Hoje Macau China / ÁsiaEconomia | Aliados históricos dos EUA cedem influência à China Os líderes do Reino Unido e do Canadá “inclinaram-se perante Pequim”, observou ontem o analista Bill Bishop, numa análise aos recentes contactos diplomáticos com a China, que reflectem um distanciamento em relação aos Estados Unidos. “Tivemos dois dos mais firmes aliados históricos dos Estados Unidos, dois membros da NATO […] efectivamente, de certa forma, a inclinarem-se perante Pequim”, comentou o analista no seu boletim diário Sinocism. A visita realizada na semana passada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à República Popular da China – a primeira de um chefe de Governo britânico desde 2018 – ocorre num momento em que outros líderes ocidentais, como os da França, Finlândia e Canadá, também procuram reforçar os laços com Pequim, numa tendência de diversificação de alianças face à imprevisibilidade da política externa norte-americana. Apesar de Pequim não ter anunciado concessões de relevo à delegação britânica, Starmer regressou ao Reino Unido com a redução das tarifas sobre o whisky britânico de 10 por cento para 5 por cento e com a promessa de novas parcerias comerciais. Uma delegação empresarial de cerca de 50 empresas, incluindo a AstraZeneca, acompanhou o chefe do Governo, tendo sido anunciado um investimento de 15 mil milhões de dólares na China até 2030. A visita foi precedida pela aprovação, por parte das autoridades britânicas, de um projecto para uma nova embaixada chinesa em Londres, bloqueado durante vários anos, bem como pelo abandono de um processo judicial por espionagem que envolvia cidadãos chineses. Para Bishop, a estratégia de Pequim não visa substituir os Estados Unidos como aliado principal destes países, mas sim “explorar o espaço deixado por fissuras” nas relações tradicionais com Washington. A visita de Starmer, tal como a do primeiro-ministro canadiano, é interpretada como um sinal de abertura para relações mais pragmáticas com dois membros da NATO e da aliança de informação “Cinco Olhos”. “A China continua a ter uma enorme vantagem em cadeias de abastecimento críticas, como as terras raras”, lembrou Bishop, referindo-se ao controlo chinês sobre minerais essenciais para a indústria. Um relatório recente do grupo de reflexão European Council on Foreign Relations (ECFR) apontou num sentido semelhante. O documento concluiu que a política externa unilateral e transacional de Donald Trump está a provocar um realinhamento global, com vários países a considerar a China um actor mais previsível e, em certos casos, mais confiável do que os Estados Unidos. Mapas de influência Segundo o ECFR, apenas 16 por cento dos europeus vêem hoje os EUA como um aliado confiável. Entre os inquiridos em 21 países, apenas 10 por cento acreditam que os EUA terão mais influência no mundo dentro de 10 anos, enquanto 36 por cento apostam na China. O relatório sublinhou ainda que muitos cidadãos, tanto na Europa como no chamado Sul Global, já não vêem o mundo dividido entre dois blocos rivais, mas sim como um espaço multipolar, onde é possível manter boas relações com ambas as potências. Para Bishop, o objectivo da China não é virar aliados ocidentais contra Washington, mas sim aproveitar as divisões que se alargaram. “Não se trata de os virar contra os Estados Unidos, mas sim de expandir o espaço de influência e negociação”, afirmou.
Hoje Macau EventosAno Novo Chinês | Sessão de papéis votivos na Fundação Rui Cunha A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje a segunda sessão da iniciativa “Fai Chun – Oferta de Papéis Votivos”, a propósito da chegada do Ano Novo Chinês. Assim sendo, os interessados e curiosos podem passar pela galeria para receber os papéis votivos, que são mensagens de boa sorte em caligrafia chinesa, entre as 10h e as 16h. Os papéis são gratuitos, sendo um evento co-organizado pela Associação de Poesia dos Amigos do Jardim da Flora. A FRC recebe 41 mestres da caligrafia e poetas que vão criar frases bem-afortunadas e dísticos de versos alusivos às celebrações do Novo Ano Lunar do Cavalo. Fai Chun é uma decoração tradicional usada durante o Ano Novo Chinês, que marca a chegada da época primaveril. Em português poderá traduzir-se por Onda de Primavera. As pessoas colocam os Fai Chun nas portas para criar uma atmosfera alegre e festiva, já que as frases caligrafadas significam boa sorte e prosperidade. Normalmente, os Fai Chun tradicionais são de cor vermelha, com caracteres pretos ou dourados inscritos a pincel, que visam proteger as casas com votos de bons auspícios para o ano que se segue. Hoje em dia, são mais frequentes as versões impressas e produzidas em larga escala. Podem ser quadrados ou rectangulares e pendurados na vertical ou na horizontal, geralmente aos pares. Não existem apenas na China, mas também na Coreia, Japão e Vietname. 2026 é o Ano do Cavalo de Fogo, que se inicia a 17 de Fevereiro de 2026 (primeiro dia do Novo Ano Chinês) e dura até 5 de Fevereiro de 2027. O Cavalo é o sétimo dos 12 signos do zodíaco chinês.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio de minerais | Pequim rejeita fragmentação após iniciativa dos EUA A China rejeitou ontem a criação de “pequenos círculos” exclusivos no comércio internacional de minerais críticos e defendeu um ambiente comercial “aberto, inclusivo e universalmente benéfico”, em resposta a iniciativas lideradas pelos Estados Unidos. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que “manter um ambiente de comércio internacional aberto, inclusivo e universalmente benéfico serve os interesses comuns de todos os países”. Lin sublinhou ainda que “todas as partes têm a responsabilidade de desempenhar um papel construtivo” para salvaguardar a estabilidade e a segurança das cadeias globais de produção e abastecimento de minerais críticos. O porta-voz acrescentou que a China “opõe-se a que qualquer país prejudique a ordem económica e comercial internacional através de regras de ‘pequenos círculos’ exclusivos”, numa referência indirecta aos mecanismos de cooperação promovidos por Washington com parceiros e aliados para reduzir a dependência da China neste sector. As declarações surgem depois de os Estados Unidos anunciarem a criação de uma aliança comercial para minerais críticos e de Washington e a União Europeia terem acordado um primeiro plano de acção conjunto para coordenar políticas de abastecimento destas matérias-primas, consideradas essenciais para indústrias como a dos semicondutores, baterias avançadas e defesa. Pequim reiterou nos últimos dias que a sua posição quanto à estabilidade das cadeias globais de abastecimento “não se alterou” e defendeu o reforço da comunicação e do diálogo entre países, em detrimento de fórmulas que “fragmentam o comércio internacional”.
