Andreia Sofia Silva EventosPoesia | Escritor Jorge Arrimar conduz palestra no Albergue SCM “Fonte do Lilau: Um mergulho na poesia em português e em Dóci Papiaçam de Macau” é o nome da palestra que José Arrimar irá apresentar no Albergue SCM na próxima terça-feira. O autor desafia o público para uma conversa sobre a literatura de Macau Jorge Arrimar, ex-residente de Macau, poeta e autor premiado, estará no território na próxima semana para conversar sobre a literatura de Macau e o trabalho dos Dóci Papiaçam Di Macau, grupo de teatro e coro que dinamiza o patuá, o dialecto tipicamente macaense praticamente em vias de extinção. “Fonte do Lilau: Um mergulho na poesia em português e em Dóci Papiaçam Di Macau” é o nome da palestra marcada para o Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) na terça-feira, das 19h às 21h. O evento desafia o público para uma discussão sobre a “complexa definição” do que é a literatura de Macau e a análise “das várias perspectivas académicas e culturais sobre o tema”. No seminário, apoiado pela Fundação Macau, será destacada “a dualidade entre a ‘literatura macaense’, escrita por autores locais em português ou na língua crioula local, e a ‘literatura de Macau’, produzida tanto por autores residentes, como por escritores transitórios”. Jorge Arrimar irá apresentar “a trajectória histórica” da literatura trilhada por figuras como Camões, Fernão Mendes Pinto e Bocage, e escritores mais contemporâneos e nascidos em Macau, como Deolinda da Conceição, Henrique de Senna Fernandes e o poeta José dos Santos Ferreira, mais conhecido como Adé. Promete enfatizar-se “a natureza híbrida e multicultural da produção literária, reflectindo o encontro entre o Oriente e o Ocidente”, assim como “o papel do patuá como um marcador de identidade”. A organização do evento, a cargo do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, aponta que o seminário irá incidir sobre a literatura de Macau “como expressão única de uma memória mista, e de uma identidade em contínua formação”. Uma carreira nas letras Jorge Manuel de Abreu Arrimar nasceu em Angola. Iniciou estudos superiores na Faculdade de Letras da Universidade de Luanda, concluindo o doutoramento em História Moderna em Portugal (2007) e o doutoramento em Ciências Documentais na Universidade de Alcalá (Madrid, 2013). A sua ligação a Macau vem dos anos 80 e 90, quando foi director da Biblioteca Central de Macau entre os anos de 1985 e 1998. É autor de vários livros de poesia inspirados em Macau, incluindo “Fonte do Lilau” (1990), “Secretos Sinais” (1992) e “Confluências”, escrito em co-autoria com Yao Jingming e editado em 1997. Foi membro da Comissão Organizadora do Primeiro Encontro de Poetas de Macau (1994) e vice-presidente da Comissão Organizadora do Primeiro Encontro Internacional de Bibliotecários em Macau (1995). Recebeu a Medalha de Mérito Cultural em 1997. Jorge Arrimar vive em Portugal, mas continua a publicar obras relacionadas com Macau, incluindo “Antologia de poetas de Macau”, editada também com Yao Jingming em 1999. Na área da história, Arrimar editou, em 2014, “Macau no Primeiro Quartel de Oitocentos”. Além de Macau, Jorge Arrimar tem escrito também sobre o universo africano, com ligação ao período da colonização, nomeadamente o romance “Cuéle – O Pássaro Troçador”, com que venceu, no ano passado, o VI Prémio de Literatura dstangola/Camões. O júri considerou que a obra é “um fresco grandioso e muito bem documentado sobre uma região de Angola raramente presente na literatura”.
Andreia Sofia Silva SociedadeTUI | Reduzida pena a homem que tentou matar ex-mulher O Tribunal de Última Instância (TUI) decidiu reduzir a pena de prisão de 11 anos e seis meses para oito anos a um homem condenado por tentativa de homicídio da ex-mulher, por não ter sido “provada circunstância agravante”. O homem passou, assim, a estar condenado pelo crime tentado de homicídio simples, na sua forma tentada, e decretado em primeira instância pelo Tribunal Judicial de Base (TJB), e não o crime de homicídio qualificado, também na forma tentada. O TUI entendeu que o homem “só resolveu atacar B [a ex-mulher] depois de a ter inquirido e percebido que não pagaria a indemnização” exigida por este. “Apesar de se verificar que lhe veio a ideia de matar B [a mulher] desde 2017, trata-se apenas de um pensamento que tinha mente, e no período de 2017 a Abril de 2023 não ocorreu, de facto algum, a tomada de acções para concretizar a ideia de matar”, lê-se ainda. Os juízes consideraram também, segundo o acórdão ontem divulgado, que “não se verifica que A [o homem acusado] agiu com frieza de ânimo ao agredir B [a mulher]”, pelo que se deu provimento ao recurso apresentado pelo homem, considerando-se a “severidade excessiva da pena determinada” na segunda instância. O caso remonta a 2017, sendo que a mulher já era vítima de violência doméstica durante a relação. O homem “guardava rancor” à mulher “por esta ter denunciado os actos de violência doméstica dele e outras disputas familiares, surgindo-lhe a ideia de a matar”. Após o divórcio, o homem entendeu que a ex-mulher só tinha obtido o Bilhete de Identidade de Residente (BIR) graças ao casamento, pelo que “deveria pagar-lhe uma quantia a título de indemnização”. A hora do crime O crime começava então a entrar nos planos deste homem, que desde Abril de 2023 “guardava um martelo metálico na caixa do seu motociclo”. A 26 de Junho desse ano, parou a mota perto da residência da ex-mulher e “vagueou à sua espera nas proximidades”, depois, aproximou-se dela e “exigiu o pagamento da referida indemnização”. A mulher ignorou o homem e afastou-se, e foi aí que o homem “retirou o martelo metálico da caixa do seu motociclo, correu atrás [dela] e desferiu-lhe um golpe com o martelo na cabeça”, tendo esta “consequentemente caído no chão”. Descreve o acórdão que, “apesar da queda dela, [o homem] continuou a golpear a vítima com o martelo na cabeça por cinco vezes no total, só parando quando notou que [a mulher] estava deitada no chão com diminuição de consciência”. Na primeira instância, a 31 de Julho de 2024, o TJB condenou o homem pela prática de um crime de homicídio na forma tentada e um crime de detenção e uso de arma proibida, o que, em cúmulo jurídico, deu a pena de oito anos. Tanto o homem como o Ministério Público recorreram para a segunda instância, que aumentou a pena para 11 anos e seis meses pela prática de um crime de homicídio qualificado tentado, crime de detenção e uso de arma proibida. A 14 de Fevereiro deste ano, o TUI aceitou o recurso do condenado e enviou de novo o processo para o Tribunal de Segunda Instância (TSI), que repetiu o julgamento e manteve a sentença dos 11 anos e seis meses de prisão, mas o homem não aceitou a decisão e pediu novo recurso, alegando que o TSI “não cumpriu a obrigação de realização de novo julgamento, incorrendo no erro de interpretação e aplicação da lei”, determinando-se “uma pena excessivamente severa”. O agressor conseguiu agora conseguiu ver a sua pena reduzida.
Andreia Sofia Silva EventosLiteratura | José Cordeiro, ex-docente em Macau, lança livro de crónicas É com a chancela da Oficina da Escrita que José Cordeiro, que foi professor de educação física em Macau durante vários anos, se estreia nas lides literárias. Depois de muitas crónicas escritas na rede social Facebook, o incentivo de amigos e leitores levaram-no a editar “Ao Invés, Pois Claro”, onde nem falta um texto sobre o que é ser macaense “Ao Invés, Pois Claro” é o título do primeiro livro de José Cordeiro, ex-residente de Macau e antigo professor de educação física no território. Com a chancela da Oficina da Escrita, o livro acaba de ser editado em Portugal e nasce de uma série de publicações, sobre diversos temas, publicados na rede social Facebook. Conforme a descrição da obra, trata-se não apenas de uma “colectânea de crónicas”, mas também “um convite à liberdade de pensamento, a exploração da dúvida e do conhecimento”, a “celebração de diversidade de opiniões” que é feita com uma “abordagem descontraída”. “Não tenho nenhuma orientação específica para fazer uma crónica, depende da disposição do momento. Não é algo doutrinário, não pretende influenciar nada. É um prazer pessoal que tenho, brincar com as palavras”, disse ao HM. Apesar de José Cordeiro sempre ter feito da actividade física a sua profissão, a verdade é que a ligação às letras sempre existiu. “Sempre gostei de brincar com as palavras. Só comecei a escrever de forma mais sistemática recentemente. Seleccionei algumas crónicas, como uma cozinha literária, em que se faz uma sopa e muita dela acaba por ir para o lixo”, exemplificou. Os temas são diversos e “batem em religião, política, amizade, em tudo e nada”. Uma das crónicas refere-se a Macau e ao ser macaense, uma questão da comunidade que José Cordeiro conhece bem. Em “Estado de sítio ou estado de espírito”, Cordeiro fala da existência da comunidade e diz que hoje, 25 anos depois, os macaenses vivem “as duas coisas”. “Pode ser um estado de sítio, por estarem circunscritos a uma comunidade, que é portuguesa em território chinês, e um estado de espírito, porque muita gente não vive em Macau, mas sente-se macaense vivendo fora”, frisou. “Ao Invés, Pois Claro” é um nome que nasce da vontade do autor ser “um pouco do contra”. “Dizem que sou teimoso, e, pois, parece-me [que sim]. Não comento os comentários que fazem às minhas crónicas, e quando lanço uma crónica ela deixou de ser minha naquele momento, passa a ser de quem a interpreta”, disse. O poder das redes sociais José Cordeiro acredita que “uma boa maneira de a pessoa disciplinar o raciocínio é escrever” e escrever “é uma maneira de disciplinar a minha intervenção nos contactos que faço com as pessoas”. É “ter uma ideia clara e, num primeiro princípio, expô-la. Foi numa onda de brincadeira que fui fazendo as coisas, escrevendo. Houve pessoas que gostaram dos textos e sugeriram que os publicasse”. “Digo que é um álbum porque, para mim, é outra coisa. É quando se toma um tema e ele é levado até ao fim”, frisou ainda José Cordeiro, que confessa que as redes sociais “vieram permitir tudo”, até dar a voz a novos autores. “Às vezes sinto-me incomodado com aquilo que se faz [nas redes sociais], mas eu sou responsável por mim e por aquilo que faço. Não tenho pretensões de doutrinar ou de querer levar alguém onde quer que seja. Sou um simples cidadão que gosta de brincar na minha cozinha literária, como costumo chamar”, disse. José Cordeiro está ainda a preparar uma sessão de lançamento da obra, mas a mesma já se encontra à venda em diversas plataformas online.
