Casa de Macau | A vida de Gonzaga Gomes nos livros e a ligação à União Nacional

Foi na Casa de Macau em Lisboa, esta terça-feira, que se recordou o professor, sinólogo, jornalista e tradutor Luís Gonzaga Gomes, que deixou uma extensa obra em português sobre Macau e, sobretudo, sobre os chineses. Jorge Rangel lembrou a sua ligação à União Nacional e histórias de infância com esta figura histórica, enquanto António Aresta, autor e ex-docente, defendeu a reedição total da obra completa desta personalidade macaense

Fotos: Armando Cardoso

Depois de Luís Gonzaga Gomes, falecido em 1976, ter sido lembrado na última edição do Festival Literário Rota das Letras, foi a vez de a Casa de Macau em Lisboa lhe prestar homenagem por ocasião dos 50 anos da morte desta personalidade macaense ligada às artes, letras e música, que deixou vasta obra e procurou aprofundar as relações entre chineses e portugueses, traduzindo muitas coisas do chinês ou escrevendo sobre a cultura do país do Meio. Luís Gonzaga Gomes dá mesmo nome a uma escola, a Escola Secundária Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes.

A sessão na Casa de Macau contou com Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), que recordou histórias de infância com Gonzaga Gomes: primeiro a ter aulas de violino ainda criança na sua casa, bem perto da zona do Tap Seac; e depois como seu aluno no liceu.

“Ele tinha uma irmã, Margarida Gomes, que foi minha professora de violino. Eu morava num edifício onde fica agora o Arquivo Histórico de Macau, era ali a casa dos meus avós. Treinava quatro vezes por semana, todas as tardes, e era ainda um miúdo quando, com sete ou oito anos, ia com o meu violino, que pesava bastante. Ia para um bairro muito simpático, com oito vivendas, e numa destas estava Luís Gonzaga Gomes com a irmã, ele solteirão, ela solteirona.”

As conversas entre o pequeno Rangel e Gonzaga Gomes aconteciam enquanto o primeiro esperava pela lição, onde levaria com a varinha nos dedos sempre que se enganava nas notas musicais. “Era uma figura notável desde miúdo. Aprendi muito com o Gonzaga Gomes. Foi um privilégio notável”, adiantou Jorge Rangel.

Nos tempos em que se podia jogar à bola junto ao Tap Seac, “onde, de vez em quando, passava um carro”, Jorge Rangel cresceu e recorda destes tempos um Gonzaga Gomes “fechado, reservado, que só se abria quando confiava no seu interlocutor”.

“Admirava a sua colecção de arte chinesa, a sua colecção de música. Tinha uma sala só para ouvir música, o que era raro na altura, ter tanta música em casa. Ele tinha um ouvido extraordinário e conversávamos muito sobre arte chinesa, música e a memória de Macau.”

Apesar de só ter o equivalente ao nono ano dos liceus, Luís Gonzaga Gomes foi professor do liceu, tendo dado aulas a Jorge Rangel. Novamente a relação, já na qualidade de professor-aluno, floresceu nos corredores da escola, por onde a conversa floresceu.

“O Gonzaga Gomes tinha habilitações formais ao que hoje é 9.º ano. Era um ‘self made man’, um homem que estudou muito. Leu muito, e com estas habilitações foi professor de liceu”, disse. Jorge Rangel deixou Macau no seu sétimo ano para estudar fora e, quando regressou, já Luís Gonzaga Gomes estava no fim da vida. Mantiveram correspondência.

A ligação “natural” à União Nacional

O presidente do IIM não deixou de destacar, na sessão, a ligação de Gonzaga Gomes à União Nacional, partido único do regime do Estado Novo, que vigorou em Portugal entre 1933 e 1974 e, por extensão, a todas as colónias.

“[Gonzaga Gomes] só me falou com muito entusiasmo da sua ligação ao Rotary Clube de Macau, o que é curioso, porque ele não se meteu muito na política, embora tenha sido vogal na União Nacional. Não há que ocultar estas coisas e ele assumiu, com toda a convicção, a sua participação em tudo.”

Jorge Rangel destaca, aliás, que apoiar o regime salazarista e, depois, marcelista fazia parte de ser macaense, do sentido de pertença a Portugal.

“Ele não tinha complexo nenhum e assumiu tudo com a maior abertura. É um aspecto que vale a pena referir e acentuar, porque vejo algumas biografias dele que, sem razão, tentam ocultar alguns aspectos que hoje seriam menos compreensíveis.”

Assim, na visão de Jorge Rangel, “há um tempo de Portugal que passou, são tempos diferentes”. “Para as pessoas que estavam em Macau, naquele tempo, tudo o que eram instituições de Portugal eram valorizadas, e os dirigentes políticos eram respeitados tal como eram. Era assim que, em Macau, sentíamos Portugal”, acrescentou.

Jorge Rangel deu mesmo o exemplo da sua pertença à Mocidade Portuguesa, a que “pertenceu muito activamente”. “Desde miúdos que nos era incutida esta ideia de que Portugal era representado por senhores maiores, mortos ou vivos, e representado por instituições ligadas ao Estado, que já existiram e que continuavam a existir, e foi assim até 1974. Não há que ocultar nada sem nenhum receio e com toda a convicção aquilo em que acreditámos nos nossos anos de juventude.”

Neste contexto, “Luís Gonzaga Gomes habituou-se a ver Portugal à distância, mas sentiu tudo, com toda a sua multiplicidade, no pensamento e sentimento, sempre ligado a Portugal, apesar de ser um grande promotor da relação luso-chinesa”.

Reedição necessária

António Aresta, antigo docente de Filosofia em Macau e autor de diversas obras sobre Macau, nomeadamente “Figuras de Jade”, que já vai no quarto volume, falou de Gonzaga Gomes como alguém muito focado no estudo, trabalho e pensamento, a quem sobrou pouco tempo para períodos de lazer. “Luís Gonzaga Gomes é uma personalidade que me fascina, uma pessoa misteriosa”, disse o autor de “uma pequena biografia sobre o seu pai, Joaquim Gomes, professor primário que era uma pessoa exuberante, um bom vivão”.

O filho saiu bem mais discreto. “Parece que Gonzaga Gomes não herdou esta faceta de bom vivão do pai, tendo ficado uma pessoa muito austera, muito fechada em si mesma, estudiosa, uma personalidade que dá gosto de estudar. Pergunto se ele teve tempo para viver, pois só estudou.”

Porém, o trabalho intenso de Gonzaga Gomes “não o fechou do espaço de sociabilidade com as comunidades macaense e portuguesa”, pois “pertenceu a todas e mais algumas associações de Macau, como clubes ou círculos culturais”. António Aresta deixou ainda um repto: a reedição da obra completa de Luís Gonzaga Gomes. “Era preciso planear a organização da sua obra completa, pois temos edições avulso, já esgotadas.”

9 Abr 2026

Consumo | Inflação e habitação baixam no índice de confiança

O mais recente Índice de Confiança de Consumidores da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau revela uma quebra em termos trimestrais, destacando-se a menor confiança nas áreas do emprego ou habitação. Analistas pedem a atenção do Governo na elaboração de políticas de garantia dos rendimentos da população

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na siga inglesa) acaba de publicar o mais recente Índice de Confiança dos Consumidores relativo ao primeiro trimestre deste ano, revelando-se uma ligeira queda desta confiança em termos trimestrais.

O Índice foi, assim, de 96,78 pontos, verificando-se uma redução de 0,77 pontos em comparação com o trimestre anterior, de 2025. Mostra, segundo um comunicado da MUST, que o nível de confiança dos consumidores locais sofreu “uma redução de forma moderada”; verificando-se uma “confiança fraca e pouco restringida”. Significa isto que “os residentes mantêm uma perspectiva prudente” face à economia.

O Índice vai de 0 a 200, sendo que 0 representa “total falta de confiança”, 100 representa “mais ou menos confiança, sem sentimento” e 200 representa “total confiança”. Ou seja, um critério que fique abaixo de 100 indica “falta de confiança”, enquanto acima de 100 significa “ter confiança”.

Foram analisadas seis categorias, tendo-se registado três subidas e três quebras. Nas subidas, destaca-se a compra de habitação, que ficou nos 106,24 pontos, um aumento de 2,47 por cento em termos trimestrais, já que no último trimestre de 2025 o Índice neste campo foi de 103,68.

No que diz respeito à confiança na economia local, o Índice ficou nos 91,15 pontos, aumentando 0,39 por cento em comparação aos 90,80 pontos do trimestre anterior. Os pontos no investimento de acções foram de 110,57 mais 0,38 por cento em termos trimestrais, quando se registaram 110,15 pontos.

Emprego em queda

Um dos três critérios que baixou foi a confiança no emprego, registando-se, no primeiro trimestre deste ano, 89,62, uma redução de 0,72 por cento em comparação com 90,27 no trimestre anterior. Os pontos registados no Índice para os padrões de vida foram de 95,79 por cento, menos 4,80 por cento em comparação com os 100,62 pontos do último trimestre de 2025. Os pontos nos preços, ou seja, ao nível da inflação, foram de 87,29 por cento, menos 2,81 por cento em comparação com os 89,81 pontos do trimestre anterior.

Segundos analistas que realizaram o Índice, estes resultados demonstram que os residentes ainda têm dúvidas sobre o panorama macroeconómico local e a estabilidade dos seus rendimentos, o que afecta a recuperação da confiança ao nível do consumo.

Na mesma nota da MUST, são também destacadas questões que influenciam estes dados, como “as mudanças no ambiente externo que continuam a aprofundar-se, o ritmo de crescimento económico global com sinais de fragilidade” ou ainda “as disputas geopolíticas e os conflitos económicos e comerciais que ocorrem frequentemente”.

É destacado ainda que “o desempenho económico das principais economias apresenta tendências divergentes”, existindo “incerteza quanto às tendências da inflação e ajustamentos da política monetária”. Além disso, a “economia da China, em geral, opera de forma estável e com progressos constantes, mas ainda enfrenta múltiplos problemas e desafios, tal como a oferta forte e a procura fraca e impactos externos”, é referido.

Para Macau, a equipa conclui que é necessário continuar a observar a evolução em termos de emprego, dos preços e dos rendimentos dos residentes, para que a confiança dos consumidores possa atingir gradualmente um nível mais neutro. O estudo para o Índice foi realizado entre 1 e 16 de Março deste ano, tendo sido recolhidos 807 inquiridos dos residentes locais com idades acima de 18 anos.

