UCCLA | Sam Hou Fai promete expandir cooperação sino-lusófona

Decorreu esta segunda-feira a 43.ª assembleia-geral da UCCLA – União de Cidades Capitais da Língua Portuguesa, com uma delegação a reunir com Sam Hou Fai. O Chefe do Executivo da RAEM disse, no encontro, que o Governo “irá continuar a expandir plataformas de intercâmbio e cooperação sino-lusófonas” com “influência internacional”

A UCCLA – União de Cidades Capitais da Língua Portuguesa esteve em Macau para realizar a sua 43ª assembleia-geral, que decorreu esta segunda-feira no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Porém, no contexto deste encontro, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu com representantes da delegação da UCCLA.

Citado por uma nota oficial, Sam Hou Fai disse ser “inquestionável o posicionamento [de Macau] enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer e a sua função como plataforma sino-lusófona”. Ficou ainda a promessa de que o Executivo “irá continuar a expandir as plataformas de intercâmbio e cooperação sino-lusófonas de influência internacional”, apostando em “cooperações pragmáticas com diversos países e regiões de língua portuguesa”.

Esta foi a quarta vez que a UCCLA realizou uma assembleia-geral no território, tendo Sam Hou Fai destacado que Macau “foi um dos [territórios] fundadores desta organização”, mantendo “uma cooperação estreita com a UCCLA com vista a promover um desenvolvimento coordenado entre Macau e as diversas cidades de língua portuguesa”.

Sam Hou Fai disse esperar que “os membros da União possam também comprovar os resultados significativos e as profundas mudanças que a RAEM alcançou nos últimos 26 anos desde o seu estabelecimento”.

Rasaque Silvano Manhique, presidente da UCCLA, destacou “as vantagens particulares e contributos significativos de Macau na promoção de cooperação entre as cidades de língua portuguesa, na transmissão da multiculturalidade e no apoio para o intercâmbio e cooperação entre a China e os países de língua portuguesa”.

O responsável adiantou que a UCCLA vai “continuar a aprofundar as relações de cooperação com o território”, esperando criar “uma rede de cooperação mais estreita entre cidades de língua portuguesa, através das suas funções de coordenação transregional e de cooperação externa de cidades”.

Macau preside

Na 43.ª assembleia-geral estiveram 35 representantes e empresários das cidades membros de países de língua portuguesa, designadamente, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, e São Tomé e Príncipe.

Neste encontro, foram eleitos os novos órgãos sociais para o biénio 2026-2028, sendo que a RAEM foi eleita para a presidência da comissão executiva. Foram aprovadas as adesões da cidade de Calumbo, de Ícolo e Bengo, em Angola, e da cidade de Viseu, em Portugal, assim como o Plano de Actividades para este ano.

A UCCLA é uma organização intermunicipal, sem fins lucrativos, que se dedica ao fomento do intercâmbio e da cooperação entre os seus membros em vários domínios. Constituída em 1985, tem entre as cidades fundadoras Bissau, Lisboa, Luanda, Macau, Maputo, Praia, Rio de Janeiro e São Tomé/Água Grande. Actualmente, congrega 106 membros, entre os quais 24 efectivos, 44 associados, 28 apoiantes e 10 observadores.

Segundo a agência Lusa, o secretário-geral da UCCLA, Luís Campos Ferreira, indicou que as cidades lusófonas têm “muito a aprender com a China”.

“A República Popular da China deposita em Macau a sua plataforma para os países de língua portuguesa e, neste caso concreto, para as cidades de língua portuguesa. A China é muito útil e tem muito conhecimento a transmitir. Todos nós temos muito a aprender com a China também”, afirmou. O antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, entre 2013 e 2015, destacou também ser preciso melhorar a cooperação entre cidades lusófonas para além dos campos económicos e culturais.

“O que sentimos é que há uma vontade de colaborar ainda mais, de as cidades partilharem conhecimento umas com as outras, para responder melhor às necessidades dos cidadãos”, afirmou Ferreira. O responsável destacou que a comunicação já existe em várias dimensões, “nomeadamente na cultural e na económica”, mas que precisa de ser reforçada. Com Lusa

15 Abr 2026

Electricidade | Governo analisa novos fornecimentos de energia

Ip Kuong Lam, director da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), garantiu, numa resposta à interpelação escrita da deputada Song Pek Kei, que “no futuro, e à medida que a cooperação entre Macau e Hengqin se for aprofundando, serão estudadas novas modalidades de fornecimento de energia eléctrica adequadas a Macau”.

Actualmente, este fornecimento “ainda se baseia, principalmente, na importação de energia eléctrica do Interior da China, sendo complementado pela produção local”, disse o director, que acrescentou “estarem em curso estudos e o planeamento para a quarta interligação de transmissão de energia eléctrica”. Neste contexto, “não há planos para construção de novas unidades geradoras”.

Song Pek Kei deixou questões sobre a construção de um sistema de energia eléctrica de baixo carbono, tendo Ip Kuong Lam dito que, de momento, “todas as centrais eléctricas locais operam com geradores a gás natural para a produção de electricidade”. “As unidades geradoras a fuelóleo existentes são apenas utilizadas em situações de emergência”. Desta forma, “o novo contrato de concessão de electricidade está em linha com o rumo definido na Estratégia de Descarbonização a Longo Prazo de Macau”.

15 Abr 2026

Aeroporto | Coutinho denuncia falta de estacionamento

O deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo sobre a “crónica falta de lugares de estacionamento no Aeroporto Internacional de Macau”, tendo por base “as muitas opiniões recebidas regularmente” no seu gabinete de cidadãos.

Segundo descreve o deputado na interpelação escrita, os veículos normais e também as viaturas de turismo “são quase sempre forçadas a estacionar temporariamente nas vias adjacentes ou nas entradas e acessos” ao aeroporto, o que causa “engarrafamentos e ocupação de uma das faixas rodoviárias, o que afecta a fluidez do tráfego”.

O deputado entende que “residentes e turistas do interior do continente têm aproveitado as facilidades de transporte da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (HZMB), que proporciona um melhor acesso dos residentes ao Aeroporto Internacional de Hong Kong”. Desta forma, o deputado questiona “que medidas concretas e eficazes estão a ser implementadas para expandir a capacidade de estacionamento do aeroporto, designadamente através da ligação com o parque do Terminal de Pac On”.

15 Abr 2026

“Barra Slow Festival” | Segunda edição traz música e workshops aos Estaleiros Navais

Decorre no fim-de-semana de 1 a 3 de Maio mais uma edição do “Barra Slow Festival”, que aposta no tema do chá como património para a realização de workshops, concertos e eventos culturais nos Estaleiros Navais. Em destaque, a criação de dois espaços em bambu pela mão da dupla de arquitectos João Ó e Rita Machado

A zona da Barra, nomeadamente os Estaleiros Navais junto ao Templo de A-Má, voltam a acolher a segunda edição do “Barra Slow Festival”, uma iniciativa organizada pela União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM, ou Kaifong) e que acontece no fim-de-semana de 1 a 3 de Maio, das 12h às 20h, nos Estaleiros Navais nº 1 e 2. O tema deste ano é “Um Sorvo de Chá, Um Vislumbre do Património”, apresentando-se ao público, pela primeira vez dois mercados, nomeadamente o “Mercado da Cultura Asiática do Chá” e o “Mercado do Património Cultural Imaterial”.

No que diz respeito a eventos culturais, destaca-se a realização do desfile de moda étnica da região de Guizhou, China, intitulado “Village T”, decorrendo depois a iniciativa “Espelho de Água: Cerimónia de Degustação de Chá” guiada por mestres do chá.

O programa do festival inclui ainda “Infuse & Indulge: Cerimónia Culinária do Chá”, bem como duas instalações com bambu, onde se inclui o “Pavilhão do Chá” e o “Palco de Espectáculos do Chá”. O comunicado da organização dá ainda conta da realização, nesse fim-de-semana, de workshops, masterclasses, exposições de design e concertos com entrada gratuita, visando explorar o universo do chá como património.

Nesta edição vão estar representadas “cerca de 40 marcas de chá de várias regiões”, disponibilizando-se ao público bebidas, cocktails e demais produtos ligados ao chá num mercado que decorre nos estaleiros navais. A ideia é mostrar “sabores tradicionais robustos” e “bebidas criativas”, revelando-se “o papel diversificado do chá na vida quotidiana”.

Destaque para o facto de a primeira edição do “Barra Slow Festival” ter sido realizada em Novembro do ano passado, tendo obtido, segundo a organização, “uma resposta esmagadora”.

Com cunho português

Na segunda edição do “Barra Slow Festival” participa a dupla de arquitectos João Ó e Rita Machado com a criação de dois espaços feitos em bambu, nomeadamente o “Pavilhão do Chá” e o “Palco de Espectáculos do Chá”, a fim de “promover ainda mais o chá e o património cultural imaterial”.

Desta forma, o ” Pavilhão do Chá” promete funcionar “como um espaço tranquilo onde os visitantes podem sentar-se e saborear chá”, dando lugar à iniciativa “Espelho de Água: Cerimónia de Degustação de Chá”. Nesta cerimónia “os convidados são servidos por três mestres de chá diferentes, que irão partilhar perspectivas sobre os chás seleccionados durante uma sessão de degustação de uma hora”.

Irá ainda decorrer a “Infuse & Indulge: Cerimónia Culinária do Chá”, uma experiência culinária de dez pratos inspirada no chá e liderada pela chef local Maggie Chiang, formada pelo Le Cordon Bleu. Haverá uma sessão diária deste evento, que combina “a cultura do chá com uma refeição requintada, servida num ambiente envolvente”. Por sua vez, o “Palco de Apresentações do Chá” acolhe “uma série dinâmica de espectáculos e actividades experienciais”.

Relativamente ao desfile de moda étnica, participam mais de 50 marcas locais, sendo que a “Village T” foi fundada GU-A-XIN (Yang Chunlin) em Julho de 2024, tendo já realizado mais de 500 desfiles com a marca, incluindo a participação na Gala do Festival da Primavera da Televisão Central da China (CCTV), a London Fashion Week e New York Fashion Week.

14 Abr 2026

Exposição de fotografia de Greg Girard para ver em Hong Kong

Está patente na Galeria WKM, em Hong Kong, uma nova exposição de fotografia de Greg Girard, que viveu durante vários anos na região vizinha e que retratou, entre outras coisas, a antiga “Kowloon Walled City”, demolida em 1994.