Andreia Sofia Silva PolíticaConsulta pública sobre nova lei de branqueamento de capitais em 2026 O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, garantiu que será lançada, nos próximos meses, a consulta pública para a revisão da lei de combate ao terrorismo e branqueamento de capitais. “Vamos aperfeiçoar os diplomas relacionados com a lavagem de dinheiro, e no próximo ano lançar a respectiva legislação e fazer a consulta pública, para que a futura proposta de lei conte com o consentimento de todos”, frisou o secretário. De frisar que a medida consta no relatório das LAG, lançado na última semana. Lê-se no documento que as alterações à lei de 2006, relativa à prevenção e repressão do crime de branqueamento de capitais, e ao regulamento administrativo, também desse ano, que legisla as medidas de natureza preventiva dos crimes de branqueamento de capitais e de financiamento ao terrorismo, visam “responder às últimas alterações introduzidas aos padrões internacionais de combate ao branqueamento de capitais e às tendências desta criminalidade”. Facilitar as contas Um dos deputados que falou da necessidade de aperfeiçoar esta legislação foi Ip Sio Kai. “Muitas vezes os titulares de cargos nas empresas deparam-se com problemas na constituição de sociedades tendo em conta os diplomas em vigor, e isso tem sido um impedimento e factor dissuasor. Quando uma conta é aberta tem de ser verificada várias vezes. Singapura é um centro financeiro e também tem sector do jogo, porque é que lá é tão fácil abrir contas e constituir sociedades em relação a Macau? No que diz respeito à segurança financeira não há um limite claro sobre as exigências, não se pode exigir em excesso em termos de requisitos, e as pessoas não sabem como proceder”, defendeu. Ainda assim, o deputado, ligado à área financeira, deixou elogios à actividade do Gabinete de Informação Financeira. “Os resultados têm sido bons e até recebemos elogios. Mas será que as autoridades podem definir e apresentar diferentes exigências em relação a riscos de diferentes níveis? Concordo que se faça uma revisão legislativa para aumentar as exigências.”
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaOrçamento 2026 | Secretário não se compromete com previsão do PIB O deputado Lao Chi Ngai bem insistiu, mas o secretário Tai Kin Ip não quis avançar uma previsão do Produto Interno Bruto da região para o próximo ano. A proposta de lei do Orçamento para 2026 foi ontem aprovada na generalidade com pedidos de prudência e de aumentos para funcionários públicos Os deputados da Assembleia Legislativa (AL) aprovaram ontem, na generalidade, a proposta de lei do Orçamento para o próximo ano que apresenta receitas brutas do jogo na ordem das 236 mil milhões de patacas, um aumento de 3,5 por cento face a este ano. As palavras de ordem no debate foram de prudência face a um cenário económico ainda algo instável no que diz respeito ao consumo interno e à manutenção de negócios locais. Um dos pontos altos foi o pedido, algo insistente, de uma previsão do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 por parte do deputado Lao Chi Ngai. “Vemos que temos, para 2026, um orçamento que é muito prudente em termos de previsões. O Governo prevê um crescimento estável e antecipa uma trajectória de crescimento no sector do turismo e indústria de lazer. Como é que o Governo chegou ao valor de 236 mil milhões [de receitas brutas do jogo]? Se dividirmos pelos 12 meses, são 19,6 mil milhões por mês, e, portanto, qual será o valor do PIB? Se fixarmos as receitas brutas do jogo em 236 mil milhões de patacas, isso traduz-se num crescimento negativo do nosso PIB e não corresponde a uma tendência de crescimento estável referida pelo Governo.” O deputado disse ainda concordar com “a situação de incerteza”. “Quando vejo essa evolução estável, não é assim tão certa”, salientou. Da parte do secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, não houve um comprometimento com o valor. “No que diz respeito à estimativa para as receitas brutas feita no ano passado, vimos que nos primeiros cinco de dez meses não atingimos as nossas expectativas, e olhando para a incerteza inerente à economia, poderá haver impactos significativos. Honestamente, é difícil fazer uma previsão acertada e correcta [do PIB].” O secretário explicou ainda que “no ano anterior também não fizemos uma previsão tão optimista, e no fim viemos a saber que [os números] eram melhores do que prevíamos”. Na proposta de orçamento lê-se que “a indústria turística de Macau possa continuar a trajectória de crescimento, sustentada por diversos factores favoráveis”, esperando-se a subida de 3,5 por cento nas receitas dos casinos, muito inferior ao ritmo de crescimento (8 por cento) registado até agora este ano. O Governo justifica isso com um “princípio de gestão financeira prudente”. Aumento “proporcional” Ainda durante o debate, ficou a garantia de que o dinheiro retirado dos cheques pecuniários que deixaram de ser atribuídos a uma parcela de residentes anteriormente elegíveis irá para apoios sociais. “Aumentámos em 3,8 por cento as verbas para medidas destinadas ao bem-estar da população, e com alteração do programa de comparticipação pecuniária o montante será revertido para o bem-estar da população, sendo usado para diferentes prestações e assistência.” Segundo a proposta, as medidas relacionadas com o bem-estar da população acarretam uma despesa de 26 mil milhões de patacas, o tal aumento de 3,8 por cento face a 2025 que é considerado pelo secretário “adequado e proporcional”. Não faltaram pedidos para novos programas de incentivo ao consumo, nomeadamente da parte do deputado Chan Hao Weng. “O saldo orçamental terá resultados satisfatórios no próximo ano. O mercado de consumo é fraco e as pequenas e médias empresas, e a população, debatem-se com dificuldades. Será atribuído o cartão de consumo em épocas baixas?”, questionou. Também a ausência de aumentos salariais na Função Pública foi questionada. “É lamentável que não tenham sido aumentados os salários dos funcionários públicos. Depois da transição, e olhando a taxa de inflação, os salários teriam de ser aumentados várias vezes.” Já a deputada Song Pek Kei lembrou as “despesas enormes no próximo ano”, tendo em conta os 50 mil milhões destinados às despesas com 30 mil funcionários públicos, entre outros gastos. “Trata-se de um aumento significativo face ao período de retorno [da transição]. Temos de poupar dinheiro internamente, mas é com a melhoria da equipa dos funcionários públicos, a reforma administrativa? Temos de libertar mais recursos, investindo na sociedade e na sua revitalização”. Porém, o secretário garantiu que, no essencial, a estrutura de gastos se mantém em 2026. “Temos 30 por cento das nossas despesas que se destinam ao pessoal, e essa verba mantém-se. Quanto a despesas correntes operacionais, são taxativas e têm de ser feitas. Não há uma alteração significativa da estrutura de despesas”, rematou.
Andreia Sofia Silva Grande Plano Manchete25 de Novembro | Manuel Geraldes recorda “momento de traição” Portugal assinalou ontem os 50 anos do 25 de Novembro de 1975 com uma parada militar e uma sessão solene na Assembleia da República, entre polémicas e leituras políticas da direita à esquerda. Manuel Geraldes, ex-militar radicado em Macau, recorda o momento em que esteve preso na RTP Para Manuel Geraldes, se a felicidade tivesse uma data seria 25 de Abril de 1974, juntamento com o dia do nascimento da sua filha. Mas foi a propósito da passagem dos 50 anos do 25 de Novembro de 1975, tentativa de golpe de Estado e uma das etapas do processo revolucionário iniciado com o derrube da ditadura em Portugal a 25 de Abril de 1974, que conversámos com o ex-militar. Radicado em Macau desde os anos 80, Manuel Geraldes esteve preso na RTP no dia 25 de Novembro de 1975, mas, na qualidade de um dos mais jovens capitães de Abril, esteve envolvido na revolução desde o seu início, iniciado com o chamado movimento dos capitães, em 1973. Ao HM, recorda o dia 25 de Novembro como “um momento tristíssimo, de traição dos camaradas, revolta, um momento horrível, sobretudo comparando com um dos dias mais alegres da minha vida, juntamente com o nascimento da minha filha, que foi o 25 de Abril”, tendo em conta os planos militares planeados para esse dia, que tomaram outro rumo. Manuel Geraldes trabalhava na RTP quando a estação foi controlada por uma das facções militares que fizeram o 25 de Novembro. O controlo da RTP, nos estúdios do Lumiar em Lisboa, contou com intervenção de figuras como Manuel Duran Clemente, então ligado à extrema-esquerda militar da 5ª Divisão. “Quando falamos do dia 25 de Novembro temos de falar de um dia de traição. Quem foram traídos foram os militares que se mantiveram fiéis ao seu ideário do 25 de Abril e que juraram cumprir por ele, e que estávamos a cumprir. Houve um grupo de militares que, esquecendo a sua condição, e falo mais de oficiais do quadro permanente, tornaram esse dia de vergonha para qualquer oficial que se preze.” Manuel Geraldes estava há cerca de um ano na RTP e foi “apanhado naquela armadilha”. Fui ter com os meus camaradas ao gabinete da direcção do telejornal e foi aí que fomos apanhados pelo capitão Duran Clemente”, conta ao HM. “Posso falar daqueles que estiveram mais próximos de mim, e que estiveram na RTP nesse dia”, começou por dizer. “Os que estiveram no 25 de Abril e me prenderam, como prenderam mais seis oficiais, todos eles ‘perigosos fascistas, reaccionários’. Esteve preso nesse dia também um homem que foi um grande revolucionário, e que ainda como aluno da academia militar, a estudar no Técnico, cometeu o gesto nobre de deixar as forças armadas do regime fascista para emigrar para o norte da Europa. O ‘poderoso’ Marques, que tinha estado no golpe de Beja, e que esteve preso, e conseguiu exilar-se no Brasil. O capitão Canavilhas, um ‘perigoso’ que tinha estado no 25 de Abril e que estava ali a prestar um serviço à República na RTP como engenheiro electrotécnico.” Duran Clemente apareceu nas instalações da RTP para controlar as emissões, proibir a divulgação de informação da Presidência da República, sendo que, à época, era Costa Gomes Presidente, e deixar passar as mensagens dos revoltosos ligados a uma facção do movimento. O conselho de administração da estação esteve retido durante várias horas. São conhecidas as suas imagens em directo na RTP, a ler um comunicado, quando foi subitamente interrompido e substituído na emissão pelo filme “O Homem do Diner’s Club”. Isto porque a facção vencedora do movimento do 25 de Novembro tinha assumido o controlo dos acontecimentos a partir dos estúdios da RTP do Porto. Em declarações ao jornal Público, Duran Clemente também fala do dia 25 de Novembro como “uma traição do 25 de Abril, na maneira como ele tem sido interpretado e foi interpretado, na medida em que interrompeu o percurso natural de uma revolução que nunca é um percurso natural”. Duran Clemente fala ainda, na mesma entrevista, da “história da fantasia de uma guerra civil” que muitos acreditam que esteve prestes a acontecer em Portugal nessa data. Diz ainda “não ter cometido crime nenhum”. Para Manuel Geraldes, esses momentos de detenção “foram indescritíveis, inacreditáveis, para esquecer”. Quando saiu dos estúdios da RTP, Manuel Geraldes foi para casa ter com a esposa, “tentar descansar e tentar esquecer aquela tristeza enorme que foi aquela cena”, com “os soldados que tinha comandado no 25 de Abril de 1974 a observarem aquela prisão absurda que o Duran Clemente fez de nós”. O culminar de tensões O 25 de Novembro foi uma tentativa de golpe de Estado em que militares ligados à extrema esquerda tomaram vários pontos estratégicos, sobretudo em Lisboa, que levou o país a entrar em estado de sítio. Mas os moderados venceram e o país entrou numa fase mais tranquila, sobretudo a partir da nova Constituição de 1976. Tratou-se de um culminar do chamado “Verão quente”, ou os meses do PREC – Período Revolucionário em Curso, marcado por nacionalizações de bancos e empresas, o processo de Reforma Agrária, organização de comissões de trabalhadores, ataques a sedes do Partido Comunista Português e diversas acções conotadas tanto com a extrema-esquerda como com a extrema-direita. Manuel Geraldes recorda que “a situação era complexa e não era propriamente o que tínhamos imaginado” com o 25 de Abril. “Tínhamos desenhado outros cenários que não aquele, mas sim de uma grande camaradagem.” Ainda assim, o antigo militar realça a “estabilidade e credibilidade” que Portugal ganhou após o 25 de Novembro de 1975. Contudo, não concorda com o facto de as autoridades portuguesas estarem, actualmente, a celebrar esta data. “Há com certeza uma componente política e, para mim, não tem absolutamente nenhum sentido. Não devemos esquecer o passado para corrigir qualquer erro que tenha sido cometido, mas celebrar um dia triste não faz sentido nenhum. Devemos lembrar.” Sobre as figuras importantes e decisivas para resolver o 25 de Novembro, Manuel Geraldes destaca “o general Costa Gomes, que viveu tão vasta violência, Sousa e Castro e outros que tiveram consenso e conseguiram trazer para a razão a grande maioria das forças armadas”. Mário Soares, como líder do Partido Socialista, “também teve [importância]” para estancar o movimento, sobretudo porque “tinha posições próximas do chamado ‘Grupo dos Nove’, os membros moderados da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas”. Manuel Geraldes recorda ainda um dia em que as facções eram pautadas por “militares contra militares”, e quando se pôs “em risco a pátria”, num cenário “muito, muito perto da guerra civil”. Ontem decorreu, de manhã, uma cerimónia militar promovida pelas Forças Armadas, na Praça do Comércio, em Lisboa, presidida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Houve ainda uma sessão solene na Assembleia da República. Vasco Lourenço: “Não estava em terreno um golpe de Estado” Além das cerimónias oficiais do 25 de Novembro de 1975, têm decorrido diversas exposições, palestras e conferências que celebram todas as etapas da revolução do 25 de Abril de 1974. Uma delas decorreu na terça-feira, o seminário “25 de Novembro – 50 anos depois”, na Fundação Calouste Gulbenkian, onde uma das figuras centrais do 25 de Novembro e toda a revolução de Abril, Vasco Lourenço, recordou o dia. “É evidente que, passado todo este tempo, não podemos dizer que estava no terreno um golpe de Estado. Mas desafio alguém que seja capaz de dizer que, naquela altura, face ao que estava a acontecer, que não olhássemos para aquilo como se estivesse, efectivamente, a acontecer um golpe de Estado.” Depois de várias movimentações militares, em que se dá um recuo das forças paraquedistas, os episódios do 25 de Novembro geraram três mortos, todos militares, “no início do dia 27 de Novembro”, lembrou Vasco Lourenço. O papel das mulheres Outra figura que participou no debate foi a médica Isabel do Carmo, que na altura do 25 de Novembro estava ligada ao grupo do COPCON – Comando Operacional do Continente, liderado pelo já falecido Otelo Saraiva de Carvalho. Isabel do Carmo defendeu que “o que se passou depois do 25 de Abril foi a existência de um espaço das pessoas, organizações e protagonistas políticos, em que havia claramente duas tendências”, marcadas por “aqueles que queriam levar um movimento revolucionário ao socialismo de facto, e aqueles que queriam uma democracia liberal com uma economia regulada por um mercado”. “O 25 de Abril foi, e para muitas pessoas da minha geração, os melhores tempos da minha vida. Oiço muitas pessoas dizerem isto, particularmente as mulheres, que até aí eram discretas. O que se passou a seguir [ao 25 de Abril] foram as sessões públicas, a liberdade de imprensa, a modificação total do ambiente nas escolas, houve uma grande transformação no país”, rematou Isabel do Carmo.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaPlano para seis zonas históricas terá colaboração de associações O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, garantiu ontem que será reavaliado, no próximo ano, o plano de investimento para as seis zonas históricas do território que está a ser levado a cabo entre o Governo e as operadoras de jogo. “Ao nível do planeamento, o Governo vai supervisionar os trabalhos a realizar pelas concessionárias. No futuro, as associações vão planear e organizar as actividades, e vamos reunir esforços com elas porque estas têm conhecimento e ideias sobre o desenvolvimento dessas zonas. Vamos ter um centro de desenvolvimento para essas zonas, reunindo esforços de todas as partes para melhorar a imagem dessas zonas históricas”, explicou. No contexto deste debate, e tendo em conta o encerramento dos casinos-satélite e a necessidade de reconversão de algumas zonas no Porto Exterior, o deputado Ip Sio Kai defendeu a criação de novas zonas com atracções turísticas, nomeadamente uma “rua portuguesa”. “Os casinos-satélite estão a fechar e muitos comerciantes estão preocupados com isso. Se houver um investimento de 120 a 130 milhões para as zonas comunitárias, isso será muito benéfico para o comércio. Podemos ter uma rua típica portuguesa, ou algo parecido. Podemos criar zonas específicas, ou mesmo uma zona de escritórios, pois muitas empresas estatais gostam de se fixar fora das zonas de jogo”, sugeriu. Para Ip Sio Kai, cabe às operadoras de jogo apostar no investimento nestas novas zonas, indo além dos planos já anunciados para seis zonas do território, incluindo a zona do Porto Interior e ilhas. “Não sei se além das seis zonas se pode investir noutras. Além destas seis zonas vamos ter de criar um novo local, um festival de consumo no Porto Exterior”, defendeu o deputado, tendo em conta o encerramento dos casinos-satélite. Avaliação contínua O secretário garantiu, em primeiro lugar, que Macau pode ter novas zonas de atracção, mas só depois de uma avaliação aos investimentos já anunciados pelas operadoras. “Desde 2023 e até este ano que temos feito um trabalho de avaliação do cumprimento dos compromissos pelas concessionárias. Há 11 módulos de investimento que se estão a fazer, na revitalização das seis zonas, e no futuro vamos ver se há possibilidade de haver mais zonas de revitalização”, disse Tai Kin Ip. Quanto à quebra do turismo no Porto Exterior devido ao fecho dos casinos-satélite, o secretário demonstrou estar mais optimista do que Ip Sio Kai. “Há um trabalho de recuperação que leva algum tempo e durante a reconversão temos de ver quais os resultados das iniciativas a realizar nessa zona. Nessa zona [Porto Exterior] temos uma oferta de mais de mil quartos de hotel, e depois do encerramento dos casinos-satélite temos outras fontes de visitantes que ocupam esses quartos, como famílias ou grupos de excursionistas. Temos de atender a essas diferentes características de visitantes na exploração dessas iniciativas”, disse.
Andreia Sofia Silva PolíticaEntre residentes e TNR, deputados exigem medidas de estabilidade laboral A situação do emprego em Macau voltou a dominar o debate em torno do relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para a área da Economia e Finanças, com os deputados a demonstrarem diferentes posições quanto ao binómio residentes / trabalhadores não residentes (TNR). Se a grande maioria pede medidas para que os locais tenham maior acesso ao emprego, o deputado Ip Sio Kai lembrou que há empresas desfalcadas neste âmbito, enquanto Chui Sai Peng pediu medidas para os que não querem trabalhar. “Algumas pequenas e médias empresas (PME) dizem que as quotas para TNR não são renovadas pelo Governo, e quando isso acontece não conseguem contratar locais a tempo. Como podemos dar prioridade aos locais, mas também ter em conta os interesses das PME?”, questionou. Ip Sio Kai falou na importância de “proteger os postos de trabalho” dos residentes, as PME “têm de saber quantas vagas de trabalho conseguem ter para os seus negócios, e há que haver uma situação ‘win-win’”. Já Chui Sai Peng, questionou o tipo de medidas “para quem não está interessado em trabalhar, para estimular essas pessoas”, além de ter defendido acções de formação não apenas para trabalhadores, mas também para empresas. “Deve-se exigir que as empresas tenham oportunidade de formação, organizando-se cursos para reforçar a sua capacidade de negócio. Chui Sai Peng pede também “prioridade aos residentes” no emprego tendo em conta os futuros investimentos e os concursos públicos a realizar. Da parte do secretário, ficou a garantia de reavaliação do panorama de contratação pública de locais para postos de limpeza e segurança. “Estamos a recolher opiniões e a fazer o levantamento da situação dos trabalhos adjudicados pelos serviços públicos nessas duas áreas. Estamos a ver se há possibilidade de aumentar o número de trabalhadores locais”, frisou. Desemprego baixo Por entre críticas e opiniões, a deputada Song Pek Kei defendeu que o Executivo “está a manter a estabilidade de emprego”, citando dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) que apontam para uma taxa de desemprego de 1,8 por cento no terceiro trimestre, o valor mais baixo desde Fevereiro. “O nível de desemprego é relativamente baixo. Uma empresa que quiser investir [em Macau] tem de ter recursos humanos, e qual é o ponto de situação para estas quatro indústrias? Até ao terceiro trimestre deste ano a população activa de Macau era 382 mil pessoas, existindo 284,2 mil residentes empregados, e 6.800 pessoas desempregadas. Será que podemos transferir essas pessoas para as quatro novas indústrias e dar-lhes emprego? Se for assim, poderíamos resolver o problema do desemprego”, salientou. Outro tópico abordado no debate de ontem, tem a ver com a alegada pouca eficácia dos cursos de formação promovidos pelo Governo para a área laboral. “Após concluírem as acções de formação, muitas pessoas não conseguem aplicar os conhecimentos no trabalho. Não sei se é possível reforçar o regime de credenciação, e para que seja possível convencer as pessoas [empresas] a contratar. Assim é possível garantir que as pessoas, depois das formações, conseguem aplicar os conhecimentos”, disse o deputado Lam Lon Wai. Também Leong Sun Iok referiu que “há várias situações em que as pessoas não conseguem emprego”, já que “as empresas não contratam locais ou os locais não têm capacidade para ingressar em determinadas empresas”. “Não sei se o Governo pode ponderar a existência de quotas, para que haja um rácio a fim de as empresas poderem ter locais e também dar formação”, acrescentou.