9 Abr 2026

Hengqin | Jorge Rangel diz que “Macau está a integrar-se rapidamente”

O presidente do Instituto Internacional de Macau, Jorge Rangel, e antigo secretário adjunto, defendeu em Lisboa que “Macau está a integrar-se muito rapidamente” no país, e que “tudo o que queríamos conservar e manter, o vamos fazendo com muita dificuldade”

Jorge Rangel, antigo secretário adjunto na administração de Rocha Vieira, e actual presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), defendeu esta terça-feira, num evento em Lisboa, que “Macau está a integrar-se rapidamente” e que o passo seguinte é Hengqin, embora nem todos queiram mudar-se.

“A China sempre soube jogar com o tempo para crescer muito depressa, e Macau está a mudar depressa. É preciso ter isto em conta, e tudo aquilo que queríamos conservar e manter vamos fazendo com muita dificuldade”, destacou.

Jorge Rangel lembrou que “a palavra de ordem” no último Plano Quinquenal chinês, apresentado na Assembleia Popular Nacional, em Pequim, e “uma das prioridades” foi “acelerar a integração de Macau na zona vizinha de Macau, Hengqin, a ilha da montanha”. O responsável destacou que lá “existe um grande complexo habitacional, com edifícios e escritórios, completamente vazios, onde pouca gente quer estar”.

“Estão a tentar estimular as pessoas a ir para lá, mas a alma ainda está do outro lado. A directiva é esta: rapidamente e em força para Hengqin, passe a expressão. É uma batalha muito difícil, para nós e para a comunidade”, referindo-se à comunidade macaense.

A diluição inevitável

No mesmo evento, que visou homenagear Luís Gonzaga Gomes a propósito dos 50 anos da sua morte, na Casa de Macau em Lisboa, Álvaro da Rosa, dirigente da Fundação Casa de Macau, lembrou que “a nossa comunidade [macaense] está a diminuir”.

“Os macaenses de Macau estão a diluir-se na comunidade chinesa, por motivos óbvios. Aqui em Portugal as nossas famílias são portuguesas, não falamos patuá, não comemos comida macaense, pelo que nos estamos a diluir na sociedade onde estamos. As outras comunidades macaenses fora de Portugal, nos EUA ou no Canadá, também estão a diluir-se na sociedade. Somos, portanto, cada vez menos”, rematou.

9 Abr 2026

Óbito | Faleceu Un Chi Iam, pintora e esposa de Mio Pang Fei

Morreu, no último sábado, a pintora e professora universitária Un Chi Iam, viúva do já falecido artista e pintor Mio Pang Fei, um dos grandes nomes da arte contemporânea de Macau.

Segundo uma nota enviada às redacções pela filha do casal, Cristina Mio U Kit, Un Chi Iam nasceu em Xangai em 1938, tendo-se mudado para Macau em 1983. Possuía um mestrado em Belas-Artes pelo Instituto de Arte de Nanjing, tendo-se dedicado, tal como o marido, às artes plásticas e também ao ensino.

Un Chi Iam foi editora de arte da Revista de Cultura do Instituto Cultural de Macau e professora de pintura Chinesa na Academia de Artes Visuais de Macau e no Instituto Politécnico de Macau.

Foi ainda membro fundadora do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, bem como “líder activa” em associações locais. No que diz respeito a exposições realizadas, Un Chi Iam fez três exposições individuais, participou em três Bienais de Macau e em mais de 60 exposições colectivas internacionalmente.

Além disso, foi uma pintora distinguida pelo seu trabalho, tendo recebido “vários prémios de destaque em pintura Chinesa”. Segundo a mesma nota, “a sua obra combinava a tinta tradicional chinesa com influências modernas e ocidentais, incorporando selos, gravura e outras técnicas chinesas”, a fim de “expandir a linguagem da pintura chinesa contemporânea”.

A falecida pintora é recordada “como uma inovadora e uma professora dedicada”, com a sua influência a perdurar “através dos seus alunos, publicações e das instituições que ajudou a construir”.

Casal de eleição

Ao lado de Un Chi Iam esteve sempre Mio Pang Fei, também natural de Xangai e cuja vida e obra mereceu, em 2014, um documentário da autoria de Pedro Cardeira. Sendo um dos nomes mais importantes da arte contemporânea chinesa, Mio Pang Fei foi tido como uma referência para muitos, a começar pelo facto de, no início da carreira, se ter interessado pela arte contemporânea ocidental, que no país era tida como anti-revolucionária.

Nos anos da Revolução Cultural Mio Pang Fei teve de enveredar pela arte tradicional chinesa e caligrafia, mais política e socialmente aceites, tendo sido perseguido pelo maoísmo, detido e condenado a trabalhos forçados. No início dos anos 80, escapou para Macau e, no território, pôde continuar a arte que queria desenvolver e uma nova vida.

Mio Pang Fei criou o chamado Neo-Orientalismo, com uma mistura entre as artes que realizou toda a vida: a tradicional chinesa e a ocidental, mais contemporânea e com um outro olhar. O artista faleceu em 2020.

8 Abr 2026

Lisboa | Lançado quarto volume de “Figuras de Jade” de António Aresta

Foi lançada ontem, em Lisboa, “Figuras de Jade IV – Os Portugueses no Extremo Oriente”, obra de António Aresta, ex-professor de Filosofia em Macau, que tem escrito sobre a cultura do território. O autor descreve aqui diversas personalidades que ajudaram a contar Macau ao mundo, confessando que já está a trabalhar nos quinto e sexto volumes da mesma obra

Decorreu ontem, em Lisboa, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), o lançamento da obra “Figuras de Jade IV – Os Portugueses no Extremo Oriente”, da autoria de António Aresta, que deu aulas de Filosofia em Macau entre os anos de 1987 e 1998 e que, desde então, se tem dedicado a escrever sobre a cultura do território.

“Figuras de Jade IV” é uma edição do Instituto Internacional de Macau (IIM), feita em 2025, que teve agora o seu lançamento em Lisboa. Em declarações ao HM, António Aresta disse que este volume do livro “mostra que o projecto continua pujante”, tendo estudado já centenas de personalidades portuguesas que ajudaram a mostrar Macau nas suas diversas valências. Porém, o autor destaca uma: Manuel da Silva Mendes, considerando-a “a figura portuguesa mais relevante”. Tudo graças “à sua dimensão intelectual, o seu comprometimento cívico, a sua requintada faceta de coleccionador de obras de arte”, sem esquecer o facto de ter sido “professor e reitor do Liceu, vereador do Leal Senado e advogado”.

Na visão de António Aresta, Manuel da Silva Mendes “construiu, coisa rara entre os portugueses expatriados, um vistoso palacete, de ‘tai pan’, na colina da Guia”, tendo “infelizmente falecido prematuramente, vítima de uma doença incapacitante”. Nesta sessão na SHIP foram apresentados os quatro volumes já editados de “Figuras de Jade” o que constituiu, na visão do autor, “uma oportunidade para se voltar a recolocar Macau no centro da informação cultural portuguesa”.

Para António Aresta, “a opacidade e invisibilidade de Macau e da cultura chinesa em Portugal é um mistério oriental”. “O orientalismo, os estudos de Macau e a sinologia não são notícia ou interesse para o jornalismo português, o que é pena. Porque a nossa história é tão antiga, muito interessante e valiosa. Macau é um milagre do entendimento entre portugueses e chineses”, destacou.

Mais a caminho

Ainda segundo António Aresta, o nome “Figuras de Jade” remete para o facto de esta ser “uma pedra preciosa tão apreciada pelos chineses” e “símbolo magno da arte de ser português em Macau e no Extremo Oriente”. Assim, “os portugueses são o jade de Macau, sem eles nada disto existiria ou faria sentido”, pois “inventaram Macau, com a amizade, o trabalho e a cumplicidade dos chineses”, considerou.

António Aresta diz estar a trabalhar em mais volumes de “Figuras de Jade”, sendo que o quinto “está no prelo”, prevendo-se “que seja apresentado ainda neste ano em curso”. O autor diz também estar a trabalhar no sexto volume, considerando o trabalho em torno de “Figuras de Jade” como “infinito” e “dependente de três coisas: saúde, o acolhimento do Jornal Tribuna de Macau e o inestimável apoio do IIM”.

Longo contexto

António Aresta já conta com muitos textos sobre Macau, tendo já escrito obras como “O Neoconfuncionismo na Educação Portuguesa”, editado em 1996, ou ainda “A Educação Portuguesa no Extremo Oriente”, com edição em 1999. O autor tem também editado um livro sobre Manuel da Silva Mendes, que saiu em 2017.

Todas essas edições e referida pesquisa permitiu a António Aresta adquirir “uma visão panorâmica e pluridimensional da cultura em Macau, que é muito rica e problemática”. Os quatro volumes já publicados de “Figuras de Jade” demonstram, no entender do autor, “que Macau nunca foi indiferente para os portugueses que estudaram e se interessaram pelas mais variadas coisas”.

“Outra coisa muito curiosa, é a vertente benemérita e filantrópica. Muitos dos portugueses que estiveram em Macau ofereceram aquilo que amorosamente juntaram e compraram, como bibliotecas, obras de arte, espólios documentais, mobiliário, fotografias, a arquivos, museus e bibliotecas em Portugal. É uma coisa discreta e esquecida”, rematou.

8 Abr 2026

José Drummond, artista, estreia novo trabalho em Lisboa: “A ideia foi criar um espaço de meditação”

“O néon é um material que me interessa muito”. Quem o diz é o artista plástico José Drummond, ex-residente de Macau actualmente a viver em Portugal, e que acaba de ver inaugurada no recente MACAM – Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, em Lisboa, uma nova peça. “Between heaven and earth [Entre o Céu e a Terra]”, inspirada no I Ching – Livro das Mutações, é um convite à reflexão sobre a vida e os caminhos que se podem percorrer

Como surgiu a oportunidade de ter um trabalho teu no MACAM [Museu de Arte Contemporânea Armando Martins] e de que forma ele se enquadra nas restantes obras?

Antes de mais quero falar sobre o valioso trabalho do coleccionador Armando Martins na promoção da Arte Contemporânea em Portugal. É um trabalho notável e incontornável. Quero também referir o interesse e visão sobre o meu trabalho e todo o apoio de modo a tornar possível um projecto tão complicado de chegar a uma fase final. O convite foi feito no final de 2020, pela directora do Museu, Adelaide Ginga, e pela curadora Carolina Quintela, que me lançaram o desafio de criar uma obra “site-specific” para o espaço do túnel que liga a garagem ao Museu. Quando começámos a trabalhar, o que sabíamos é que seria um espaço de passagem, que nos interessava manter o aspecto do túnel com as paredes em cimento e que seria uma peça com luz. O trabalho resultante prossegue a minha investigação do espaço intermédio entre culturas – chinesa e ocidental – prolonga as questões de transiência presentes no taoismo e budismo, e continua a explorar os aspectos de, praticamente, todos os meus trabalhos serem sempre uma transferência seja conceptual, cultural ou física.

