Japão | Centenas de bombeiros combatem incêndios florestais

Centenas de bombeiros participaram sábado no combate a incêndios florestais no norte do Japão, onde as autoridades pediram a mais de 3.200 pessoas para abandonarem as casas, anunciaram fontes governamentais.

Os fogos nas zonas montanhosas da região de Iwate destruíram já cerca de 700 hectares de floresta desde que começaram há três dias, disseram as autoridades locais num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Uma imponente coluna de fumo, cujo cheiro era perceptível num raio de 30 quilómetros, elevava-se no vale próximo da cidade de Otsuchi, na região de Iwate.

Enquanto dois helicópteros largavam água sobre a floresta em chamas, vários carros de bombeiros tentavam proteger habitações próximas do fogo, segundo a AFP. As autoridades disseram que pelo menos oito edifícios arderam, mas que todos os residentes conseguiram sair a tempo.

Uma dezena de helicópteros e 1.300 bombeiros, bem como as forças de autodefesa do Japão, foram mobilizados hoje para combater os incêndios. “Estamos a envidar todos os esforços para extinguir” os fogos, afirmou um responsável da autarquia de Iwate à AFP. “No final de contas, espero realmente que chova”, declarou um habitante de Otsuchi à estação pública NHK. Invernos cada vez mais secos aumentaram o risco de incêndios florestais no Japão.

27 Abr 2026

Macau ajuda empresas chinesas a assinarem 109 acordos em Portugal e Espanha

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) de Macau disse que a delegação empresarial que acompanhou a visita do líder do Governo local assinou 109 acordos de cooperação em Portugal e Espanha.

Num comunicado divulgado no sábado à noite, o IPIM disse que os protocolos foram o resultado de mais de 220 sessões de bolsas de contactos com empresas dos dois países europeus. Em 16 de Abril, o instituto referiu que tinha convidado cerca de 240 representantes governamentais e empresariais de Portugal e Espanha a participar em duas sessões de promoção da cooperação económica e comercial.

A comitiva, que reuniu cerca de 120 representantes dos sectores governamental e empresarial de Macau, Hengqin e de outros locais da China, esteve em Lisboa e Madrid entre 19 e 24 de Abril. A delegação organizada pelo IPIM visitou 16 entidades em Portugal e Espanha, incluindo departamentos económicos e comerciais, bem como projectos ligados às áreas da tecnologia e saúde integrada.

O comunicado sublinha que as empresas portuguesas e espanholas demonstraram interesse em apostar não só em Macau, mas também na vizinha zona económica especial de Hengin (ilha da Montanha). As duas áreas podem, em conjunto “criar uma ponte eficiente e conveniente no sentido de apoiar as empresas portuguesas e espanholas na expansão para o mercado chinês”, defendeu o IPIM.

Périplo de sucesso

Sam Hou Fai, o primeiro chefe do executivo da região semiautónoma chinesa a dominar a língua portuguesa, iniciou em Lisboa uma deslocação que passou ainda por Madrid, Genebra e Bruxelas. Em Portugal, Sam Hou Fai encontrou-se com o Presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.

De acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Governo da região chinesa, Sam Hou Fai manifestou em Bruxelas o desejo de relançar as reuniões da Comissão Mista da União Europeia e Macau. O Chefe do Executivo disse que “espera, no futuro, pode retomar” a comissão, cuja 24.ª reunião estava inicialmente agendada para 2020, mas foi adiada devido ao início da pandemia de covid-19.

Sam Hou Fai sublinhou que Macau assinou, em 1992 – antes da transição de administração do território de Portugal para a China – um acordo de cooperação com a então Comunidade Económica Europeia, a antecessora da União Europeia (UE). Num encontro com o vice-presidente do Parlamento Europeu, Younous Omarjee, o líder do Governo de Macau disse contar com o apoio da instituição para reiniciar o mecanismo da Comissão Mista.

Na sexta-feira, Sam Hou Fai já tinha manifestado esperança de que a UE apoie a difusão e promoção de língua portuguesa em Macau, ajudando a região a formar mais quadros profissionais de tradução.

27 Abr 2026

Tailândia pede ajuda à China face a escassez de fertilizantes

A Tailândia pediu sexta-feira ajuda à China para garantir o fornecimento de fertilizantes aos agricultores, perante problemas de escassez causados pela guerra no Médio Oriente, anunciou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnkirakul.

O pedido foi feito durante uma reunião em Banguecoque com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse o próprio chefe do Governo da Tailândia aos jornalistas, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Anutin qualificou a interrupção no fornecimento de fertilizantes em consequência da guerra no Irão como um dos principais problemas da Tailândia.

“Gostaríamos que a China considerasse o fornecimento de fertilizantes, se dispuser de quantidades suficientes, para ajudar os agricultores tailandeses”, disse o político conservador. Anutin também pediu a Pequim que incluísse a Tailândia nas negociações sobre rotas marítimas e transporte de energia a partir do Médio Oriente.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura colocou na quinta-feira a Tailândia entre os países com maiores riscos para a segurança alimentar devido à dependência do golfo Pérsico para a exploração dos solos, especialmente o arroz. Sobre o aspecto energético, Anutin assegurou que nas “actuais condições de relativa estabilidade”, numa alusão à trégua e negociações entre Israel, os Estados Unidos e o Irão, não haverá escassez de petróleo nem interrupções no fornecimento. “No entanto, não diria que a situação seja totalmente segura, já que desconhecemos quanto tempo durará a guerra”, afirmou.

Abertura total

Anutin reafirmou que a Tailândia está aberta a mais investimentos chineses em indústrias como robótica, sensores, veículos eléctricos e inteligência artificial, setores nos quais já circula capital do gigante asiático. O ministro chinês, que visitou anteriormente o Camboja e irá a Myanmar no fim de semana, abordou com Anutin as relações entre Banguecoque e Phnom Penh.

Wang ofereceu-se como mediador para que os países avancem na normalização das relações, após os confrontos na fronteira que provocaram dezenas de mortos em Dezembro de 2025. A China tem intensificado nos últimos anos a presença na região do Sudeste Asiático, com um maior peso em investimentos, comércio e cooperação em segurança, num cenário marcado por tensões estratégicas e competição com os Estados Unidos pela influência.

27 Abr 2026

Rússia | Pequim ameaça UE com retaliação por incluir empresas chinesas em sanções

A China ameaçou a União Europeia (UE) de retaliação depois de Bruxelas incluir diversas empresas chinesas na vigésima ronda de sanções devido à invasão da Ucrânia pela Rússia.

