IPOR | Agenda para este ano com mais de 100 cursos

Patrícia Quaresma, directora do Instituto Português do Oriente, diz que a instituição “retomou os números de 2019, mas com uma dinâmica diferente” e que actualmente tem “mais público jovem”. Além do festival “Letras&Companhia”, que começa hoje, o IPOR tem na agenda deste ano uma centena de cursos

O Instituto Português do Oriente (IPOR) está bem e recomenda-se. Ao HM, a directora, Patrícia Quaresma, falou da centena de cursos que está programada para este ano, do facto de ter recuperado os números pré-pandemia, em termos de alunos, e de ter professores suficientes.

“Nos últimos anos registou-se uma alteração no público-alvo e no tipo de formações que organizamos”, começou por dizer. “Estamos com mais público jovem, a colaborar mais com a DSEDJ [Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude] e as universidades, na formação de professores e em programas de cursos para fins específicos.”

Segundo a directora do IPOR, “após um período de quebra, retomamos os números de 2019, mas com uma dinâmica diferente”, sendo que, actualmente, as instalações do IPOR “têm espaço suficiente para acolher as turmas dos cursos que promovemos”.

Porém, “a dinâmica” passa também pela crescente realização de acções de formação fora das instalações do IPOR, disse. “No que diz respeito ao corpo docente do nosso Centro de Língua, estamos neste momento com 16 professores em Macau e um em Pequim, número suficiente para responder aos mais de 100 cursos que temos na agenda para 2026”, adiantou.

O IPOR foi uma das entidades que, na recente visita do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, a Lisboa, assinou um protocolo com a Universidade de Coimbra e a DSEDJ para que os estudantes possam continuar os estudos superiores em Coimbra, podendo inscrever-se em licenciaturas e mestrados.

Mas já anteriormente o IPOR assinou acordos com a Universidade do Porto e Universidade da Beira Interior. Todos eles permitem “facilitar e enquadrar o acesso e a frequência, por parte de estudantes da RAEM, com estatuto de estudante internacional, a ciclos de estudos conducentes ao grau de licenciado e de mestre”.

“Ao IPOR compete receber as candidaturas dos estudantes, organizar os seus processos e leccionar um curso preparatório de língua portuguesa com a duração de 300 horas. No final do curso, os alunos que atingirem, no mínimo, o nível A2 de proficiência, prosseguem para a universidade em Portugal, onde continuarão mais um ano de aprendizagem de língua, podendo, nalguns casos frequentar, mas sem avaliação, algumas das cadeiras da licenciatura ou mestrado em que foram admitidos, a qual terá início apenas no ano lectivo seguinte. Desta forma, iniciam o ciclo de estudos com uma consistente proficiência em língua portuguesa, idealmente o nível B2, e completamente integrados na vida académica, cultural e social do país”, explicou.

Festival envolvente

O HM conversou com Patrícia Quaresma a propósito da realização de mais uma edição do Festival “Letras&Companhia”, que começa hoje e que traz nomes de escritores portugueses como Inês Cardoso e Afonso Cruz, e muitas actividades para pais e filhos.

“O festival tem procurado envolver as instituições de ensino em todas as actividades, e este ano decidimos reforçar esta participação realizando a cerimónia de abertura na Escola Portuguesa de Macau e convidando a Escola Sun Wah para fazer um espectáculo na abertura do Letras&Companhia com os vencedores do Quarto Concurso de Canto Lusofonia promovido pela escola”, explicou.

O festival colabora também, este ano, com a empresa local CESL-Ásia. “Queremos que o Letras&Companhia se torne num marco das memórias dos mais pequenos e das famílias. Procuramos acima de tudo que o festival possa proporcionar bons momentos em português e que, por sua vez, consiga estimular a criatividade, o imaginário e, principalmente, o interesse pela leitura e pelos livros”, acrescentou a directora do IPOR.

Patrícia Quaresma diz notar “uma evolução muito positiva” na adesão do público. “Sentimos que o festival já faz parte das agendas das famílias e da comunidade e por isso, procuramos inovar e constituir um programa com novos elementos e actividades.”

Um dos exemplos, nesta edição, é a parceria com o Festival de cinema de Lisboa “Monstra”. “O festival procura promover o livro e a leitura, trazendo para o público não apenas um conjunto de publicações de autores dos países de língua portuguesa, mas também através da edição de traduções para chinês de algumas destas publicações. O IPOR tem publicado e apresentado pelo menos uma nova edição em língua chinesa, procurando assim alargar o alcance da literatura, da leitura e dos livros destes autores ao público não falante de língua portuguesa”, rematou.

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