“Between heaven and earth [Entre o Céu e a Terra]”, nome da obra, é de 2025. Como foi o processo criativo? A sua colocação num corredor obedece a alguma mensagem específica, ou pretende transmitir algumas ideias em concreto.

Este foi um trabalho que teve várias fases e que implicou uma larga cooperação com os engenheiros da obra de recuperação do edifício. A nível de projecto foi complicado chegar a este formato final e cumprir a minha visão. Houve a necessidade de se criar uma estrutura eléctrica de propósito para a peça, de se fazer um tecto falso que mantivesse a expressão das paredes originais e por aí em diante. Mesmo depois de finalizar o projecto no papel, tivemos de esperar que as obras de recuperação do edifício ficassem prontas para que fosse possível avançar, pois o túnel era usado como passagem para todos os materiais usados dentro do Museu. Quando, em conjunto com a Adelaide e a Carolina, cheguei a uma versão conceptual final sobre o que apresentar, levantaram-se outros problemas técnicos de manufactura dos néons e de montagem. Foi um processo muito desgastante para todos porque, infelizmente, tanto o custo dos materiais como a falta de rigor da mão de obra em Portugal – para trabalhar com néon a este nível de alta exigência para uma obra com a dimensão que tem – é deficiente. Basicamente a empresa responsável pela manufactura e montagem teve um comportamento absolutamente grosseiro, de falta de profissionalismo, tendo falhado em praticamente tudo o que foi pedido. Foi necessário desmontar tudo e voltar a montar com a montagem final a ser feita por mim e pelo meu assistente, Rafael Lopes, sem o qual não teria sido possível. Quanto ao processo criativo, apesar de parecer complicado, acabou por ser mais simples. Quis fazer uma obra com inspiração no I Ching [Livro das Mutações], e a partir daí tudo apareceu.

Que ideias concretas trouxe para o projecto?

A minha ideia foi criar um espaço de meditação, de contemplação, uma pausa, um portal que permita uma reflexão sobre a humanidade, sobre cada um de nós, um caminho ou uma passagem que junte a sabedoria milenar ao tempo contemporâneo; e que seja capaz de estabelecer um diálogo intercultural que não se esgote numa só ideia de cultura. Ao combinar elementos como o I Ching, talvez o primeiro registo de cultura em livro do mundo, com uma escolha de materiais como luzes néon, componentes arduíno, sequências por algoritmo de computador e com uma componente de som, o trabalho promove uma fusão entre tradição e tecnologia, entre passado e presente. O gesto de incorporar sequências completamente aleatórias, decididas pela programação e sem que permita ao humano saber o que vai acontecer de seguida, levanta as questões da tecnologia que se começa a automatizar por si própria. A programação irá criar sequências virtualmente infinitas. Este gesto de não se saber se o néon que vai acender de seguida é o hexagrama x ou y, prolonga a ideia do I Ching.

De que forma?

Traz uma dimensão de imprevisibilidade e indeterminação que pode ser interpretado como uma metáfora sobre a complexidade e incerteza da vida contemporânea. As sequências aleatórias são em si um registo de transitoriedade e impermanência, que também podem sugerir a ideia de que cada experiência é singular e cada momento em si, único. A presença de luzes néon e som cria uma atmosfera imersiva e sensorial, convidando os visitantes a uma experiência contemplativa, estimulando estados emocionais e mentais, e incentivando a introspeção. O trabalho poderá parecer inicialmente místico e enigmático, mas os elementos visuais e a sua coreografia – com cadências e mudanças suaves, e a composição de sons – subtis e envolventes, direccionam o sentir e o estar para o momento presente, podendo criar uma sensação de tranquilidade e calma, favorecendo um espaço mental propício à meditação. Oferece ainda um espaço fora do ritmo acelerado da vida contemporânea, onde cada um possa estar com as suas emoções, com os seus pensamentos, naquele momento, ali. Existem duas cores, azul para o céu e vermelho para a terra, ou também noite e dia, ou positivo e negativo – o Céu com seis linhas contínuas e a Terra com seis linhas interrompidas são hexagramas fundamentais que vão de encontro ao processo dos opostos, yin e yang. Tive a felicidade de trabalhar com o programador João Cabral para toda a programação e montagem do sistema arduíno que comanda a peça, e do músico David Maranha que entendeu na perfeição o que eu queria. Uma experiência enriquecedora para todos.

Há muito que trabalha em torno dos neóns. De que forma este trabalho se relaciona com outras coisas que tenha feito, se é que se relaciona de alguma forma…

Ao nível expressivo o néon é um material que me interessa muito. Na montagem final desta peça há resquícios expressivos das memórias que tenho dos néons no antigo Hotel Lisboa e no Hotel Fortuna, que tristemente já foram substituídos por LEDs, ou dos primeiros néons que vi nas minhas viagens na China. Por outro lado, continua o meu trabalho sobre o espaço cultural intermédio, onde as culturas se misturam e se mantêm em suspenso, sobre o deslocamento da pertença de onde somos e para onde vamos.

Que outros novos projectos tem em mãos?

Voltei a pintar. Se conceptualmente é mais do mesmo, o processo está a ser gratificante. Estou a trabalhar num grupo de pinturas luminosas e mais não posso revelar.

2 Abr 2026

Secretário diz que “mercado em baixa” afecta renovação urbana

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, afirmou ontem que o “mercado [imobiliário] está em baixa”, o que faz com que muitos proprietários não queiram arriscar reconstruir as suas casas nas zonas mais antigas.

“Creio que concordam comigo, é difícil promover esse trabalho [de reconstrução]. As pessoas não estão optimistas e não investem na reconstrução. A dificuldade [está] no ambiente do nosso mercado e vamos ter de pensar em como podemos promover esse trabalho de reconstrução”, disse o governante, admitindo que se pode recorrer a “reduções fiscais” ou mesmo “prémios”.

No âmbito das 1.700 fracções existentes para troca, e 2.800 de alojamento temporária, utilizadas em processos de renovação de prédios antigos, o secretário disse que o Governo “não vai excluir a hipótese de adquirir estas fracções através da Macau Renovação Urbana”, mediante a situação financeira da empresa.

“Através de um processo de troca podemos resolver estas questões. Caso haja uma propriedade em sucessão, com cinco ou seis herdeiros, e que não queiram a habitação para troca nem viver na casa temporariamente, aí é provável que queiram receber dinheiro. Vamos ponderar caso a caso no âmbito da renovação urbana.”

O secretário explicou ainda que “se a natureza [da fracção] continuar a ser a de habitação para troca, teremos de a alterar, e aí será mais fácil”. “Estamos a discutir com a Macau Renovação Urbana para ver se há mais sujeitos que podem fazer habitação para troca”, destacou.

Na resposta à interpelação oral da deputada Wong Kit Cheng, Raymond Tam esclareceu que “está em estudo a forma de utilização das habitações para troca e das habitações para alojamento temporário, com vista a melhor promover a renovação urbana”.

Incentivos precisam-se

O deputado Lei Leong Wong pediu ao Governo para “relaxar as restrições em termos de políticas”. “Muitos projectos de renovação urbana têm enfrentado dificuldades recentemente. O projecto em Toi San [sete prédios] decorre sem sobressaltos, havia 50 fogos, agora vão construir 107 fracções comerciais, e os proprietários não têm de assumir grandes despesas de construção mas, além disso, há outros projectos que não estão nesta situação.”

Já a deputada Loi I Weng pediu “mais incentivos e apoios” para os proprietários das casas. “A renovação urbana implica muitas vertentes, avultados encargos e isso afecta a vontade dos proprietários [em reconstruir], porque têm de assumir muitas despesas.”

O secretário lembrou que, quem investe, tem retorno. “Claro que os proprietários saem beneficiados, porque o valor do seu imóvel vai ser mais elevado, os custos vão ter um retorno”.

2 Abr 2026

Plano director | Revisão vai incluir novo cenário demográfico

Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, anunciou ontem que será lançada, no segundo semestre, a consulta pública para a revisão do Plano Director. Este processo terá em conta o novo cenário demográfico, com menos nascimentos e mais idosos, admitiu

O Governo vai rever o Plano Director de Macau tendo em conta a nova situação demográfica do território, que tem uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo e um elevado envelhecimento populacional. A consulta pública sobre a revisão vai acontecer no segundo semestre, afirmou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, no segundo dia de sessão plenária dedicada a responder a interpelações orais dos deputados.

“A alteração do Plano Director está a avançar de forma ordenada e há que seguir certos procedimentos legais. O Chefe do Executivo já autorizou a sua alteração e no segundo semestre podemos avançar com a consulta pública”, disse.

O Plano Director foi implementado em 2024 e, conforme a lei, é necessário aguardar cinco anos para uma nova revisão, mas esse processo já está em marcha. “Segundo a lei do planeamento urbanístico a alteração do Plano Director só pode acontecer cinco anos depois, mas nada impede que avancemos com os trabalhos preparatórios.”

Raymond Tam, em resposta à interpelação oral do deputado Lam Fat Iam, disse que “vamos ter em conta as necessidades actuais para planear a zona Este-2”, ou seja, a Zona A dos Novos Aterros em Macau, pensada para ter 96 mil fracções.

“De facto é necessária uma ponderação global sobre a política demográfica, e temos de ter uma coordenação interdepartamental para estes trabalhos. O Governo vai ter grande prudência”, admitiu. O secretário disse mesmo que “na zona A, ou Este-2, sabemos que as alterações populacionais e de mercado fazem com que se altere [o nível de] procura pela habitação, e a ideia que tínhamos antes tem de ser ajustada.”

Na resposta a Lam Fat Iam, o governante disse mesmo que “o Plano Director não é imutável”, tendo em conta também “a utilização de terrenos” para as novas actividades económicas no âmbito da política “1+4”.

Muitas questões numa só

A questão demográfica levou muitos deputados a colocaram questões sobre o que aí vem. Che Sai Wang lembrou que “temos uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo”, segundo o último Relatório do Estudo sobre a Política Demográfica de Macau data de 2015.

