatório, que acrescenta que “a capacidade produtiva doméstica cresceu muito mais rapidamente do que fora da China desde a pandemia”.

O norte de África foi a única região do mundo a registar um aumento no investimento chinês em novas unidades fabris durante 2025, o que poderá representar “uma decepção” para países que esperavam revitalizar a indústria com capital proveniente da China.

Papel principal

A Ásia manteve-se, em 2025, como o principal destino do investimento externo chinês, seguida por mercados como a América Latina, impulsionada por projectos mineiros e de infraestruturas. Em contraste, a fatia de investimentos na América do Norte, Europa e Oceânia caiu de cerca de 70 por cento do total em 2016 para menos de 20 por cento.

A quebra foi particularmente acentuada na Europa Central e de Leste, sublinha a consultora, que associa a retração à relutância de Pequim em permitir que tecnologias avançadas chinesas sejam transferidas para o estrangeiro.

O sector automóvel representou 13 por cento do investimento, a menor quota desde 2020, devido à desaceleração nas cadeias de produção de veículos eléctricos. Em sentido oposto, aumentaram os investimentos em projectos de exploração de ferro, lítio e ouro, bem como em energia fóssil e renovável.

O relatório destaca ainda o crescimento dos serviços digitais, o segundo maior da série histórica, com destaque para o “boom” de centros de dados no Sudeste Asiático, e o sector dos bens de consumo, impulsionado pela aquisição de marcas históricas europeias e redes de retalho.

A estimativa da Rhodium Group difere dos dados oficiais divulgados por Pequim, que apontam para 174,4 mil milhões de dólares investidos no estrangeiro em 2025, mais 7,1 por cento do que no ano anterior.

A diferença, segundo a consultora, deve-se a empresas chinesas que mantêm receitas em dólares nas suas filiais no exterior, evitando repatriar os lucros e convertê-los em activos denominados em renmimbi.

6 Fev 2026

Poemas de Lu Xun

Poucos conhecidos, marginais à obra do grande escritor da primeira metade do século XX, mas essenciais para nos proporcionarem uma proximidade ao homem e aos interstícios da sua obra. A Via do Meio inicia hoje a apresentação dos poemas de Lu Xun, nunca antes vertidos em língua portuguesa, com tradução e comentários de Sara F. Costa.

Longe dos Irmãos

別諸弟
Bié zhū dì

(庚子二月) 1
(Gēngzǐ èr yuè)

謀生2 無奈日奔馳,
Móu shēng wú nài rì bēn chí,

有弟偏教各別離。
Yǒu dì piān jiào gè bié lí.

最是令人淒絕3處,
Zuì shì lìng rén qī jué chù,

孤燈4 長夜雨來時。
Gū dēng cháng yè yǔ lái shí.

Longe dos Irmãos

(Segundo mês do ano Gengzi)

Para ganhar a vida, corro sem escolha,
tenho irmãos — e sigo por caminhos distintos dos deles.
O que mais faz sofrer até à desolação
é a chuva da noite longa, junto à lâmpada solitária.

Contextualização e comentário

O poema 〈別諸弟〉 (Longe dos Irmãos), datado do segundo mês do ano Gengzi (庚子二月, 1900), integra a produção poética juvenil de Lu Xun, escrita em chinês clássico (文言文) e formalmente inscrita na tradição canónica do jueju (绝句) de cinco caracteres. Embora esta vertente da sua obra seja menos conhecida do que a produção ensaística e ficcional em baihua (白话), o poema revela já um conjunto de tensões éticas, afetivas e existenciais que atravessarão toda a sua escrita posterior.

À data da composição, Lu Xun tinha dezanove anos e encontrava-se numa fase marcada por dificuldades económicas e por sucessivas separações familiares. Após a morte do pai, ocorrida três anos antes, recaíram sobre si responsabilidades materiais e morais em relação aos irmãos mais novos, de acordo com a ética familiar tradicional. O afastamento para Nanquim, onde frequentou primeiro a Escola Naval e depois a Escola de Minas e Caminhos-de-Ferro, não resultou de uma vocação idealizada, mas de uma necessidade concreta: assegurar a subsistência da família através do acesso ao ensino gratuito e às bolsas de estudo. A inscrição temporal do poema no calendário tradicional chinês ancora esta experiência individual num tempo cíclico e ritual, associado à ordem familiar e cultural, reforçando o conflito entre dever, sobrevivência e afastamento.