“A China tomará as medidas necessárias para proteger resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e a UE arcará com todas as consequências”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio chinês em comunicado publicado sábado à noite no site oficial da instituição.

O porta-voz falou do “forte descontentamento” de Pequim com a decisão e acusou Bruxelas de “ignorar as repetidas queixas e a oposição” do país: “Esta iniciativa da UE contraria o espírito de consenso alcançado pelos líderes da China e da UE e prejudica seriamente a confiança mútua e a relação bilateral”.

“A China exige que a UE remova imediatamente as empresas e os cidadãos chineses da lista de sanções (…) e que encontre soluções para suas respectivas preocupações através de diálogo e consultas”, acrescentou o porta-voz do Ministério do Comércio. Na passada semana, as autoridades da UE revelaram detalhes do mais recente pacote de sanções, que inclui 16 entidades de países terceiros que forneceram sistemas de armas ou bens de dupla utilização (civil e militar) à Rússia.

Bruxelas também visou 28 entidades localizadas na China, incluindo as de Hong Kong, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Tailândia, acusando-as de “fornecer apoio directo ou indirecto ao complexo militar-industrial da Rússia” ou de “estarem envolvidas na evasão de sanções”.

27 Abr 2026

IA | DeepSeek lança novo modelo de IA

A DeepSeek lançou um novo modelo de inteligência artificial (IA) para o agente de conversação da empresa chinesa, após ter surpreendido o sector em 2025 com desempenhos comparáveis aos de rivais norte-americanos. A indústria tecnológica global aguardava há semanas o anúncio, visto como um indicador das ambições da China no sector da IA.

No início de 2025, a ‘startup’ sediada em Hangzhou, no leste da China, lançou um agente conversacional que, segundo a empresa, rivalizava com sistemas como ChatGPT, Gemini ou Claude, mas a um custo inferior. “Hoje, a pré-versão da nossa nova série de modelos, DeepSeek-V4, está oficialmente disponível e publicada numa fonte aberta”, indicou a empresa, numa nota divulgada na rede social chinesa WeChat.

O novo modelo é apresentado em duas versões, DeepSeek-V4-Pro e DeepSeek-V4-Flash, sendo esta última descrita como menos potente, mas mais económica. “Em comparação com a geração anterior, as capacidades de agente do DeepSeek-V4-Pro foram significativamente reforçadas”, acrescentou a empresa.

Em Janeiro de 2025, o lançamento do agente R1 da DeepSeek, com capacidades avançadas de raciocínio, provocou fortes reacções nos mercados, contribuindo para uma queda das acções tecnológicas nos Estados Unidos. Na quinta-feira, a empresa norte-americana OpenAI anunciou um novo modelo de IA, apresentado como o mais avançado do mercado. O GPT-5.5 é a mais recente geração do modelo que sustenta o ChatGPT, uma interface de IA generativa utilizada por cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo.

27 Abr 2026

Myanmar | Prometida mais cooperação em comércio e segurança

A China e Myanmar prometeram fortalecer os laços comerciais e de segurança, particularmente ao longo da fronteira comum, durante conversas que contaram com Min Aung Hlaing, o ex-líder da junta militar que se tornou presidente. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, concluiu ontem uma viagem pelo Sudeste Asiático a Myanmar (antiga Birmânia), que também incluiu visitas ao Camboja e à Tailândia.

A viagem teve como objectivo fortalecer as relações com estes países diante dos riscos e apresentar Pequim como um parceiro confiável perante a imprevisibilidade do Presidente dos EUA, Donald Trump, e as suas tarifas. Pequim “apoiará firmemente” Myanmar nos seus esforços para salvaguardar a sua soberania e segurança nacionais, afirmou Wang durante uma reunião na capital, Naypyidaw.

“Como este ano marca o primeiro ano do mandato do novo governo em Myanmar, ambos os lados devem aproveitar esta oportunidade para perpetuar e promover sua amizade tradicional”, disse Wang. Min Aung Hlaing tomou posse como presidente no início de Abril, continuando a governar como civil após assumir o poder como chefe da junta militar em um golpe que desencadeou a actual guerra civil.

Após cinco anos de governo autoritário, a sua junta realizou eleições parlamentares em Dezembro e Janeiro, que foram apresentadas como um regresso à democracia.

27 Abr 2026

Economia chinesa | Reforçada segurança com novos regulamentos

Face à crise internacional com resultados cada vez mais imprevisíveis, Pequim aplica novas medidas para ampliar a capacidade de resposta do país em termos económicos e comerciais

A China está a reforçar a segurança na política económica, num contexto de choques globais, com novas regras que ampliam o controlo sobre cadeias de abastecimento e aumentam a capacidade de resposta a sanções, segundo o MERICS. O grupo de reflexão, com sede em Berlim, destacou que o Conselho de Estado publicou em Abril dois conjuntos de regulamentos que visam proteger cadeias industriais, travar estratégias de “redução de risco” por empresas estrangeiras e reforçar a resiliência da economia chinesa face a eventuais sanções de outros países.

Os Regulamentos sobre Segurança Industrial e das Cadeias de Abastecimento, em vigor desde 07 de Abril, e os Regulamentos para Contrariar Jurisdições Extraterritoriais Indevidas por Estados Estrangeiros, aplicados desde 13 de Abril, conferem às autoridades novos poderes para actuar sobre empresas chinesas e estrangeiras, dentro e fora do país, em caso de alegadas infracções.

As medidas integram um conjunto mais amplo de instrumentos de segurança nacional e económica, proporcionando a Pequim maior base legal para retaliar contra comportamentos considerados indesejáveis e impor conformidade, lê-se no relatório do MERICS. Neste contexto, empresas estrangeiras poderão enfrentar pressões crescentes entre os regimes de segurança económica e “redução de riscos” nos seus países de origem e as exigências regulatórias na China.

Riscos persistentes

Em paralelo, o responsável máximo pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zheng Shanjie, destacou, num artigo publicado a 20 de Abril no jornal oficial Diário do Povo, os progressos na promoção da autossuficiência tecnológica e industrial, mas alertou para vulnerabilidades persistentes.

Segundo Zheng, a dependência de importações de determinadas matérias-primas continua a expor o país a perturbações nas cadeias de abastecimento, enquanto o acesso limitado a algumas tecnologias mantém “o risco de ser ‘estrangulado’ em áreas cruciais”.

