Colonos israelitas cercam famílias palestinianas pelo quarto dia consecutivo

O Exército israelita destruiu ontem um posto de controlo estabelecido por um grupo de colonos próximo de casas palestinianas na Cisjordânia ocupada, mas até agora não conseguiu expulsar os invasores do local.

“O Exército, a Polícia de Fronteiras e a polícia chegaram na noite passada e desmantelaram o posto” na aldeia de Qusra, disse um dos residentes afectados, Qusay Abu Ridi, à agência de notícias EFE, por telefone. Abu Ridi referiu que os colonos permanecem a 15 metros da sua casa e que as autoridades israelitas acabaram por lhe pedir que a abandonasse.

Isto coincide com as declarações do chefe do conselho de Qusra, Abd al-Azim Wadi, que detalhou que o COGAT, o órgão militar israelita responsável pela gestão dos assuntos civis na Cisjordânia ocupada, lhe disse que os colonos seriam provavelmente retirados ontem, pedindo aos residentes para evitarem andar de carro na aldeia.

Anteriormente, o Exército israelita tinha anunciado a destruição de “dois postos avançados ilegais na Área B [que seriam o início de novos colonatos]”, concretamente em Qusra e outro na aldeia de Jalud, ambos na província de Nablus.

Os militares israelitas acrescentaram ainda que apenas um dos radicais que cercavam e intimidavam duas famílias palestinianas há quatro dias — uma delas com duas filhas — tinha sido detido. As famílias não conseguiam sair de casa desde então.

No caso de Jalud, a cerca de cinco quilómetros de Qusra, os colonos israelitas entraram na cidade no início de Abril, assediando os habitantes locais e impedindo alguns de aceder às suas casas. A EFE confirmou ontem de manhã em Jalud que o exército continua mobilizado no município depois de ter desmantelado o posto avançado.

Cumplicidades criminosas

Mahmud Tubasi, expulso de sua casa no final de Julho, disse à EFE que actualmente não há presença de colonos na cidade, mas que as autoridades israelitas pediram que permaneçam nas suas casas por enquanto.

O cerco a Qusra continua desde o passado domingo, período durante o qual as forças israelitas também usaram gás lacrimogéneo, enquanto dezenas de colonos — muitos com máscaras — invadiram a zona para impedir a expulsão.

Todos os colonatos que o governo israelita apoia, financia e expande na Cisjordânia ocupada são ilegais ao abrigo do direito internacional.

Além disso, durante as primeiras horas após a entrada do grupo de colonos em Qusra, os soldados israelitas não só deixaram de intervir, como também rezaram com os radicais judeus, sentaram-se com eles debaixo da tenda e tiraram selfies, de acordo com vídeos e imagens de vigilância que registaram os acontecimentos.

O exército anunciou na quarta-feira que “serão tomadas medidas disciplinares contra os agentes de segurança envolvidos, cuja presença no local foi documentada há vários dias”, mas não especificou quais serão as punições.

Na realidade, um soldado israelita raramente é punido por atacar, assediar ou mesmo matar um palestiniano.

O último ataque mortal realizado pelas forças de segurança israelitas na Cisjordânia ocupada que resultou em acusações formais ocorreu em 2019, segundo dados do grupo israelita de defesa dos direitos humanos Yesh Din, levando as organizações de defesa dos direitos humanos a falar em “impunidade sistémica”.

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