“HKG-TYO 1974-2023” é o nome da exposição individual do fotógrafo canadiano “conhecido pelas fotografias íntimas e cinematográficas de cenas nocturnas urbanas, paisagens urbanas e o quotidiano de trabalhadores e habitantes locais”, descreve a nota oficial sobre a exposição. Nesta mostra, apresentam-se imagens não apenas de Hong Kong mas de outra “casa” de Greg Girard, nomeadamente o Japão, revelando-se “a era de industrialização e crescimento” do país.

Assim, “guiado por uma curiosidade investigativa inabalável e pela apreciação do que é ignorado, as composições exuberantes, encantadoras e, por vezes, melancólicas de Girard capturam a vulnerabilidade e a vitalidade de duas cidades em plena metamorfose”, é descrito.

As fotografias que o público pode ver nesta exposição “oferecem um ponto de acesso à euforia e às dores de crescimento que acabaram por moldar Hong Kong e Tóquio tal como as conhecemos hoje, tornando-se cápsulas do tempo que apontam simultaneamente para o presente e para o futuro”.

De Kowloon a Tóquio

Greg Girard nasceu em Vancouver em 1955, tendo começado a fotografar quando era ainda um aluno do ensino secundário. Depois foi para Hong Kong, Japão e Xangai, tendo ficado “cativado pelas cidades chocantemente futuristas que encontrou”, documentando depois, ao longo da carreira, diversos locais da Ásia numa carreira de fotojornalista.

Em “HKG-TYO 1974-2023” reúnem-se, pela primeira vez, as fotografias de Girard de Hong Kong e Tóquio dos anos 70 até aos dias de hoje, sendo que o primeiro contacto do fotógrafo com a região vizinha aconteceu em 1974. Depois chegou a vez de Tóquio, em 1976.

A mesma nota dá conta de que “as fotografias desta exposição transportam-nos de volta à perspectiva de um descobridor deslumbrado a cartografar território inexplorado”, mostrando-se locais como Shibuya e Shinjuku, com os seus “letreiros intermináveis que deslumbram acima do pavimento húmido” e que servem de “complemento às calçadas repletas de carros do bairro dos bares de Hong Kong”.

São “cidades que nunca dormem e que partilham muitas semelhanças” retratadas nestas fotografias. Não faltam ainda imagens da “fortaleza distópica” da “Cidade Muralhada de Kowloon”, em “Kowloon Walled City from SE Corner”, uma imagem de 1987, que se conjuga com “Platform Conductor, Ikebukuro”, de 1976, uma fotografia que “nos atinge como uma forte rajada de ar à medida que um comboio de metro vermelho reluzente passa a toda a velocidade”. Há ainda “fotografias mais recentes” da série “Snack Sakura”, tiradas entre 2017 e 2025, também relacionadas com estes anos.

14 Abr 2026

Motociclos | Registadas mais de seis mil infracções em 2025

O CPSP aplicou, no ano passado, mais de seis mil infracções a motas que estacionaram de forma ilegal ou que obstruíram a entrada e saída de outros motociclos. Conselheiro do trânsito sugere incentivos para que os residentes consigam estacionar no sítio certo

Continuam elevadas as multas aplicadas aos condutores de motociclos que estacionam onde não podem, e de forma ilegal. Dados fornecidos pelo Corpo de Polícia de Segurança Público (CPSP), e noticiados pelo canal chinês da Rádio Macau, revelam que só no ano passado houve 6095 motociclos que, por estarem mal estacionados, causaram problemas de congestionamento de trânsito, bloqueando acessos ou impedindo a saída de outras motas.

Deste grupo de multas, 664 dizem respeito a motociclos que estacionaram de forma errada, impedindo a saída de outra mota do lugar onde estava estacionada. Os responsáveis do CPSP adiantaram que muitos residentes estacionam os seus motociclos de forma errada, o que faz com que uma mota ocupe dois lugares, obstruindo as faixas adjacentes.

O CPSP explica ainda que, durante as inspecções realizadas pelos agentes, estes analisam o panorama do estacionamento das motas, aplicando multas caso parte da mota esteja a ocupar a outra faixa, obstruindo a circulação no local; ou ainda se as motas estiverem estacionadas de forma a impedir a entrada ou saída de outros motociclos do lugar de estacionamento.

Mais videovigilância

Sobre os lugares onde ocorrem mais infracções do género, o CPSP prometeu comunicar mais com outros departamentos públicos na partilha de informações e opiniões, equacionando a instalação de câmaras de videovigilância ou de detecção de estacionamento ilegal, a fim de melhorar o panorama das multas.

Por seu turno, o membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Wong U Kei, sugeriu que as autoridades lancem ofertas ou acções de promoção em parques de estacionamento a fim de levar os condutores de motociclos a escolher, com prioridade, estes parques para procurarem lugares de estacionamento antes de se deslocarem.

“Podem ser oferecidos mais incentivos aos motociclistas para parques de estacionamento. Recentemente alguns parques públicos oferecem os primeiros 15 ou 30 minutos, o que faz com que os residentes optem pelos parques” ao invés de estacionarem na rua. O responsável acrescentou que os incentivos, como minutos gratuitos ou outros, evitam que “um lugar de estacionamento fique ocupado com dois motociclos”, podendo até “mudar os hábitos de deslocação”.

“Eu sou um desses exemplos, porque antes de me deslocar procuro sempre ver onde há vagas de estacionamento para motos”, disse Wong U Kei.

14 Abr 2026

Visita Sam Hou Fai | Esperado novo impulso na cooperação

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, chega a Portugal esta semana, com promessas de maior cooperação na bagagem. A economista Maria Fernanda Ilhéu pede facilitação do processo de residência para portugueses, enquanto Bernardo Mendia, secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa diz que podem sair “resultados diferentes, mas complementares” das passagens por Madrid e Lisboa

O que esperar daquela que é a primeira visita oficial de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, a Portugal e Espanha, nessa qualidade de governante? Muita coisa, sobretudo maior proximidade empresarial no âmbito do relacionamento entre Portugal e China, sem esquecer áreas como a tecnologia e investigação, segundo afirmaram ao HM dois analistas.

A economista Maria Fernanda Ilhéu, presidente da Associação Novos Amigos da Rota da Seda (ANRS), espera que a visita “contribua para desenvolver um enquadramento favorável à cooperação sustentada entre as universidades e os centros de investigação científica portugueses”, com ligação a Macau, podendo existir maior “intercâmbio de alunos, professores e investigadores”.

Tudo com o “objectivo de aprofundar a colaboração inovadora da Indústria-Universidade-Investigação, de Portugal com Macau e com o Interior da China”.

Sam Hou Fai chega a Lisboa este sábado, estando programados encontros com dirigentes políticos e protocolos entre empresas. No âmbito desta visita ,decorre na segunda-feira, dia 20, um encontro intitulado “Iniciativas Macau – China – Portugal”, com uma “Sessão de Promoção de Cooperação Económica e Comercial Macau–Portugal”, no período da manhã e, à tarde, a sessão “Encontro em Shenzhen – Ano da China da APEC 2026 (edição dedicada a Portugal)”. Estes dois eventos são co-organizados pela Câmara de Comércio Luso-Chinesa (CCLC).

Bernardo Mendia, secretário-geral da CCLC, descreve ao HM que a visita de Sam Hou Fai reveste-se de “significado institucional”, destacando o facto de “todos os Chefes do Executivo da RAEM, desde a sua criação, terem escolhido Portugal como o primeiro destino de visita oficial fora da Ásia”. Trata-se de uma “tradição não é meramente protocolar”, mas que “é o reconhecimento explícito de que Portugal ocupa um lugar central e insubstituível na política externa e na identidade de Macau”.

No caso da viagem de Sam Hou Fai, “era esperada desde a primeira metade de 2025, tendo sido adiada duas vezes, primeiro devido às eleições legislativas em Portugal, depois por compromissos do próprio Governo de Macau. O facto de se ter insistido na sua realização, logo no primeiro semestre do mandato, demonstra que Lisboa continua a ser a prioridade diplomática para o novo Chefe do Executivo”, lembrou.

Mais perto

Para Bernardo Mendia, esta visita “ocorre num contexto de reaproximação entre a China e o sul da Europa”, numa altura em que Macau “se está a posicionar como parte de um movimento coordenado de aproximação, alargando o seu papel tradicional de plataforma para os países de língua portuguesa também ao espaço hispano-americano”.

O secretário-geral da CCLC lembra que, para Portugal, esta aproximação ao universo espanhol “não é o ideal, uma vez que dilui a nossa relevância no contexto da competição pelo IDE [Investimento Directo Estrangeiro] chinês e colocação dos nossos produtos na China”. Porém, também podem “surgir oportunidades neste novo contexto, considerando a abundância de território e recursos existentes nos países de expressão espanhola em conjugação com a posição e experiência das empresas e entidades portuguesas em Macau”.

Tendo em conta este relacionamento chinês com Portugal e Espanha, da visita de Sam Hou Fai podem sair “conclusões diferentes, mas complementares”, entende Bernardo Mendia. “Em Portugal, [a visita] será lida como um reforço da função de plataforma e um gesto de continuidade institucional. Em Espanha, será interpretada num quadro mais amplo: o de Madrid como porta de entrada para a China no sul da Europa e de ponte para os mercados hispano-americanos, algo que poderá alinhar como a própria estratégia de Macau”, analisou.

Pragmatismo precisa-se

Bernardo Mendia pede ainda que haja uma “modernização pragmática da cooperação” entre Portugal e Macau”, devendo o país “olhar para além do valioso legado histórico e focar-se em sectores de futuro, como a economia azul, a transição energética e a alta tecnologia”.

Assim, “a criação de plataformas de inovação entre universidades e empresas de ambas as partes, focadas em áreas como a inteligência artificial e as biociências, será determinante para capitalizar o potencial que ainda temos por explorar”, destaca Bernardo Mendia, um pouco à semelhança do que defende Maria Fernanda Ilhéu.

O secretário-geral da CCLC diz ser “fundamental o reforço do papel do Fórum Macau e a criaçāo de mecanismos que facilitem a mobilidade de talentos e empresários”, cabendo depois às câmaras de comércio “intensificar as missões empresariais sectoriais”.

Mais vistos

Maria Fernanda Ilhéu espera ainda que a visita de Sam Hou Fai possa abrir “uma via diplomática para que os vistos de permanência para cidadãos portugueses qualificados naquele território sejam facilitados, não só pela perspectiva de construção na RAEM como um ‘centro internacional de talentos de alto nível’, mas também tendo em consideração o que foi estipulado na Declaração Conjunta”, recorda.

