Estudantes timorenses fazem caminhada em trilhos usados pelos guerrilheiros

Um grupo de estudantes de Timor-Leste vai realizar a partir de sábado uma caminhada pelos trilhos usados pelos guerrilheiros para assinalar o 51.º aniversário da criação das forças de defesa do país.

A caminhada do Grupo de Estudantes Amantes da Natureza da Universidade Nacional de Timor-Leste começa em Kraras, no município de Viqueque, onde, em Agosto e Setembro de 1983, ocorreu uma das maiores atrocidades cometidas pelas forças de ocupação indonésia, que provocou a morte de 300 pessoas.

Na cerimónia ontem realizada para assinalar o evento, o chefe de Estado-Maior General das Falintil (Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste) – Forças de Defesa de Timor-Leste, tenente-general Falur Rate Laek, destacou que o exercício físico “transformou-se num verdadeiro acto de memória nacional”.

“É nosso dever recordar que a terra que hoje partilhamos não é uma terra comum. É uma terra consagrada pelo sacrifício e testemunha silenciosa dos anos mais difíceis da resistência”, disse, aos jovens que vão realizar a caminhada, o chefe das forças de defesa.

O tenente-general Falur Rate Laek destacou também que os estudantes não vão caminhar por trilhos arbitrários, mas pelos “percorridos pelas Falintil” e onde “cada caminho representa simultaneamente esperança de sobrevivência e risco iminente de morte”.

“Conhecerão os recursos naturais que sustentaram os guerrilheiros em tempos de grande privação. Identificarão os refúgios que os protegeram dos cercos inimigos. Compreenderão como a própria geografia desta terra, os vales, montanhas, florestas e encostas, serviu de manto protector para aqueles que nada possuíam além da firme convicção de que Timor-Leste haveria de viver livre”, salientou.

A caminhada termina em 20 de agosto em Abu, no posto administrativo de Kelikai, no município de Baucau, a leste de Díli.

“No final desta longa jornada vai surgir o Monte Matebian, montanha sagrada da nação timorense. Foi ali que milhares de pessoas encontraram refúgio e esperança, mas também onde se escreveu uma das páginas mais dolorosas da nossa luta de libertação. Nesse local coexistiram refúgio e tragédia, sofrimento e resiliência. É sobre essa dualidade que convido todos os participantes, especialmente os jovens, a refletirem ao longo deste percurso, particularmente sobre a nossa capacidade de resistência”, pediu o tenente-general.

Braço de luta

As Falintil foram criadas a 20 de Agosto de 1975 pela Frente Revolucionário do Timor-Leste Independente (Fretilin) em resposta ao golpe da União Democrática Timorense (UDT), que provocou um conflito entre timorenses.

Em 1987, o então comandante das Falintil, Xanana Gusmão, tomou a decisão de tornar esta força apartidária, consolidando-se como braço armado da resistência à ocupação indonésia, ocorrida em 07 de Dezembro de 1975.

Após a independência do país, em 20 de Maio de 2002, as Falintil integraram as Forças de Defesa de Timor-Leste. As celebrações do 51.º aniversário das Falintil – Forças de Defesa de Timor-Leste são este ano dedicadas ao tema “Honra aos Mártires, Compromisso com a Estabilidade e a Paz”.

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado