Seul | Manobras militares com EUA vão decorrer “como planeado”

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul afirmou ontem que as suas manobras militares anuais com os Estados Unidos vão decorrer “como planeado”.

A reacção sul-coreana segue-se ao anúncio feito no domingo à noite pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de que tinha ordenado ao Pentágono uma “redução significativa” na escala desses exercícios conjuntos, em nome da sua “óptima relação com o líder norte-coreano, Kim Jong-Un”.

O anúncio de Trump surge depois de afirmar que a Coreia do Sul se recusou a ajudar os Estados Unidos na desnuclearização do Irão, e alguns dias após Pyongyang ter retomado os testes de mísseis balísticos, actividade proibida pela ONU.

As manobras conjuntas “Escudo da Liberdade de Ulchi”, com início previsto para ontem e que envolvem 18 mil soldados sul-coreanos, “vão decorrer como originalmente planeado”, assegurou o Ministério da Defesa de Seul.

Numa mensagem publicada na sua rede social, Truth Social, Trump sustentou que essas manobras são “não só dispendiosas”, como também enviam “um sinal totalmente inadequado e hostil” à Coreia do Norte, país que descreveu como “não-ameaçador e respeitoso” desde o seu regresso à Casa Branca, em Janeiro de 2025.

“Assim, e considerando que é demasiado tarde para cancelar, instruí o secretário da Guerra, Pete Hegseth, para reduzir substancialmente os Exercícios Militares Conjuntos!”, escreveu Trump.

Esperava-se que as forças norte-americanas e sul-coreanas praticassem operações conjuntas em cenários complexos, incluindo um exercício de fogo real para testar a precisão conjunta da pontaria e das manobras, uma travessia de um desfiladeiro alagado e a distribuição de equipamento militar pré-posicionado, de acordo com os militares norte-americanos.

Um dia antes, Trump publicou uma fotografia sua ao lado de Kim Jong-Un, comentando quão bem os dois se dão, “apesar da expressão hostil nesta foto em particular”.

Jogos de guerra

O Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano classificou na quinta-feira o treino conjunto de Estados Unidos e Coreia do Sul como “um ensaio para uma guerra agressiva” que está a desencadear um nível diferente de instabilidade na região e advertiu para uma possível resposta através de medidas de “dissuasão” reforçadas.

A Coreia do Norte considera estas manobras militares conjuntas um ensaio para uma invasão e lançou na quarta-feira um míssil balístico no mar do Japão, em sinal de protesto.

“O nosso princípio permanente para garantir a segurança é responder a um novo nível de ameaça com um novo nível de dissuasão”, disse na quinta-feira um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, em comunicado.

A Coreia do Norte está a assumir uma posição cada vez mais activa nos conflitos internacionais, em especial apoiando a Rússia na sua guerra na Ucrânia. No domingo, os meios de comunicação estatais norte-coreanos noticiaram que Kim Jong-Un se declarou “orgulhoso” da sua relação com a Rússia, numa carta enviada ao Presidente, Vladimir Putin.

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