O dirigente defendeu o reforço da resiliência macroeconómica, uma redução adicional das dependências externas e o alargamento dos instrumentos políticos para prevenir estratégias de diversificação de risco por parceiros estrangeiros e, se necessário, permitir retaliações.

27 Abr 2026

Quatro décadas de joias de Vivienne Westwood expostas em Macau

Quatro décadas do trabalho de joalharia da estilista britânica Vivienne Westwood (1941-2022) vão estar expostas no hotel-casino Grand Lisboa Palace a partir de 29 de Abril, anunciou a organização. Macau é a quarta paragem desta exposição, depois de “Vivienne Westwood & Jewellery” ter passado pela Nova Zelândia e pelas cidades chinesas de Xangai (este) e Chengdu (centro).

“Esta prestigiada exposição chega agora à região da Grande Baía, unindo elegantemente o Oriente e o Ocidente através dos designs visionários deste lendário ícone britânico”, lê-se num comunicado da concessionária de jogo SJM [Sociedade de Jogos de Macau] Resorts.

A mostra, que decorre até 15 de Julho, tem curadoria da equipa Vivienne Westwood, apresentando “quatro décadas de joias raras de arquivo e de passarela reunidas pela primeira vez como colecção única”. O evento, lê-se ainda na nota, oferece uma “perspectiva única sobre o mundo de Vivienne Westwood, uma das designers de moda e activistas mais influentes dos séculos XX e XXI”.

Percurso original

A organização apresenta outras razões para visitar a mostra, com entrada gratuita. Trata-se de uma oportunidade de explorar a “linguagem de design e o espírito subversivo” de Westwood, num percurso por oito salas, e descobrir “combinações ecléticas de joias e peças de vestuário que demonstram a requintada mestria da casa de design britânica e a sua profunda influência na moda, na cultura e na sustentabilidade”.

Ainda de acordo com a operadora, a apresentação da colecção “exemplifica o compromisso contínuo da SJM em enriquecer a experiência turística de Macau através de ofertas culturais” e contribui para a estratégia do Governo local de diversificação da economia do território, profundamente dependente do sector do jogo em casino.

Vivienne Westwood nasceu em Derbyshire, Inglaterra, em 1941, tendo sido uma das designers de moda mais conhecidas do mundo pelas suas roupas irreverentes e provocadoras. Juntamente com o seu parceiro, Malcolm Mclaren, músico e manager dos Sex Pistols, estendeu a sua maneira de vestir e de fazer roupa ao mundo do punk, estabelecendo uma ligação com os próprios Sex Pistols, nos anos 70. Vivienne Westwood morreu em Londres, em 2022.

27 Abr 2026

FRC | Literatura de António Lobo Antunes hoje em discussão

A Fundação Rui Cunha apresenta hoje uma sessão dedicada à literatura de António Lobo Antunes, um dos grandes vultos das letras portuguesas contemporâneas recentemente falecido. A sessão, integrada no ciclo “Pauta de Histórias”, chama-se “António Lobo Antunes: Quando escrever é ouvir com força”, começa às 18h30 e conta com Sérgio Guimarães de Sousa, professor catedrático da Universidade de Macau

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a conferência “António Lobo Antunes: Quando escrever é ouvir com força”, dedicada ao conhecido escritor português falecido no passado dia 5 de Março.

A palestra de hoje insere-se no ciclo “Pautas de Histórias” e tem a presença de Sérgio Guimarães de Sousa, professor catedrático do Departamento de Português da Universidade de Macau. Segundo uma nota da FRC, pretende-se nesta sessão “oferecer uma visão panorâmica da obra de António Lobo Antunes, de modo a enfatizar o merecimento literário ímpar da sua vasta criação romanesca”, fazendo-se uma homenagem ao “gigante da nossa literatura”.

A ideia é oferecer aos participantes “a visão de António Lobo Antunes sobre a escrita, não como um acto de invenção pura, mas como um processo de escuta intensa e profunda do que está oculto”, relativamente às “vozes interiores, as memórias e a realidade, muitas vezes dolorosa”.

“A expressão terá surgido numa entrevista, após a publicação de um dos seus livros, quando questionado sobre o projecto seguinte. O escritor e médico psiquiatra terá respondido que se sentia “angustiado, à espera que surjam novas vozes”, descreve Guimarães de Sousa, citado pela mesma nota. Lobo Antunes terá dito também que “escrever é escutar com mais força. É só organizar as vozes, é um delírio organizado”, sendo estas ideias debatidas na conferência de hoje.

Prémio adiado

Repetidamente indicado como potencial candidato ao Prémio Nobel da Literatura, que em Portugal foi unicamente, até à data, atribuído a José Saramago, António Lobo Antunes foi “um autor lúcido e atormentado, acutilante e sorumbático, dono de uma melancolia seca, muitas vezes irónica, resultante das experiências que o marcariam para a vida: a guerra do ultramar, a medicina e a escrita”, é descrito.

Esteve na guerra do Ultramar, como tantos jovens da sua idade, sendo que a passagem por Angola, onde foi alferes miliciano, “está reflectida em grande parte da sua obra, de modo inequívoco e fracturante”.

Uma das obras de Lobo Antunes onde a guerra está muito presente é na colectânea de cartas que escreveu à sua esposa nestes anos, intitulada “Cartas da Guerra – D’este Viver Aqui Neste Papel Descripto”, e adaptada ao cinema por Ivo M. Ferreira, no filme “Cartas da Guerra”.

Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942, e tirou o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, tendo-se especializado em Psiquiatria. A mobilização para o serviço militar chegou em 1970. Os seus primeiros livros foram “Memória de Elefante” e “Os Cus de Judas”, seguindo-se “Conhecimento do Inferno” em 1980. “A Ordem Natural das Coisas”, editado em 2025, foi o seu último livro publicado.

Carreira cheia

Sérgio Guimarães de Sousa é doutorado em Literatura Portuguesa pela Universidade do Minho, onde começou a leccionar em 1997. Não obstante a sua especialização em estudos camilianos, é co-autor do “Dicionário da Obra de António Lobo Antunes”, publicado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2008, ao lado de Maria Alzira Seixo, Graça Abreu, Eunice Cabral, Maria Fernanda Afonso, e Agripina Carriço Vieira.

Em 2015, a Texto Editora lançou também a obra “Quem sou eu? Ensaios sobre António Lobo Antunes”, em que é autor individual do VI Volume da Colecção António Lobo Antunes.