Hoje Macau China / ÁsiaRelatório | Investimento directo no exterior atinge máximo desde 2018 A China investiu cerca de 124 mil milhões de dólares no estrangeiro em 2025, o valor mais elevado em novos acordos desde 2018, indicou ontem a consultora norte-americana Rhodium Group. Apesar de continuar longe do recorde histórico de 287 mil milhões de dólares registado em 2016, o valor total foi impulsionado por projectos de nova geração nos sectores da mineração, centros de dados e energia, que representaram, em conjunto, cerca de 100 mil milhões de dólares no último ano. O relatório assinala ainda que as operações efectivamente concluídas ascenderam a 73 mil milhões de dólares – o valor mais elevado desde 2019 –, reflectindo o habitual desfasamento entre o anúncio e a concretização dos investimentos, bem como o cancelamento de alguns projectos. Segundo a Rhodium, embora a China continue a investir fortemente em fábricas no exterior, a tendência está em declínio. Ao contrário, as exportações continuam a ser o principal motor da globalização económica chinesa. “As empresas chinesas podem estar a localizar parte da produção através de investimento direto externo, mas a estratégia de globalização da China continua a centrar-se nas exportações”, afirma o relatório, que acrescenta que “a capacidade produtiva doméstica cresceu muito mais rapidamente do que fora da China desde a pandemia”. O norte de África foi a única região do mundo a registar um aumento no investimento chinês em novas unidades fabris durante 2025, o que poderá representar “uma decepção” para países que esperavam revitalizar a indústria com capital proveniente da China. Papel principal A Ásia manteve-se, em 2025, como o principal destino do investimento externo chinês, seguida por mercados como a América Latina, impulsionada por projectos mineiros e de infraestruturas. Em contraste, a fatia de investimentos na América do Norte, Europa e Oceânia caiu de cerca de 70 por cento do total em 2016 para menos de 20 por cento. A quebra foi particularmente acentuada na Europa Central e de Leste, sublinha a consultora, que associa a retração à relutância de Pequim em permitir que tecnologias avançadas chinesas sejam transferidas para o estrangeiro. O sector automóvel representou 13 por cento do investimento, a menor quota desde 2020, devido à desaceleração nas cadeias de produção de veículos eléctricos. Em sentido oposto, aumentaram os investimentos em projectos de exploração de ferro, lítio e ouro, bem como em energia fóssil e renovável. O relatório destaca ainda o crescimento dos serviços digitais, o segundo maior da série histórica, com destaque para o “boom” de centros de dados no Sudeste Asiático, e o sector dos bens de consumo, impulsionado pela aquisição de marcas históricas europeias e redes de retalho. A estimativa da Rhodium Group difere dos dados oficiais divulgados por Pequim, que apontam para 174,4 mil milhões de dólares investidos no estrangeiro em 2025, mais 7,1 por cento do que no ano anterior. A diferença, segundo a consultora, deve-se a empresas chinesas que mantêm receitas em dólares nas suas filiais no exterior, evitando repatriar os lucros e convertê-los em activos denominados em renmimbi.
Hoje Macau Via do MeioPoemas de Lu Xun Poucos conhecidos, marginais à obra do grande escritor da primeira metade do século XX, mas essenciais para nos proporcionarem uma proximidade ao homem e aos interstícios da sua obra. A Via do Meio inicia hoje a apresentação dos poemas de Lu Xun, nunca antes vertidos em língua portuguesa, com tradução e comentários de Sara F. Costa. Longe dos Irmãos 別諸弟 Bié zhū dì (庚子二月) 1 (Gēngzǐ èr yuè) 謀生2 無奈日奔馳, Móu shēng wú nài rì bēn chí, 有弟偏教各別離。 Yǒu dì piān jiào gè bié lí. 最是令人淒絕3處, Zuì shì lìng rén qī jué chù, 孤燈4 長夜雨來時。 Gū dēng cháng yè yǔ lái shí. Longe dos Irmãos (Segundo mês do ano Gengzi) Para ganhar a vida, corro sem escolha, tenho irmãos — e sigo por caminhos distintos dos deles. O que mais faz sofrer até à desolação é a chuva da noite longa, junto à lâmpada solitária. Contextualização e comentário O poema 〈別諸弟〉 (Longe dos Irmãos), datado do segundo mês do ano Gengzi (庚子二月, 1900), integra a produção poética juvenil de Lu Xun, escrita em chinês clássico (文言文) e formalmente inscrita na tradição canónica do jueju (绝句) de cinco caracteres. Embora esta vertente da sua obra seja menos conhecida do que a produção ensaística e ficcional em baihua (白话), o poema revela já um conjunto de tensões éticas, afetivas e existenciais que atravessarão toda a sua escrita posterior. À data da composição, Lu Xun tinha dezanove anos e encontrava-se numa fase marcada por dificuldades económicas e por sucessivas separações familiares. Após a morte do pai, ocorrida três anos antes, recaíram sobre si responsabilidades materiais e morais em relação aos irmãos mais novos, de acordo com a ética familiar tradicional. O afastamento para Nanquim, onde frequentou primeiro a Escola Naval e depois a Escola de Minas e Caminhos-de-Ferro, não resultou de uma vocação idealizada, mas de uma necessidade concreta: assegurar a subsistência da família através do acesso ao ensino gratuito e às bolsas de estudo. A inscrição temporal do poema no calendário tradicional chinês ancora esta experiência individual num tempo cíclico e ritual, associado à ordem familiar e cultural, reforçando o conflito entre dever, sobrevivência e afastamento. O poema apresenta a forma concisa e altamente condensada do jueju, recorrendo a procedimentos sintáticos característicos do verso regulado e a um vocabulário de forte densidade semântica. O primeiro verso — “Para ganhar a vida, corro sem escolha” — introduz o núcleo ético do texto. O sintagma móu shēng (謀生), “ganhar a vida”, surge aqui despojado de qualquer valor vocacional ou edificante, remetendo para a dimensão estritamente material da existência. A opção tradutória pelo verbo correr traduz o valor dinâmico de bēnchí (奔馳), intensificando a ideia de urgência, desgaste e movimento contínuo. A vida não se apresenta como algo que se sustenta passivamente, mas como algo que se persegue num ritmo forçado, sem margem de escolha nem possibilidade de pausa. No segundo verso — “tenho irmãos — e sigo por caminhos distintos dos deles” — a separação é formulada como divergência de trajetórias. A manutenção do plural preserva a referência concreta ao núcleo familiar, enquanto a imagem dos “caminhos distintos” desloca o poema para uma reflexão mais ampla sobre a assimetria dos destinos na entrada na vida adulta. A existência dos irmãos não atenua a separação; pelo contrário, torna-a mais consciente e mais pesada. O afastamento não é apresentado como rutura súbita, mas como consequência inevitável do próprio movimento da vida, inscrito no tempo e nas escolhas impostas pelas circunstâncias. O dístico final concentra o núcleo emocional do poema numa imagem de forte tradição literária: “a chuva da noite longa, junto à lâmpada solitária”. A lâmpada (gū dēng 孤燈) é um símbolo recorrente da vigília, do estudo e do isolamento do letrado, enquanto a chuva noturna remete para a nostalgia e a melancolia de quem se encontra longe de casa. Esta imagem, presente desde a poesia da dinastia Song — nomeadamente em autores como Lu You (1125–1210) — articula espaço exterior e interior, fazendo coincidir a persistência da chuva com a duração da consciência desperta. A dor não se exprime por enunciação direta, mas pela insistência do tempo noturno e pela solidão iluminada. A tradução portuguesa acentua esta dimensão ao optar por uma sintaxe fluida e por imagens que preservam a contenção do original, sem empobrecimento expressivo. O verso “O que mais faz sofrer até à desolação” recupera a fórmula intensificadora zuì shì lìng rén qī jué chù (最是令人淒絕處), recorrente na tradição poética chinesa para condensar o grau máximo da dor num ponto preciso do poema. A escolha lexical privilegia a continuidade emocional e a progressão interna do texto, evitando tanto a literalidade rígida como a amplificação retórica. Este poema juvenil revela já um traço central da escrita de Lu Xun: a preferência por imagens densas e estruturalmente carregadas em detrimento da expressão direta do sentimento. A experiência da separação familiar, da necessidade material e da solidão noturna surge articulada com clareza e economia, sem apelo ao consolo nem à reconciliação. A divergência dos caminhos afirma-se como dado constitutivo da vida adulta, assumido com lucidez e sustentado por uma imagética capaz de concentrar, em poucos versos, uma experiência de perda que não se resolve, mas se aprende a suportar à luz frágil de uma lâmpada. Gengzi (庚子) corresponde ao ano de 1900 segundo o calendário tradicional chinês, baseado no sistema sexagenário que combina os Dez Troncos Celestes (天干) e os Doze Ramos Terrestres (地支). O “segundo mês” refere-se ao segundo mês lunar, e não ao mês civil ocidental, situando o poema aproximadamente entre fevereiro e março de 1900. A utilização desta datação tradicional inscreve o texto num tempo cíclico e ritual, associado à ordem familiar e cultural, em contraste com o calendário gregoriano de uso administrativo. 謀生 (móu shēng), “ganhar a vida”, é um termo forte, quase impróprio para um jovem estudante. No contexto de Lu Xun, designa a necessidade de escolher estudos técnicos e utilitários como único meio de sustento, não como realização pessoal. 淒絕 (qī jué), “tristeza cruel, desolação extrema”. A sequência zuì shì lìng rén… (“o que mais faz sofrer…”) é uma construção poética recorrente para exprimir o grau máximo da dor. 孤燈 (gū dēng), “lâmpada solitária”, pode designar tanto uma lâmpada a óleo como uma vela. Na tradição poética chinesa, associa-se ao estudioso isolado, ao exilado ou ao viajante afastado do lar.