A economista, que viveu em Macau, destaca que “os vistos de residência em Macau para portugueses tornaram-se, desde Agosto de 2023, mais difíceis, sendo estes agora tratados como outros estrangeiros”, sendo “enquadrados no reagrupamento familiar ou posse de competências técnicas muito específicas”, ficando equiparados a outros “blue cards”.

Para a responsável, “este comportamento administrativo parece desajustdo com os objectivos do Plano Quinquenal de Macau para os próximos cinco anos e o convite do governo de Macau faz para as empresas e outras instituições portuguesas, nomeadamente académicas e desenvolvimento científico participem no desenvolvimento da Zona de Hengqin”.

14 Abr 2026

Visita a Portugal | Sam Hou Fai quer assinar 39 protocolos

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, chega a Lisboa este sábado para a primeira visita oficial ao país nessa condição. Em entrevista à TDM, disse que serão assinados 39 protocolos numa viagem marcada por encontros com os mais altos dirigentes políticos portugueses e com o México debaixo de olho

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, leva a agenda cheia naquela que é a sua primeira viagem a Portugal e Espanha na condição de governante máximo de Macau. Na sua deslocação à Europa, não faltarão passagens por Bruxelas e Genebra. O itenerário foi referido pelo próprio em entrevista à TDM, descrevendo que, consigo, leva uma delegação de 120 empresários e representantes de mais 20 empresas da região da Grande Baía, onde Macau se integra.

Segundo foi noticiado pelo Canal Macau e Rádio Macau da TDM, Sam Hou Fai adiantou que haverá encontros políticos, abordando-se ainda a cooperação económica e comercial, devendo ser assinados 39 protocolos “com entidades ou empresas de Portugal, abrangendo-se diversos domínios como o comércio e a economia, a plataforma sino-portuguesa, a educação, a cultura, o turismo, a formação de quadros qualificados, a Big Health e a tecnologia de ponta”, disse o governante.

Ainda não é conhecida a agenda da visita em Lisboa, mas a TDM noticiou que estão previstas reuniões ou encontros com o Presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro Luís Montenegro e José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República.

Tribunais mais próximos

Sam Hou Fai não quis adiantar na entrevista a data da realização da nova reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, que será a sétima. “Os trabalhos preparatórios foram iniciados no ano passado, mas a sua realização foi adiada devido a vários factores. O Governo da RAEM está a coordenar estreitamente os trabalhos com as autoridades portuguesas, a data exacta e a agenda serão anunciadas oportunamente”, disse.

Nesta viagem, está presente o objectivo de reforçar a cooperação judiciária com Portugal, estando na calha encontros com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

“Vamos discutir o reforço contínuo do intercâmbio e da cooperação bilateral no domínio judicial. A par disso, esperamos ainda obter um maior progresso na assinatura do acordo de cooperação judiciária”, referiu. Sam Hou Fai, que durante mais de 20 anos presidiu ao Tribunal de Última Instância, descreveu que “os tribunais de Macau têm tido um bom funcionamento, sendo a independência judicial amplamente reconhecida e o contributo dos juízes portugueses tem sido importante”.

Olhar a América Latina

“Para além de empresas de Macau e de Hengqin, participam mais de 20 empresas de renome da Grande Baía e de outras províncias da China. Sendo esta a primeira vez que o Governo organiza uma visita com um formato mais abrangente, estou convicto de que podemos apoiar e potenciar melhor a função de Macau como ‘elo de ligação infalível’ entre a China e os países de língua portuguesa”, acrescentou na entrevista.

Tendo em conta que os países de língua espanhola já fazem parte da equação política no que diz respeito à cooperação económica de Macau está na calha o aprofundar de relações com Espanha, tendo o México e o Brasil no horizonte.

Madrid, capital espanhola, entra nesta viagem entre os dias 21 e 23. “Tanto a Espanha como Macau são destinos turísticos de renome a nível internacional e ambos têm um grande espaço de cooperação na área do turismo”, disse, estando prevista a realização de “uma grande campanha de promoção turística em Madrid, com o objectivo de atrair turistas espanhóis e internacionais a visitarem Macau”. Contar-se-ão também dez protocolos assinados com empresas e entidades espanholas. Em relação ao México, Sam Hou Fai disse que “a população total de todos os países de língua espanhola é de aproximadamente 600 milhões, o que representa um mercado de grande potencial”, sendo que “o reforço do intercâmbio e da cooperação com Espanha é apenas o início”.

“Posteriormente será alargado a outros países de língua espanhola, como por exemplo o México”, frisou, admitindo que pode ainda acontecer uma viagem ao Brasil.

13 Abr 2026

Creative Macau | Nova exposição de fotografia a partir de domingo

É inaugurada este domingo, dia 12, uma nova exposição de fotografia na Creative Macau. “Human Presence” é organizada pela Halftone – Associação Fotográfica de Macau, e pode ser visitada até ao dia 5 de Maio, reunindo trabalhos de 14 membros da associação que se dedicam à fotografia de forma profissional ou amadora. Na mostra constam nomes como Carmen Serejo, Cristiana Figueiredo, Elói Scarva, Francisco Ricarte, Henry – Chao Kai Hang, Inela Kovacevic ou João Palla, entre outros.

Segundo uma nota oficial, é oferecida ao público “a interpretação [dos fotógrafos] do tema, contribuindo para uma colecção rica e visualmente diversificada”. Neste caso, o tema é a “presença humana” nomeadamente em “sociedades caracterizadas por uma variedade de expressões e representações culturais”.

Desta forma, o “foco [das imagens] vai desde a individualidade da figura humana até às formas como os indivíduos pertencem a comunidades, ambientes ou paisagens urbanas”. Esta exposição traz, assim, “um amplo espectro visual e estético, apresentando fotografia tradicional, contemporânea e conceptual, tanto a preto e branco como a cores”.

Convida-se, assim, o público a “reflectir sobre a importância da ‘Presença Humana’ na formação das sociedades e das identidades culturais”.

10 Abr 2026

Livro | Obra de Huang Qichen sobre História de Macau editada em português

“História Geral de Macau” é a tradução para português de um livro editado nos anos 90 e agora revista. O académico Huang Qichen imprimiu nela os principais acontecimentos da história do território desde o tempo das dinastias imperiais até 2019, contando-se, sob a perspectiva chinesa, muitos detalhes da administração portuguesa e do relacionamento com os chineses. A obra, editada pela Caminho, foi lançada no CCCM esta quarta-feira

O Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) acolheu esta quarta-feira o lançamento de “História Geral de Macau – Desde a Antiguidade até 2019”, da autoria de Huang Qichen, e que ganha agora tradução para português graças ao trabalho de seis anos da professora Hu Jing. A edição no mercado editorial português esteve a cargo da Caminho, na figura de Zeferino Coelho, contando com revisão do professor Carlos Ascenso André.

Na apresentação, Zeferino Coelho, editor das obras do Prémio Nobel José Saramago, destacou a importância de ter uma obra deste género no mercado português. “Talvez há cinco anos recebemos na Leya [grupo editorial a que pertence a Caminho] uma proposta de edição da História Geral de Macau. Perguntaram-me se me interessava por isso, e eu disse que sim, sobretudo porque era um chinês a escrever sobre a história de Macau. Nunca tinha visto o que os chineses escrevem acerca da história de Macau”, descreveu.

Zeferino Coelho disse que “as coisas levaram o seu tempo, pois queria fazer uma coisa bem feita, e não em cima do joelho”, tendo o processo sido “acompanhado quase linha a linha”. “Estou muito feliz com a edição deste livro, porque não sendo historiador ou competente para falar do [conteúdo do] livro, li-o com muito gosto e parece-me de fácil leitura. É um livro de divulgação e não propriamente de investigação histórica, dando-nos aquilo que precisamos de saber, com os aspectos mais e menos agradáveis da nossa passagem por Macau. A verdade é para ser dita e deve ser entendida por todos nós”, apontou.

A sessão contou com comentários do professor Jorge Santos Alves, coordenador do Instituto de Estudos Asiáticos da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Este descreveu uma obra que “está a meio caminho entre o que costumo chamar de divulgação séria e trabalho académico”, estando também “muito satisfeito com o trabalho de tradução”, pois não se trata “de uma tradução literal ou trabalhada para um público português/ocidental”.

Novas perspectivas

Jorge Santos Alves referiu ter conhecido Huang Qichen em 1992, numa conferência que procurou reunir, na Casa Garden, em Macau, historiadores e académicos portugueses e chineses em torno da história do território.

“Não me surpreende que mais tarde, em 1999, Huang Qichen tenha editado uma história geral de Macau”, destacando esta edição agora, que constitui “o regresso de Macau ao panorama editorial comercial de Portugal”. “Na perspectiva do utilizador, é muito interessante poder contar com uma perspectiva historiográfica completamente diferente das perspectivas historiográficas ocidentais e, em particular, a portuguesa”, adiantou o docente da UCP. “Acho muito bom que os historiadores portugueses tenham contacto com a cultural dos colegas chineses, e se a tradução for como esta, tanto melhor.”

Contra mitos

Jorge Santos Alves elencou oito pontos importantes desta obra, que faz o leitor reflectir sobre a questão de Macau, as questões de soberania ou mera transferência de poderes de Portugal para a China, em 1999; ou ainda o relacionamento entre as comunidades portuguesa, macaense e chinesa.

O docente da UCP destacou, desde logo, a cronologia escolhida por Huang Qichen, focada nas dinastias do antigo império. A obra passa, portanto, pela posição de Macau no tempo das dinastias Ming e Qing, indo depois ao período republicano e até 1949, quando é fundada a República Popular da China. Seguem-se os meados do século XX e depois os anos posteriores à transição de 1999.

Jorge Santos Alves referiu outro ponto importante do livro, pelo facto de este apontar para a questão da “fundação de Macau”. “Uma das coisas que a academia chinesa faz há vários anos é recusar a ideia do mito fundacional de Macau, a ideia de que Macau não existia e que era, portanto, um pequeno porto piscatório que, de repente, foi projectado como um porto a partir do momento em que os portugueses chegam a Macau, vamos dizer por volta de 1555 ou 1557. Ora, o que o professor Huang nos mostra, e que está dentro da linha historiográfica chinesa, e que sabemos que, historiograficamente está correto, é que não há nenhuma fundação de Macau e que há, sim, toda uma linha de continuidade da presença humana, rural, comercial e também cosmopolita naquilo a que hoje chamamos Macau”, desde os tempos da antiguidade.

