Manchete SociedadeMGM Resorts | Aquisição pode levar a venda da subsidiária em Macau João Santos Filipe - 4 Jun 2026 A possível aquisição da MGM Resorts International pelo People Inc. pode levar a multinacional a considerar vender a participação na concessionária de Macau. O dinheiro da venda pode ser utilizado para recuperar parte do investimento ou investir no Japão A potencial aquisição da MGM Resorts International pelo grupo People Inc., ligado ao empresário Barry Diller, pode levar a multinacional americana a vender a concessionária MGM China. O cenário é traçado por analistas, na perspectiva do investidor pretender recuperar o dinheiro investido na compra da multinacional ou pretender canalizar os fundos para o Japão. Segundo o banco de investimento CBRE Equity Research, citado pelo portal Macau News Agency, a participação da MGM Resorts International na MGM China está avaliada em cerca de 3,3 mil milhões de dólares americanos. Ao mesmo tempo, todos os anos, a MGM China gera um fluxo de caixa para a empresa-mãe de 316 milhões de dólares, entre 201 milhões de dólares em dividendos e 115 milhões em receitas com despesas de administração. O dinheiro da venda da MGM China pode ser assim considerado atractivo e utilizado para financiar o investimento na construção e exploração do primeiro casino MGM no Japão: “[A People Inc] poderá considerar a alienação da totalidade ou de parte da sua participação na MGM China para ajudar a financiar a aquisição proposta, financiar o compromisso de capital em Osaka ou devolver capital aos seus sócios minoritários”, justificou a corretora. A possibilidade de a potencial compradora vender a participação em Macau foi igualmente abordada pela correctora Seaport Research Partners, num relatório citado pelo portal Macau News Agency, e tem por base a lógica do comprador tentar recuperar parte do dinheiro investido. “A MGM China vai tornar-se uma peça interessante no puzzle que é o Grupo MGM”, pode ler-se no relatório. “Tem apresentado um desempenho significativamente superior ao do mercado de Macau nos últimos anos e manteve uma quota de mercado superior à que esperávamos nos últimos trimestres”, é explicado. “Caso o negócio com a MGM venha a ser concretizado, acreditamos que existe alguma possibilidade de a People Inc. vir a procurar alienar a sua participação na MGM China”, acrescentou a Seaport. Cenários múltiplos Segundo a mesma fonte, a MGM Resorts International tem actualmente uma participação social de 56 por cento na MGM China. Caso a subsidiária em Macau seja colocada à venda, a Seaport identifica como potencial compradora a empresária Pansy Ho, que já é accionista na MGM China, com uma participação superior a 24 por cento. A corretora admite que neste caso, a filha do magnata falecido Stanley Ho poderá tentar encontrar parceiros para investir. Uma segunda possibilidade, pode passar pela participação ser adquirida pelas concessionárias Galaxy Entertainment Group ou Sands China. A Seaport Research Partners considera que ambas têm os fundos necessários e que a aquisição pode ser vista como uma forma de reforçar a posição no mercado do jogo de Macau, ao “controlar” um concorrente directo. Todavia, os analisas avisam que neste cenário a compra por uma das outras concessionárias vai estar sempre dependente da autorização das autoridades locais, que podem querer manter a competitividade no mercado. No último cenário, é equacionada a compra da concessionária por outros agentes, que não estão activos em Macau. Este cenário é tido como mais complicado, porque a Seaport considera que o comprador vai ter de conseguir a aprovação não só de Macau, mas principalmente de Pequim. Sobre um eventual comprador, a corretora aponta que a preferência deve ser dada a um investidor chinês ou asiático. Proposta fresca O grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller, apresentou no início da semana uma proposta para controlar a totalidade da empresa MGM Resorts International. Segundo a estação televisiva CNBC, a proposta apresentada pelo grupo People Incorporated avalia a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 patacas por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana.