Hoje Macau China / ÁsiaTailândia | Novo colapso de guindaste faz dois mortos e um ferido Duas pessoas morreram e uma ficou ferida após um guindaste ter caído sobre uma estrada, nos arredores da capital da Tailândia, um dia depois de um incidente semelhante que fez pelo menos 32 mortos. “Duas pessoas morreram e uma ficou ferida”, disse o polícia Saranyapong Aonsingh à agência de notícias EFE, acrescentando que os agentes de segurança estavam no local do acidente, onde estava a ser construído um viaduto. De acordo com relatos dos serviços de resgate e bombeiros tailandeses na rede social Facebook, o guindaste colapsou por volta das 09:15, por razões ainda desconhecidas, num estaleiro de construção na autoestrada Rama II, na província de Samut Sakhon, nos arredores de Banguecoque, atingindo dois automóveis. Este acidente aconteceu um dia depois de um outro guindaste ter caído sobre um comboio de passageiros, com 171 pessoas a bordo, no nordeste da Tailândia, causando pelo menos 32 mortos e mais de 50 feridos. Em ambos os casos, os projectos estavam ligados à empresa local Italian-Thai Development, de acordo com o ministro dos Transportes tailandês, Phiphat Ratchakitprakarn, numa entrevista concedida hoje a uma televisão. “Não sabemos exactamente o que aconteceu à empresa (…). Se a situação se mantiver, poderemos ter de anunciar uma paragem temporária de todas as suas operações em todo o país”, acrescentou.
Hoje Macau EventosFAM | IC acolhe propostas para nova edição do festival O Instituto Cultural (IC) está a acolher propostas de espectáculos e iniciativas que possam ser integradas na 36ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que se realiza entre os meses de Maio e Junho deste ano. Segundo um comunicado, a ideia é proporcionar oportunidades a personalidades artísticas e organizações locais. “Ao longo dos anos, o FAM tem procurado incentivar o desenvolvimento das artes locais e disponibilizar uma plataforma de qualidade para a apresentação e o intercâmbio das artes performativas em Macau”, descreve o IC numa nota. Pretende-se, com o FAM, “expandir a plataforma de exibição das artes performativas locais e incorporar mais trabalhos criativos com características locais”. Para a edição deste ano, o tema é “Encontro Cultural na Rota Marítima da Seda”, convidando-se os participantes a “inspirarem-se no património cultural único de Macau”, para apresentar obras centradas no território ou “que incorporem elementos específicos da cidade, como a arquitectura histórica, figuras notáveis, locais e contos populares, explorando o encanto distinto da cidade”. As propostas a concurso devem integrar-se em duas categorias, nomeadamente “Programas Individuais”, que incorpora “todos os géneros de espectáculos, como teatro, ópera cantonense, dança, espectáculos infantis e artes performativas multimédia”. Nesta categoria, o IC encoraja “a inovação e avanços criativos na criação artística”. Por sua vez, a segunda categoria, “Mostra de Espectáculos ao Ar Livre” consiste num “programa comunitário popular que procura apresentações ao ar livre para toda a família e em formatos variados”. Os programas seleccionados pelo IC irão receber apoio financeiro para suportar os custos de produção. As associações locais e indivíduos interessados devem inscrever-se até ao dia 10 de Fevereiro. Os candidatos aprovados na primeira fase de selecção deverão comparecer a uma entrevista com o júri nesse mesmo mês.
Hoje Macau EventosCCM | Musical “Operação Oops!” apresentado no final do mês O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau acolhe, entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro, o musical “Operação Oops!”, baseado no romance homónimo do dramaturgo Lawrence Lei I Leong, natural de Macau. O elenco tem como protagonista Jordan Cheng, que venceu o galardão de “Melhor Actor” na 31.ª edição dos Prémios de Teatro de Hong Kong Macau recebe no final do mês um novo espectáculo que decorre no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) e que nasce de uma encomenda do Instituto Cultural (IC) no contexto do programa “Comissionamento de Produções de Artes Performativas 2024-2026”. Trata-se do musical “Operação Oops!”, que sobe ao palco entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro. Segundo uma nota do IC, trata-se de uma adaptação do romance homónimo do dramaturgo local Lawrence Lei I Leong, e conta com diversas figuras do teatro já premiadas e com provas dadas no mundo do espectáculo. A música do espectáculo, por exemplo, foi composta por Leon Ko, que já venceu um Cavalo Dourado nos prémios de cinema de Taiwan em 2005, pela banda sonora do filme “Perhaps Love”. Além disso, o público poderá ver de perto o trabalho de interpretação de Jordan Cheng, protagonista do “dinâmico elenco”, natural de Macau e que foi homenageado como “Melhor Actor” nos 31.º Prémios de Teatro de Hong Kong. Por sua vez, o espectáculo será dirigido por Fong Chun Kit, uma das mentes criativas do Teatro Repertório de Hong Kong, enquanto a coreografia é concebida pela criadora de dança local Florence Cheong. “Subir na vida” “Operação Oops!” conta a história de um grupo de pessoas que não consegue orientar-se na vida nem ter estabilidade, e que, “desapontados com os preços exorbitantes das rendas, decidem raptar um promotor imobiliário”, descreve a sinopse do espectáculo. Porém, nem tudo corre como planeado, e “frustrados pela ocorrência de uma série de infelizes peripécias, o grupo vê o seu plano de rapto sem orçamento entrar numa espiral caótica”. Assim, “entre discussões e picardias constantes”, o público é levado a perceber como é que toda essa confusão irá acabar. “Ilustrando uma história deliciosamente absurda ao som de cativantes melodias, num constante tom satírico e humorístico, ‘Operação Oops!’ envolve o público de forma surpreendentemente profunda”, como “descobrir sabedoria num divertido biscoito da sorte”, lê-se ainda na sinopse. A par das apresentações do espectáculo, o IC “irá convidar representantes de várias entidades de produção teatral, companhias e festivais de arte do Interior da China e regiões vizinhas para se deslocarem a Macau a fim de promover intercâmbios e realizar uma ‘Sessão de Apresentação do Programa Local'”, descreve-se em comunicado. O objectivo é “criar uma plataforma de promoção de obras originais do sector das artes performativas de Macau e explorar oportunidades de colaboração”. Esta sessão tem lugar dia 1 de Fevereiro, às 15h15, no Estúdio I do CCM e decorre em mandarim sem tradução, estando aberta a associações ou companhias ligadas às artes performativas, legalmente registadas em Macau, ou a indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos que sejam residentes do território. As inscrições abrem hoje e decorrem até ao dia 27 de Janeiro.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCanadá | Primeiro-ministro Mark Carney de visita a Pequim Depois de anos marcados por incidentes diplomáticos e divergências, a viagem do primeiro-ministro canadiano à China é encarada como um novo capítulo nas relações entre as duas nações A visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, à China, a primeira de um chefe de Governo do Canadá em oito anos, é vista por ambos os países como o início de uma nova fase nas relações bilaterais. Segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o chefe da diplomacia Wang Yi considerou a visita de Carney como “ponto de viragem” com potencial para abrir “novas perspectivas” na relação entre Pequim e Otava. A ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Anita Anand, que se reuniu ontem com Wang, afirmou que Carney pretende “definir o rumo para o desenvolvimento das relações” e retomar o diálogo em múltiplos domínios, segundo a mesma nota. Carney, que assumiu funções há 10 meses, tenta restabelecer laços com Pequim depois de um período marcado por divergências, que inclui a detenção, em 2018, da directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, a pedido dos EUA, e a imposição de tarifas mútuas sobre produtos estratégicos como veículos eléctricos, aço, alumínio, canola e produtos do mar. O primeiro-ministro canadiano reuniu-se ontem com o homólogo chinês, Li Qiang, e deverá encontrar-se com o Presidente Xi Jinping amanhã. Factor Trump A missão ganha urgência num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, agravou as tarifas sobre exportações canadianas. Actualmente, mais de 75 por cento das exportações do Canadá têm como destino os Estados Unidos. Carney definiu como meta duplicar as exportações canadianas para fora do mercado norte-americano na próxima década. “Estamos prontos para construir uma nova parceria, assente no melhor do nosso passado e preparada para os desafios do presente”, escreveu Carney na rede X após a chegada a Pequim, na quarta-feira à noite. As tarifas aplicadas pelo Canadá em 2024, sob o Governo de Justin Trudeau, seguiram o exemplo dos EUA e impuseram taxas de 100 por cento sobre veículos eléctricos chineses e 25 por cento sobre aço e alumínio. Em resposta, Pequim aplicou tarifas de 100 por cento ao óleo e farelo de canola canadianos, 75,8 por cento às sementes de canola e 25 por cento à carne de porco e aos produtos do mar, praticamente encerrando o mercado chinês a estas exportações, segundo fontes do sector. A China tem expressado esperança de que a pressão económica exercida por Trump leve aliados dos EUA, como o Canadá, a adoptar uma política externa mais autónoma. Pequim acusa frequentemente Washington de formar alianças para isolar a China, uma linha de crítica comum sob as administrações de Joe Biden e de Trump. As relações entre os dois países deterioraram-se gravemente em 2018, quando Meng Wanzhou foi detida no Canadá a pedido dos EUA. A China retaliou com a detenção de dois cidadãos canadianos por alegada espionagem, num episódio que congelou o diálogo diplomático durante mais de dois anos.
Hoje Macau Via do MeioPoemas de Meng Haoran 孟浩然 (689-740) 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 春初漢中漾舟 羊公峴山下 神女漢皋曲 雪罷冰復開 春潭千丈綠 輕舟恣來往 探翫無厭足 波影搖妓釵 沙光逐人目 傾杯魚鳥醉 聯句鶯花續 良會難再逢 日入須秉燭 MENG HAORAN (689–740) (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Tradução Rui Cascais Vogando no Rio Han ao Começar a Primavera À ilharga do Monte Xian de Lorde Yang Hu, [1] Num meandro do Han, dito das donzelas celestes,[2] Agora que a neve cessou e o gelo se abre de novo, Por águas de Primavera verdes e longas, O meu barco vai onde quer, Buscando prazer sem fadiga ou tédio. Há reflexos de ondas no cabelo da concubina E o brilho das areias queima-nos a visão. Inclinamos as taças – estão ébrios os peixes e as aves; Encadeamos versos – papa-figos e flores imitam-nos. Encontros destes são difíceis de repetir; Quando o sol se retira, devemos pegar numa vela.[3] [1] Yang Hu foi governador militar da cidade de Xiangyang em meados do século III. No Monte Xian, alguns quilómetros a sul da cidade, e sobranceira ao Rio Han, existia uma estela em sua homenagem. [2] Diz-se que um tal Zheng Jiaofu teria encontrado aqui duas donzelas que se banhavam e lhe ofereceram os seus pendentes quando se despediram. Voltando-se para trás, Zheng reparou, com sobressalto, que haviam desaparecido sem rasto, concluindo que se tratavam de seres sobrenaturais. [3] Referência a uma copla da dinastia Han tardia: “Curto é o dia, longa a noite amarga. /Melhor pegar numa vela e irmos folgar”. 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 宿來公山房期丁大不至 夕陽度西嶺 群壑倏已暝 松月生夜凉 風泉滿清聽 樵人歸欲盡 煙鳥棲初定 之子期宿來 孤琴候蘿逕 MENG HAORAN (689–740) (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Tradução Rui Cascais Pernoito e Espero na Casa de Montanha de Lai, mas o Velho Ding Não Chega[1] A incandescência do sol já só lambe a cumeeira a ocidente; As inúmeras ravinas de súbito cinzeladas a negro. Atrás de um pinheiro a lua traz o fresco da noite; Soa uma nascente batida pelo vento, derramando limpidez. Regressando a casa, já quase se foram os lenhadores; Pássaros nevoentos pousam agora nos galhos. Vim ter contigo nesta noite combinada – Uma cítara solitária, vigiando a vereda que as trepadeiras tolhem. [1] Há aqui um jogo óbvio, mas delicioso, entre lái (來, o verbo “vir”, neste caso feito nome do proprietário da casa na montanha) e zhì (至, o verbo “chegar”).
Hoje Macau SociedadeSMG | Alerta para frio na próxima semana e tufão nas Filipinas Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) avisaram ontem que na próxima semana Macau irá ficar novamente sob a influência de uma monção de Inverno, a partir de quarta-feira, que vai arrefecer o território com as temperaturas mínimas a cair para, pelo menos, 12º celsius. O mesmo fenómeno vai resultar em dias de sol, fazendo com que os dias sejam quentes, e as noites frias, com as diferenças térmicas a serem “bastante significativas”. As autoridades indicaram também que uma área de baixa pressão, situada a leste das Filipinas, evoluiu para uma tempestade tropical, “com potencial para se tornar na primeira tempestade tropical, deste ano”. A tempestade, baptizada como “Nokaen” tem probabilidades “bastante baixas” de entrar no Mar do Sul da China e afectar Macau. Os SMG referem que, embora Janeiro seja um mês de Inverno no hemisfério Norte, as temperaturas da superfície do mar no noroeste do Oceano Pacífico permanecem relativamente altas (iguais ou superiores a 28º). De acordo os SMG, desde o início dos registos em 1968, o mês mais precoce em que foram emitidos sinais de ciclones tropicais em Macau foi Abril.