Actualmente a leccionar na Universidade de Macau, Sérgio Guimarães de Sousa foi ainda professor convidado na Universidade Blaise Pascal (Clermont Ferrand, França) e na Universidade de São Paulo, Brasil; foi FLAD/Visiting Associate Professor na Brown University, nos EUA, e Associate Professor na mesma instituição, por concurso internacional; foi também Professor Visitante na University of Massachusetts Dartmouth, EUA, e na Universidade Federal do Paraná, Brasil.

É ainda coordenador científico do Centro de Estudos e da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, Conselheiro da Cátedra Camilo Castelo Branco (Universidade de Lisboa/Câmara Municipal de Sintra), Director do Centro de Estudos Mirandinos e membro dos órgãos sociais da Fundação Cupertino de Miranda. É também membro do PEN Club português, da Associação Portuguesa de Críticos Literários e da Associação Portuguesa de Estudos Franceses.

27 Abr 2026

Visitantes | Registado novo recorde até Março

Macau registou a entrada de mais de 11,2 milhões de visitantes no primeiro trimestre do ano, um recorde na história do território para os três primeiros meses do ano, indicam dados divulgados na sexta-feira. No primeiro trimestre de 2026, entraram na RAEM 11.213.904 visitantes, mais 13,7 por cento do que no mesmo período do ano anterior (9.862.665), indica-se num comunicado da Direção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Nunca na história do território a cidade recebeu tantos visitantes entre Janeiro e Março. Há 10 anos, em 2016, entraram cerca de 7,5 milhões de visitantes em Macau e, em 2006, o valor alcançou cerca de 5,2 milhões de entradas. O valor mais alto registado anteriormente, nos três primeiros meses de um ano, foi em 2019, antes da pandemia da covid-19, com quase 10,4 milhões de visitantes.

Ainda em relação ao primeiro trimestre de 2026, o número de entradas de excursionistas (cerca de sete milhões) e o de turistas (cerca de 4,2 milhões) aumentaram, em termos homólogos, 20,3 por cento e 4,1 por cento, respectivamente.

A maioria dos visitantes durante o período em análise continua a ser da China continental, com cerca de 8,4 milhões, uma subida de 16,4 por cento, em termos anuais, referiu ainda a DSEC. O número de entradas de visitantes de Hong Kong (cerca de 1,8 milhões) e de Taiwan (285.464) aumentaram 1,8 por cento e 29,1 por cento, respetivamente, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Nos primeiros três meses do ano, o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 755.756, ou seja, mais 10,7 por cento, em termos anuais.

27 Abr 2026

Crime | Funcionária apropria-se de 600 mil patacas de propinas

Uma ex-funcionária de uma associação de natação foi detida, por suspeitas de utilizar a sua posição para cobrar propinas a 159 alunos, arrecadando mais de 600 mil patacas. A mulher apropriou-se do dinheiro, simulando que estavam a ser oferecidas promoções no pagamento das propinas.

De acordo com a informação da PJ, a associação organiza cursos de natação de Verão desde 2021. Como os cursos tinham muita procura, a mulher foi contratada, em 2023, para tratar de aspectos administrativos, incluído a cobrança das propinas.

No entanto, os dirigentes começaram a estranhar o facto de apesar do número de alunos continuar a aumentar, as receitas ficarem abaixo do esperado. Quando foi pedida informação à trabalhadora, esta adiou por várias vezes a apresentação de contas, até que em Novembro do ano passado desapareceu, e ficou totalmente incontactável.

A associação apresentou queixa e a PJ descobriu que entre Abril de 2024 e Novembro do ano passado, a mulher ofereceu promoções falsas, em nome da associação, para levar os pais a pagarem o dinheiro, com o qual ela ficava. As propinas eram pagas na sua conta privada de Mpay, com a vítima a receber entre 1,5 mil até 3,7 mil patacas de cada inscrito.

O caso foi encaminhado para o MP e a mulher está indiciada pelo crime de burla de valor consideravelmente elevado. Apesar dos problemas, os inscritos vão poder continuar a frequentar as aulas.

27 Abr 2026

Natalidade | Creches com menos inscrições

As inscrições nas creches ligadas à União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kaifong) e à Associação Geral das Mulheres de Macau apresentam uma redução anual de cerca de 24 por cento e seis por cento. Os dados foram divulgados no sábado.

Segundo o jornal Ou Mun, as quatro creches dos Kaifong ofereceram 322 vagas e receberam 669 candidaturas, significando a proporção de duas candidaturas por cada vaga disponível. Os Kaifong consideraram que o número deste ano já correspondeu à previsão e mostrou a tendência contínua da queda de natalidade.

Por seu turno, as oito creches das Mulheres receberam 2120 candidaturas, uma queda de 150 candidaturas em termos anuais, enquanto o número de inscrições não repetidas foi de 1.261 candidaturas, uma diminuição de 419 candidaturas.

Trânsito | Menos acidentes no primeiro trimestre

A Polícia de Segurança Pública anunciou que foram registados 3.426 acidentes de trânsito no entre Janeiro e Março deste ano, o que representou uma diminuição de 5,52 por cento em comparação com o período homólogo. Destes 3.426 acidentes, 133 envolveram peões.

Registaram-se ainda 1.325 pessoas feridos, sem que tenham sido assinaladas mortes. Nos primeiros três meses do ano, a polícia instaurou processos em 164 casos de não cedência de passagem a peões nas passadeiras e passou 20 multas por excesso de passageiros. Foram instaurados processos num total de 1.467 casos de peões que atravessaram a estrada ilegalmente, o que representa uma diminuição de 38 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.

27 Abr 2026

IA | Lançado projecto para colocar robôs a ajudar idosos

O Executivo pretende promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, numa altura em que o envelhecimento no território se acentua

O Governo apresentou na sexta-feira um projecto para promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, em rápido crescimento no território, que inclui robôs a ensinar tai chi e inteligência artificial (IA) para combater a solidão.

As autoridades lançaram uma área de exposição de cuidados inteligentes para idosos e de gerontecnologia, para promover o uso de tecnologia no apoio à população de terceira idade da cidade. Na cerimónia de abertura, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, sublinhou que “o Governo de Macau definiu a ‘big health’” e “a tecnologia inteligente”, como áreas prioritárias no plano de apoio à comunidade idosa até 2035.

Segundo o responsável, o Governo Central apresentou no 14.° Plano Quinquenal pela primeira vez o combate “activo do envelhecimento populacional” como uma estratégia nacional. A China tem registado quedas populacionais anuais, numa tendência inédita desde o início da década de 1960.