O poema apresenta a forma concisa e altamente condensada do jueju, recorrendo a procedimentos sintáticos característicos do verso regulado e a um vocabulário de forte densidade semântica. O primeiro verso — “Para ganhar a vida, corro sem escolha” — introduz o núcleo ético do texto. O sintagma móu shēng (謀生), “ganhar a vida”, surge aqui despojado de qualquer valor vocacional ou edificante, remetendo para a dimensão estritamente material da existência. A opção tradutória pelo verbo correr traduz o valor dinâmico de bēnchí (奔馳), intensificando a ideia de urgência, desgaste e movimento contínuo. A vida não se apresenta como algo que se sustenta passivamente, mas como algo que se persegue num ritmo forçado, sem margem de escolha nem possibilidade de pausa.

No segundo verso — “tenho irmãos — e sigo por caminhos distintos dos deles” — a separação é formulada como divergência de trajetórias. A manutenção do plural preserva a referência concreta ao núcleo familiar, enquanto a imagem dos “caminhos distintos” desloca o poema para uma reflexão mais ampla sobre a assimetria dos destinos na entrada na vida adulta. A existência dos irmãos não atenua a separação; pelo contrário, torna-a mais consciente e mais pesada. O afastamento não é apresentado como rutura súbita, mas como consequência inevitável do próprio movimento da vida, inscrito no tempo e nas escolhas impostas pelas circunstâncias.

O dístico final concentra o núcleo emocional do poema numa imagem de forte tradição literária: “a chuva da noite longa, junto à lâmpada solitária”. A lâmpada (gū dēng 孤燈) é um símbolo recorrente da vigília, do estudo e do isolamento do letrado, enquanto a chuva noturna remete para a nostalgia e a melancolia de quem se encontra longe de casa. Esta imagem, presente desde a poesia da dinastia Song — nomeadamente em autores como Lu You (1125–1210) — articula espaço exterior e interior, fazendo coincidir a persistência da chuva com a duração da consciência desperta. A dor não se exprime por enunciação direta, mas pela insistência do tempo noturno e pela solidão iluminada.

A tradução portuguesa acentua esta dimensão ao optar por uma sintaxe fluida e por imagens que preservam a contenção do original, sem empobrecimento expressivo. O verso “O que mais faz sofrer até à desolação” recupera a fórmula intensificadora zuì shì lìng rén qī jué chù (最是令人淒絕處), recorrente na tradição poética chinesa para condensar o grau máximo da dor num ponto preciso do poema. A escolha lexical privilegia a continuidade emocional e a progressão interna do texto, evitando tanto a literalidade rígida como a amplificação retórica.

Este poema juvenil revela já um traço central da escrita de Lu Xun: a preferência por imagens densas e estruturalmente carregadas em detrimento da expressão direta do sentimento. A experiência da separação familiar, da necessidade material e da solidão noturna surge articulada com clareza e economia, sem apelo ao consolo nem à reconciliação. A divergência dos caminhos afirma-se como dado constitutivo da vida adulta, assumido com lucidez e sustentado por uma imagética capaz de concentrar, em poucos versos, uma experiência de perda que não se resolve, mas se aprende a suportar à luz frágil de uma lâmpada.


Gengzi (庚子) corresponde ao ano de 1900 segundo o calendário tradicional chinês, baseado no sistema sexagenário que combina os Dez Troncos Celestes (天干) e os Doze Ramos Terrestres (地支). O “segundo mês” refere-se ao segundo mês lunar, e não ao mês civil ocidental, situando o poema aproximadamente entre fevereiro e março de 1900. A utilização desta datação tradicional inscreve o texto num tempo cíclico e ritual, associado à ordem familiar e cultural, em contraste com o calendário gregoriano de uso administrativo.

謀生 (móu shēng), “ganhar a vida”, é um termo forte, quase impróprio para um jovem estudante. No contexto de Lu Xun, designa a necessidade de escolher estudos técnicos e utilitários como único meio de sustento, não como realização pessoal.

淒絕 (qī jué), “tristeza cruel, desolação extrema”. A sequência zuì shì lìng rén… (“o que mais faz sofrer…”) é uma construção poética recorrente para exprimir o grau máximo da dor.

孤燈 (gū dēng), “lâmpada solitária”, pode designar tanto uma lâmpada a óleo como uma vela. Na tradição poética chinesa, associa-se ao estudioso isolado, ao exilado ou ao viajante afastado do lar.