Hoje Macau Manchete SociedadeEconomia | Associação Económica alerta para dificuldades em bairros Casinos com mais receitas e bairros residenciais em que as pequenas e médias empresas enfrentam cada vez mais dificuldades. É este o estado esperado da economia local até Março, de acordo com a previsão mais recente da Associação Económica de Macau Até Março, a economia do território deverá manter-se estável, de acordo com o Índice de Prosperidade mais recente da Associação Económica de Macau, publicado ontem. De acordo com um comunicado da associação, que teve como autor o deputado Joey Lao, a estabilidade não impede que os bairros residenciais atravessem mudanças complicadas. Segundo a previsão, espera-se um desenvolvimento económico desequilibrado, com o ambiente de negócios nos bairros comunitários a sofrer uma mudança “complicada”. Neste contexto, prevê-se que o crescimento da economia se deva quase exclusivamente ao sector do jogo e aos grandes empreendimentos turísticos, enquanto as pequenas e médias empresas (PME) deverão continuar a atravessar um período de sofrimento. Ao mesmo tempo, Lao apontou como riscos para as PME a incerteza económica no exterior, principalmente no Interior da China, e os novos modelos de consumo, mais virados para as compras online. Com os rendimentos dos residentes sob pressão, assim como as PME, não se espera grande disponibilidade para o investimento. Também no Interior da China estima-se que o Índice de Confiança dos Consumidores se mantenha num nível baixo durante algum tempo. Pico de turistas Se para as PME a situação deverá permanecer difícil, para os grandes empreendimentos espera-se a continuidade do crescimento moderado, motivado por novos recordes de visitantes. O deputado recordou que, apesar de os últimos dois meses do ano passado terem trazido alguma estabilidade face ao período homólogo, a indústria do jogo apresentou uma expansão anual das receitas. Por outro lado, é destacado o número de turistas que visitaram Macau em 2025, um novo recorde de 40,06 milhões, que ultrapassou o registo de 2019. Em comparação com a 2024, o número de turistas aumentou 14,7 por cento. Joey Lao apontou que o volume de hóspedes e a taxa de ocupação média hoteleira também se mantiveram num nível elevado, fazendo com que os resorts continuem a ser o principal motor da economia. Em relação à taxa de desemprego, a associação espera que mantenha o nível de 1,7 por cento, por considerar que há muitas vagas por preencher. Nunu Wu (com J.S.F.)
Hoje Macau SociedadeHabitação | Empréstimos por pagar em crescimento No final de Novembro de 2025, o rácio das dívidas não pagas relativas aos empréstimos hipotecários para habitação (EHHs) aumentaram para 3,9 por cento, quando no mês anterior o rácio tinha sido de 3,8 por cento. Os dados foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), com a publicação das “Estatísticas relativas aos empréstimos hipotecários – Novembro de 2025”. Quando a comparação é feita entre Novembro de 2025 e Novembro de 2024 houve um crescimento do rácio das dívidas não pagas de 0,4 pontos percentuais. O rácio das dívidas não pagas de empréstimos comerciais para actividades imobiliárias (ECAIs) ficou estável entre Outubro e Novembro de 2025, mas quando comparação é feita com Novembro de 2024 houve um aumento de 0,8 pontos percentuais. Em Novembro de 2025, os novos EHHs aprovados pelos bancos de Macau cresceram 6,3 por cento em relação ao mês transacto, até 1,25 mil milhões de patacas. Entre os novos EHHs aprovados, os pedidos de residentes locais, que representavam 98,7 por cento dos empréstimos, cresceram 7,7 por cento e atingiram 1,24 mil milhões de patacas. O componente não-residente decresceu 48,2 por cento para 15,80 milhões de patacas. Os novos ECAIs aprovados caíram 52 por cento relativamente ao mês anterior para um total de 406,17 milhões de patacas. Destes, 97,5 por cento foram concedidos a residentes e decresceram 52,6 por cento para 395,87 milhões de patacas. Os empréstimos de não-residentes mantiveram-se em 10,30 milhões de patacas.
Hoje Macau PolíticaFinanças | Reservas Cambiais atingiram 245,6 mil milhões As reservas cambiais da RAEM cifraram-se em 245,6 mil milhões de patacas, o equivalente a 30,64 mil milhões de dólares americanos, no final de Dezembro, de acordo com a informação mais recente da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Os números foram divulgados ontem e fazem parte das estimativas preliminares. O valor de 245,6 mil milhões de patacas representa um aumento de 2 por cento relativamente aos dados rectificados do mês anterior, que atingiram 240,8 mil milhões de patacas, ou 30,05 mil milhões dólares americanos. No final de Dezembro de 2025, as reservas cambiais da RAEM correspondiam a cerca de 11 vezes a circulação monetária, ou 91,8 por cento do agregado monetário M2 em patacas, conforme os dados do final de Novembro de 2025. A taxa de câmbio efectiva da pataca de Macau, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 101,1 em Dezembro de 2025, registando decréscimos de 0,81 pontos e 5,47 pontos, em comparação com os dados registados no mês anterior e com os reportados a Dezembro de 2024. Esta variação significa que a pataca caiu face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau.
Hoje Macau PolíticaParque Industrial | DSEDT quer que projecto acompanhe realidade local A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) diz estar a trabalhar em torno da criação do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau, esperando que este projecto “acompanhe as necessidades reais do desenvolvimento de Macau”. Numa resposta à interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang, a DSEDT considera que se trata “de um projecto importante para impulsionar o desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau”, tendo sido reaqlizada uma consulta pública entre os dias 27 de Novembro e 26 de Dezembro de 2025. Além disso, foi criado um grupo de trabalho interdepartamental “para efeitos de coordenação e concertação” do projecto, tendo sido encomendados “estudos e análises aprofundados” a uma “equipa de estudo profissional”. Tudo para que as autoridades compreendam “o posicionamento, plano de construção e as instalações complementares do Parque”. Foi ainda encomendado outro estudo a uma “equipa de investigação” para “elaborar o planeamento do desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau, tomando como referência as experiências de sucesso internacionais e regionais”.