Andreia Sofia Silva EntrevistaLuís Bernardino, académico: “Precisamos definir uma estratégia de cooperação-defesa” para a CPLP O livro “25 Anos de Cooperação de Defesa na CPLP” foi lançado em 2023 em formato digital e, dois anos depois, chegou à versão impressa. Luís Bernardino, co-autor ligado à Universidade Autónoma de Lisboa, realça evoluções positivas desde a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, não obstante inacções e polémicas com a Guiné Equatorial “25 Anos de Cooperação de Defesa na CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]” foi lançado em e-book e agora chega à versão impressa. Porquê editar este livro? Este livro fala sobre os 25 anos de cooperação na área da defesa da CPLP e é da minha autoria, juntamente com uma colega do Brasil, Camila Rizzi. Resulta de um projecto de investigação desenvolvido no Centro de Análises Estratégicas da CPLP, sediado em Moçambique. Tem a componente de defesa da CPLP e faz reflexão estratégica sobre esse tema. Pelo facto de terem passado 25 anos de cooperação nessa área quisemos fazer uma avaliação e o livro para que ficasse para a história da organização. Em 2023, não houve condições financeiras para editar o livro em papel como queríamos, e foi agora lançado a 18 de Novembro, em Maputo. Há críticas quanto à efectiva acção da CPLP. Considera que este organismo tem crescido de forma sustentável? A avaliação que faço é na área da defesa. Quando a CPLP foi criada, a cooperação na área da defesa não constava nas seis áreas iniciais. Essa área só surgiu em 1998. A CPLP nasceu com seis áreas principais – cultura, língua, concentração político-diplomática – e tem actualmente 26 áreas de cooperação, o que é a prova de que cresceu de forma sustentada. Obviamente que com altos e baixos, situações mais fáceis ao longo destes quase 30 anos. Mas o que se salienta neste livro, na área da defesa, é que houve um crescimento bastante consolidado e participado. Nestes 25 anos fez-se muita coisa interessante e a avaliação é positiva. E o futuro? Precisamos de definir uma estratégia de cooperação-defesa e aquilo que queremos para a CPLP nesta área nos próximos 25 anos. É esse o desafio que temos pela frente, de uma maior actividade e iniciativa, para que a cooperação e defesa possam ser estratégicas naquilo que é a cooperação dentro dos Estados. Para que possa ser algo mais visível e permitir, de forma efectiva, um crescimento, participação e desenvolvimento, ou até maior empenho, em contextos regionais. Mas olhando para passado, presente e futuro, como tem sido a dinâmica na área da defesa? O livro mostra uma certa dinâmica de crescimento constitucional substancial numa primeira fase. Depois houve desenvolvimentos muito interessantes, com alguns protocolos e cooperação ao nível das Forças Armadas, mas há ainda muita coisa a fazer, nomeadamente olhar para a área da cooperação-defesa como uma área estratégica. O sistema geopolítico mundial parece estar a mudar muito rapidamente, seguindo um caminho multipolar. A CPLP deveria ter outro papel neste contexto, com actores como a China, Rússia ou Estados Unidos? A CPLP não é um instrumento multilateral, não é uma organização desse nível. Temos de colocar a CPLP ao nível da Commonwealth, por exemplo, de organizações de nível cultural, linguístico, de parceria entre países, de preocupação com o desenvolvimento. O que costumo dizer é que a CPLP é um bom instrumento diplomático de comunicação, um soft power relativamente a áreas relacionadas com a gestão e prevenção de conflitos. Não estejamos à espera que haja forças armadas, ou um exército, da CPLP. Este organismo é de diálogo e cooperação. O que fazemos, em termos de defesa, é isso mesmo, criar parcerias para que haja mecanismos de resposta a catástrofes, para dar capacidade de treino às forças armadas. Há até quem faça a pergunta: porque é a CPLP não interveio em Cabo Delgado, em Moçambique, na questão do terrorismo? E porquê? Porque a CPLP não é esse mecanismo de hard power, não tem capacidade, nem doutrina, logística, mandato ou viabilidade para ser empregue em operações de combate. E os Estados-membros da CPLP estão muito conscientes de que somos um mecanismo muito bom de cooperação, parceria e desenvolvimento, com contributos para a cultura e língua. Portanto, a CPLP não vai intervir no conflito entre a Rússia e Ucrânia, porque não é essa a sua área, nem tem mecanismos para essa dinâmica. Justifica-se a existência da CPLP? Acho que sim, obviamente, porque, como disse, a CPLP é um instrumento muito bom em termos de cooperação, da divulgação da língua portuguesa, da história. O facto é que temos cerca de 350 milhões de pessoas que falam português. Temos 30 países que são observadores associados, como a Ucrânia, o Chile, e a cultura portuguesa está representada nesta organização. Cada país tem o que quer da CPLP e dá-lhe a importância que acha que deve dar, e isso depende da política externa de cada Estado. Mas acho que a CPLP faz muito sentido no mundo em que vivemos, e fá-lo como representante multilateral da língua, da cultura, da cooperação entre os estados que falam português, e aqueles que de fim ao cabo têm alguma afinidade [com o mundo lusófono]. A questão de Macau é muito específica nesta organização. Macau tem o papel de plataforma comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, e a China tem uma agenda para a lusofonia. Antes de 1999 Macau tinha um estatuto próprio na CPLP, por ter administração portuguesa. Havia uma Declaração Conjunta que permitia que Macau, não sendo um Estado-membro, tivesse, de certa forma, um protocolo [com a CPLP]. Quando passou a ser RAEM, as coisas mudaram e perdeu esse estatuto de ligação, e Macau não é membro da CPLP, e obviamente não pode ser. A China também não, e não pode ser. Portanto, há aqui um estatuto de observador associado que surge para os países, organizações internacionais e regionais, e ainda as entidades territoriais dotadas de administração própria, que também não é bem o caso de Macau. O território está num limbo, entre ter uma história muito forte ligada à Lusofonia, e ter uma administração muito ligada à China, o que lhe dá, na minha perspectiva, duas dinâmicas. Em que sentido? Macau é um elemento fundamental na ligação entre os países da CPLP e a China. Por todos os motivos, mas pela questão da língua, história, e da sua representatividade, é um actor fundamental nesta cooperação. Macau deve ser visto, efectivamente, como um parceiro e como uma porta de entrada da China para os países da lusofonia. É isso que, de certa forma, já está a acontecer, e é a isso que a CPLP vai estar atenta, nesta relação em que Macau tem um estatuto especial. Quer queiramos, quer não, isso tem impacto. Macau é um factor de atractividade de facilitação de relações entre a China e Angola, Portugal ou o Brasil. A permanência da Guiné Equatorial na CPLP levanta questões de credibilidade? Concordo consigo. Terá sido, nestes 30 anos, um dos principais momentos difíceis na criação de consensos. Recordo que a Guiné Equatorial foi admitida em 2014, mas já havia um processo em fase de análise anterior. Havia sempre um prolongamento, ano após ano, e foi difícil chegar a um consenso no quadro dos países da CPLP. Em 2014, houve uma cimeira em Timor-Leste e, por acção do Brasil e Angola, houve, de certa forma, uma pressão muito grande para a entrada da Guiné Equatorial. Mas há dois princípios, para o bem e para o mal, que justificam a presença da Guiné Equatorial na CPLP. Que são… O primeiro argumento é que, de facto, a Guiné Equatorial tem o português como língua oficial na sua Constituição, apesar de nós sabermos que a língua portuguesa, por exemplo, abrange quatro ou cinco por cento da sociedade num todo, e já estou a ser bastante generoso. Mas há um compromisso das autoridades da Guiné Equatorial para desenvolver o português como língua de trabalho e há uma ligação histórica à cultura portuguesa e à lusofonia. Outro critério é a promessa de que, numa próxima revisão constitucional, firmar o compromisso da abolição da pena de morte. Quanto ao português, é uma coisa que leva gerações, não se faz de um ano para o outro. Nem nos próximos 10 ou 15 anos nós teremos o português perfeitamente implementado. Há alguma timidez, um compromisso, de certa forma. Quanto à pena de morte, o que é facto é que se conseguiu, parece, alguma alteração. Nunca mais houve uma acção de pena de morte [desde a adesão]. E há a esperança que, numa próxima revisão constitucional, este facto seja abolido da Constituição e que possa, efectivamente, deixar de existir. Na qualidade de membro da CPLP, estas mudanças serão mais fáceis e mais visíveis e, no futuro, a Guiné Equatorial pode, efectivamente, assumir o estatuto da CPLP tendo em conta estas premissas. Não sei se vai acontecer, deixo aqui uma reticência, e este é um momento de desafio para a própria CPLP. Há que fazer um trabalho a partir de dentro, para que a Guiné Equatorial possa estar ao nível dos outros países, principalmente nestas duas áreas. O que é certo é que permanece uma certa falta de transparência em relação ao que se passa no país. Temos consciência de que a Guiné Equatorial tem grandes problemas com questões da legitimidade democrática, das eleições. Há uma série de situações que reconhecemos que não são perfeitamente adequadas face ao estatuto dos países da CPLP. Acho que há uma esperança de que as coisas possam mudar, a tentativa de criar espaço para que o português possa crescer dentro da Guiné Equatorial, e ainda o compromisso para uma maior abertura e participação. O que é facto é que a Guiné Equatorial tem participado nas reuniões da CPLP, e eu tenho participado em algumas. Nas situações internacionais temos de ser pragmáticos, e temos esperança de que, só porque a Guiné Equatorial está na CPLP, isso possa dar o contributo para que a própria Guiné possa desenvolver alguns gestos mecânicos.
Andreia Sofia Silva EventosBarra Slow Festival | Café e cultura nas Oficinas Navais Chama-se “Barra Slow Festival” e a primeira edição está marcada para o próximo fim-de-semana, entre os dias 28 e 30 de Novembro, pretendendo-se revitalizar a zona da Barra com actividades ligadas à cultura do café, design e artesanato. O público poderá desfrutar de eventos nas Oficinas Navais nº 1 e nº2, bem como na praça situada na zona É já este fim-de-semana, nomeadamente entre sexta-feira e domingo, que decorre em Macau a primeira edição do “Barra Slow Festival 2025”, um evento que traz várias actividades ligadas ao café, cultura e arte e que visam atrair a atenção do público para a zona da Barra, conhecida por locais turísticos como o Templo de A-Má. Segundo um comunicado oficial do evento, trata-se de uma estreia no território de eventos como o “To Play Market × Tokyo Coffee Festival · Macau 2025” e ainda a “Feira de Arte e Design Shanghai UNFOLD”, e ainda iniciativas como o “Coffee Rave”, “Macau Chill Collective” e uma exposição do conhecido designer gráfico Florian Lamm. Todos estes eventos estarão espalhados pela praça da zona da Barra e Oficinas Navais nº 1 e nº2, onde habitualmente decorrem eventos culturais. Segundo a mesma nota, o “Barra Slow Festival” integra “elementos contemporâneos populares, como cultura do café, design criativo, exposições visuais, produtos artesanais limitados e música”, tratando-se de um “evento cultural com conceitos seleccionados”. Defende-se a ideia de um evento em que haja “calor humano”, incentivando-se o público “a relaxar e viver intensamente, recuperando a tranquilidade inerente à vida”. Desta forma, “o bairro da Barra foi o escolhido [para esta iniciativa], com barracas montadas dentro e fora dos edifícios históricos das Oficinas Navais”. Espera-se, assim, que o público em geral “possa desfrutar de uma chávena de café, passear pela área e experimentar a profundidade histórica do bairro da Barra”. De fora para dentro Acima de tudo, o “Barra Slow Festival” traz a Macau eventos já conhecidos na Ásia, como é o caso do “Tokyo Coffee Festival”, organizado pela “To Play Market” e que reúne quase 50 marcas famosas de café do Japão, da Grande Baía e de Macau. “Há apenas alguns meses, o Tokyo Coffee Festival fez a sua estreia em Hong Kong, atraindo mais de 30.000 participantes, e tanto o seu café artesanal como os seus produtos de café foram muito elogiados”, destaca a organização. Nesta estreia em Macau haverá produtos especiais à venda e edições limitadas. Outro destaque do cartaz, é a Feira de Arte e Design “UNFOLD”, organizada em Xangai pela Shanghai BANANAFISH. Trata-se de um evento com o conceito curatorial de “desdobrar, ler e apresentar”, sendo uma “plataforma de comunicação que reúne amantes da cultura e da arte, designers, trabalhadores criativos e profissionais da indústria criativa”. O que se poderá ver na Barra, com o “UNFOLD”, é um mercado com 100 stands de marcas e produtos de design de todo o mundo, com “selecções criativas e produtos artesanais limitados”, sendo que os detentores dos bilhetes podem ainda visitar a exposição especial do designer Florian Lamm. As obras de Florian foram seleccionadas para o Top 100 Posters na Alemanha, Áustria e Suíça, e ganharam o Prémio Artista na Bienal de Brno, a mais antiga exposição de design gráfico do mundo. Já o “Macau Chill Collective” pretende “reunir a força das marcas locais”, convidando-se “dezenas de marcas, desde proprietários de cafés conhecidos, artesãos criativos e criadores”. Durante o festival, será ainda realizada a exposição “Memórias Antigas: Impressões do Estaleiro – Exposição Fotográfica Histórica do Distrito de Barra”, a fim de “aprofundar a compreensão dos participantes sobre a história do distrito”. O “Barra Slow Festival” tem entrada gratuita e decorre entre as 12h e as 20h, sendo necessário adquirir bilhetes para a Feira de Arte e Design UNFOLD, com um custo de 55 patacas em regime de pré-venda e 78 patacas nos dias do evento. Há ainda bilhetes à venda para alguns eventos relacionados com a cultura do café. Os bilhetes têm estado à venda desde o dia 2 de Novembro nas plataformas MacauTicket, Damai e Ctrip. O evento é organizado pela Federação da Indústria e Comércio de Macau, Distrito Central e Sul, coorganizado pela BANANAFISH e TOPYS, e apoiado pelo Instituto de Desenvolvimento Económico e Tecnológico, pela Direcção dos Serviços de Turismo de Macau, pela União Geral das Associações de Bairro de Macau e outras entidades patrocinadoras.