As autoridades estimam que, até 2035, mais de 400 milhões de chineses terão mais de 60 anos, o que representará cerca de um terço da população e aumentará a pressão sobre o mercado de trabalho, o sistema de pensões e o crescimento económico.

Em Macau, a população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com as autoridades locais a preverem uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041. Com o número de nascimentos a cair, os idosos de Macau, com 65 ou mais anos – cerca de 105.200 em 2025 – representavam já 15,3 por cento da população, mais 0,7 pontos percentuais do que no ano anterior.

Dar explicações

As autoridades do território indicaram na sexta-feira quererem organizar sessões explicativas dirigidas a empresas de ‘design’ de interiores e de remodelação, com o objectivo de aprofundar o conhecimento do sector sobre a adaptação do ambiente domiciliário para idosos, com novas tecnologias a apoiar esta população no dia-a-dia.

Entre os expositores presentes no evento, esteve o Centro de Ciência de Macau, que apresentou um robô humanóide produzido pela empresa chinesa AgiBot, que pode ser programado para comunicar e fazer companhia a idosos.

“Este tipo de robô já é um sucesso de vendas no interior da China e pode fazer companhia aos idosos, conversar, mudar expressões faciais e até ensinar tai chi ou dançar (…) Apesar das limitações em tarefas complexas, o robô é visto como uma ferramenta para combater a solidão”, descreveu à Lusa. A companhia de Xangai obteve mais de mil milhões de yuan em receita em 2025, exportando quase 10.000 robôs humanóides globalmente, segundo informação da empresa.

Ao mesmo tempo, a Votee, uma startup tecnológica de Macau e Hong Kong, apresentou na sexta-feira ‘software’ de IA que “pode ajudar a treinar assistentes sociais a lidar com idosos, melhorar a sua capacidade de resposta e até fazer companhia, registando memórias e histórias de vida”, descreveu o director comercial, Jeff Tai, à Lusa.

Segundo o responsável, a tecnologia entende cantonês, a língua mais falada em Macau, e pode “conversar com eles e transcrever o que dizem, ajudando-os a exercitar o raciocínio e a chamar assistência em caso de emergência, mesmo através da leitura de expressões faciais”.

Alerta de imobilidade

Já Alex Siu, director de Inovação em IA e Big Data da Companhia de Telecomunicações de Macau, destacou a tecnologia desenvolvia pela maior empresa de telecomunicações do território, que permite a monitorização de tendências de mobilidade da população idosa através de GPS em telemóveis.

“Podemos ver as áreas em que eles se movimentam mais, ou se passam mais tempo em casa. No entanto, não monitorizamos cada pessoa individualmente, só a tendência de movimento da população em grupo. Isto pode ajudar o Governo a planear medidas que possam ajudar esta população”, contou Siu à Lusa.

27 Abr 2026

ZAPE | Associação pede simplificação de licenças para esplanadas

A Associação Industrial e Comercial da ZAPE de Macau espera que o Governo facilite as candidaturas à licença de esplanada e acelere os procedimentos de aprovação, com o objectivo de apoiar a transformação da ZAPE.

Segundo o jornal Ou Mun, o presidente da associação, Wu Tat Chong, explicou que apesar de o Governo ter relaxado as regras para as esplanadas, os processos de candidatura e de aprovação são longos e rigorosos, o que desencoraja os comerciantes a montarem estes espaços.

Por esta razão, o responsável defende que como a ZAPE tem o ambiente ideal para esplanadas, o Governo deve facilitar os processos e adoptar medidas de apoio para atrair a mais comerciantes. Wu Tat Chong também deu o exemplo de Singapura, afirmando que o Governo da cidade-Estado ouviu as opiniões dos comerciantes.

Desemprego | Taxa dos residentes desce para 2,1 por cento

Entre Janeiro e Março de 2026 a taxa de desemprego dos residentes diminuiu 0,1 pontos percentuais para 2,1 por cento, em comparação com o período entre Dezembro de 2025 a Fevereiro de 2026. Os dados foram revelados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Em relação à taxa de subemprego dos residentes, ou seja, dos trabalhadores que fazem menos horas pagas do que aquelas que desejavam, a taxa foi de 2,1 por cento, não havendo alterações.

Em termos globais, a taxa de desemprego foi de 1,6 por cento, apresentando uma diminuição de 0,1 pontos percentuais face ao período anterior, enquanto a taxa de subemprego se manteve em 1,6 por cento. A mediana do rendimento mensal do emprego dos residentes empregados e a da população empregada no primeiro trimestre de 2026 foram de 22 mil e 18,3 mil patacas, respectivamente.

27 Abr 2026

Economia | Inflação fixou-se em 1,06 por cento em Março

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) subiu 1,06 por cento em Março, em termos anuais, e caiu 0,18 por cento, em termos mensais, foi anunciado na sexta-feira.

Os preços dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas subiram 1,12 por cento, face a Março de 2025, “devido sobretudo à subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de ‘take-away'”, e o índice de preços da secção dos transportes subiu 1,89 por cento, “em virtude da ascensão dos preços da gasolina”, indicou a Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em comunicado.

Também os preços da secção dos produtos e serviços diversos – como cuidados pessoais, seguros, artigos de joalharia, ourivesaria e relógios – subiram 3,12 por cento, e os preços da secção de lazer, recreação, desporto e cultura registaram um aumento de 3,02 por cento, em termos anuais.

Já o índice de preços da secção das bebidas alcoólicas e tabaco baixou 0,26 por cento, em termos anuais, lê-se na nota. O IPC Geral médio dos 12 meses terminados no mês de referência, em relação aos 12 meses imediatamente anteriores (Abril de 2024 a Março de 2025), ascendeu 0,53 por cento, refere-se ainda no comunicado da DSEC.

27 Abr 2026

Lusofonia | Macau quer profissionais de saúde, tecnologia, finanças e eventos

O desejo foi deixado por Kong Chi Meng, secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados, num encontro com a direcção da Universidade de Lisboa

As autoridades de Macau querem atrair para o território quadros qualificados de países lusófonos de sectores emergentes como saúde, tecnologia de ponta, finanças modernas e convenções e exposições. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, realizou a sua primeira visita oficial a Portugal de 17 a 21 de Abril, com uma delegação de 120 empresários e membros do Governo.

Durante a visita, o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), Kong Chi Meng, encontrou-se com a direcção da Universidade de Lisboa, sublinhando a necessidade de quadros qualificados em sectores emergentes como saúde, tecnologia de ponta, finanças modernas e convenções e exposições, de acordo com um comunicado divulgado na quinta-feira à noite pelo Gabinete de Comunicação Social.

A instituição de ensino portuguesa manifestou interesse em reforçar a cooperação académica e científica com Macau, através de programas conjuntos de investigação e formação.

Os representantes da CDQQ reuniram-se também com a Câmara de Comércio Portugal-China PME (CCPC-PME), presidida por Y Ping Chow, e com representantes de empresas portuguesas dos sectores da medicina tradicional chinesa, turismo e outros. Durante a reunião, Kong Chi Meng apresentou as políticas do território para a captação de quadros qualificados, destacando a terceira edição dos programas de recrutamento, que introduzem critérios específicos para candidatos lusófonos.

Sem grandes novidades

O plano de atracção de talentos de Macau, lançado em 2023, foca-se na captação de quadros qualificados, incluindo lusófonos, para sectores financeiros, tecnológicos e científicos, oferecendo benefícios fiscais e facilidades de residência. O programa recebeu mais de duas mil candidaturas, com cerca de 900 aprovadas. A terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, atraiu quase 300 candidaturas.

Entre as medidas estão a valorização da proficiência em português, o reconhecimento de diplomas das principais universidades dos países de língua portuguesa e a inclusão de prémios e títulos internacionalmente reconhecidos. Este programa tornou-se a única alternativa para cidadãos portugueses obterem o bilhete de identidade de residente no território através de trabalho.

Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território.

Segundo o comunicado, a CDQQ e a câmara de comércio acordaram em promover em Portugal as políticas de captação de talentos de Macau, funcionando como “cabeça de ponte” para atrair profissionais e empresas lusófonas para Macau, ao mesmo tempo que apoiam a entrada de empresas do território chinês e do Interior da China no mercado português.

27 Abr 2026

OMC espera apoio da RAEM à adesão de mais países lusófonos

A directora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, declarou esperar que Macau ajude a impulsionar a entrada de mais países de língua portuguesa na instituição. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu-se na quinta-feira, em Genebra, com Ngozi Okonjo-Iweala, no âmbito da visita oficial à Europa, que arrancou há uma semana em Lisboa.

A responsável nigeriana disse “ter pleno conhecimento” da forma como Macau tem desempenhado o “importante papel como plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa” e afirmou que o território pode “contribuir para impulsionar a adesão de mais países de língua portuguesa à OMC”, de acordo com um comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS).

Entre os países de língua portuguesa, apenas Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe não fazem parte da OMC, sendo ambos membros observadores. Brasil, Portugal, Moçambique e Guiné-Bissau integram a organização desde 1995, Angola desde 1996, Cabo Verde tornou-se membro em 2008 e Timor-Leste em 2024.

Macau também entrou para a organização desde que esta foi fundada, em 1995, e ainda antes da transferência de soberania do território de Portugal para a China, em 1999.

De acordo com o comunicado do GCS, no encontro em Genebra, “as duas partes trocaram impressões ainda sobre a consolidação da posição de Macau no sistema de comércio multilateral” e a “promoção das relações económicas e comerciais entre os membros da OMC e o interior da China, especialmente os países de língua portuguesa”.

Questões de tamanho

O Chefe do Executivo destacou, na ocasião, que Macau “vai continuar a apoiar plenamente a OMC nos esforços de manutenção e promoção do sistema de comércio multilateral” e “estudar continuamente a forma como as economias de pequena dimensão podem integrar-se melhor neste sistema”.

“Com base na experiência bem-sucedida enquanto economia de pequena dimensão, Macau tem um grande potencial e pode desempenhar um papel activo e significativo, contribuindo assim para os respectivos trabalhos da OMC”, referiu Sam Hou Fai, ainda de acordo com o comunicado.

UE | Sam quer cooperação com embaixada na Bélgica

No sábado, o Chefe do Executivo visitou as instalações da Delegação Económica e Comercial de Macau, junto da União Europeia, em Bruxelas, para se inteirar do seu funcionamento e deixar instruções de trabalho para o futuro.

Segundo o Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai indicou que a delegação deve “reforçar a cooperação com a Embaixada da China na Bélgica e com a missão da China junto da União Europeia”, para “consolidar e alargar a relação estratégica de cooperação económica e comercial com a União Europeia e outros estados-membros.

O governante indicou também que a delegação deve reforçar o contacto com o Serviço Europeu para a Acção Externa da União Europeia para retomar a Comissão Mista da União Europeia e Macau e impulsionar o intercâmbio em áreas como economia e comércio, indústria de alta tecnologia e formação de quadros qualificados. Durante a visita, Sam Hou Fai inspeccionou as instalações da delegação, secundado pela chefe da entidade, Lúcia Abrantes dos Santos.

27 Abr 2026

Cooperação | Coreia do Norte e Rússia concluem ligação de ponte

A Coreia do Norte e a Rússia concluíram as obras para ligar a ponte que une os dois territórios, com vista à inauguração “o mais rapidamente possível”, afirmou ontem a imprensa estatal norte-coreana. As obras terminaram na terça-feira, de acordo com a agência de notícias KCNA, que escreve que o importante projecto se destina a “reforçar e fortalecer a infraestrutura vital para a cooperação económica” bilateral.

A agência acrescentou que ambos os países estão a “trabalhar intensamente” para concluir e inaugurar o mais rapidamente possível a ponte rodoviária, que permitirá atravessar o rio Tumen, na fronteira terrestre de apenas 20 quilómetros que ambos os países partilham.

As obras de construção da ponte começaram em Março de 2025, e o Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a ponte vai ser inaugurada até ao final do ano. À ponte junta-se o reinício dos voos e da ligação ferroviária com Pyongyang, em 2025, embora, segundo afirmaram em Março os meios de comunicação russos, a ligação aérea entre Moscovo e Pyongyang não tenha atingido a ocupação desejada.

A Rússia e a Coreia do Norte reforçaram a cooperação desde o início da guerra na Ucrânia, durante a qual Pyongyang forneceu armamento e tropas a Moscovo. Em troca, o regime de Kim Jong-un recebeu divisas, bens e tecnologia russa. Ainda esta semana, o ministro do Interior da Rússia, Vladimir Kolokoltsev, acordou reforçar a cooperação policial com o homólogo norte-coreano, Pang Tu-Sop, numa reunião bilateral realizada em Pyongyang.

24 Abr 2026

Samsung | Milhares de trabalhadores pedem bónus e ameaçam com greve

Milhares de trabalhadores da Samsung Electronics protestaram ontem em Seul para pedirem bónus mais elevados à multinacional sul-coreana, tendo ameaçado com uma greve de 18 dias caso as negociações falhem.

