China / ÁsiaImportações | Mercado africano em alta após isenção de tarifas Hoje Macau - 19 Jul 202619 Jul 2026 A aplicação de zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes de 53 países africanos fez disparar as importações chinesas, com foco nos recursos minerais, nos últimos dois meses As importações chinesas provenientes de África aceleraram em Maio e Junho, após Pequim alargar o regime de zero taxas a quase todo o continente, impulsionadas pelos minerais críticos, mas também por um forte aumento das compras de produtos. O crescimento superou o registado pelas importações chinesas no seu conjunto e foi impulsionado tanto pela procura de minerais críticos como pela entrada de novos produtos agrícolas africanos no mercado chinês. A partir de 01 de Maio, Pequim passou a aplicar zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes dos 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, alargando um regime que anteriormente abrangia apenas 33 países. A medida, válida até Abril de 2028, passou a incluir economias como a África do Sul, Egipto, Nigéria, Argélia e Quénia. O aumento das importações continua a ser liderado pelos recursos minerais, num contexto em que a China procura garantir o abastecimento de matérias-primas essenciais para a produção de baterias, semicondutores, centros de dados e outras indústrias ligadas à inteligência artificial. As compras de cobre bruto proveniente de África mais do que duplicaram em maio, aumentando mais de 110 por cento para 1,65 mil milhões de dólares. As importações de platina, espodumena – um mineral utilizado na produção de baterias de lítio – e pó de ródio também registaram fortes subidas. As importações de petróleo bruto africano cresceram igualmente 21 por cento, para 3,11 mil milhões de dólares, mantendo-se como a principal categoria de importações chinesas provenientes do continente, num período marcado pelas perturbações no abastecimento através do Estreito de Ormuz, na sequência do conflito entre Israel, os Estados Unidos e o Irão. O novo regime tarifário parece, contudo, estar também a favorecer a diversificação das exportações africanas. Outras matérias Segundo dados das alfândegas chinesas, as importações de amendoim descascado multiplicaram-se por 15 em Maio, para 13,68 milhões de dólares, enquanto as de óleo de amendoim virgem aumentaram mais de 30 vezes e as de soja não geneticamente modificada mais de oito vezes. As compras de café e maçãs africanas cresceram 52 por cento e 85 por cento, respectivamente, enquanto as importações de açúcar ultrapassaram um milhão de dólares, face a um nível residual registado em maio de 2025. A China começou ainda a importar em escala comercial alguns produtos africanos que praticamente não figuravam nas estatísticas anteriores, entre os quais açúcar de cana, choco congelado, cravinho e sementes de orquídea. O alargamento do regime de zero tarifas é visto como parte da estratégia de Pequim para reduzir o défice comercial africano nas relações bilaterais e reforçar os laços com o chamado Sul Global, numa altura de crescente proteccionismo internacional e de agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos. O comércio entre a China e África atingiu um máximo histórico de 348 mil milhões de dólares em 2025. No entanto, o crescimento manteve-se desequilibrado: as exportações chinesas para África aumentaram 25,8 por cento, para 225 mil milhões de dólares, enquanto as importações provenientes do continente cresceram apenas cerca de 5 por cento, para 123 mil milhões de dólares.