“Passaram dez anos e o Governo tem de implementar um mecanismo para alterar a política demográfica”, destacando que menos bebés e mais idosos leva a mudanças a nível dos serviços de saúde, habitação ou ensino. “Temos de delinear o desenvolvimento da cidade em função da baixa taxa de natalidade e do envelhecimento da população, tendo em conta os transportes e saúde.”

Kou Ngon Seng considerou que “enfrentamos desafios quanto ao aproveitamento dos terrenos”, dado que “vai haver um ajustamento da população”. “Será que vai haver um ajustamento nas 96 mil fracções na zona A?”, questionou.

Leong Hong Sai questionou se o Governo pondera “captar mais quadros qualificados para optimizar o planeamento”. “O último relatório sobre política demográfica é de 2015 e nos últimos anos a situação sofreu alterações, estando em causa os recursos de solos, mercado de arrendamento, transportes, serviços de saúde e de apoio a idosos”, rematou.

2 Abr 2026

Segurança social | Governo prevê estabilidade até 2075 com actuais valores de reforma

O Executivo considera que há condições para assegurar a estabilidade financeira do Fundo de Segurança Social (FSS) até o ano de 2075 caso o valor da reforma se mantenha nos montantes actuais, 3.900 patacas por mês, estando a ser estudados possíveis ajustes.

A garantia foi ontem dada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, em resposta a uma interpelação oral do deputado Leong Sun Iok, que questionou, precisamente, a situação financeira do FSS a longo prazo, tendo em conta o envelhecimento populacional.

“De acordo com a análise dos resultados actuais encomendada pelo FSS a uma instituição académica em 2025, se a pensão para idosos se mantiver ao nível actual de atribuição (3.900 patacas por mês) e for ajustada posteriormente de acordo com o Mecanismo de ajustamento regular das prestações do regime da segurança social, o valor patrimonial do FSS continuará a ser estável até o ano 2075.”

Desta forma, “face às incertezas externas e da economia local no futuro, juntamente com os desafios resultantes da mudança da estrutura demográfica, o Governo deve ponderar prudentemente sobre o ajustamento estável do nível de prestações da pensão para idosos”.

Ainda assim, O Lam referiu que o Executivo “vai empenhar-se no aperfeiçoamento do regime de segurança social de dois níveis”, continuando a “promover, de forma gradual e ordenada, o andamento da obrigatoriedade do regime de previdência central”.

Ficou também a promessa de “estudar, em tempo oportuno, a viabilidade do ajustamento do montante das contribuições do regime de segurança social” por parte dos trabalhadores. Para isso, “realizará uma consulta junto da sociedade para auscultar amplamente as opiniões” sobre esse assunto.

Contas estáveis

O Lam apresentou ainda dados na AL sobre a situação financeira do FSS, tendo em conta que o Governo tem vindo, desde 2013, “a aumentar as fontes de receita financeira e a consolidar a sua estabilidade financeira a longo prazo”, nomeadamente através do “aumento de percentagem da dotação regular das contribuições do jogo ao FSS”.

Fez-se ainda “a injecção extraordinária com o valor total de 37 mil milhões de patacas durante quatro anos consecutivos”, além de se ter criado “o mecanismo de atribuição de dotação do saldo financeiro mediante legislação”, que resultou na atribuição anual de 3 por cento do saldo da execução do orçamento central da RAEM ao FSS.

Segundo a secretária, essas dotações “consubstanciam-se como uma das mais proeminentes fontes de receitas do FSS, actuando em sinergia com as comparticipações das receitas correntes da RAEM, as contribuições para o regime da segurança social, a taxa de contratação de trabalhadores não residentes, os rendimentos dos investimentos e demais proveniências”.

Desde a injecção extraordinária de capital ao FSS em 2013 e até 2025, “o valor total dos activos sob a gestão do FSS acumulado [passou] de 15,7 mil milhões de patacas para mais de 108,4 mil milhões de patacas”, com um aumento de 92,7 mil milhões de patacas.

Deu-se também um retorno global do investimento de 41,3 mil milhões de patacas, “correspondendo a uma taxa média de rentabilidade de 4,1 por cento ao ano”, disse a secretária. O Lam acrescentou, assim, que “a estratégia de investimento do FSS tem uma boa capacidade de combate à inflação e, ao mesmo tempo, consegue preservar e valorizar os activos”.

1 Abr 2026

Concerto | Stacey Long Ting, cantora de Hong Kong, no Galaxy em Maio

Quase que pode ser chamado um caso de resiliência no mundo da música, e a prova de que lutar pelos sonhos vale a pena. Stacey Long Ting, cantora de Hong Kong com 44 anos, vem a Macau a 23 de Maio para o espectáculo “Stacey Story Live Concert in Macau”, no G-Box do Galaxy Macau. Eis a oportunidade de o público ouvir a cantora que ficou famosa a cantar nas ruas de Hong Kong

Sempre cantou, mas só a partir dos 30 anos, e sobretudo quando se mudou para Hong Kong, em 2017, é que a Stacey Long Ting conseguiu construir uma carreira no mundo da música. Hoje, a cantora natural de Shenyang, província de Liaoning, consegue dar cartas no mundo da música e nem a covid a parou.

Tendo iniciado a digressão “Journey” no ano passado, a cantora prepara agora a sua vinda a Macau para um espectáculo no próximo dia 23 de Maio, no espaço “G-Box”, do Galaxy Macau, com início às 20h.

O primeiro concerto de Stacey Long deu-se a 18 de Agosto em West Kowloon, tendo dado três espectáculos na região vizinha que tiveram “um sucesso retumbante”, aponta o Galaxy. Depois de concertos em Guangzhou em Novembro, e em Qingyuan e Dongguan, em Janeiro deste ano, é a vez da RAEM ouvir a sua voz.

Neste espectáculo, Stacey Long irá “reflectir sobre a sua jornada”, partilhando “uma gratidão sincera pela oportunidade de viajar por várias cidades e de estabelecer ligações com novos públicos ao longo do caminho”.

Segundo a organização, “além do palco ela abraçou cada destino, explorando a cultura e gastronomia locais e enriquecendo tanto a sua jornada musical como pessoal”. A artista de cantopop, de 44 anos, vem agora “agradecer aos fãs o apoio incondicional”, trazendo sempre novos elementos para cada actuação.

No caso de Macau, o factor novidade também deverá acontecer. “A minha jornada musical espelha a própria vida — repleta de altos e baixos. De Hong Kong a Macau, cada paragem torna-se parte da minha história. Estou grata por percorrer esta jornada com todos, criando memórias e histórias que pertencem a todos nós”, disse a artista, segundo a organização.

Mudança de sucesso

Stacey Long sempre cantou, mas só recentemente, ao participar num concurso de talentos de seis meses da TVB, o “Midlife, Sing & Shine”, pensado para maiores de 35 anos, é que teve verdadeiramente a sua oportunidade. Quando se mudou para Hong Kong, em 2017, vinda da China, procurou logo um palco para cantar e mostrar o seu talento.

Em entrevista ao jornal South China Morning Post, concedida em 2023, Stacey Long disse ter “trabalhado muito na China continental”, embora “sentisse que não estava a chegar a lado nenhum”. “Por isso, queria mudar de ares”, declarou.

Conseguiu trabalho num clube de dança social em Shun Lee Estate, um complexo de habitação social em Kwun Tong, na zona de Kowloon. “Actuava com esta banda e a idade média dos músicos era de 65 anos ou mais, por isso eu era a pessoa mais nova no palco. Afinal, não era assim tão velha para este negócio”, revelou na mesma entrevista. Depois a sua carreira começou a crescer, e foi quando Stacey Long passou a fazer parte do grupo “Mong Kok Roman Tam Song and Dance Troupe”, cantando na rua, nomeadamente na zona pedonal da Rua Sai Yeung Choi South.

“Perguntei-me se estas trupes ainda existiam, por isso fui até lá e, como era de esperar, lá estavam elas. Pensei: ‘já que estou aqui, mais vale aproveitar ao máximo’, por isso cantei três canções, o público aplaudiu e aplaudiu e nada de mal aconteceu… por isso voltei para actuar novamente”, lembrou.

Seis meses depois o sucesso era tanto que conseguiu trazer os pais para Hong Kong, actuando depois na zona de Central. Estas actuações de rua acabaram com a covid, mas a carreira não terminou, tendo Stacey recebido um convite da CCTV para uma audição, para o programa “Avenue of Stars”.

A verdade é que a cantora já fazia sucesso nas redes sociais, nomeadamente no Weibo. “Achei que a minha voz não era forte o suficiente para actuar num grande palco. O meu pai desencorajou-me, dizendo que a competição provavelmente não me daria uma oportunidade. Mas como adoro cantar, teria sido uma pena não aceitar”, lembrou na mesma entrevista. Parece ter valido a pena. Prova disso é a digressão “Journey” e o espectáculo que traz a Macau.

1 Abr 2026

Digital | Pagamentos no retalho aumentam quase 50 por cento

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), relativos a Fevereiro deste ano, mostram que o volume de transacções com pagamento electrónico no ramo do retalho aumentou 46,4 por cento em termos anuais, enquanto que o crescimento em termos mensais foi de 19,6 por cento.

Já o volume de pagamentos digitais no sector da restauração aumentou, entre Fevereiro deste ano e de 2025, 14,7 por cento, enquanto que em termos mensais o aumento foi de 5,9 por cento. O volume de transacções nos restaurantes foi, em Fevereiro deste ano, de 1,28 mil milhões de patacas, sendo que nos dois primeiros meses deste ano foi de 2,48 mil milhões de patacas, mais 3,2 por cento em termos anuais.

No comércio a retalho, as transacções foram de 6,48 milhões de patacas em Fevereiro, enquanto que nos meses de Janeiro e Fevereiro o volume de compras atingiu as 11,91 mil milhões de patacas, registando-se um acréscimo homólogo de 23,3 por cento. Destaca-se, aqui, o aumento de 95,3 por cento no volume de transacções do calçado, sendo “o mais notável” segundo a DSEC. Ainda em Fevereiro, o volume de transacções dos relógios e joalharia e o do calçado subiram 50,7 e 32,6 por cento, respectivamente, em relação a Janeiro deste ano.

1 Abr 2026

PME | Estendido prazo de bonificação de juros

O Governo decidiu alargar, até ao final deste ano, o prazo para apresentação das candidaturas ao Plano de Bonificação de Juros de Créditos Bancários para as Pequenas e Médias Empresas (PME), relativo ao ano de 2025, e que foi lançado em Abril. A ideia, segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), é que mais empresas possam beneficiar desta medida.

