Manchete SociedadeComércio | Empresários espanhóis mais atentos a Macau Hoje Macau - 7 Mai 2026 Os empresários espanhóis começam a olhar com mais atenção para as oportunidades de comércio que a RAEM pode suscitar. A Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong diz que só recentemente os empresários viram “o potencial” do território A Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong indicou à Lusa que só muito recentemente empresários espanhóis começaram a reconhecer o “potencial de Macau” como elo de ligação entre os dois mercados. A organização indicou que os países de língua espanhola continuam a ser “pouco conhecidos pela vasta maioria dos empresários chineses”, criando uma “necessidade evidente de conhecimento e serviços de apoio empresarial”, que Macau e Hong Kong estão particularmente bem colocados para fornecer. No entanto, apesar do vasto potencial de parceria, a associação empresarial avisou que comunidade ibero-americana na China permanece “relativamente dispersa”, o que dificulta um crescimento coeso. O comércio bilateral de bens entre a China e Espanha ultrapassou os 55 mil milhões de dólares em 2025, crescendo dos cerca de 52 mil milhões de dólares em 2024. Quanto a Hong Kong, no ano passado as exportações espanholas totalizaram aproximadamente 1,17 mil milhões de dólares, enquanto as importações provenientes de Hong Kong rondaram os 600,1 milhões de dólares. Um novo alinhamento Segundo a Câmara de Comércio, o realinhamento das relações económicas globais despertou um interesse mútuo entre a China e os 21 países de língua espanhola, que “se torna cada vez mais evidente”, embora ambas as regiões continuem “insuficientemente compreendidas” uma pela outra. “A Espanha e a América Latina e Central destacam-se como uma região de grande interesse pela sua dimensão, diversidade sectorial e capacidade de fomentar parcerias em áreas como comércio, investimento, infra-estruturas, energia, agroindústria, tecnologia e serviços”, disse a Câmara, num conjunto de respostas a questões colocadas pela Lusa. Com Macau há muito definido pelo Governo da China como uma ponte entre o país e os países de língua portuguesa, esse papel foi recentemente expandido para englobar também os países de língua espanhola. Além de uma passagem por Portugal, o Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, adicionou também uma paragem em Madrid durante a sua primeira visita ao estrangeiro no mês passado. “Macau está agora a reforçar activamente os sectores de serviços empresariais, consultoria, formação e apoio administrativo — precisamente o tipo de infra-estrutura suave de que as empresas espanholas necessitam para uma entrada fluida no mercado chinês”, afirmou a Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong. Embora Espanha não tenha ainda uma câmara sedeada em Macau, a Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong afirmou estar “plenamente comprometida” em apoiar empreendedores baseados em Macau e em reforçar a cooperação entre os dois ecossistemas de negócios. A organização está a promover ligações entre empresas espanholas e chinesas em sectores complementares como serviços corporativos, turismo, hotelaria e restauração, ao mesmo tempo que, em conjunto com outras câmaras ibero-americanas, “fomenta a criação de uma comunidade empresarial mais ampla em Hong Kong”. Combinado com o “conhecimento interno do ambiente económico e regulatório chinês”, a organização realçou que Macau oferece um “ponto de partida natural e prático” para empresas de Espanha, Portugal e América Latina.