Ambiente | Mais de dois quilos de resíduos produzidos per capita em 2025

O “Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2025”, divulgado ontem pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, indica que no ano passado foram produzidos em Macau 2,3 quilos de resíduos per capita. Governo diz que qualidade do ar melhorou e número de veículos eléctricos aumentou

Num ano em que o território recebeu mais de 40 milhões de turistas, a produção de resíduos aumentou, ainda que ligeiramente. É o que revela o mais recente relatório sobre a situação ambiental em Macau, o “Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2025”, produzido pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA).

Em 2025, “a quantidade de resíduos sólidos urbanos produzidos foi de 532.053 toneladas, o que representa um aumento de 1 por cento em relação a 2024”. Já “a quantidade de resíduos sólidos urbanos per capita foi de 2,13 quilos por dia”.

A DSPA indica que “embora a população de Macau seja relativamente reduzida, a intensidade do turismo é elevada”, pelo que estas “características únicas da estrutura sócio-económica” levam a uma grande produção de resíduos sólidos urbanos, sendo sempre superior à “quantidade normal produzida pela população local”.

A DSPA diz ter lançado, neste contexto, “um estudo sobre a gestão de resíduos sólidos”, com o objectivo de “implementar políticas e linhas orientadoras de ‘redução de resíduos a partir da fonte, e a transformação de resíduos em recursos'”. Porém, o relatório não apresenta dados sobre este estudo.

Dar vida ao que é velho

No tocante à reciclagem, a DSPA também fala em melhorias, tendo-se registado, em 2025, uma taxa de recolha de resíduos recicláveis “de cerca de 21,1 por cento”. “A quantidade total dos vários tipos de resíduos recicláveis recolhidos pelo Governo subiu para 6,9 por cento em termos anuais”, descreve o Governo, relatando que, em termos de peso, “os resíduos recicláveis com maior quantidade recolhida, em 2025, foram, por ordem decrescente, o papel, equipamentos electrónicos e eléctricos, o vidro e o plástico”.

São divulgados números concretos para cada um destes itens, verificando-se que “as latas de alumínio ou ferro, o plástico e o vidro registaram os maiores aumentos em termos anuais”, 19,9; 15,4 e 9,3 por cento, respectivamente.

Centro de resíduos em 2027

Ainda relativamente às políticas de reciclagem, o Executivo promete “continuar a alargar a rede de reciclagem junto da comunidade”, para “incentivar a recolha selectiva”. No ano passado foram criados dois novos Centros Ambientais Alegria situados na Avenida Marginal do Lam Mau e na Avenida de Venceslau de Morais, somando aos mais de quatro mil pontos de recolha no território.

Segundo a DSPA, estes pontos incluem “serviços de recolha abrangem o papel, plástico, metal, garrafas de vidro, resíduos alimentares, equipamentos electrónicos e eléctricos, pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes e roupas usadas”.

O Governo menciona também o projecto de construção do Centro de Recuperação de Resíduos Orgânicos, cuja conclusão deverá acontecer em 2027. A ideia é que, após a inauguração, “funcione em coordenação com o programa de reciclagem centralizado nos resíduos alimentares provenientes da indústria e comércio, com vista a aumentar a taxa de recuperação de recursos”.

Pretende-se também “continuar a expandir e aperfeiçoar a rede comunitária de recolha de resíduos recicláveis, com o intuito de aumentar a conveniência da prática da reciclagem de materiais recicláveis por parte dos cidadãos”.

Um ar que se respira

Outro indicador ambiental avaliado neste relatório é a qualidade do ar no território, descrevendo a DSPA que “nos últimos anos têm vindo a diminuir as concentrações médias anuais de poluentes atmosféricos”, bem como “o volume de emissão de gases com efeito de estufa”, que “registou uma queda em comparação a 2024”.

No caso da emissão das partículas PM10 [partículas em suspensão no ar com diâmetro igual ou inferior a dez micrómetros, inaláveis e com impacto na saúde humana], houve uma diminuição anual de 3,5 por cento em termos de concentração média anual na atmosfera. Destaque também para a quebra de 2,3 por cento nas emissões de PM2,5 e de 1,7 por cento nas partículas NO2 [dióxido de nitrogénio].