6 Fev 2026

Jogo | Menos empréstimos ilegais em 2025

No ano passado, a Polícia Judiciária iniciou um total de 192 investigações relacionadas com empréstimos ilegais para jogo, o que representou uma quebra de 23,8 por cento face a 2024. Os números foram divulgados ontem durante um simpósio sobe as estatísticas do ano passado.

Apesar de haver menos empréstimos, o número de inquéritos instaurados relacionados com o jogo aumentou 62,6 por cento, para um total de 2.314. Este aumento foi justificado com o crime de troca ilegal de dinheiro para o jogo. Esta foi uma prática que as autoridades locais sempre entenderam não ser necessário criminalizar. Contudo, em 2024, depois das críticas vindas do Interior em que a prática em Macau destas trocas de dinheiro foi identificada como uma vulnerabilidade para a segurança do país, o Governo da RAEM acabou por avançar com a criminalização.

Nas declarações prestadas, Sit Chong Meng, director da PJ, afirmou que desde que a lei de combate às trocas ilegais de dinheiro para o jogo entrou em vigor até Dezembro de 2025 foram concluídos 567 casos, que levaram à detenção de 867 pessoas. A polícia apreendeu mais de 94 milhões de dólares de Hong Kong, sendo que algumas operações foram conduzidas em cooperação com as autoridades do Interior.

De acordo com o jornal Ou Mun, o aumento da criminalidade resultou também de “melhorias estatísticas”, que não foram especificadas.

Sit avisou também que “à medida que as iniciativas policiais se intensificam, as actividades dos gangues de câmbio de dinheiro tornaram-se cada vez mais secretas e os padrões criminosos mais sofisticados”. Contudo, o respomsável prometeu que a PJ “vai acompanhar de perto e de forma persistente” as redes criminosas que utilizam os negócios legítimos para esconderem estas trocas ilegais.

6 Fev 2026

Emperor | Vendido ouro do chão por 100 milhões

O grupo Emperor, responsável pelo hotel com o mesmo nome em Macau, acordou a venda de várias barras de ouro que estavam colocadas no chão do hotel. O anúncio foi feito ontem à Bolsa de Hong Kong, e a venda do metal ficou acordada por 99,7 milhões de dólares de Hong Kong, no que deverá representar num lucro líquido de 90,2 milhões.

Sobre os motivos para a venda do ouro, o grupo explica se enquadra numa nova estratégia para a exploração do hotel, face ao fim da operação do espaço de jogo, que no passado fez com que o Emperor Hotel fosse um casino-satélite.

“Após o encerramento das suas operações de jogo, o Grupo tem vindo a planear activamente outras instalações de entretenimento e diversão para melhorar a sua experiência global de hospitalidade e alargar a sua base de receitas”, foi apontado. “Os metais preciosos que originalmente faziam parte do design interior e do equipamento do hotel, já não são relevantes para o tema do hotel no futuro”, foi acrescentado.

O Conselho de Administração da empresa explicou também que a venda se realiza numa altura em que o valor do ouro tem atingido números históricos.

O comprador é a empresa Heraeus Metals Hong Kong, a representação do grupo alemão Heraeus, fundado em 1660, e que se dedica a actividades como a comercialização de metais preciosos, reciclagem, saúde, produtos electrónicos e semicondutores.

6 Fev 2026

MGM China | Lucros aumentaram 10,7 por cento

A concessionária do leão anunciou um crescimento anual das receitas que promete uma entrada auspiciosa no Ano do Cavalo. Em 2025, a MGM China anunciou lucros recorde de 1,2 mil milhões de dólares

A operadora de jogo em Macau MGM China anunciou lucros recorde de 1,2 mil milhões de dólares em 2025, um aumento anual de 10,7 por cento.

Trata-se do terceiro ano consecutivo com um novo máximo, depois de, em 2023, a MGM China ter registado um recorde histórico de lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização (EBITDA, na sigla em inglês) de cerca de 921 milhões de dólares e, em 2024, de aproximadamente 1,13 milhões de dólares.