Desde Abril e até à data, foram recebidas “aproximadamente 2.100 candidaturas”, tendo sido aprovadas 2.000, “envolvendo empréstimos bancários no valor total de cerca de 4,5 mil milhões de patacas”. São elegíveis empresas comerciais que tenham declarado junto da Direcção dos Serviços de Finanças o início da actividade até 30 de Março de 2026.

O montante máximo dos créditos a conceder a cada empresário é de cinco milhões de patacas, sendo o prazo máximo de bonificação de três anos e o limite máximo da taxa anual de bonificação até 4 por cento. O limite máximo do montante total de créditos bancários é de 10 mil milhões de patacas.

1 Abr 2026

Deficiência | Alunos mantêm estudos após secundário

O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, declarou ontem no hemiciclo que “mais de 90 por cento dos alunos sujeitos à educação inclusiva prosseguiram os seus estudos após concluírem o ensino secundário complementar”, isto mediante “os mesmos critérios de admissão que os alunos gerais”.

Os dados dizem respeito ao ano lectivo de 2024/2025 e foram referidos em resposta a uma interpelação oral da deputada Loi I Weng, que questionou os apoios dados e medidas aplicadas na área da educação inclusiva.

1 Abr 2026

Natalidade | Governo alarga subsídios e cria novos apoios às escolas

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, anunciou ontem algumas medidas para ajudar as escolas a lidar com o decréscimo do número de alunos, como a extensão do subsídio às turmas do segundo ano do ensino infantil e apoios na reconversão de escolas ou requalificação da carreira docente

O Governo anunciou que vai apoiar as escolas que se queiram reestruturar ou fundir, tendo em conta a redução da taxa de natalidade, e indicou que o financiamento será sempre uma medida de curto prazo para dar tempo às instituições para se adaptarem à redução do número de alunos.

Na sessão plenária de ontem, na Assembleia Legislativa (AL), e em resposta a uma interpelação oral da deputada Ella Lei, O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, referiu a extensão, às turmas do 2.º ano do ensino infantil, do “subsídio de apoio ao ensino infantil”, sendo que este apoio financeiro entra no âmbito do “Subsídio para promoção do desenvolvimento da escola”. Esta medida integra-se no “Plano de financiamento para o desenvolvimento das escolas”, que foi criado no ano lectivo de 2024/2025, sendo pensado para “apoiar escolas cujo número de alunos no 1.º ano do ensino infantil seja insuficiente”. A medida é suportada financeiramente pelo Fundo Educativo (FE).

Este subsídio dado aos dois primeiros anos do ensino infantil, visa “optimizar o limite máximo do número de dispensas da componente lectiva semanal do pessoal docente das unidades escolares”.

Este plano de financiamento das escolas “tem a duração de dois anos e visa proporcionar tempo suficiente para as escolas desenvolverem estratégias pedagógicas diversificadas”, adiantou a secretária. A instituição de ensino pode, com este dinheiro, fazer “planeamentos na sua transformação ou fusão”, além de ponderar sobre “projectos individuais de desenvolvimento” ou apostar no “planeamento do corpo docente”.

Na resposta à deputada Ella Lei, a secretária afirmou também que “os montantes dos subsídios [no âmbito do FE] para o ano lectivo de 2025/2026 foram aumentados”, pelo que “as escolas dispõem de recursos suficientes para recrutar pessoal docente e optimizar as suas condições pedagógicas”.

Actualmente, disse a governante, “a média de professores por turma, no ensino infantil, foi melhorado [do rácio] 1-1,6 [um professor por uma média de 1,6 alunos], no ano lectivo de 2011/2012, para 1-2,3 no ano lectivo de 2025/2026”, sendo esta média “favorável para as escolas cuidarem e educarem melhor as crianças”.

Uma “postura activa”

A reconversão das escolas pode passar pela sua transformação em “instituições de educação contínua” com cursos de aperfeiçoamento contínuo ou “formação profissional e aprendizagem para idosos”, entre outros, disse a secretária.

O Governo promete também, com recurso ao FE, apoiar os docentes na protecção da sua carreira. O Lam prometeu “alargar a ‘2ª pista’ da carreira dos docentes e construir uma plataforma de partilha de recursos”, incentivando-os a “participar em cursos de formação suplementar, para que recebam formação noutros níveis de ensino”. Desta forma, as escolas podem “organizar-se de forma mais flexível e com mais condições”, colocando docentes noutros níveis de ensino com mais alunos.

O Lam adiantou outras conclusões de um estudo “que está quase a ser finalizado” sobre o panorama do ensino, referindo que existe a intenção de “aumentar a flexibilidade do regime do subsídio”, ainda que “o financiamento [seja algo] transitório e de curto prazo”. A intenção é mesmo “conquistar mais tempo para que as escolas se reconvertam”. Atribuir subsídios é, portanto, uma “medida residual”, para que as escolas possam “tentar estabilizar o corpo docente”.

Do lado da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, o seu director garantiu que poderá ser pedido às escolas uma lista de docentes que tenham interesse em entrar num processo de reconversão ou em participar em acções de formação. “Neste momento, temos duas ou três escolas que estão de acordo sobre uma eventual fusão entre elas”, adiantou Kong Chi Meng.

“Vamos adoptar uma postura activa” nesta matéria, disse a secretária. “Queremos criar um sistema de reconversão [das escolas], alargar o âmbito do desenvolvimento do ensino, inserir a inteligência artificial e montar uma plataforma para recursos destinados a docentes, o que já estamos a fazer”, rematou O Lam.

O deputado Leong Sun Iok disse ainda que é importante que sejam criados outros apoios sociais, nomeadamente na gravidez e cuidados infantis, a fim de potenciar a natalidade. “Esses serviços sociais são uma necessidade para a população e isso pode levar a que as pessoas tenham mais vontade de ter filhos”, disse.

1 Abr 2026

Saúde mental | Governo anuncia plano concertado

Foi apresentado ontem, através de diversos organismos públicos, um novo plano de acção conjunta pensado para a área da saúde mental, que visa juntar a parte educativa com a cultura, sem esquecer os idosos. O referido plano intitula-se “Construir uma rede de resiliência psicológica: da cognição à acção”, e, segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, consiste numa plataforma operada entre os Serviços de Saúde (SS), Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e Instituto de Acção Social (IAS), bem como o Instituto do Desporto (ID).

Na conferência de imprensa de ontem, o director interino do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, disse que será estabelecido “um mecanismo interdepartamental” entre estes serviços, com a promessa de uma “cooperação estreita e sem barreiras, promovendo-se a articulação de recursos e partilha de casos”.

O objectivo é também “formar uma rede de apoio que abranja todas as faixas etárias”, sendo que os SS já dispõem “de um mecanismo de intervenção por fases para problemas de saúde mental”, apontou. Este passa pela “prevenção precoce, apoio ao nível comunitário, psicoterapia ao nível dos centros de saúde, e, ao nível especializado, tratamento medicamentoso e internamento”, sem esquecer a ajuda “na reintegração social dos pacientes em recuperação”.

Numa nota oficial divulgada em língua portuguesa depois do fecho da edição, foi referido que, “no apoio a grávidas e puérperas”, os SS e o IAS adoptam o modelo de “cooperação médico-social”, sendo que, desde Novembro do ano passado, trabalharam com 12 centros de saúde e 13 centros de serviços integrados familiares “para prestar serviços de encaminhamento e globais, promovendo actividades de aprendizagem de ciclo completo e planos de incentivo”. Foram ainda criadas seis “creches de capacitação” para “reforçar o apoio na criação dos filhos”. No que se refere aos serviços de apoio a pessoas em reabilitação psicossocial e famílias, o Governo disse que “são facultadas cerca de 1.600 vagas em 11 instalações de reabilitação, que incluem alojamento e reabilitação diurna”.

Citada pela Lusa, Choi Ka Man, assessora principal de psicoterapia dos SS, disse que se alguém “se sentir em baixo há mais de duas semanas e não conseguir comer ou dormir, deve procurar ajuda”.

Tai Wa Hou explicou também que muitos residentes ainda receiam procurar cuidados psiquiátricos com medo de “ser estigmatizados”, enquanto outros desconhecem que condições como “ansiedade, insónia ou humor persistentemente baixo” podem melhorar com intervenção profissional.

“Estes conceitos errados criam barreiras invisíveis que impedem as pessoas de procurar ajuda”, sublinhou Tam, na mesma conferência. “É importante compreender que os problemas de saúde mental não são defeitos de carácter nem um sinal de fraqueza”, disse. Segundo Tai Wa Hou, existem em Macau nove centros de saúde e três organizações comunitárias que oferecem serviços de aconselhamento psicológico e cuidados de saúde aos residentes.

Mais livros e informações

Choi Man Chi, chefe do Departamento de Educação Não Superior da DSEDJ, apresentou o que já foi feito nesta área, nomeadamente a publicação de “materiais didácticos de educação para a saúde mental” e “recursos educativos sobre saúde mental dos jovens”, que já estão a ser aplicados nas escolas do ensino pré-escolar, primário e no ensino secundário inferior.

O responsável indicou que no segundo trimestre deste ano “serão lançados materiais também para o ensino secundário superior”, e referiu que serão formados professores “para a utilização destes materiais”, além de se “promover a realização regular de aulas de educação para a saúde mental nas escolas”.

No que diz respeito à preservação da saúde mental ao nível dos idosos, Iu Ka Wai, do IAS, afirmou que “está em curso a coordenação de avaliações domiciliárias e acompanhamento de casos identificados como sendo de risco”, tendo por base o inquérito realizado a idosos que vivem sozinhos, ou em famílias pequenas. Segundo noticiou a rádio, está também a ser preparado o “Pacote Informativo de Serviços de Cuidados a Idosos”.

Apesar de questionados pela Lusa, os SS não deram números concretos de quantos residentes receberam ou procuraram tratamento psicológico ou psiquiátrico. Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território, que conta com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade. Com Lusa

31 Mar 2026

Cultura | Macau participa no programa “Saracoteio – Dança no Ecrã”

Macau, Portugal e Cabo Verde unem-se num programa que celebra a dança em conjunto. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã acontece em Macau em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026, com apresentações prévias em Cabo Verde e Portugal nos meses de Setembro e Outubro. Nesta fase, decorrem as convocatórias de artistas

Acontece este ano um programa que celebra a dança e visa também a união entre países e territórios de língua portuguesa. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã, reúne dança e vídeo num só evento, estando nesta fase a decorrer a selecção das participações de artistas e grupos não apenas de Portugal, mas também de Macau e Cabo Verde. As parcerias fizeram-se com o Festival Uabá de Cabo Verde e o ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027 de Macau.