Andreia Sofia Silva SociedadeImobiliário | Aumento trimestral dos preços em 7,7 por cento Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) demonstram que os preços médios das casas, por metro quadrado de área útil, registaram um aumento de 7,7 por cento no terceiro trimestre deste ano em comparação com o anterior. Só na península de Macau esse aumento foi de 12,6 por cento, registando-se um preço médio de 74.590 patacas, “devido principalmente aos novos complexos habitacionais terem sido colocados à venda no trimestre de referência”, destaca a DSEC. Nas ilhas, destaca-se a subida de 4 por cento em Coloane, com o preço médio das fracções autónomas habitacionais a situar-se nas 87.093 patacas, enquanto na Taipa os preços desceram 4,6 por cento, rondando as 70.110 patacas. O preço médio das fracções autónomas habitacionais de edifícios construídos situou-se em 65.897 Patacas, menos 3,2 por cento, em termos trimestrais. A DSEC revela ainda que no terceiro trimestre deste ano transaccionaram-se, com base no imposto de selo cobrado, 1.411 fracções autónomas e lugares de estacionamento pelo valor de 6,26 mil milhões de patacas. O preço médio por metro quadrado de área útil das fracções autónomas habitacionais, em termos globais, fixou-se em 74.190 patacas.
Andreia Sofia Silva EventosCCM | Temporada de espectáculos de ópera decorre até Março É no dia 27 deste mês que arranca a primeira iniciativa cultural integrada na “1ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa”. Trata-se de “Um Encontro de Heróis, Invocando o Vento Leste e A Passagem de Huarong”, peças de ópera chinesa da responsabilidade da Companhia Nacional Chinesa de Ópera de Pequim. Mas há mais espectáculos para ver até Março do próximo ano Foi apresentada esta semana, terça-feira, a programação relativa à “1ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa”, um “banquete artístico” onde se prometem “espectáculos de excelência com experiências diversificadas”. A iniciativa foi criada a partir da anterior “Temporada de Espectáculos de Companhias de Arte Nacionais em Macau”, com a primeira apresentação a ter lugar no dia 27 de Novembro, com a ópera de Pequim “Um Encontro de Heróis. Invocando o Vento Leste. A Passagem de Huarong”, apresentados num espectáculo de três horas e meia pela Companhia Nacional Chinesa de Ópera de Pequim, no Centro Cultural de Macau (CCM). Segundo a descrição oficial do espectáculo, sobem ao palco os artistas principais Yu Kuizhi e Li Shengsu, liderando o elenco que apresenta “a tradição lírica chinesa em toda a sua expressividade”. Apresentam-se “três peças magnas” e “épicos retirados do clássico Romance dos Três Reinos”, fazendo-se a “mescla de canto e encenação teatral, que evidencia um equilíbrio perfeito entre personagens civis e militares, encarnados por uma série de figuras históricas”. No dia 28 deste mês, é a vez de se apresentar, também no CCM, “A Lenda da Cobra Branca”, escrita pelo célebre dramaturgo Tian Han e originalmente dirigida pelo prestigiado encenador Li Zigui. “Esta reconhecida obra-prima tem sido meticulosamente refinada em palco ao longo de mais de 60 anos. Tida como obra fundamental do repertório operático, a peça foi representada por inúmeras gerações de intérpretes ‘dan’ (papéis femininos)”, lê-se na descrição do espectáculo. Em palco, os artistas são Li Shengsu, uma distinta representante e defensora da escola Mei Lanfang, sendo também mentora da talentosa Zhu Fengyi, artista com a qual partilha o papel principal de Bai Suzhen (a Madame Cobra Branca). “Nesta reencenação, as intérpretes retratam de forma magnífica o inabalável amor proibido que a lendária personagem nutre por um mortal, transportando a plateia a um hipnotizante cenário onírico”, lê-se ainda. Novas interpretações Na programação desta iniciativa, contam-se ainda apresentações teatrais como “Adeus, Minha Concubina”, da responsabilidade do Teatro do Povo de Pequim. Trata-se de uma adaptação a partir da criação original do Prémio Nobel da Literatura Mo Yan, e que tem como pano de fundo o confronto histórico Chu–Han. “A peça rompe com a estrutura narrativa tradicional do drama histórico e explora temas eternos como o poder, a sobrevivência e a responsabilidade através de múltiplos encontros e diálogos que entrecruzam o tempo e o espaço entre a consorte Yu e a Imperatriz Lü”, pode ler-se. Está ainda programada a apresentação da peça de dança teatro “Mulan”, do Grupo de Artes e Espectáculos de Ningbo. Esta tem “como linha principal a piedade filial, a lealdade, a coragem e o amor, combinando a dança, as artes marciais, o drama e os elementos tecnológicos”. Serão ainda convidados grupos como a Trupe Artística de Minas de Carvão da China e a Ópera Nacional da China para realizar actuações de intercâmbio em vários locais de Macau, nomeadamente em escolas e bairros comunitários. Destaque ainda para o facto de a Ópera Nacional da China regressar às actuações em Macau em Janeiro do próximo ano para apresentar “Flores de Lótus Douradas – Concerto de Obras Vocais da Ópera Nacional da China” em várias escolas. “O concerto reúne obras-primas da música vocal, chinesa e estrangeira, com peças musicais ricas e artistas excepcionais, conduzindo os estudantes numa jornada musical que atravessa o Oriente e o Ocidente”, é referido. Ao todo, esta primeira temporada inclui oito apresentações de intercâmbio e 50 actividades comunitárias. “Usando a cultura chinesa como elo de ligação, o evento visa criar um evento cultural que envolva toda a população, promover a ressonância emocional e a transmissão cultural, trabalhando em conjunto para construir um círculo de vida feliz, belo e harmonioso”, é descrito.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaInaugurado ontem novo posto de saúde da Zona A Decorreu ontem a cerimónia de inauguração do novo posto de saúde da Zona A dos Novos Aterros Urbanos, e que entra hoje oficialmente em funcionamento. Segundo uma nota dos Serviços de Saúde de Macau (SS), este posto de saúde tem uma área de cerca de 1.066 quilómetros quadrados e irá prestar serviços de segunda a sexta-feira, das 08h30 às 13h00 e das 14h30 às 18h00, encerrando aos sábados, domingos e feriados. Trata-se de uma unidade de saúde familiar, que fornece “serviços médicos holísticos, abrangentes, coordenados e contínuos que cobrem todo o ciclo de vida, incluindo cuidados de saúde para crianças, mulheres e adultos em geral, consultas externas não marcadas, prevenção e tratamento de doenças crónicas, promoção da saúde, cuidados de enfermagem em geral, vacinação e disponibilização de medicamentos básicos”. Os SS estimam que a população na Zona A venha a ser de 96 mil pessoas, pelo que, numa primeira fase de funcionamento, este posto de saúde estará equipado com “seis profissionais de saúde e pessoal administrativo para prestar serviços ao primeiro lote de habitantes daquela zona”, sendo que, “no futuro, será procedido ao ajustamento dinâmico [de profissionais] conforme a situação efectiva”. Estas explicações foram dadas por Alvis Lo, director dos SS, na cerimónia de inauguração do novo posto de saúde. Serviços abrangentes Alvis Lo declarou ainda que o Posto de Saúde da Zona A dos Novos Aterros Urbanos é a primeira instituição pública de saúde a ser inaugurada na UOPG [Unidade Operativa de Planeamento e Gestão] Este-2, proporcionado “serviços médicos comunitários convenientes e abrangentes aos moradores da referida Zona”. O director dos SS lembrou também a existência, em todo o território, de nove centros de saúde e quatro postos, incluindo o espaço ontem inaugurado. Alvis Lo destacou também que “hoje em dia, mais de 80 por cento dos doentes com doenças crónicas em Macau optam pelos centros de saúde para receber tratamento, o que demonstra que o objectivo de cobertura global de saúde foi preliminarmente alcançado”.