Estes dados, de acordo com um comunicado enviado à bolsa de valores de Nova Iorque na quarta-feira, foram publicados “de forma inadvertida”, já que a data de publicação estava marcada para dia 11 de Fevereiro. Os resultados, escreveu a empresa, vão ser hoje divulgados “após o encerramento do mercado”

Ainda de acordo com o documento, no último trimestre do ano passado, a MGM China alcançou lucros de 332,3 milhões de dólares, uma subida de 30,5 por cento em relação ao mesmo período do ano passado (254,7 milhões de dólares). A empresa terminou o ano ainda com uma subida anual de 10,9 por cento nas receitas, com ganhos de 4,5 mil milhões de dólares em 2025 face aos 4,02 mil milhões de dólares obtidos no ano anterior.

Em termos trimestrais, a MGM China alcançou receitas líquidas de 1,24 mil milhões de dólares nos últimos três meses do ano, o que representa um acréscimo de 21,4 por cento em relação ao mesmo período de 2024 (1,02 mil milhões de dólares).

Acima do esperado

Em reacção aos resultados anunciados, citados pelo portal GGR Asia, a empresa de serviços financeiros Jefferies considerou que ficaram entre 3 por cento e 5 por cento acima das expectativas.

No entanto, o dia de ontem ficou marcado por uma suspensão do comércio das acções da MGM China na Bolsa de Hong Kong. A suspensão aconteceu na parte da manhã, depois de a empresa-mãe, a MGM Resorts, ter por anunciado “inadvertidamente” os resultados da MGM China, ainda antes do comunicado desta às autoridades da Bola de Hong Kong.

Seis concessionárias do jogo, MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM, operam em Macau, o único local na China onde o jogo em casino é legal. Os casinos da região fecharam o ano de 2024 com receitas de 226,8 mil milhões de patacas, mais 23,9 por cento do que em 2023 (183,1 mil milhões de patacas).

As receitas dos casinos de Macau atingiram no ano passado 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento em comparação com o ano anterior.

6 Fev 2026

Patriotismo | Sam Hou Fai salienta prioridade a interesses nacionais

“Colocamos sempre em primeiro lugar a salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses de desenvolvimento nacional, implementando com determinação o princípio de ‘Macau governada por patriotas’”, afirmou o Chefe do Executivo num discurso proferido ontem na recepção da festa de Primavera oferecida pelo Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM.

Sam Hou Fai resumiu a acção política do ano passado, com particular destaque para a integração nacional e defesa da segurança do Estado. “No âmbito da salvaguarda da segurança nacional, tomámos medidas decisivas, tratando os casos de acordo com a lei, a fim de prevenir e impedir resolutamente a infiltração e a interferência de forças externas. Isto assegurou a manutenção eficaz da estabilidade e da harmonia em Macau”, indicou o político local.

O líder do Executivo mencionou várias vezes as instruções de Xi Jinping, nomeadamente a frase, que tem “sempre presente”, “A prosperidade não deve induzir à complacência, nem a segurança justifica o esquecimento do perigo”.

Afirmando que 2026 é um ano crucial para o alinhamento com as estratégias nacionais, Sam Hou Fai reforçou a promessa de manter a estabilidade. “Continuaremos a implementar o princípio ‘um país, dois sistemas’ de forma abrangente, precisa e resoluta, salvaguardando firmemente a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento nacional e defendendo com determinação a linha inultrapassável de que ‘não pode haver caos em Macau’”.

6 Fev 2026

Fronteiras | Mercadorias passam a ter declaração alfandegária única

Entrou ontem em funcionamento, a título experimental, um serviço que permite entregar online apenas uma declaração alfandegária para a passagem de mercadorias entre Guangdong e Macau, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT).

Assim sendo, as empresas necessitam de preencher os dados de declaração apenas uma vez e a informação será partilhada entre as autoridades do Interior da China e Macau. A DSEDT afirma que a medida pretende melhorar “o nível de facilitação do comércio transfronteiriço, servindo melhor o desenvolvimento económico e atendendo melhor às necessidades da sociedade”.

A direcção de serviços da RAEM acrescenta que a chamada “janela única” para mercadorias de Guangdong e Macau visa prestar serviços facilitados de desalfandegamento de mercadorias por meios digitalizados e informatizados às empresas exportadoras do Interior da China e importadoras de Macau, encurtando o tempo gasto na declaração alfandegária.

O Governo indica ainda que o novo serviço ajuda a reduzir custos laborais e tempo, sem necessidade de repetir a introdução de dados, assim como a diminuir erros e aumentar a eficiência.

6 Fev 2026