Hoje Macau China / ÁsiaCorrupção | Filipinas quer repatriação de ex-deputado O Presidente filipino ordenou ao Governo do país que explore todas as opções para que Elizaldy Salcedo Co seja repatriado de Portugal, onde se acredita que o ex-deputado esteja a viver, de acordo com a imprensa filipina. Mais conhecido por Zaldy Co, o antigo deputado do partido Ako Bicol é alvo de um mandado de detenção por alegado envolvimento no escândalo dos “projectos-fantasma” de infraestruturas para o controlo de cheias. Dezenas de proprietários de empresas de construção, funcionários do Governo e representantes eleitos em todo o arquipélago são acusados de desvio de fundos ou de execução de projectos de baixa qualidade. Além de enfrentar três processos criminais decorrentes do escândalo de corrupção, Zaldy Co também fez alegações explosivas numa série de vídeos a acusar Marcos Jr. e um primo deste, o ex-presidente da Câmara dos Representantes das Filipinas Martin Romualdez, de receber milhares de milhões de pesos em subornos, de acordo com o jornal filipino Inquirer. O secretário do Interior, Jonvic Remulla, disse na terça-feira que a directiva do Presidente Ferdinand Marcos Jr. ordena que seja verificado se Zaldy Co pode ser extraditado de Portugal, onde se acredita que esteja localizado. “Ainda estamos a estudar o caso porque a situação é complicada. Não temos um tratado de extradição [com Portugal], mas há outras vias que podemos seguir e que ele quer investigar”, disse Remulla, de acordo com o jornal filipino em língua inglesa. Outras vias O Governo, continuou o responsável, está a ponderar outras opções, incluindo a coordenação com a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), a ONU e outras agências internacionais, acrescentou. “Um tratado [de extradição] demoraria demasiado tempo. Um tratado leva anos e anos a ser concluído. Por isso, as outras vias possíveis, conforme instruído pelo Presidente, são sobre como podemos levar a cabo a sua extradição sem passar por um tratado”, referiu ainda na terça-feira. Através da repatriação, refere-se ainda no Inquirer, uma pessoa pode ser devolvida ao país de origem por escolha própria ou à força. No caso da extradição, “trata-se de um processo legal em que um país entrega uma pessoa acusada ou condenada por um crime a outro país para enfrentar um julgamento ou punição”. O jornal lembra ainda que o departamento dos Negócios Estrangeiros (DFA) cancelou o passaporte filipino de Co em 10 de Dezembro do ano passado, por ordem de um tribunal anti-corrupção. Remulla, no entanto, frisou que Co também pode estar a usar um passaporte português obtido há muitos anos. Sem notícias De acordo com o DFA, a Embaixada das Filipinas em Lisboa ainda não recebeu informações sobre o paradeiro de Co nem qualquer confirmação do Governo português de que realmente concedeu um passaporte ao antigo deputado. Também Leila de Lima, deputada do partido Mamamayang Liberal, disse na terça-feira que o Governo de Marcos deveria negociar com Portugal a deportação de Co para as Filipinas, em vez de trabalhar num tratado de extradição “que exige muito mais esforço e mais tempo”. “A deportação pode ser negociada diplomaticamente de imediato, mesmo sem a formalidade de celebrar um tratado de extradição”, indicou Leila de Lima, notando que “um tratado de extradição não é indispensável para o regresso de um fugitivo ao país”. Entre os suspeitos estão aliados e opositores de Marcos Jr. Estão em causa 9.855 projectos de controlo de drenagem, avaliados em mais de 545 mil milhões de pesos filipinos (oito mil milhões de euros), que deveriam ter sido construídos desde que Marcos assumiu o poder, em meados de 2022. Em Setembro, o ministro das Finanças das Filipinas, Ralph Recto, admitiu que, desde 2023, podem ter sido desviados 118,5 mil milhões de pesos (cerca de 1,75 mil milhões de euros).
Hoje Macau China / ÁsiaPelo menos 25 mortos após guindaste cair sobre comboio na Tailândia Pelo menos 25 pessoas morreram ontem na sequência da queda de um guindaste de construção sobre um comboio de passageiros no nordeste da Tailândia, disseram as autoridades. O guindaste caiu numa altura em que o comboio viajava da capital Banguecoque para a província de Ubon Ratchathani, causando o descarrilamento e um incêndio, de acordo com o Departamento de Relações Públicas da província de Nakhon Ratchasima. O acidente ocorreu por volta das 09:00, envolvendo um guindaste que estava a ser utilizado na construção de uma ferrovia elevada de alta velocidade. O departamento informou numa publicação nas redes sociais que o incêndio estava controlado e que as equipas de resgate estavam agora a procurar pessoas dentro do comboio, muitas das quais estavam presas em vagões de comboio tombados. As operações de resgate tinham sido temporariamente suspensas devido a uma “fuga química”, informou a polícia local, sem especificar a origem. “Mais de 80” pessoas ficaram feridas, disse à agência de notícias France-Presse Thatchapon Chinnawong, responsável de uma esquadra de polícia de Nakhon Ratchasima, a nordeste de Banguecoque. O ministro dos Transportes, Piphat Ratchakitprakan, disse que estavam 195 pessoas a bordo do comboio e afirmou ter ordenado uma investigação sobre o acidente, que ocorreu em Ban Thanon Kho, a 32 quilómetros de Banguecoque. Os meios de comunicação da Tailândia e os cibernaturas publicaram nas redes sociais inúmeras imagens do desastre, mostrando parte do incêndio e dezenas de socorristas no local. “Ouvi um barulho forte (…) seguido de duas explosões”, disse Mitr Intrpanya, de 54 anos, um habitante que estava no local. “Quando fui ver o que tinha acontecido, encontrei o guindaste apoiado num comboio de passageiros de três vagões. O metal do guindaste parecia ter partido o segundo vagão ao meio”, acrescentou. Pouca fiscalização O guindaste fazia parte de um vasto projecto de construção de comboios de alta velocidade na Tailândia, iniciado em 2017, com uma década de atraso. O projecto de 5,4 mil milhões de dólares tem como objectivo ligar Banguecoque a Kunming, no sul da China, passando pelo Laos. O primeiro troço está previsto ser inaugurado em 2028 e o segundo em 2032. A linha é apoiada pela China como parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, lançada para impulsionar o comércio na região. Os acidentes industriais, de construção e de transporte são relativamente frequentes na Tailândia devido à fiscalização, por vezes pouco rigorosa, das normas de segurança. Em 2020, 18 pessoas morreram na Tailândia quando um comboio de mercadorias colidiu com um autocarro que transportava passageiros para uma cerimónia religiosa. Oito pessoas morreram também em 2023, numa colisão entre um comboio de mercadorias e uma carrinha que atravessava uma ferrovia no leste do país.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | John Lee promete “ir ao fundo” de incêndio Tai Po O líder da antiga colónia britânica reiterou a intenção de punir os responsáveis pela tragédia que fez mais de 160 mortos no bairro social de Tai Po e encontrar soluções adequadas para os desalojados O Chefe do Executivo de Hong Kong prometeu ontem “ir ao fundo” do incêndio mortal em Tai Po, responsabilizar os culpados e encontrar soluções a longo prazo para alojar os afectados, informou a emissora pública. De acordo com a RTHK, John Lee Ka-chiu indicou no Conselho Legislativo (LegCo, na sigla em inglês) que os trabalhos de recuperação pós-desastre são uma “tarefa urgente”, tendo o Executivo apresentado uma moção de apoio na primeira reunião do parlamento. O Governo, indicou o responsável aos deputados, “vai finalizar o plano de alojamento a longo prazo para as famílias afectadas o mais rápido possível, para que se possam estabelecer nas suas novas casas em breve”. Lee garantiu que os culpados pela tragédia de 26 de Novembro vão ser responsabilizados. “As autoridades policiais e o comité independente não deixarão pedra sobre pedra”, disse, prometendo “ir ao fundo desta questão”. “Aqueles que devem ser responsabilizados, sejam eles funcionários públicos ou não e independentemente do seu nível, serão responsabilizados de acordo com os factos”, completou. O incêndio no complexo residencial Wang Fuk Court, alvo de obras de reparação, começou quando a rede que cobria as estruturas de bambu entre o rés-do-chão e o primeiro andar do bloco Wang Cheong House se incendiou. O fogo propagou-se com uma rapidez invulgar ao resto do complexo, atingindo seis outras torres e matando um total