Macau Legend | Grupo admite que sobrevivência está em causa

Até ao final do ano, a Macau Legend pode ser obrigada a pagar empréstimos avaliados em 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong. O grupo já soma incumprimentos e os administradores esperam o perdão dos bancos para manter a empresa viva

A sobrevivência da Macau Legend, empresa que controla a Doca dos Pescadores, vai estar em jogo até ao final do ano, por falta de capacidade para pagar as dívidas. O cenário é admitido pelo grupo no documento de apresentação dos resultados financeiros de 2025, que revela perdas de 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Segundo as explicações da empresa, no final do ano passado o endividamento grupo era superior a 2,7 mil milhões de dólares de Hong Kong. A maior parte destas dívidas, 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, tem de ser paga até ao final deste ano. Contudo, ao mesmo tempo que soma resultados negativos, a empresa apenas tem 27,1 milhões dólares em caixa, o suficiente para pagar 1,2 por cento da dívida que vai vencer este ano. Parte da dívida de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, já inclui empréstimos bancários que deveriam ter sido pagos em 2024, pelo que podem gerar acções de execução a qualquer altura pelo bancos.

Neste contexto, é indicado no comunicado que “existem circunstâncias que suscitam dúvidas significativas quanto à capacidade do grupo de continuar a exercer a sua actividade”.

Assim, os administradores explicam que a sobrevivência depende de medidas que passam por conseguir financiamento extra através da emissão de mais acções do grupo, negociação com os bancos para evitar a execução do património e definir novas formas de pagamento das dívidas em favor da empresa, negociações com os accionistas que emprestaram dinheiro ao grupo, num valor de 339,4 milhões de dólares de Hong Kong, e ainda a adopção de outras formas de gerar capital.

A tarefa da Macau Legend adivinha-se difícil, uma vez que desde Novembro que o grupo deixou de explorar o casino-satélite Legend Palace. Segundo os resultados de 2024, ainda antes do encerramento deste casino, o grupo empregava 1.149 pessoas, das quais 327 tinham contratos com a concessionária SJM.

Lucros só em 2018

Além disso, nos resultados financeiros de 2025, mostram que a saúde financeira do grupo está a degradar-se de forma acelerada. As perdas de 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong ultrapassam os prejuízos de 2024, que não tinham ido além dos 795 milhões de patacas.

A última vez que o grupo apresentou resultados anuais positivos foi em 2018, com um lucro de 2,0 mil milhões de dólares de Hong Kong. No entanto, desde essa data somou prejuízos de 172 milhões, em 2019, 1,9 mil milhões em 2020, 1,2 mil milhões em 2021, 608 milhões em 2022 e de 3 milhões em 2023. Estes resultados negativos foram somados, apesar do grupo ainda explorar um casino ou vários casinos em Macau, o que deixou de acontecer em Novembro do ano passado.

De acordo com o relatório de 2024, a empresa tinha como principal accionista Levo Chan Weng Lin, que se encontra em Coloane a cumprir uma pena de prisão de 13 anos, devido às operações de promoção de jogo da empresa Tak Chun, e a sua esposa a actriz Ady An. Além de Levo, também constam entre os vários accionistas da empresa a terceira mulher de Stanley Ho, Ina Chan Un Chan, com cerca de 15 por cento das acções, assim como o fundador David Chow, com uma participação de 9,89 por cento.

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