Hoje Macau SociedadeJogo | Menos empréstimos ilegais em 2025 No ano passado, a Polícia Judiciária iniciou um total de 192 investigações relacionadas com empréstimos ilegais para jogo, o que representou uma quebra de 23,8 por cento face a 2024. Os números foram divulgados ontem durante um simpósio sobe as estatísticas do ano passado. Apesar de haver menos empréstimos, o número de inquéritos instaurados relacionados com o jogo aumentou 62,6 por cento, para um total de 2.314. Este aumento foi justificado com o crime de troca ilegal de dinheiro para o jogo. Esta foi uma prática que as autoridades locais sempre entenderam não ser necessário criminalizar. Contudo, em 2024, depois das críticas vindas do Interior em que a prática em Macau destas trocas de dinheiro foi identificada como uma vulnerabilidade para a segurança do país, o Governo da RAEM acabou por avançar com a criminalização. Nas declarações prestadas, Sit Chong Meng, director da PJ, afirmou que desde que a lei de combate às trocas ilegais de dinheiro para o jogo entrou em vigor até Dezembro de 2025 foram concluídos 567 casos, que levaram à detenção de 867 pessoas. A polícia apreendeu mais de 94 milhões de dólares de Hong Kong, sendo que algumas operações foram conduzidas em cooperação com as autoridades do Interior. De acordo com o jornal Ou Mun, o aumento da criminalidade resultou também de “melhorias estatísticas”, que não foram especificadas. Sit avisou também que “à medida que as iniciativas policiais se intensificam, as actividades dos gangues de câmbio de dinheiro tornaram-se cada vez mais secretas e os padrões criminosos mais sofisticados”. Contudo, o respomsável prometeu que a PJ “vai acompanhar de perto e de forma persistente” as redes criminosas que utilizam os negócios legítimos para esconderem estas trocas ilegais.
Hoje Macau Manchete SociedadeEmperor | Vendido ouro do chão por 100 milhões O grupo Emperor, responsável pelo hotel com o mesmo nome em Macau, acordou a venda de várias barras de ouro que estavam colocadas no chão do hotel. O anúncio foi feito ontem à Bolsa de Hong Kong, e a venda do metal ficou acordada por 99,7 milhões de dólares de Hong Kong, no que deverá representar num lucro líquido de 90,2 milhões. Sobre os motivos para a venda do ouro, o grupo explica se enquadra numa nova estratégia para a exploração do hotel, face ao fim da operação do espaço de jogo, que no passado fez com que o Emperor Hotel fosse um casino-satélite. “Após o encerramento das suas operações de jogo, o Grupo tem vindo a planear activamente outras instalações de entretenimento e diversão para melhorar a sua experiência global de hospitalidade e alargar a sua base de receitas”, foi apontado. “Os metais preciosos que originalmente faziam parte do design interior e do equipamento do hotel, já não são relevantes para o tema do hotel no futuro”, foi acrescentado. O Conselho de Administração da empresa explicou também que a venda se realiza numa altura em que o valor do ouro tem atingido números históricos. O comprador é a empresa Heraeus Metals Hong Kong, a representação do grupo alemão Heraeus, fundado em 1660, e que se dedica a actividades como a comercialização de metais preciosos, reciclagem, saúde, produtos electrónicos e semicondutores.
Hoje Macau Manchete SociedadeMGM China | Lucros aumentaram 10,7 por cento A concessionária do leão anunciou um crescimento anual das receitas que promete uma entrada auspiciosa no Ano do Cavalo. Em 2025, a MGM China anunciou lucros recorde de 1,2 mil milhões de dólares A operadora de jogo em Macau MGM China anunciou lucros recorde de 1,2 mil milhões de dólares em 2025, um aumento anual de 10,7 por cento. Trata-se do terceiro ano consecutivo com um novo máximo, depois de, em 2023, a MGM China ter registado um recorde histórico de lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização (EBITDA, na sigla em inglês) de cerca de 921 milhões de dólares e, em 2024, de aproximadamente 1,13 milhões de dólares. Estes dados, de acordo com um comunicado enviado à bolsa de valores de Nova Iorque na quarta-feira, foram publicados “de forma inadvertida”, já que a data de publicação estava marcada para dia 11 de Fevereiro. Os resultados, escreveu a empresa, vão ser hoje divulgados “após o encerramento do mercado” Ainda de acordo com o documento, no último trimestre do ano passado, a MGM China alcançou lucros de 332,3 milhões de dólares, uma subida de 30,5 por cento em relação ao mesmo período do ano passado (254,7 milhões de dólares). A empresa terminou o ano ainda com uma subida anual de 10,9 por cento nas receitas, com ganhos de 4,5 mil milhões de dólares em 2025 face aos 4,02 mil milhões de dólares obtidos no ano anterior. Em termos trimestrais, a MGM China alcançou receitas líquidas de 1,24 mil milhões de dólares nos últimos três meses do ano, o que representa um acréscimo de 21,4 por cento em relação ao mesmo período de 2024 (1,02 mil milhões de dólares). Acima do esperado Em reacção aos resultados anunciados, citados pelo portal GGR Asia, a empresa de serviços financeiros Jefferies considerou que ficaram entre 3 por cento e 5 por cento acima das expectativas. No entanto, o dia de ontem ficou marcado por uma suspensão do comércio das acções da MGM China na Bolsa de Hong Kong. A suspensão aconteceu na parte da manhã, depois de a empresa-mãe, a MGM Resorts, ter por anunciado “inadvertidamente” os resultados da MGM China, ainda antes do comunicado desta às autoridades da Bola de Hong Kong. Seis concessionárias do jogo, MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM, operam em Macau, o único local na China onde o jogo em casino é legal. Os casinos da região fecharam o ano de 2024 com receitas de 226,8 mil milhões de patacas, mais 23,9 por cento do que em 2023 (183,1 mil milhões de patacas). As receitas dos casinos de Macau atingiram no ano passado 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento em comparação com o ano anterior.