Segundo as estruturas sindicais, esta manifestação, junto ao complexo de Pyeongtaek, deverá ter sido o maior protesto dos trabalhadores da fabricante sul-coreana de ‘chips’. O protesto foi convocado por uma plataforma conjunta de três sindicatos e decorreu junto ao maior centro de fabrico de semicondutores do mundo, no sul de Seul, noticia a Efe.

De acordo com as autoridades, estiveram presentes 34.000 participantes – abaixo da estimativa de 39.000 da organização –, diz a Efe, que remete para os locais JoongAng Daily e Chosun Daily. Os trabalhadores exigem a eliminação actual do limite para o bónus de desempenho, fixado em até 50 por cento do salário anual, e pedem a substituição por um sistema que aloque 15 por cento do lucro operacional a incentivos.

O jornal local JoongAng Daily aponta que se a empresa obtivesse este ano um lucro operacional de 300 biliões de wons (173.400 milhões de euros), o fundo para bónus seria de 45 biliões de wons (26.010 milhões de euros). O dirigente sindical Choi Seung-ho alertou que se a produção for interrompida durante 18 dias, tal terá um impacto próximo de 18 biliões de wons (10.404 milhões de euros). À falta de acordo, a greve deverá ocorrer entre 21 de Maio e 07 de Junho.

24 Abr 2026

TPI | Ex-Presidente filipino Duterte vai ser julgado

O antigo Presidente filipino Rodrigo Duterte vai ser julgado por crimes contra a humanidade, anunciou ontem o Tribunal Penal Internacional, confirmando as acusações de violência na guerra contra a droga e de autorização de milhares de execuções extrajudiciais.

Segundo o painel de três juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI), cuja decisão foi unânime, há “razões substanciais” para acreditar que o antigo líder foi responsável por dezenas de assassinatos, primeiro como presidente da câmara da cidade de Davao, no sul das Filipinas, e depois como Presidente.

Duterte, de 80 anos, foi detido nas Filipinas no ano passado e nega as acusações que lhe são imputadas. Na sua decisão de 50 páginas, os juízes concluíram que as provas mostram que Duterte “desenvolveu, disseminou e implementou” uma política “para ‘neutralizar’ os alegados criminosos”. De acordo com os procuradores que o acusam, a polícia e os membros dos esquadrões da morte realizaram dezenas de assassínios a mando de Duterte, motivados pela promessa de dinheiro ou para evitar tornarem-se alvos.

“Para alguns, matar atingiu o nível de uma forma perversa de competição”, disse a procuradora-adjunta Mame Mandiaye Niang ao tribunal, em audiências preliminares realizadas em Fevereiro.

A data para o início do julgamento ainda não está definida.

O advogado principal de defesa de Duterte, Nick Kaufman, disse aos juízes, durante as audiências de fevereiro, que o ex-Presidente filipino “defende resolutamente o seu legado e mantém a sua [declaração de] absoluta inocência”. Kaufman argumentou que a acusação “seleccionou a dedo” exemplos da “retórica bombástica” de Duterte e que as palavras do seu cliente nunca tiveram a intenção de incitar à violência.

Contabilidade trágica

As estimativas do número de mortos durante o mandato presidencial de Duterte variam, desde os mais de 6.000 reportados pela polícia nacional até aos 30.000 alegados por grupos de defesa dos direitos humanos. A maioria dos mortos eram pessoas pobres, muitas vezes sem ligação comprovada ao tráfico, incluindo crianças e opositores políticos. Duterte não esteve presente no tribunal em qualquer audiência porque renunciou ao seu direito de comparecer.

No mês passado, os juízes consideraram-no apto para ser julgado, depois de terem adiado uma audiência anterior devido a preocupações com a sua saúde. Os procuradores do TPI avançaram, em 2018, que iriam abrir uma investigação preliminar sobre as violentas repressões das drogas.

Numa manobra que, segundo os activistas dos direitos humanos, visava evitar a responsabilização, Duterte, que era Presidente na altura, anunciou que as Filipinas iriam abandonar o TPI. Na quarta-feira, os juízes de recurso rejeitaram um pedido da equipa jurídica de Duterte para arquivar o caso, alegando que o tribunal não tinha jurisdição devido à retirada das Filipinas. Contudo, o tribunal mantém a sua posição, justificando que os crimes foram cometidos enquanto o país era membro o TPI.

24 Abr 2026

Índia | Dois estados-chave da Índia vão às urnas

Dois importantes estados indianos, Bengala Ocidental (leste) e Tamil Nadu (sul), votaram ontem para eleger os parlamentos locais, que até agora se mantiveram fora do controlo do partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi. Mais de 36 milhões de eleitores — de uma população de quase 100 milhões — estão aptos a eleger 294 representantes em Bengala Ocidental, onde a chefe do governo Mamata Banerjee e o partido All India Trinamool Congress estão no poder desde 2011.

A votação decorre em duas fases: 152 lugares serão agora preenchidos e os restantes 142 a 29 de Abril. A campanha eleitoral tem sido turbulenta em Bengala Ocidental, onde a exclusão de nove milhões de pessoas dos registos eleitorais gerou um debate aceso entre os partidos.

A eleição é considerada “muito sensível”, disse o chefe local da comissão eleitoral, Manoj Agarwal. Mais a sul, ao longo da baía de Bengala, os eleitores de Tamil Nadu, cuja população ultrapassa os 80 milhões, elegem 234 representantes.

Neste estado, um dos mais ricos da Índia, o partido no poder, Dravida Munnetra Kazhagam, enfrenta a concorrência do principal rival, o All India Anna Dravida Munnetra Kazhagam, aliado ao Partido Bharatiya Janata, de Narendra Modi. Os resultados das duas eleições são esperados em 04 de Maio.

24 Abr 2026

Myanmar prevê “coisas boas” para ex-líder detida Aung San Suu Kyi

O chefe da diplomacia tailandesa declarou, após reunir-se com o líder birmanês, que Myanmar (antiga Birmânia) prevê “coisas boas” para a ex-líder Aung San Suu Kyi, detida desde o golpe de Estado.

O general birmanês, que se tornou Presidente, Min Aung Hlaing, afirmou que Aung San Suu Kyi está a ser “bem tratada” e que planeia “coisas boas” para a ex-líder, sem dar mais detalhes, informou o ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês, Sihasak Phuangketkeow.