Deu-se depois um grande desenvolvimento no território a partir dos séculos XII e XIII, sobretudo na dinastia Ming, com Macau a tornar-se, nesses anos, “um ponto de apoio e de espera de todos os comerciantes que iam fazer negócio a Cantão”, sendo “oficialmente o porto aberto para o comércio com o grande império”.

A obra de Huang Qichen explora ainda “a ideia de que Macau é um território chinês sob administração portuguesa”, enfatizando que “Macau foi sempre, na sua essência, um território chinês”.

“Sabemos que, até do ponto de vista arquitectónico, Macau foi sempre uma cidade chinesa, e até ao século XIX falamos de uma cidade de matriz chinesa, cuja população era maioritariamente chinesa”, descreveu o docente, lembrando que o dinheiro que circulava também era chinês e onde “os principais agentes e grupos sociais e políticos eram chineses, em estreita ligação com a comunidade macaense, que foi absolutamente decisiva”.

Houve, depois, “outros agentes, a que chamaríamos metropolitanos, e que, na altura, se chamavam reinóis”. Jorge Santos Alves lembrou que “os macaenses foram, juntamente com os agentes chineses, absolutamente extraordinários para a sobrevivência de Macau”, sendo um ponto que sobressai da leitura de “História Geral de Macau”.

Que soberania?

O docente da UCP lembrou também que esta obra faz referência “à ideia de que Portugal exerceu apenas um direito de administração”, sobre o território, não sendo, portanto, uma “soberania colectiva”.

“Uma das coisas interessantes é o facto de, ao longo da obra, o professor Huang Qichen insistir na ideia de que tudo se fez através do pagamento de uma taxa de aluguer (palavras dele) no arrendamento [territorial]. Sabemos, pela documentação portuguesa, do chamado pagamento do foro de chão”, referiu Jorge Santos Alves. Foram estes pagamentos que cimentaram as relações comerciais entre os portugueses e as autoridades imperiais da dinastia Ming, algo que pode ser analisado à lupa na “História Geral de Macau”.

O livro de Huang Qichen olha ainda para outras matérias, nomeadamente os vários acordos comerciais que portugueses e chineses tentaram assinar a propósito do estabelecimento dos portugueses em Macau, incluindo o Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português, a 1 de Dezembro de 1887.

Na visão de Jorge Santos Alves, “é muito interessante ver que também na perspectiva chinesa é a partir do século XIX que a presença portuguesa [em Macau] adquire uma outra característica ou modalidade, devendo ser vista no contexto mais amplo daquilo que foi o século da humilhação da China, iniciado após a Primeira Guerra Mundial, como talvez já tenham ouvido”, considerou.

Houve, depois, “um conjunto de tratados desiguais impostos à China por potências identitárias, incluindo os EUA, para poder, digamos, exercer direitos de soberania e outros relativamente a alguns territórios circunscritos”, adiantou o professor.

Essencialmente, o que Huang Qichen faz na sua “História Geral de Macau”, agora traduzida, é referir “que há uma continuidade de relações pacíficas e harmoniosas entre Portugal e a China em Macau”, tirando alguns momentos “de maior tensão”.

“Ele fala, o que me parece muito bem, do destaque da comunidade macaense, da qual muitas vezes nos esquecemos, e fazemos muito mal em nos esquecermos dela”, disse Jorge Santos Alves, que destacou também o facto de o autor da obra encarar como “aspecto positivo” Macau ser “um espaço de intercâmbio”, de “expressão sino-ocidental”.

O que os leitores podem encontrar “é uma leitura muito equilibrada da parte do professor Huang Qichen, que vê Macau como uma espécie de laboratório de interacção cultural”. Sobre a transição propriamente dita, em 1999, Huang Qichen interpreta-o como sendo “o evento da como a restauração da soberania chinesa e não como uma simples transferência de soberanias”, quando Macau “regressou à terra”.

“Repare-se no termo usado pela professora Hu Jiang [na tradução], o regresso de Macau à terra-mãe chinesa. Este ponto é essencial na narrativa contemporânea e, também, de Huang Qichen, do regresso de Macau à China após, segundo palavras dele, um período histórico anónimo, mas longo.”

10 Abr 2026

Calçada portuguesa | Defendida mudança mantendo traços originais

O arquitecto Tiago Aleixo, que na Câmara Municipal de Lisboa esteve ligado a projectos de renovação da calçada portuguesa, defende que é possível uma substituição em prol de maior segurança sem que se alterem traços históricos e fala dos casos bem-sucedidos em Lisboa

“Macau quer substituir calçada portuguesa por ser perigosa quando molhada. Este assunto não é novidade em Lisboa, pois na altura em que entrei para a Equipa do Plano de Acessibilidades, já se falava deste assunto.” Foi desta forma que o arquitecto Tiago Aleixo comentou, nas redes sociais, uma notícia de que, em Macau, se pretende substituir a calçada portuguesa em algumas zonas por questões de segurança.

A notícia foi avançada pela Lusa e data de Março. Para o arquitecto, que trabalha na Câmara Municipal de Lisboa (CML) e esteve envolvido em projectos de renovação da calçada portuguesa na capital, é possível uma substituição sem que se destruam os traços históricos e criativos deste tipo de pavimento tipicamente português.

“Continuo a dizer que a estrada evoluiu dos cubos de basalto para os betuminosos, e porque não evoluem os passeios das calçadas para lajetas, por exemplo?”, questionou na mesma publicação, feita na rede social Linkedin. Contactado pelo HM, o arquitecto adiantou que “a calçada portuguesa é um tema muito interessante e controverso”, existindo a calçada artística portuguesa, com “a mistura de duas pedras cromaticamente diferentes, e que são colocadas com mestria” e depois a calçada regular, “sem desenhos ou padrões”.

“Calçada é escorregadia”

No caso de Lisboa, o arquitecto descreve que “não se pretende radicalizar a calçada artística, que deve ser mantida e preservada”, mas cita dados que falam da perigosidade deste tipo de pavimento. “A calçada é escorregadia e provoca quedas gravíssimas, principalmente na geração mais idosa. Também para quem anda de cadeira de rodas a trepidação traz um desconforto imenso e dores. Vê-se regularmente pessoas em cadeira de rodas a preferirem o perigo de andarem na estrada em vez de andarem nos passeios pelo desconforto que a calçada produz. Temos, portanto, um problema que tem de ser resolvido”, disse.

Tiago Aleixo citou ainda dados do Plano de Acessibilidade Pedonal, da CML, quando se ouviram cerca de 200 pessoas com mais de 55 anos. Verificou-se que “metade destes já tinham caído no passeio e 92 por cento tinham medo de cair e achavam que o passeio era desconfortável”, segundo o documento.

Assim, Tiago Aleixo explica que o que foi feito em Lisboa, nomeadamente na Avenida da República, foi “criar um percurso confortável e seguro com uma largura de 1,5 metros”, sendo usados “materiais que não escorregam, como lajetas com inerte à vista ou betão branco desactivado”. Depois, “à volta deste percurso a calçada pode coexistir”, descreveu.

“Este percurso confortável é também um percurso acessível, querendo isto dizer que não pode ter qualquer obstáculo ou degrau em toda a sua extensão. Quando existe este tipo de percurso, vemos recorrentemente as pessoas a preferirem andar nele em vez de andar na calçada”, adiantou ao HM.

Para Tiago Aleixo, tanto nos casos de Lisboa como de Macau “há muitas alternativas à calçada”, mas “o mais difícil será aceitar a primeira troca por outros materiais com maior aderência e superfícies mais regulares”. O arquitecto acredita mesmo que “a calçada pode sempre coexistir com os outros materiais”.

Tiago Aleixo descreve que o padrão da calçada artística portuguesa mais conhecida é o “Mar Largo”, replicado no “Calçadão” do Rio de Janeiro e também em Macau. O arquitecto considera que existe “muita informação” sobre a calçada portuguesa, escrevendo-se “pouco sobre o quanto pode ser perigoso andar nela e quanto é desconfortável andar” nela.

No que diz respeito à notícia adiantada pela Lusa, o Instituto para os Assuntos Municipais adiantou que a calçada poderá ser substituída em certas zonas por materiais antiderrapantes, mas mantendo “o padrão e design original”. Este organismo diz que vai proceder a alterações depois de avaliar a “utilização das rodovias e os fatores ambientais em diferentes locais”, além da “paisagem e a cultura urbana” de Macau.

A calçada portuguesa foi substituída, recentemente, em algumas zonas da cidade, nomeadamente na praça de Ferreira do Amaral. O IAM disse ainda que irá seleccionar os materiais de “acordo com diferentes situações”.

10 Abr 2026

Casa de Macau | A vida de Gonzaga Gomes nos livros e a ligação à União Nacional

Foi na Casa de Macau em Lisboa, esta terça-feira, que se recordou o professor, sinólogo, jornalista e tradutor Luís Gonzaga Gomes, que deixou uma extensa obra em português sobre Macau e, sobretudo, sobre os chineses. Jorge Rangel lembrou a sua ligação à União Nacional e histórias de infância com esta figura histórica, enquanto António Aresta, autor e ex-docente, defendeu a reedição total da obra completa desta personalidade macaense

Fotos: Armando Cardoso

Depois de Luís Gonzaga Gomes, falecido em 1976, ter sido lembrado na última edição do Festival Literário Rota das Letras, foi a vez de a Casa de Macau em Lisboa lhe prestar homenagem por ocasião dos 50 anos da morte desta personalidade macaense ligada às artes, letras e música, que deixou vasta obra e procurou aprofundar as relações entre chineses e portugueses, traduzindo muitas coisas do chinês ou escrevendo sobre a cultura do país do Meio. Luís Gonzaga Gomes dá mesmo nome a uma escola, a Escola Secundária Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes.

A sessão na Casa de Macau contou com Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), que recordou histórias de infância com Gonzaga Gomes: primeiro a ter aulas de violino ainda criança na sua casa, bem perto da zona do Tap Seac; e depois como seu aluno no liceu.