Andreia Sofia Silva EventosGrande Prémio | Os anos de 1967 a 1978 pela mão de Victor H. de Lemos O Grande Prémio é o desporto automóvel de Macau por excelência, e há residentes que sempre se dedicaram a esta paixão. Victor H. de Lemos foi um deles, e a segunda parte do seu espólio será hoje lançada em livro na sede da APOMAC – Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau. O HM conversou com o seu filho sobre o lançamento do segundo volume de Grande Prémio de Macau – Colecção Pessoal de Victor H. de Lemos (1967-1978) “O meu pai tinha muito orgulho deste seu trabalho.” É desta forma que Carlos Lemos, filho de Victor H. Lemos, o grande coleccionador de imagens e materiais relacionados com a competição do Grande Prémio de Macau (GPM), conta ao HM o desfilar de memórias que agora se desfilam também nas páginas de um livro. Trata-se do segundo volume de “Grande Prémio de Macau – Colecção Pessoal de Victor H. de Lemos”, desta vez dedicado aos anos de 1967 a 1978. Em 2023, foi lançado o primeiro volume, focado nos anos de 1954 a 1966. Os dois projectos editoriais contam com o apoio da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC). O evento de lançamento do segundo volume acontece hoje a partir das 15h, na sede da APOMAC. Esta obra contém, segundo descreveu Carlos Lemos, “jornais, fotos e os acontecimentos do GPM de 1967 a 1978”, e não faltam registos de episódios marcantes da competição no Circuito da Guia. Incluem-se “artigos relacionados com o primeiro acidente fatal no circuito do popular corredor filipino Arsénio Dodgie Laurel, que foi duas vezes vencedor do GPM, ou artigos sobre a fracassada criação do Circuito da Associação de Corridas Automóveis do Extremo Oriente (FEMRAC)”. Há também, nestas páginas, registos “das primeiras provas da Corrida da Guia e de motociclos, e da primeira piloto feminina a vencer a corrida de ‘Carros de Produção Corrente'”. O leitor poderá ainda encontrar “a corrida dos gigantes, com participação de famosos corredores do mundo como o Dan Gurney, Jacky Ickx, que foi seis vezes vencedor do 24 hours Le Mans, Sir Stirling Moss; Jack Brabham, o único piloto a vencer o campeonato de Fórmula 1 num carro que tem o seu nome (Brabham); Roy Salvadori”. “Na última secção do livro fiz uma pequena introdução com cerca de 100 fotos de outra colecção do meu pai, intitulada ‘Mundo do Automobilismo’, que contém quase duas mil fotos autografadas pelos pilotos, proprietários de carros, designers e personalidades de renome do mundo relacionados com o automobilismo como ‘Il Commendatore’ Enzo Ferrari, Juan Manuel Fangio ou Sir Jackie Stewart “. Vida de dedicação Victor H. Lemos fez esta colecção de forma mais permanente enquanto viveu em Macau, sendo que a partir de 1975 o macaense, emigrado no Canadá, passou a ter dificuldades em ter a sua colecção actualizada. “Ele dependia dos amigos para o envio de fotos, jornais e programas para a sua colecção, e decidiu terminar o projecto em 1978, no 50.º aniversário [da competição]. O volume 2 completa uma significativa parte da colecção”, adiantou ao HM. Carlos Lemos admite que teve de deixar material de fora desta edição e que o processo de escolha “foi difícil”. “Decidi incluir as partes mais importantes e que têm maior interesse para os fãs do GPM, caso contrário, seria um livro mais volumoso”, disse. Nos anos descritos visualmente nesta obra, deu-se “a transição dos carros do tipo ‘Sport’ e ‘GT’ para carros de tipo ‘Fórmula’ com motores mais potentes e velozes”. “Também começou a participação de corredores de outras partes do mundo como a Austrália, a Inglaterra, a Alemanha e com carros particionados por fábricas como o BMW e Renault-Alpina, deixando de ser um evento de amadores. Foi ainda o período de melhoramento e modernização do circuito”, descreveu Carlos Lemos. Victor H. Lemos “dedicou-se muito a essa colecção”. “Depois do trabalho ia colocar-se à espera, nos corredores e nos ‘lobbies’ dos hotéis para recolher as assinaturas” dos pilotos. “As pessoas faziam troça dele, mas essa colecção é, hoje, provavelmente, a mais completa do GPM e contém informações que são muito procuradas.” Sobre a possibilidade de este espólio pessoal poder integrar a colecção do Museu do GPM, Carlos Lemos assegura que não há novidades. “Tocámos duas vezes neste assunto, há alguns anos, e também foi feita essa sugestão aquando do lançamento do primeiro volume, mas nada se concretizou.”
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeGripe | Alerta para vírus activo e mais pessoas nas urgências Os Serviços de Saúde emitiram uma nota onde dão conta de que “nos últimos dias” mais pessoas têm recorrido às unidades de urgência dos hospitais Kiang Wu e Conde de São Januário, tendo em conta que, nos últimos 15 dias, a taxa de positividade do vírus influenza tem vindo a aumentar. Por sua vez, destaca-se o sucesso da vacina contra a gripe, com aumentos anuais de doses O vírus influenza, responsável pela gripe, tem estado mais activo no território. Disso dão conta as autoridades, mais concretamente os Serviços de Saúde de Macau (SS), numa nota ontem emitida. “Nas últimas duas semanas em Macau (entre 12 e 25 de Outubro), a taxa de positividade da detecção do vírus influenza foi de 28,9 e 26,5 por cento, respectivamente, ultrapassando os 13,1 por cento”, sendo este o nível de alerta na região. Estes dados mostram que, “em geral, o vírus influenza está activo”, além de que “nos últimos dias, o número de pessoas que recorreram diariamente ao Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário e do Hospital Kiang Wu tem vindo a aumentar”. Tendo em conta estes dados, os SS alertam para a importância da vacinação contra a gripe dos grupos mais vulneráveis, destacando o sucesso do programa. “Até dia 3 de Novembro, cerca de 94 mil pessoas foram vacinadas contra a gripe sazonal, representando um aumento de cerca de 8 por cento em comparação com o período homólogo do ano passado, em que foram vacinadas 87 mil pessoas.” Desta forma, os SS consideram “satisfatório o progresso da vacinação dos grupos de alto risco”. Novos casos Desde Outubro que os SS “têm enviado, por iniciativa própria, profissionais de saúde para os lares, creches e escolas de ensino infantil, entre outros estabelecimentos relevantes de Macau, a fim de se proceder à vacinação colectiva, proporcionando aos residentes diferentes formas e serviços convenientes de vacinação”. Entretanto, esta terça-feira foram detectados quatro casos de gripe em escolas. Um deles, ocorreu numa turma do terceiro ano do nível secundário da Escola Choi Nong Chi Tai, situada no Istmo de Ferreira do Amaral, tendo sido infectados nove alunos. Outro dos casos, foi detectado numa turma da Escola de Aplicação Anexa à Universidade de Macau, tendo sido infectados cinco alunos. Os restantes dois casos, ocorreram na Escola Secundária Pui Va e Escola Internacional de Macau, infectando quinze alunos no total. Os sintomas começaram a manifestar-se no dia 30 de Outubro, com o estado clínico dos doentes a ser considerado “ligeiro”, sem ocorrência de “casos ou outras complicações graves”. Dos quatro casos colectivos, 26 alunos testaram positivo à Gripe A.
Andreia Sofia Silva PolíticaImobiliário | Si Ka Lon pede mudanças face a fecho de casinos-satélite O deputado Si Ka Lon interpelou ontem o Governo, no período de antes da ordem do dia, sobre a necessidade de “estimular o mercado imobiliário” tendo em conta o encerramento dos casinos-satélite até ao final do ano. “Perante a constante queda do preço das casas em Macau, o Governo retirou, no ano passado, todas as ‘medidas picantes’, mas o mercado continua fraco, o que demonstra a falta de confiança na economia, o aumento dos riscos financeiros e o risco latente de os cidadãos verem a sua propriedade com valor inferior ao empréstimo”, descreveu. Assim, Si Ka Lon fala numa “desvalorização das lojas, escritórios e edifícios industriais”, sugerindo que “o objecto do ‘investimento relevante’ do Regime de fixação de residência temporária seja alargado a escritórios e lojas, entre outros imóveis não habitacionais, com a exigência de o investimento ser aplicado no desenvolvimento das indústrias reais”. O deputado pede ainda ajustes ao imposto de selo, a fim de se reduzirem “as taxas de imposto para as transacções de imóveis de pequeno e médio valor” e um “relaxamento da política de hipoteca de edifícios comerciais, reduzindo a proporção do pagamento inicial para menos de 20 por cento”, além de se prolongar o período de reembolso. Tudo para “dinamizar o mercado imobiliário de segunda mão”. O deputado lamenta que, entre 2019 e 2023, não tenha havido quaisquer pedidos de projectos com “investimentos relevantes” em Macau, segundo a lei em vigor, sendo que, no ano passado, apenas se registou uma proposta. Tal “não se coaduna com o desenvolvimento económico e com o bom aproveitamento dos imóveis, tornando-se assim num mecanismo sem efeitos”, escreveu.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaFunção pública | Che Sai Wang pede “tolerância a falhas” O deputado Che Sai Wang escolheu falar sobre os funcionários públicos no período de interpelações de antes da ordem do dia, nomeadamente sobre a necessidade de se criar “um mecanismo de ‘tolerância a falhas’, incentivando os trabalhadores da Função Pública a terem a coragem de inovar”. Nesse sentido, defende-se a “clarificação, através de leis, o âmbito da exclusão de responsabilidade no mecanismo de ‘tolerância a falhas’ e o accionamento da exclusão de responsabilidade”. Pede-se ainda a criação “de um ambiente de trabalho propício para incentivar todos os funcionários públicos a apresentar propostas de inovação, cuja viabilidade deve ser analisada atempadamente, e, se forem adoptadas, os proponentes devem ser elogiados”. Che Sai Wang referiu também que, na hora de escolher pessoas para cargos de direcção e chefia, deve ser observado “um parâmetro importante”, como “a apresentação de propostas, no sentido de recrutar mais trabalhadores inovadores, reactivando-se assim o dinamismo e a potencialidade da equipa dos funcionários públicos”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaTáxis | Pedidos incentivos em dias de tufão O deputado José Chui Sai Peng defendeu ontem no hemiciclo, no período de interpelações antes da ordem do dia, a criação de incentivos para taxistas que trabalhem em épocas de tufão. “Sugiro que o sector e a sociedade cheguem a um consenso, tal como acontece com os restaurantes que cobram mais 30 por cento durante os feriados obrigatórios”, disse. O deputado sugeriu, mais concretamente, que para “os taxistas que estejam dispostos a trabalhar em condições meteorológicas adversas possam cobrar uma tarifa adicional de 10 por cento por cada viagem”. Trata-se de algo que “não só vai ajudar a mitigar a má imagem devido à ‘cobrança abusiva de tarifas’, como também pode incentivar o sector dos táxis a envidar esforços para satisfazer as necessidades de deslocação dos turistas durante as condições meteorológicas adversas”, apontou.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSalário mínimo | Aprovado aumento de uma pataca com três abstenções A Assembleia Legislativa aprovou ontem, na generalidade, o aumento do salário mínimo em apenas uma pataca por hora, de 34 para 35 patacas. O debate foi curto e, na hora de votar, apenas José Pereira Coutinho, Che Sai Wang e Chan Hao Weng se abstiveram. Os restantes deputados afirmaram que este aumento tem consequências para empresas e que o Governo deve dar mais apoios Foi ontem aprovada, na generalidade, a nova proposta de lei do salário mínimo que apresenta ajustamentos salariais com efeito a partir de 1 de Janeiro de 2026. Trata-se do aumento de uma pataca por hora, de 34 para 35 patacas, o que, em termos mensais, perfaz os seguintes ajustes: das actuais 7.072 patacas mensais passa-se para 7.280. No caso de salários pagos à semana, passa-se do actual montante de 1.632 patacas para 1.680 patacas. Segundo a apresentação do secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, trata-se de um aumento do salário mínimo em 2,9 por cento, abrangendo apenas 4,4 por cento de todos os trabalhadores da RAEM, ou seja, 18.200 pessoas, que trabalham essencialmente nas áreas da limpeza e segurança. Excluem-se, portanto, os trabalhadores domésticos. De frisar que este valor foi discutido em sede de Conselho Permanente de Concertação Social entre 1 de Novembro de 2022 e 31 de Outubro de 2024. O debate em torno destes valores foi curto e apenas três deputados se abstiveram na hora de votação: o trio formado por José Pereira Coutinho, Che Sai Wang e Chan Hao Weng. Antes das declarações de voto, Che Sai Wang foi o único a pronunciar-se, referindo que “o ajustamento do salário mínimo é inferior a outras regiões”. “Em Hong Kong o salário mínimo passou de 40 para 42,1 patacas [por hora], sendo um aumento de 5,25 por cento. O Conselho [Permanente de Concertação Social do território] fez o cálculo consoante a situação económica de Hong Kong, que foi depois aprovado pelo Chefe do Executivo. Essa fórmula de cálculo foi depois divulgada. Em Taiwan, há um aumento anual e a taxa de ajustamento é de 4,6 por cento, e além dos patrões e empregados, há peritos que dão apoio na realização deste cálculo”, declarou. Na opinião do deputado, Macau carece de um mecanismo científico para o ajuste salarial. “Não temos uma fórmula científica para o cálculo e nunca foi divulgada a forma para se chegar a um ajustamento do salário mínimo”, acrescentou Che Sai Wang. Na resposta, o secretário declarou que foi tido em conta “a situação económica de Macau e a capacidade de aceitação dos consumidores e da população”. “A situação é diferente nas regiões vizinhas, dado que Macau tem uma microeconomia. Tivemos de fazer uma ponderação geral e de ter em conta os empregadores e as pequenas e médias empresas (PME)”, declarou. Causa e consequência Já depois de votarem a favor, José Chui Sai Peng fez uma declaração de voto conjunta com outros deputados, como Ip Sio Kai e Si Ka Lon, onde referiu que “o ambiente de negócios é difícil e muitas PME lutam pela sobrevivência”. “Votámos a favor e entendemos que há uma relação harmoniosa entre os sectores laboral e dos empregadores, e isso destacou-se na pandemia. Isto [o ajuste salarial] vai desencadear uma série de efeitos, porque implica mudanças nos contratos. Espero que o Governo pondere ajudas a empresas, já que temos de ter em consideração que a economia não voltou ainda ao período anterior à pandemia.” Também a declaração de voto de vários deputados, incluindo a deputada Song Pek Kei, fala na defesa “do Governo assumir melhor o seu papel de interlocutor junto dos afectados por esta iniciativa, que pode ter implicações em cadeia nos diversos parceiros sociais, com o aumento dos custos operacionais”. Já os deputados Lam Lon Wai e Ella Lei, entre outros, declararam que “o mecanismo vigente [de actualização salarial] não dá respostas às necessidades, existindo atrasos”. “Esperamos que haja critérios mais científicos para o aumento do salário mínimo e que possam ser oferecidas garantias aos trabalhadores”, disseram.