Hoje Macau PolíticaPatriotismo | Sam Hou Fai salienta prioridade a interesses nacionais “Colocamos sempre em primeiro lugar a salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses de desenvolvimento nacional, implementando com determinação o princípio de ‘Macau governada por patriotas’”, afirmou o Chefe do Executivo num discurso proferido ontem na recepção da festa de Primavera oferecida pelo Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM. Sam Hou Fai resumiu a acção política do ano passado, com particular destaque para a integração nacional e defesa da segurança do Estado. “No âmbito da salvaguarda da segurança nacional, tomámos medidas decisivas, tratando os casos de acordo com a lei, a fim de prevenir e impedir resolutamente a infiltração e a interferência de forças externas. Isto assegurou a manutenção eficaz da estabilidade e da harmonia em Macau”, indicou o político local. O líder do Executivo mencionou várias vezes as instruções de Xi Jinping, nomeadamente a frase, que tem “sempre presente”, “A prosperidade não deve induzir à complacência, nem a segurança justifica o esquecimento do perigo”. Afirmando que 2026 é um ano crucial para o alinhamento com as estratégias nacionais, Sam Hou Fai reforçou a promessa de manter a estabilidade. “Continuaremos a implementar o princípio ‘um país, dois sistemas’ de forma abrangente, precisa e resoluta, salvaguardando firmemente a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento nacional e defendendo com determinação a linha inultrapassável de que ‘não pode haver caos em Macau’”.
Hoje Macau PolíticaFronteiras | Mercadorias passam a ter declaração alfandegária única Entrou ontem em funcionamento, a título experimental, um serviço que permite entregar online apenas uma declaração alfandegária para a passagem de mercadorias entre Guangdong e Macau, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT). Assim sendo, as empresas necessitam de preencher os dados de declaração apenas uma vez e a informação será partilhada entre as autoridades do Interior da China e Macau. A DSEDT afirma que a medida pretende melhorar “o nível de facilitação do comércio transfronteiriço, servindo melhor o desenvolvimento económico e atendendo melhor às necessidades da sociedade”. A direcção de serviços da RAEM acrescenta que a chamada “janela única” para mercadorias de Guangdong e Macau visa prestar serviços facilitados de desalfandegamento de mercadorias por meios digitalizados e informatizados às empresas exportadoras do Interior da China e importadoras de Macau, encurtando o tempo gasto na declaração alfandegária. O Governo indica ainda que o novo serviço ajuda a reduzir custos laborais e tempo, sem necessidade de repetir a introdução de dados, assim como a diminuir erros e aumentar a eficiência.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Detido veterano repórter de investigação Um veterano jornalista de investigação chinês foi detido pelas autoridades da província de Sichuan, no sudoeste da China, após publicar um artigo crítico da actuação de dirigentes locais, informou ontem a imprensa local. A polícia do distrito de Jinjiang, em Chengdu, capital da província, informou na segunda-feira, através das redes sociais, que duas pessoas, identificadas apenas pelos apelidos Liu (50 anos) e Wu (34 anos), foram colocadas sob “medidas coercivas criminais de acordo com a lei”, por suspeitas de “falsas acusações” e “operações comerciais ilegais”. De acordo com o jornal chinês Caixin, os detidos são o jornalista Liu Hu e a assistente, Wu Lingjiao. Liu Hu é conhecido pelo trabalho como repórter de investigação no jornal New Express, sediado em Cantão. Nos últimos anos, tem mantido uma conta nas redes sociais onde publica reportagens independentes, sobretudo sobre conflitos entre empresas privadas e autoridades locais. Na quinta-feira passada, Liu publicou um artigo, que foi, entretanto, apagado, no qual citava uma fonte que acusava Pu Fayou, secretário do Partido Comunista na vila de Pujiang (sob jurisdição de Chengdu), de abuso de poder e repressão a empresários locais. O artigo também referia a alegada ligação de Pu à demolição forçada de duas propriedades do professor universitário Tuo Jiguang, que se suicidou em 2021 após um prolongado litígio com as autoridades. Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, um funcionário do comité do Partido em Pujiang confirmou que foi criada uma equipa de investigação conjunta entre Chengdu e Pujiang, afirmando que as autoridades “estão a dar grande prioridade” às alegações feitas por Liu. No entanto, recusou fornecer mais detalhes.
Hoje Macau China / ÁsiaDepressão Kristin | Timor-Leste aprova donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal O Governo de Timor-Leste aprovou ontem, em conselho de ministros, um donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal para fazer face à destruição ocorrida na sequência da depressão Kristin. “Este apoio financeiro visa contribuir para os esforços de resposta imediata e recuperação das áreas mais afectadas”, pode ler-se no comunicado do conselho de ministros. Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Protecção Civil contabilizou cinco mortes directamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Fortes nevões fazem 35 vítimas mortais Fortes nevões mataram 35 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, sobretudo na região de Niigata, centro do arquipélago, anunciaram ontem as autoridades japonesas. Um total de 15 municípios foram afectados, tendo a quantidade de neve acumulada nas áreas mais atingidas sido estimada em dois metros de altura. Em Niigata, uma região produtora de arroz no norte do Japão, foram registadas mortes, incluindo um homem de 50 anos que foi encontrado caído no telhado da sua casa na cidade de Uonuma a 21 de Janeiro. Na cidade de Nagaoka, um homem de 70 anos foi encontrado caído em frente à sua casa e levado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto. As autoridades de Niigata acreditam que o idoso caiu do telhado enquanto limpava a neve. Foram relatadas ainda sete mortes relacionadas com a neve na província de Akita e cinco na província de Yamagata. O número de feridos em todo o país atingiu os 393, incluindo 126 com ferimentos graves, 42 deles em Niigata. Catorze casas foram danificadas, três em Niigata e oito na província de Aomori, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. O porta-voz do Governo japonês alertou que, embora as temperaturas estejam a subir, poderiam surgir novos perigos, uma vez que a neve começaria a derreter, resultando em deslizamentos de terra e superfícies escorregadias. “Por favor, prestem muita atenção à vossa segurança, usando capacete ou corda de segurança, especialmente quando trabalham na remoção da neve”, disse Minoru Kihara aos jornalistas. Eleições no caminho O Governo do Japão criou várias forças-tarefa para responder à forte queda de neve em Niigata e regiões próximas desde 20 de Janeiro. Mortes e acidentes relacionados com a neve não são incomuns no Japão, tendo sido registadas 68 mortes durante os seis meses de Inverno anterior, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres nipónica. Há previsão de mais neve intensa para o fim de semana, com o país a realizar eleições gerais antecipadas no domingo. A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada. De acordo com as sondagens mais recentes, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições antecipadas.