“Ele tinha uma irmã, Margarida Gomes, que foi minha professora de violino. Eu morava num edifício onde fica agora o Arquivo Histórico de Macau, era ali a casa dos meus avós. Treinava quatro vezes por semana, todas as tardes, e era ainda um miúdo quando, com sete ou oito anos, ia com o meu violino, que pesava bastante. Ia para um bairro muito simpático, com oito vivendas, e numa destas estava Luís Gonzaga Gomes com a irmã, ele solteirão, ela solteirona.”

As conversas entre o pequeno Rangel e Gonzaga Gomes aconteciam enquanto o primeiro esperava pela lição, onde levaria com a varinha nos dedos sempre que se enganava nas notas musicais. “Era uma figura notável desde miúdo. Aprendi muito com o Gonzaga Gomes. Foi um privilégio notável”, adiantou Jorge Rangel.

Nos tempos em que se podia jogar à bola junto ao Tap Seac, “onde, de vez em quando, passava um carro”, Jorge Rangel cresceu e recorda destes tempos um Gonzaga Gomes “fechado, reservado, que só se abria quando confiava no seu interlocutor”.

“Admirava a sua colecção de arte chinesa, a sua colecção de música. Tinha uma sala só para ouvir música, o que era raro na altura, ter tanta música em casa. Ele tinha um ouvido extraordinário e conversávamos muito sobre arte chinesa, música e a memória de Macau.”

Apesar de só ter o equivalente ao nono ano dos liceus, Luís Gonzaga Gomes foi professor do liceu, tendo dado aulas a Jorge Rangel. Novamente a relação, já na qualidade de professor-aluno, floresceu nos corredores da escola, por onde a conversa floresceu.

“O Gonzaga Gomes tinha habilitações formais ao que hoje é 9.º ano. Era um ‘self made man’, um homem que estudou muito. Leu muito, e com estas habilitações foi professor de liceu”, disse. Jorge Rangel deixou Macau no seu sétimo ano para estudar fora e, quando regressou, já Luís Gonzaga Gomes estava no fim da vida. Mantiveram correspondência.

A ligação “natural” à União Nacional

O presidente do IIM não deixou de destacar, na sessão, a ligação de Gonzaga Gomes à União Nacional, partido único do regime do Estado Novo, que vigorou em Portugal entre 1933 e 1974 e, por extensão, a todas as colónias.

“[Gonzaga Gomes] só me falou com muito entusiasmo da sua ligação ao Rotary Clube de Macau, o que é curioso, porque ele não se meteu muito na política, embora tenha sido vogal na União Nacional. Não há que ocultar estas coisas e ele assumiu, com toda a convicção, a sua participação em tudo.”

Jorge Rangel destaca, aliás, que apoiar o regime salazarista e, depois, marcelista fazia parte de ser macaense, do sentido de pertença a Portugal.

“Ele não tinha complexo nenhum e assumiu tudo com a maior abertura. É um aspecto que vale a pena referir e acentuar, porque vejo algumas biografias dele que, sem razão, tentam ocultar alguns aspectos que hoje seriam menos compreensíveis.”

Assim, na visão de Jorge Rangel, “há um tempo de Portugal que passou, são tempos diferentes”. “Para as pessoas que estavam em Macau, naquele tempo, tudo o que eram instituições de Portugal eram valorizadas, e os dirigentes políticos eram respeitados tal como eram. Era assim que, em Macau, sentíamos Portugal”, acrescentou.

Jorge Rangel deu mesmo o exemplo da sua pertença à Mocidade Portuguesa, a que “pertenceu muito activamente”. “Desde miúdos que nos era incutida esta ideia de que Portugal era representado por senhores maiores, mortos ou vivos, e representado por instituições ligadas ao Estado, que já existiram e que continuavam a existir, e foi assim até 1974. Não há que ocultar nada sem nenhum receio e com toda a convicção aquilo em que acreditámos nos nossos anos de juventude.”

Neste contexto, “Luís Gonzaga Gomes habituou-se a ver Portugal à distância, mas sentiu tudo, com toda a sua multiplicidade, no pensamento e sentimento, sempre ligado a Portugal, apesar de ser um grande promotor da relação luso-chinesa”.

Reedição necessária

António Aresta, antigo docente de Filosofia em Macau e autor de diversas obras sobre Macau, nomeadamente “Figuras de Jade”, que já vai no quarto volume, falou de Gonzaga Gomes como alguém muito focado no estudo, trabalho e pensamento, a quem sobrou pouco tempo para períodos de lazer. “Luís Gonzaga Gomes é uma personalidade que me fascina, uma pessoa misteriosa”, disse o autor de “uma pequena biografia sobre o seu pai, Joaquim Gomes, professor primário que era uma pessoa exuberante, um bom vivão”.

O filho saiu bem mais discreto. “Parece que Gonzaga Gomes não herdou esta faceta de bom vivão do pai, tendo ficado uma pessoa muito austera, muito fechada em si mesma, estudiosa, uma personalidade que dá gosto de estudar. Pergunto se ele teve tempo para viver, pois só estudou.”

Porém, o trabalho intenso de Gonzaga Gomes “não o fechou do espaço de sociabilidade com as comunidades macaense e portuguesa”, pois “pertenceu a todas e mais algumas associações de Macau, como clubes ou círculos culturais”. António Aresta deixou ainda um repto: a reedição da obra completa de Luís Gonzaga Gomes. “Era preciso planear a organização da sua obra completa, pois temos edições avulso, já esgotadas.”

9 Abr 2026

Consumo | Inflação e habitação baixam no índice de confiança

O mais recente Índice de Confiança de Consumidores da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau revela uma quebra em termos trimestrais, destacando-se a menor confiança nas áreas do emprego ou habitação. Analistas pedem a atenção do Governo na elaboração de políticas de garantia dos rendimentos da população

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na siga inglesa) acaba de publicar o mais recente Índice de Confiança dos Consumidores relativo ao primeiro trimestre deste ano, revelando-se uma ligeira queda desta confiança em termos trimestrais.

O Índice foi, assim, de 96,78 pontos, verificando-se uma redução de 0,77 pontos em comparação com o trimestre anterior, de 2025. Mostra, segundo um comunicado da MUST, que o nível de confiança dos consumidores locais sofreu “uma redução de forma moderada”; verificando-se uma “confiança fraca e pouco restringida”. Significa isto que “os residentes mantêm uma perspectiva prudente” face à economia.

O Índice vai de 0 a 200, sendo que 0 representa “total falta de confiança”, 100 representa “mais ou menos confiança, sem sentimento” e 200 representa “total confiança”. Ou seja, um critério que fique abaixo de 100 indica “falta de confiança”, enquanto acima de 100 significa “ter confiança”.

Foram analisadas seis categorias, tendo-se registado três subidas e três quebras. Nas subidas, destaca-se a compra de habitação, que ficou nos 106,24 pontos, um aumento de 2,47 por cento em termos trimestrais, já que no último trimestre de 2025 o Índice neste campo foi de 103,68.

No que diz respeito à confiança na economia local, o Índice ficou nos 91,15 pontos, aumentando 0,39 por cento em comparação aos 90,80 pontos do trimestre anterior. Os pontos no investimento de acções foram de 110,57 mais 0,38 por cento em termos trimestrais, quando se registaram 110,15 pontos.

Emprego em queda

Um dos três critérios que baixou foi a confiança no emprego, registando-se, no primeiro trimestre deste ano, 89,62, uma redução de 0,72 por cento em comparação com 90,27 no trimestre anterior. Os pontos registados no Índice para os padrões de vida foram de 95,79 por cento, menos 4,80 por cento em comparação com os 100,62 pontos do último trimestre de 2025. Os pontos nos preços, ou seja, ao nível da inflação, foram de 87,29 por cento, menos 2,81 por cento em comparação com os 89,81 pontos do trimestre anterior.

Segundos analistas que realizaram o Índice, estes resultados demonstram que os residentes ainda têm dúvidas sobre o panorama macroeconómico local e a estabilidade dos seus rendimentos, o que afecta a recuperação da confiança ao nível do consumo.

Na mesma nota da MUST, são também destacadas questões que influenciam estes dados, como “as mudanças no ambiente externo que continuam a aprofundar-se, o ritmo de crescimento económico global com sinais de fragilidade” ou ainda “as disputas geopolíticas e os conflitos económicos e comerciais que ocorrem frequentemente”.

É destacado ainda que “o desempenho económico das principais economias apresenta tendências divergentes”, existindo “incerteza quanto às tendências da inflação e ajustamentos da política monetária”. Além disso, a “economia da China, em geral, opera de forma estável e com progressos constantes, mas ainda enfrenta múltiplos problemas e desafios, tal como a oferta forte e a procura fraca e impactos externos”, é referido.

Para Macau, a equipa conclui que é necessário continuar a observar a evolução em termos de emprego, dos preços e dos rendimentos dos residentes, para que a confiança dos consumidores possa atingir gradualmente um nível mais neutro. O estudo para o Índice foi realizado entre 1 e 16 de Março deste ano, tendo sido recolhidos 807 inquiridos dos residentes locais com idades acima de 18 anos.

9 Abr 2026

Hengqin | Jorge Rangel diz que “Macau está a integrar-se rapidamente”

O presidente do Instituto Internacional de Macau, Jorge Rangel, e antigo secretário adjunto, defendeu em Lisboa que “Macau está a integrar-se muito rapidamente” no país, e que “tudo o que queríamos conservar e manter, o vamos fazendo com muita dificuldade”

Jorge Rangel, antigo secretário adjunto na administração de Rocha Vieira, e actual presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), defendeu esta terça-feira, num evento em Lisboa, que “Macau está a integrar-se rapidamente” e que o passo seguinte é Hengqin, embora nem todos queiram mudar-se.

“A China sempre soube jogar com o tempo para crescer muito depressa, e Macau está a mudar depressa. É preciso ter isto em conta, e tudo aquilo que queríamos conservar e manter vamos fazendo com muita dificuldade”, destacou.

Jorge Rangel lembrou que “a palavra de ordem” no último Plano Quinquenal chinês, apresentado na Assembleia Popular Nacional, em Pequim, e “uma das prioridades” foi “acelerar a integração de Macau na zona vizinha de Macau, Hengqin, a ilha da montanha”. O responsável destacou que lá “existe um grande complexo habitacional, com edifícios e escritórios, completamente vazios, onde pouca gente quer estar”.

“Estão a tentar estimular as pessoas a ir para lá, mas a alma ainda está do outro lado. A directiva é esta: rapidamente e em força para Hengqin, passe a expressão. É uma batalha muito difícil, para nós e para a comunidade”, referindo-se à comunidade macaense.

