China / ÁsiaComércio | EUA acusados de se afastarem do consenso nas relações económicas Hoje Macau - 3 Ago 2026 A China acusou sábado os Estados Unidos de se “afastarem gravemente” do consenso relativo às relações económicas e comerciais, após o alargamento das sanções norte-americanas contra 43 empresas chinesas, sob o argumento de trabalho forçado em Xinjiang. O Ministério do Comércio chinês salientou sábado, num comunicado, que a decisão norte-americana foi anunciada apenas um dia após uma videoconferência realizada entre o vice-primeiro-ministro He Lifeng, principal negociador comercial de Pequim, e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o representante do Comércio, Jamieson Greer, na qual ambas as partes mantiveram uma troca de pontos de vista “franca, profunda e construtiva” sobre a estabilidade das relações económicas e comerciais bilaterais. Segundo o ministério, as restrições norte-americanas “carecem totalmente de fundamento factual” e constituem um acto de “coacção económica” ao abrigo da legislação norte-americana, além de prejudicarem os direitos e interesses legítimos das empresas afectadas e de minarem a estabilidade das cadeias de abastecimento globais. Pequim reiterou que “não existe o chamado trabalho forçado em Xinjiang”, assim como instou Washington a deixar de “difamar” a região e de “reprimir injustificadamente” as empresas chinesas, garantindo que adoptará as “medidas necessárias” para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das suas empresas. Anúncio americano O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos anunciou na sexta-feira a inclusão de 43 empresas chinesas na lista de entidades sujeitas a restrições de importação ao abrigo da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur (UFLPA), elevando assim o número total de empresas na lista para 187, na sua maior ampliação desde a entrada em vigor da legislação em 2021 e a primeira sob a Administração de Donald Trump. A medida entrará em vigor hoje, dia 03 de Agosto. A conversa entre He, Bessent e Greer ocorreu num contexto de atritos comerciais persistentes entre as duas potências, apesar da aproximação encenada após a cimeira que os presidentes Xi Jinping e Trump realizaram em Maio passado em Pequim, na qual concordaram em ampliar a cooperação e estabilizar a relação bilateral.