Hoje Macau China / ÁsiaUE | Pequim denuncia “proteccionismo” após investigação ao fabricante eólico Goldwind A China acusou ontem a União Europeia de protecionismo por abrir uma investigação ao fabricante de energia eólica Goldwind por alegados subsídios estatais, advertindo que este tipo de medidas “mina a confiança” das empresas chinesas na Europa. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Lin Jian instou Bruxelas a respeitar os seus compromissos de abertura de mercado e os princípios da concorrência leal, apelando ao fim do “abuso de instrumentos comerciais unilaterais”, ao mesmo tempo que defendeu um ambiente empresarial “justo, transparente e não discriminatório” para empresas de todos os países. Lin escusou-se a comentar o caso concreto, remetendo eventuais esclarecimentos para as “autoridades competentes” chinesas, mas afirmou que a União Europeia tem recorrido de forma reiterada a medidas “discriminatórias e restritivas” contra empresas chinesas, o que, segundo disse, prejudica a imagem do bloco e afecta a disponibilidade das companhias chinesas para investir na Europa. O porta-voz reiterou ainda que Pequim “salvaguardará firmemente os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas”, em linha com a posição assumida pela China noutros processos comerciais instaurados pela UE em sectores considerados estratégicos. A reacção chinesa surge depois de a Comissão Europeia ter anunciado a abertura de uma investigação ao fabricante chinês de turbinas eólicas Goldwind, por suspeitas de que os subsídios concedidos por Pequim –como apoios diretos, benefícios fiscais ou financiamento em condições favoráveis – possam distorcer a concorrência no mercado interno da UE. A Goldwind opera em vários países europeus através de filiais, entre as quais a alemã Vensys, desenvolvendo na UE actividades que vão desde a produção de turbinas até serviços de investigação, manutenção e gestão de parques eólicos.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Xi conversa por videoconferência com Putin O Presidente chinês, Xi Jinping, manteve ontem uma conversa por videoconferência com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, sem adiantar, para já, o conteúdo do encontro. China e Rússia mantêm fortes laços económicos, diplomáticos e militares, que se intensificaram desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Xi Jinping e Vladimir Putin trocaram, em 31 de Dezembro, mensagens de felicitações por ocasião do Ano Novo. Os dois líderes encontraram-se no início de Setembro, em Pequim, à margem do desfile militar organizado pela China para assinalar os 80 anos da vitória sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial. Esta nova conversa entre Xi e Putin ocorre numa altura em que os Estados Unidos afirmam estar próximos de alcançar um acordo para pôr fim ao conflito na Ucrânia. Russos e ucranianos continuam hoje com as reuniões iniciadas ontem para novas rondas de negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A China apresenta-se como uma parte neutra neste conflito e afirma não fornecer ajuda letal a nenhum dos lados, ao contrário dos Estados Unidos e de outros países ocidentais.
Hoje Macau China / ÁsiaEncontro | PCC e oposição taiwanesa reforçam noção de nação comum O representante da oposição taiwanesa reiterou o compromisso do Kuomintang para com o bem-estar da nação chinesa comum num encontro com dirigentes em Pequim O líder do principal órgão consultivo da China, Wang Huning, e um representante da oposição em Taiwan vincaram ontem a noção de uma “nação chinesa comum” entre os dois lados do Estreito, num encontro em Pequim. O líder da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês defendeu que os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan têm “responsabilidades comuns para com a nação chinesa”, no encontro com Hsiao Hsu-tsen, vice-presidente do Kuomintang (KMT), no contexto de um aparente esforço de reaproximação entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o principal partido da oposição em Taiwan, que vai em contraciclo com a crescente tensão entre Pequim e Taipé. Wang assegurou que a realização do recente fórum de grupos de reflexão (‘think tanks’) entre os dois partidos demonstra “o compromisso de ambas as partes com o bem-estar dos cidadãos de ambos os lados” e contribui com “energia positiva” para as relações através do Estreito. “Os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan pertencem à nação chinesa”, partilham “o mesmo sangue, a mesma cultura e a mesma história” e têm “responsabilidades comuns para com a nação e aspirações partilhadas quanto ao futuro”, vincou. Hsiao reforçou que o chamado Consenso de 1992 e a oposição à independência de Taiwan “constituem a base política comum que permite manter os intercâmbios entre ambas as partes”. O dirigente foi mais longe ao reformular o entendimento original do acordo, afirmando que “cada parte expressa uma só China”, rejeitando assim a ideia de “interpretações distintas” sobre o conceito. “A consciência chinesa é a nossa alma, a cultura chinesa é o nosso corpo e a nação chinesa é a nossa raiz”, declarou Hsiao, num gesto simbólico de alinhamento político com Pequim. Um só país O encontro decorreu no Salão Xinjiang do Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo noticiou a agência de notícias taiwanesa CNA, um dia após o fórum que marcou a retoma do intercâmbio institucional entre o PCC e o KMT, interrompido há quase uma década. O evento é visto como um passo preliminar para uma possível reunião entre Xi Jinping e a nova presidente do KMT, Cheng Li-wun, prevista para o primeiro semestre deste ano. O Consenso de 1992 é um entendimento tácito segundo o qual tanto Pequim como Taipé reconhecem a existência de ‘uma só China’, embora discordem sobre o que isso significa. Esta ambiguidade permitiu, durante décadas, manter o diálogo entre o continente e a ilha. A sintonia entre o PCC e o KMT contrasta fortemente com o clima hostil entre o Governo chinês e o Executivo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista – uma formação que rejeita a ‘reunificação’ com a China e defende que o futuro político da ilha cabe exclusivamente aos seus 23 milhões de habitantes.
Hoje Macau EventosPatrimónio cultural de Chongqing e Xinjiang em exposição O Instituto Cultural (IC), juntamente com uma série de entidades da China, prepara-se para apresentar em Macau uma exposição que irá revelar algum do património cultural imaterial das regiões chineses de Chongqing e Xinjiang, nomeadamente tapeçaria tradicional. A mostra, apresentada na Galeria do Tap Seac a partir da próxima quarta-feira, 11, intitula-se “Cores Esplêndidas: Exposição de Arte do Bordado de Chongqing e da Região Autónoma Uigur de Xinjiang”, cuja inauguração acontece a partir das 18h30. Segundo uma nota do IC, esta exposição apresenta uma “cuidadosa selecção” de 154 obras ou conjuntos de bordados artísticos das cidades de Chongqing e da Região Autónoma Uigur de Xinjiang, incluindo o bordado Shu, o bordado matrimonial de Wuxi, o bordado Miao de Youzhou e o brocado “Xilankapu” (tecelagem tradicional Tujia), assim como as três técnicas de bordado dos grupos étnicos Uigur, Quirguize e Cazaque de Xinjiang. “Todas estas técnicas foram inscritas como itens representativos de património cultural intangível a nível nacional ou municipal, e todas as obras são criadas por transmissores de património cultural intangível e mestres em artesanato e arte, mostrando-se a elegância dos bordados do Sul e as cores vibrantes e ousadas dos bordados do Norte.” O IC acrescenta, na mesma nota, que estas obras feitas em bordado “não só revelam uma técnica notável e um estilo variado, como também contêm a profundidade cultural das etnias envolvidas”. Apresentam-se materiais, motivos e esquemas de cores que “incorporam a sensibilidade estética e a criatividade transmitidas de geração em geração, expressando as aspirações e o anseio do povo por uma vida melhor”. Arte de bem bordar O dia da inauguração, bem como o dia 12 de Fevereiro, promete surpresas para os participantes e interessados, uma vez que nos horários das 10h, 11h30, 15h e 17h estarão presentes vários transmissores de património cultural intangível que farão demonstrações das técnicas de bordado, com a duração aproximada de uma hora por cada sessão. Além disso, em Março, nomeadamente nos dias 7 e 8, decorrem workshops temáticos com os mesmos transmissores deste património. Um deles, é o workshop sobre a técnica do bordado Shu de Chongqing, programado para o dia 7 de Março; já no dia seguinte decorre o workshop sobre a técnica do bordado de Xinjiang. As duas iniciativas acontecem na Sala de Actividades do Museu Memorial de Xian Xinghai, localizada na Rua de Francisco Xavier Pereira. A participação nos workshops é gratuita e as sessões serão conduzidas em mandarim, com um máximo de 16 participantes por sessão. Os residentes com idade igual ou superior a 16 anos poderão inscrever-se a partir das 10h do dia 12 de Fevereiro, através da secção “Inscrição em Actividades” da Conta Única de Macau. O IC descreve a arte do bordado como sendo “um dos artesanatos tradicionais mais representativos da etnia chinesa, contendo uma profunda herança histórica e rica criatividade artística, com múltiplos valores práticos, estéticos, de etiqueta e de transmissão cultural”. Esta mostra pode ser visitada até ao dia 15 de Março.