de 161 pessoas. Ontem, também, o Chefe do Executivo revelou as expectativas que tem em relação aos deputados do LegCo, eleitos em 07 de Dezembro, pouco depois do incêndio. “Terei todo o prazer em ouvir as vossas opiniões, concordem ou não com o Governo”, disse. Estas foram as segundas eleições desde a reforma eleitoral introduzida em 2021 por imposição de Pequim, que reduziu de 35 para 20 os assentos eleitos por sufrágio universal, ampliou o peso dos mecanismos não directos e transformou o escrutínio numa votação na qual “apenas (candidatos) patriotas” podem concorrer. A votação decorreu sem os dois principais partidos pró-democracia: o Partido Cívico, dissolvido em 2023, e o Partido Democrata, em declínio. Siga para LegCo Embora inicialmente o Executivo tenha ponderado a possibilidade de adiar as eleições depois do incêndio e dos três dias de luto e suspensão das atividades de campanha que se seguiram, acabou por decidir mantê-las na data prevista. As autoridades argumentaram que realizar o sufrágio demonstra maturidade institucional e que o processo pode coexistir com o respeito pelas vítimas e a gestão da emergência. No total, 161 candidatos disputaram 90 lugares: 51 em circunscrições territoriais, 60 em circunscrições funcionais e 50 designados pela Comissão Eleitoral, dominada por perfis próximos ao Governo central chinês. Os círculos funcionais representam grupos profissionais, sectores comerciais ou interesses especiais específicos e apenas os eleitores registados nestes sectores podem votar neles, o que tem suscitado críticas pela representatividade limitada a favor dos interesses corporativos e das elites. “Quando discordarem das políticas governamentais, por favor, apontem os problemas e apresentem recomendações e sugestões. Consideraremos as vossas sugestões com seriedade. Quando estivermos a agir correctamente, por favor, sejam justos connosco”, disse Lee, citado pela RTHK. O Chefe do Executivo indicou ainda que os legisladores devem falar com base nos factos e filtrar as informações erradas quando se dirigem ao público.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio entre Brasil e China cresce para valor recorde em 2025 As trocas comerciais entre Brasil e China cresceram 8,2 por cento em termos homólogos, em 2025, para o valor recorde de 171 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados ontem pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). A China manteve-se como o principal parceiro comercial do Brasil, superando com larga vantagem os Estados Unidos, com quem o comércio bilateral somou 83 mil milhões de dólares no mesmo período. De acordo com o CEBC, o excedente comercial brasileiro com a China foi de 29,1 mil milhões de dólares, o equivalente a 43 por cento de todo o saldo positivo do país com o mundo. O crescimento das exportações brasileiras foi impulsionado principalmente pelo sector agropecuário e extractivo. Só a venda de petróleo bruto para a China atingiu o valor de 20 mil milhões de dólares, com um volume recorde de 44 milhões de toneladas – representando 45 por cento de todo o petróleo exportado pelo Brasil. As exportações de soja somaram 34,5 mil milhões de dólares, enquanto as de carne bovina cresceram quase 48 por cento, chegando a 8,8 mil milhões de dólares, também um recorde. Em contraste, as vendas de carne de frango e suína caíram 53 por cento e 36 por cento, respectivamente. Por outro lado Do lado das importações, destacou-se a aquisição de uma plataforma para a exploração de petróleo no valor de 2,66 mil milhões de dólares. As compras de automóveis híbridos também aumentaram 25 por cento, totalizando 1,87 mil milhões de dólares. Por outro lado, os veículos 100 por cento eléctricos sofreram uma queda de 37 por cento nas importações. A China foi ainda o principal fornecedor de bens da indústria de transformação para o Brasil, com destaque para fertilizantes, produtos químicos e farmacêuticos, estes últimos com um crescimento de 39 por cento nas compras, impulsionadas especialmente por medicamentos à base de insulina. Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro liderou as exportações para a China pelo terceiro ano consecutivo, com 18,1 mil milhões de dólares, 94 por cento dos quais oriundos da venda de petróleo. Com os novos dados, a corrente de comércio Brasil – China representou 27,2 por cento de todo o comércio exterior brasileiro em 2025, consolidando a importância da China na balança comercial do país sul-americano.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Excedente comercial atinge 1 bilião de euros em 2025 O excedente comercial da China atingiu um novo recorde de quase 1,2 biliões de dólares em 2025, segundo dados ontem divulgados, apesar da guerra comercial com os Estados Unidos. De acordo com os dados, divulgados pelas autoridades aduaneiras chinesas, as exportações cresceram 5,5 por cento em 2025, totalizando 3,77 biliões de dólares, enquanto as importações se mantiveram praticamente inalteradas em 2,58 biliões de dólares. Em 2024, o excedente comercial tinha sido de 992 mil milhões de dólares. Em Dezembro, as exportações aumentaram 6,6 por cento, em termos homólogos, superando as previsões dos analistas e o crescimento de 5,9 por cento registado em Novembro. As importações também subiram 5,7 por cento em Dezembro, face a um crescimento de 1,9 por cento no mês anterior. Economistas prevêem que as exportações continuem a ser um dos principais motores do produto Interno Bruto (PIB) chinês em 2026, apesar das tensões comerciais e geopolíticas. “Continuamos a esperar que as exportações desempenhem um papel importante no crescimento económico este ano”, afirmou Jacqueline Rong, economista-chefe para a China no banco BNP Paribas. Obstáculos superados Embora as exportações para os Estados Unidos tenham caído acentuadamente desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca e a intensificação da guerra comercial com Pequim, a quebra tem sido compensada por um aumento das vendas para mercados da América do Sul, Sudeste Asiático, África e Europa. As exportações robustas têm permitido à China manter um crescimento económico próximo da meta oficial de 5 por cento, embora tenham também suscitado preocupação noutros países, que temem a concorrência de importações a preços reduzidos para as industriais locais. A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, apelou recentemente à China para corrigir os desequilíbrios estruturais da sua economia e acelerar a transição de um modelo centrado nas exportações para um crescimento impulsionado pela procura interna e pelo investimento. A crise prolongada no sector imobiliário, após o reforço das restrições ao endividamento excessivo, continua a afectar a confiança dos consumidores e a travar a procura interna. O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, prevê que as exportações da China cresçam cerca de 3 por cento em 2026, abaixo dos 5 por cento registados no ano passado, estimando que o excedente comercial se mantenha acima de 1 bilião de dólares este ano.
Hoje Macau China / ÁsiaCanadá | PM inicia visita à China em período de tensão com Washington O primeiro-ministro Mark Carney iniciou ontem uma visita de três dias à China, a primeira de um chefe de Governo do Canadá em quase uma década, num momento de tensão crescente com os EUA. Durante a estadia, Carney deverá reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro, Li Qiang, bem como com empresários e outros dirigentes políticos, visando relançar os laços comerciais e estratégicos entre os dois países, após anos de fricções. Pequim encara a visita como uma oportunidade para promover o que designa como “autonomia estratégica” de Otava em relação a Washington. A imprensa estatal chinesa tem instado o Canadá a definir uma política externa independente dos Estados Unidos. Isto numa altura em que o Presidente norte-americano Donald Trump impôs novas tarifas ao país vizinho e principal parceiro comercial, além de elevar a retórica hostil, sugerindo mesmo que o Canadá poderia tornar-se “o 51.º Estado” dos EUA. “Se o lado canadiano reflectir sobre as causas profundas dos retrocessos nas relações bilaterais dos últimos anos – as políticas do governo anterior de Justin Trudeau para conter a China em alinhamento com os Estados Unidos – perceberá que pode evitar o mesmo desfecho mantendo a sua autonomia estratégica na gestão das questões relacionadas com a China”, escreveu esta semana o jornal oficial China Daily, em editorial.