Segundo uma nota oficial da organização, o SARACOTEIO visa “promover a videodança e o filme dedicado ao corpo performático na comunidade de países de língua oficial portuguesa”, sendo que os projectos seleccionados serão apresentados na RAEM em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027.

Mas antes, decorrem apresentações no Festival Uabá, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, entre os dias 21 e 25 de Setembro; e depois na 34.ª Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival, em Portugal, entre os dias 25 de Setembro e 11 de Outubro.

A convocatória pede “autores e produtores de filme e vídeo de dança”, que sejam naturais ou residentes de Portugal, Macau e Cabo Verde, e que têm até ao dia 30 de Abril para submeter os projectos. No caso de Macau, os projectos podem ser submetidos à organização do festival ROLLOUT.

Uma das regras para a submissão de propostas é que estas devem ser “apresentadas por realizadores, coreógrafos, companhias de dança ou outras instituições afins que detenham direitos de apresentação de som e imagem”. Serão tidos em conta elementos como a “qualidade técnica e artística do vídeo”, o “desenvolvimento do conceito” e a “qualidade performativa apresentada”.

Eventos de celebração

No caso do festival ROLLOUT, nasceu em Macau e teve a sua primeira edição há exactamente dez anos, descrevendo-se como “um festival bienal de cinema de dança”. A programação inclui, habitualmente, concursos internacionais, exibições de filmes seleccionados, partilhas de artistas, workshops, digressões de exibição e produções encomendadas, entre outras actividades.

O objectivo é, segundo o website do festival, “construir uma plataforma de cinema de dança em Macau que promova possibilidades criativas multifacetadas e redes de intercâmbio”.

Por sua vez, a Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival realiza-se todos os anos e oferece “ao público um conjunto de actividades bem representativas da dança nacional e internacional”. Constitui-se, segundo a organização, como “um espaço de partilha, dedicado à apresentação e promoção da Dança Contemporânea”.

O festival foi criado em 1992 pela Companhia de Dança de Almada, e oferece, além de espectáculos de dança, actividades como workshops, encontros, acções de formação e partilha, exposições, performances digitais ou videodança. O evento tem ainda ligação à Plataforma Coreográfica Internacional, permitindo-se a participação de companhias e criadores independentes de Dança Contemporânea de todo o mundo.

31 Mar 2026

Casa de Portugal conquista “Prémio de Melhor Criatividade” em Desfile

A Casa de Portugal em Macau (CPM) sagrou-se vencedora do “Prémio Melhor Criatividade” atribuído no contexto da participação no Desfile Internacional de Macau 2026. A Associação Casa do Brasil recebeu o “Prémio de Melhor Actuação”, tendo sido ainda distinguidas outras associações locais.

O desfile decorreu este domingo pelas ruas do centro histórico e visou “transmitir a cultura da Rota Marítima da Seda”, tendo sido apresentadas “diversas actuações artísticas na construção da imagem de uma Macau Cultural vibrante”, destaca uma nota do Instituto Cultural (IC).

A parada, que contou com apoios de diversas operadoras de jogo, terminou na Praça do Lago Sai Van e teve como tema “A Rota Marítima da Seda como uma ponte para o intercâmbio cultural”.

No desfile estiveram presentes elementos da cultura chinesa como as folhas de chá, a porcelana e a seda, apresentando-se o “VIVA”, a mascote que, “através de sonhos e viagens”, foi demonstrando aos presentes algumas das características da cultura chinesa e da Rota Marítima da Seda.

História nas ruas

Segundo a mesma nota, “a história [contada através do desfile] começou numa misteriosa noite em que VIVA recebeu uma revelação do Deus do Mar”, e a mascote descobriu depois que tinha de “empreender uma missão de transmissão cultural com três embaixadores culturais, em representação do chá, da porcelana e da seda”.

Desta forma, o público e os grupos artísticos participantes “foram levados numa viagem imersiva” em que “paisagens e arte se fundiram e a antiguidade e modernidade coexistiram”. Pelas ruas de Macau o VIVA e seus “amigos embaixadores” encontraram uma exploração de “Jóias do Oceano”, “Cerimónia do Chá Aromática”, “Cavalgando as Ondas”, “Paisagem da Europa Continental” e “Galáxias Entrelaçadas”, e que “cumpriram finalmente a sua missão”.

Depois, na Praça do Lago Sai Van, aconteceu o espectáculo final “apresentado por grupos artísticos estrangeiros e locais”, onde se exibiu “uma diversidade de formas de artes, incluindo dança, acrobacia, andas, actuações em monociclos, instalações gigantescas de balões e percussão”.

Para o IC, “este espectáculo exibiu o encanto único de Macau como um importante nó na Rota Marítima da Seda através de diversas actuações culturais e artísticas”. Mas o Desfile continua com mais actividades de extensão, nomeadamente três actuações agendadas para o dia 4 de Abril e que se integram na iniciativa “Onde a cultura floresce, a felicidade acontece”.

Estas são apresentadas na Área de Lazer do Edifício Lok Yeung Fa Yuen, no bairro do Fai Chi Kei e no Jardim do Mercado do Iao Hon. Participam diversos grupos artísticos, incluindo a Associação Cultural Indiana e Saúde de Macau, a Associação do Santo Ninõ de Cebu em Macau, a Associação Bisdak de Macau, a Associação Internacional de Dança Oriental de Macau e a Macau Youth Street Dance Association.

Desta forma, fica demonstrado, segundo o IC, “as culturas da Índia, Filipinas e a dança de rua de Macau, trazendo-se vibrações multiculturais à comunidade”.

31 Mar 2026

Concerto | Wu Bai & China Blue, banda de Taiwan na Galaxy Arena em Junho

São chamados os reis do rock em chinês e a sua longa experiência nos palcos, desde 1992, parece comprovar isso mesmo. Os Wu Bai & China Blue actuam em Macau nos dias 6 e 7 de Junho no âmbito da digressão “Rock Star 2 World Tour”, na Galaxy Arena. Oportunidade para voltar a ouvir clássicos, ou então descobri-los pela primeira vez

Macau prepara-se para receber um dos maiores grupos de rock chinês criado nos anos 90. Trata-se dos Wu Bai & China Blue, banda de Taiwan liderada por Wu Bai, nome artístico de Wu Chun-lin, e formada pelos músicos Dean Zavolta na bateria, Yu Ta-hao nos teclados e Chu Chien-hui no baixo. Estes três elementos compõem os China Blue.

Com preços que variam entre as 480 e 1.580 patacas, os bilhetes já estão à venda para os dois espectáculos na Galaxy Arena, no Cotai.

Wu Bai é considerado o “Rei dos Espectáculos ao Vivo”, ou do rock chinês. Segundo informação disponibilizada pela Galaxy, “Wu Bai e a sua banda, formada em 1992, são celebrados pelo seu estilo rock distinto, letras cheias de paixão e performances com muita energia”.

Os dois concertos de Junho marcam o regresso de Wu Bai a Macau depois “de um hiato de dois anos”, destaca a organização. O público pode “testemunhar a sua influência intemporal e a energia incomparável dos espectáculos ao vivo”, da banda. De destacar que a digressão mundial “Rock Star 2 World Tour”, onde se integram estes dois espectáculos, já passou por vários palcos, “recebendo aclamação generalizada e esgotando salas”, é descrito.

Nome marcante

Segundo o website oficial da banda, “Wu Bai é uma das maiores estrelas de rock do universo da música em mandarim”, sendo que esta aventura pelos palcos começou nos idos anos 90. Além de criar a sua própria música, também compõe para outros artistas, como é o caso de Andy Lau ou Jacky Cheung, só para enumerar alguns.

As primeiras músicas de Wu Bai chegaram ao mercado em 1990, com o álbum de compilação “Totally Untuned”, e depois com “Feast”, editado em 1991. “A cena musical taiwanesa notou imediatamente este cantor-compositor único”, lê-se no mesmo website.

O público depressa percebeu que Wu Bai “conseguia escrever música e letras tanto em mandarim como no dialecto taiwanês, além de produzir e arranjar a sua própria música”, o que era “algo inédito para um artista taiwanês na época”. Destacavam-se ainda “a habilidade com a guitarra e sonoridades blues e rock, o que impressionou críticos e o público em toda a região”.

O primeiro álbum a solo surgiu em 1992, com “To Love Somebody is the Happiest Thing”, sendo que, nesse ano, o China Times Express considerou o disco “o álbum mais inovador do ano”.

Depressa percebeu que não podia continuar sozinho em palco e formou os China Blue, “fazendo digressões por várias cidades de Taiwan e trabalhando em bandas sonoras”. Depois, surgiu, em 1994, o segundo álbum, “Wanderer’s Love Song”, com mais de 600 mil cópias vendidas até aos dias de hoje não só em Taiwan como também em Hong Kong, Singapura ou Malásia.

Desde 2011, até hoje, Wu Bai continua a subir aos palcos com a mesma energia de sempre e acompanhado pelos China Blue. Os 20 anos de carreira foram celebrados com a digressão “Big Thanks”, enquanto que os 25 anos foram marcados com “South Wind”. Em 2018, chegou a digressão “Rock Star”.

Em 2023, Wu Bai lançou um novo disco, que em inglês se pode chamar “The Pure White Starting Point”, não se tratando de um “novo Wu Bai, mas sim de um novo começo”, na vida e como artista. No ano seguinte seria lançada uma colectânea de dois discos intitulada “How To Be a Rock Star – Wu Bai and China Blue”, com canções gravadas ao vivo.

30 Mar 2026

“Verdes Anos” exibido hoje na Cinemateca

A programação da Cinemateca Paixão passa hoje pelo cinema português, exibindo um clássico a preto e branco. Trata-se de “Verdes Anos”, de Paulo Rocha, 91 minutos filmado em 1963 e um dos exemplos do chamado “Cinema Novo” feito em Portugal.

O filme, exibido a partir das 19h30, conta as histórias de Júlio e Ilda, dois jovens da classe operária a tentar vingar em Lisboa, capital portuguesa onde a vida pode ser desafiante. Ele tem 19 anos e procura emprego, e um acidente leva-o a conhecer Ilda, que trabalha como empregada doméstica. Na cidade, a sua relação será marcada pela tragédia. Destaque para o facto de a banda sonora do filme ter sido composta por Carlos Paredes, grande mestre de guitarra portuguesa. “Verdes Anos” tornou-se uma das suas composições mais conhecidas.