Hoje Macau Via do MeioStarmer em Pequim e a visão ampla da História Por Xu Zeyu Enquanto Sir Keir Starmer passeava pela Cidade Proibida, o monumento de seis séculos do poder dinástico chinês, as redes sociais fervilhavam com comparações sarcásticas à visita de Donald Trump em 2017, quando o presidente dos EUA foi pessoalmente acompanhado por Xi Jinping pelos mesmos salões e pátios com toda a pompa de um dignitário. Os críticos de poltrona criticaram avidamente a presença relativamente discreta de Starmer: sem multidão isolada por cordas, sem líderes proeminentes ao seu lado. Bem em frente ao Salão da Harmonia Suprema, onde Starmer parou para apreciar a grandiosidade, Trump questionou uma vez a reivindicação da China à antiguidade: «Acho que a cultura mais antiga, dizem eles, é a do Egipto, com 8.000 anos.» Xi respondeu: “O Egipto é um pouco mais antigo. Mas a única civilização que continua ininterrupta é a China.” Mais cedo naquele dia, durante conversas formais antes da visita de Starmer à Cidade Proibida, Xi tocou um tema histórico semelhante com o primeiro-ministro britânico, invocando o que chamou de “visão ampla da história”. Ao contrário do que as ridicularizações online sugerem, Pequim estendeu o tapete vermelho para o primeiro líder britânico a visitar a China em oito anos, que foi recebido sucessivamente pelas três principais figuras da política chinesa: o presidente Xi Jinping, o primeiro-ministro Li Qiang e o presidente do Congresso Nacional do Povo, Zhao Leji. A reunião formal com o presidente Xi, originalmente programada para 40 minutos, se estendeu por 80 minutos, resultando em trocas produtivas que as autoridades de ambos os lados descreveram como “calorosas e construtivas”. Foi nessa ocasião que Xi disse a Starmer: “A China está pronta para trabalhar com o Reino Unido na defesa de uma visão ampla da história, superando as diferenças e promovendo o respeito mútuo, a fim de transformar o potencial promissor da cooperação em realizações notáveis, abrir novas perspectivas para as relações e a cooperação entre a China e o Reino Unido, para melhor beneficiar os dois povos e o mundo em geral.” A formulação é particularmente pouco ortodoxa num contexto diplomático. Xi Jinping abordou o conceito de «visão ampla da história» em fevereiro de 2021, quando exortou uma sala cheia de altos funcionários do Partido a estudar história antes do próximo centenário do Partido Comunista Chinês. Na conferência, ele observou: «Devem ser envidados esforços para educar e orientar todo o Partido a ter em conta a estratégia de rejuvenescimento nacional da China num contexto de mudanças globais de uma escala nunca vista num século, desenvolver uma grande visão da história, examinar a dinâmica da mudança e identificar padrões históricos a partir do longo curso da história, da maré dos tempos e do panorama global, formular estratégias e políticas correspondentes e avançar o nosso trabalho com uma abordagem holística, perspicaz e inovadora.» Como uma terminologia distintamente partidária enraizada na ideologia marxista, a “visão ampla da história” raramente tem sido invocada em público, mesmo quando o líder máximo se dirige aos quadros do partido. Utilizar tal termo ideológico durante uma reunião com um chefe de governo estrangeiro em visita foi, portanto, uma jogada altamente calculada, codificada com subtexto. No voo para Pequim, Starmer advertiu que as relações sino-britânicas não devem desviar-se de uma “era de ouro” para uma “era glacial”. Mas as observações sobre uma “visão ampla da história” pareciam refletir a perspectiva de Pequim sobre essa trajetória — ou seja, o abandono por Londres do seu compromisso com a “era de ouro” assumido há uma década. Quando Xi fez a sua primeira visita de Estado à Grã-Bretanha em 2015, fazia pouco mais de uma década que os dois países haviam estabelecido uma “parceria estratégica abrangente”. Na época, a Grã-Bretanha era o segundo maior parceiro comercial da China e o principal destino de investimentos na Europa. Londres posicionou-se como pioneira em finanças, tornando-se o primeiro país ocidental a emitir títulos soberanos em RMB e a primeira grande potência ocidental a aderir ao Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, iniciado por Pequim. Barbara Woodward, então embaixadora britânica na China, anunciou que a visita estabeleceria «uma parceria global para o século XXI e daria início a uma década dourada nas relações entre a China e o Reino Unido». A «década dourada» que se seguiu, no entanto, desenrolou-se precisamente na direção oposta. Meses depois da visita de Trump à Cidade Proibida em 2017, Washington lançou a primeira ronda da guerra comercial contra a China. A Grã-Bretanha, seguindo os passos de Washington na estratégia de contenção, adoptou uma postura cada vez mais adversária em relação a Pequim em questões como os distúrbios em Hong Kong, o algodão de Xinjiang, a «redução de riscos» nas cadeias de abastecimento e o bloqueio tecnológico contra a China, desmantelando efetivamente a visão comum de aprofundamento das relações bilaterais. Hoje, enquanto os EUA lançam olhares cobiçosos sobre a Gronelândia, denigrem a memória dos soldados britânicos mortos e ameaçam uma ofensiva tarifária contra a parceria transatlântica sob a chamada “Doutrina Donroe”, a iniciativa de Londres de restabelecer as relações com Pequim parece menos uma mudança estratégica e mais uma proteção desesperada contra a “Discordia Americana”. Do ponto de vista de Pequim, este súbito aquecimento diplomático parece lamentavelmente desprovido de uma visão histórica genuína a longo prazo. As aberturas da Grã-Bretanha parecem a mais recente oscilação política impulsionada pelos caprichos inconstantes de Washington. Isto levanta naturalmente uma questão: se um presidente menos idiossincrático entrar na Casa Branca em 2029, será que o número 10 voltará a considerar aceitável um regresso à «era glacial» com a China? Este cepticismo é ainda mais profundo. Um importante estudioso chinês de política americana certa vez comparou a relação entre os EUA e a Europa a um casamento: eles podem “brigar na cabeceira, mas reconciliam-se nos pés da cama”. Esta expressão chinesa captura o sentimento predominante nos círculos estratégicos chineses: apesar de todos os atritos recentes, o Ocidente continua a ser um clube exclusivo, mesmo que temporariamente disfuncional. Enquanto políticos ocidentais como Mark Carney se preocupam com uma «ruptura» na ordem pós-Guerra Fria, para grande parte do Sul Global, não há sinais de uma ruptura — apenas a continuação de uma hegemonia liderada pelos EUA sob