A diluição inevitável

No mesmo evento, que visou homenagear Luís Gonzaga Gomes a propósito dos 50 anos da sua morte, na Casa de Macau em Lisboa, Álvaro da Rosa, dirigente da Fundação Casa de Macau, lembrou que “a nossa comunidade [macaense] está a diminuir”.

“Os macaenses de Macau estão a diluir-se na comunidade chinesa, por motivos óbvios. Aqui em Portugal as nossas famílias são portuguesas, não falamos patuá, não comemos comida macaense, pelo que nos estamos a diluir na sociedade onde estamos. As outras comunidades macaenses fora de Portugal, nos EUA ou no Canadá, também estão a diluir-se na sociedade. Somos, portanto, cada vez menos”, rematou.

9 Abr 2026

Óbito | Faleceu Un Chi Iam, pintora e esposa de Mio Pang Fei

Morreu, no último sábado, a pintora e professora universitária Un Chi Iam, viúva do já falecido artista e pintor Mio Pang Fei, um dos grandes nomes da arte contemporânea de Macau.

Segundo uma nota enviada às redacções pela filha do casal, Cristina Mio U Kit, Un Chi Iam nasceu em Xangai em 1938, tendo-se mudado para Macau em 1983. Possuía um mestrado em Belas-Artes pelo Instituto de Arte de Nanjing, tendo-se dedicado, tal como o marido, às artes plásticas e também ao ensino.

Un Chi Iam foi editora de arte da Revista de Cultura do Instituto Cultural de Macau e professora de pintura Chinesa na Academia de Artes Visuais de Macau e no Instituto Politécnico de Macau.

Foi ainda membro fundadora do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, bem como “líder activa” em associações locais. No que diz respeito a exposições realizadas, Un Chi Iam fez três exposições individuais, participou em três Bienais de Macau e em mais de 60 exposições colectivas internacionalmente.

Além disso, foi uma pintora distinguida pelo seu trabalho, tendo recebido “vários prémios de destaque em pintura Chinesa”. Segundo a mesma nota, “a sua obra combinava a tinta tradicional chinesa com influências modernas e ocidentais, incorporando selos, gravura e outras técnicas chinesas”, a fim de “expandir a linguagem da pintura chinesa contemporânea”.

A falecida pintora é recordada “como uma inovadora e uma professora dedicada”, com a sua influência a perdurar “através dos seus alunos, publicações e das instituições que ajudou a construir”.

Casal de eleição

Ao lado de Un Chi Iam esteve sempre Mio Pang Fei, também natural de Xangai e cuja vida e obra mereceu, em 2014, um documentário da autoria de Pedro Cardeira. Sendo um dos nomes mais importantes da arte contemporânea chinesa, Mio Pang Fei foi tido como uma referência para muitos, a começar pelo facto de, no início da carreira, se ter interessado pela arte contemporânea ocidental, que no país era tida como anti-revolucionária.

Nos anos da Revolução Cultural Mio Pang Fei teve de enveredar pela arte tradicional chinesa e caligrafia, mais política e socialmente aceites, tendo sido perseguido pelo maoísmo, detido e condenado a trabalhos forçados. No início dos anos 80, escapou para Macau e, no território, pôde continuar a arte que queria desenvolver e uma nova vida.

Mio Pang Fei criou o chamado Neo-Orientalismo, com uma mistura entre as artes que realizou toda a vida: a tradicional chinesa e a ocidental, mais contemporânea e com um outro olhar. O artista faleceu em 2020.

8 Abr 2026

Lisboa | Lançado quarto volume de “Figuras de Jade” de António Aresta

Foi lançada ontem, em Lisboa, “Figuras de Jade IV – Os Portugueses no Extremo Oriente”, obra de António Aresta, ex-professor de Filosofia em Macau, que tem escrito sobre a cultura do território. O autor descreve aqui diversas personalidades que ajudaram a contar Macau ao mundo, confessando que já está a trabalhar nos quinto e sexto volumes da mesma obra

Decorreu ontem, em Lisboa, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), o lançamento da obra “Figuras de Jade IV – Os Portugueses no Extremo Oriente”, da autoria de António Aresta, que deu aulas de Filosofia em Macau entre os anos de 1987 e 1998 e que, desde então, se tem dedicado a escrever sobre a cultura do território.

“Figuras de Jade IV” é uma edição do Instituto Internacional de Macau (IIM), feita em 2025, que teve agora o seu lançamento em Lisboa. Em declarações ao HM, António Aresta disse que este volume do livro “mostra que o projecto continua pujante”, tendo estudado já centenas de personalidades portuguesas que ajudaram a mostrar Macau nas suas diversas valências. Porém, o autor destaca uma: Manuel da Silva Mendes, considerando-a “a figura portuguesa mais relevante”. Tudo graças “à sua dimensão intelectual, o seu comprometimento cívico, a sua requintada faceta de coleccionador de obras de arte”, sem esquecer o facto de ter sido “professor e reitor do Liceu, vereador do Leal Senado e advogado”.

Na visão de António Aresta, Manuel da Silva Mendes “construiu, coisa rara entre os portugueses expatriados, um vistoso palacete, de ‘tai pan’, na colina da Guia”, tendo “infelizmente falecido prematuramente, vítima de uma doença incapacitante”. Nesta sessão na SHIP foram apresentados os quatro volumes já editados de “Figuras de Jade” o que constituiu, na visão do autor, “uma oportunidade para se voltar a recolocar Macau no centro da informação cultural portuguesa”.

Para António Aresta, “a opacidade e invisibilidade de Macau e da cultura chinesa em Portugal é um mistério oriental”. “O orientalismo, os estudos de Macau e a sinologia não são notícia ou interesse para o jornalismo português, o que é pena. Porque a nossa história é tão antiga, muito interessante e valiosa. Macau é um milagre do entendimento entre portugueses e chineses”, destacou.

Mais a caminho

Ainda segundo António Aresta, o nome “Figuras de Jade” remete para o facto de esta ser “uma pedra preciosa tão apreciada pelos chineses” e “símbolo magno da arte de ser português em Macau e no Extremo Oriente”. Assim, “os portugueses são o jade de Macau, sem eles nada disto existiria ou faria sentido”, pois “inventaram Macau, com a amizade, o trabalho e a cumplicidade dos chineses”, considerou.

António Aresta diz estar a trabalhar em mais volumes de “Figuras de Jade”, sendo que o quinto “está no prelo”, prevendo-se “que seja apresentado ainda neste ano em curso”. O autor diz também estar a trabalhar no sexto volume, considerando o trabalho em torno de “Figuras de Jade” como “infinito” e “dependente de três coisas: saúde, o acolhimento do Jornal Tribuna de Macau e o inestimável apoio do IIM”.

Longo contexto

António Aresta já conta com muitos textos sobre Macau, tendo já escrito obras como “O Neoconfuncionismo na Educação Portuguesa”, editado em 1996, ou ainda “A Educação Portuguesa no Extremo Oriente”, com edição em 1999. O autor tem também editado um livro sobre Manuel da Silva Mendes, que saiu em 2017.

Todas essas edições e referida pesquisa permitiu a António Aresta adquirir “uma visão panorâmica e pluridimensional da cultura em Macau, que é muito rica e problemática”. Os quatro volumes já publicados de “Figuras de Jade” demonstram, no entender do autor, “que Macau nunca foi indiferente para os portugueses que estudaram e se interessaram pelas mais variadas coisas”.

“Outra coisa muito curiosa, é a vertente benemérita e filantrópica. Muitos dos portugueses que estiveram em Macau ofereceram aquilo que amorosamente juntaram e compraram, como bibliotecas, obras de arte, espólios documentais, mobiliário, fotografias, a arquivos, museus e bibliotecas em Portugal. É uma coisa discreta e esquecida”, rematou.

8 Abr 2026

José Drummond, artista, estreia novo trabalho em Lisboa: “A ideia foi criar um espaço de meditação”

“O néon é um material que me interessa muito”. Quem o diz é o artista plástico José Drummond, ex-residente de Macau actualmente a viver em Portugal, e que acaba de ver inaugurada no recente MACAM – Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, em Lisboa, uma nova peça. “Between heaven and earth [Entre o Céu e a Terra]”, inspirada no I Ching – Livro das Mutações, é um convite à reflexão sobre a vida e os caminhos que se podem percorrer

Como surgiu a oportunidade de ter um trabalho teu no MACAM [Museu de Arte Contemporânea Armando Martins] e de que forma ele se enquadra nas restantes obras?

Antes de mais quero falar sobre o valioso trabalho do coleccionador Armando Martins na promoção da Arte Contemporânea em Portugal. É um trabalho notável e incontornável. Quero também referir o interesse e visão sobre o meu trabalho e todo o apoio de modo a tornar possível um projecto tão complicado de chegar a uma fase final. O convite foi feito no final de 2020, pela directora do Museu, Adelaide Ginga, e pela curadora Carolina Quintela, que me lançaram o desafio de criar uma obra “site-specific” para o espaço do túnel que liga a garagem ao Museu. Quando começámos a trabalhar, o que sabíamos é que seria um espaço de passagem, que nos interessava manter o aspecto do túnel com as paredes em cimento e que seria uma peça com luz. O trabalho resultante prossegue a minha investigação do espaço intermédio entre culturas – chinesa e ocidental – prolonga as questões de transiência presentes no taoismo e budismo, e continua a explorar os aspectos de, praticamente, todos os meus trabalhos serem sempre uma transferência seja conceptual, cultural ou física.

“Between heaven and earth [Entre o Céu e a Terra]”, nome da obra, é de 2025. Como foi o processo criativo? A sua colocação num corredor obedece a alguma mensagem específica, ou pretende transmitir algumas ideias em concreto.