A exibição de “Verdes Anos” acontece no contexto da secção especial da Cinemateca “Amor, Amor, Amor: Uma série de romance apaixonado”, que pretende revelar diferentes histórias de paixão no cinema. Amanhã exibe-se, por exemplo, outro clássico do cinema alemão, “O medo come a alma”, de Rainer Werner Fassbinder, onde o preconceito se junta ao amor.

Nesta história revela-se a história de Emmi, uma mulher viúva e solitária de 60 anos, que trabalha como empregada de limpeza, que um dia decide combater a solidão e entrar num bar essencialmente frequentado por emigrantes. Lá conhece Ali, que ousa convidá-la para dançar. Depressa a relação entre eles se torna incómoda aos olhos da sociedade. “O medo come a alma” pode ser visto a partir das 21h30 deste sábado, 28.

Prata da casa

Também amanhã, pode ser revisto o novo filme de Tracy Choi, “Girlfriends”, que teve a sua estreia mundial na secção “Vision Asia” do Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul.

Também amanhã se exibe, a partir das 16h30, “Iniciantes”, de Mike Mills, revelando-se a história de Oliver, um designer gráfico que se sente atraído por Anna, uma mulher livre e imprevisível. Só as recordações do pai vão dar espaço a Oliver para se permitir estar numa relação longa e com um compromisso sério. Este domingo exibe-se outro clássico do cinema, mas desta vez francês, “Jules e Jim”, já com sessão esgotada. Também a sessão “Os Encontros em Paris”, de 1995, agendada para este domingo, já está esgotada.

27 Mar 2026

Ka-Hó | Botânica e expressões artísticas pelas mãos de Kris Wong

A Galeria H2H (Hold On To Hope), da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau, acolhe a partir da próxima semana, 4 de Abril, uma nova exposição. Trata-se de “Botanique Cabinet: Life, Memory and Meaning”, de Kris Wong, onde a artista revela a conjugação da botânica com a expressão artística

Há uma nova mostra para ver, a partir do próximo dia 4 de Abril na pacata vila de Ka-Hó, Coloane. E se a natureza abunda na ilha, também é de natureza que se faz a nova exposição patente na Galeria H2H (Hold On To Hope), um projecto da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) que visa conjugar a recuperação de comportamentos aditivos com expressões artísticas e realização de projectos pessoais.

A galeria tem dado palco a diversas iniciativas de apoio à ARTM ou de divulgação de artistas locais, e desta vez é Kris Wong que apresenta o seu trabalho, na mostra “Botanique Cabinet: Life, Memory and Meaning”. Aqui, a artista procura conjugar o universo da botânica e da preservação de plantas com o mundo da arte.

Nesta exposição em nome próprio, Kris Wong “justapõe espécies de plantas preservadas e arte botânica”, a fim de “interrogar a dupla natureza do meio”. Isto porque, segundo descreve a nota sobre a exposição, “embora as flores mantenham a sua identidade orgânica original, a sua reorganização em objectos estruturados e funcionais cria uma tensão deliberada entre o vivo e o inerte”.

Desta forma, neste projecto o que Kris Wong procura fazer é “examinar a interacção entre a forma orgânica e a construção artificial, utilizando materiais botânicos preservados para explorar os limites do mundo natural”. O que se faz é uma revelação das plantas “como artefactos bioculturais que ligam a diversidade biológica à identidade cultural e actuam como testemunhas materiais de histórias pessoais e colectivas”.

Exploram-se, nesta mostra, ideias ou conceitos como a etnobotânica, convidando-se o público a reflectir também sobre os estudos críticos sobre plantas e a forma como estas “moldam e são moldadas pela experiência humana, actuando como pontes entre a natureza, a cultura e o significado”.

Segundo a ARTM, “cada espécime e obra de arte oferece uma perspectiva única sobre a resiliência, a perda e o significado duradouro da vida vegetal na definição de quem somos”. “Esta exposição questiona como preservamos a memória e a identidade através de objectos naturais, e como as plantas moldam – e são moldadas por – as emoções, a cultura e o significado humanos”, descreve a organização.

Arte e ensino

Kris Wong não só é artista como também tem desenvolvido um intenso trabalho em torno do universo das plantas e da sua preservação. É também educadora, trabalhando, portanto, “na intersecção entre a preservação de espécimes vegetais, a colagem de flores prensadas e a arte botânica em técnica mista”. É formada em preparação e conservação de espécimes, com o curso feito no Reino Unido, e pertence também à World Press Flower Guild, tendo seis anos de experiência na criação de espécimes botânicos e zoológicos.

No território, ministra workshops e cursos “que ensinam todo o fluxo de trabalho — desde a secagem e prensagem até ao tingimento, montagem e emolduramento a vácuo —, orientando os alunos a transformar espécimes feitos por eles próprios em designs que tratam as plantas tanto como objectos científicos quanto como linguagem visual táctil”, explica a ARTM.

Desta forma, Kris Wong procura sempre fazer uma ponte “entre a criação de espécimes e a investigação psicológica sobre memória, stress e resiliência”, tratando as plantas como um “património biocultural”. Para ela, são “testemunhas materiais de histórias pessoais e colectivas que transportam significados através de rituais, festivais e da vida quotidiana”.

27 Mar 2026

MIECF | Secretário afirma que Macau tem plano de redução de carbono

Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, disse ontem no Fórum de Desenvolvimento do Mercado Global de Crédito de Carbono que o Executivo tem “como plano orientador a estratégia de redução de carbono a longo prazo em Macau”.

No evento, inserido no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (na sigla inglesa, MIECF), que termina no domingo, o secretário destacou que “Macau tem considerado o desenvolvimento de baixo carbono como uma via fundamental para equilibrar o desenvolvimento social, económico e a protecção ecológica”, em conjugação com “a realização nacional da ‘Dupla Meta de Carbono'”.

O governante destacou que o Governo tem realizado “uma variedade de trabalhos” em prol do ambiente, nomeadamente “a conservação energética e redução de emissões, a gestão de resíduos, a melhoria da qualidade do ar e a optimização das infra-estruturas relativas à protecção ambiental”.

Ficou ainda a promessa, no mesmo discurso, de “continuar a aperfeiçoar políticas de apoio ao mercado de carbono, incentivar as instituições locais a nele participar e reforçar a comunicação com intenção de cooperação com os mercados internacionais”.

27 Mar 2026

IA | Frederico Luz cria plataforma que ajuda a comunicar em mandarim

Aluno de mandarim, programador e estudante na área da inteligência artificial, Frederico Luz criou uma plataforma que permite comunicar em mandarim, indo além da tradução ou do reconhecimento de caracteres. O projecto foi apresentado no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, e faz parte de um programa piloto do Instituto Confúcio

Foi com a apresentação “Interação Sintética: Concepção e Avaliação de um Interlocutor ‘Large Language Model’ para Aprendentes de Mandarim” que Frederico Luz apresentou a plataforma de inteligência artificial (IA) que pretende facilitar a comunicação em chinês.

A sessão decorreu em Lisboa no âmbito das Conferências da Primavera do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) e, ao HM, Frederico Luz explicou o que está por detrás de um projecto que “dá ao utilizador vários cenários, ou missões, como pedir uma refeição num restaurante, comprar bilhetes de comboio, ou marcar planos com um amigo”.

Na prática, “o aluno fala em mandarim e o sistema avalia o desempenho em tempo real”, ao nível da “pronúncia, gramática, vocabulário”, descreve Frederico Luz, que começou a estudar mandarim com 18 anos e que, actualmente, faz programação e estudos na área da IA no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.
“A grande diferença em relação a um tutor humano é a fluidez. Quando estamos a falar com um professor e erramos, o professor tem de parar a conversa, explicar o erro, e depois retomar. Com a plataforma, as correções acontecem em paralelo e a conversa não para. Cada tipo de correção, na gramática, pronúncia ou vocabulário, é tratada separadamente e aparece sem interromper o diálogo. Além disso, quando através da conversa aprendemos uma palavra nova, podemos guardá-la directamente nos ‘flashcards’ [cartões de memória] e ela entra logo na nossa rotina de estudo”, explicou.
Frederico Luz acredita que a plataforma que está a desenvolver “pode ajudar tangencialmente na tradução, por exemplo, na verificação de gramática”, embora o objectivo fulcral seja “ajudar as pessoas a aprender, para não precisarem da tradução”.

“Da mesma forma que o Pleco [software de cartões de memória e dicionário para alunos de chinês] e o Anki [software de cartões de memória para aprendizagem de língua] mudaram a aprendizagem de chinês para milhões de pessoas, acho que ferramentas como esta podem tornar o mundo um bocadinho mais pequeno. Se mais portugueses conseguirem ter conversas reais em mandarim, sem depender de intermediários, isso muda a relação entre as duas comunidades de forma muito mais profunda do que qualquer tradutor automático”, descreveu.

Na sessão apresentada no CCCM, Frederico Luz descreveu três componentes que permitem uma melhor comunicação na língua chinesa. O reconhecimento da fala, em que “o aprendente fala livremente em mandarim e o sistema transcreve e segmenta por carácter”, bem como a “avaliação tonal por carácter”, onde cada carácter “é avaliado individualmente”. O que o sistema criado por Frederico Luz vai fazer é “identificar o tom produzido e comparar com o tom esperado”.

Uma terceira componente é a “interacção conversacional adaptativa”, já que o modelo de linguagem criado pelo programador “gera respostas contextuais adaptadas ao nível do aprendente, mantendo uma conversa natural”.

Além da memória

Frederico Luz conta que está a desenvolver “um sistema que vai além dos flashcards [cartões de memória] tradicionais, onde simplesmente reconhecemos um carácter e dizemos sim ou não”.

“O que estou a construir pede ao aprendente para realmente ler os caracteres com base nos componentes que os constituem”, acrescenta, lembrando que nos Estados Unidos “houve uma grande controvérsia quando as escolas mudaram de um sistema de fónica (ler todas as sílabas) para um sistema de memorização da palavra inteira”, com “resultados desastrosos”.

Segundo Frederico Luz, “a forma como a maioria das pessoas aprende caracteres chineses é exactamente essa memorização da palavra inteira”, pelo que esta nova plataforma de IA “é o equivalente da fónica para o chinês: decompor cada carácter nos seus componentes e realmente lê-lo, em vez de apenas reconhecê-lo como uma imagem”.

O aluno de mandarim confessa que a plataforma o ajuda nos estudos, procurando, por exemplo, melhorar o reconhecimento da pronúncia “para aprendentes de nível mais baixo”, sendo uma das ferramentas onde está a trabalhar actualmente.

O projecto piloto

Frederico Luz começou a desenvolver esta plataforma para si próprio, mas a verdade é que está em curso a sua aplicação, em formato de programa piloto, com o Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa.