a qual eles vivem há muito tempo. A “nova ordem mundial” é simplesmente um caso de um novo rei que começa a abusar dos nobres da mesma forma que antes abusava dos plebeus. Os nobres agora clamam contra ele como um tirano, não porque consideram a hierarquia injusta, mas porque perderam suas prerrogativas de agir com impunidade. A «visão ampla da história» pode muito bem servir como um lembrete incisivo aos líderes europeus para que não sucumbam à amnésia na sequência dos choques trumpianos. A Europa nunca foi igual a Washington, e Pequim não tem intenção de servir de alavanca para a Europa comprar o seu regresso a um passado «liberal». A visita de Starmer revelou este realismo económico sem retoques. Ao aterrar em Pequim com uma comitiva de titãs dos negócios, ele twittou que seu objectivo era “cumprir com o povo britânico”. Certamente, Pequim acolheu a iniciativa de expandir os laços comerciais, estendendo acordos sobre uísque escocês, produtos farmacêuticos e viagens sem visto — acordos que, compreensivelmente, despertaram a ira de Trump. No entanto, a China espera que a Grã-Bretanha seja mais do que “estranhos à porta” obcecados pelo comércio. O que Pequim realmente busca é que a Grã-Bretanha actue como uma “grande potência” nos assuntos globais, um termo que Xi usou repetidamente durante sua visita de Estado em 2015. Ele usou-o novamente na última quinta-feira, embora em termos cautelosos: “O direito internacional só pode funcionar quando todos os países o obedecem, e as grandes potências devem liderar pelo exemplo, ou o mundo voltará à lei da selva”. A China não procura um aliado na Grã-Bretanha; em vez disso, procura um parceiro com pensamento estratégico independente, capaz de injectar certeza no sistema global cada vez mais volátil. No entanto, mesmo essa expectativa modesta parece exceder as ambições da Grã-Bretanha. Durante a década outrora anunciada como a «década dourada», a Grã-Bretanha parece ter renunciado voluntariamente à identidade de «grande potência» invocada por Pequim. A natureza autodepreciativa da política externa britânica diverge acentuadamente da forma como a maioria dos chineses vê o papel histórico do país insular — algo que até os próprios britânicos não compreendem. A Guerra do Ópio de 1840, iniciada pela Grã-Bretanha, é amplamente considerada como o ponto de partida do «século de humilhação» da China. O objectivo geral do Partido, o “grande rejuvenescimento da nação chinesa”, visa restaurar a posição internacional da China ao que era antes da chegada dos navios de guerra britânicos. Referido nos livros didáticos chineses como “o império sobre o qual o sol nunca se põe”, o legado colonial da Grã-Bretanha não se reflecte apenas nos artefactos chineses saqueados e exibidos no Museu Britânico, mas também continua a manifestar-se nas disputas fronteiriças entre a China e a Índia e na agitação em Hong Kong. No entanto, a China vê a Grã-Bretanha não apenas como uma potência outrora formidável, que deixou uma marca indelével na sua história moderna e no panorama geopolítico, mas também como uma nação autónoma e pragmática que demonstrou visão histórica no envolvimento global. A Grã-Bretanha foi a primeira potência ocidental a reconhecer a República Popular da China, no segundo ano da sua fundação, para ser exacto — três décadas antes dos EUA seguirem o exemplo. Essa decisão continua, aos olhos dos chineses, a ser uma rara demonstração de independência estratégica e pragmatismo para um império em declínio. Como Winston Churchill disse uma vez, «quanto mais longe se consegue olhar para trás, mais longe se consegue ver para a frente». Esta pode ser agora uma oportunidade rara, e talvez definitiva, para a Grã-Bretanha e outras nações europeias, que despertaram para a dura realidade de que a «ordem liberal» liderada pelos Estados Unidos não abraça valores liberais genuínos nem proporciona uma ordem previsível. Têm a oportunidade de se afirmar como um «pólo» verdadeiramente autónomo num mundo multipolar emergente, em vez de simplesmente dançar ao som dos caprichos dos Estados Unidos com reviravoltas diplomáticas. Quando Donald Trump esteve na Cidade Proibida em 2017 não compreendeu ou optou por ignorar a subtil metáfora histórica transmitida pelo seu anfitrião chinês: a necessidade imperativa de evitar um “choque de civilizações” por meio do diálogo e do respeito mútuo. Em vez disso, em poucos meses, o seu governo arrastou o mundo inteiro para uma era de intensificação do confronto entre os EUA e a China, embora o desenrolar dos acontecimentos tenha ficado muito aquém da Guerra Fria que ainda está viva na memória. A forma como Sir Keir Starmer interpretará a «ampla visão da história» durante a sua própria caminhada por esses mesmos salões imperiais pode ainda revelar-se um momento crítico — um momento que os historiadores do futuro citarão com admiração ou comiseração ao emitir o seu veredicto sobre o destino da Grã-Bretanha e da Europa.
Hoje Macau SociedadeAeroporto | CAM aponta para 8,14 milhões de passageiros em 2026 Após um ano de 2025 em que o aeroporto perdeu passageiros e voos comerciais, os responsáveis pela CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau acreditam que 2026 vai ser diferente. De acordo com os números apresentados durante um almoço de Ano Novo Lunar, organizado ontem, a empresa estima receber 8,14 milhões de passageiros e 63 mil chegadas e partidas de voos comerciais ao longo deste ano. Os números indicados pela empresa, e citados pelo jornal Ou Mun, representam um aumento anual de 8,2 por cento do número de passageiros e de 8,6 por cento do número de chegadas e partidas de voos comerciais. A estimativa anual do número de passageiros de 2026 não deixa de ficar abaixo do que acontecia antes da pandemia. Em 2019, o aeroporto recebeu um total de 9,61 milhões de passageiros, o valor mais elevado desde que começou a funcionar, e no ano anterior tinha recebido 8,26 milhões de passageiros. O aumento do número de passageiros é esperado, apesar do presidente da Comissão Executiva da empresa, Simon Chan Weng Hong, ter revelado que a partir de Outubro deste ano e até Outubro de 2029 o aeroporto vai estar encerrado entre a noite as 8h da manhã. O encerramento foi justificado com a expansão da infra-estrutura e o aterro de terrenos. Em relação a estas obras, Simon Chan afirmou que se espera um “impacto mínimo” no funcionamento do aeroporto. O presidente da Comissão Executiva da CAM revelou também que em Abril vão abrir novos restaurantes no aeroporto, com a disponibilização de refeições confeccionadas por algumas das marcas locais mais conhecidas.