Andreia Sofia Silva EventosArquitectura | Johannes Widodo fala sobre cidades e modernismo esta semana O arquitecto e investigador Johannes Widodo dá, esta semana, duas palestras com o cunho da associação Docomomo. Uma delas é “Reenquadrando o Modernismo: Modernidades Fundamentadas no Mediterrâneo da Ásia”, a ter lugar na Fundação Rui Cunha, enquanto a Casa Garden acolhe um debate em torno da habitação pública de Singapura Decorrem esta semana duas palestras de arquitectura promovidas pela associação Docomomo Macau, e que contam com a presença do arquitecto e investigador Johannes Widodo. Uma delas, acontece na Fundação Rui Cunha (FRC) esta sexta-feira, intitulando-se “Reenquadrando o Modernismo: Modernidades Fundamentadas no Mediterrâneo da Ásia”. Trata-se de uma conversa que se insere no ciclo de palestras “Revisitando o Modernismo e o seu Impacto na Ásia”. Esta sessão começa às 18h45. Com este evento, pretende-se “revisitar o conceito de modernismo através de uma lente asiática, desafiando as narrativas eurocêntricas dominantes”, propondo-se “uma reformulação enraizada nos contextos culturais e ambientais locais”. A Docomomo descreve, numa nota, a Declaração de Macau da mAAN (modern Asian Architecture Network) de 2001, que “afirmou a Ásia como uma fonte dinâmica de identidade moldada pela industrialização, colonização e interacção sustentada com o Ocidente”. Nesse contexto, a palestra visa redefinir “o modernismo e a modernidade asiáticos com uma mudança deliberada de ênfase: um ‘a’ minúsculo para arquitectura, um ‘m’ minúsculo para modernismo e um ‘s’ para modernismos plurais”. Este “reposicionamento linguístico” não é mais do que uma reflexão “da multiplicidade e a natureza fundamentada das experiências modernas em toda a Ásia”. “Tendo foco no Sudeste Asiático e na região em torno do ‘Mar Mediterrâneo da Ásia’, onde Macau está situada, a palestra destaca expressões arquitectónicas que incorporam respostas locais às influências globais”, ilustrando-se “como a arquitectura moderna na Ásia é um testemunho da engenhosidade das gerações passadas e uma base para a resiliência cultural futura”. Na conversa de sexta-feira, irão também revisitar-se “os princípios estabelecidos na Declaração da mAAN”, defendendo-se “um compromisso renovado com a documentação, conservação e envolvimento crítico com o património arquitectónico moderno da Ásia”. O caso de Singapura Na quinta-feira é dia da Casa Garden, sede da Fundação Oriente (FO), receber outra palestra de Johannes Widodo, desta vez sobre o caso particular da habitação pública em Singapura. “From Sit to HDB: Singapore’s Public Housing Morphology and Policy In The 20th Century” acontece a partir das 18h45 e conta com moderação do arquitecto, e membro da Docomomo, Tiago Rebocho. Nesta sessão irá traçar-se “a trajectória da habitação pública em Singapura, desde o Singapore Improvement Trust (SIT) da década de 1920 até o Housing & Development Board (HDB), fundado em 1960, destacando-se a mudança da habitação social colonial para uma estratégia de desenvolvimento nacional”. Será analisado o caso do Fundo Central de Previdência, que “possibilitou a aquisição generalizada de habitação própria”, e também “como as políticas urbanas de Singapura enfrentaram os desafios da escassez de terrenos, da diversidade cultural e da sustentabilidade”. Desta forma, “através da análise espacial e política, a palestra explora a evolução morfológica da habitação HDB e o seu papel na formação da coesão social, identidade e resiliência ambiental”, promovendo-se ainda uma reflexão “sobre desafios futuros, como o envelhecimento dos bairros, a inclusão e a adaptação climática”. Johannes Widodo é professor na Universidade Nacional de Singapura e é fundador executivo da mAAN (Rede de Arquitectura Asiática Moderna), pertencendo também ao comité executivo da Academia Asiática para Gestão do Património. Além disso, é também júri do Prémio UNESCO Ásia-Pacífico para Conservação do Património Cultural e fundador da Docomomo para os territórios de Macau e Singapura.
Andreia Sofia Silva EventosMercado de San Kio e Festival de Gastronomia em destaque nas próximas semanas Decorrem nas próximas semanas uma série de eventos que visam fomentar o turismo comunitário, apoiados e promovidas pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST). Entre a cultura, gastronomia e desporto, haverá oportunidade para residentes e turistas explorarem as ruas do território. Uma das iniciativas já arrancou e dura até ao dia 20 de Novembro, sempre aos fins-de-semana (sexta-feira, sábado e domingo). É o “2025 San Kio Traditional Market Tour”, a ter lugar no Largo do Templo de San Kio, Jardim San Kio, Rua da Emenda e Rua da Erva. Segundo uma nota da DST, as actividades “incluem tendas de jogos, visitas guiadas aos bairros comunitários, sorteio de fim-de-semana, benefícios de consumo no bairro de San Kio e breves actuações de rua”, sem esquecer workshops e “cinco feiras temáticas”. Outro evento, é o “2025 Ferreira de Almeida Festival”, a decorrer até ao fim deste mês, na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, na freguesia de São Lázaro. Acontecem “exposições, feiras, workshops, espectáculos, carnaval e exibições”, sendo que seis das actividades incluem o Carnaval de São Lázaro, um workshop sobre Macau com o Grande Prémio como tema ou a exibição de curtas-metragens, entre outras. Destaque ainda para o “Roving Manduco – Street Life Festival”, que começa esta semana, sábado, e acontece até ao dia 30 deste mês, sempre aos sábados e domingos. Abrange-se a Rua da Praia do Manduco, o Pátio da Restauração, a Zona da Doca da Barra e as zonas envolventes, com “destaques variados, como um mercado de tendas que reúne objectos característicos, espectáculos teatrais e musicais sucessivos”, sem esquecer “visitas guiadas para levar os participantes a viajar na história e a ter a experiência de tomar chá na rua”. Festejar com comida Novembro é também o mês do 25º Festival de Gastronomia de Macau, com data marcada para os dias 14 a 30 deste mês, durando 17 dias consecutivos na Praça do Lago Sai Van. O público e os amantes das comidas das mais variadas origens podem esperar mais de 100 estabelecimentos de restauração e bebidas de Macau, comidas típicas, espectáculos de palco e tendas de jogos apelativos. A DST pretende, com este evento, “demonstrar a cultura gastronómica diversificada de Macau, na qualidade de Cidade Criativa de Gastronomia, enriquecendo a experiência gastronómica dos visitantes e residentes”. Na área do desporto, a DST promove ainda, até ao dia 9 deste mês, a “Sports Carnival: National Games Celebration Party”, a pensar na 15ª edição dos Jogos Nacionais. O evento compõe-se de “várias actividades, tais como Torneio Juvenil da Liga de Ouro 3×3 em Macau, tendas de indústrias culturais e criativas, tendas de gastronomia, espectáculos culturais e artísticos”, entre tantas outras. Os Jogos Nacionais são também destaque nos “15th National Games – Cheer Up! Community Fun Day”, a decorrer entre os dias 8 e 16 de Novembro na antiga Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa velha. Trata-se de uma actividade com “tendas de divertimento temáticas de desporto”, com o foco em várias modalidades, e acontece sempre aos sábados e domingos.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaTurismo | Mais cidades com vistos para quadros qualificados A Administração Nacional de Imigração anunciou ontem que foram incluídas mais cidades da China continental na medida de concessão de vistos para quadros qualificados virem até Macau em turismo. Tratam-se das cidades da região do Delta do Rio Yangtzé e das zonas Pequim-Tianjin-Hebei O país decidiu expandir a política de atribuição de vistos turísticos para quadros qualificados com destino à RAEM, a cidadãos fora da zona da Grande Baía e cidades de Pequim e Xangai. Isto porque a Administração Nacional de Imigração anunciou ontem, em comunicado, a expansão do número de cidades ligadas à implementação da política de concessão de vistos para quadros qualificados para a entrada em Macau e Hong Kong. Foram também anunciadas mais medidas para “a abertura de alto nível” do país e “desenvolvimento de alta qualidade”. O programa de vistos passa, então, a incluir os cidadãos que são considerados quadros qualificados de zonas como a região do Delta do Rio Yangtzé e Pequim-Tianjin-Hebei, bem como em todas as zonas de comércio livre. O pedido de visto pode ser feito a partir de amanhã. Segundo a mesma nota, existem seis categorias para os quadros qualificados abrangidos nesta política, que têm de ser quadros de excelência, quadros de pesquisa científica, quadros de educação, quadros de saúde, quadros de direito e quadros de administração. Os candidatos devem trabalhar nas cidades abrangidas na medida e podem pedir um visto com duração de 1 a 5 anos. Trata-se de um visto com múltiplas entradas e cada estadia deve ser inferior a 30 dias, devendo ser apresentados os documentos comprovativos da situação laboral e residencial. Além disso, a partir de 20 de Novembro, os cidadãos da China com visto de visita familiar para deslocações a Macau e Hong Kong podem pedir a renovação do visto no prazo de sete dias úteis antes do período de permanência. A Administração Nacional de Imigração explicou que, com esta medida, pretende dar maior conveniência a este grupo de cidadãos. Novos postos Também a partir de amanhã, haverá mais cinco postos fronteiriços da província de Guangdong, incluindo de Hengqin e da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que vão estar abrangidos pela política de isenção de visto em 240 horas. O número total dos postos fronteiriços integrados nesta medida passa, assim, dos actuais 60 para 65. Os cidadãos de 55 países sujeitos à isenção de visto podem entrar na China através destes 65 postos fronteiriços, sendo que durante o período de permanência de 240 horas podem viajar, fazer viagens de negócios e visitar o território. No entanto, para as actividades com necessidade de aprovação prévia, nomeadamente acções de trabalho, estudo ou cobertura noticiosa, continua a ser necessário pedir visto. Outro destaque, vai para o facto de mais postos fronteiriços, incluindo os de Hengqin e da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, aceitarem o pedido da leitura de rosto. Actualmente, apenas o Posto Fronteiriço de Gongbei e o Posto Fronteiriço da Baía de Shenzhen aplicam este método de passagem na fronteira.