“Curiosamente, o director Wang do Instituto Confúcio de Lisboa, tinha tido uma ideia muito semelhante há algum tempo e tentou desenvolvê-la com outro programador, mas o projecto não avançou. Quando propus a ferramenta e o programa piloto ao instituto, não estava a tentar convencê-los em acreditar numa coisa nova: estava simplesmente a dizer que já tinha feito o que eles queriam, sem sequer terem pedido”, salientou.
Este programa piloto, assegura, vai permitir ter dados reais quanto ao lado prático desta plataforma. “Construí esta ferramenta primeiro para mim, mas não vou privar as pessoas de a utilizar só para poder aprender chinês melhor do que elas. Se virmos que a ferramenta é útil não vejo razão para não a comercializar. É por isso que o programa piloto no Instituto Confúcio é tão importante: vamos ter dados reais.”

O próximo mundo

Frederico Luz acredita que os riscos do uso da IA nesta área são mais visíveis “do lado da tradução automática”, pois existe “uma dependência excessiva de ferramentas que nos impede de realmente desenvolver competências”. “Tenho dificuldade em pensar numa forma em que a IA seja mal utilizada para aprender línguas”, assegura.

“Há pessoas que me perguntam porque estou a aprender chinês se daqui a uns anos vai haver um tradutor universal. Acho que essa tecnologia vai existir em breve, sem questão nenhuma. Estamos no início da singularidade tecnológica e os avanços vão ser verdadeiramente espantosos. Mas aprender uma língua não é só sobre conseguir comunicar. Para mim, e para milhões de outros aprendentes, é uma questão de crescimento pessoal. Quando a IA torna tudo fácil, acho que é importante para o espírito humano conseguir fazer coisas difíceis”, descreveu.

A “relevância crescente” da China

A relação de Frederico Luz com o mandarim começou cedo, sendo actualmente aluno no Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa. A programação “surgiu mais recentemente”, começando “a programar a sério há cerca de um ano, quando a IA, no caso do ‘Claude’ [modelos de linguagem] da Anthropic tornaram possível construir coisas reais”.

Criar uma nova plataforma para ajudar a comunicar em mandarim “surgiu da forma mais natural possível”, já que o aluno “já estava a usar a IA para praticar chinês”, nomeadamente ao nível da correcção de gramática e ao nível das conversações.

“Pensei que seria muito melhor se houvesse uma aplicação com uma interface dedicada a este uso, com avaliação de pronúncia e correcção em tempo real. Como esta aplicação não existia, criei-a. Foi uma ferramenta que construí primeiro para mim, porque precisava dela para aprender”, descreve.

Frederico Luz estuda mandarim dada “a relevância crescente da China”, destacando que, num futuro próximo, “falar chinês vai ser tão importante como falar inglês”. “Trabalho em IA e os chineses estão muito à frente, não apenas no desenvolvimento técnico, mas sobretudo na aplicação real: estão a usar IA em hospitais, em escolas, administração pública, coisas que no Ocidente simplesmente não se vê”, remata.

27 Mar 2026

Panchões | Sands Gallery acolhe mostra com curadoria de Ung Vai Meng

O ex-presidente do Instituto Cultural faz a curadoria de uma nova mostra sobre a história da produção de panchões em Macau. Até Agosto estará patente “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau”, na Sands Gallery no Cotai

A história da produção de panchões em Macau volta a contar-se, com outros contornos, numa nova exposição organizada pela Sands China em parceria com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). Patente na Sands Gallery, que fica no hotel Four Seasons no Cotai, até ao dia 31 de Agosto, “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau” tem curadoria de Ung Vai Meng e promete revelar muitas histórias ao público.

A iniciativa nasce de uma parceria com o meio universitário a fim de “preservar o património dos panchões de Macau”, destaca a organização numa nota. Além disso, as mais de 400 peças expostas celebram o centenário da Fábrica de Panchões Iec Long, hoje transformada em espaço de lazer e cultura na Taipa Velha.

As peças expostas incluem “manuscritos originais, ferramentas de fabrico de foguetes e rótulos de embalagens”, oferecendo aos visitantes “uma narrativa rica e multifacetada sobre a história centenária e a importância cultural da indústria de foguetes de Macau, outrora uma das quatro principais indústrias da cidade”.

Nesta mostra colaboram a Biblioteca e a Faculdade de Humanidades e Artes da MUST. Segundo um comunicado divulgado pela Sands China, a exposição “assenta em bases históricas e científicas sólidas”, uma vez que o antigo presidente do Instituto Cultural, e um dos mais reconhecidos artistas de Macau, “dedicou três décadas ao estudo” da indústria de panchões.

O que se mostra na Sands Gallery é fruto da “consolidação sistemática de investigação académica e de raros materiais de arquivo”, considerada pela organização como a “primeira exposição a traçar, investigar e apresentar de forma abrangente o desenvolvimento da indústria”, o que permite ampliar “o impacto da revitalização da Fábrica de Panchões Iec Long”.

Uma “experiência imersiva”

A exposição está dividida em seis partes. A primeira apresenta “uma experiência imersiva introdutória, desenvolvendo-se através das histórias da indústria, do saber artesanal, de arquivos históricos, experiências interactivas e da estética do design de embalagens”. Destacam-se, depois, “o valor estético” dos panchões e as “realidades práticas da produção, operação, transporte e exportação”.

Na parte dois, intitulada “Traçando a história da indústria”, são explicadas “as origens, o crescimento, a transformação e a adaptação da indústria de panchões de Macau através de um conjunto diversificado de materiais de arquivo, incluindo registos oficiais do Governo, relatórios de comércio externo, mapas, fotografias e notícias”. Podem, assim, verificar-se “mudanças demográficas, políticas governamentais e forças de mercado” da época, revelando-se “a trajectória de desenvolvimento desta indústria tradicional”.

Na parte três da exposição, com o nome “Manifestação – O coração do artesão” pode saber-se mais sobre “os processos complexos e o ambiente de trabalho do fabrico de panchões”, com a presença de “tubos, ferramentas, ilustrações e imagens históricas que sobreviveram ao tempo, revivendo-se o espírito concentrado e meticuloso dos artesãos”.

Importância nos anos 50 e 60

Citado pela mesma nota, Ung Vai Meng referiu que “o fabrico de panchões foi uma das indústrias tradicionais mais importantes de Macau”, sendo que, “para muitos residentes mais velhos, representa uma memória colectiva partilhada no último século”. Ung Vai Meng adiantou alguns dados sobre este sector, já que, nas décadas de 50 e 60, “os panchões produzidos em Macau representavam entre 30 por cento e mais de metade da produção mundial, ocupando uma posição crucial no mercado internacional”.

“Tendo em conta o centenário da Fábrica Iec Long, é com grande satisfação que colaboro com a Sands China para apresentar esta exposição, permitindo ao público conhecer melhor esta história e apreciar a arte dos rótulos de embalagens. Espero que a exposição transporte os visitantes no tempo, fazendo ecoar um século que pertence unicamente a Macau”, acrescentou.

Destaque para o facto de a operadora de jogo ter colaborado nos últimos anos na revitalização da antiga fábrica de panchões na Taipa, antigamente ao abandono. Segundo Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, essa revitalização foi assumida em 2023 e, desde então, a empresa tem investido “activamente recursos para dar uma nova vida a este importante período da história industrial de Macau, reimaginando-o como um símbolo cultural onde o património é renovado através da inovação”.

Nesta mostra, Wilfred Wong entende que se uniram “empresa e academia”, sem esquecer que também colaboram entidades como o Museu de Macau e o Arquivo de Macau.

Presença na Art Central

Destaque ainda para o facto de esta temática e exposição estarem presentes na Art Central de Hong Kong, evento cultural que decorre este fim-de-semana, até domingo, e que teve início ontem. A Sands China chama a atenção para o facto de ser “a primeira empresa do sector a participar na Art Central de Hong Kong como parceira associada”, apresentando no evento “a história e estética dos panchões de Macau ao público internacional, juntamente com obras de jovens artistas contemporâneos locais”.

Este domingo, às 15h30, no Art Central Theatre, Ung Vai Meng protagoniza a palestra “Aesthetics in a Square-Inch: A Century of Visual Culture Change Through Macao’s Firecracker Packaging” [Estética num centímetro quadrado: um século de transformação da cultura visual através das embalagens dos panchões de Macau].

Também na Art Central foi inaugurada um espaço de exposições da Sands China com mais de 40 obras de arte, incluindo trabalhos de três “jovens artistas promissores e visionários de Macau”, nomeadamente Lei Ieng Wai, Leong Chi Mou e Dor Lio Hak Man. Apresenta-se também “uma colecção histórica” proveniente da mostra patente na Sands Gallery, em Macau.

A história dos panchões revela-se em duas actividades de extensão presentes na MUST. Uma delas é a mostra “Timeless Treasures: Archival Materials of Macao’s Firecracker Industry” [Tesouros intemporais: Materiais de arquivo da indústria de fogos de artifício de Macau], patente entre 10 de Abril e 31 de Maio na biblioteca da MUST.

Além disso, desde o dia 10 de Março que pode ser vista a mostra “Historical Resonance: Firecracker Label Art From Eastern Guangdong” [Ressonância histórica: a arte dos rótulos de fogos de artifício do leste de Guangdong], no terceiro piso do bloco R da MUST. Esta parte da exposição está disponível para visitas até ao fim deste mês.

26 Mar 2026

Saúde mental | DSEDJ diz ter aumentado equipas nas escolas

A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) diz que, no actual ano lectivo, “o número de membros das equipas de aconselhamento estudantil aumentou”, para um total de 413.

Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang, a subdirectora da DSEDJ, Iun Pui Iun, afirmou também que o Governo pretende “reforçar ainda mais os recursos disponíveis e aliviar a carga de trabalho dos elementos destas equipas fora das horas de expediente”, pelo que criou, também este ano, uma linha de apoio na área do aconselhamento juvenil e plataforma de consulta online. A ideia é “proporcionar serviços de aconselhamento especializados de 24 horas, a fim de dar seguimento às necessidades dos estudantes, tanto em formato presencial como online”.

A responsável disse ainda que, para este ano lectivo, foi aumentado “o investimento em recursos destinados a cobrir as despesas com serviços de equipas de aconselhamento”. A DSEDJ criou também “um quadro de formação direccionado às instituições de aconselhamento, contendo indicações para as horas de formação”. O objectivo é realizar mais cursos para “construir sistemas de desenvolvimento profissional e de apoio de competências profissionais mais aperfeiçoados”.

26 Mar 2026