Hoje Macau Manchete SociedadeVírus Nipah | Governo prepara capacidade de resposta do sector da aviação Os Serviços de Saúde realizaram na terça-feira a palestra “Conhecimentos sobre a infecção pelo vírus Nipah”, destinada a representantes da Autoridade de Aviação Civil, da CAM, Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, S.A.R.L. e das companhias aéreas. Os Serviços de Saúde (SS) indicaram ontem que o evento teve como objectivo informar e reforçar a sensibilização para os casos de infecção pelo vírus Nipah detectados no Estado de Bengala Ocidental, no leste da Índia, assim como aperfeiçoar a capacidade de resposta do sector da aviação. Mais de 100 gestores e trabalhadores de linha da frente ouviram as explicações sobre vias de transmissão, sintomas clínicos e pontos importantes de protecção individual. As autoridades salientaram a importância do posto fronteiriço como “a primeira linha de defesa contra a importação de doenças infecciosas graves”, dos profissionais do aeroporto e companhias aéreas para a protecção da saúde dos residentes. Os SS garantiram também o reforço da avaliação e o exame médico aos indivíduos com história de viagem relevante que apresentem sintomas nos postos fronteiriços. Para tal, foi criado um “mecanismo de coordenação interdepartamental eficaz com o aeroporto, a Autoridade de Aviação Civil e os serviços competentes”. Além disso, “de acordo com a investigação global nacional e a avaliação de risco da Organização Mundial de Saúde”, actualmente, o impacto do vírus Nipah para Macau é “relativamente baixo”.
Hoje Macau PolíticaChefe do Executivo destaca contributos da Universidade Cidade de Macau O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu esta terça-feira com Chan Meng Kam, empresário, ex-deputado e também chanceler e presidente do Conselho de Administração da Universidade da Cidade de Macau (UCM). O encontro serviu para discutir “o desenvolvimento do ensino superior em Macau e a formação de quadros qualificados”, tendo o Chefe do Executivo destacado que, numa altura em que a UCM celebra 45 anos de existência, “esta tem respondido activamente às orientações e directrizes do País e da RAEM no domínio do ensino superior, tendo conquistado resultados amplamente reconhecidos na melhoria da qualidade do ensino, na formação de quadros qualificados, na inovação científica e no serviço à sociedade”. Sam Hou Fai entende ainda que a instituição de ensino superior “está alinhada com a estratégia de desenvolvimento da diversificação adequada ‘1+4′”, tendo alcançado “resultados significativos no impulso do desenvolvimento interdisciplinar e na construção de uma instituição internacional e abrangente”. Planear o futuro Na reunião com Chan Meng Kam, o governante máximo da RAEM não descurou os conselhos. A UCM deve “adaptar-se às necessidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau ao nível do desenvolvimento industrial e de quadros qualificados, optimizar os currículos nas disciplinas emergentes, como inteligência artificial, Big Health, finanças e tecnologia”, além de “promover a transformação dos resultados da investigação científica e a sua aplicação”. Foi também pedido à UCM para “formar mais quadros qualificados de elevada qualidade e com conhecimentos práticos”, além de “continuar a alargar os canais de intercâmbio internacional”. As declarações de Sam Hou Fai surgem numa nota oficial que não contém testemunhos de Chan Meng Kam.
Hoje Macau EventosSantos Populares | Marchas vencedoras actuam em Macau Dois grupos portugueses, as marchas populares de Alcântara e Bairro Alto, vencedoras ‘ex aequo’ da edição de 2025, vão participar no desfile do Ano Novo Lunar, que celebra o ano do Cavalo, anunciaram ontem as autoridades de Macau. “Esta vez temos dois grupos de Portugal, achamos que vão gostar de Macau, assim como achamos que as actuações deles também vão trazer muita alegria aos nossos visitantes e às nossas comunidades”, afirmou a directora dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes, em declarações aos jornalistas. As celebrações do Ano Novo Lunar decorrem entre 19 de Fevereiro e 08 de Março e contam com um conjunto de eventos que dispôs este ano de um orçamento de 36,8 milhões de patacas, representando um aumento de 5 por cento face ao ano anterior. O programa inclui fogo de artifício, espectáculos de ‘drones’, um desfile de 17 carros alegóricos e a participação de cerca de 1.300 artistas de Macau, Hong Kong, China continental, Itália, Espanha, Filipinas, Coreia do Sul e Portugal. “Estamos todos preparados para uma grande celebração do Ano Novo Chinês. Com nove dias de feriado, prevemos uma média diária de 158 mil a 175 mil visitantes”, adiantou Helena Fernandes. Ao contrário de anos anteriores, não haverá grupos do Japão nesta edição. Recentemente, vários espectáculos com artistas japoneses foram cancelados em Macau. Questionada sobre o assunto, a directora referiu não ter “informação concreta sobre a situação”. “Não me cabe comentar estes arranjos específicos. Mas importa referir que Macau recebe actualmente uma grande variedade de espectáculos, tanto da China continental como de artistas internacionais. Os organizadores vão continuar a procurar trazer grupos diversificados a Macau”, acrescentou.
Hoje Macau China / ÁsiaSondagem | Putin e Trump são os líderes menos apreciados por portugueses Os presidentes da Federação Russa e dos Estados Unidos da América (EUA) são os responsáveis políticos mundiais com maior taxa de rejeição entre os portugueses, segundo um estudo de opinião da Intercampus. O líder do Kremlin, Vladimir Putin, viu a sua acção política condenada por 83 por cento dos inquiridos, enquanto o ‘inquilino’ da Casa Branca, Donald Trump, mereceu apreciação negativa por parte de 70 por cento. O primeiro lugar destacado de Putin no ranking da impopularidade é ainda mais visível noutros países europeus: Suécia (95 por cento), Dinamarca (96 por cento), Noruega (94 por cento), Finlândia (92 por cento) e Países Baixos (85 por cento). Pelo contrário, o papa Leão XIV foi a única personalidade internacional com um índice de aprovação claramente positivo, com 64 por cento da amostra portuguesa que respondeu ao inquérito a ter opinião algo ou muito favorável do chefe da Igreja Católica. O director-geral da empresa portuguesa que realizou a sondagem de opinião de um consórcio internacional efectuada em 61 países de todo o Mundo, António Salvador, concluiu que o retrato “é o de uma opinião pública cada vez mais exigente na avaliação do poder político global”. Segundo a Intercampus, foram inquiridas 64.097 pessoas e, em cada país, foi entrevistada uma amostra representativa de cerca de mil homens e mulheres, entre Outubro e Dezembro, nas modalidades presencial, via telefone ou através da Internet e a margem de erro estimada foi de 03 a 05 por cento, num nível de confiança de 95 por cento.
Hoje Macau SociedadeAMCM | Lucros dos bancos de Macau quase duplicam em 2025 Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento), foi ontem anunciado. De acordo com dados oficiais da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 8,4 por cento, para 17,5 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos. Isto apesar da AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana. Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, diminuíram 0,4 por cento em comparação com o final de Dezembro de 2024, fixando-se em 1,02 biliões de patacas. Pelo contrário, os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram 9,6 por cento, para 1,39 biliões de patacas no final do ano passado, disse a AMCM. Apesar dos proveitos terem disparado em 2025, ficaram longe do ano mais lucrativo de sempre para a banca da região: 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas. Outras contas Macau tem dois bancos emissores de moeda: a sucursal local do banco estatal chinês Banco da China e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos. O BNU anunciou em Novembro lucros líquidos de 315,3 milhões de patacas nos três primeiros trimestres de 2025, uma diminuição homóloga de 29 por cento, que o banco atribuiu à evolução das taxas de juro. O crédito malparado caiu 11,6 por cento ao longo do ano passado para 49,7 mil milhões de patacas. Foi a primeira queda anual dos empréstimos vencidos desde 2013. Os empréstimos vencidos representavam 4,9 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,6 pontos percentuais do que no final de 2024. Uma percentagem que sobe para 5,6 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa. A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da UE, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos 5 por cento dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema. Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.