Andreia Sofia Silva EventosLivro | História de Ng Iun Peng inspirou romance de Maria Helena do Carmo Chama-se “A Menina da Casa Grande” e é o novo romance de Maria Helena do Carmo, editado com a chancela do Instituto Internacional de Macau. Trata-se de uma história inspirada na vida de Ng Iun Peng, uma mulher chinesa nascida em Cantão, numa família rica, que viu a vida mudar completamente com a ocupação japonesa e a guerra civil chinesa. O lançamento decorreu ontem em Lisboa Maria Helena do Carmo, ex-residente, professora e autora, está de regresso aos livros. Desta vez o lançamento faz-se com o cunho do Instituto Internacional de Macau (IIM), que já tem à venda, nas suas instalações, “A Menina da Casa Grande”, um romance inspirado em factos reais, nomeadamente na história de vida de Ng Iun Peng, “uma mulher nascida em Cantão, que viveu a ocupação japonesa, a guerra civil chinesa e a Revolução Cultural, acabando por se refugiar em Macau”. Depois de ter lançado, em 2021, um romance centrado no século XIX em Macau, nomeadamente na vida de Pedro Gastão Mesnier, secretário do Governador Visconde de São Januário, Maria Helena do Carmo remete-nos agora para o século XX e os complexos anos da II Guerra Mundial em Macau e no sul da China, sem esquecer todos os acontecimentos bélicos e políticos que daí surgiram. Ao HM, Maria Helena do Carmo conta que conheceu a história de vida desta mulher no contexto das aulas do curso de patuá que frequentou em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). Um dos docentes, Joaquim Ng Pereira, filho de Ng Iun Peng, contou alguns episódios da vida da mãe, e aí Maria Helena do Carmo percebeu que tinha todos os ingredientes para um novo romance. Escrito com base em relatos gravados com a senhora, já no final da sua vida, e em relatos feitos pelos próprios filhos, Maria Helena do Carmo construiu então a história desta mulher que teve várias vidas, saindo da China, vivendo em Macau já numa situação financeira remediada e, depois, em Portugal, graças ao casamento com um português. “Ela [Ng Iun Peng] nasceu numa casa grande porque o pai era muito rico, tinha terras a perder de vista, indústrias, comércio. Nasceu, portanto, numa casa que ocupava um quarteirão inteiro, e foi uma menina mimada. Estudou em casa com professores particulares, depois fez o ensino secundário e um curso superior. As guerras empurraram a família para Macau”, disse. Ng Iun Peng viveu então as dificuldades que tantos chineses enfrentaram nestes anos, ao fugirem da China e procurarem refúgio em Macau e Hong Kong. “O pai, a primeira senhora do pai e ela foram para Macau, mas a mãe dela foi para Hong Kong com outras mulheres do pai e as meias-irmãs. Em Macau, ela trabalhou numa fábrica de tabaco, depois foi professora numa escola chinesa, enamorou-se de um português, e pronto.” Esta fase em que se viu obrigada a trabalhar numa fábrica “foi difícil para ela”. “Ficou com problemas nas costas durante muito tempo. Claro que é diferente, se a pessoa tinha uma vida rica e, de repente, passa a ter uma vida de trabalho”, acrescentou. Mudança religiosa A paixão por um português levou Ng Iun Peng para o outro lado do mundo no final dos anos 50, quando Portugal era um país fechado, sob um regime ditatorial. “Passou por todas as dificuldades. Imagine-se, em 1957, numa época em que não havia ainda uma compreensão pela maioria das pessoas. Sentiu-se marginalizada, ostracizada, incompreendida, porque falava mal português. Foi uma época muito traumatizante para ela.” Ng Iun Peng teve dez filhos e até acabou por se divorciar do marido português. “É a história de vida de uma pessoa que não é importante, não era nenhuma governadora, mas é a história de uma mulher comum, que se apaixona, casa, tem dez filhos e que faz de tudo para os criar, para que estudem. É um exemplo de vida que merecia ser divulgado.” Nascida numa família budista, Ng Iun Peng tornou-se missionária em Portugal, depois de ter lido uma bíblia. “A história começa que em 1958, pouco tempo depois de estar em Portugal, quando foi a uma feira do livro e encontrou um livro em chinês. Era a única coisa que ela sabia ler, e o senhor ofereceu-lho o livro. Leu essa bíblia como um romance, e depois acabou por aceitá-la com mais fé, e pedia a Cristo que a ajudasse em momentos difíceis, e acabou por se tornar cristã evangélica”, disse a autora. Esta conexão a uma nova religião dá-se em Vila Real, quando surgiu um pastor e um grupo de culto. “Quando foi para Macau com os filhos, acabou mais tarde por se tornar missionária em Cantão.” Maria Helena do Carmo considera que esta é uma história que representa não apenas as dificuldades vividas por tantas mulheres chinesas na época, mas “da mulher em geral, no mundo, quer seja chinesa, muçulmana ou portuguesa”. “Temos em Portugal, ainda hoje, tantas mulheres que sofrem, que têm de arcar com a responsabilidade de criar os filhos, de serem donas de casa e ainda terem de trabalhar para ganhar dinheiro e auxiliar a casa. Acho que esta história é um exemplo para toda a gente”, acrescentou a autora. O lançamento de “A Menina da Casa Grande” aconteceu ontem em Lisboa na Casa de Macau e contou com a presença de Ana Rute Santo, filha de Ng Iun Peng, “uma fonte fundamental para a pesquisa da autora, a par dos irmãos, Joaquim Ng Pereira e Vítor Ng Alves”, descreve-se na nota de apresentação da obra.
Andreia Sofia Silva EventosCCM | Vanessa da Mata em concerto com Orquestra Chinesa de Macau A cantora brasileira Vanessa da Mata sobe ao palco do Centro Cultural no dia 15 de Novembro no âmbito do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. Trata-se de um concerto especial, anunciado depois da primeira divulgação do programa e acontece com a parceria musical da Orquestra Chinesa de Macau O Instituto Cultural (IC) anunciou esta segunda-feira a realização de um concerto, no dia 15 de Novembro, com a cantora brasileira Vanessa da Mata, que promete trazer os ritmos do Brasil e cantá-los ao lado da Orquestra Chinesa de Macau (OCM). O espectáculo integra-se no “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, neste que é o seu sétimo ano de existência. Este evento integra uma série de actividades, onde se inclui o Festival da Lusofonia. O concerto com a cantora brasileira está marcado para as 20h, no Grande Auditório do CCM, sendo que os bilhetes estão à venda desde ontem na Bilheteira de Enjoy Macao com preços a variar entre as 200 e as 400 patacas. Segundo uma nota do IC, Vanessa da Mata é descrita como sendo “uma das vozes mais influentes da música contemporânea brasileira”, bem como uma “cantora e compositora reconhecida pela sua versatilidade artística e pela força emocional das suas obras”. Trata-se de uma artista com “voz inconfundível” e um “estilo marcante”, características que “conquistaram os fãs em todo o mundo, tornando-a uma das principais representantes da música popular brasileira”. Os temas de Vanessa da Mata combinam diversos géneros musicais, nomeadamente MPB (música popular brasileira), R&B, pop, frevo, samba e reggae. O concerto do dia 15 de Novembro será dirigido pelo maestro Zhang Lie, director musical e maestro principal da OCM, que “tem conduzido diversas orquestras em atuações internacionais, recebendo ampla aclamação do público”. “Sob a sua direcção, a OCM interpretará várias canções emblemáticas de Vanessa da Mata, especialmente orquestradas para esta ocasião. Unindo a subtileza e o lirismo da música tradicional chinesa com os ritmos intensos e coloridos do Brasil, oferecerá ao público uma experiência musical transcultural e inesquecível”, descreve ainda o IC. Longa carreira Vanessa da Mata nasceu em 1976 e já lançou oito álbuns de originais. Uma das músicas mais conhecidas do seu longo repertório é “Boa Sorte/Good Luck”, cantada ao lado de Ben Harper, e que alcançou projecção internacional. Nesta actuação em Macau, fica a garantia de que Vanessa da Mata trará “o melhor da música brasileira, cruzando-se no palco com o encanto e a delicadeza sonora da OCM, prometendo uma noite memorável de sonoridades diferentes”. A cantora brasileira lançou, em Maio deste ano, um novo álbum, intitulado “Todas Elas”, sendo que o primeiro single é “Esperança”. Trata-se de uma música que “propõe uma reflexão sobre a expansão amorosa como um todo”, descreve-se no website oficial da artista. Vanessa da Mata acrescenta ainda que “Todas Elas” contém “mais poesia” face a trabalhos anteriores. “A produção é minha, as músicas são todas minhas e terá parcerias maravilhosas, como Robert Glasper, Jota.pê e João Gomes. Robert é americano e considerado o primeiro cara do jazz no mundo, um nome para ficar atento. Uma participação linda do João Gomes em uma música que escrevi, um reggae maravilhoso com o Jota.pê”, descreveu a artista. “Todas Elas” dá também o nome à digressão que a artista tem na estrada. Vanessa da Mata começou a cantar ainda na adolescência, em bares, tendo desistido de fazer o chamado “vestibular”, o exame de acesso ao ensino superior no Brasil, para seguir uma carreira na música. Começou a compor as suas canções, e o encontro com Chico César, aos 21 anos, foi fundamental para dar um passo adiante na sua carreira. O primeiro álbum de Vanessa da Mata chegou em 2004, intitulado “Essa Boneca Tem Manual”.