Este foi um trabalho que teve várias fases e que implicou uma larga cooperação com os engenheiros da obra de recuperação do edifício. A nível de projecto foi complicado chegar a este formato final e cumprir a minha visão. Houve a necessidade de se criar uma estrutura eléctrica de propósito para a peça, de se fazer um tecto falso que mantivesse a expressão das paredes originais e por aí em diante. Mesmo depois de finalizar o projecto no papel, tivemos de esperar que as obras de recuperação do edifício ficassem prontas para que fosse possível avançar, pois o túnel era usado como passagem para todos os materiais usados dentro do Museu. Quando, em conjunto com a Adelaide e a Carolina, cheguei a uma versão conceptual final sobre o que apresentar, levantaram-se outros problemas técnicos de manufactura dos néons e de montagem. Foi um processo muito desgastante para todos porque, infelizmente, tanto o custo dos materiais como a falta de rigor da mão de obra em Portugal – para trabalhar com néon a este nível de alta exigência para uma obra com a dimensão que tem – é deficiente. Basicamente a empresa responsável pela manufactura e montagem teve um comportamento absolutamente grosseiro, de falta de profissionalismo, tendo falhado em praticamente tudo o que foi pedido. Foi necessário desmontar tudo e voltar a montar com a montagem final a ser feita por mim e pelo meu assistente, Rafael Lopes, sem o qual não teria sido possível. Quanto ao processo criativo, apesar de parecer complicado, acabou por ser mais simples. Quis fazer uma obra com inspiração no I Ching [Livro das Mutações], e a partir daí tudo apareceu.

Que ideias concretas trouxe para o projecto?

A minha ideia foi criar um espaço de meditação, de contemplação, uma pausa, um portal que permita uma reflexão sobre a humanidade, sobre cada um de nós, um caminho ou uma passagem que junte a sabedoria milenar ao tempo contemporâneo; e que seja capaz de estabelecer um diálogo intercultural que não se esgote numa só ideia de cultura. Ao combinar elementos como o I Ching, talvez o primeiro registo de cultura em livro do mundo, com uma escolha de materiais como luzes néon, componentes arduíno, sequências por algoritmo de computador e com uma componente de som, o trabalho promove uma fusão entre tradição e tecnologia, entre passado e presente. O gesto de incorporar sequências completamente aleatórias, decididas pela programação e sem que permita ao humano saber o que vai acontecer de seguida, levanta as questões da tecnologia que se começa a automatizar por si própria. A programação irá criar sequências virtualmente infinitas. Este gesto de não se saber se o néon que vai acender de seguida é o hexagrama x ou y, prolonga a ideia do I Ching.

De que forma?

Traz uma dimensão de imprevisibilidade e indeterminação que pode ser interpretado como uma metáfora sobre a complexidade e incerteza da vida contemporânea. As sequências aleatórias são em si um registo de transitoriedade e impermanência, que também podem sugerir a ideia de que cada experiência é singular e cada momento em si, único. A presença de luzes néon e som cria uma atmosfera imersiva e sensorial, convidando os visitantes a uma experiência contemplativa, estimulando estados emocionais e mentais, e incentivando a introspeção. O trabalho poderá parecer inicialmente místico e enigmático, mas os elementos visuais e a sua coreografia – com cadências e mudanças suaves, e a composição de sons – subtis e envolventes, direccionam o sentir e o estar para o momento presente, podendo criar uma sensação de tranquilidade e calma, favorecendo um espaço mental propício à meditação. Oferece ainda um espaço fora do ritmo acelerado da vida contemporânea, onde cada um possa estar com as suas emoções, com os seus pensamentos, naquele momento, ali. Existem duas cores, azul para o céu e vermelho para a terra, ou também noite e dia, ou positivo e negativo – o Céu com seis linhas contínuas e a Terra com seis linhas interrompidas são hexagramas fundamentais que vão de encontro ao processo dos opostos, yin e yang. Tive a felicidade de trabalhar com o programador João Cabral para toda a programação e montagem do sistema arduíno que comanda a peça, e do músico David Maranha que entendeu na perfeição o que eu queria. Uma experiência enriquecedora para todos.

Há muito que trabalha em torno dos neóns. De que forma este trabalho se relaciona com outras coisas que tenha feito, se é que se relaciona de alguma forma…

Ao nível expressivo o néon é um material que me interessa muito. Na montagem final desta peça há resquícios expressivos das memórias que tenho dos néons no antigo Hotel Lisboa e no Hotel Fortuna, que tristemente já foram substituídos por LEDs, ou dos primeiros néons que vi nas minhas viagens na China. Por outro lado, continua o meu trabalho sobre o espaço cultural intermédio, onde as culturas se misturam e se mantêm em suspenso, sobre o deslocamento da pertença de onde somos e para onde vamos.

Que outros novos projectos tem em mãos?

Voltei a pintar. Se conceptualmente é mais do mesmo, o processo está a ser gratificante. Estou a trabalhar num grupo de pinturas luminosas e mais não posso revelar.

2 Abr 2026

Secretário diz que “mercado em baixa” afecta renovação urbana

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, afirmou ontem que o “mercado [imobiliário] está em baixa”, o que faz com que muitos proprietários não queiram arriscar reconstruir as suas casas nas zonas mais antigas.

“Creio que concordam comigo, é difícil promover esse trabalho [de reconstrução]. As pessoas não estão optimistas e não investem na reconstrução. A dificuldade [está] no ambiente do nosso mercado e vamos ter de pensar em como podemos promover esse trabalho de reconstrução”, disse o governante, admitindo que se pode recorrer a “reduções fiscais” ou mesmo “prémios”.

No âmbito das 1.700 fracções existentes para troca, e 2.800 de alojamento temporária, utilizadas em processos de renovação de prédios antigos, o secretário disse que o Governo “não vai excluir a hipótese de adquirir estas fracções através da Macau Renovação Urbana”, mediante a situação financeira da empresa.

“Através de um processo de troca podemos resolver estas questões. Caso haja uma propriedade em sucessão, com cinco ou seis herdeiros, e que não queiram a habitação para troca nem viver na casa temporariamente, aí é provável que queiram receber dinheiro. Vamos ponderar caso a caso no âmbito da renovação urbana.”

O secretário explicou ainda que “se a natureza [da fracção] continuar a ser a de habitação para troca, teremos de a alterar, e aí será mais fácil”. “Estamos a discutir com a Macau Renovação Urbana para ver se há mais sujeitos que podem fazer habitação para troca”, destacou.

Na resposta à interpelação oral da deputada Wong Kit Cheng, Raymond Tam esclareceu que “está em estudo a forma de utilização das habitações para troca e das habitações para alojamento temporário, com vista a melhor promover a renovação urbana”.

Incentivos precisam-se

O deputado Lei Leong Wong pediu ao Governo para “relaxar as restrições em termos de políticas”. “Muitos projectos de renovação urbana têm enfrentado dificuldades recentemente. O projecto em Toi San [sete prédios] decorre sem sobressaltos, havia 50 fogos, agora vão construir 107 fracções comerciais, e os proprietários não têm de assumir grandes despesas de construção mas, além disso, há outros projectos que não estão nesta situação.”

Já a deputada Loi I Weng pediu “mais incentivos e apoios” para os proprietários das casas. “A renovação urbana implica muitas vertentes, avultados encargos e isso afecta a vontade dos proprietários [em reconstruir], porque têm de assumir muitas despesas.”

O secretário lembrou que, quem investe, tem retorno. “Claro que os proprietários saem beneficiados, porque o valor do seu imóvel vai ser mais elevado, os custos vão ter um retorno”.

2 Abr 2026

Plano director | Revisão vai incluir novo cenário demográfico

Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, anunciou ontem que será lançada, no segundo semestre, a consulta pública para a revisão do Plano Director. Este processo terá em conta o novo cenário demográfico, com menos nascimentos e mais idosos, admitiu

O Governo vai rever o Plano Director de Macau tendo em conta a nova situação demográfica do território, que tem uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo e um elevado envelhecimento populacional. A consulta pública sobre a revisão vai acontecer no segundo semestre, afirmou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, no segundo dia de sessão plenária dedicada a responder a interpelações orais dos deputados.

“A alteração do Plano Director está a avançar de forma ordenada e há que seguir certos procedimentos legais. O Chefe do Executivo já autorizou a sua alteração e no segundo semestre podemos avançar com a consulta pública”, disse.

O Plano Director foi implementado em 2024 e, conforme a lei, é necessário aguardar cinco anos para uma nova revisão, mas esse processo já está em marcha. “Segundo a lei do planeamento urbanístico a alteração do Plano Director só pode acontecer cinco anos depois, mas nada impede que avancemos com os trabalhos preparatórios.”

Raymond Tam, em resposta à interpelação oral do deputado Lam Fat Iam, disse que “vamos ter em conta as necessidades actuais para planear a zona Este-2”, ou seja, a Zona A dos Novos Aterros em Macau, pensada para ter 96 mil fracções.

“De facto é necessária uma ponderação global sobre a política demográfica, e temos de ter uma coordenação interdepartamental para estes trabalhos. O Governo vai ter grande prudência”, admitiu. O secretário disse mesmo que “na zona A, ou Este-2, sabemos que as alterações populacionais e de mercado fazem com que se altere [o nível de] procura pela habitação, e a ideia que tínhamos antes tem de ser ajustada.”

Na resposta a Lam Fat Iam, o governante disse mesmo que “o Plano Director não é imutável”, tendo em conta também “a utilização de terrenos” para as novas actividades económicas no âmbito da política “1+4”.

Muitas questões numa só

A questão demográfica levou muitos deputados a colocaram questões sobre o que aí vem. Che Sai Wang lembrou que “temos uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo”, segundo o último Relatório do Estudo sobre a Política Demográfica de Macau data de 2015.

“Passaram dez anos e o Governo tem de implementar um mecanismo para alterar a política demográfica”, destacando que menos bebés e mais idosos leva a mudanças a nível dos serviços de saúde, habitação ou ensino. “Temos de delinear o desenvolvimento da cidade em função da baixa taxa de natalidade e do envelhecimento da população, tendo em conta os transportes e saúde.”

Kou Ngon Seng considerou que “enfrentamos desafios quanto ao aproveitamento dos terrenos”, dado que “vai haver um ajustamento da população”. “Será que vai haver um ajustamento nas 96 mil fracções na zona A?”, questionou.

Leong Hong Sai questionou se o Governo pondera “captar mais quadros qualificados para optimizar o planeamento”. “O último relatório sobre política demográfica é de 2015 e nos últimos anos a situação sofreu alterações, estando em causa os recursos de solos, mercado de arrendamento, transportes, serviços de saúde e de apoio a idosos”, rematou.

2 Abr 2026

Segurança social | Governo prevê estabilidade até 2075 com actuais valores de reforma

O Executivo considera que há condições para assegurar a estabilidade financeira do Fundo de Segurança Social (FSS) até o ano de 2075 caso o valor da reforma se mantenha nos montantes actuais, 3.900 patacas por mês, estando a ser estudados possíveis ajustes.