Hoje Macau EventosMário Laginha edita “Retorno”, segundo álbum em nome próprio O pianista e compositor Mário Laginha edita o segundo álbum em nome próprio, “Retorno”, a 5 de Fevereiro, quando se apresenta no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, regressando no dia seguinte. “Neste CD fiz uma coisa que nunca tinha feito, que foi pôr improvisos totais, o que eu tenho muito noutros álbuns são introduções improvisadas para chegar ao tema, e, alguns destes improvisos [incluídos em ‘Retorno’ acabam por ter um mote que eu sigo do princípio ao fim, o ‘Improviso II – Para a Francisca’ é um desses, isto eu nunca tinha feito. Não é uma coisa nova no mundo, mas é para mim”, disse o músico em entrevista à Agência Lusa. “Retorno” é o segundo álbum em nome próprio de um dos mais regulares músicos nos palcos de jazz portugueses, 19 anos depois de “Canções e Fugas”. Sobre a escolha do título, o pianista afirmou que, por um lado, retorna ao seu primeiro disco a solo, mas a ideia surgiu de um tema que compôs com o mesmo nome para a banda sonora de “Campo de Sangue” (2022), de João Mário Grilo, a partir do romance homónimo de Dulce Maria Cardoso, publicado em 2018. Laginha é o autor desta banda sonora que inclui o tema “Retorno”, cujos Direitos de Autor, no contexto do filme tinha vendido e não podia usar, mas queria de alguma forma envolver a autora do romance, e que escreveu um outro romance intitulado “O Retorno” (2012) e pediu-lhe autorização para usar o título no CD. “‘Retorno’, eu gosto e soa-me bem, e apesar de tudo, não é um título imediato”, argumentou, referindo que também assinala um retorno a si próprio, enquanto compositor. Mais livre O músico reconheceu que se sentiu mais livre neste álbum, uma consequência relativamente ao álbum “Canções e Fugas”, que “foi um disco muito estruturado” em que quis fazer “uma graça com os Prelúdios e Fugas, de Bach”. “Eu tinha uma canção e uma fuga, nas fugas não há qualquer improviso, foram escritas segundo a sua técnica e neste disco queria algo mais livre”, explicou, referindo que em todos os temas há improvisações e no 1º tema, “Fugato Baião”, que liga ao seu primeiro álbum a solo, “começa com uma ideia de fuga e depois liberta-se, e onde já pus improvisação”. “É um disco muito mais livre, com muito mais improvisação”, sublinhou. “Retorno” é constituído por 14 composições, todas de sua autoria e interpretadas ao piano. Um dos temas, “Santo Amaro”, é inspirado “numa aldeia à beira mar”, onde o músico passa férias, habitualmente, e a melodia remete para uma ondulação, como acontece em Santo Amaro. “O nome só surgiu depois de o compor”, disse. O álbum inclui cinco improvisos, e do alinhamento fazem parte “Improviso-A Dança dos Camiões”, “No Segundo Dia”, “Batuque” ou “Mãos Abertas”, entre outros temas. Sobre o tema de abertura, “Fugato Baião”, Laginha referiu que “é invulgar, num disco a solo, começar com uma melodia que não tem acompanhamento, é meio inesperado”. Nos dois concertos no CCB Mário Laginha conta apresentar o alinhamento completo de “Retorno”. A escolha de tocar a solo, foi “fazer um disco e por cá para fora, e tem mais a ver com a decisão de juntar essa música e dá-la a conhecer”.
Hoje Macau Manchete SociedadeIA | Docentes alertam para erros na plataforma de correcção de trabalhos Vários professores dizem temer as falhas de uma nova plataforma de inteligência artificial anunciada pelo Executivo para ajudar na correcção de trabalhos de alunos. Um dos docentes, da escola Pui Va, diz que a plataforma pode obrigar à correcção de erros de forma manual As autoridades de Macau anunciaram recentemente o lançamento, no próximo ano lectivo, de “uma plataforma de serviços localizada, no âmbito do ensino de inteligência artificial” (IA). Esta ferramenta vai incluir funções como “composição de enunciados inteligente, a correção inteligente e outras funções, com vista a reduzir a carga de trabalho dos docentes, desde a preparação das aulas até à avaliação”. Embora sejam a favor da plataforma, professores sublinharam à Lusa as limitações actuais da tecnologia. Estes defendem que a IA pode, de facto, ajudar a reduzir a carga de trabalho, mas alertam para as fragilidades desta plataforma, nomeadamente quando utilizada para a correcção de trabalhos dos alunos. “Usar a IA para classificar trabalhos pode resultar em erros que exigem correcção manual”, reagiu Ruan Zhanpeng, professor de tecnologias de informação na Escola Secundária Pui Va. Ruan reconheceu que a IA pode reduzir a carga de trabalho na “correcção de perguntas de escolha múltipla simples, mas para perguntas de resposta aberta, ainda são necessários ajustes manuais”. A professora de chinês Nora Lam, da Escola dos Moradores de Macau, tem a mesma opinião quanto às limitações da IA no que diz respeito a questões que exigem desenvolvimento. “É necessária revisão após a correcção de uma composição feita pela IA, porque esta não consegue entender textos baseados em sentimentos”, referiu. Um ponto de partida Pedro Lobo, professor com mais de 30 anos de experiência em tecnologias de informação no território, revelou que tem usado a IA como “ponto de partida na preparação das aulas e de materiais para os alunos”. O português concorda que pode ser uma boa ferramenta para os docentes, mas enfatiza a necessidade de formação. “Para os professores que não falam chinês, dificilmente tenho visto qualquer formação”, disse à Lusa. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) afirmou que, para o ano lectivo corrente, disponibiliza, pelo menos, 10 horas de formação para professores de tecnologias de informação e, pelo menos, seis horas para professores de outras disciplinas. “No ano lectivo de 2025/2026, foram disponibilizadas cerca de três mil vagas de formação e mais de 51.800 horas lectivas aos docentes da disciplina de tecnologias de informação e cerca de nove mil vagas de formação e mais de 355 mil horas lectivas aos docentes das outras disciplinas”, referiu a DSEDJ numa resposta escrita a uma interpelação da deputada Ella Lei sobre estratégias para reduzir a carga de trabalho dos professores.