“Deve ser um bom sinal”, acrescentou o diplomata, numa mensagem de vídeo, antes de regressar à Tailândia na quarta-feira à noite. Min Aung Hlaing, na altura chefe das forças armadas birmanesas, derrubou em 2021 o governo eleito da Prémio Nobel da Paz, mergulhando o país do Sudeste Asiático numa guerra civil.

Assumiu a presidência no início do mês, na sequência das eleições no país, denunciadas no estrangeiro como uma manobra para prolongar o regime militar sob um disfarce civil. Esta transição foi acompanhada por recuos em certas medidas repressivas implementadas pela junta nos últimos cinco anos.

Questão de imagem

O antigo presidente Win Myint, braço direito de Aung San Suu Kyi, também detido durante o golpe de Estado, foi libertado na semana passada, no âmbito de uma ampla amnistia. Um gesto apresentado como um esforço de reconciliação, mas que os observadores consideram destinado a melhorar a imagem do novo Governo, composto maioritariamente por antigos militares.

A amnistia concedida a Win Myint reacendeu, no entanto, os apelos diplomáticos para a libertação de Aung San Suu Kyi, detida num local mantido em segredo, aos 80 anos de idade. Os defensores de Suu Kyi consideram que as acusações contra a antiga dirigente, nomeadamente de fraude eleitoral, foram forjadas para permitir que os militares regressassem ao poder, pondo fim a uma década de experiência democrática no país.

24 Abr 2026

Combustíveis | Exportações chinesas de energia alternativa disparam

A crise energética, provocada pelo ataque conjunto de israelitas e americanos ao Irão, está a fazer com que exportações chinesas de produtos solares alcancem valores nunca antes atingidos

As exportações chinesas de energias alternativas aos combustíveis fósseis dispararam com a subida dos preços do petróleo e do gás após a guerra no Irão, com a energia solar a atingir níveis recorde. Segundo a consultora Ember, as exportações de produtos solares atingiram 68 gigawatts (GW) em Março, duplicando face a Fevereiro.

O aumento foi impulsionado sobretudo por países de África e da Ásia, regiões mais afectadas pelo bloqueio “de facto” do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás mundiais antes do conflito. Estas duas regiões concentraram três quartos do aumento das vendas, com destinos como Índia, Malásia, Laos, Nigéria, Quénia ou Etiópia, embora também tenham sido registados níveis recorde de compras na Austrália e União Europeia.

No total, 50 países bateram recordes de importações e outros 60 registaram máximos semestrais, enquanto o Médio Oriente foi a única região sem crescimento, devido às dificuldades logísticas. A Ember sublinha que alternativas como a energia solar, baterias e veículos eléctricos serão essenciais para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, num contexto de preços elevados e incerteza geopolítica.

Por partes

Por categorias, a China exportou 32 GW de painéis solares em Março, mais 91 por cento do que em Fevereiro, enquanto as vendas de células e lâminas de silício mais do que duplicaram (108 por cento), atingindo cerca de 36 GW.

“À medida que os efeitos dos preços elevados do petróleo e do gás se fazem sentir no mercado global de energia, alternativas como a solar, as baterias e os veículos eléctricos serão fundamentais para ajudar os países a tornarem-se mais resilientes e a reduzirem a dependência dos combustíveis fósseis”, indica a Ember.

As vendas combinadas destes três segmentos aumentaram 70 por cento em termos homólogos em março e 38 por cento face ao mês anterior. No caso dos veículos eléctricos, a frota global destes automóveis representou uma procura equivalente a 1,8 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 13 por cento da produção dos Estados Unidos.

Segundo a analista Leah Fahy, da Capital Economics, a China representa cerca de 25 por cento das exportações globais de veículos eléctricos (em valor) e mais de metade das exportações de células solares e baterias de iões de lítio, três sectores que, embora representem apenas 4,5 por cento do total das exportações chinesas, contribuíram com quase 20 por cento do crescimento no ano passado.

A analista estima que, se estas vendas crescerem 50 por cento este ano, poderão acrescentar dois pontos percentuais ao crescimento total das exportações chinesas, podendo chegar a cinco pontos caso dupliquem.

24 Abr 2026

China apela ao Camboja para “erradicar totalmente” centros de burla

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou ontem ao Camboja para “erradicar totalmente” os centros de fraude ‘online’ que proliferam no país, durante um encontro com o primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, em Phnom Penh.

O Camboja tornou-se, nos últimos anos, um dos principais polos de cibercriminalidade, onde burlões, por vezes a trabalhar sob coação, enganam internautas em todo o mundo, nomeadamente através de falsas relações amorosas ou investimentos em criptomoedas.

Sob pressão de vários países, incluindo a China, de onde são oriundos muitos dos autores e vítimas, as autoridades cambojanas, acusadas de durante anos terem fechado os olhos ao fenómeno, dizem estar agora a combater com firmeza esta indústria, avaliada em milhares de milhões de euros.

“As actividades criminosas transfronteiriças relacionadas com jogos de azar e burlas comprometem a segurança das pessoas e dos seus bens”, afirmou Wang Yi a Hun Manet, segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “É preciso combatê-las com firmeza e erradicá-las completamente”, acrescentou Wang Yi, ao lado do ministro da Defesa chinês, Dong Jun.

Amigos inseparáveis

Pequim e Phnom Penh mantêm estreitas relações comerciais, diplomáticas e militares, tendo Wang Yi voltado a elogiar uma amizade “verdadeiramente inabalável”.

O Camboja tem vindo a intensificar esforços para não comprometer os laços com a China, o seu principal parceiro comercial. Em Fevereiro, Hun Manet prometeu “limpar tudo isto”, referindo-se aos centros de burla, e, no mês seguinte, o Governo aprovou um projecto de lei que prevê penas severas para os envolvidos em cibercrimes.

O líder cambojano indicou ainda ter discutido com os responsáveis chineses temas como política, comércio, investimento, defesa e infraestruturas de transporte. Relativamente ao conflito com a Tailândia, Wang Yi manifestou apoio à normalização das relações bilaterais, após confrontos mortais em 2025 na fronteira comum.

A China “está disposta a oferecer uma plataforma para uma comunicação mais abrangente e eficaz entre os dois países” e a prestar ajuda humanitária para a reinstalação de populações nas zonas fronteiriças cambojanas, acrescentou. Um cessar-fogo foi alcançado a 27 de Dezembro, mas a situação permanece frágil, com Camboja e Tailândia a acusarem-se mutuamente de violar a trégua.

24 Abr 2026