Por sua vez, aumentou em 2,3 por cento a emissão de S02 [dióxido de enxofre] e 2,4 por cento de 03 [ozono] entre 2024 e 2025, sendo que no caso das partículas CO [monóxido de carbono], as emissões “mantiveram-se praticamente inalteradas”, descreve-se.

A DSPA considera que “de modo geral a qualidade de ar em Macau tem continuado a melhorar”, descrevendo como estas emissões sofreram uma grande redução em comparação há dez anos. Assim, em relação a 2016, as concentrações médias anuais de PM 2,5 reduziram 32,9 por cento, enquanto que no caso das PM10 a quebra foi de 17,6 por cento.

A maior quebra regista-se no dióxido de enxofre, com menos 45 por cento, bem como a redução de 29,2 por cento no dióxido de nitrogénio. Já no que diz respeito ao dióxido de carbono a redução foi de 25 por cento em dez anos.

Aponta a DSPA que “em termos anuais a maioria das emissões de poluentes atmosféricos diminuiu”, enquanto que “as emissões de GEE [Gases com Efeitos de Estufa] diminuíra 1,8 por cento”. Destaca-se também “que a percentagem de dias em que os níveis de qualidade do ar foram classificados de ‘Bom’ ou ‘Moderado’ nas seis estações de monitorização da qualidade do ar de Macau chegou aos 90 por cento”.

É referido no relatório que, à “excepção das estações [de medição da qualidade do ar] do Conselheiro Ferreira de Almeida e Toi San, as concentrações médias anuais de dióxido de azoto (NO2) foram inferiores ao valor padrão”, por exemplo.

A DSPA aponta ainda que “os transportes terrestres e marítimos, a construção civil e a incineração de resíduos foram as principais fontes de emissão de poluentes atmosféricos”.

Enquanto isso, a principal fonte de emissão de NH3 [amoníaco] deveu-se ao tratamento de águas residuais, enquanto os solventes orgânicos constituíram a principal fonte de emissão de COVNM [Compostos Orgânicos Voláteis Não Metânicos].

Neste contexto, o relatório dá conta que a DSPA tem procurado limitar “a importação de produtos que excedam o limite do teor de compostos orgânicos voláteis”, além de regulamentar “a gestão da recuperação de vapores nos postos de abastecimento de combustíveis e nos depósitos de combustíveis”.

Mais ligados à ficha

A DSPA destaca no documento ontem divulgado como as políticas de promoção do uso de veículos eléctricos parecem estar a gerar resultado, já que “o número de veículos eléctricos tem vindo continuamente a aumentar nos últimos anos”. No ano passado, “o número de veículos eléctricos em Macau era de 16.339, o que representa um aumento de 34,6 por cento relativamente ao ano anterior”, pode ler-se.

No que diz respeito ao total de novos veículos registados em 2025, “a proporção de veículos eléctricos em relação aos automóveis ligeiros aumentou de cerca de 4 por cento em 2019 para 38,5 por cento”. Já o “número de ciclomotores e motociclos eléctricos aumentou cerca de 16 vezes comparativamente ao ano anterior ao do lançamento do plano de apoio financeiro, em 2022”. Revela-se que a “percentagem de residentes que optaram por motociclos eléctricos no momento da compra de motociclos aumentou de cerca de 2 para 36,8 por cento”. Tal “demonstra que o trabalho do Governo da RAEM na promoção de veículos eléctricos já produziu algum efeito”.

Sobre os postos de carregamento deste tipo de carros e motas, havia no fim de 2025 “mais de 3.400 lugares de carregamento eléctrico na maioria dos parques de estacionamento e em vias públicas”, tendo sido instalados “armários de baterias de motociclos eléctricos para troca em oito parques de estacionamento públicos e em quatro vias ou bairros”.

O relatório não ignora os dados da temperatura e precipitação, sinais do impacto das alterações climáticas. No ano passado, a temperatura média em Macau foi de 23,2º, mais 0,4º do valor médio registado entre 1991 e 2020.

Além disso, “o número de dias de tempo muito quente foi de 37 dias, o que representa um aumento de 5,7 dias em relação ao valor médio climático”, descreve a DSPA, enquanto que “o número de dias de tempo muito frio foi de 27 dias, menos 12,1 dias do que o valor médio climático”.

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