Hoje Macau SociedadeEnsino infantil | Cerca de 2.900 crianças inscritas pela primeira vez Até às 15h da passada segunda-feira, cerca de 2.900 crianças foram inscritas pela primeira vez no registo central de acesso escolar das crianças ao ensino infantil para o ano lectivo 2026/2027, revelou ontem a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O processo de registo, que começou no dia 6 de Janeiro e termina amanhã, está a “decorrer sem dificuldades”, indicou ontem o Governo. As inscrições contabilizadas foram realizadas na aplicação Conta Única e no portal da DSEDJ. Os destinatários do registo para o próximo ano lectivo são “crianças que, até 31 de Dezembro de 2026, completem entre 3 e 5 anos de idade (nascidas entre 1 de Janeiro de 2021 e 31 de Dezembro de 2023) e possuam as condições requeridas para acesso ao ensino infantil em Macau pela primeira vez”, refere a DSEDJ. Para as crianças que ainda não estão inscritas, pais e encarregados de educação podem usar as ferramentas digitais mencionadas, ou recorrer aos balcões de atendimento da DSEDJ. As escolas publicarão, entre 10 e 12 de Fevereiro, as datas e horários das entrevistas de admissão.
Hoje Macau PolíticaComunidades | Rui Marcelo promete ouvir portugueses “com humildade” O presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, Rui Marcelo, promete “ouvir com humildade” a população ao longo do novo ano. A promessa foi deixada numa mensagem com um “compromisso renovado” para o novo ano, divulgada através das redes sociais. “A nossa primeira obrigação é escutar. Reforçaremos os canais de diálogo, garantido que todas as vozes da nossa diversificada comunidade se sintam verdadeiramente representadas”, foi prometido. “A força da nossa comunidade lusófona global nunca residiu no monólogo, mas no diálogo; não na unanimidade forçada, mas na união construída sobre respeito e propósito partilhado”, reforçou Marcelo. “Que 2026 seja o ano em que, lado a lado, demonstremos que o que nos une – uma herança gloriosa e um futuro de potencial ilimitado – é infinitamente mais forte do que qualquer coisa que procure dividir-nos. Que este novo ciclo nos traga a serenidade para o diálogo construtivo, a coragem para as escolhas certas e a força incansável para servir”, acrescentou. Rui Marcelo prometeu também “agir com transparência” apontando que “cada iniciativa, cada projecto do Conselho Regional da Ásia e Oceânia será conduzido com clareza absoluta”. “A nossa acção será mensurável, orientada para resultados tangíveis que fortaleçam os laços culturais, económicos e sociais nas regiões que representamos”, acrescentou.
Hoje Macau PolíticaIAS | Anunciado aumento de conciliadores familiares Lei Lai Peng, chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do Instituto de Acção Social (IAS), afirmou que o número de conciliadores familiares na entidade vai ser alargado, além dos 48 existentes, e que serão ainda organizadas mais acções de formação. No programa matinal do canal chinês da Rádio Macau, Fórum Macau, foi também deixada a promessa de aumentar o número de assistentes sociais qualificados para serem conciliadores familiares. Lei Lai Peng disse que após a entrada em vigor do regime de conciliação para as causas de família, a 1 de Janeiro, foram recebidos 30 pedidos de consulta, sendo que oito destas foram encaminhadas para o serviço de mediação. As restantes acabaram por ser dirigidas a outros serviços. Por seu turno, a vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, Ho Ka Ian, que também falou no mesmo programa de rádio, recordou que os requisitos para ser conciliador familiar passam por ter formação na área do serviço social. Assim, após receberem formação adequada, estes profissionais podem ser capazes de realizar trabalhos de base na área da mediação familiar, adiantou.
Hoje Macau EntrevistaEmbaixador do Irão em Lisboa condenou “institucionalização do uso indevido da força” O embaixador do Irão em Lisboa, Majid Tafreshi, condenou “institucionalização de uma nova política”, concretizada com o instrumento do “uso indevido da força”, aludindo aos Estados Unidos e a Israel. Numa entrevista à agência Lusa, Tafreshi advertiu que este processo irá “alastrar-se” se os países, sobretudo os ocidentais, “não tomarem medidas sérias” contra os Estados Unidos e Israel, “que têm incitado à agitação pública”. “Não há garantias de que tais práticas não venham a repetir-se, sobretudo quando já se ouvem discussões inquietantes, como as relativas à posse da Gronelândia”, destacou Tafreshi, lembrando a actuação norte-americana na Venezuela, e as insinuações contra a Colômbia e Cuba. A entrevista decorreu antes de o diplomata ser chamado pelo Governo português por causa da repressão violenta de manifestações contra o Governo iraniano, anúncio feito ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros. O diplomata iraniano lembrou ter já solicitado aos “colegas académicos” e diplomatas a criação em Portugal, de um novo fórum intitulado “Diálogo entre Inimigos”, na procura de uma “paz universal e de um mundo livre de guerra e de tensão”, bem como a criação de novos mecanismos – como uma União da Ásia Oriental – “poderia constituir uma iniciativa com significado”. “Acredito que a política e os políticos deveriam seguir mais de perto a vontade dos seus próprios povos, que, na realidade, não parecem ter grandes conflitos entre si – como se observa claramente no turismo, nos estádios de futebol, nos concertos e em centenas de outras interacções humanas”, argumentou o diplomara iraniano. Sobre os recentes desenvolvimentos no Irão, em que, disse, manifestações pacíficas centradas em desafios económicos, com o passar do tempo, “alguns elementos presentes nessas concentrações escalaram para incidentes violentos”, incluindo acções armadas que, segundo relatos, “envolveram indivíduos com treino prévio”. “Lamentavelmente, estes acontecimentos resultaram em vítimas entre agentes das forças de segurança, forças de ordem pública e cidadãos comuns”, afirmou Tafreshi, depois de o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, ter condenado e exigido o fim da “repressão dos protestos no Irão, que resultaram em mais de 600 mortos desde 28 de Dezembro, segundo uma organização não governamental. O embaixador do Irão em Lisboa referiu os “milhões de cidadãos iranianos” que participaram segunda-feira em manifestações públicas, “reflectindo uma mudança no quadro geral e expressando apoio ao seu país islâmico”, o que, tal como no passado, a notícia tem uma atenção limitada dos meios de comunicação social ocidentais. Incentivos exteriores Questionado sobre o que está a estrangular a economia iraniana, Tafreshi destaca a intervenções de Israel, “em menor grau”, e os Estados Unidos, “que têm incentivado a agitação pública”, bem como os desafios económicos do Irão que são significativamente influenciados por sanções extensas impostas” por Washington. “Estas medidas, que o Irão considera ilegais, têm também sido apoiadas por países europeus que defendem os direitos humanos, apesar de existirem preocupações de que tais políticas tenham afectado negativamente direitos fundamentais da população iraniana, incluindo o acesso a cuidados de saúde”, denunciou. “O respeito pela Carta das Nações Unidas, as amargas lições da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e as experiências devastadoras e os custos dos acontecimentos no Afeganistão, na Síria, na Palestina, no Líbano, na Líbia, no Iraque, na Ucrânia e noutros locais deveriam ser suficientes para nos recordar a necessidade urgente de priorizar, mais do que nunca, a coexistência pacífica”, acrescentou. Sobre o elevado número de vítimas mortais, Tafreshi negou que a segurança iraniana esteja a utilizar o uso desproporcional da força, exemplificando, a par do elevado número de mortes entre civis, com o número significativo de mortos e feridos de polícias”. Poder do povo Questionado sobre as palavras de Reza Pahlavi – filho do antigo xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto após a Revolução Islâmica de 1979 – em que afirmou que tenciona regressar em breve ao Irão, Tafreshi considerou que, com o “apoio de alguns meios de comunicação social ocidentais e sionistas”, parece estar a tentar desempenhar o papel de um “Robin dos Bosques”. “No entanto, Robin dos Bosques nunca apelou às pessoas comuns para recorrerem à violência ou violarem normas e princípios internacionais, como o ataque a embaixadas e instalações diplomáticas. Durante o reinado do seu pai, apesar de o Irão contar com o apoio dos Estados Unidos e do Ocidente, o país perdeu a sua 14.