A garantia foi ontem dada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, em resposta a uma interpelação oral do deputado Leong Sun Iok, que questionou, precisamente, a situação financeira do FSS a longo prazo, tendo em conta o envelhecimento populacional.

“De acordo com a análise dos resultados actuais encomendada pelo FSS a uma instituição académica em 2025, se a pensão para idosos se mantiver ao nível actual de atribuição (3.900 patacas por mês) e for ajustada posteriormente de acordo com o Mecanismo de ajustamento regular das prestações do regime da segurança social, o valor patrimonial do FSS continuará a ser estável até o ano 2075.”

Desta forma, “face às incertezas externas e da economia local no futuro, juntamente com os desafios resultantes da mudança da estrutura demográfica, o Governo deve ponderar prudentemente sobre o ajustamento estável do nível de prestações da pensão para idosos”.

Ainda assim, O Lam referiu que o Executivo “vai empenhar-se no aperfeiçoamento do regime de segurança social de dois níveis”, continuando a “promover, de forma gradual e ordenada, o andamento da obrigatoriedade do regime de previdência central”.

Ficou também a promessa de “estudar, em tempo oportuno, a viabilidade do ajustamento do montante das contribuições do regime de segurança social” por parte dos trabalhadores. Para isso, “realizará uma consulta junto da sociedade para auscultar amplamente as opiniões” sobre esse assunto.

Contas estáveis

O Lam apresentou ainda dados na AL sobre a situação financeira do FSS, tendo em conta que o Governo tem vindo, desde 2013, “a aumentar as fontes de receita financeira e a consolidar a sua estabilidade financeira a longo prazo”, nomeadamente através do “aumento de percentagem da dotação regular das contribuições do jogo ao FSS”.

Fez-se ainda “a injecção extraordinária com o valor total de 37 mil milhões de patacas durante quatro anos consecutivos”, além de se ter criado “o mecanismo de atribuição de dotação do saldo financeiro mediante legislação”, que resultou na atribuição anual de 3 por cento do saldo da execução do orçamento central da RAEM ao FSS.

Segundo a secretária, essas dotações “consubstanciam-se como uma das mais proeminentes fontes de receitas do FSS, actuando em sinergia com as comparticipações das receitas correntes da RAEM, as contribuições para o regime da segurança social, a taxa de contratação de trabalhadores não residentes, os rendimentos dos investimentos e demais proveniências”.

Desde a injecção extraordinária de capital ao FSS em 2013 e até 2025, “o valor total dos activos sob a gestão do FSS acumulado [passou] de 15,7 mil milhões de patacas para mais de 108,4 mil milhões de patacas”, com um aumento de 92,7 mil milhões de patacas.

Deu-se também um retorno global do investimento de 41,3 mil milhões de patacas, “correspondendo a uma taxa média de rentabilidade de 4,1 por cento ao ano”, disse a secretária. O Lam acrescentou, assim, que “a estratégia de investimento do FSS tem uma boa capacidade de combate à inflação e, ao mesmo tempo, consegue preservar e valorizar os activos”.

1 Abr 2026

Concerto | Stacey Long Ting, cantora de Hong Kong, no Galaxy em Maio

Quase que pode ser chamado um caso de resiliência no mundo da música, e a prova de que lutar pelos sonhos vale a pena. Stacey Long Ting, cantora de Hong Kong com 44 anos, vem a Macau a 23 de Maio para o espectáculo “Stacey Story Live Concert in Macau”, no G-Box do Galaxy Macau. Eis a oportunidade de o público ouvir a cantora que ficou famosa a cantar nas ruas de Hong Kong

Sempre cantou, mas só a partir dos 30 anos, e sobretudo quando se mudou para Hong Kong, em 2017, é que a Stacey Long Ting conseguiu construir uma carreira no mundo da música. Hoje, a cantora natural de Shenyang, província de Liaoning, consegue dar cartas no mundo da música e nem a covid a parou.

Tendo iniciado a digressão “Journey” no ano passado, a cantora prepara agora a sua vinda a Macau para um espectáculo no próximo dia 23 de Maio, no espaço “G-Box”, do Galaxy Macau, com início às 20h.

O primeiro concerto de Stacey Long deu-se a 18 de Agosto em West Kowloon, tendo dado três espectáculos na região vizinha que tiveram “um sucesso retumbante”, aponta o Galaxy. Depois de concertos em Guangzhou em Novembro, e em Qingyuan e Dongguan, em Janeiro deste ano, é a vez da RAEM ouvir a sua voz.

Neste espectáculo, Stacey Long irá “reflectir sobre a sua jornada”, partilhando “uma gratidão sincera pela oportunidade de viajar por várias cidades e de estabelecer ligações com novos públicos ao longo do caminho”.

Segundo a organização, “além do palco ela abraçou cada destino, explorando a cultura e gastronomia locais e enriquecendo tanto a sua jornada musical como pessoal”. A artista de cantopop, de 44 anos, vem agora “agradecer aos fãs o apoio incondicional”, trazendo sempre novos elementos para cada actuação.

No caso de Macau, o factor novidade também deverá acontecer. “A minha jornada musical espelha a própria vida — repleta de altos e baixos. De Hong Kong a Macau, cada paragem torna-se parte da minha história. Estou grata por percorrer esta jornada com todos, criando memórias e histórias que pertencem a todos nós”, disse a artista, segundo a organização.

Mudança de sucesso

Stacey Long sempre cantou, mas só recentemente, ao participar num concurso de talentos de seis meses da TVB, o “Midlife, Sing & Shine”, pensado para maiores de 35 anos, é que teve verdadeiramente a sua oportunidade. Quando se mudou para Hong Kong, em 2017, vinda da China, procurou logo um palco para cantar e mostrar o seu talento.

Em entrevista ao jornal South China Morning Post, concedida em 2023, Stacey Long disse ter “trabalhado muito na China continental”, embora “sentisse que não estava a chegar a lado nenhum”. “Por isso, queria mudar de ares”, declarou.

Conseguiu trabalho num clube de dança social em Shun Lee Estate, um complexo de habitação social em Kwun Tong, na zona de Kowloon. “Actuava com esta banda e a idade média dos músicos era de 65 anos ou mais, por isso eu era a pessoa mais nova no palco. Afinal, não era assim tão velha para este negócio”, revelou na mesma entrevista. Depois a sua carreira começou a crescer, e foi quando Stacey Long passou a fazer parte do grupo “Mong Kok Roman Tam Song and Dance Troupe”, cantando na rua, nomeadamente na zona pedonal da Rua Sai Yeung Choi South.

“Perguntei-me se estas trupes ainda existiam, por isso fui até lá e, como era de esperar, lá estavam elas. Pensei: ‘já que estou aqui, mais vale aproveitar ao máximo’, por isso cantei três canções, o público aplaudiu e aplaudiu e nada de mal aconteceu… por isso voltei para actuar novamente”, lembrou.

Seis meses depois o sucesso era tanto que conseguiu trazer os pais para Hong Kong, actuando depois na zona de Central. Estas actuações de rua acabaram com a covid, mas a carreira não terminou, tendo Stacey recebido um convite da CCTV para uma audição, para o programa “Avenue of Stars”.

A verdade é que a cantora já fazia sucesso nas redes sociais, nomeadamente no Weibo. “Achei que a minha voz não era forte o suficiente para actuar num grande palco. O meu pai desencorajou-me, dizendo que a competição provavelmente não me daria uma oportunidade. Mas como adoro cantar, teria sido uma pena não aceitar”, lembrou na mesma entrevista. Parece ter valido a pena. Prova disso é a digressão “Journey” e o espectáculo que traz a Macau.

1 Abr 2026

Digital | Pagamentos no retalho aumentam quase 50 por cento

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), relativos a Fevereiro deste ano, mostram que o volume de transacções com pagamento electrónico no ramo do retalho aumentou 46,4 por cento em termos anuais, enquanto que o crescimento em termos mensais foi de 19,6 por cento.

Já o volume de pagamentos digitais no sector da restauração aumentou, entre Fevereiro deste ano e de 2025, 14,7 por cento, enquanto que em termos mensais o aumento foi de 5,9 por cento. O volume de transacções nos restaurantes foi, em Fevereiro deste ano, de 1,28 mil milhões de patacas, sendo que nos dois primeiros meses deste ano foi de 2,48 mil milhões de patacas, mais 3,2 por cento em termos anuais.

No comércio a retalho, as transacções foram de 6,48 milhões de patacas em Fevereiro, enquanto que nos meses de Janeiro e Fevereiro o volume de compras atingiu as 11,91 mil milhões de patacas, registando-se um acréscimo homólogo de 23,3 por cento. Destaca-se, aqui, o aumento de 95,3 por cento no volume de transacções do calçado, sendo “o mais notável” segundo a DSEC. Ainda em Fevereiro, o volume de transacções dos relógios e joalharia e o do calçado subiram 50,7 e 32,6 por cento, respectivamente, em relação a Janeiro deste ano.

1 Abr 2026

PME | Estendido prazo de bonificação de juros

O Governo decidiu alargar, até ao final deste ano, o prazo para apresentação das candidaturas ao Plano de Bonificação de Juros de Créditos Bancários para as Pequenas e Médias Empresas (PME), relativo ao ano de 2025, e que foi lançado em Abril. A ideia, segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), é que mais empresas possam beneficiar desta medida.

Desde Abril e até à data, foram recebidas “aproximadamente 2.100 candidaturas”, tendo sido aprovadas 2.000, “envolvendo empréstimos bancários no valor total de cerca de 4,5 mil milhões de patacas”. São elegíveis empresas comerciais que tenham declarado junto da Direcção dos Serviços de Finanças o início da actividade até 30 de Março de 2026.

O montante máximo dos créditos a conceder a cada empresário é de cinco milhões de patacas, sendo o prazo máximo de bonificação de três anos e o limite máximo da taxa anual de bonificação até 4 por cento. O limite máximo do montante total de créditos bancários é de 10 mil milhões de patacas.

1 Abr 2026

Deficiência | Alunos mantêm estudos após secundário

O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, declarou ontem no hemiciclo que “mais de 90 por cento dos alunos sujeitos à educação inclusiva prosseguiram os seus estudos após concluírem o ensino secundário complementar”, isto mediante “os mesmos critérios de admissão que os alunos gerais”.

Os dados dizem respeito ao ano lectivo de 2024/2025 e foram referidos em resposta a uma interpelação oral da deputada Loi I Weng, que questionou os apoios dados e medidas aplicadas na área da educação inclusiva.

1 Abr 2026