ª província, o Bahrein. Com base na experiência, os Estados Unidos apoiam e exploram qualquer pessoa capaz de prejudicar a independência e a segurança do Irão”, respondeu. Tafreshi negou, por outro lado, que o regime – “o termo “regime é uma expressão ilegítima e enviesada” – esteja em risco, destacando novamente “os milhões” de iranianos que se manifestaram segunda-feira em favor da soberania do Irão. “A República Islâmica pertence ao povo do Irão. O ayatollah [Ali] Khamenei é o líder do Irão e um desses cidadãos”, sublinhou o diplomata, para quem a China e a Rússia mantêm “boas relações” com Teerão, pelo que não é necessário contar com Pequim ou Moscovo para defender o país, que conta com o seu próprio povo para proteger a sua segurança e soberania.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Japão e Coreia do Sul querem reforçar laços A visita do Presidente sul-coreano ao Japão resultou numa série de acordos para ultrapassar divergências antigas e aproximar os dois países no quadro regional face à situação geopolítica global A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, prometeram ontem reforçar os laços de segurança e económicos diante da escalada da tensão com a China, uma medida que visa “impulsionar a diplomacia” na região. “Esta colaboração entre os dois países tem uma importância estratégica para ambas as nações”, afirmou a primeira-ministra japonesa durante uma visita de dois dias a Nara, a sua cidade natal, onde se encontrou com o líder sul-coreano, segundo o jornal japonês The Japan Times. Sanae Takaichi também observou que os dois países chegaram a um acordo sobre os restos mortais de cidadãos sul-coreanos que morreram no Japão após serem recrutados para trabalhos forçados durante a ocupação japonesa, tendo Tóquio concordado em realizar testes de ADN. Os dois lados defenderam “mais visitas deste tipo” entre os dois países, após a visita de Lee à China para conversações com o Presidente chinês, Xi Jinping, quando se assiste a uma crescente tensão com Tóquio. “Espero que esta visita ajude a elevar as relações entre o Japão e a Coreia do Sul a um novo patamar”, disse Takaichi após a reunião. Pontos comuns A primeira-ministra japonesa afirmou que ambos os líderes esperavam “consolidar uma forte relação pessoal” para “promover laços mais estreitos entre os nossos vizinhos no meio de uma complexa situação geopolítica global”. Embora Takaichi não tenha abordado as divergências com a China e a recente troca de acusações entre os dois lados após uma série de declarações sobre Taiwan, Lee enfatizou a necessidade de Tóquio, Seul e Pequim “identificarem pontos em comum e comunicarem-se eficazmente”. “Quero enfatizar a necessidade de os três países identificarem pontos em comum para a comunicação e cooperação”, afirmou Lee, reiterando a importância de alcançar a “desnuclearização completa da Península Coreana para estabelecer uma paz duradoura na região”. “Concordámos em continuar a coordenar esforços para lidar com a questão norte-coreana”, acrescentou. As partes concordaram também em cooperar na recuperação dos restos mortais das vítimas da grande inundação de 1942, que fez quase 200 mortos — incluindo 136 trabalhadores coreanos — numa mina de carvão na província de Yamaguchi. O chefe de Estado sul-coreano descreveu esta medida como um “pequeno mas significativo progresso em questões historicamente importantes” para a Coreia do Sul. “Numa ordem mundial cada vez mais complexa, acredito que a cooperação entre a Coreia do Sul e o Japão é mais importante do que nunca”, afirmou o Presidente sul-coreano. “A incerteza política está a crescer, o multilateralismo está a ser testado e a independência das cadeias de produção globais está a ser instrumentalizada”, lamentou Lee, acrescentando que existem “desafios” que terão de ser “enfrentados” através do “respeito e confiança mútuos”.
Hoje Macau China / ÁsiaEspaço | Chang’e-6 oferece novas pistas sobre a dicotomia lunar A investigação chinesa avança com novas provas sobre as possíveis causas que estiveram na origem da constituição do manto lunar A missão chinesa Chang’e-6 trouxe novas provas sobre a origem da dicotomia entre as duas faces da Lua, ao revelar que um impacto gigantesco alterou a composição do manto lunar, segundo um estudo publicado ontem. A investigação, liderada por cientistas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, baseia-se na análise isotópica de alta precisão de basaltos recolhidos pela Chang’e-6 na bacia Aitken do Polo Sul, a maior e mais antiga cratera de impacto do satélite, e foi divulgada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os investigadores detectaram que as amostras provenientes da face oculta apresentam proporções significativamente mais elevadas do isótopo pesado do potássio em comparação com as rochas lunares recolhidas nas missões Apolo na face visível. Depois de excluírem outros factores, como a irradiação por raios cósmicos ou processos magmáticos posteriores, a equipa concluiu que um grande impacto primordial, ocorrido há mais de 4.200 milhões de anos, provocou a perda de elementos moderadamente voláteis no manto lunar. Segundo o estudo, as condições extremas de temperatura e pressão geradas durante esse evento favoreceram a evaporação dos isótopos mais leves, alterando de forma duradoura a química interna do satélite. Essa perda de voláteis terá dificultado a geração de magma na face oculta, o que ajuda a explicar a sua menor actividade vulcânica e o seu relevo mais acidentado, em contraste com as vastas planícies basálticas do hemisfério visível a partir da Terra. Novas missões na calha Os cientistas sublinham que esta descoberta fornece novas pistas para compreender como os grandes impactos influenciaram não apenas a superfície, mas também a evolução interna da Lua nas suas fases iniciais. A missão Chang’e-6, lançada em maio de 2024, foi a primeira a recolher amostras da face oculta do nosso satélite natural. A China prepara novas missões lunares não tripuladas, como a Chang’e-7, prevista para 2026 e com destino ao polo sul da Lua, e a Chang’e-8, programada para 2029 com a participação de 11 países, que estabelecerá as bases para futuras missões tripuladas. O país asiático tem investido fortemente no seu programa espacial, com feitos como a primeira alunagem na face oculta da Lua, realizada pela Chang’e-4, e o envio da missão Tianwen-1 a Marte, que fez da China a terceira nação a alcançar o planeta vermelho, depois dos Estados Unidos e da extinta União Soviética.